MUNDO BMW - PRIMEIRA PARTE


Olá pessoal! É um prazer reencontrar os leitores mais antigos e também conhecer os novos depois da minha longa ausência. Nesse período longe dos posts tive muitas experiências bacanas incluindo visitas e museus muito interessantes como o Museu da BMW, o Museu da Audi e o Museu da Chrysler que foi fechado no ano passado.

A Europa, um continente que realmente preza a cultura, está repleta de museus. Imperdíveis e mais acessíveis são os da Mercedes, da BMW, da Porsche, da Ferrari, da Volkswagen e o não muito conhecido da Audi. Pena que viajar para Europa não seja algo exatamente fácil, e dada a riqueza cultural conciliar a família com visitas a mais de um museu automoilístico por viagem também é complicado. No caso do Museu da BMW me considero muito sortudo, pois em menos de um ano tive a chance de passar duas vezes pela Alemanha, e sozinho. Nas duas estive em algumas cidades e também em Munique, terra da  BMW.

O Museu da BMW é bem antigo, abriu em 1972, na época dos Jogos Olímpicos de Munique, e fica na região do belíssimo Parque Olímpico. Sua construção lembra uma bacia e olhando por fora imaginamos que o museu é abrigado apenas dentro da cuba, mas na verdade há um anexo enorme com níveis abaixo do solo. Esse complexo é pegado ao imponente e inovador prédio da matriz, o chamado BMW Quatro-Cilíndros ou BMW Hochhaus (Torre BMW). Eu já havia visitado o museu em 1990, mas ele foi reformado em 2008, quando também foi inaugurado o BMW Welt (Mundo BMW). Esse complexo, museu, Welt, matriz ficam ao lado da primeira fábrica, de 1916, quando a BMW era um fabricante de motores, antes mesmo de se chamar BMW. Hoje são fabricados os modelos das séries 3/4 e motores. Há também visitas guiadas para a fábrica, mas isso exige um planejamento anterior que eu não consegui fazer. Na maioria das vezes tenho janelas de tempo que aproveito como posso. Mas se um dia estiver pensando em passar pela Alemanha vale a pena reservar um dia inteiro para conhecer todo esse complexo.

Complexo BMW em Munique com a fábrica, o prédio da matriz, o museu e o Welt, vistos da torre da Vila Olímpica

BMW WELT

Pela foto acima dá para se ter uma ideia da dimensão do "mundo" BMW. A construção por si só já é algo extraordinário e uma expressão de design e tecnologia claramente associados à marca BMW. Lá dentro há um enorme showroom das marcas do Grupo BMW, BMW, Rolls-Royce, MINI e BMW Motos, lojas com produtos das marcas, restaurante, lanchonete e centro de convenções. Mas o legal é que qualquer um poder receber o seu carro novo lá dentro, inclusive planejar uma viagem pela Alemanha/Europa saindo de lá e retornando para lá após o passeio. Então a BMW despacha o carro para o destino/país do dono. Não consegui descobrir se essa opção está disponível para nós brasileiros. Mas não seria nada mau encomendar um Z4 e ir retirá-lo lá para um passeio pela Europa no verão junto com a esposa.

O duplo-cone (como essa estrutura é chamada) do Welt e a torre do Parque Olímpico


Um BMW 520 da década 1970 parado na frente do museu com o Welt do outro lado da rua ao fundo

Um senso estético muito alemão, até meio frio, mas belo

Um zoom do duplo-cone a partir da torre

O "line-up" alinhado na entrada do Welt


Welt por dentro: abaixo o showroom das marcas e acima, do lado direito, a entrega especial
Restaurante acima, test drive e rampa de saída

Ao fundo o "Quatro-Cilindros" e a cuba do museu

Showroom BMW

Showroom BMW M

Showroom BMW

Showroom BMW M

Showroom Rolls-Royce

Showroom Rolls-Royce

Showroom Rolls-Royce, um belo Phanton Drophead com sua exclusiva porta "suicida"

Showroom Rolls-Royce

Showroom Rolls-Royce, "Esforce-se pele perfeição em tudo o que fizer", Sir Henry Royce

