UMA CERTEZA ABSOLUTA




"O automóvel particular comum é o mais importante mecanismo de transporte do mundo. Sua habilidade de mover pessoas e coisas é simplesmente inigualável. Mas o automóvel não é importante não somente pelo que é e poderá ainda ser, mas também porque ele traz para todas as pessoas a maior das liberdades, a de ir de qualquer lugar para qualquer lugar, no seu próprio tempo e conveniência. Isto é uma liberdade de movimento apenas sonhada através das eras, mas nunca atingida antes dele.

Como engenheiros de automóveis, mesmo admitindo meio que a contragosto a necessidade atual do transporte público, porque o congestionado desenho medieval das cidades supostamente modernas exige a aglomeração de pessoas em tais meios de transporte para levá-los para essas tocas de coelho no período da manhã e extraí-los à noite, acreditamos que, a não ser que que os padrões de vida do mundo sejam reduzidos de forma violenta, a continuação das condições insalubres e de humilhação pessoal de tais meios de transporte é impensável. As cidades devem ser abertas na textura até que eles possam absorver totalmente o transporte pessoal, sem superlotação. Por falta de um tal processo de abertura, os centros lotados de muitas cidades estão visivelmente decadentes, e tornando-se favelas. A estrutura interna de um país que não é construído em torno do uso de transporte pessoal deve ser considerado como obsoleto e ineficiente.”

O texto acima é a introdução a um dos mais influentes tratados técnicos da história do automóvel, “The Road Manners of the Modern Car”, escrito por Maurice Olley, um engenheiro inglês que iniciou sua carreira trabalhando com Sir Henry Royce, mas alcançou notoriedade como o teórico de suspensão da General Motors dos EUA. Este texto, apesar de nunca vendido ao público, teve uma influência vasta para o mundo do automóvel, distribuído de mão em mão, como já contei aqui.

Trata de explicar suspensão basicamente, e sua leitura foi ponto de partida para gente importantíssima: sabe-se com certeza que Colin Chapman (Lotus), Zora Arkus-Duntov (que foi subordinado de Olley na GM), Giulio Alfieri (Maserati) e Helmuth Bott (Porsche) foram influenciados fortemente por essas 30 páginas datilografadas. Sabe-se lá quantos engenheiros desconhecidos também o foram.

Me lembrei desse trecho aí porque acho que, devido a motivos alheios ao automóvel em si, estão se espalhando noções estranhas, mesmo entre entusiastas, de que o automóvel vai acabar ou que ao menos o prazer ao volante vai terminar. Gente esperta como os meus amigos PK e JJ adotam um tom melodramático, apático e de fim de festa, atormentados por morarem em áreas congestionadas de São Paulo e por notícias freqüentes de carros autônomos. Mas este velho texto acima é em si só uma resposta veemente a isso, um pequeno e conciso apanhado de verdades ainda totalmente atuais. O carro ainda é o meio de transporte mais importante e, além disso, permanece como o supremo provedor de liberdade individual.

Realmente andar de carro no Brasil há tempos tem se tornado mais difícil e menos prazeroso. Radares, estradas ruins e congestionadas, tudo contribui para a depressão coletiva. Mas eu acredito que esse estado de espírito é só isso mesmo, um estado de espírito, que como uma depressão de raiz hormonal, não tem fundamento na realidade e sim nas próprias pessoas que sofrem deste mal. Focando demais no problema (que existe, claro), e vendo suas dimensões, começamos a imaginá-lo ainda pior. Trânsito não acaba com o automóvel, gente. Apenas dificulta seu uso, só.

E isso me leva a chamar atenção para um fato: O carro nunca vai acabar. Nunca, nem em mil anos, nem em dois mil anos, nunca. “Mas como esse mané tem essa certeza?” — pensariam os mais aflitos. Simples, pelo simples fato de que nenhum outro meio de transporte foi totalmente abandonado pela humanidade. Nenhum. De andar a pé ao cavalo, do trem ao navio, da bicicleta ao carro de boi, nenhum acabou totalmente. E mais: ainda hoje são usados ativamente, tanto para o transporte profissional, quanto para o lazer.



Sim, alguns deles perderam a popularidade antes absoluta, e hoje são mais raros, mas isso se dá por somente um agente: o aparecimento de um SUBSTITUTO para eles. Cavalos perderam poder quando apareceu o carro e a motocicleta, navios perderam algum ímpeto no transporte de passageiros quando aviões se popularizaram. Podem perder o ímpeto e importância, mas acabar? Nunca. O automóvel não tem nenhum substituto à vista. Talvez quando o teleporte aparecer usemos menos os carros e o mundo mude drasticamente, mas por enquanto... sem chance gente, abram os olhos.

