O QUE É QUE FUI FAZER NO INFERNO?

Fotos: Felipe Madeira, nuerburgring.de

Na curva do Carrossel, "Para 'ovos moles' como Falk de Kassel" (seria Kassel mesmo?)uma ofensa a alguém

Apesar de nunca ter estado no inferno, aquele bíblico, tenho a sensação de que é um lugar ruim. Não é preciso vivenciar uma experiência para ter conhecimento sobre ela, se alguém me diz que o lugar que estamos indo é um inferno, naturalmente tenho uma sensação negativa sobre o tal lugar.

Foi assim que peguei a A565 saindo de Bonn na Alemanha em direção ao sul, queria chegar no Inferno Verde. Nordschleife, próximo à cidade de Adenau, tudo parte do complexo de Nürburgring, o circuito de Nürburg.

Seguindo para o Nordschleife

No trajeto de uma hora, nas modernas estradas da Alemanha, fiquei imaginando os motivos de chamarem o meu destino de Inferno Verde. A alusão à cor da esperança não sintoniza com o termo tenebroso que ela classifica, óbvio então que o Verde será apenas referência à extensa vegetação que contorna o lugar. Resolvida a questão do Verde, o Inferno então deveria ser... quente! Caramba, que azar que eu tinha, fazia zero grau naquele dia, seguia então a caminho do inferno congelante...

A Lenda, claro, era isso! Tudo que havia acontecido naquele local mágico, mítico, para os amantes do automobilismo, compunha a história do inferno. Exatamente como aquele bíblico, tudo que eu sabia sobre o inferno eram histórias, as dificuldades do traçado traiçoeiro, as almas vivas ou não que correram por lá. As lendas e emoções de quem já tinha pisando antes de mim naquele solo sagrado, ops, não pode ser sagrado, então afinal o que é o Inferno Verde?

Zero grau


Tomado por esse pensamento, notei que estava me aproximando do lugar. Acompanhando a sinalização segui para o complexo administrativo de Nürburgring onde hoje existe um museu, uma loja temática, uma única lanchonete e muita energia entusiasta.

Já no acesso ao estacionamento notei que estava chegando em um lugar especial, um Mercedes estacionado no local praticamente me desafiava, com meu Ford Kuga Titanium minha carruagem para o inferno não era ameaçadora o bastante.

Ameaça na porta do inferno

Dizem que na porta do inferno de Dante estaria escrito: “Deixai, ó vós que aqui entrais, toda a esperança!” lembrei desta frase enquanto estacionava o carro. Havia trazido muita esperança comigo naquele dia e ao chegar em Nürburgring não ia deixar que alguém a tirasse de mim. Não era uma viagem planejada, uma mudança de agenda de última hora tinha me concedido uma tarde livre a 75 quilômetros do Inferno. Ia para lá, mesmo sem estar com o veículo de combate ideal, afinal a tentação já havia me possuído e as portas do inferno não abrem todos os dias.

No prédio central do circuito de Nürburging comprei a entrada para o circuito de 20,832 km e voltei para o carro, passando de novo pelo Mercedes pensei, é a pura tentação na reino de Hades. A imagem do carro de competição só aguçou ainda mais minha vontade de fazer algo censurável. Um ranger de portas e uma corrente arrastando no chão teriam composto o cenário temático ali mesmo no estacionamento.

Estacionamento do Prédio Central; a Seat realizava um evento no circuito da F-1

Peguei o carro e guiei até a entrada de Nordschleife e então finalmente entendi o conceito, todo o turbilhão de emoções é um ritual necessário que antecede o acesso ao inferno, desde que tinha checado na internet que o circuito estava aberto para o Tourist Drive naquele dia até o momento da abertura da cancela de acesso, minha mente entusiasta tinha vivido toda sorte de sensações.

Agora que metade da grande reta aparecia na minha frente, os pensamentos ficaram limpos e cristalinos, eu estava no paraíso automobilístico, um dos lugares mais falados e narrados do automobilismo. Era então momento de curtir a pista e todo o seu ambiente, fascinante, desafiador e divertido, tudo ao mesmo tempo. Um paraíso com a alcunha de Inferno Verde, assim mesmo, tudo junto e misturado.


