google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)


Levantei alguns dados interessantes sobre testes de impacto virtuais e reais para ilustrar a postagem anterior referente a esse assunto ("Crash Test" virtual).

Durante os anos de desenvolvimento e validação do novo E-Class da Mercedes, foram feitos mais de 17.000 testes de impacto virtuais ou simulações, além de mais de 150 impactos reais. O programa de testes inclui cerca de 30 variações de testes diferentes em que o modelo tem que ser aprovado antes de ir para os diferentes mercados do mundo todo. Além desses 30, existem mais alguns testes mais severos para atender a requisitos internos da Mercedes.

Sem dúvida são números que impressionam e condizem com o pioneirismo da Mercedes-Benz no aprimoramento da segurança passiva desde a década de 40.

Autor do post: Arnaldo Keller


Houve um tempo em que, para subir para Campos do Jordão, SP, você tinha a opção de ir de carro até Pindamonhangaba, e lá, ao pé da serra, o embarcar num trem. Em seguida você ia para o vagão de passageiros e curtia a viagem tomando um bom chá com bolinhos no vagão restaurante; nada mal. Era um programa agradável para a família, porque todos, com todo o conforto e liberdade de movimentação, podiam ir observando a mudança da paisagem até que chegassem ao objetivo final. Isso não faz tanto tempo assim; até o final da década de 60 esse sistema estava funcionando.

Oras, que heresia falar de trem num blog de entusiastas por automóvel, e logo eu, um incorrigível tarado por mandar a lenha serra acima ou serra abaixo numa estradinha sinuosa, e seja lá com que carro for. Que heresia! Porém, tenha calma, me escute um pouco, pois sou do seu time.

A explicação para a existência desse trem carregador de carros e encarador de serras é que na época a hoje chamada Serra Velha para Campos era uma estradinha que seus trechos íngremes comumente faziam ferver os carros de então. Além disso, muitas vezes viajar com o carro lotado de filhos hiperativos, sogras resmungonas e esposas desesperadas é uma situação que costuma fazer nosso cérebro nos perguntar coisas ruins, do tipo quanto tempo será que a velha leva pra morrer se eu a ficar esgoelando e lhe metendo o joelho na boca do estômago?; será que o Júnior acalma se eu enfiar o dedinho dele, aquele dedinho delicadinho e rechunchudo, todo melecado de chocolate, no acendedor de cigarros?; será que duas voltas de esparadrapo na linda boca da minha mulher bastam para calá-la?; e por aí o cérebro, esse exagero humano, essa máquina superdimensionada, ia.

Daí que, voltando ao assunto original, viajar de trem, para certas situações, é o ideal. Na primeira vez que fui a San Martin de Los Andes, há 33 anos, fui de trem e fui só. Eu tinha 19 anos e era inverno. San Martin, como diz o nome, está encravada na Cordilheira dos Andes e fica perto da conhecida San Carlos de Bariloche, no sul da Argentina. Na época era ainda uma cidade baseada na economia rural, com peões a cavalo e tratores circulando, e poucos hotéis e restaurantes de alto nível; a pista de esqui no Cerro Chapelco, que traria o turismo, fora inaugurada recentemente.

Era uma belíssima viagem essa de trem. Saindo de Buenos Aires, indo para o Sul, primeiramente cruzava-se os verdejantes pampas que circundam a Capital. Pela janela, ao entardecer, descortinavam-se imensas planícies férteis, pastagens tenras com gado gordo e plantações viçosas que se estendiam ao longínquo horizonte. Horas de viagem depois, a vegetação ia aos poucos ressecando e começávamos a entrar na Patagônia. Daí anoitecia. A viagem era longa, o trem antigo e lento, parávamos em estações perdidas, com suas luzes opacas, homens encapotados, cachorros peludos, bares mortiços, café com leite quentinho, leite gordo, cigarro de fumo negro rasgador de garganta aceso.

Seguíamos então por regiões semi-desérticas, planas, onde o vento forte, frio e seco, a tudo desidrata. Lembro do amanhecer. Céu róseo, nuvens altas e esfiapadas. O trem correndo passou por um grupo de peões, mais de dez, pilchados com bombachas e grossos ponchos de lã. Formavam eles uma roda em torno da fogueira, os cavalos agrupados os protegendo do vento, a cuia do chimarrão passando de mão para mão. Só eu sei o quanto desejei estar ali na roda, com meu cavalo Gualixo arreado e tirando um cochilo para guardar forças, me esperando. O dia estava começando como deve começar, com força, com a vitalidade que só o amanhecer na natureza nos pode dar.

Daí vinha a região de Rio Negro, a região das suculentas maçãs e pêras. Macieiras e pereiras desfolhadas, galhos escuros contrastando com a terra arenosa e esbranquiçada. O ponto final da linha era Zapala, ainda quatrocentos quilômetros distante de San Martin. Cidade pequena de poucos quarteirões, cujas ruas asfaltadas se recobrem da areia do deserto. Calçadas altas, acima do nível da rua, como nas cidades do “velho oeste”. O vento a castiga, rolos de capim seco a atravessam às cambalhotas e seguem apressados, como se algum compromisso tivessem com o imenso nada a que se dirigiam.

Ali pegávamos um ônibus. O que peguei tinha todo o interior decorado com pingentes, bandeirinhas, fotos, sininhos e tudo o que fosse colorido e balançante; tudo meio solto, inclusive a suspensão do veículo. Tive a sorte de ao meu lado sentar um senhor baixinho, velhusco, de pele encarquilhada pelo deserto e cujo sorriso banguela e franco fazia brilhar olhos azuis e luminosos como diamante. A conversa fluiu com muitas perguntas de ambos os lados, muita curiosidade pelas diferentes vidas que levávamos. Algo nos unia, em algum ponto éramos iguais.

De repente o ônibus parou e o simpático velho se levantou, catou sua sacola de pano, despediu-se com um amável sorriso e desceu. Pela janela eu só via terra seca, tufos de capim crestado e pedras. O ônibus partiu estrepitoso numa nuvem de pó. O velho ajeitou sua sacola ao ombro e dirigiu-se para uma casinha encravada no meio de uma suave colina. A casa era feita de material do próprio local, daí que ela mal se distinguia do redor. Enquanto eu, com certo pesar, matutava se o velho vivia só, vi que da casa desciam correndo a toda alguns cães. Tive o contentamento de, ainda de esguelho, pelo canto da janela, presenciar o festivo reencontro, e segui contente.