Veja o exemplo do cavalo. O animal começou a ser domesticado para uso em transporte ao redor do ano 4000 AC. Foi o meio de transporte terrestre mais popular da humanidade desde então, e foi perder ímpeto apenas em meados do século 19, quando primeiro as bicicletas, e depois os automóveis, o obsoletaram completamente. Em 1850, o grande problema de Londres era sanitário, suas ruas completamente inundadas por toneladas de excrementos depositados diariamente por literalmente milhões de cavalos.

Cavalos trabalhando em NY, 2014
Mas mesmo totalmente obsoleto, e plenamente substituível se necessário, o cavalo ainda está em uso profissional e particular, pelo mundo todo. Estima-se que existem ainda 59 milhões de cavalos no mundo, e a indústria ligada a eles movimenta ao redor de 39 bilhões de dólares só nos EUA. Cavalos ainda são usados por polícias, fazendeiros e exploradores mundo afora, e um sem-fim de atividades esportivas e de lazer ainda são baseadas no uso e criação deste nobre animal.

Mesmo a bicicleta, que nem de perto teve um momento de glória tão longo e absoluto como o cavalo (teve real sucesso de 1880 até 1900, quando o automóvel efetivamente o substituiu), ainda hoje, todos sabem, são muito populares. O automóvel e o prazer ligado a ele, portanto, não acabará. Nunca. Podem ter certeza disso.

O fato de que o uso diário em grandes centros e no Brasil especialmente (principalmente em sua maior cidade, lógico) estar se tornando menos prazeroso do que já foi, na verdade não tem nada a ver com o automóvel em si. E mesmo que tivesse, ainda assim seria irrelevante, porque não vai acabar porque ficou menos prazeroso, o carro existe primeiramente como transporte e sua popularidade é atrelada principalmente à sua utilidade e não ao prazer que eventualmente possa proporcionar. Precisa existir um substituto para o carro, isso sim diminuirá sua importância.

Vejam também o exemplo da ilha de Manhattan, talvez o lugar do mundo civilizado onde menos se usa o carro particular no dia-a-dia: apesar de ainda estar presente na forma de táxis para uso de transporte, ainda hoje grande parte de sua população tem carros particulares, mesmo que guardados longe, para usar em certas ocasiões. E o entusiasmo é ainda tão vivo lá como em qualquer outro lugar, como prova o vídeo produzido pelo excelente site Petrolicious recentemente (veja ele aqui). Existem até coleções e garagens fantásticas na ilha, fruto da riqueza do lugar.


Agora, o problema no Brasil existe pelo simples fato de que os governos brasileiros que elegemos há mais de 30 anos (no plural, sem papo político-partidário) abandonaram a infraestrutura. Quando cheguei em São Paulo em janeiro de 1988, o caminho que fiz do Rio de Janeiro até São Bernardo do Campo, incluindo atravessar São Paulo, não mudou absolutamente nada. A Avenida dos Bandeirantes por exemplo continua igual, com os mesmos sinais, viadutos etc. As estradas que ligam São Paulo ao Rio de Janeiro também. O mesmo acontece, falando de estradas, de São Paulo a Curitiba e do Rio de Janeiro a Belo Horizonte. O investimento viário nos últimos 30 anos foi ridículo.

E não existem trens novos, ou aeroportos novos, ou metrôs que cresçam como deveriam, mais rápido que a população. Na verdade, nos anos 1970 eu viajava com a família do Rio de Janeiro a São Paulo via trem noturno, que não existe mais. A coisa tá ficando preta agora? Jura? Quem diria, hein...O fato é que vivemos nas mesmas cidades ligadas pelas mesmas estradas há 30 anos, mas com um “pouquinho” mais de gente e carros.

Não é caso de privilegiar carro, trem, avião, bicicleta, o que valha... não é para escolher, precisa investimento pesado em TUDO. Só isso. Pesado. Precisamos trabalhar mais e falar menos nesse caso. Sair fazendo tudo. Agora, não, ficamos aqui discutindo se é melhor bicicleta ou carro, que automóvel é ineficiente etc. Sinceramente, é triste e ridículo. Em São Paulo nem táxi existe (fora o povo que mora no ponto esperando alguém ir ao aeroporto), coisa que é importantíssima em qualquer cidade grande, de Buenos Aires a Londres. Precisamos parar de fingir que vai parar de aparecer carro e gente e agir de acordo. Leiam de novo a última frase do texto de introdução.

