DE CARRO POR AÍ


Coluna 1414    2.abril.2014                          rnasser@autoentusiastas.com.br          

Atualização. O novo motor dos Volkswagen

Outro passo evolutivo nos motores Volkswagen no Brasil, o novo 1,6 dito MSI, da família EA211. É a mesma do carismático 1,0, equipamento do recém-lançado up!, e sua caracterização maior é adequar-se aos novos tempos de menores peso — no caso 15 kg, uns 15%, adelgaçado de 105 para 90 kg —, consumo e emissões.

Se rotulado mix tecnológico entre o 1,6 da família EA111, bloco de ferro fundido, e as conquistas praticadas no tricilíndrico EA211 do up!, com toda a unidade em alumínio, impõe-se resumir a similaridade ao volume, 1.598 cm³, e às medidas de diâmetro e curso — 76,5 x 88,9 mm. E só. É outro bicho mecânico.

Mais
Motores são construídos em famílias para padronizar e resumir ao mínimo a variedade de máquinas aplicadas em seu fabrico. Assim, a filosofia mecânica do 3-cilindros foi replicada no quadricilíndrico: mesma distância entre centros dos cilindros, virabrequim com metade dos contrapesos, mancais de apoio mais finos para reduzir material, bielas mais leves, duplo comando, 4 válvulas por cilindro, válvulas com diâmetro idêntico.  Curiosidade, epicurismo termodinâmico, duas temperaturas no motor: uma para o bloco, maior, para afinar o óleo lubrificante e reduzir o arrasto das peças móveis, outra para o cabeçote.

Neste, a invenção da Volkswagen, atração questionadora para a hora da recuperação: os comandos de válvulas são montados aos pedaços dentro dos mancais do que seria a tampa de válvulas. Parte em árvores e parte em ressaltos, se firmam por diferença de temperatura. Mas desmontar, nunca mais. À hora da retífica dos ressaltos, troca-se a tampa de válvulas.

No caso do motor tricilíndrico, as engrenagens dos comandos são ovalizadas para distensionar a correia dentada e aumentar sua vida. No quatro cilindros o conceito é aplicado à polia do virabrequim.

Coletor de admissão em plástico. O de escapamento lembra a solução da admissão dos antigos motores BF-161 Willys: fundido no cabeçote. No caso, em nome do rápido aquecimento. Solução pode parecer curiosa no Brasil, mas em países com legislação severa o rápido aquecer do cabeçote reduz emissões. Catalisador vai agregado. Variador de abertura para as válvulas de admissão. Trocador de calor óleo-água para arrefecer o óleo lubrificante do motor.

O novo motor inicia seu caminho equipando as versões mais caras das famílias VW, como Gol Rallye e Saveiro Cross, de modelia 2015 apresentada junto com o motor. Projeta-se, até o final do ano os motores antigos EA111 deixarão de ser produzidos.

Curiosidade
Na ficha técnica os dados de maior provocação, potência e torque, instigarão releitura. Motor anterior produzia 101 cv com gasolina e 104 cv operando com álcool. Atual, 110 cv e 120 cv, na ordem. Torque, 15,4 e 15,6 m·kgf, e 15,8 e 16,8 m·kgf, idem.

Parece desproporcional. Muitas modificações, poucos ganhos: 9 cv para o motor operando com gasolina e 16 cv com álcool. Duplo comando de válvulas, fase variável, taxa de compressão elevada de 10,5:1 na Alemanha para 11,5:1 aqui, coletor de admissão sem rugosidade, redução de pesos e atritos, as diferenças deste motor, em teórico princípio deveriam render maiores potência e torque.

Desnecessário enfatizar pois sinal de respeito, motores novos para funcionar a álcool dispensam o anacrônico tanquinho de gasolina. Novo sistema pré-aquece o combustível vegetal, dispensando a injeção de gasolina.

EA211 atualiza motores VW

Pé na porta, Golf a R$ 66.990
Em 2014 o mercado de automóveis será profissionalizante. Exigirá artes e ofícios para não deixar vendas e resultados caírem. Do varejo interno instado pelo receio psicológico ante as notícias de má gestão do governo federal, perda de controle, inflação, e os grandes feriados, Copa do Mundo, eleições, redução de exportações à Argentina, nossa maior cliente. Ano de tira-teima, após década ascendente e o 2013 com perda pequena.

