FAIXAS DA DISCÓRDIA II

SP: privilégio ao ônibus, certo, mas isso não se faz sem planejamento. (Foto: PMSP)

O Carlos Mauricio Farjoun publicou aqui dia 11 de abril passado um precioso texto sobre as faixas exclusivas para ônibus da cidade de São Paulo, e isso me estimulou a aproveitar o gancho para acrescentar mais um ponto de vista, o de quem anda de moto quase todo santo dia numa cidade grande como a capital paulista, que é meu caso. Apesar de se tratar de assunto 100% paulistano, que poderá  pouco ou nada interessar a quem não mora nesta metrópole, peço paciência aos forasteiros: no mínimo a leitura lhes servirá para reflexão sobre a loucura da civilização e as conseqüências ruins do excesso de aglomeração.  
 

Motos em SP, problema ou solução? (Foto Infomoto)

As polêmicas faixas exclusivas de ônibus são uma espécie de menina dos olhos da administração petista da capital paulista chefiada por Fernando Haddad. Na teoria o prefeito está coberto de razão, já que estimular o transporte público é o certo. Mas mesmo fazendo "o certo" ele errou, e irá para inferno por conta disso pois, como bem exposto por Farjoun e tantas outras mentes que realmente pensam, fez a coisa certa do jeito errado. Resumindo, não é apenas com um pincel e uma lata de tinta branca que promoverá justiça, quebrando o paradigma do transporte individual encampado pelas administrações anteriores com fé e determinação.

Planejamento é a palavra mágica que falta a esta ação da prefeitura. Planejamento está por trás de todas as ações e mudanças bem sucedidas. Infelizmente planejamento é uma coisa que raramente se faz na administração pública no Brasil (vide Copa, veremos os Jogos Olímpicos…). Nosso governantes, especialmente os de viés populista à Haddad, sempre parecem confiar em uma força vinda do além, acreditando que uma sorte campeã ou divindades em pessoa os ajudarão a cumprir suas promessas e sinas, o que, sabemos, raramente ocorre. É a burrice no estado de arte.

O que ajuda a maioria de nossos políticos a se elegerem e reelegerem? Coisas bem mais tangíveis do que sorte ou divindades: a irrefutável realidade de que, no processo eleitoral brasileiro atual, um prato de comida (na verdade sua iminente falta) é a  preocupação máxima da massa votante, gente que acorda cedo para garantir a refeição diária. A fome tem peso maior do que o julgamento do certo e do errado, do bom ou do mau. Enfim, é a barriga roncando que determina o voto e não a razão, a mente que analisa, compara idéias e realizações dos candidatos e aí sim, escolhe.



Democracia é poder optar pelo carro ou moto e não ser objeto de retaliação (Foto: Moto Journal)

Discurso feito, volto ao meu quadradinho: faixas exclusivas vazias, ônibus e metrôs cheios e carros com apenas o motorista dentro é o que vemos, eu, Farjoun e tantos outros, no vai e vem paulistano. Montado no meu scooter ou moto, ouço muitos amigos que dizem querer me imitar, largar o carro em casa e comprar um meio de duas rodas com motor para se mover. Sabem que está difícil atender ao chamado de Haddad e usar o transporte coletivo cheio, atrasado, fedido… Porém, da fala à ação, a maioria fica só na fala e não compra nada, nem moto, nem scooter.


Por que não compram? Por ser perigoso, justificam, e eu concordo: não com a periculosidade do veículo em si, coisa que dependerá exclusivamente de quem vai usá-lo e como vai usá-lo. Se quem pilota for inconsequente, mal treinado, desatento ou simplesmente inábil, motos são mesmo perigosas. Assim como são as bicicletas, lâminas de barbear, liquidificadores, quadros de luz, martelos, carros, furadeiras, chuveiros elétricos, helicópteros, armas brancas, aeromodelos, esmeris, armas de fogo, ferros de solda…

Perigoso digo eu o que é, especialmente nas ruas de São Paulo.

O capricho e competência com a manutenção das vias em SP é comovente...

Perigoso é a prefeitura contratar empreiteiras para tapar buracos e não fiscalizar o serviço: aqui mesmo há dez metros da porta de casa taparam um buraco e recolocaram uma tampa de bueiro, resultando estes dois serviços em morrinhos de cerca dez centímetros de altura. Passar de carro sobre eles resulta em um solavanco. De moto, alguém mais distraído pode cair.