Mas mesmo assim, gente, o carro nunca vai acabar, repito pela milésima vez. E as maneiras de se divertir e de usá-lo como transporte abundam, ainda hoje, mesmo com isso tudo acontecendo. Talvez até por causa disso existam mais maneiras de se divertir com carros, uma prova de que nenhum mal é absoluto. Até track days agora são relativamente comuns, e a oferta de carros, peças, informação é inacreditavelmente ampla e bela. Competições de arrancada, clubes e encontros de carros antigos. Facilidade de peças via internet. Publicações na internet e impressas. A quantidade de literatura sobre o automóvel que é disponível hoje, mesmo em português, era impossível 20 anos atrás. Os carros nunca estiveram tão bons, tão econômicos, velozes e confiáveis. Novos ou usados, há uma variedade de opções imensa, que não existia antes. Por favor, vamos parar com essa depressão boba e essa visão apocalíptica. O mundo é imenso, ainda cheio de espaço para todos, e o homem sempre encontra maneiras de melhorá-lo.



A história prova que a humanidade no geral sempre avança em todas as frentes, inexoravelmente, indubitavelmente. A vida sempre melhora, pode-se provar facilmente. É apenas o nosso campo de visão espacial (onde moramos) e histórico (o que vivemos) infinitamente pequeno que as vezes nos dá ilusão de piora. Mas é uma ilusão somente. Meu avô com a minha idade ainda andava de cavalo e não conhecia asfalto nem telefone. E trabalhava muito de sol a sol apenas para sobreviver.

Uma semana de prostração no trânsito faz dias sem ele maravilhosos. E garanto para vocês que a menos de 100 quilômetros de SP existem ainda lugares onde podemos nos divertir. Vamos fugir dessa carga pesada, tomar um banho de sal para descarrego, e viver a vida que é muito boa se você assim acreditar.

E com a certeza de que o automóvel durará por milênios ainda, mais tempo que nossa eterna paixão por eles. Muito tempo depois de nossa insignificante presença aqui ter sido esquecida, ainda existirão automóveis e gente apaixonada por eles.

Com a mais absoluta certeza.

MAO

32 comentários :

  1. O carro ainda é o meio de transporte mais importante e, além disso, permanece como o supremo provedor de liberdade individual.

    Entendo a importância por ser algo de grande popularidade, porém não consigo ver essa supremacia como você mesmo fala, se comparado a uma motocicleta. Na verdade, a menos que você tenha um conversível com 5 lugares, ou que indiretamente esteja incluindo a motocicleta nesse grupo, a moto é um veículo tão bom para prover essa liberdade quanto um carro, com vantagens e desvantagens de cada um dos dois. Até inclusive defendo o incentivo ao seu uso (não necessariamente a substituição pelo carro), devido vantagens de espaço, agilidade e custo.

    ... E garanto para vocês que a menos de 100 quilômetros de SP existem ainda lugares onde podemos nos divertir.

    Você chegou no ponto certo. Eu não moro em são paulo mas a impressão que eu tenho é que a capital é "o centro de muita coisa". É parecido (só que em um grau muito menor) com o centro da cidade onde moro, e mais umas tantas mesmo que pequenas. Horário de pico é um saco pois a locomoção leva mais tempo do que deveria, independente do meio de transporte, e pra estacionar é uma briga, mesmo com a implementação massiva de parquímetros.

    Realmente conhecendo o país como a gente conhece, vendo o histerismo por soluções ecológicas e ainda os recentes avanços nos veículos autônomos, acabamos contaminados pela histeria da extinção do carro que conhecemos hoje, algo que, em parte, não tiro a razão. Mas seu texto imagino que tenha sido o bastante para 'acordar' muitos autoentusiastas 'deprimidos'. hehe

    Excelente seu texto MAO!

    Mendes

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    1. Por que um sujeito não pode ter uma moto E uma bicicleta E um carro E ainda assim utilizar o ônibus e o metrô? No Japão isso acontece com certa frequência...

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    2. Claro que pode, o texto não disse isso.

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  2. Ao ler onde você diz que o investimento viário dos últimos trinta anos foi ridículo, lembrei-me de um filme italiano que assisti na década de setenta.

    No início da película, aparece um casal saindo de uma igreja e se dirigindo à companhia telefônica da cidade, onde fizeram pedido de uma linha para seu novo apartamento. Em um calendário de parede, tipo "folhinha", aparece a data do evento.

    Após esse ato, o casal não aparece mais no filme, que foi totalmente diferente da introdução.

    Findado o filme, aparece então uma "folhinha" nesse apartamento, em que mostra quarenta anos de tempo transcorrido após a saída da igreja. Depois, aparece um caixão deixando o local e a noiva daquela época, retratada mais velha, em prantos pela morte de alguém, que claro, era o marido.

    Nisso, em um pequeno furgão, surgem dois funcionários da companhia telefônica, perguntando onde poderiam instalar o aparelho de telefone.

    Infelizmente é mais ou menos isso que ocorre com o transporte brasileiro nos dias de hoje. Descaso. Simplesmente descaso.