A certa altura a planície começa a sofrer ondulações; são reflexos da elevação dos Andes, essa fenomenal massa de terra e pedra que se levanta com a movimentação da América do Sul em direção ao Oceano Pacífico. Seguimos a oeste e as ondulações vão se pronunciando até tornarem-se montanhas escarpadas por onde, bufando com o esforço da subida, nosso velho ônibus serpenteia. Há neve nas encostas abrigadas do sol. A aridez começa a dar um refresco, gado Hereford ali pasteja, assim como bandos de cervos.

A estrada passa por entre duas altas montanhas que parecem formar um portal, e começa a descer. O verde vem de forma abrupta, intensa, nos enchendo os olhos, e o vale fértil da pequena cidade de San Martin se abre em esplendor. Montanhas nevadas, refletindo a luz do sol, a iluminam, há bastante vida, gente caminhando, cavalos pastando, vacas ruminando, chaminés fumaceando, casas abrigando vidas.

E foi assim que fiz minha primeira viagem a San Martin. Ali voltei mais quatro vezes, porém nessas fui de avião; sobe aqui e desce lá. Num zap ali estamos como num passe de mágica, e isso tira grande parte do prazer de uma viagem, o prazer de ir descobrindo o terreno, de ir se situando, preparando o organismo, sintonizando a alma. Infelizmente, não mais existe essa linha férrea, ao menos não para passageiros, daí que da próxima vez que pra lá eu for, irei de carro, de preferência um bom esportivo, já que as infindáveis retas convidam.

Quem sabe no futuro, por economia de combustível e devido à difusão dos velozes trens-bala, muitas viagens voltarão a ser feitas de trem em vez de avião. Já se sabe que para viagens abaixo de setecentos quilômetros gasta-se menos tempo total viajando de trem, além de ser mais barato.

E quem sabe poderemos levar o nosso carrinho, o nosso carrinho do dia-a-dia, a nossa casinha ambulante, ali no vagão de trás? Tem jeito melhor de viajar?

AK
Já perdi a conta de há quantos anos venho dizendo: só bate em cruzamento quem quer.

Agora de manhã, barulho de colisão e do 18° andar, a cena: moto e motociclista parcialmente sob a dianteira de um ônibus. Cruzamento com semáforo. Desci para ver mais de perto.

Um mulher contou que o ônibus em que vinha pela via de tráfego principal (Al. dos Maracatins) freou bruscamente, levando-a a cair do banco: outro ônibus cruzara a frente. Por dedução, o que pegou o motociclista avançou o sinal com a minha rua (Av. Jamaris). A hora não importa, mas era 8 da manhã.

A vítima ficou ali, meio presa entre moto e ônibus (cuja frente afundou muito, o que certamente lhe ajudou) durante cerca de meia-hora, tempo que levou para vir o socorro. O curioso é um caminhão-bomba do Corpo de Bombeiros ter chegado antes da ambulância da corporação.

O aspecto da vítima não era dos piores, creio que se safa dessa. Estava de terno, numa moto 125 ou 150, portanto não era moto-mensageiro.

A finalidade deste post é, mais uma vez, aconselhar (portanto, não estou vendendo e sim dando o conselho) todo e qualquer motorista: todo cruzamento é perigoso e não existe semáforo, regra de preferência, a qualquer hora do dia ou da noite.

Todo cruzamento tem que ser atravessado, primeiro olhando para os lados (daí minha incansável crítica às películas escurecedoras nos vidros fundamentais para o dirigir) e, segundo, feito em velocidade tal que dê para parar caso um motorista de veículo da via transversal não respeite as regras de trânsito. Isso mesmo: postura defensiva total.

BS
"... Meu primo me contou que um conhecido dele lá de Minas viu um cara que fez um carro a água. Esse conhecido do meu primo disse que o sujeito é um gênio e viu o carro ser abastecido com água antes de sair andando.

Só que, segundo esse conhecido do meu primo, esse inventor sumiu da cidade, junto com o carro. Ninguém viu quando ele foi embora e ninguém sabe para onde ele foi.
No mínimo foi alguma empresa de petróleo. Você acha que as empresas de petróelo iam gostar de um carro que a gente abastece na torneira? Mas, olha, o carro funciona mesmo!!! É verdade!!! Ponho a mão no fogo pelo meu primo!!! ..."

Essa é uma antiga lenda urbana, e que atingiu uma escala global através da internet. Ela tem uma receita simples para se perpetuar. Alguém descobriu algo que seria maravilhoso para todos, mas que é barrado antes de suas ideias sejam divulgadas para não prejudicar o interesse de poucos. Pura teoria da conspiração.

Ela já foi contada em muitas versões quase sempre com o mesmo enredo básico, mas com o local variando conforme o local onde é contada.

A Mercedes-Benz acabou de divulgar algumas fotos dos protótipos do novo gullwing, ou asa de gaivota, o SLS AMG. Também revelou algumas especificações interessantes como a estrutura espacial em alumínio, a disposição motor dianteiro (atrás do eixo) / transmissão traseira e suspensões com duplo A.


Mas olhando as fotos de detalhes técnicos do carro, a foto que mostra a deformação após o teste de impacto me chamou a atenção. Na verdade não é uma foto, e sim uma simulação feita por computador com base no desenho 3D da estrutura espacial de alumínio. Não sou especialista nessa área, mas sei que o software que faz a simulação é extremamente preciso e elimina muitas etapas do desenvolvimento antes que se construa um protótipo real. É verdade que esse tipo de simulação e análise já é utilizado há mais de uma década, o que ajudou muito na redução do tempo e no custo de projeto de um novo modelo.


Reparem que na foto da simulação o motor é deslocado para o lado e, como está ligado a transmissão pelo tubo de torque central, esta também é deslocada. O incrível é que o software reproduz com precisão as deformações dos diferentes materiais. A estrutura em azul se deforma de maneira programada, dissipando a energia do impacto e mantendo o "cockpit" intacto.


Quando eu trabalhava na GM, adorava visitar os diferentes departamentos e descobrir as maravilhas do desenvolvimento de um novo modelo. Uma vez, visitando uma área restrita, que trabalhava em simulações virtuais do desenvolvimento da Meriva (projeto conjunto entre a Opel e a GM do Brasil) ví uma foto como essa fixada num quadro. O que mais me impressionou é que logo abaixo estava uma foto real de um ensaio de impacto de um protótipo. Comparando as duas pude notar que a deformação estava idêntica em ambas, praticamente dobra por dobra. Ou seja, o protótipo se comportou exatamente como o projetado.