Acesso ao paraíso, ou inferno, como queira

O circuito tem um traçado que traz uma surpresa a cada curva, paisagem maravilhosa e é recheado nos dias de abertura ao público de todo o tipo de veículos e motoristas. Logo no começo avistei um Peugeot 206 que tinha saído da pista e deixado uma lateral no muro, na verdade no sopé de uma muralha de um monte cortado pela pista.

As mudanças de direção, os aclives e declives, a curva mais badalada, o Carrossel, e as passagens de carros realmente velozes e motos mais ainda, são os coadjuvantes mais do que brilhantes e fecham o passeio de modo magistral.

Quando aberto ao público, Nordschleife fica sujeito à StVO, as regras e regulamentos de trânsito da Alemanha, é uma estrada normal portanto, porém sem nenhum carro vindo na outra direção e com trechos sem limite de velocidade.

Um dos poucos trechos "calmos" do circuito

Uma volta na pista dura cerca de 10 minutos, o que equivale a uma média de 125 km/h, vale a pena fazer uns três giros de pista, a primeira para reconhecimento, a segunda para andar forte e a terceira para relaxar e apreciar a paisagem.

O meu transporte para o inferno tinha teto em vidro panorâmico, assim pude manter contato com o céu mesmo estando circulando nos domínios do coisa ruim, o carro é muito interessante apresentando o sempre bom equilíbrio de chassis dos Ford, com a força e o torque de um motor turbodiesel. 140 cv e regime de torque máximo a apenas 2.000 rpm. fazem do Kuga TDCi uma excelente opção entre os tantos SUV compactos oferecidos no mercado hoje. Pena que ainda não desembarcou no Brasil e se vier claro que não teremos o diesel.


O Ford Kuga

Ótimo acabamento interno, silêncio e maciez na rodagem uma carroceria com estilo agradável completavam o pacote daquele Ford, anterior ao modelo do Kuga atual repaginado em 2013.

Apesar de nunca ter estado no inferno, aquele bíblico, tenho a sensação de que rola muita zorra por lá... E foi isso que encontrei no Inferno Verde, uma baita balbúrdia automobilística, muita zoação escrita no chão (como visto na foto de abertura do post) curvas safadas sendo usurpadas por motoristas pecadores e no comando de tudo o diabo da tentação de acelerar cada vez mais.

O Carrossel

Fui lá no inferno e lá dentro tive grades emoções entusiastas. Saí de lá com um sorriso pueril, infantil, alegre e escarnecido como uma criança inocente que recebe seu colo depois de chorar no berço. Por mais heterodoxo que pareça, a verdade é que acabei saindo do inferno purificado e feliz por ter realizado um sonho.

Em uma tradição mais antiga, o inferno na religião e mitologia judaica não é eterno, mas uma condição finita, após a qual a alma está pura e livre para ascender ao paraíso. Escolho esta então, como sendo a melhor definição para explicar o inferno verde de Nordschleife.

Sr. Aleghieri, deixe a porta aberta. Quero voltar sempre.

FM

49 comentários :

  1. Dirigir em Nurburgring é muito legal. Mesmo passeando na pista e sendo ultrapassado por todos, a sensação é muuuito bacana. Sem contar que ao final de algumas voltas o enjoo é forte...

    A estradinha até o autodromo já é pura diversão.

    Estive lá duas vezes.

    Em 2011, com um Ford C-Max Ecoboost
    http://www.youtube.com/watch?v=Ap1xBUgFEdc

    Em 2013, com um Golf Plus Diesel
    http://www.youtube.com/watch?v=JoyjVNkdSNU

    Voltarei lá quantas vezes puder. Contudo, o museu - que entrei somente nessa última visita - é besteira. Custa 19 euros e tem pouquissimas coisas para ver e várias delas bem sem graça..

    Marco

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    1. Marco, bacanas os videos. Parabéns pela experiência e valeu pelo comentário!

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    2. antigamente era ainda mais perigoso: https://www.youtube.com/watch?v=fuYJx-4SiKc

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  2. Felipe, na boa, bateu uma pontinha de inveja lendo seu post.
    Mas sinceros parabéns pelo sonho realizado !!

    Ai, a pontinha ainda tá aqui ...

