NOTÍCIA: UNIÃO EUROPÉIA INICIA AÇÃO LEGAL CONTRA A ALEMANHA NA QUESTÃO DO GÁS REFRIGERANTE

A Comissão Européia deu início nesta sexta-feira aos procedimentos legais contra a Alemanha em razão da recusa da Daimler em retirar um banido refrigerante dos carros Mercedes-Benz novos. A decisão da executiva da União Européia se dá após meses de investigação pela Comissão sobre a recusa da fabricante, com apoio de Berlim, em aplicar lei da UE que bane o refrigerante de ar-condicionado conhecido como R134a.

“Estamos iniciando procedimento contra a Alemanha. Esta não é uma decisão final da Comissão”, disse o encarregado de indústria da UE, Antonio Tajan.

A Alemanha terá dois meses para responder, disse a Comissão numa declaração. Um procedimento formal por quebra de regras da UE é um processo multi-estagiado que leva meses. Se um processo de apelação não obtém sucesso, a disputa termina diante da Corte Européia de Justiça, que pode resultar em multas pesadas.

Cerca de 130.000 carros da Daimler teriam que ser tirados de circulação caso a opinião da Comissão sobre o refrigerante prevaleça.

A executiva da UE ameaçou também a Inglaterra, Bélgica e Luxemburgo de ação legal, dizendo que suspeita de estarem procurando passar por cima das regras aprovando novos veículos sob a base de padrões técnicos anteriores.

A Daimler argumenta que sua recusa em eliminar o refrigerante, um agente de aquecimento global 1.000 vezes mais potente que o CO2, se deve a razões de segurança. Ela ainda utiliza o atual refrigerante nos carros Classe A, Classe B, CLA e SL.

O único substituto disponível do R134a é o R1234yf, cujo potencial de aquecimento global é virtualmente o mesmo do CO2, mas a Daimler diz que ele pode emitir o tóxico fluoreto de hidrogênio ao queimar, constituindo um risco à segurança.

Após testes de segurança, outros fabricantes europeus mudaram, nos novos carros, para o refrigerante desenvolvido pela Honeywell em parceira com a DuPont.

“A Daimler diz que há um problema de segurança no novo refrigerante, mas nós não vemos isso”, disse Tajan.

O governo alemão e a Daimler disseram não ter acreditado que continuar a usar o refrigerante significasse quebra de normas da União Européia, tanto que solicitaram urgência às autoridades da UE a reconsiderar se o R1234ry é mesmo mais seguro.

A Daimler disse que teve aprovação do governo alemão para continuar a usar o R134a enquanto o refrigerante de nova geração baseado em CO2 é desenvolvido.

A instrução 2006/40/EC da UE para “ar-condicionado móvel” bane o uso do R134a em modelos aprovados para venda desde o início de 2011. Veículos certificados antes, ou seus derivados, têm até 2017 para atenderem.

A Associação da Indústria Automobilística (VDA) da Alemanha surpreendeu-se com Comissão Européia estar dando passos formais antes que os testes do R1234yf tenham sido avaliados. (Automotive News Europe)

Comentário do AUTOentusiastas

Algum interesse escuso seguramente está por trás dessa exigência da União Européia. Gás refrigerante não é emitido pelos veículos como se fosse combustível queimado, permanece selado no sistema de ar condicionado. Só ganha a atmosfera quando liberado por vazamento do sistema, o que é raro, ou, mais raro ainda, nos trabalhos de reforma do compressor ou troca de componentes. Além disso, após o Protocolo de Kyoto, em 1992, definiu-se que o gás R12 era nocivo à camada ozônio e que um então novo gás, o R134a, seria obrigatoriamente usado por todos, o que logo ocorreu. Agora, da camada de ozônio muda a estação para aquecimento global. Tem coisa aí. Há muita corrupção no mundo todo. E ecochatos mais ainda.

Bob Sharp
Editor-chefe



17 comentários :

  1. Essas mudanças de foco dos gases refrigerantes costumam coincidir com a expiração de patentes da DuPont.

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    1. Bem lembrado, Suburbano. Não é só porque é a Europa que não tem corrupção por trás...