Qual a vantagem disso? Durante o projeto pode-se bater o carro quantas vezes for necessário e fazer as correções, ainda no desenho 3D, para se chegar na melhor condição de deformação.
PK
Sem muitos comentários, visto no sambódromo dias atrás...

Contrapondo o post do Bob, a Quatro Rodas de fevereiro veio com uma reportagem de capa sobre a vantagem de comprar usados. Listou alguns modelos mais caros com 2 anos de uso em média (vários ainda em garantia) e comparou com novos que custariam o mesmo dinheiro. De fato há opções interessantes, como um Fusion, um sedã grande, por pouco mais de 40 mil, preço de um Siena ELX 1,4 0-km. Claro que deve entrar na conta o IPVA, nem sempre proporcional ao valor de mercado, o seguro, e a manutenção quando a garantia de fábrica findar.

Por outro lado, andei pesquisando preços de usados para comprar, já que investi o dinheiro da venda de nosso carro em um imóvel (ainda bem que temos o carro da sogra à disposição) e não queria gastar muito agora. Na faixa de carros menores, fica difícil não pensar em um 0-km, por tudo que o Bob elencou em seu texto, e, principalmente por conta da diferença de preços que observei. Unos com mais de 10 anos de uso (e sabe-se lá que uso) custando metade ou mais do que um zerinho. Um Clio com quase 7 anos de uso por quase 2/3 de um novo. Ora, é verdade que eu não quero gastar muito, mas vale a pena economizar 10 mil reais agora (ou menos, já que tenho cartão Afinidade Fiat e um descontinho legal; falo sobre isso em outro post), que podem ser financiados a taxas de juros mais vantajosas, e daqui a pouco ter que trocar pneus, amortecedores, correia dentada, e mesmo assim andar em um carro que nunca vai ser igual ao novo? Vale a pena abrir mão de melhorias que muitos modelos recebem ao longo da vida e só estão disponíveis nos novos? Vale a pena abrir mão da garantia?

Por isso, pergunto: carro usado, no Brasil, é barato ?
Gordon Murray. Não são precisas muitas explicações para demonstrar o grande engenheiro que é Gordon Murray. Nascido na África do Sul, um país não muito favorecido em grandes indústrias automotivas, seguiu os passos do pai, piloto de motor e preparador de carros de corrida.

Com seu visual que mais parece o investigador do seriado Magnum, Murray é uma referência em projetos automotivos. Ele foi o responsável por grandes automóveis, tanto de competição como de rua. Com esperanças de trabalhar na Lotus, Gordon mudou-se para a Inglaterra em 1969, mas foi contratado pela Brabham F-1 após conhecer o então projetista-chefe da equipe.

Na Brabham, foi o projetista-chefe de grandes carros com recursos inovadores, como o BT44 de José Carlos Pace, o genial BT46B "turbina", com um rotor atrás do carro sugando o ar sob o assoalho para criar pressão negativa e aumentar o downforce.

Brabham BT44, José Carlos Pace

Brabham BT46B

Criou também o BT49 de Nelson Piquet, carro com o qual ele foi campeão mundial em 1981, com efeito asa e suspensão hidropneumática que gerou muita controvérsia entre as outras equipes. Com o BT49, Murray dedicou boa parte do projeto em entender como era o comportamento da fibra de carbono em caso de acidente, para poder criar um carro inteiramente de compósito.

Brabham BT49
Seu mais conhecido projeto foi o McLaren F1, uma parceria com a BMW em que surgiu o carro mais rápido do mundo, título mantido por vários anos.

McLaren F1 - BMW

Não tão conhecido foi seu envolvimento no projeto Midas, um pequeno esportivo inglês inspirado no Mini Marcos. Murray sugeriu diversas modificações, principalmente na aerodinâmica do carro.

Midas Cars

Mais recentemente, Murray trabalhou no desenvolvimento do Caparo T1, a "experiência mais próxima de um carro de Fórmula-1", equipado com o V-8 da IndyCar com uma relação potência-peso duas vezes superior à do Bugatti Veyron, e do mini-carro a ser apresentado ainda, apenas conhecido como projeto T25, mas já anunciado como revolucionário.

Caparo T1

Poucos foram os projetistas tão bem sucedidos e inovadores como Gordon Murray, e menos ainda os que não abrem mão da camisa havaiana florida.
Eu pensava exatamente como o Bob. Vejam o post dele de ontem: o melhor carro é o novo, zero-km, até que, cerca de quatro anos atrás, por força do trabalho, passei cinco meses com carros alugados.

Pessoal, nada pode trazer maior tranquilidade. Carro de locadora vem com seguro e IPVA pago. Em caso de acidente, basta um B.O. e a locadora já lhe entrega outro carro. Lavar? Não precisa. Pneu murcho ou furado? Troque, coloque no porta-malas e passe na garagem da empresa, eles trocam o carro para você, para que não se perca tempo com o conserto do pneu.

Para somar a todas essas maravilhas de não se perder tempo com coisas fúteis, ainda há a vantagem de poder trocar de marca e modelo caso a locadora seja de bom tamanho e tenha frota
variada. Usei um Fiesta, modelo antigo, já com mais de 20 mil km rodados. Após duas semanas, troquei esse modelo por um Palio com a configuração de pneus "canela fina em mulher gorda", e ele balançava nas retas como um cachaceiro às 3 da manhã. Voltei lá no dia seguinte e pedi para trocar pelo velhinho, e fui prontamente atendido. Que maravilha de carro, o alugado.

Clio, com ótimo motor mas bancos e comandos de vidros horríveis: uns três dias de avaliação, tentativa de entortar minha coluna para se adaptar a um banco primitivo, treinamento de tato no escuro para abrir ou fechar vidros, e a paciência deu o alerta: devolve essa tranqueira! Voltei à locadora e mudei de modelo.

Gol, que coisa! banco horroroso, alavanca de mudanças muito para trás, cotoveladas no encosto do banco na segunda e quarta marchas, ventilação sofrível, apesar de todos os modelos que usei terem ar-condicionado, e vamos lá: usei alguns dias e voltamos às meninas do balcão para trocar de carro. E minha esposa já me dizendo: você não pode ser assim, chato. indo lá toda hora só para ver as moças! Não querida, os carros são mais tortos do que eu, preciso encontrar um que se adapte a mim, pois não posso parar de trabalhar para fazer plásticas e cirurgias ortopédicas.

E voltava sempre ao Fiesta velhinho, com assento de banco muito alto e sem regulagem, mas um doce de carrinho. Comandos no lugar, com forças de acionamento corretas, design antigo-clássico-britânico, meu preferido.

