CONVERSA DE PISTA



Ecclestone deixa cargo, mas…


 



Homem-forte da F-1 desde os anos 1970, Bernie Ecclestone continua fazendo tudo como antes e já se fala que poderia comprar o circuito de Nürburgring, patrimônio histórico da Alemanha, país onde será julgado em abril 


Bernie Ecclestone na mira da Justiça alemã (foto theguardian.com)


A longa novela que envolve Bernard Charles Ecclestone, a CVC Partners, uma acusação de extorsão e o destino da F-1 segue ganhando audiência graças à astúcia do veterano empresário, atualmente com 83 anos. Ecclestone sofre processos tanto na Inglaterra quanto na Alemanha em conseqüência da venda do controle da holding que controla os negócios envolvendo os direitos comerciais e de televisão da categoria. A venda do controle desses negócios ao Fundo CVC data de 2006 e incluiu paulatinamente a Allsopp Parker & Marsh (APM), responsável pela publicidade e contratos de patrocínio, a Allsport Management, que explora as áreas e serviços VIP, e a GP2, campeonato que serve provas de suporte a vários Grandes Prêmios. 

O que em princípio é claro rapidamente ganha outros tons devido à miríade de empresas e prestadores de serviço envolvidos na exploração de qualquer atividade comercial ligada ao Campeonato Mundial de F-1. Bambino Holdings, FOA, FOM, Alpha Prema, Delta Topco, SLEC são alguns nomes que já apareceram como empresas comandadas por ele e, portanto, ligadas aos negócios da categoria. Propriedade da Federação Internacional do Automóvel, graças a um contrato de cessão de direitos comerciais,  o certame é, na prática, explorado por Ecclestone, unanimemente apontado como um dos mais brilhantes homens de negócio que o mundo esportivo já conheceu. Ocorre que à medida que o sucesso da categoria cresceu também aumentaram os números financeiros e o de pessoas dispostas a participar dessa máquina de fazer dinheiro. Muitos já tentaram enganar Bernie e a lista inclui um jornalista inglês e um empreendedor alemão que promovia o Campeonato Europeu de F-Truck; até hoje desconhece-se quem tenha conseguido ludibrirar o inglês. Quem o conhece e já fez trabalhou com ele atesta que seu aperto de mão vale como o fio de bigode que muitos brasileiros usavam como espécie de negócio fechado.

Na época que o Fundo CVC (criado em 1991 como uma subsdiária do Citigroup e hoje responsável pela gestão de US$ 150 bilhões), adquiriu o controle, Bernie teria pago propina a Gerhard Gribkowsky, analista de risco do Bayerische Landesbank, para de certa forma recomendar que a proposta desta gestão era melhor do que a apresentada pela Constantin Medien Group, grupo de comunicação alemão. Desde 2012 Gribkowsky cumpre pena de oito anos e meio por evasão de renda em relação a um pagamento estimado em US$ 44 milhões como “gratificação” pelo serviço prestado. Mais recentemente Ecclestone reconheceu o pagamento, mas alegando outro motivo: o analista alemão teria ameaçado delatar ao imposto de renda britânico detalhes da Bambino Holdings, algo que comprometeria a estrutura financeira do empresário em seu próprio país. Há de se lembrar que antes da CVC um outro grupo alemão de mídia adquiriu parte da F-1 Holdings, mas acabou não consolidando a compra por causa de problemas financeiros que inviabilizaram sua própria existência.

À medida que o processo movido na Justiça alemã ganhou corpo, começaram a surgir factóides que poderão influenciar o destino desta história. O principal deles é a possibilidade de Ecclestone comprar o circuito de Nürburgring, histórico traçado de aproximadamente 23 quilômetros e cuja sobrevivência está ameaçada há décadas pelas limitações da pista no que se refere à segurança e custos de manutenção, combinação agravada com a crise econômica mundial de 2008/2009. Salvar o “Ring” de extinção seria uma jogada altamente eficaz para gerar simpatia a seu favor. Com uma fortuna pessoal estimada em U$$ 4,2 bilhões pelo guia Forbes, Bernie tem cacife para esse investimento e até mesmo para os US$ 140 milhões que o grupo Constantin Media cobra de Ecclestone e seus parceiros. O que eles não sabem, ou fazem de conta que não sabem, é que o inglês detesta perder disputa de par ou ímpar para ver quem fica com a última bolacha do pacote. Falando em bolacha, até agora ninguém aposta que chegará o dia em que alguém irá visitá-lo na cadeia levando um pacote dessa guloseima….