Por que profissionalizante? Simples, diretor e gerente comercial sem produzir vendas serão aconselhados por áreas de recursos humanos a buscar outra profissão.

Do caso
A Volkswagen enfrenta a queda da vendas do Gol, somando o fim da versão G4, barrada no baile por incapacidade de receber os legais ABS e almofadas de ar,  e o lançamento do bom up!, e não pode deixar seu mercado desabar. Por isto abriu nova frente: Golf alemão, 1,4, turbo, 16 válvulas, injeção direta, 140 cv e 25,5 m·kgf de torque entre 1.500 e 3.500 rpm, responsáveis por sua disposição em acelerar, ou apenas andar em baixas rotações, e baixo consumo. Opção de câmbio manual com 6 marchas ou DSG, robotizado com duas embreagens e 7 marchas. Segurança em nível europeu, 7 bolsas de ar, controles eletrônicos para estabilidade, tração, e o recurso economizador e não poluente start-stop – que desliga o motor nas paradas do trânsito. Suspensão traseira de qualidade, multibraço, rodas em liga leve.

Interior preto, em tecido. A versão é a Comfortline e há pacotes opcionais Elegance e Exclusive. Rico em equipamentos de série, bem-feito, prazeroso ao dirigir, multi ganhador — mais de 20 prêmios mundiais —, na prática mete o pé na porta, chuta o pau da barraca ao oferecer um automóvel importado, construído com competência mecânica alemã, a preço competitivo a nacionais defasados em tecnologia. O mercado promete iniciar escrever uma nova página neste comparativo.

Golf Comfortline, alemão a preço de nacional

Roda-a-Roda
Argumento — nova referência para vendas — ao lado de consumo e emissões poluentes —, o Audi A3 Sedan foi aprovado pelo estadunidense Instituto de Segurança nas Estradas, e mereceu o carimbo de Top Safety Pick+, como dos mais seguros à venda naquele país.