Showroom MINI, Paceman

Showroom MINI, meu favorito JCW Cabrio

Showroom MINI, o extremo JCW GP

Showroom MINI, o extremo JCW GP

Showroom BMW i

Na saída uns "carrinhos" M

Parte superior do duplo-cone

MUSEU BMW

Agora vamos para o museu. O ideal é ir com muito tempo, pelo menos três horas. Na primeira vez eu fui sozinho, perambulei olhando tudo, sem uma seqüência lógica e até deixando passar fatos importantes. Na segunda vez dei sorte de ter uma visita guiada bem na hora em que cheguei. A visita guiada não cobre os detalhes de todo o museu, mas os principais pontos. O bom é fazer a visita guiada, que leva mais ou menos uma hora, e depois da visita ficar mais o tempo que quiser olhando outros detalhes com bastante calma e sem pressão de tempo. Por isso recomendo chegar pela manhã pois o museu fecha as 17h00. Há uma lógica e um fluxo para a visitação que eu não respeitei muito, mas para o post tentei agrupar os assuntos mais ou menos como lá. Para os motoentusiastas eu já vou pedindo desculpas. A BMW tem vários ícones de duas rodas e é considerada também líder em tecnologia e inovação em motos. Porém eu simplesmente não consegui dar a devida atenção para as motos como elas mereciam. Nessa parte eu gostaria de estar lá com o nosso editor Roberto Agresti, minha referência para o assunto.



OS PRIMEIROS

Acho difícil imaginar que nosso leitores não saibam que a BMW nasceu como fabricante de motores aeronáuticos, mas nada como uma imagem para sedimentar a informação. O motor abaixo, BMW IV, foi o primeiro modelo importante da marca. Com 23 litros de cilindrada e 300 cv, em 1919 atingiu o recorde de altitude de 32.020 pés (9.760 m) elevando o status da marca. 

Motor aeronáutico BMW IV de 1918 e que atingiu o recorde de 32.020 pés de altitude em 1919 

Em 1923 a BMW apresentou sua primeira motocicleta no Salão de Berlim, a R32, que foi extremamente bem recebida. A R32 já nasceu com marcas registradas da BMW, como o motor longitudinal de dois cilindros horizontais opostos de 500 cm³ e o uso de eixo cardã em vez de corrente. A R32 foi evoluindo ao longo do tempo dando origem a muitas outras motos significativas. 

Detalhe da R32
R32 com motor boxer e transmissão por cardã

Os automóveis só chegaram em 1928 quando a BMW decidiu comprar a fábrica alemã Fahrzeugfabrik Eisenach que produzia automóveis e veículos militares. O primeiro modelo a ser feito pela BMW foi o Dixi 3/15 que nada mais era do que um Austin Seven, inglês, fabricado sob licença. No ano seguinte, com alguma melhorias, o modelo passou a se chamar BMW 3/15 PS. O primeiro modelo desenvolvido pela própria BMW só chegou em 1932, mas o motor ainda era o do Seven com algumas modificações.

BMW 3/15 Dixi, Austin Seven fabricado sob licença
Variação comercial do BMW 3/15 para entregas

TURBO

Achei que seria interessante pular para o BMW Turbo de 1972 porque é aqui em que as coisas começam a ficar realmente empolgantes. E há uma explicação para isso. Bob Lutz, o executivo mais entusiasta da indústria automobilística estava na BMW e contribuiu muito para a associação de BMW com desempenho. Em seu novo livro "Icons and Idiots: Straight Talk on Leadership" (não lançado no Brasil) ele fala sobre seus chefes em nas empresas em que trabalhou e descreve com detalhes passagens importantes como a do BMW Turbo.

O Turbo meio escondido na minha primeira visita

Para aproveitar ao máximo Jogos Olímpicos de 1972 que se realizava literalmente no quintal de casa, a BMW, na realidade seu presidente, Eberhard Von Kuenheim, queria apresentar o novíssimo BMW série 5 a ser lançado no ano seguinte. Lutz queria aproveitar a ocasião com algo muito mais especial e insistiu na apresentação de um carro esporte totalmente novo que conseguiria atrai muito mais atenção e seria capa de todas as revistas de automóveis. Assim nasceu o BMW Turbo, que acabou se tornando a inspiração para o M1 que chegaria anos mais tarde. 