Uma via pública pode ficar assim, sem nenhuma sinalização, por dias e dias seguidos?


Perigoso é a prefeitura fresar uma rua para troca do asfalto e não sinalizar a obra. Geralmente fazem isso de noite, e aí você, sonadão, acorda cedo para ir para o trabalho se vê a 60 km/h em um verdadeiro campo minado de sulcos com pedriscos. De carro, isso resulta em um barulhinho nos pára-lamas, de moto, tombo quase certo.

Av. Sumaré: onde havia 4 faixas (moto, carros x 2 e ônibus) agora há três

Perigoso é a prefeitura pintar faixas com tinta comum, que quando seca já é lisa como um sabão, e quando molhada parece um piso vitrificado. Aliás, nessa de delimitar as faixas de ônibus, pintaram as antigas faixas com tinta preta, lisinha, perfeita para a perda de aderência. Haddad e seus secretários não andam de moto, certeza!

O tachão criminoso, e o piso "vintage". Os romanos imaginavam algo melhor quando fizeram a Via Appia, não?

Perigoso é dividir faixas de rolamento com os chamados tachões, aqueles tijolinhos amarelos com cantos vivos. Se acaso você tiver que desviar de um pedestre e, de carro, passar freando sobre um deles, arriscará rasgar seu pneu ou entortar uma roda. E de moto? Este mesmo dano acrescido de tombo!

Perigoso é achar normal que os túneis construídos na última década na cidade tenham TODOS infiltrações, goteiras eternas até em época de estiagem. De carro você passa e o pára-brisa molha. Que saco ligar o limpador por causa de uma gota ou duas, não é? E de moto? A gota não é problema, problema é o asfalto eternamente molhado — e quase sempre muito molhado — que torna uma frenagem qualquer verdadeiro risco de vida. Cair de moto em um túnel? Melhor não!

Perigoso é a fiscalização das barbaridades cometidas pelos motoristas e motociclistas estar entregue preferencialmente a meios eletrônicos: pune-se excesso de velocidade, desrespeito ao semáforo e mais umas duas ou três infrações. O resto? Pode tudo, pois a tecnologia não susbstituiu (ainda) o trabalho do policial — de preferência motociclista — que roda e vê a burla à lei. Mas isso, sabemos, é um tipo de fiscalização que dá trabalho.


Tampa de bueiro com buraco. Será que a Sabesp tem culpa no cartório?

Perigoso é o padrão de serviço das concessionárias de serviços públicos, como fornecimento de água, luz, gás, telefone etc. Parecem rivais, uma causando problemas à outra e, no fim, ferrando a população. A companhia de gás faz um buraco na rua, fura o cano do esgoto que jorra, invade a galeria de eletricidade que, em curto, derruba a rede de telefonia e internet. E a moto com isso? Vítima da sucessão de remendos no asfalto é talvez a menor das conseqüências.  

Desmotivar o pretenso futuro motociclista é muito fácil, a lista de descasos e desconsiderações para com quem anda de moto em São Paulo seria bem mais extensa, mas os exemplos acima já servem. Nesse cenário de horror, usa motocicleta quem precisa, ou quem, como eu, nem precisa: eu poderia andar de carro e demorar o dobro ou o triplo do tempo nos percursos, porém conheço o campo minado, rodo na cidade com um guidão nas mãos há quatro décadas. Sou, sim, um motociclista velho? Motociclista velho e imprudente? Isso definitivamente não existe…


Hora do rush em Taipei, capital de Taiwan: advinhe qual o meio de transporte preferido? (Foto: Reuters)


O plano de governo de Haddad pouco mencionava motos. Li aquele calhamaço antes de votar e li também o de Serra, que as citava um pouco mais. Apesar do careca parecer mais positivo (ao menos em relação às motos), desconfio que tanto para um quanto para o outro elas não lhes sugeriam a palavra “solução”. Aliás, tenho certeza.

O que é perigoso? A moto ou quem a conduz? (Foto: Warner)


A maioria da população, suponho, vê motos como problema ou com temor: problema pois vira e mexe uma grande artéria da cidade ganha um “coágulo” que atrapalha a fluidez, sob a forma de um motociclista recebendo atendimento ou tristemente coberto pelo véu da paz eterna. O temor vem da agressividade dos meus parceiros, que não perceberam que a pressa só não é inimiga da perfeição na pista de competição, e que trafega com suas motos em velocidades incompatíveis com a civilidade e, sobretudo, sua própria saúde. Já vão chegar antes, mas querem chegar ainda mais "antes".