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    1. Acyr, você não recebe um sonho sem também receber a capacidade de realizá-lo!
      Obrigado pelo seu comentário!!

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  3. Um sonho que quero realizar também!

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  4. Pô, você vai pra Europa, terra das últimas peruas e estradas sem buracos e sem limite de velocidade e aluga um crossover?. Não tinha um carro mais entusiasta (mais perto do chão) não?

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    1. sim.. nurburgring de ecosport... era só o que faltava.

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    2. Pois é, na hora em que vi a segunda foto não soube de que carro era o painel; já na segunda foto pensei, parece o painel do meu Focus!

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    3. O Kuga atendeu bem às necessidades da viagem, a ótima plataforma do Focus, motor turbodiesel com 32 Nm de torque máximo e autonomia de 1000km.
      Caixa de 6 velocidades e um conportamento dinâmico muito bom, em pista e também no fora de estrada. É seguramento o SUV mais dinâmico e divertido que já andei.
      Quanto a ir de Ecosport, se estamos falando do 4x4 e seu Duratec 2.0 16V com eixo traseiro Multilink, seria um ótimo companheiro em Nordschleife.

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    4. Não dá mesmo pra entender: Pode falar do conhecido bom acerto dinâmico da Ford (lá tinha Focus também, não?), do que for.
      Nada vai nos fazer entender um autoentusiasta colocando um SUV para andar em Nurb, ou em qualquer pista
      Sinceramente, fico atônito de ver isso e o entusiasmo com que fazem matérias sobre Idea, e etc.

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    5. Certissimo. Este cara trabalha na Ford, só pode....

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    6. Anônimos aí em cima
      Falaram bobagem, coisa de quem está por fora. Autoentusiasta de VERDADE se diverte com QUALQUER carro em QUALQUER ambiente. Quanto a trabalhar na Ford, não me consta que exista unidade da Ford em Belo Horizonte, onde o Felipe vive. Mas, e se trabalhasse, qual o problema? Tem cada uma...

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  5. É, muitos que conheço sonham em rodar em Nordschleife. Eu, por outro lado, já sonhava em algum dia conseguir rodar no traçado antigo de Interlagos. E atualmente, apenas fico imaginando se algum dia poderei rodar novamente no traçado original do autódromo de Brasília, condenado por uma estranha reforma.

    E sobre o carro, é outra prova que para se divertir basta querer e saber aproveitar. Para quem é entusiasta, até um Gol 1000 1994 seria suficiente para sair de lá com um sorriso no rosto.

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    1. Fala sério ein Marcos, gol mil em nurburgring!!! Andar de "jipe" lá se desculpa, mas aí o coitado de golzão ia tomar toco até de kombi de feira.
      Ricardo - Vitória ES.

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    2. Se velocidade fosse importante carro de corrida teria velocímetro. O que importa não é velocidade, mas andar no limite de que quer que seja. Uma das corridas mais empolgantes, tanto para o piloto quanto para o público, eram as de Fiat 147 motor 1050 na segunda metade da década 1970.

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    3. Bob tem entusiastas e entusiastas...ok sou o errado mas assumo a minha condição de ser feliz caso eu esteja numa pistas dessas a bordo de um carro razoavelmente tracionador, nunca um lerdo. Então pra mim que sou o errado não daria pra ver todo mundo passando e eu com o pé atolado do acelerador ficando na lanterna dos outros. Teu exemplo da fórmula fiat 147 não vale, pois neste exemplo todo mundo estava com o mesmo equipamento, neste caso até corrida de calhambeque é legal. Lá em nurburgring eu prefiro estar melhor equipado.
      Ricardo - Vitória ES.

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    4. curiosocwb26/11/13 17:51

      po bob me ajuda ai...
      faz um post sobre os carros turbo de marcas...receita e fotos...e da uma dica de suspensao pro meu unoturbo pra eu rodar em track days...pneus originais oq fazer de suspensao?
      fala ai mestre...

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    5. O cara já tá no inferno e ainda querem dar um gol 1000 94! Aí é pra abraçar o capeta.

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    6. Eu fico imaginando o dia que não teremos mais nenhum autódromo no Brasil...

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    7. Antônio Martins26/11/13 22:54

      Disse tudo Bob. O mesmo vale para um carro que nos números faz a mesma cosia que outro, quando o que interessa é como faz.