Mais – Bem acertado, espaçoso internamente, agradável aos olhos, o Fiat Grand Siena foi surpresa em vendas à própria Fiat. Para manter atrativo sobre o carro, retocou o interior, aplicou pisca de cinco piscadas, tem alarme e espelho retrovisor direito inclinando para baixo ao engatar a marcha à ré, forrou o porta-malas. Motores 1,4 e 1,6, preços entre R$ 41 mil e R$ 50 mil.
De novo – Para manter novidades e opções, linha de picapes Ranger reincorporou a versão Sport. Cabine simples, motor 2.5 flex, 173 cv com álcool, decoração própria, "santantônio", rodas leves de 17”. Direção hidráulica, ar-condicionado, confortos eletrônicos em som, comandos no volante. Não concorrerá com picapes pequenos ao custar R$ 68 mil.
Ecologia – Pirelli aplicará R$ 500M em sua fábrica de pneus, em Campinas, SP, entre 2014 e 2018. Renovará máquinas, algumas com décadas de uso, quando montada pela Dunlop, de quem comprou, e tecnologias. Aumentará produção de pneus verdes — de menor resistência à rolagem, reduzindo consumo de combustível.
Tecnologia – BMW elétrico, o i3, anda por São Paulo. Testes de resistência e operações a lançamento no segundo semestre. Projeto lembra o do Mercedes Classe A, primeira versão, com plataforma em dois planos: o compartimento de passageiros sobre outra com a mecânica.
Como – Usa bateria de íons de lítio, motor elétrico com 170 cv e apenas 50 kg, pesa aproximados 1.200 kg, autonomia máxima de 200 km, e opcionalmente motor de motocicleta da marca, 650 cm³ e 34 cv para tocar o gerador.
Mais – Na corrida para objetivo indefinido pelo governo, Renault marca espaço. Fez acordo com a Itaipu Binacional, politicamente um bastião do PT, fornecerá 20 unidades de seu modelo Zoe. A usina move o Programa Veículo Elétrico.
Segurança – Ante o problema com a GM, demorando anos para fazer recall de chave de ignição, causando danos e mortes, e frente à multa aplicada à Toyota por problemas com acelerador, dois senadores estadunidenses Ed Markey e Richard Blumenthal, apresentaram projeto de lei para garantir acesso público aos comunicados entre fabricantes, importadores e os órgãos públicos.
Prevenção – Crê Blumenthal, ex-procurador do governo, a medida ajudará a evitar delongas entre as partes, agilizando soluções.
Solução – Colher água de chuva nos telhados para uso posterior é boa postura. O mundo agradece. Mas estudantes da Universidade do México melhoraram o passo ecológico: criaram o sistema Pluvia.
Na prática – Pequenas turbinas, com 5 cm de diâmetro e 25 de comprimento, colocadas nos tubos, aproveitam a passagem d’água, geram energia para carregar baterias de 12 volts para alimentar lâmpadas LED e pequenos equipamentos A água é filtrada em carvão e sai apta a consumo.
Futuro – Gente comum não é capaz de imaginar o entrosamento entre a internet e a vida normal. A Bosch projeta e se prepara a conectar os veículos em rede, muito mais que navegar.
Caminho – Desde o pára-brisa expondo dados do deslocamento e visão ampliada do caminho, iPhones e Smartphones integrados ao veículo, utilizando a tela do automóvel tornando aplicativos mais fáceis e seguros.
Assim – Usar internet no automóvel dispensando o celular; conectar a mecânica à eletrônica, permitindo, por exemplo, que veículo se prepare para reta, subida ou descida próxima, poupando ou gerando energia, com economia de até 15% em combustível.
Argumento – A conectividade, projeta a Bosch, oferece desde prévio localizar uma vaga, escolher combinação de modais de transporte para o deslocamento; organizar o trânsito e — diz —, reduzir mortes em 90%.
Turismo – Batendo pernas e sacolas de compras na avenida dos Champs-Élysées, Paris?  Pare no n° 42, prédio institucional da Citroën. Lá, veículos exclusivos da marca para conquistas no setor. De carro com lagartas para travessia no deserto, ao conceito C4 Cactus, mostrado no Salão de Genebra. Oito representantes do atrevimento Citroën.
Divisão – Corridas são importante promotor de vendas. A Citroën disputará o WTCC, Campeonato Mundial  de Carros de Turismo da FIA, em circuito, abrindo a temporada no Marrocos, 12 e 13 abril. A prima Peugeot irá ao Rallye Dakar, 10 mil km largando e chegando na Casa Rosada, Buenos Aires — e Chile e Bolívia —com o 2008 DKR.
De volta – Enquanto alinhava retorno ao definidor mercado dos EUA, a Alfa Romeo, sem produtos — apenas MiTo e Giulietta —, esportivo 4C, de vendas contadas, inicia campanha institucional mundial como safety car das provas do WTCC. Doze provas, maciço interesse e divulgação, terá pilotos e marca campeões. Alfa Romeo, parece, voltou, cautelosa e perifericamente, ao cenário de vida e glórias.