Estacionar na calçada não é pecado em Milão, desde que se deixe espaço para o pedestre. (Foto: Corriere)

Paris, Milão, Madri, Tóquio, Londres. Grandes cidades que visitei e onde vi que scooters e motos não são “transporte alternativo” mas sim usual, quase preferencial em alguns trechos, especialmente os chamados centros históricos onde os automóveis têm circulação restrita. Nestas capitais quem opta pelas duas rodas é visto como benfeitor, e tem até privilégios. Exemplo? Não há problema estacionar em uma calçada em Tóquio, Paris e Milão desde que não atrapalhe o pedestre.  Já em São Paulo, os bolsões de estacionamento para motos nas regiões comerciais são mínimos, restritos, incompatíveis com uma crescente frota. E a iniciativa para aumentar esses bolsões e incentivar o uso das motos qual é? Nenhuma.

Motofaixa desativada em São Paulo: Haddad e o CET não gostam delas, os motociclistas sim.

E as faixas exclusivas para motos implantadas pela gestão do prefeito anterior? Todos os motociclistas — ou ao menos a esmagadora maioria — gosta delas. Na atual gestão não só inexistem planos de expansão como uma delas, a da Avenida Sumaré, foi eliminada. Tive a chance de questionar uma diretora da CET — Companhia de Engenharia de Tráfego — sobre a razão. Resposta? As motos ali eram “perigosas” pois na referida avenida os pedestres atravessam muito fora das faixas.


Mais uma cena de Taipei: convivência pacífica, talvez utopia no Brasil (Foto: Koika/Wikipedia)

Enfim, pitaco dado: acho moto uma grande solução para o transporte, mas pelo visto os donos do poder não. Desânimo, Farjoun, desânimo… 





RA

  

49 comentários :

  1. Moto é uma grande solução para o transporte, em países civilizados. Definitivamente não no Brasil.

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    1. Negativo. No mínimo, algo como o Smart Fortwo (só que evidentemente, mais acessível). Nada onde eu seja o parachoque, tome chuva e sol na cabeça, tenha que ficar me equilibrando o tempo todo, e não possa transportar uma simples pasta sem que essa esteja sob os olhares dos milhares de amigos do alheio soltos pelas ruas, merece ser chamado de "solução".

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    2. Mr. Car, até entendo esse receio todo para quem mora em São Paulo ou Rio de Janeiro, porém vejo essas cidades (principalmente São Paulo, por não ter muita noção de como é no Rio) como expoentes na "anti-engenharia" de trânsito (se é que eu poderia chamar assim). E nesses casos, motocicletas sofrem de fato.

      Mas vendo o planejamento geral das cidades, a quantidade (elevada) de carros e a incidência de motoristas com condições de dirigir abaixo do razoável (que atrapalham o que já é desorganizado), vejo que quanto menor a área ocupada, melhor.

      Eu adoro carros e dirigir, mas na maior parte das situações, ele é superdimensionado para a maioria, e por mais que mobilidade urbana seja responsabilidade da administração local, e por mais que eu não concorde nas medidas que o Haddad toma, parte do caos do trânsito, no meu ponto de vista é devido a quantidade de automotores nas ruas.

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    3. Mr. Car, até compreendo sua aversão a motos, e muitos motociclistas também não colaboram para uma boa imagem da classe.

      Respondendo a pontos específicos do seu comentário, em uma moto você não precisa ficar se equilibrando o tempo todo; apesar de só terem duas rodas, as motos são estáveis em movimento; sua simples pasta pode ser transportada em uma mochila ou em um baú; seu equipamento de segurança te protege do sol; há soluções específicas para a chuva; e quanto ao fato de você ser o parachoque, não tenho bom argumento, a não ser direção defensiva, que é negligenciada pelos motoqueiros, órgãos de trânsito e moto-escolas, mas o risco certamente pode ser mitigado.

      Agora, imagine se cada motorista sozinho em um carro que te acompanha no engarrafamento da volta pra casa, à sua frente, aos seus dois lados, atrás de você, muitas vezes em SUVs ou caminhonetes, estivesse em uma moto, e só carros com mais de uma pessoa estivessem na rua. Ora, um carro ocupa o espaço de ao menos quatro motos no trânsito (sem considerar as que trafegam pelos corredores). O trânsito não seria mais livre? As coisas não fluiriam melhor?