Muito pelo contrário, para ganhar tempo enquanto se costura algum acordo para evitar que o caso termine efetivamente numa sesão nos tribunais alemães, a CVC Partners anunciou nos últimos dias que Ecclestone já não exerce funções ou cargos na diretoria do fundo. Com isso, uma satisfação é dada ao mercado. O mesmo comunicado, porém, reitera que Bernie mantém sua condição de vítima e o mantém na função de defender os interesses da mesma CVC na gestão e operação do produto F-1. Os principais contratos e decisões, porém, serão assinados por Peter Brabeck-Letmathe e Donald Mackenzie.

Dennis de volta

Ron Dennis de volta mesmo? (foto carsughi.jovempan.uol.com.br)

Semanas atrás Ron Dennis ganhou destaque em suposta manobra para adquirir ações que poderiam levá-lo de volta ao comando do grupo McLaren, mais especificamente da equipe de F-1, que após décadas de sucesso terminou 2013 sem obter um único resultado entre os três primeiros de um GP. Com a decisão dos irmãos Ojjeh de não negociar suas ações, a solução veio por outras vias e Dennis está de volta à condição de bam-bam-bam da operação F-1 da marca. Ainda não se sabe o destino de Martin Whitmarsh, executivo que o próprio Dennis contratou.
GT pode renascer de carona na F-Truck 
Melo (E) e Fabiano e o Porsche que dividiram em 2013 (foto arquivo M.Melo)

Um grupo de pessoas lideradas por Marçal Melo anunciou ontem, nas redes sociais, que garantiu a realização de seis provas incluídas na programação do Campeonato Brasileiro de F-Truck. A notícia, porém, não foi confirmada por Neusa Felix, responsável pela categoria dos brutos. Segundo Clóvis Grelak,  assessor de imprensa da desta F-Truck, “ela (Neusa Felix) está surpresa com esse anúncio e informa que não há nada definido. Quando, e se, houver notícia oficial esta será comunicada pela assessoria de imprensa da F-Truck”. Ricardo Fávaro, gestor da equipe de Melo e seu parceiro Alex Fabiano, porém, garante que o contrato está assinado e informa que “agora vamos falar com todos os pilotos que participaram da GT em algum momento. Já estamos preparando uma apresentação e, enquanto isso, estamos negociando com fornecedores.”  

Pé na Tábua

Nélson Piquet retorna ao Pé na Tábua (foto Larissa Costa)

Continuam abertas as inscrições para a quarta edição do “Pé na Tábua”, que se realiza dos dias 14 a 16 de fevereiro no kartódromo da cidade de Franca (SP), que tem 1.400 metros de extensão. Misto de corrida e encontro de colecionadores e apreciadores, o evento reuniu 60 carros no ano passado e segundo seu organizador, o jornalista Tiago Songa, “há boas chances de reunir um número ainda maior de automóveis este ano”. Na “Speed”, a categoria mais veloz, a grande atração é o tricampeão mundial de F-1 Nélson Piquet, que confirmou presença com seu Lincoln 1927. Outras atrações é a prova da marcha-lenta, onde ganha quem percorrer a reta de 100 metros no maior tempo, e a estréia dos carros a pedal, onde crianças pilotam esses carrinhos movidos a força humana. Mais detalhes do “Pé na Tábua” podem ser obtidos clicando aqui e um vídeo sobre a edição de 2013 pode ser visto neste link.   

Fãs mais jovens vão pilotar réplicas a pedal (foto Larissa Costa)

WG

A coluna "Conversa de pista" é de inteira responsabilidade de seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

2 comentários :

  1. Bom ver que estão notando o potencial da Fórmula Truck para ajudar a dar força a outras categorias. O que falta agora é verem o potencial do modelo de regulamento da Truck para revitalizar o automobilismo nacional de categorias turismo.
    Usando-se a história da Truck de se adaptar o veículo ao regulamento a partir daquilo que ele é (em vez de obrigá-lo a se enquadrar em um regulamento nem que se desvirtue totalmente daquilo que é quando de série), daria para permitir que um amplo número de fabricantes possa dividir a mesma pista e competir em condições de igualdade. Ficaria perfeito para categorias de marcas e pilotos, que inclusive poderiam ser divididas nas faixas de cilindrada e tamanho com maior número de concorrentes do mercado de carros de série.

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  2. As artimanhas de Bernie me deixam a cada dia mais impressionado. Ele parece ter aprendido com os melhores do ramo, como Paulo Maluf e José Sarney.
    Mas como na política, sem fisiologismo não se comanda qualquer negócio que envolva bilhões de dólares. E provavelmente ele irá se safar dessas acusações, pois tenho certeza de que há muitas informações comprometedoras sobre seus aliados que viriam a tona nestes processos.
    Para falar a verdade, gostaria de vê-lo como presidente da CBA. Aposto que o automobilismo nacional seria impulsionado a um outro patamar.

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