Muito bom mesmo descobrir que, melhor que carro novo, é o carro alugado.
JJ


O piloto do carro, Sady Bordin Filho, gentilmente atendeu ao nosso pedido e acabou de nos enviar fotos do carro com o qual se sagrou Campeão Brasileiro de rali de 1984 e deu o título de Construtores à General Motors do Brasil. Coloquei outra foto do carro no post do MAO em http://autoentusiastas.blogspot.com/2009/02/10-melhores-e-raros-chevettes-de-4.html
As fotos foram digitalizadas de um exemplar da revista Motor 3 de janeiro de 1985.
BS

A cada dia que passa, o trânsito nas grandes cidades parece sempre aumentar. Muitas vezes congestionamentos de vários quilômetros surgem e desaparecem, e quando isto ocorre geralmente não há motivo aparente para tal.

Passo diariamente por uma das rodovias que ligam São Paulo ao interior, e todos os dias há trânsito sem explicação aparente. Sempre suspeitei da incompetência alheia em dirigir em rodovias, e agora tenho um argumento científico ao meu favor. Eu havia recebido este vídeo faz um tempo mas nunca mais o achei, até agora.

Um estudo da Universidade de Nagoya (Japão) provou que não é preciso de nada especial para gerar um congestionamento, apenas pessoas dirigindo seus carros. Em uma pista circular fechada, diversos carros deveriam seguir em velocidade constante de 30 km/h, e em pouco tempo, com a variação de velocidade de um carro para outro, o chamado "efeito de onda de choque" ocorre e voilà, congestionamento formado. É a prova de que a culpa de grande parte dos congestionamentos é da incapacidade de dirigir corretamente, mantendo uma distância constante do carro à frente, e isso aparentemente é um problema mundial. Vejam o vídeo do experimento japonês abaixo e tirem suas próprias conclusões.

Muito se discute sobre idade de carro, se o que vale mais a pena é um 0-km ou um “seminovo” e que se perde menos dinheiro com esse último. Que um carro velhinho bem conservado pode dar tanto prazer de dirigir quanto um mais novo custando um décimo ou menos de um novo.

A minha opinião é que nada se compara um carro zero. A ponto de afirmar que a melhor marca de carro é zero-quilômetro. Motivos, vários.

Tem-se certeza de que nunca bateu ou de que jamais caiu num buraco de mau jeito. Nunca foi submetido a maus tratos, a um uso fora do que qual foi previsto, nunca trafegou com excesso de carga. Luvas de engate de marchas e respectivos dentes nunca se chocaram e a embreagem nunca foi mal utilizada.

Saber que o carro nunca bateu é motivo de grande tranquilidade, não é preciso examiná-lo com lupa, ao contrário de quando se compra um usado. Nem se o dono anterior deixou de fazer alguma manutenção ou colocou óleo errado no cárter. Ou como estão mangueiras e correias. E bateria. E os bancos, que são firmes em fixação e cuja densidade da espuma está correta. Até os cintos são perfeitos.

Mas há outro aspecto tão importante ou mais do que tudo o que foi dito acima: estrutura da carroceria e suspensão.

Toda carroceria – seja um monobloco ou conjunto chassi-carroceria – torce e flexiona quando o veículo anda, em grau maior ou menor dependendo de onde e como trafega. Evidentemente ela vai “cansando” com o passar dos quilômetros e isso ocasiona desde ruídos de toda ordem a rodas que já não ficam mais na posição prevista no projeto. Pode até ser que no alinhador esses ângulos sejam ajustados, mas ao rodar eles se alteram e o carro já não é mais o mesmo.

Na suspensão, as molas vão cedendo com o tempo e suas características se alteram, resultando em altura de rodagem menor que a prevista e maior tendência de a suspensão dar batente. Muito importante também, buchas de borracha, tão importantes no isolamento das imperfeições do piso, vão se alterando, endurecendo, e o que foi previsto nessa parte foge da especificação original. E sempre aparece alguma folga anormal em algum elemento.

Pneus, não é preciso se preocupar com eles por um bom tempo, além do fato de pneus de linha de montagem serem sempre melhores que os de reposição (apesar de se dever ficar atento a pneus chineses que algumas marcas estão utilizando na produção).

Quanto ao visual nem há o que falar, o mesmo valendo para o conjunto de odores internos.

Não há nada que se compare a um zero-quilômetro. É um prazer que custa um pouco mais, mas vale a pena.
BS
Confesso que sou meio avesso a eleições de melhor qualquer coisa. Ainda mais quando os critérios são subjetivos. A menos que se trate de uma diversão, sem qualquer pretensão de chegar a um resultado incontestável, como a eleição de melhor post de 2008 que fizemos no blog.

Quando se fala em design a coisa complica ainda mais, pois a subjetividade é imensa. Porém hoje ví o resultado da eleição de design do ano no site Car Design News. Pelo menos foi feita por um site especializado em design e que só fala disso. Na verdade foram duas eleições, a de melhor design de carro conceito e a de melhor design de carro de produção.

O que me chamou a atenção foi o vencedor de melhor conceito, o BMW GINA. Na verdade o conceito em si é um dos mais originais de todos os tempos. O tecido especial aplicado sobre uma armação (que me lembrou os Superleggera) móvel faz a superfície do carro ter um aspecto de pele, e que dependendo da posição deixa os músculos a mostra. Segundo o Car Design News, esse conceito tem mais de 10 anos, porém só foi mostrado agora (provavelmente atualizado). No vídeo abaixo podemos ver o "lendário" Cris Bangle explicando o conceito (desculpem-me, mas só existe a versão em inglês).




O segundo lugar na categoria carro conceito foi o Mazda Furai. Um racer que segue a linha Nagare (fluxo) dos últimos conceitos da Mazda. Outro design muito original e empolgante.


Já o terceiro lugar, o Chrysler EcoVoyager, não me empolga em nada. Pelo contrário, me causa estranheza, pois a traseira se confunde com a frente.



Na categoria carros de produção, eu não poderia deixar de concordar com o primeiro lugar. Depois de tanto se falar e criticar a onda retrô (ou o heritage design), os designers do novo Camaro conseguiram fazer uma atualização irretocável e à altura do ícone americano. Quanto mais eu olho para o Camaro, mais eu gosto.


O segundo lugar nessa categoria é interessante, porém não acho que tenha originalidade e equilíbrio para estar nessa colocação. O Fisker Karma lembra muito o Maserati Gran Turismo, mas tem proporções não muito harmoniosas. Além disso, a grade dianteira parece a boca do Coringa (do último filme do Batman).