      Não tenho o prazer de conhecê-lo nem as razões para a "motofobia", nem quero parecer arrogante ou metido-a-besta, mas sou motoqueiro, além de motorista nas raras ocasiões de necessidade, e o que me mantém vivo é justamente o medo de andar de moto; no entanto, sugiro que você encare sua aversão e faça um curso (cá no DF temos alguns bons) de pilotagem de motocicletas (não é necessário ter habilitação); com um pouco de sorte você pode descobrir uma nova fonte de entusiasmo...

      Um grande abraço.

      José de Paula

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    4. Mr. Car, não concordo com você. Moro no Rio de Janeiro, tenho carro e moto, e uso a moto para trabalhar(ando cerca de 80 km todo dia, entre ida e volta do trabalho). Usar o carro? Impossível, na melhor das hipóteses eu levaria 3 horas pra chegar no trabalho, ainda mais com a loucura construtiva do nosso atual prefeito, cada dia é uma nova surpresa. Transporte público? posso pegar um ônibus e um metrô, mas é ruim, ineficiente e desumano, fora que ainda assim, não levaria menos de uma hora e meia para chegar ao trabalho. então uso a moto. É perigoso? Claro, muito mais pela imbecilidade alheia(e como existem motoristas imbecis, pode ter certeza disso), pelo descaso com as vias públicas do que por minha conta. Faço questão de estar sempre bem equipado(mesmo tendo uma 150cc), não excedo os limites daquela via e corredor, só em último caso e quando o trânsito tá parado. Sei que sou exceção entre motociclistas e a minha realidade é bem diferente da maioria dos brasileiros, mas ainda assim, levo de 40 a 50 minutos para chegar ao trabalho, numa viagem muito mais prazerosa e gastando menos do que se fosse de transporte público. E por conta disso, defendo fortemente o uso das motocicletas para o transporte, são baratas, consomem pouco(poluindo pouco), ágeis, práticas, se usadas com responsabilidade. Fora o prazer rodar por aí de moto, esse sim impagável.

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    5. Mr. Car, o que você precisa é uma armadura para enfrentar outras pessoas igualmente armadas e blindadas. Na minha opinião a única desvantagem da motocicleta é poluir até cinco vezes mais que o carro. Mas há diversas vantagens, entre elas o fato de ocupar pouco espaço público (de todos), de consumir menos combustível e de melhorar a capacidade de concentração do condutor.

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    6. Adilson
      Pare de papagaiar os ecochatos. Se a moto consome menos, polui menos.

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    7. Bob

      Não sou especialista no assunto, mas acho que moto consome menos combustível que carro, porque produz menos atrito com o solo e sofre menos resistência do ar. Quanto a questão da poluição, seria necessário comparar a emissão de gases produzida por dois carros de cinco assentos com a emissão de gases produzida por cinco motocicletas de dois assentos, para saber quem polui mais.

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  2. Agresti,
    texto ótimo o seu, disse montes de verdades claras, límpidas, óbvias, mas que políticos fingem não entender nem saber.
    Ou será que não entendem mesmo ? será que nem ver eles sabem ? deve ser isso então, puro destreino, despreparo, incompetência completa.
    Fugiram da escola, sem dúvida.
    Triste.

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  3. O Brasil é o país do futuro...e sempre será.

    Caros, de burros nossos políticos não têm nada, apenas o foco deles é outro; qual é esse foco, creio que qualquer um com inteligência normal já sabe.

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    1. Brasil o país do futuro ..
      Sim de um futuro sombrio e bem pior do que os dias de hoje
      Venezuela eu sou você amanha : Brasil !

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  4. Agresti, se para uma moto é complicado, imagine para um ciclista, imagine então para aquele ciclista por necessidade, tipo um pedreiro que já contratei uma dúzia de vezes, que não possui carro, mora longe e vem diariamente na velha Caloi 10 (vermelhinha, original de três décadas atrás), imagina então o cadeirante, que precisa de vagas especiais, precisa de compreensão no momento de estacionar e sair, precisa de transporte público adaptado e boas calçadas e ruas para conseguir se locomover... pense nas ambulâncias, com seus pacientes, passando rapidamente sobre esses furos no asfalto ou travadas pelo trânsito caótico.