Alfa 4C, safety car (divulgação)
Conta – Estatística da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores etc. (Abraciclo), diz, 25% dos motociclistas são mulheres. Em acidentes, 8% as envolve. Homens, 75% deste universo, estão em 92%.
Volta – Austríaca KTM, de motos sob curioso rótulo Premium em aplicação off-road, voltará ao Brasil pelas providências da Dafra, montadora multimarca instalada em Manaus (AM). Operação CKD — importação de peças com montagem local, incluindo versões Street, em 200 e 390 cm³; 2015.
Recall – Parafusos dos eixos de balancins das válvulas do motor motivam chamamento a reparos nas motos Honda CB 500F e 500R. Problemas farão o motor parar. Para conferir 0800-701-3432,  www.honda.com.br/recall/motos, e no Ministério da Justiça – http://portal.mj.gov.br/recall.
Comemoração – União Renault e Nissan festeja 15 anos, expansão de vendas, produtos, marcas. Hoje Renault, Nissan, Renault Samsung, Infiniti, Venucia, Dacia, Datsun e Lada, mais sociedade com chinesa Dongeng.
Exemplo – Acordo insólito contornou exemplos negativos, diferencia-se por não ser fusão, mas compra de ações de uma pela outra, e o resgate tido impossível da então quase falida Nissan. Ajudou muito o manejo de afiado alfanje por Carlos Ghosn, vice-presidente da Renault transferindo-se ao Japão, onde alterou costumes, tradições e salvou a companhia.
Caminho – A Honeywell Turbo Technologies produzirá no Brasil turbos Garrett de geometria variável de terceira geração para motores diesel leves — picapes e vans — destinados a veículos locais e da América Latina.
Futuro – É pioneira no Brasil, equipou o pioneiro Uno Turbo 1,4, e os Gol 1,0, os mais potentes do mundo então. Turbo é caminho para otimizar motores, diminuir tamanho, peso, consumo, emissões.  Produzirá 70 mil/ano — 20% sobre produção atual.
Gente – Roberto Cortes, presidente e executivo-chefe da MAN Latin America, prêmio: Personalidade Brasil Alemanha. OOOO Primeiro brasileiro a presidir uma operação do Grupo VW na América do Sul, integrar a diretoria mundial de veículos comerciais e a mesa diretora da MAN. OOOO.
De turma – Preparando-se para operar fábrica em Rezende, RJ, Nissan forma time. OOOO Roberto Delgado, novo vice-presidente regional de Administração e Finanças da América Latina (LATAM). OOOO Kazunori Nakajima, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento. Ficará em São José dos Pinhais, PR. OOOO Shingo Mukaida, diretor de Motores e Manufatura. OOOO Maria Eugênia Santiago diretora de Comunicação Corporativa América Latina. OOOO Do México olhará América Latina e Brasil. OOOO.

RN

A coluna "De carro por aí" é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

7 comentários :

  1. "Parece desproporcional. Muitas modificações, poucos ganhos: 9 cv para o motor operando com gasolina e 16 cv com álcool. Duplo comando de válvulas, fase variável, taxa de compressão elevada de 10,5:1 na Alemanha para 11,5:1 aqui, coletor de admissão sem rugosidade, redução de pesos e atritos, as diferenças deste motor, em teórico princípio deveriam render maiores potência e torque."
    Se a diferença não está na potência, só pode estar no consumo (seria bom se tivéssemos as duas curvas de consumo específico de combustível pra comparar)...

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  2. caro roberto nasser: será que já estamos perto de motores descartáveis? e o custo desta tampa? teria alguma ideia?

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    1. não, mas parece estamos num caminho sem volta de furioso descarte. há 20 anos eram as bombas mecânicas de gasolina que não mais permitiam a troca de juntas e diafragmas. recentemente, o rolamento das pontas de eixo dos picape ranger trouxeram a novidade: para trocá-los, só descartando o conjunto - 20x mais em custos. já estamos céleres na trilha para não retificar motores, mas trocá-los integralmente. curiosamente ecologistas não se manifestam contra este desperdício de matéria prima, insumos, energia. r nasser

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  3. Prezado Nasser,

    obrigado por sempre nos brindar com sua coluna. Gosto muito!

    Um abraço,

    André.

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    1. dé. dou o maior apoio à sua equilibrada opinião .... r nasser

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  4. Tarefa bem difícil encontrar o tal Golf básico manual.

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  5. Alguém aí consegue lembrar das retíficas, quando os motores não duravam o tanto de hoje? Penso que estamos chegando no estágio máximo de tecnologia e durabilidade dos motores de combustão interna, durarão mais que o restante do carro. Daí não vejo motivo para preocupação, com garantias cada vez maiores, ainda que atreladas a prazos esdrúxulos de troca de óleo, aliás minha única bronca com a VW. Tenho um Fox Bluemotion que troco o óleo uns 4 mil kms antes da hora, pelo tempo, sempre aterrorizado pelo consultores técnicos das autorizadas quanto a perda de garantia... Quando esta acabar voltarei a fazer o que sempre fiz com outros carros que tive: troca de óleo a cada 10 mil kms. Nunca tive problemas fazendo assim, parando anualmente para manutenção geral, meus carros jamais me deixaram na mão.
    Mauro

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