O terceiro colocado, o Opel Insignia, se destaca pela originalidade. Tanto que já foi até copiado pela Chrysler com o 200C. Concordo que mereça uma posição de destaque mas gostaria de ter visto os outros finalistas, não divulgados pelo site.

A Audi também entrou para o grupo das empresas afetadas pela crise mundial, mas não a impediu de criar o sucessor do tão vitorioso R10, apresentado sob o nome R15 TDI.

Recentemente, o carro de teste foi flagrado treinando para sua prova de estreia, a 12 Horas de Sebring. O carro é muito diferente visualmente do seu antecessor, mas deve ser equipado com o mesmo V-12 diesel do R10, muito testado e confiável. Ainda não liberaram mais informações sobre o carro.

No começo do ano a Audi já havia anunciado publicamente que o R15 não participaria de nenhum campeonato completo, apenas da corrida de Sebring e da 24 Horas de Le Mans no meio do ano.

Logo mais saberemos se a crise afetou os investimentos na área de Motorsport da Audi, ou se o novo R15 será um vencedor nato como foram seus antecessores.
Acabo de retornar do Carnaval, mas da festa de Momo o mais próximo que cheguei foi do bloco... do motor.

Esta viagem foi para ajudar um amigo a reconstruir um motor raro, dentro do possível, em seus mínimos detalhes.

Durante o processo de restauro, vão passando pela minha frente toda uma série de tecnologias absolutamente obsoletas, como carburador e ignição com platinado.

O que me deu mais trabalho foi a ignição, que precisou de revisão completa.

Fruto das pranchetas de desenho dos anos 60, este sistema de ignição não diferia em essência dos sistemas usados nos sistemas usados 50 anos antes dele. Ele não apresentava nada absolutamente original, mas apenas era o refinamento de uma idéia antiga. O sistema básico é constituído de um interruptor que controla a corrente da bobina de ignição (platinado), um capacitor (nunca digam o absurdo "condensador"!!!), e sistemas mecânicos que avançam o ponto de ignição por rotação e por depressão do coletor de admissão.

Aquele sistema, absolutamente tosco para os sistemas atuais, era de uma grande simplicidade, ao mesmo tempo em que era extremamente eficiente. É no minimalismo eficiente que está sua beleza.

Enquanto estava ali, desmontando cada mínima peça, avaliando seu estado de conservação e de funcionamento, um sentimento antigo voltou a emergir.

A cada peça desmontada que era avaliada, eu tentava imaginar o que o projetista daquela peça havia imaginado para ela. Mais do que uma mera inferência do funcionamento da peça, ela era o elo de ligação entre duas mentes distantes no tempo e no espaço.

A comparação entre o passado e o presente era inevitável, e é dela que faz surgir este antigo sentimento.

Quando os primeiros automóveis apareceram, as tecnologias de ignição ainda engatinhavam e, evidentemente, não eram em nada eficientes. Sabe-se lá quantas mentes e quantas horas-homem foram gastas estudando cada mínimo detalhe daquele sistema tosco até que ele fosse refinado para se tornar tão eficiente quanto possível.

Estas pessoas é que merecem toda a minha reverência. Elas fizeram muito a partir de muito pouco ou, em outras palavras, fizeram boa engenharia.

Até o estágio desta ignição, os sistemas eram puramente eletromecânicos, mas a partir dos anos 70 temos a introdução em larga escala da eletrônica, inicialmente na forma de módulos de potência, que depois assumem o controle de avanço de ponto de ignição e de sensoreamento, tornando o platinado uma coisa do passado.

Entre os anos 70 e 80 temos a introdução dos sistemas digitais de injeção de combustível, e que controlam também a ignição.

Os microcontroladores desta época eram suficientemente potentes para controlar a injeção e a ignição simultaneamente, desde que bem programados. A boa engenharia da ignição deixava o campo do eletromecânico para entrar no mundo da programação de computadores.

Porém hoje, o mercado de microcontroladores tem migrado para componentes milhares de vezes mais potentes em capacidade de memória e de processamento que os usados nas primeiras injeções. Isto abre espaço para coisas boas, como a capacidade de controlar mais dispositivos simultaneamente, implementação de sistemas de controle mais complexos etc.

Porém nem toda capacidade dos novos controladores é utilizada, conduzindo ao desperdício.

No caso das injeções, há pouco a se fazer sobre o desperdício, já que o sistema é fechado e de utilidade bastante específica, mas este desperdício abre espaço para a má engenharia.

Na atualidade, a concorrência de mercado é ferrenha e o ciclo de vida dos produtos é cada vez menor. Não há tempo para as equipes técnicas produzirem algo novo e ficar aparando as pontas. Não há tempo de uma tecnologia e/ou de um produto atingirem a maturidade, e já estão sendo substituídos. E tudo porque a tecnologia oferece todo o espaço para que um produto apenas suficientemente eficiente possa ser oferecido.

A má engenharia é perversa. Ela cria produtos menos eficientes do que poderiam ser, com mais defeitos de funcionamento, com recursos inúteis e menos seguros, entre outros defeitos.

Essa pressa e a pouca preocupação com otimizações e minimalismos tomam as mentes dos novos técnicos e engenheiros, que estranham as preocupações com detalhes das gerações mais velhas.

O resultado sempre desemboca em produtos pasteurizados, sem sabor, sem espírito, sem desafios e muitas vezes com defeitos funcionais.

Caro leitor, a cada dia que passa temos produtos visivelmente melhores que seus antecessores, mas certamente seriam produtos ainda melhores se a boa engenharia promovida durante séculos não fosse substituída pela tentadora má engenharia.

Ela é uma das raízes de termos carros menos apreciáveis do que os do passado. Ela é a forma de desaprendermos a fazer as coisas que fizemos tão bem no passado e que não nos permitem repeti-las no presente, apesar da fartura técnica de que dispomos.

E ela não está apenas nos automóveis, mas por toda a parte. Basta abrir bem os olhos para perceber.
Os testes de Quattroruote que eu lia quando adolescente sempre traziam a informação do índice de elasticidade dos motores. Sem entrar no mérito da forma das curvas de torque e potência, o índice dava uma boa idéia da elasticidade do motor.

É calculado a partir dos dados de torque e potência e respectivas rotações-pico.

Primeiro é preciso achar o torque do motor na potência máxima, que é sempre menor do que o torque máximo. Para isso multiplica-se 716,2 pela potência máxima e depois divide-se pela rotação correspondente.