    A verdade, Agresti, é que nada na nossa querida capital é feito pensando realmente na população (ou no eleitor, pensando em política), tudo é feito de forma a servir de cortina para os reais problemas que a população enfrenta diariamente, entre eles do transporte, e isso não é exclusividade alguma do atual prefeito, é uma história de descaso e abandono do coletivo. Seria até inocência ignorar os grandes erros de muitos prefeitos anteriores. Admiro-me de ver que o único prefeito que vi realmente atuar na cidade, especialmente nas questões de mobilidade urbana, ter o tempo atrás usado o lema "rouba mas faz". Complicado...

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    1. Para moto é complicado, para um ciclista mais ainda.
      Imagina para o pobre pedestre...

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  5. Tenho uma teoria a respeito de como saber como será o futuro de qualquer uma de nossas "urbis", principalmente de nossas maiores capitais. Basta olhar hoje para metrópoles superpovoadas mais antigas na África e Ásia, tanto para aquelas onde falta (ou é insuficiente, ou negligenciado) o investimento público, no caso de Lagos, na Nigéria, ou onde há planejamento incessante do Estado, como Seul, Pequim e Tóquio, ou ainda um misto, Hangzhou e Shenzhen, em que mesmo havendo planejamento, o volume populacional é tal que se gera uma desordem generalizada de difícil controle no trânsito. Resta saber o que desejaremos, se o abandono de Lagos, o planejamento de Seul ou a caoticidade de cidades chinesas. Em quaisquer delas o domínio das scooters é evidente.

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  6. E não é só em São Paulo, mas imagino que maior parte das cidades no Brasil de fato não são pensadas para a motocicleta, algumas melhores e outras piores. Muitos perigos, que inclusive tem um fator multiplicativo maior caso você queira andar de scooter, pois scooters não andam com eficiência em trechos acidentados.

    Ainda sim, posso até estar sendo chato (na verdade imagino que para alguns eu esteja sendo) mas ainda vejo motocicleta como a solução mais próxima de agradar "gregos e troianos": É mais fácil de manejar que um carro e ao mesmo tempo não há necessidade de esforço físico da bicicleta. Mesmo com os perigos, não vejo o carro como item essencial, principalmente se o mesmo, aliado a uma péssima infraestrutura de tráfego comprometem e muito a qualidade de vida.

    Ótimo post RA!

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    1. É bom saber que alguém considera manejar uma motocicleta mais fácil do que um carro.
      Minhas aulas de "moto-escola" começam semana que vem.

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  7. Não concordo que A MOTO seja a solução.
    É parte dela.
    Mas enquanto a malha de trens e metrô for ridícula como ainda é, esqueçam. Cidade travada pra eternidade.

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  8. Muito bom o texto. Sou motociclista em SP desde de 1997, tendo até trabalhado como motoboy. Nunca me envolvi em acidente, sempre piloto de forma defensiva e nunca abusei em cima de uma moto. O maior problema no Brasil e a falta de educação e formação dos condutores em geral. Alguns países da Europa quem tem habilitação somente de carro pode adquirir um scooter de baixa cilidranda sem a necessidade de tirar habilitação.

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  9. Se motocicleta representar o futuro do transporte urbano... eu espero estar morto até lá. São veículos muito interessantes como meio de deslocamento rápido (moto-fretes), lazer, ou competição, mas como transporte diário temos que pensar em coletivos.
    A motocicleta nem se presta à família: como transportar idosos e bebês nestes veículos? Como sair em dia de chuva?
    As cidades tem que ter espaço para todos. Eu, por exemplo, acredito que deveria ser estimulado o desenvolvimento de veículos urbanos extremamente compactos e não poluentes (observem os panos na face dos motociclistas desta foto publicada no artigo) sou fã de micro- carros e espero que no futuro a prefeitura faça uma faixa exclusiva para eu passar com um carrinho como este mostrado neste artigo: http://carros.uol.com.br/noticias/redacao/2014/04/16/carro-bolha-japones-revive-sonho-do-sessentao-isetta.htm

    Renato

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    1. Renato,

      A motocicleta se presta muito bem ao transporte diário mais comum que vemos: deslocamento do cidadão produtivo de sua casa para o trabalho, do trabalho para a escola/faculdade, da escola/faculdade para casa. Nesses deslocamentos é muito raro você levar sua bisavó ou seu bebê recém-nascido; no mais das vezes, você vai sozinho, e é para isso existem os carros; dizer que as motos não são uma solução para o problema dos deslocamentos urbanos por essa razão equivale a dizer que os grandes caminhões de 18 rodas não se prestam ao transporte urbano porque são difíceis de estacionar; cada veículo, obviamente, tem seu uso.