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    8. Curioso os vários daqui que sequer possuem um Kuga, nunca andaram num autódromo, nem de Gol 1000, nem em Fiat 147... risos.

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    9. É um peso duas medidas: Celta, Scenic, Corolla, Altima, Escort, Tahoe, esses são os escolhidos pra diversão.

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  6. Narrativa emocionante pena não ter arrumado um carro adequado.

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  7. Na proxima vez:
    http://rent4ring.de/en/
    :-))

    HJ

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  8. Corsário Viajante26/11/13 15:20

    "Quando aberto ao público, Nordschleife fica sujeito à StVO, as regras e regulamentos de trânsito da Alemanha, é uma estrada normal portanto, porém sem nenhum carro vindo na outra direção e com trechos sem limite de velocidade."
    Legal esta forma de enquadrar a coisa, torna tudo mais fácil e simples.

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    1. Desconfio que foi ideia de engenheiro, simples e eficiente.

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  9. E até mesmo lá tem congestionamento.

    http://www.youtube.com/watch?v=vYINRvTIBl8

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  10. Também acho que sé faltou um carro , definitivamente não escolheu o carro certo para andar neste templo, e para piorar ainda á diesel !!!

    Mas de qualquer forma deve ter sido um belo passeio.

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    1. Qual é o problema de ser diesel?
      E por acaso o Nordschleife foi feito só para superesportivos? Só de ter a sensação de fazer aquelas curvas já deve ser fenomenal!

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    2. O problema de ser diesel é que este combustível é para ser usado em caminhões, tratores, pa carregadeiras e motores estacionários além de ser fedorento e os motores nunca alcançam a potencia dos similares a gasolina.

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    3. Rafael Ribeiro27/11/13 16:23

      Anônimo 19:35
      Conhece os poderosos AUDI Diesel de competição? Atualize seus conceitos.

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    4. Prezado Anônimo,

      Na Europa é muito comum a utilização de motores diesel em veículos leves, estes motores são mais eficientes que os ciclo Otto, as emissões também são equivalentes aos ciclo Otto, já a especificação do diesel no 1º mundo é muito mais exigente no que se refere aos seus componentes, de forma que quando queimados emitam uma quantidade menor de poluentes, atendendo, assim, as rigorosas normas destes países.

      Quanto ao desempenho os motores diesel não ficam nada a dever aos de ciclo Otto, tive por dua vezes a oportunidade de dirigir uma ML320 V6 por duas semanas e um Renault Laguna Estate 2,0l, por três semanas, e me diverti muito, econômicos, rápidos, boa retomada, torque em baixa, pé na lata sem problemas, funcionaram excelentemente bem.

      Não devemos esquecer que os Audi do WEC são diesel e adicionalmente temos que observar que todos os fabricantes europeus (BMW, Mercedes, Audi, Volvo, Jaguar, etc) têm motores diesel disponíveis em praticamente todos os seus modelos.

      O que você expressou em seu comentário é o que acontece no Brasil, por conta de uma lei da época do Aureliano Chaves, devido a uma série de motivos.

      Abraço,

      Barba

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    5. Um Ford Transit pode ser interessante na pista:

      http://www.youtube.com/watch?v=5KiC03_wVjc

      E Diesels podem ser rápidos também:

      http://www.youtube.com/watch?v=kUlTfW7adxo

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    6. Prezado Rafael Ribeiro,

      os "poderosos " Audi diesel que você se refere, realmente são bem rápidos mas te pergunto, o mesmo veiculo a gasolina " COM TODOS OS RECURSOS " utilizados no modelo diesel não será mais rápido ???? Acho que não sou eu que está precisando atualizar conceitos.

      Caro Felipe Madeira,

      o comentário que fiz com relação ao veiculo que você utilizou, não foi com intenção de desmerecer seu passeio nesta maravilhosa pista, apenas acho que um veiculo mais apropriado para uso esportivo, seria bem mais divertido.

      Barba,

      nunca um veiculo a diesel vai ser mais rápido que o similar a gasolina, desde que os recursos utilizados em ambos, sejam iguais.