No caso do Mille, é 716,2 x 66 / 6000 = 7,87 mkgf

O cálculo do índice é fácil. Multiplica-se torque máximo pela rotação de potência máxima e divide-se pelo produto do torque na potência máxima pela rotação de torque máximo. Parece complicado mas não é.

Vamos usar os valores que informei no post de ontem mais os 7,87 mkgf:

9,2 x 6000 / 7,87 x 2500 = 2,8

Macete: com a calculadora na mão, faça a primeira multiplicação, não dê sinal de igual mas o de divisão, digite 7,87, em seguida outro sinal de divisão, digite 2500 e dê o sinal de igual para finalizar a conta.

O 2,8 é o índice de elasticidade desse motor. Quanto mais alto esse número, mais elástico é o motor.

Lembro-me de que o motor de 845 cm³ do Renault Dauphine tinha índice 3, dos mais altos conhecidos, e o Gordini, 2 e pouco. Era por isso que o Dauphine podia ter três marchas e o Gordini, de mesma cilindrada, precisou adotar câmbio de quatro marchas. A segunda do Dauphine foi dividida em duas no Gordini. Primeira e última marchas dos dois permanceram iguais.

Mas o índice de elasticidade caiu em desuso por não representar exatamente a elasticidade de um motor, pois é preciso considerar as curvas de torque e potência ao longo de toda a faixa de funcionamento do motor e não apenas os respectivos picos.

Por exemplo, os motores 16-válvulas dos franceses Peugeot e Renault são conhecidos por sua excepcional elasticidade, mesmo tendo 4 válvulas por cilindro. Vamos calcular o índice de elasticidade do Renault 1,6 16V Hi-Flex:

112 cv a 5.750 rpm
15,1 mkgf a 3.750 rpm

O torque na potência máxima é 716,2 x 112 / 5750 = 13,95 mkgf
Portanto, 15,1 x 5750 / 13,95 x 3750 = 1,65

O índice de elasticidade é baixo, mas não representa o que se percebe ao dirigir um modelo com esse motor (Clio, Logan e Sandero).

Outro exemplo: Gol 1,0 VHT

76 cv a 5.250 rpm
10,6 mkgf a 3.850 rpm

O torque na potência máxima é 716,2 x 76 / 5250 = 10,36 mkgf

Portanto, 10,6 x 5250 / 10,36 x 2850 = 1,39

Como no Renault, não se nota pouca elasticidade do motor, pelo contrário.

A melhor maneira de avaliar a elasticidade do motor em números é calcular de quanta potência dispomos nas rotações inferiores. Mas isso fica para outro post.

BS



O motor Chrysler de câmara de combustão hemisférica, popularizado como Hemi, tem sua origem na aviação.

Antes da Segunda Guerra Mundial, a Chrysler pesquisava várias configurações de motores, visando a eficiência de combustão e eliminação de depósitos de carbono, problema comum até os dias de hoje. A arquitetura do motor Hemi, duas válvulas grandes, vela no meio da câmara, levaram a esse formato semi-hemisférico (meia-laranja, por exemplo), que melhorou em muito o fluxo da mistura, tanto na admissão quanto no escapamento.

Em 1940 foi assinado um contrato de desenvolvimento de um motor aeronáutico, que chegou ao estágio de protótipo com 16 cilindros em "V", de desenho invertido -- cabecotes embaixo e cárter em cima, característica comum em aviação para motores em linha e em "V", que tem como principal objetivo permitir uma melhor visibilidade do piloto, já que a parte de menor largura do motor fica para cima.

Esse motor, batizado de IV-2200 tinha 36.400 cm³ de deslocamento e potência contínua de 2.000 hp, com possibilidade de chegar a 2.500 hp por curtos períodos, e na análise dos engenheiros seria possível desenvolvê-lo para até 3.000 hp. O problema que retardou a evolução e impossibilitou o uso durante a guerra foi que a Chrysler utilizou muita gente e tempo nos motores de blindados, tendo equipado os tanques Sherman com seus motores de 30 cilindros.

Dessa forma, o primeiro vôo foi apenas em 26 de julho de 1945, muito próximo ao final da guerra no Pacífico. A instalação para testes em vôo foi feita em um Republic P-47 Thunderbolt, que originalmente tem motor radial. Esse motor pode ser visto hoje no Museu Walter P. Chrysler, na região de Detroit.


Não é de hoje que vejo os nomes dos Lamborghinis Murciélago e Gallardo seguidos das designações LP640 e LP560, respectivamente. Os números correspondem a potência em hp e LP são as iniciais de longitudinale posteriore, ou seja, longitudinal traseiro.

Além dessa designação, em 2008 o Gallardo ganhou uma versão chamada Superleggera. A palavra de origem italiana nos leva a acreditar que significa superligeiro. Puro engano: significa superleve. O Gallardo Superleggera teve uma redução de 100 kg (nos Estados Unidos foram 70 kg) com o uso de fibra de carbono em diversos componentes e alguns vidros substituídos por policarbonato. Além disso o V10 de 5,0 l teve um aumento de 10 hp na potência máxima, atingindo 530 hp (537 cv) a 8.000 rpm.

Superleggera

A designação Superleggera foi criada na Itália, em meados dos anos 30, pelo encarroçador (coachbuider, em inglês) Carrozzeria Touring. Era usada para identificar os modelos construídos com estrutura tubular que seguiam as formas da carroceria onde eram fixados painéis de alumínio, dando sua forma final. Essa estrutura tubular era feita com tudos de pequeno diâmetro e não suportava a fixação das suspensões, o que a distigue das chamadas spaceframes (estruturas tubulares que servem também de chassis).



Alguns modelos Superleggera são: Aston Martin DB 4 e 5, Alfa 8C 2900, alguns Ferraris, Lamborghini 350GTV, BMW 328 e Pegaso Z-102.


Em 2008 a Carrozzeria Touring Superleggera apresentou o protótipo A8GCS Berlinetta. O lindo modelo usa uma plataforma Maserati e ensaia uma volta do encarroçador fazendo modelos limitados para os colecionadores endinheirados.

Pelo jeito, é. A última atualização foi em agosto passado e a fábrica aproveitou para acrescentar a palavra Economy ao nome do modelo, que já havia recebido de volta o nome Uno. Agora é Uno Mille Economy. E nessa onda de renovação o pacote cara-de-aventureiro Way, antes uma opção, agora é de linha.

Entre as medidas para tornar o modelo de acordo com seu nome, estão: recalibração do motor e redução da rotação de marcha-lenta, adoção de óleo menos viscoso (5W-30), diminuição dos ângulos das rodas e uso de pneus Bridgestone de menor atrito rolamento (não no Way), buchas de suspensão menos complacentes, coletor de escapamento tubular de maior vazão, catalisador de maior volume, molas de vávulas de menor carga e bielas 30% mais leves.