      Se todos os que andam sozinho em seus carros os deixassem em casa e andassem de moto certamente teríamos menos espaço ocupado nas vias públicas para os que efetivamente precisam do carro, e tudo fluiria melhor.

      Quem já sentou a bunda em uma motocicleta com alguma seriedade sabe que existem soluções muito eficazes - ainda que um pouco inconvenientes - para dias de chuva, como capas e produtos anti-embaçantes, mas esses pequenos incômodos, presentes apenas na parte do ano em que chuvas são freqüentes, são largamente compensados pela agilidade, economia e até mesmo propriedades anti-stress das motos.

      Claro que a moto não é solução para tudo, mas também descartá-la a priori reflete uma visão muito limitada, e a perda de oportunidades de se encontrar soluções e mitigadores, de um problema incrivelmente complexo, que é o trânsito nas grandes cidades.

      José de Paula

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  10. Prezado Roberto Agresti,
    Precisamos que se candidate, para votarmos no senhor!

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  11. Marcus Lahoz17/04/14 15:28

    Motos podem ajudar muito o trânsito. Mas como em tudo, não são a única solução. É preciso que o principal transporte de uma cidade seja o coletivo, em seguida o individual reduzido (carros com menor tamanho e motos). Acho um absurdo uma DODGE RAM dividir espaço com motos e carros como o smart, quem tem este tipo de veículo deveria pagar uma taxa diferenciada, aquilo é um caminhão (por sinal chamo todas as pickup de caminhão - S10, RANGER...). Temos que valorizar aquele que ocupa menos espaço.

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    1. Claudio Fischgold17/04/14 18:59

      Marcus,

      não é só voce que chama pickup de caminhão; os americanos também chamam isto de "truck".

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  12. Agresti, eu piloto moto há uns 32 anos e vi as motos evoluírem proporcionalmente à medida que os nossos governantes involuíram. As faixas de ônibus são uma boa alternativa ? Penso que sim desde que a quantidade e qualidade dos ônibus que ali circulam sejam coerente com a demanda da população. Do contrario roubam um espaço precioso numa cidade absolutamente carente de áreas transitáveis.O serviço prestado por empreiteiras que fazem a manutenção das vias é compatível com a qualidade dos serviços prestados pelo governo municipal: não fazem consertos, apenas tapam porcamente os buracos, se tanto. Em resumo: o Nando Malddad e outros tantos governantes continuam tomando o velho coquetel de Activia & Johnnie Walker (fazendo e andando p/ os não iniciados) e a população, infelizmente, esquece-se disso em épocas de eleição ...
    PS: Bob saia candidato !! Precisamos de alguém do seu quilate lá dentro ...

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  13. “Nosso governantes, especialmente os de viés populista à Haddad, sempre parecem confiar em uma força vinda do além, acreditando que uma sorte campeã ou divindades em pessoa os ajudarão a cumprir suas promessas e sinas, o que, sabemos, raramente ocorre. É a burrice no estado de arte.”

    Sensacional!!!!!!!


    Agresti, concordo com muita coisa que disse.
    Como ressaltou, o que torna a moto perigosa são vários fatores, mas, aonde eu moro, destaco a INABILIDADE da grande maioria.

    A imensa maioria aqui não sabe nem frear!!! Os dois motoboys que contratei tive que ensinar a utilizar o freio, pois ambos se utilizavam somente do traseiro. Um aprendeu, o outro.... Até outros motoboys que pergunto, só se utilizam do freio traseiro. E não adianta argumentar, mostrar até pela configuração da moto que os freios mais potentes estão na dianteira... Alguns até retiram a manete...

    Outra coisa aqui que fico reparando AQUI AONDE MORO, é que as motos ultrapassam em qualquer lugar, e, tendo o canto do olho passado o paralamas do carro, já entram, fechando o carro, bando de suicidas!!!!

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  14. Gabriel F Tomass17/04/14 16:29

    A solução é acabar com os cartéis que monopolizam o transporte público, assim qualquer pessoa que tenha interesse poderá comprar uma van, táxi ou até mesmo ônibus e criar a sua linha.
    Quando houver alternativas suficientes, só usarão o transporte individual, entusiastas, pessoas que dependem do automóvel ou moto para seu trabalho ou pessoas durante situações específicas.

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  15. Lorenzo Frigerio17/04/14 16:39

    Para o Bob uma notícia do dia 15, mais uma dos "engenheiros" da CET:
    http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/161503-cet-pinta-faixa-em-zigue-zague-em-rua-da-zona-norte.shtml
    Quem for assinante da Folha poderá ver a imagem na edição digital (saiu na versão impressa).