      Realmente no Brasil a situação é bem pior, tem gente que considera certos trambolhos de cabine dupla a diesel, como sendo carros de alto desempenho.

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    7. Prezado Anônimo,

      Em sua resposta ao Rafael e a mim, falas em recursos iguais para diesel e Ciclo Otto, que recursos seriam estes?

      Pois, relembrando um pouco o passado, antigamente, anos 60, início dos anos 70, o carro ou andava ou bebia, eram estes os dois parâmetros de projeto. Com o advento do controle de emissões, foi introduzido este terceiro parâmetro, que aumentou o consumo e diminuiu a potência, além dos requisitos de segurança, que aumentaram os pesos dos veículos, prejudicando o desempenho em todos os sentidos.

      Nos anos 80 entra a eletrônica que veio para otimizar, em todos os sentidos, o projeto de motores, assim, hoje se pode chegar ao limite de desempenho com qualquer tipo de combustível, seja diesel gasolina, álcool ou gás natural. Por conta dos combustíveis diferentes, é muito complicado falar em similaridades entre motores, este é o motivo pelo qual os motores flex não aproveitam as vantagens, seja do álcool, seja da gasolina. Eles têm que atender a dois patrões, daí não os atendem bem, mas funcionam e o público compra.

      Assim pode-se, dependendo da filosofia, objetivo e orientação do projeto se tirar o máximo de um motor de combustão interna para cada tipo de combustível utilizado, por conta disso fica difícil falar em recursos para um outro ciclo, ou melhor para cada combustível.

      Abraço,

      Barba

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    8. Caro Barba,

      os recursos a que me refiro são eletrônicos e mecânicos, não adianta comparar um Audi diesel de competição atual com um stock car a gasolina da década de 80.

      Digo e repito, se ambos tiverem a mesma tecnologia na construção e alimentação dos motores, nunca um diesel vai ser pelo menos igual ao motor a gasolina em desempenho.

      Como exemplo posso citar o caso da pick-up Ranger, o motor a gasolina apesar de ser bem menor que o diesel tem um desempenho igual senão melhor que seu irmão fumacento.

      Abraço.

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    9. Caro Amigo Anônimo,

      Partindo da tua premissa do caso da Ranger, são dois motores diferentes, de fabricantes diferentes e, mais ainda, com propósitos diferentes, daí a diferença de desempenho, assim não creio que seja a melhor comparação.

      Por um período da minha vida profissional estive evolvido com GNV para veículos pesados, e o que faziam os fabricantes?

      Basicamente "ottolizavam" o diesel, troca do cabeçote, velas de ignição, redução da taxa de compressão, mas o miolo era o mesmo e qual era o resultado? Muito similar, consumo um pouco menor, torque, retomadas equivalentes e um maior número de problemas, até por inexperiência do pessoal das garagens. A dirigibilidade também não era prejudicada. Note que estou falando de motores dedicados, saído de fábrica para GNV, e não das conversões argentinas, donde "es garantizado, la garantía soy yo".

      Ainda por conta desta experiência com o GNV, posso afirmar que, no caso dos motores estacionários (acionamento de bombas, geradores, compressores, etc), que são "ottolizados" pelos seus fabricantes, p.ex.: Caterpillar, para usar o GNV os resultados são similares aos motores diesel de origem.

      Quanto a comparar os Audis com o stock anos 80, realmente não tem sentido, eles devem ser comparados com o s Toyotas, que estão levando pau nas competições do WEC. Os Toyotas as vezes fazem pole, mas nas corridas que manda são os tedescos.

      Só mais uma coisa, até a próxima "quadréplica", a Audi, BMW, Mercedos, Volvo, Jaguar, etc, vendem seus carros top tanto com a motorização a gasolina como a diesel e os desempnhos são equivalentes, se não seria um tiro no pé ter esta política. Na Europa se compra carro diesel por menor consumo e consequentemente mais autonomia, já que preço do diesel e da gasolina são equivalentes.

      Forte abraço e bom fim de semana,

      Barba

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    10. Amigo Barba,

      já que seu comentário foi longo, vou responder por etapas para não ficar nenhum ponto sem replica.