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    2. braz portari26/01/14 23:52

      E nós aqui acreditando que só tem "duendes" nas "Oropas"......devem escapoar gas de baciadas por lá né...

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    3. É ecatamente isso, venceu a patentente e concidentemente descobriram que o gad era muito prejudicial, ai desenvolveram um novo gas que sera totalmente inofensivo ate expirara a sua patente, e alem disso é 10x mais caro que o antecessor. Quem manda no mundo são as grandes empresas, nós apenas somos os bobos que tem que se sujeitar ao interesse dos mais poderosos.

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  2. Se eu entendi bem: o gás vaza no caso de rompimento de sua tubulação (o que acontece no caso de colisão do automóvel ou de falta de manutenção por muitos anos). Não seria mais interessante exigir um sistema que dificulte esse vazamento, ou seja, exigir que o sistema de ar condicionado permaneça intacto após uma colisão mais fraca ou mesmo possa ficar por mais tempo sem manutenção (já que muitos carros acabam sua vida útil apodrecendo em algum ferro velho mundo afora)?

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    1. Encareceria desnecessariamente. Os eventos de perda de gás são desprezíveis e o volume por carro é pequeno. Como eu disse, tem coi$a aí.

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    2. Tem algumas coisas bem burras no universo dos ecochatos: Economizar água excessivamente. Em Berlim a prefeitura despeja milhões de litros de água potável no esgoto para haver fluxo de retorno, que as vezes é tão pouco que se torna impossível de tratar a água. Lâmpadas fluorescentes, cujo descarte adequado se assemelha com o descarte de lixo nuclear, deve ser concretado no fundo da terra (ainda bem que está surgindo os leds). DPF em veículos Diesel, que para desentupir o filtro se deve queimar o Diesel no escape, contaminando óleo lubrificante, queimando Diesel desnecessário e devolvendo toda fuligem preta num estado invisível mas nem por isso menos perigoso. Essa do gás significa, se alguém morrer queimado pelo gás vai ser por uma boa causa. Tomara que a VDA resista...

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  3. Com certeza existe um interesse econômico fortíssimo das industrias que produzem o novo gás. E a mesma história do CO2 que dizem que causa aquecimento global e nao e nada disso, sendo esta tese contestada por importantes meteorologistas. E o mesmo interesse econômico para venda de créditos de carbono .

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  4. É muito mais que econômico, o interesse é ideológico.

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  5. Trabalhei durante décadas com o bom e velho R12. Funciona MUITO melhor do que R134a.
    A Dupont criou o R134a e toda uma histeria totalmente sem sentido contra a camada de ozônio. É claramente sem sentido, pois o R12 é mais pesado que o ar, e portanto nunca chega a altitude da camada de ozônio. Fizeram tanto estardalhaço que conseguiram a proeza de proibirem a produção de R12, que termodinamicamente é MUITO MAIS EFICIENTE que o R134a.
    Agora querem novamente substituir por outro produto cuja eficiência será pior. É claramente manobra da Dupont que a Alemanha não aceitou.
    E já que ela não aceitou e todo o resto da União Europeia está criando caso, é a hora da Alemanha bater de frente contra essa palhaçada e fazer os mesmos que os ingleses: se impor contra a Europa e ameaçar a se retirar da União Europeia. Quero ver se esse resto da Europa não se afina.

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    1. O R12 é um clorofluorcarbono, que realmente causava danos à camada de ozônio e, se não fosse banido, em breve estaríamos todos cegos graças à radiação ultravioleta.

      Esse é outro problema da histeria carbônica: desvia a atenção de gases e outras partículas voláteis realmente perigosas, como as que causam a chuva ácida, para o inerte e inofensivo CO2.

      Acredito que no final das contas o R1234yf seja bem pior para o planeta do que o R134a, porque o primeiro libera fluoreto de hidrogênio (HF), que é tóxico e causa queimaduras nos seres vivos. Uma vez na atmosfera, ele pode dissolver-se na chuva, causando graves transtornos à natureza e aos seres vivos.

