CONVERSA DE PISTA

Terceira de Hamilton reduz entusiasmo na F-1 2014

Hamilton, mais uma!

Domínio da Mercedes pode fazer despencar audiência se Mundial for definido em tempo recorde. Motores novos no GP da Espanha, a próxima etapa, deve elevar o nível de desempenho e afetar desgaste de pneus

O domínio avassalador da Mercedes-Benz neste início de campeonato, quando a marca alemã somou cerca de 90% dos pontos possíveis (154 em 172) para uma equipe ameaça a popularidade da F-1 em um ano de grandes mudanças. Caso a supremacia de Nico Rosberg e Lewis Hamilton, respectivamente líder e vice-líder do campeonato, se mantenha inalterada, é bem provável que os títulos de pilotos e construtores sejam definidos na metade da temporada e faça despencar os índices de audiência da competição. Enquanto isso, na disputa do GP da China (cujo resultado completo você encontra aqui) Red Bull e Ferrari reagiram dentro do possível ao dampfwalze tedesco, cujos motores estão ligados a 71% do total de pontos marcados até agora, o que reforçou a lambança de uma cidade proibida…

Número frios mostram o caloroso domínio alemão

Uma análise fria e calculista dos resultados registrados nos quatro GPs disputados até agora — Austrália, Malásia, Bahrein e China —, mostra que dos 404 pontos marcados até agora nada menos de 154 foram conquistados por Nico Rosberg (79) e Lewis Hamilton (76) e 287 por pilotos cujos carros são impulsionados pelos V-6 financiados por Sttutgart e fabricados em Brixworth. Basta ver a tabela do campeonato de condutores, onde Nico Hulkenberg aparece em quarto, com 36 pontos, seguido por Valteri Bottas (7; 24), Jenson Button (8; 23), Kevin Magnussen (9; 20), Sérgio Pérez (10; 18) e Felipe Massa (11; 12). Entre os 11 construtores, os quatro ligados ao rolo compressor germânico, o tal dampfwalze, Mercedes (1; 154), Force India (3; 54), McLaren (5; 43) e Williams (6; 36) se destacam frente à Red Bull-Renault (2; 57), Ferrari (4; 52) e Toro Rosso-Renault (7; 8). Lotus-Renault, Sauber-Ferrari, Marussia-Ferrari e Caterham-Renault ainda não pontuaram.

Dito isso, há quem pondere que é possível mudar esse quadro em breve: o início da temporada européia — as próximas corridas serão em Barcelona (11/5) e Mônaco (25/11) —, geralmente trazem evoluções técnicas que corrigem defeitos. Por outro lado, não é raro que um ou outro projeto seja classificado como errado ou mal concebido e sele as chances dessa ou daquela equipe. É difícil não enxergar que os destaques deste balaio são Sauber, Marussia e Caterham. O peso exagerado do chassi C33 deixa os suíços em situação difícil, já que o motor Ferrari que o impulsiona já é reconhecidamente o mais apto a um regime de emagrecimento. Com relação às duas perenes figurantes, só mesmo uma prova com muitas desistências ou uma situação altamente improvável permitirá que ambas saiam do zero.



Equipe por equipe

Chega a ser surreal o destino da Mercedes-Benz na atual temporada de F-1: há anos os tedescos trabalham duro, investem o que é necessário, contratam o que há de bom e do melhor no mercado e ao colher os frutos dessa obstinação estão perto de descobrir que faltou uma pitada de açúcar na receita. Afinal, quem gosta de ver alguém dominar um esporte, ou qualquer outra atividade, com tamanha competência e absolutismo? Pior, se domínio afastar espectadores e leitores o investimento vai acabar ficando mais caro. Dentro do box a dúvida é saber se com motores com igual quilometragem — ao não disputar o GP da Austrália Hamilton tinha uma unidade de potência menos usada que a de Rosberg —, a superioridade do inglês sobre o alemão não será abalada.

Depois de uma temporada de treinos livres para esquecer, a Red Bull voltou a ter asas e deixou claro que o reinado de Sebastian Vettel está bem mais que simplesmente ameaçado. Seu companheiro de equipe, o australiano e sempre sorridente Daniel Ricciardo, parece tirar total proveito de sua maior estatura e ignora a alteza real que conquistou os últimos quatro títulos de pilotos. Em quatro provas disputadas este ano o piloto do RBR #3 ficou melhor classificado em três deles, incluindo a etapa de Melbourne, quando foi desclassificado do segundo lugar por problemas com o medidor do fluxo de combustível. Mais, tivesse obedecido às ordens de sua equipe e não atrapalhasse a recuperação de Daniel, Sebastian teria contribuído para uma boa disputa entre o australiano e o espanhol Fernando Alonso, que terminou em terceiro. Irônico mesmo foi ver o alemão sendo ultrapassado por um Caterham…