      # No caso da Ranger não concordo que a comparação não seja válida, acho que nossa discussão se pega na questão de qual dos dois combustíveis é mais eficiente, ora citei os motores da Ranger porque equipam o mesmo veiculo e seria uma comparação bem justa, não interessando se são de fabricantes diferentes e propostas diferentes. O que eu quis mostrar é que um motor a gasolina de menor capacidade cubica pode e é mais rápido que o diesel de maior cilindrada, veja que estou me referindo a eficiência em desempenho, e não em economia.

      Com relação ao GNV, não vou opinar porque simplesmente não considero "isto" como combustível para automóveis.

      Competições do WEC, te confesso que não acompanho este campeonato mas gostaria de saber se os motores destes Audi diesel tem potencia similar aos Toyota, porque senão estaríamos comparando Davi com Golias.

      Para finalizar , os fabricantes citados por você fazem seus modelos top a diesel e com desempenho similar aos modelos a gasolina, por motivos óbvios. Se fabricam os diesel mais lentos estes iriam cair em desgraça junto aos consumidores, está muito claro que os modelos a gasolina estão amarrados propositadamente para " esperar " os fumacentos.

      Grande abraço para você também.

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  11. A noção do Inferno foi desenvolvida a partir de um lugar real na organização das cidades do Antigo Testamento, que eram protegidas por muralhas e portões vigiados. O Inferno era uma espécie de lixão da sociedade, onde as famílias mais pobres abandonavam as pessoas mais idosas, os animais doentes e os leprosos à própria sorte. Era, sem dúvida, um lugar terrível.

    O paraíso, segundo a tradição cristã, fica numa cidade encastelada, e todas as almas que não conseguirem entrar nela, estarão no Inferno pela eternidade.

    Em Nürburgring temos um circuito fechado porém bem extenso, com mais de 20 quilômetros, dos quais 80% se desenvolve fora do "estádio" onde ficam os boxes, as arquibancadas e a torre de controle. Quando os pilotos deixam a "cidadela" do autódromo e ingressam na floresta, estão por conta própria, distante de eventuais socorros mecânicos ou emergenciais no caso de acidentes. Por isso a noção de Inferno Verde se encaixa muito bem.

    Por outro lado podemos entender o Inferno como estar longe de quem - ou daquilo - que amamos. Isso foi muito explorado na literatura romântica do século XIX.

    Então o Inferno, para os pilotos, é ficar sem correr.

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  12. Felipe,

    Em maio2014 estarei lá, não importa com que carro, pois, o importante é aproveitar este Templo. Estava pensando em três, pelos teus comentários é razoavelmente suficiente. O ideal é passar o dia, mas,infelizmente, temos sempre a limitação do tempo.

    Há uns cinco anos estava em Montreal e dei três voltas no circuito, era o que o tempo permitia, e lá tu não podes largar o pé, há limite e eles são rigorosos. Foi muito divertido, o circuito é ducacête, aquela curva, chicane, antes da reta de largada é coisa de gente grande. Meu carro era uma Trail Blazer, mas foi muito divertido.

    Valeru pelas dicas.

    Abraço,

    Barba

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    1. Barba, lembre de verificar em qual dia está aberto para o Turist Drive, se conseguir ir durante a semana tem menos congestinamento na pista. Boa Sorte por lá!!

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  13. FM,

    parabéns pelo belíssimo texto, pelo sonho de muitos que você pôde realizar, e não se importe com as dores de cotovelo de quem provavelmente nunca vai poder passear no Inferno Verde (nem de Kuga, que dirá de Porsche).

    A palavra é: sensacional! Abraços.

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    1. André, agradeço seu comentário. Abraço!

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  14. Felipe,

    Ótimas dicas, farei isto em maio2014, pelo tempo que tenho disponível também planejo dar 3 voltas.

    Em Montreal, também dei três voltas, em função do tempo disponível, com uma Trail Blazer, foi ótimo e lá não pode andar com o pé na lata, o controle é rigoroso. Em tempo: aquela curva de entrada na reta de largada é realmente para gente grande, devagar com a SUV, fui empurrado para o muro.