    Em tempo: Utilizo meu carro 80% ou mais, em lazer.

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  3. Belo texto, MAO. Para recarregar as energias e começar o novo ano mais animado.

    Quanto ao texto citado, acredito que o acutomóvel, pelo menos da forma e dimensões que conhecemos hoje, é inviável para o transporte individual nas grandes metrópoles. Seria impossível uma estrutura a ponto de absorver todos os veículos, todos os dias úteis.

    Porém a degradação a que os usuários do transporte público são submetidos é notória. Acho que o poder público deve tornar melhor o uso desses meios de transporte, principalmente do metrô, em vez de espremer os carros para tornar o seu uso "mais insuportável".

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  4. Por que um sujeito não pode ter uma moto E uma bicicleta E um carro E ainda assim utilizar o ônibus e o metrô? No Japão isso acontece com certa frequência...

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    1. Poder, ele pode, mas dependendo da fase da vida utilizará mais de um dos veículos do que o outro. Se casado, ou se as distâncias forem grandes, utilizará o carro; se não tiver paciência, ou o "espírito de liberdade" estiver em alta, optará pela moto, ou pela bicicleta; se não tiver dinheiro, vai usar o ônibus-metrô.

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    2. Eu uso ônibus e metrô no meu trajeto diário para a faculdade não meramente por falta de dinheiro. O estacionamento na faculdade é gratuito e o meu carro não é beberrão. Pelo fato de o trem ter sua via própria e não congestionar, e o meu ônibus rodar boa parte em corredores, meu trajeto diário é de 20 à 30 minutos mais rápido do que de carro. É um tempo que eu posso dedicar ao meu descanso ou aos meus estudos, coisa que consigo fazer dentro do ônibus/trem, enquanto não posso estudar cálculo e dirigir ao mesmo tempo. Pra mim o carro é mais para lazer ou para atividades que exijam seu uso.

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    3. Fábio Peres 19/01/14 22:11,

      Não é bem assim Fábio.

      Certa vez tive um colega de trabalho que utilizava ônibus para o trabalho e carro para o lazer.

      A linha de ônibus passava diante de sua casa e também diante de seu local de trabalho, onde o trajeto era feito em menos de 10 minutos. E eu que não tinha essa facilidade, demorava mais de uma hora para ir ao trabalho de carro.

      Ônibus e metrô não servem apenas aos pobres, eles também servem às pessoas inteligentes que não se sentem inferiores por utilizá-los.




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    4. Não é inferioridade, CCN. Aliás, deixe seu preconceito de "carrófobo" (essa palavra existe?) e lembre-se dos seres humanos comuns, a maioria que não quer ficar espremido em metrô lotado durante o seu deslocamento para o trabalho.

      Usar ônibus ou metrô é fácil quando se utiliza somente uma linha, ou quando o ponto inicial é próximo de sua casa, ou fora dos horários de pico (das 10 às 16 o sistema de transporte de São Paulo é uma delícia), ou quando as baldeações podem ser feitas de tal forma que não se fique "espremido" dentro de um sistema que cansa quem o utiliza o tempo todo. Se você pode fugir de tais horários, parabéns: mas a média, que usa transporte coletivo nos horários de pico, não pensa desse jeito.

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  5. Excelente texto, MAO!
    Já estava ficando deprimido com tanta pressão sobre o carro, e o estresse que é dirigir em São Paulo, mesmo em fins de semana.
    O jeito é mudar para o interior mesmo, coisa que sempre quis, e ainda espero poder fazer.

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  6. A Avenida dos Bandeirantes por exemplo continua igual, com os mesmos sinais, viadutos etc.

    Antes do "etc." também acrescentaria "motoristas que dão freadas bruscas do nada". Impressionante como o pessoal parece querer aproveitar essa avenida para fazer essa presepada e obrigar os motoristas que estão atrás a também frear brusco para não bater na traseira alheia.

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  7. É verdade, caro MAO. Hoje vivemos o mesmo problema londrino dos oitocentos: o excremento dos veículos. Mas eles perdurarão. Estaremos sempre sobre as bigas do mundo moderno.

    PS. Que lugar é esse da foto nº 2 da matéria?

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  8. Gostei do texto.É realmente muito bom ter visão otimista sobre carro atualmente.
    Aqui onde eu moro, apesar de tudo, ainda não conseguiram acabar totalmente com o meu prazer de andar de carro. Aliás ainda é bastante prazeroso para mim.
    Eu tenho carro, moto, bicicleta e até uso transporte coletivo, mas para alguns casos o carro é realmente insubstituível e eu não abro mão do prazer e ter e usar os meus.
    Nós realmente não precisamos nos preocupar com o fim do automóvel. No máximo teremos que ir nos adaptando à certas mudanças e dificuldades, e vamos aproveitando o melhor que pudermos.