A Ferrari, sempre ligada a situações que remetem às obras de Fellini, Dante e outros monstros do gênero, usou o peso do seu V-6 atual para fazer marolas, levantar polêmicas e comentários e gerar linhas e fotos sobre sua tradição esportiva. Ao substituir um veterano das pistas por um executivo brilhante do mundo de vendas, a Scuderia foi mais fundo do que simplesmente trocar Stefano Domenicali por Marco Mattiacci: abriu espaço para quebrar paradigmas dentro da Gestão Esportiva (o departamento de competições da marca), e deixou no ar se esta substituição é para consumo imediato do estilo tapar buraco ou o início de uma nova página na administração da equipe. Cabe lembrar que nas últimas seis voltas da prova Ricciardo descontou nada menos que 2”50 de Alonso, média de 0”41 por volta, e cruzou a bandeirada exatos 1”2 atrás do espanhol. Detalhe que vai gerar discussões: um erro do diretor de prova encerrou a prova uma volta antes do previsto, o que significa que a classificação final foi a correspondente à da volta 54, posto que o regulamento diz que ao terminar antes do previsto o resultado oficial é o da volta precedente.


Marco Mattiacci, novo chefe da Ferrari (foto Ferrari Media)

Falando em precedente, voltemos à Force India, terceira colocada entre os construtores, à frente da Ferrari. Nico Hulkenberg e Sérgio Pérez mostram consistência e regularidade e não se intimidam em ocupar posições que em outros tempos seriam exclusivas de equipes com orçamento vergonhosamente maior. Embora tenha perdido a vice-liderança para a Red Bull, o esquadrão de Vijay Mallya mantém-se entre a melhor dica de investimento na bolsa de apostas: Hulkenberg pontuou em todas as quatro provas até o momento e Pérez em três, incluindo o terceiro lugar no Bahrein. 




Tudo indica que no grid de 2014 a McLaren é a equipe que tem os carros mais susceptíveis às mudanças climáticas: nas temperaturas relativamente quentes de Melbourne e Sepang os carros de Jenson Button e Kevin Magnussen andaram entre os primeiros, mas na noite fria do Bahrein e na gélida tarde chinesa o chassi MP4-29 não produziu pressão aerodinâmica suficiente para aquecer os borrachudos de Bicocca ao mínimo necessário, sinal claro que a maior velocidade em linha reta desses carros era conseqüência do uso de menor inclinação das asas. Falando em pneus, espera-se que em Barcelona este item volte a influenciar mais os resultados: os carros deverão andar mais rápidos e o piso catalão é famoso por sua fome de borracha.

O que acontece com a Williams?

Última das escuderia equipadas com a melhor unidade de potência do mercado, a Williams parece ter dificuldades em voltar a descobrir o caminho das pedras. Enquanto Felipe Massa tem se destacado por largadas fulminantes e Valteri Bottas deixou claro ser uma estrela em franca ascensão, a falta de sorte parece atrapalhar os planos de renascer das cinzas. Na China temeu-se que os dois pilotos fossem alijados da prova logo na primeira curva, quando Fernando Alonso não conseguiu evitar um emocionante rodas-com-rodas no carro do brasileiro, manobra que ao repercutir em Nico Rosberg, levou o alemão a tocar o carro do finlandês. Para piorar, o desempenho dos mecânicos na primeira parada de Massa mostrou falta de coordenação e estratégia para trabalhar no canto de suspensão mais afetado na batida com Alonso.

Filial da Red Bull, a Toro Rosso demonstra a constância que é permitida a operações mantidas para criar e desenvolve novos valores. Sem o orçamento de sua irmã maior, a equipe formada sobre a estrutura da saudosa MInardi explora a sinergia que o proprietário comum a ambas disponibiliza. Daniel Kvyat, com seus 18 anos, torna-se o primeiro russo a brilhar na F-1 e ajuda a garimpar outras novidades do seu país, como a banda de protesto liderada pela cantora Louna, grupo que você pode ouvir aqui. Enquanto isso, Jean-Eric Vergne tenta dançar a balalaika sem perder o ritmo, especialmente quando se nota que Kvyat pontuou em três provas e o francês marcou pontos em apenas uma.

Daniel Kvyat

Na Lotus, os destroços da crise financeira de 2013 ainda são chagas abertas, cuja recuperação poderá ocorrer graças à magia que o nome ainda impõe aos colaboradores que não desertaram o barco em meio à recente tempestade. Sauber, Marussia e Caterham mostram à equipe de Enstone que a situação poderia ser ainda pior, o que serve de alento para a recuperação que muitos esperam.