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    1. Esta solução já é aplicada em algumas ruas de SP desde o século XX, como por exemplo na rua Purpurina na Vila Madalena.
      Deveria dar maior fluidez ao tráfego caso o motorista consiga alinhar o carro dentro da faixa de rolamento. Difícil em SP e impossível em Campinas, por exemplo.

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    2. Lorenzo, aqui tem a foto: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/04/1440794-cet-pinta-faixa-em-zigue-zague-em-rua-da-zona-norte.shtml
      Eu até achei que ela ia aparecer neste post, pois no outro várias pessoas citaram este link da imagem.

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  16. Aproveitando o tema, será que daria certo aqui?

    https://www.youtube.com/watch?v=dl0Q2bDnBUc

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    1. Tarcisio,

      Acredito que esta é uma materialização da velha piada sobre o instrumento de escrita da NASA e dos russos: a NASA desenvolveu após anos de pesquisa e milhões de dólares gastos, uma caneta que funcionava sem gravidade para os astronautas tomarem notas no espaço. Os russos usaram um lápis...

      Aqui em Brasília temos a solução do lápis em horários de congestionamentos. Uma das faixas de rolagem tem o sentido invertido em horários de pico; não há divisão física entre a faixa da mão e da contramão, mas como os brasileiros estamos acostumados a trafegar em rodovias de mão dupla sem canteiros ou barreiras centrais, isso não é problema para nós.

      A solução "dá certo" na medida em que não há acidentes por causa disso e o povo já se acostumou; mas enquanto houver os exus tranca-ruas com celular na cara, ou pior e cada vez mais freqüente, digitando mensagens e olhando pro celular e ziguezagueando em vez de olhar pro mundo à volta, e se manter na porcaria da faixa da direita (destinada aos mais lentos) em vez de fechar a esquerda (para ultrapassagens), as pistas podem ter 10, 20, 30 faixas em um mesmo sentido que o problema dos engarrafamentos não será resolvido

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  17. Renato, o meu limite de "área ocupada menor" é, conforme eu disse, algo como o Smart Fortwo, o que já é bastante pequeno. Não abro mão de ter as vantagens em termos de segurança e confortos que um carrinho urbano do tipo representa em relação a uma moto.

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    1. Ainda que não concorde totalmente com você no quesito área, entendo seus motivos. Ainda vejo um Smart ForTwo como algo superdimensionado para maior parte dos casos (andando sozinho, diga-se), ainda que seja muito melhor que um popular de entrada e infinitamente melhor que uma pick-up media ou um SUV.

      Agora só fazendo um leve parenteses: Imagino que aquele JAD (elétrico que foi mencionado no Ae semana ou duas atrás) seria uma boa opção, e se tivesse uma opção. Fico imaginando esse carrinho com um motor a combustão monocilíndrico de uns 21cv: Empurrariam os 295kg com desenvoltura melhor que muito 1.0 por ai e consumindo muito menos. rsrs

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    2. Renato Mendes Afonso, olhe o que um motor a combustão monocilíndrico de exatos 21cv faz por um veículo de 160 kg: a moto Yamaha Fazer 250 faz de 0 a 100 km/h em 10 segundos, e faz entre 28 e 35 km/l a depender da tocada... Só a velocidade máxima é que não é lá essas coisas (140 km/h), mas mais do que suficiente para uso urbano civilizado.

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    3. Foi exatamente esse motor que me veio a cabeça quando imaginei o JAD com motor a gasolina.

      Em casa temos uma Parati 1.0 16v, ela tem 70cv e pesa 975kg, o que da aproximadamente 14kg/cv e, ainda que o motor seja 1000, 4 cilindros e 16 válvulas ("dizem ser manco em baixa"), cumpre bem com maior parte das (nossas) necessidades e com bom consumo de combustível.

      Para fazer 14kg/cv no JAD, que pesa 295kg, precisaria-se de uns 21cv. Para quem tem fobia ou realmente não tem condições de conduzir uma moto, acho melhor que o Smart ForTwo.

      Claro que entre um JAD de 21cv e uma moto com essa potencia, fico com a moto (Fazer 250 pelo tanque de 19.2 litros ou XTZ 250X pelo curso de suspensão). e para ambiente urbano, 140km/h é até demais para ambiente urbano e na rodovia acaba sobrando um pouquinho. :)

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  18. Agresti,

    Concordo com quase tudo. Só não incentivo a motocicleta como solução para o caos no trânsito.