Eu só havia dirigido o Mille, depois de muitos anos, no lançamento da atualização, no Autódromo Internacional Virgílio Távora, em Fortaleza (CE). Como autódromo é para correr e não para avaliar automóvel, pedi à Fiat o novo Uno para conhecê-lo melhor – revisitá-lo seria expressão mais apropriada.

Só surpresas, e boas. Como o Uno está bom! A baixa massa (840 kg) do 4-portas que dirigi faz o motor Fire flex de 999 cm³ e 66 cv (álcool) parecer mais potente do que é. O notável é o torque máximo de 9,2 mkgf ocorrer a apenas 2.500 rpm, menos da metade da rotação de potência máxima (6.000 rpm), algo raro na história do automóvel.

O carro sai da imobilidade sem esforço aparente e anda com total desenvoltura. A aceleração 0-100 km/h e a velocidade máxima informadas pela fábrica, 15,1 s e 153 km/h, o deixam apto a trafegar em qualquer situação de trânsito. A quinta 0,838:1 e o diferencial 4,067:1 resultam em 30,8 km/h/1.000 rpm, o que significa rodar a 120 km/h reais com o motor a 3.900 rpm. Podia ser um pouco menos, não comprometeria a agilidade pelo motor que tem.

O modelo traz no painel, à esquerda do velocímetro, um econômetro que funciona à base da leitura de pulsos das válvulas de injeção. Mesmo com acelerador aberto em baixa rotação, o ponteiro fica na zona verde da escala, a de menor consumo. Nota 10! Mas, francamente, eu preferiria um conta-giros no lugar do econômetro. Bem que poderia ser possível escolher. Ou deixar a leitura por conta de duas luzes, verde e amarela.

A rodagem do Uno está perfeita. Molas e amortecedores no ponto certo e isolamento eficaz das imperfeições do piso. Nem duro nem macio demais. Nota-se claramente o que 25 anos de desenvolvimento fizeram. Só falta colocar um apoio para o pé esquerdo, não custa nada.

A suspensão independente tipo McPherson nas quatro rodas funciona à perfeição e constitui um dos destaques do Uno brasileiro, já que o original italiano adotava eixo de torção. O comportamento em curva é irrepreensível, com subesterço moderado e a curta distância entre eixos (2.361,5 mm) não atrapalha nas curvas de alta velocidade em rodovias.

Dentro, muito espaço, que chega às raias da genialidade. No Brasil só vimos isso no Brasilia, que foi expoente no seu tempo e não chegou a conviver com o Uno. Podem acusar a localização do estepe no compartimento do motor de ser condenável do ponto de vista de absorção de impactos frontais, mas que é prático, é.

Bom de dirigir, bons bancos, comandos leves (o carro tinha direção assistida opcional), seleção de marchas perfeita, tudo contribui para um rodar agradável. O pequeno comprimento de 3.693 mm é apropriado para o trânsito denso e o tanque de 50 litros está bom para o maior consumo do álcool, que a Fiat informa ser de 11,1 e 15,6 km/l cidade/estrada (15,6/22 km/l com gasolina). Pelo que observei esses dias, são números coerentes.

Com a eliminação temporária do IPI, o 4-portas custa R$ 23.367. Com todos os opcionais, R$ 29.299. Estes incluem ar-condicionado, direção assistida, travas elétricas, vidros dianteiros elétricos, cor metálica (R$ 526) e rádio/toca-CD com MP3 e RDS (R$ 272). O duas-portas básico sai por R$ 21.754 e com os mesmos opcionais vai a R$ 27.585. Mas quem quiser o duas-portas básico só com o imprescindível ar-condicionado pagará R$ 25.373. Nada mau para 10.700 dólares, mostrando uma relação custo-benefício imbatível. Mesmo sendo velhinho.

Comenta-se que a carroceria do Uno não tem condições estruturais para se enquadrar nas normas do Contran/ABNT referentes a testes de impacto que vigorarão a partir de 2012 e nem poderá ter airbags instalados. Com isso, estaria decretado seu fim, o que seria uma pena. Torço para que a Fiat encontre uma solução.

Que o Uno continue eterno. Ele pode.

BS





Falar de Ford Focus é interessante. Muitos o acham feio, outros dizem que não é nada demais, apenas mais um carro médio. Outros ainda o comparam a concorrentes mais antigos, ou mais modernos, e o colocam no mesmo patamar, elaborando uma tabela mental com um sem-número de itens básicos ou opcionais para tentar explicar racionalmente por que um outro médio é melhor que o Focus.

Mas o que ninguém tenta explicar é aquela sensação que é particular. A maneira pela qual uma pessoa sente um carro.

Seres muito racionais consideram automóveis como um meio de transporte. Os mais emotivos lhe dão apelidos, chamam-no de meu amigo, companheiro, coisas assim.

Eu tento ver pelo lado racional, evitando muitas emoções para não dar margem a parcialidades para esse ou aquele modelo.

No caso do Focus, isso é difícil. Trata-se de um carro que me transmite tranquilidade e assinatura de engenheiros brilhantes, alegria a cada manobra ao redor de carros lentos e mal-dirigidos que abundam na São Paulo onde moro.

Não sou de cometer infrações de trânsito, mas umas trocas de faixa de rolamento em avenidas, por entre as lesmas de quatro rodas, a uns 20 ou 30 km/h acima das velocidades deles, com ambas as mãos no volante, os olhos nos três espelhos e o pescoço trabalhando, é sempre um prazer com um Focus.

Não que isso me permita chegar ao meu destino muito antes que os parasitas rastejantes, não. Isso não é mais possível nesse mundo automotivo paulistano, coordenado por pessoas que não gostam de dirigir e que só querem faturar em cima de nossas carteiras. Chegar antes não é o motivo. O motivo é apenas uns minutos de diversão, sem excessos de velocidade perigosos. Apenas mais rápido que os répteis sonolentos.

O Focus é o carro para essa diversão. Sendo melhor ou pior que os outros. Isso pouco importa.

Ele fala comigo e me agradece quando paramos na garagem.
JJ

P.S.: Quase ia esquecendo. O carro que falta no Brasil é o Focus RS. Vejam esse videozinho promocional: FOCUS


A revista inglesa EVO dá ênfase aos carros esportivos. No site há vários vídeos curtos sobre muitos carros que não temos no Brasil.