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    2. Prezados colegas leitores,

      eu ainda iria um pouco mais além. Como o novo R1234yf é menos eficiente termodinamicamente do que o R123a, ele exige compressores mais potentes do que os que existem atualmente para um sistema de mesma capacidade. Ou seja, aumenta-se a potência "roubada" pelo sistema de refrigeração e, portanto, maiores serão o consumo de combustível e as emissões de carbônicas. O que talvez seja mais prejudicial do que os eventuais vazamentos do gás refrigerante.

      Guilherme C. Vieira

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    3. Lorenzo Frigerio27/01/14 15:28

      Meu velho Santana "quadrado" ficou sem gás no ar, depois de 4 anos da última carga. Ele usa R12. Levei-o para recarregar e fiquei estarrecido que NÃO EXISTE mais o R12, nem para os carros mais velhos. É necessário remover o resto de R12 e usar o R134, e adicionar um lubrificante sintético, para não atacar as mangueiras e vedações do sistema. A qualidade da refrigeração, que nunca foi grande coisa nesse carro, piorou ainda mais. Seria necessário um serviço mais amplo no sistema, mas aqui onde moro não há quem faça, não tenho como deixar o carro em SP e voltar para cá de ônibus, é uma boa distância.
      Precisavam ter proibido o R12? Parece o negócio dos plugs e tomadas ABNT, em que a fabricação dos antigos foi proibida.

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  6. Conversando com um mecanico de ar condicionado sobre essa questao do novo gás ele levantou esse ponto que o bussoranga comentou sobre eficiencia termica, e que seriam precisos compressores maiores. Se precisar mais energia para o compressor vai emitir mais CO2.

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  7. Eu sinceramente acho que quanto mais CO2 na atmosfera melhor. Nunca, na história da humanidade, as lavouras foram tão produtivas, mesmo cultivos orgânicos tem desempenho incomparavelmente superior se comparado às safras de 200 anos atrás. Mesmo agricultores miseráveis da Índia, que não têm acesso à tratores, venenos, fertilizantes e sementes modernas, reportam grande aumento na sua produção. Não só isso: as temperaturas mais altas permitiram o aumento da área cultivável na Argentina, na Rússia, no Canadá e, por meio do aumento na umidade do ar, na Austrália e no Oriente Médio.

    Não só isso, um mundo mais quente significa que as temperaturas em latitudes médias (entre 20º e 50º) tendem a baixar (como vimos com o inverno fortíssimo que atingiu o sul do Brasil ano passado e atinge a costa atlântica dos EUA nesse ano), mas as temperaturas das latitudes baixas continuam as mesmas e as das latitudes altas tendem a aumentar. Isso significa que ganharemos vastas áreas de cultivo na Argentina, no Canadá, na Escandinávia e na Rússia.

    http://www.co2science.org/

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  8. Isso no fim das contas é uma visão parcial do problema, é como afirmar que o carro elétrico polui menos. Sem dúvida, no uso final o carro elétrico não polui, porém as etapas de produção, distribuição, geração de energia e toda a cadeia, inclusive a de desenvolvimento produz muito mais carbono e impacto ambiental do que, por exemplo, refinar e queimar a boa e velha gasolina. Vai saber qual o processo de produção deste R1234yf?

    Talvez seja a mesma idéia por trás, com o agravante de ser menos seguro em caso de um incêndio, com uma desculpa de "histeria carbônica" como cita o bussoranga, e ainda por cima com o interesse econômico

    Esse povo deve colocar gás refrigerante no tanque...

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  9. Vários comentários com suposições.
    O R1234yf com certeza não é a melhor opção, mas com certeza devemos mover para refrigerantes naturais. Existem outras opções como R290 (propano), R744 (CO2)...
    Com certeza Honeywell e Dupont não querem deixar de fazer dinheiro. Alguém como dono de empresa faria diferente?

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