    Durante muitos anos andei de moto em SP, usando diariamente para trabalhar, estudar, passear, viajar. Nunca sequer esbarrei num retrovisor. Pegava congestionamento na Rebouças e passava cautelosamente no corredor entre os carros parados e só assim consegui trabalhar e fazer minha primeira faculdade.

    Andar de moto foi uma experiência importantíssima para mim, inclusive para sentir os limites da pilotagem ao guiar um carro. As pessoas costumam guiar como se fosse um videogame. Na moto, como você disse, qualquer buraco ou faixa lisa no asfalto gera um perigo real que é sentido pelo motociclista.

    Mas nas grandes cidades brasileiras, seria preciso mudar toda a cultura viária para a moto e a bicicleta se tornarem seguras. Realmente não basta uma lata de tinta e uma faixa no asfalto, como o prefeito quer que acreditemos.

    Abraço

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  19. Pra quem é da capital, o serviço de tapa-buracos funciona: http://sac.prefeitura.sp.gov.br/

    Para todo o Estado, galeria de água ou esgoto abaixo do nível da rua, é só reclamar no Atendimento On-Line da Sabesp: http://site.sabesp.com.br/

    Tudo simples e prático.

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  20. João Carlos17/04/14 21:19

    "Motociclista velho e imprudente? Isso definitivamente não existe…"

    Tem sim, um tal de Tiozão, tido com herói por adultos e jovens sem cidadania e cultura, a turma do "wohooo".

    E faz escola. As regras só valem pros outros.

    A seleção natural às vezes falha.

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    1. Esse tiozão continua barbarizando impunemente após matar um pai de família na faixa de pedestres no centro de SP, ele zomba dos "pulicinha" e continua como herói da maloquerada sobre duas rodas.

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    2. Pedro de Albuquerque18/04/14 21:04

      O pior de tudo é guiar confiando que o outro nunca vai errar. Isso é um atestado de burrice carimbado e autenticado em três vias. Mais burro ainda quem copia a lição: esse é o original em via única do atestado de burrice.

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  21. Sou adepto da motocicleta no meu dia a dia a muito tempo. O motociclista diário, inclusive aprende a "ler" o clima e sabe se vai dar tempo para fazer a viagem antes que comece a chover.

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  22. A prefeitura aprovou mais uma idéia boa mas que na mão dos nossos políticos deve ser usada para atacar ainda mais a nossa liberdade de locomoção.
    http://exame2.com.br/mobile/brasil/noticias/ja-da-pra-transformar-vaga-de-carro-em-area-de-lazer-em-sp

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  23. Nem o Haddad está nem ai para o corredor de ônibus:http://2.bp.blogspot.com/-WEWYBRliSbo/U0_SikKKRaI/AAAAAAAAHp8/iATN0ct3iTo/s1600/Prefeito+Haddad+no+corredor.jpg

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    1. Pedro de Albuquerque18/04/14 21:10

      Esse PT é uma desgraça para o Brasil.

      Aliás, toda a esquerda paternalista, socialista e comunista foi e é uma desgraça para a América Latina e México.

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  24. Se não fosse a moto eu ficaria preso, me estressaria, gastaria mais e não me divertiria tanto ao conduzir um veículo. E para Mossoró, que tem poucas chuvas, nada me faz ganhar mais tempo nos deslocamentos. Isso sem precisar ser um louco ou me acidentar. Por curiosidade Mossoró tem a maior proporção de motociclistas do país: 1 em cada 4. Sou motociclista desde 2004.

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  25. Haddad e sua turma só se destacavam em uma matéria nos tempos da faculdade. Como enrolar e fumar um baseado de acordo com a ABNT...
    Entregaram a cidade nas mãos de uma turma que eu sinceramente não deixaria nem como zeladores de um galpão abandonado. Completamente incompetentes, imbecis e vagabundos. Agora todos pagamos o amargo preço desse desleixo...

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  26. Acho que os governantes querem que o Brasil permaneça no 3º mundo, afinal, 3 é maior que 1...

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  27. RA..., como você não viu o planejamento??? Dê uma olhada mais atentamente na primeira foto do post..., o planejamento é aquele que está de costas pra câmera, vestido seu uniforme da CET e o projeto é o bloquinho de multas que ele tem na mão!!!

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