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  9. Pra mim está claro que o problema não é o carro. Na verdade passa bem longe do carro. É muito fácil querer se eximir de responsabilidades culpando os outros. O culpado principal são as cidades que, atravez de seus governantes, pararam no tempo. O texto mostra bem isso. Cidades hoje iguais a 30 ou mais anos atrás. Como isso pode dar certo? E com tantos impostos e tanta arrecadação como temos vistos nos últimos tempos, duvido que falte grana para investimentos. O que me leva a divagar em quanto dinheiro alguns poucos já conseguiram garfar dos cofres públicos nesse tempo todo. Deve estar impossível de estimar.

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    1. Claro que não é o carro, é o mesmo que dizer que o problema da saúde são os doentes e que o da educação são os analfabetos. Assim como o problema do nordeste não é a seca. Todos esses "problemas" têm a mesma origem. Falta de investimentos e má utilização dos recursos públicos.

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  10. MAO,
    seu texto é impecável, como sempre, mas discordo de grande parte.
    Não sou melodramático, apenas tento ficar o mais próximo possível à realidade desse assunto, já que ele afeta a todos, até que nem entende o porquê.
    Carros em cidades grandes estão sendo alvo de pessoas idiotas que acham que eles podem ser melhores que nós que usamos carros todos os dias. Seriam melhores se quisessem o bem de todos, não apenas deles. São iludidos infelizes apenas.
    Mas, como a lógica é clara, é mais fácil e rápido eu ir até a padaria a pé, e qualquer pessoa sã faz isso. Claro, desde que a padaria seja perto.
    O futuro só Deus conhece, mas lá na frente, não sei quando, a indústria automobilística terá que enfrentar um encolhimento das vendas e produção, pois a maioria das pessoas não vai mais querer usar carros. Claro que isso depende de muitos fatores, aqui no Brasil e no mundo, mas que não haverá lugar para tudo que se produz hoje durante décadas a fio, isso é uma certeza.
    O planeta é muito pequeno, e as concentrações de pessoas são enormes, não apenas por escolha, mas por necessidade.

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    1. Eu também não sou tão otimista. A humanidade atingiu um ponto em que o desenvolvimento não me parece mais inexorável e muito menos uma certeza. Economicamente o mundo ainda tem uns 50 anos de desenvolvimento pela frente, afinal as áreas pobres vão ter a mesma explosão que tivemos no Brasil mais cedo ou mais tarde. E ela será limitada como acontece no Brasil em vários lugares onde a pobreza é na cabeça mais do que na condição, fazendo com que exista eternamente pobreza e desigualdade ruim.

      Já como sociedade não vejo evolução de uns 20 anos para cá e isso porque sou jovem. Pelo contrário, vejo claros sinais de regresso. Isso sempre houve. Mas parece que por estarmos numa época onde se atingiu o máximo da tecnologia e do uso dela pelas pessoas, ao mesmo tempo em que as correntes de pensamento são quase sempre estagnadas há muito tempo e cheias de maldades, hoje mais avança o regresso do que o progresso.

      Em grande parte por culpa da progressiva vitória e aceitação como religião de correntes de pensamento dos últimos 150 anos (mais dos últimos 50) feitas objetivando o mal. Elas pregam principalmente a manipulação e o emburrecimento disfarçado de inteligência para controlar as pessoas a aceitarem seus objetivos de controle completo das pessoas. E nada de bom vem com esse controle, apenas roubar mais, explorar mais e ainda manter todos quietos VOLUNTÁRIAMENTE e ainda por cima "FELIZES". O fascismo, nazismo, comunismo, comunismo disfarçado de socialismo e outros lixos parecidos ainda estão infelizmente não só muito vivos como FINALMENTE alcançando seus objetivos.

      Nossa educação hoje é toda pós-moderna e cheia de novi-linguas e manipulações, o principal instrumento criado por essas correntes de pensamento. E hoje ainda somos levados a acreditar que isso se trata mesmo da verdade e não apenas de algum interesse ou manipulação. A ciência por exemplo há muito tempo já tomou esse rumo, basta ver como a maioria das pesquisas e estatísticas que são usadas para balizar nossas vidas apresentam falhas gritantes de coerência (são falácias) que deveriam ser contra o próprio método científico.

      E não só as pessoas são manipuladas ao extremo, arrisco a dizer muito mais do que numa ditadura, como regridem em caráter tanto ao aceitar essas teorias e formas de vida como regras pessoais como também por terem sido atraídas pelo oba oba atual. Se tudo é tão fácil com a tecnologia, se pode ser egoísta, promíscuo ou vagabundo que está tudo bem (afinal, julgar isso negativamente é ser "moralista", outra novi-lingua) então porque ter o trabalho de ser um bom cidadão. Aliás, ser um bom cidadão hoje em dia é justamente ser tudo isso de ruim.