Um deles é o Caparo T1, mais parecido com um Fórmula 1 modificado para andar na rua.
CAPARO

Outro que achei bacana um do F40 e do Veyron. Um, todo simples e sem assistências; outro, o ápice da eletrônica comandando um desempenho ainda a ser superado.
F40 e VEYRON

Bom divertimento.

Richard Teague foi um entusiasta do automóvel, nascido em 1923. Estudou no colégio com Ed Iskenderian, e também fez seus hot rods para correr nos lagos secos da Califórnia. Após estudar desenho no Art Center College, a mais importante escola de design automobilístico do mundo, passou por Kaiser, Packard, General Motors, Chrysler e American Motors.

Sua sequência de trabalhos é fabulosa e pode ser encontrada em vários sites , caso se tenha mais interesse.

Na Packard, foi o responsável pelo Predictor, um conceito de 1956 no qual ele tentou incorporar todos os elementos que se imaginava serem característicos do futuro.

Na American Motors a partir de 1959, todo seu talento foi utilizado para fazer trabalhos memoráveis, os mais bonitos na minha opinião, sendo a série AMX, composta pelos 3 modelos abaixo.

O AMX conceito de 1966:

O AMX/2, em duas vistas:


E o AMX/3 de 1969:

Mas o que me chamou mesmo a atenção na sua história foi o fato de ele ter apenas um olho funcional. Teague sofreu um acidente de carro que deixou sua mãe inválida e ele, cego do olho direito, com a idade de seis anos.

Mesmo com essa deficiência, conseguiu progredir nos estudos e mostrar ao mundo sua criatividade.

Os modelos que entraram em produção e que nasceram de suas idéias são o Marlin, o Javelin (este muito similar ao primeiro conceito AMX, de 1966), o Hornet, o Matador, o Gremlin e o mais estranho e criticado de todos, o Pacer. Mesmo não podendo ser rotulado de bonito, temos que concordar que é um carro que chama a atenção:

O Javelin é particularmente bonito, e um dos mais raros muscle-cars:

Um modelo muito diferente e inovador, com um desenho que se pode chamar de dinâmico, é o do conceito Cavalier, de 1968. Este carro parece estar se lançando para a frente, querendo correr, mesmo parado, e não parece, de forma alguma, ter as 4 portas que tem:

Com apenas 61 anos de idade, Dick Teague se aposentou e, como entusiasta, não poderia ficar lendo jornal na varanda. Construiu uma casa próxima a San Diego, que ele se referia como "a garage with an attached house", onde restaurou vários carros, fazendo a maior parte do trabalho por si mesmo.

Faleceu em 1991 aos 68 anos.

PEGASO, O CAVALO ALADO

Belíssima ilustração tirada do catálogo de vendas da Pegaso em 1952 mostra o modelo original, com carroceria ENASA, empresa estatal espanhola que produzia o supercarro. Reparem o elegantíssimo casal a bordo.


A muito mais bela carroceria Touring para o Pegaso:


E finalmente o incrível “Thrill”, de novo da casa Touring:


Para saber mais sobre Pegaso, clique nessas letras diferentes AQUI e AQUI.

MAO

Outro dia o Bob levantou o tema de emissão excessiva de ruídos por veículos, nas grandes cidades. Comentei que acreditava ser frutos de brechas na legislação etc.

Neste feriado, dei-me um tempo para pesquisar as resoluções Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) que dizem respeito a limites máximos de emissões de ruídos e como eu vejo que muitos veículos novos seguem não atendendo.

No site do Conama
consegui obter três resoluções sobre ruídos, sendo a última de número 272, de 14 de setembro de 2000. Comparo-a com a imediatamente anterior e noto que há uma significativa evolução entre ambas. Estou falando de caminhões e ônibus a diesel. Em veículos de carga, acima de 3.500 kg de PBT, enquadram-se os caminhões. Veículos de passageiro ou uso misto, com PBT acima de 3.500 kg, referem-se a ônibus. As tabelas mostram reduções respectivas de 101 para 80 dB(A) e 98 para 80 dB(A), caminhões e ônibus.

Notamos muitos caminhões com shields atrás do motor, que estão lá justamente para atingir os limites da lei. Mas, para mim, os verdadeiros vilões são os ônibus.

Pergunto-me: como são medidos ou controladas as emissões de ruído, com estes?

O fabricante do caminhão responde pelo produto final e fica fácil controlar. Mas seus chassis de ônibus seguem a inúmeros encarroçadores, que depois seguem ao cliente final (companhias de transporte urbano). Quem olha por estes?

Pude notar diversos modelos emitindo ruído excessivo, através de "janelas" na parte traseira, do lado oposto ao radiador, que não deveriam estar lá. É plenamente possível "encapsular' o motor, sem o risco de superaquecê-lo. Mas isso não está sendo visto aqui. Para ficarmos num exemplo simples, basta olhar os módulos de gerador encapsulados, bastante presentes em eventos, exposições, shows etc. Baixíssimos ruídos.

Além disso, há o fator motorista. Quantos de nós não perceberam que a maioria dos motoristas de ônibus sentem-se como pilotos de Fórmula 1 e põem os veículos em aceleração plena, mesmo quando há uma parada a poucos metros adiante? Que expõem os passageiros a riscos de ferimentos desnecessários, quando justamente são pagos para zelar pelos seus clientes?

Em viagem recente à Alemanha, estive caminhando em Stuttgart, quando um ônibus parou e pacientemente aguardou eu finalizasse a travessia de uma pequena rua. Era dirigido por uma senhora de meia-idade. Imediatamente veio a situação a minha cabeça. CARACA, ela não jogou o carro em cima de mim, não acelerou várias vezes com ele parado, para apressar meu passo, nem tampouco saiu "rasgando". O ônibus? Um MAN, extremamente silencioso. Para ilustrar minha explicação, anexei uma foto de um modelo articulado, apontando para uma abertura traseira, que está do lado oposto ao radiador. Ou seja, está lá para deixar passar o barulho. Não estou denunciando o fabricante especificamente, uma vez que praticamente todos os articulados que vejo, tem abertura semelhante. E desnecessária.

Nosso país é um dos maiores produtores de ônibus urbano do mundo, se não o maior. Por que nossos ônibus não podem se equiparar aos de países de Primeiro Mundo, no que tange a emissão de ruídos? Por que nossos motoristas podem dirigir perigosamente e inpunes? As próprias empresas de transporte economizariam milhões por ano educando seus motoristas para não acelerar desnecessariamente ou praticando condução econômica. Perdem enorme oportunidade.
CZ