    Abraço,

    Barba

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  15. Estive la também, mas no verão desse ano, é muito legal, mas pena não ter curtido o complexo de Nurburgring, tem uma parque de diversões para os Gear Head´s e várias lojas com carros de corridas em exposição, tenho muitas fotos no meu blog: http://meucarromeumundo.blogspot.com.br/, tenho alguns vídeos também: http://www.youtube.com/user/bbrasil2006

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  16. Felipe, vou partir de um pressuposto que este foi um carro alugado em uma locadora tradicional. Se estiver errado, desculpe-me, mas pelo menos minha resposta pode servir à algum leitor seu com esta idéia.

    São muitos os motivos para não fazer isso. Vou rabiscar os que me vem rapidamente a mente:

    - Financeiro
    -- Locadora pode descobrir, além de sanções vem multa. Não precisa ir muito longe, já ví o próprio pessoal local que anda lá, filmar, comentar, postando no youtube o pessoal que anda de carro alugado qualquer.
    -- Em caso de acidente, o que é, como você pôde comprovar algo bastante trivial,.... a franquia do contrato não ser válida, o seguro não vai cobrir nada. E você bater em algum super-carro (outra trivialidade por lá), sem seguro também contra terceiros ? E não é trackday brasileiro que muita gente bate, sai da pista e "dá um jeito". Existem muitos olhos pela pista. E na saída estarão esperando por você.
    -- E se você machucar ou matar alguém ? Todo dia, literalmente, tem um motociclista no chão deitado no meio da pista.

    - Gearhead
    -- Andar em pista de pneu de inverno ? M+S ?
    -- Um carro de aluguel tradicional mal faz aquela estrada adjacente para Adenau sem os freios quase "ferverem". Não dá para andar a 50% de ritmo na pista sem ficar sem freio, e será na parede de Breitscheid. Retorna o ponto financeiro. Você vai bater, sua tocada não vai a culpada, mas.... e aí, vai reclamar para quem ? o que ?
    -- Onde você consegue alugar um carro preparado para andar em pista, sozinho, sem limite de giro, sem um instrutor lhe podando e sem pagar uma fortuna ? Eu não conheço. Quem souber favor me diga. :) Essa é uma experiência raríssima que vale muito aproveitar no Nordschleife.

    - Morais

    Quer fazer essas 2 voltinhas de maneira legal, tranquila, segura, pondendo sentar a bota a vontade, andando muito mais rápido, e com seguro de terceiros de 5 milhões de Euros ? 129 Euros. Um sonho, por quase metade de um salário mínimo, por menos de 10% do que custou a passagem de avião até lá ? Para mim está bom demais.

    Abraço !

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    Respostas
    1. Johhny Nurburg15/01/14 17:00

      Você está CERTÍSSIMO! Me impressionou que ninguém respondeu ao seu comentário. Ele é muito melhor do que o texto, aliás, o pior texto sobre uma visita ao Ring que eu já li até hoje. Tudo está errado. Não foi uma visita de entusiasta, foi uma visita de turista daqueles que gostam de futebol e acham melhor o carro vir com DVD do que com turbo.

      Eu já fui 2x ao Ring e andei de verdade lá. Tenho vergonha alheia desse texto...

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  17. Daniel Bianchi27/11/13 22:01

    Nurburgring é mesmo incrível... Me lembro de quando chegava este ano, e avistei parte da pista e depois o posto que aparece em vários vídeos, a sensação de alegria e excitação.

    Dei ao todo 8 voltas - 1 de Meriva (fui enganado pela locadora de carro... que deveria me ter entregue um DS3) numa volta limpa... com sol, chuva e pista livre... fui só ultrapassado por um M3 CSL... depois 4 voltas num divertidissímo Clio Cup (200 cv) (www.rsrnurburg.com) e mais 3 voltas num Polo GTI DSG (www.rentracecar.com) que eram para ser num GT86 que não consegui alugar, mesmo debaixo de chuva forte.

    Ao fim de uma das voltas com o Polo um dono de um 911 veio me perguntar quanto era o aluguel daquele carro, porque ele queria ver o que eu fazia para andar junto com ele num carro tão inferior. (viva o kart debaixo de chuva :D)

    Seja o carro que for, é o passeio ideal para todo gearhead, para conhecer pessoas tão ou mais loucas que você além de escutar e viver histórias para contar para os netos.

    Se tudo der certo, volto ao Inferno... e com muitos mais cavalos! SAVE THE RING!!!

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