      Com isso tudo a questão dos carros é o de menos. Os governos irão mentir para garantir seus interesses de controle, arrecadação e pouco trabalho (para sobrar para roubar mais, e isso no mundo todo) e se usarão de todos esses meios que já conhecemos. Falácias, grupos pagos pelo governo para servir de milícia social (e até armada mesmo), educadores e mídia comprados ou manipulados ao extremo e o próprio povo emburrecido que para parecer inteligente, moderno e para receber algum benefício irá aceitar tudo isso e repetir como papagaio.

      O interesse dos governos em eliminar liberdades é muito grande e isso é muito lucrativo. O carro é ponto central nisso e vão mentir até que consigam o que querem, com a população aceitando isso quanto mais "inteligente" (manipulada) for. Trocarão essa liberdade por um apartamento de 20 metros quadrados "perto do trabalho", onde viverão como semi-escravos em cidades com centenas de milhões de pessoas e acharão isso o máximo, super "sustentável". Ou trocarão essa liberdade por alguma mesada como fazem em alguns lugares da Europa.

      Não vejo como certeza esse processo, felizmente, na maioria do mundo por um bom tempo.

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    2. Mas nos principais centros e nos lugares "mais avançados" com certeza sim. Falta só algum empurrão, alguma cidade "exemplo" tomar alguma atitude bem radical para isso se alastrar. Depois para isso se espalhar para o resto do mundo levariam algumas décadas, mas se for mantida a mesma mentalidade dos grandes centros é realmente apenas questão de tempo.

      Ainda resta alguma dúvida e esperança, portanto. Mas já é quase uma certeza que em boa parte do mundo não só os carros como muita coisa boa devem dar lugar a muita coisa ruim e ainda com as pessoas festejando. Ou o mundo sai da mentalidade atual, coisa que infelizmente vejo quase nenhum sinal (a não ser o cansaço de muitos com tanta idiotice) ou teremos coisas muito sombrias nas próximas décadas e que talvez levem séculos para recuperarmos. Os carros, como dito, serão uma gota no oceano. Não existir mais família, a não ser em algum senso ridículo/mentiroso como o de que o governo é sua família, parece nada perto de não ter mais o prazer de dirigir.

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    3. Anônimo20/01/14 19:45

      Primeiramente quero dizer que concordo com muitas coisas que você citou, mas também acho que você está pendendo muito para o lado pessimista. Adianta o que sofrer por antecipação? Aqui a duvida chega até a ser um alento...
      Outra coisa é o papel dos governos. Você, assim como muitos, veem os governos em geral como os grandes vilões, a origem do mal: "O interesse dos governos em eliminar liberdades é muito grande e isso é muito lucrativo..."
      Mas os governos, via de regra, ao invés de representarem o povo representam quem está por tras dos grandes grupos econômicos. Ao invés de trabalharem pelo bem comum, trabalham defendendo os interesses de alguns e isso é muito antigo. O que vale no final são os interesses dos que estão nos bastidores, escrevendo e dirigindo a "peça".


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    4. Sergio S., a coisa está tomando uma forma que eu não consigo não ser pessimista e muito pessimista. A ponto de sofrer não por antecipação e sim agora mesmo, porque já vivemos tudo isso (ainda não na forma completa) e é bem ruim. Mas felizmente ainda existe alguma dúvida. Se for para ser otimista e querer melhoras, também aposto nas dúvidas sem nenhum medo. Mas o problema é vencer essa dúvida em meio a tantas certezas ruins.

      Sobre o poder economico, ele e governos sempre andaram juntos e sempre foram até a mesma coisa em muitas vezes. Não acho que seja o governo só ruim e nem o setor economico só o vilão, escrevendo a peça. Acho que ambos são a mesma coisa muitas vezes e se entregam um ao outro por vontade própria.

      O problema é o tipo de coisas que fazem e nem tanto essa relação. A representação parece ser às vezes, e cada vez mais com esse processo mais recente, apenas para os interesses deles e que são cada vez piores. Acho que o bem comum com esse processo de manipulação já nem existe mais, ou melhor, existe mas foi distorcido a tal ponto que as pessoas acham isso bom. Há 30 anos atrás alguém que pregasse fim de liberdades individuais, taxação excessiva e reformulação total da vida em nome de lucros máximos para políticos e empresas associadas seria deposto como ditador. Hoje, especialmente para os "mais educados", isso é aplaudido.

      Esse é o problema. Nem o povo sabe mais o que é seu interesse de fato para ser representado.