Bernie aponta substituta

Prestes a ser julgado na Alemanha, Bernie Ecclestone apontou a britânica Sacha Woodward Hill como sua substituta durante o período em que o processo movido por Gerhard Gribkowsky é analisado naquele país. Gribkowsky acusa Ecclestone de ter agido incorretamente ao vender as ações referentes ao controle comercial da F-1 ao grupo CVC em detrimento de sua oferta, supostamente melhor. O tribunal alemão destacado para julgar o caso se reúne a partir de quinta-feira. Woodward Hill, de 44 anos, trabalha com Ecclestone desde 1996.

WG


A coluna "Conversa de pista" é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

19 comentários :

  1. Acho que em todo ano que temos a Copa do Mundo a F1 enfrenta crise de audiência. Principalmente em países como o nosso onde a popularidade da bola e infinitamente maior que a dos motores
    Continuando a superioridade da Mercedes a F1 2014 vai ser um sono só!
    Zzzzzzz ......

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    1. Anônimo,

      O ponto principal é o domínio de uma equipe, que já aconteceu em anos sem Copa.

      WG

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  2. Olá Wagner.
    Sempre é muito bom ler suas colunas após um final de semana de automobilismo. Você nos traz detalhes impossíveis de perceber durante as transmissões da F-1.
    O domínio da Mercedes é mais do que merecido na categoria. Essa foi a equipe que, como você bem disse, mais investiu na F-1, possui um trabalho consistente e coerente. Se outras equipes e espectadores estão com a tromba caída, me perdoe a grosseria, mas azar é o deles. E quem gosta de F-1 verdadeiramente, não deixará de acompanhar a categoria puramente porque uma equipe domina o certame. Porém, parece que há algumas coisas a acertar nos carros da Mercedes no que diz respeito ao consumo de pneus. Não sei se foi por causa do circuito ou do estilo de guiar, mas via-se que o carro do Hamilton consumia bastante os pneus dianteiros, e o próprio Nico deu uma escapada durante a prova.
    A Force India é a grata surpresa da temporada na minha opinião, e é uma equipe que ganhou minha simpatia. Alias, seus 2 pilotos vêm guiando muito bem, e parece que há um bom clima nos boxes dessa equipe.
    Outra coisa que chamou atenção neste fim de semana (negattivamente) foi o quanto os carros da Caterham e da Marussia são instáveis - seus pilotos brigaram com o carro o tempo inteiro na classificação, e durante a corrida não foi diferente.
    Felipe Massa vítima mais uma vez da equipe - até quando vai o calvário do piloto brasileiro com erros amadores?
    Ah, e também acho que valeria a pena destacar a participação de Nelsinho Piquet na Blancpain Sprint Series.
    Abraço.

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    1. Fábio Vicente,

      Obrigado pelo prestígio de sua leitura e dos seus comentários.

      Com relação aos pneus acredito que daqui para o final do ano o desgaste deste equipamento terá duas fases: vai estabilizar nas próximas corridas e depois crescer a ponto de causar algumas surpresas. A razão para isso é o desenvolvimento dos carros, que ainda estão relativamente longe de explorar todo o potencial desse novo motor, mesmo no caso das Mercedes-Benz.

      Em breve falaremos do Blancpain Sprint Serie.

      Abraço,

      Wagner

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  3. Tomara que com essa parte do calendário da temporada a hegemonia da McLaren seja derrubada pra sair um pouco da monotonia mesmo.

    Não engulo muito o Hamilton desde aquele ano que ele ganhou o campeonato em cima do Massa. Tudo bem que o cambalacho que houve naquele ano não foi culpa dele, mas do Piquetzinho, Alonso e equipe...

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    1. Anônimo,

      COnte-nos mais sobre a hegemonia da McLaren, por favor!

      WG

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    2. Nossa, que ato falho o meu!!!! Obrigado WG... Fiquei focado em falar mal do Hamilton e misturei as estações.

      Mas veja bem, ambas as equipes tem motor Mercedes, usam a cor cinza metálico, e começam com M!!! Hahaha

      E parabéns pela coluna sempre irretocável e sempre vários passos à frente nas informações!

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  4. Tudo culpa de um regulamento imbecil que impede os treinos...

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  5. O que me desanima na F1 esse ano não é a superioridade da Mercedes. O fazem por mérito. O que me desanima profundamente é ver piloto pulando marcha na reta pra economizar combustível, tirando o pé, luzinha de economia, gráfico de economia, transmissão inteira falando de economia. Só consigo pensar em uma palavra para descrever isso: broxante!

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    1. Ah vá !
      Sao as novas regras do jogo e valem para todos
      Nao há do que reclamar ...