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  11. O negócio é que para nós, que nos chamamos entusiastas do automóvel, o carro não é um simples meio de transporte.

    Nós sentimos uma profunda emoção, ao ouvir um V12 queimador de combustível fóssil urrando nas nossas costas. Nós nos encantamos com as belas formas que cada máquina tem, que são como uma digital, e naquilo tem cada gota de suor dos seus idealizadores e nós achamos isso insubstituível.

    Outras pessoas simplesmente achariam obsoleto acelerar até o talo, um carro que consumiria em minutos o que o seu pacato 1.0 levaria um par de horas para consumir numa viagem tranquila, á velocidades baixas, que não botem ninguém em perigo...

    Não é o carro que está em extinção, mas sim o entusiasmo com ele. E isso contamina cada vez mais as novas gerações, que tratam o automóvel como mero meio de transporte.

    Essa turma que demoniza carro, é a mesma que não sabe trocar um pneu, ou sequer leva o carro pra trocar o óleo quando é necessário.

    Me preocupa muito, um futuro em que nós andaremos em carros automatizados e inteligentes, e durmiremos o caminho inteiro, até que não sintamos mais sono. Que tédio!

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    1. Essa turma não sabe nem o que fazer com o que tem debaixo das calças. Não é nem questão de saber trocar pneu ou não. Se fossem menos manipulados e histéricos, saberiam respeitar as escolhas e gostos dos outros mesmo que não fossem o deles. Mas claro, todo mundo TEM que achar lindo eles andando de bicicleta ou mesmo as idiotices de se encher de tatuagem, virar bissexual por moda, o jeitinho irritante e ai em diante.

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    2. Por um acaso você está falando de pessoas tipo esse colunista? Dá uma olhada nisso:

      http://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2014/01/1400256-liberdade-igualdade-rolezinhos.shtml

      É difícil de acreditar que alguém consegue escrever tanta bobagem em um canal que até então eu considerava sério e importante, defendendo a baderna, a zona, no mínimo, defendendo a desmoralização de ambientes de família. O "cara" escreve suas "teorias e análises críticas" com ares de inteligência moderna. Não sei como, mas a cada dia eu me surpreendo.
      O pior é que essa moda está pegando....

      André

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    3. A mídia já está toda aparelhada, inclusive a considerada de "qualidade" e até a "conservadora". Aliás, mesmo que não estivesse, o processo de manipulação e emburrecimento do povo já deu tão certo que inevitávelmente os "gênios" que estamos formando iam chegar aos jornais, revistas e universidades.

      O pós-modernismo e a desconstrução da verdade e da moral (para poder implantar aquilo que for de interesse dos governantes e amigos sem resistência nenhuma, mesmo nas coisas mais absurdas) fez de nós uma sociedade em que tudo se questiona. Mas não para o bem e sim apenas como forma de não ter padrão nenhum, referência de moral nenhuma. E assim quem define o certo e o errado e até a percepção do que é ou não positivo ou bom/do bem são os inescrupulosos que nos governam. Esses sempre nunca ligaram para isso e fizeram o que era mais interessante, agora contam ainda por cima com uma população treinada e maleável da noite para o dia que nem sequer percebe mais esse jogo de interesses.

      A mesma coisa se repete em tudo e aí temos jornalistas que, mesmo não aparelhados, nem sabem mais o que é positivo ou não. Ai tomam como referência a causa social da moda ou qualquer coisa do tipo e, sem capacidade crítica de verdade (apenas treinada ou de mentira, a pior delas) acabam por soltar essas pérolas. Está muito na moda a tal da classe média nova, a mesma que eles adoravam criticar até uns anos, e se um movimento vindo dela e de pessoas "pobres" está sendo reprimido é óbviamente culpa de alguma outra parte. NUNCA, JAMAIS, a futilidade do movimento e os atos de vandalismo gratuitos deles.

      Mas eu até que apoio os rolezinhos, quando não viram vandalismo. Muitos dos participantes se enojam das pessoas que tentam colocar causa social e interesses políticos nos rolezinhos e têm o peito de admitir que é apenas diversão. São muito mais sinceros do que alguns grupinhos que protestam com causas muito ruins por trás mas sempre dizendo que é por motivos nobres.

      Também tenho impressão que existe uma tentativa de associar os rolezinhos e os movimentos a favor do vandalismo com os protestos espontâneos do ano passado, de forma a desacreditar eles e parar eles (e realmente conseguiram parar os protestos, pois gente de bom senso nenhuma vai protestar ao lado de black blocks por exemplo).

      Mas o governo está brincando com fogo. O tiro já saiu pela culatra uma vez quando tentaram aparelhar os protestos e mesmo quando tentaram usar os 20 centavos como argumento contra a oposição. Quem sabe o pessoal do rolezinho não começa a cobrar menos idiotice e mais educação, qualidade de vida e possibilidade de crescer na vida. Já vi comentários de participantes nesse sentido, inclusive se opondo à corrupção!

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    4. É um ponto de vista interessante. Se as coisas seguirem este viés, o tiro pode mesmo sair pela culatra. Tomara.

      André.

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  12. Enquanto isso, nas terras do transporte coletivo, o Haddad quer que 1/3 das faixas de carros em São Paulo sejam para o ônibus:

    http://viatrolebus.com.br/2014/01/onibus-em-sp-teve-aumento-de-46-na-velocidade-comercial-no-ano-passado-diz-haddad/

    Destaque para a frase típica: “nós devolvemos 4 horas de jornada de trabalho para o trabalhador”.

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    1. Interessante como eles fazem esses números. Se toda a malha tivesse esse aumento de 46% na velocidade e 4 horas de redução os índices de insatisfação com o governo Haddad jamais teriam chego a 70%, o que foi motivo admitido de reunião do PT com marqueteiros (igual fizeram durante os protestos, mas com a Dilma). É assim que resolvemos os problemas, muita ação polêmica para chamar atenção, muitos números inventados e muito marketing para apagar o fogo depois.

      Se o sistema de onibus estivesse com metade dessa melhoria que anunciam nem eu, entusiasta, pensaria em usar o carro durante a semana.

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    2. Esse prefeito petista é realmente um "fanfarrão". Ele também disse ter resolvido o problema da cracolândia.
      Sobre a questão dos ônibus: se fosse bom tudo isso que ele fez, não precisaria de tanta propaganda na TV, no metrô, etc... Propaganda essa que por sinal está sendo feita com o nosso dinheiro e deve estar saindo cara.
      Enfim, os números estão aí e não deixam dúvidas. E a tendência é piorar, já que esse idiota está se "enforcando" mais a cada dia que passa. Vai até perder o tradicional apoio que tinha na periferia, com a expansão do rodízio.
      Não ficaria surpreso se qualquer dia destes visse uma manchete nos jornais informando que foi posto para fora do governo do município.

      André

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    3. O PT já estuda desassociar ele da Dilma na campanha de 2014, só isso basta para quem não tem cegueira política ou gosta de entrar no jogo de mentiras e "boas intenções" dessa gente, sejam de que partido forem.

      Se ele estivesse com um governo pelo menos ruim já seria parte da propaganda para presidente e apareceria MUITO. Como foi o mesmo prefeito que respondeu com arrogância inicialmente aos protestos (inclusive afirmando que os 20 centavos iam ser assim mesmo, sem maior satisfação ou preocupação) e que conta com grande impopularidade em SP mesmo entre os mais pobres vai aparecer no máximo um pouco na propaganda.

      Ninguém esqueceu da questão do IPTU e da tomada de ferro enorme que ele e o PT levaram, dando brecha até para empresários se passarem de salvadores da pátria. E foi tão forte que tiveram que ficar calados, porque nem a máquina de propaganda e manipulação do PT livraria ele dessa. Acho que até os bairros "de petista" ficaram com raiva do aumento de pelo menos 15%, afinal ele isentou esses bairros como de costume mas a parte de comércio ainda iria sofrer aumentos (essa de até mais de 30%).

      Zona Leste hoje, por exemplo, é reduto de muitos pequenos empresários e pequenas empresas. Gente em ascenção economica, procurando seu próprio negócio como é comum, finalmente o tiro saiu pela culatra.

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  13. Olha, eu nao ando mais de carro em bh por motivos de, envelhecimento precoce, risco alto de infarto do miocárdio e palpitações.

    Pra mim, quem o faz diariamente é um herói.

    Acho que as reclamações dos entusiastas jj, pk e tantos outros sao relativas ao uso do carro, que está quase impraticável como transporte no centros urbanos.
    O cara do video do petrolicious fala sobre isso também, quando diz que nao precisa de um carro pra transporte, nem pra ir ao trabalho, etc. É um pouco a minha situação hoje em dia, mas reconheço que sou privilegiado por varios fatores que não vem ao caso.

    A sorte mesmo é que como previu Ferdinand Porsche "...O último carro fabricado certamente será um carro esporte".
    Eu acredito nisso, e acho que os carros vão por esse caminho. fabricados cada vez mais para o esporte e menos para o transporte, nao hoje, mas daqui a alguns(muitos) anos.

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  14. Mao, acho que vem bem a calhar esse video sobre o que esta acontecendo com o uso do automovel nas cidades, é um comercial muito bem feito de um jogo de carros. https://www.youtube.com/watch?v=ZFmnKCa5reo&feature=youtube_gdata_player

    O futuro para o carro como principal transporte urbano é de fato sombrio.

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