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    2. Ah mas que é triste ver uma regra dessas provocando isso, é sim.

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    3. Exato Anônimo 22/04/14 16:28. Que absurdo esse de ficar perguntando se pode acelerar. RBR e ferrari ficaram a corrida inteira da China limitandoo acelerador. Broxante ao extremo.

      Parabéns Wagner por mais um excelente texto.

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    4. Caros anônimos (até hoje me pergunto porque tanta gente evita se identificar num espaço produzido por e para gente que tem muito em comum...) e André Castan,

      É a tal história: broxante ou não (e eu não considero esta temporada a mais emocionante de todas, nem compro o que a TV Globo tenta vender como "isto sim é que é corrida"), a tecnologia que está sendo espezinhada vai gerar benefícios importantes para o nosso futuro automóvel de todos os dias. Mas que podiam caprichar mais no tempero, isso podiam..e deviam!

      Abraços,

      WG

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    5. Do jeito que a coisa vai, com ordens de priorizar a economia de combustível e tal, daqui a pouco vão fazer da F1 um rally de regularidade, onde quem vai ganhar vai ser quem conseguir chegar com mais combustível no tanque, andando no ritmo certo.

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    6. Sim Wagner, a tecnologia precisa existir e evoluir, mas erraram muito a mão. Tem restrições demais e isso tá acabando com qualquer lado esportivo que ainda existia na F1.
      Agora vem aquele ponto de interrogação. Esses motores são mais econômicos (eu acredito que sim) que os V8 ? Então porque tanta restrição de combustível? Se fosse para obter economia com restrição de combustível, não precisava gastar e continuar gastando rios de dinheiro em novos motores. Bastava restringir no V8 mesmo.

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  6. E queda da audiência será o tom dessa temporada de F1. Com a Copa do Mundo de Futebol sendo feita num país de terceiro mundo e a volta da Porscha na WEC com um V4 estranho aos fãs da criadora de mitos, será um desastre de marketing nunca antes visto na história do campeonato. Tudo isso, tudo isso de uma vez só, e culpa nenhuma da Mercedes-AMG por ter feito um trabalho tão bem feito em seu motorzinho turbo. Também não se pode criticar (muito) a Renault, que confiou demais na velha receita de se fazer motor turbo e não teve imaginação para pensar numa idéia original como a alemã. Prevejo uma lavada da Mercedes esse ano sem chances para os carros propelidos pelo engenho francês e a derrocada desta na categoria a partir de 2016 quando a Honda se estabelecer e passar a fornecer seus motores para novos clientes. Isso se não ocorrer uma reviravolta ao final do próximo ano e a FIA mandar trazer os V8 de volta. Só o problema é que nem toda a cola do mundo conseguiria consertar o estrago que isso poderia fazer ao Pacto de Concórdia. Se os dirigentes da F1 queriam sarna para se coçar, a essa hora devem estar arracando a pele.

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    1. Readgis,

      Não creio que os motores mudem antes de 2020: faz parte do pacote e a Honda não iria aceitar essa mudança nem em nome da paciência oriental...

      Agora, que a sarna já começa a movimentar petshops perto dos cartolas, isso, não há dúvida...

      Abraço,

      WG

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  7. Essa mudança dos motores foi muito bem vinda. Exigiu criatividade e desbancou os favoritos anteriores. O problema é que criou "novos favoritos". Fica bem claro que a competitividade não tem muito a ver com a capacidade dos pilotos, visto que Hamilton, já campeão anteriormente, ficou um tempo "apagado" até esta temporada onde voltou a brilhar, já o Vettel, favorito de outrora, agora fica lá, mais escondido do que o frango da coxinha do aeroporto, cuja existência por vezes duvidamos.

    Era de se esperar algo do tipo, acredito que com o passar do ano hajam melhorias nas grandes equipes (RBR, Ferrari) forçadas pelo desastre 2014 e em 2015 a coisa tome forma com pódios variados e uma disputa até o final da temporada. Até lá é se divertir com as batidas e arranca-rabos entre os pilotos rs... já estes últimos, estão num patamar de excelência que qualquer bigode já faz diferença no desempenho e define uma vitória rs...

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  8. Hugo,

    Você apresentou um ponto válido: a mudança de regulamento desbancou antigos favoritos, criou novos, redescobriu pilotos e relegou outros a um ostracismo tão precoce quanto falso. Enquanto fala-se cada vez mais em mudanças cosméticas para fazer o honesto parecer honesto, quem sabe impor que os fabricantes de motores equipem outras equipes possa evitar novos males: não é difícil prever que a Honda e a McLaren criem outra fase dominante em 2015/6 posto que os japoneses só pensam em ceder motores para uma segunda equipe a partir de 2017.

    Abraço,

    Wagner

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