Na segunda visita em um lugar de destaque, mas ninguém estava ligando, exceto eu

Frente deformável, assim como a traseira, e os pequenos rins como marca registrada

Rodas traseiras cobertas e porta asa-de-gaivota
Possivelmente os únicos carro com dois emblemas na traseira são o Turbo, o M1 e o M1 Homage

O Turbo foi feito na plataforma do BMW 2002 bem modificada para receber o motor central e também usa um motor 2-litros turbo derivado do 2002. Apenas duas unidades foram fabricadas, pela Michelotti, uma funcional e outra estática. Já vi fotos do carro, provavelmente a outra unidade, sem as coberturas nas rodas traseiras. O Turbo Foi um sucesso instantâneo na época que ajudou não só a BMW como a própria disseminação dos motores turbo na Europa. 

Um esquema de cores estranho, talvez para mostrar as zonas de deformação, mas chamativo


Continua...

A segunda parte, com mais sobre o M, design, roadsters, Série 3 e mais outras coisas bacanas já está sendo preparada e logo entra na rede.

PK

Veja a continuação: Mundo BMW - Parte 2

32 comentários :

  1. Como sempre, belíssimas fotos Paulo!

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  2. Esse complexo da BMW é incrível, eu tive a oportunidade de conhecer no ano passado, sou fã dos BMV's principalmente os 6 em linha M. Fantastico, assim como a Willians de Piquet que estava exposta fora tantas outras coisas.

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    1. Felipe, esse 6 e linha é "o" motor. Abraço

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  3. Melhor não me pronunciar. Ia ficar longo demais, além de não sobrar pedra sobre pedra desta republiqueta infeliz.

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    1. Desça a paulada, sem dó !
      Nossos governantes merecem.....

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    2. Tem muito alemão que quer vir morar no Brasil!!!

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    1. Enquanto isso, no Brasil...
      a gente lê AUTOentusiastas!

      Abraço

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  5. Sem comentários. E a GMB vendeu seu acervo aqui no Brasil do carnaval.
    Como somos pobres, valha-me Nosso Senhor !

    O Turbo é lindíssimo, pena não ter sido feito em série.
    Maravilhosas fotos. Não esqueça dos Williams e Brabham Fórmula 1 na parte 2.

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    1. JJ
      Assino embaixo seu comentario sobre nossa pobreza, mas....
      Riqueza é o que nao falta nesse país.
      Somos um país rico cheio de pobres. E a maior pobreza do nosso povo é sua falta de educação e cultura.

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    2. JJ, realmente ainda estamos bem atrasados. Como pode uma GM vender seu acervo?
      Mas se serve de consolo a Chrysler fechou o museu dela no final do ano passado.
      Abraço

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  6. Caramba,outro mundo Paulo.

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  7. Na Alemanha me informaram que para retirar o novo BMW na "Welt" paga-se cerca de € 600. Isto é oferecido apenas para carros adquiridos na Alemanha e Áustria (o carro sai emplacado). Neste custo esta incluso uma visita guiada pela fábrica nº 1, uma foto da entrega do carro e a emoção de descer naquela rampa com o novo brinquedo.

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    1. Legal Luiz. Eu realmente não fui perguntar os detalhes. Abraço
      PK

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  8. Como bons alemães, respiram boas soluções em engenharia. Vendo o BMW IV não tem como não lembrar dos L6 de até pouco tempo atrás, e foi precisa justo uma turbina para deixar de usá-los. Dois conceitos que eles usaram bem e até juntos, enquanto um pessoal vê status, a riqueza dessa marca é evidente de um outro lado que nós sabemos.

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    1. FCM, eu desconfio que a maioria não autoentusiasta realmente só ve o status, alcançado pela marca justamente por alimentar nosso autoentusiasmo. Abraço

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  9. PK,
    Belíssimo retorno, em grande estilo. Fotos de tirar o fôlego, como sempre. Eu vou precisar de uns dois dias (no mínimo...) para ver tudo nesse complexo da BMW. Se no minúsculo museu da DAF, em Eindhoven, Holanda, eu passei mais de quatro horas, imagine nesse aí...

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    1. Road Runner!!! realmente vai curtir os dois dias, ainda mais se estive aquele frio do lado de fora. Abraço, PK

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  10. Paulo Vanderlei Lisboa13/11/13 09:10

    A BMW sempre foi 'iluminada'. Desde o início, tudo foi feito para a marca brilhar. Não é à toa q é uma das marcas premium mais desejadas do mundo. A história da marca é incrível e o talvez seu início na fabricação de motores de avião possa explicar a simbologia sua atual: carros que "voam" com muita tecnologia, esportividade e design. Quem não gostaria de ter um BMW?

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    1. Paulo, na parte dois eu falo um pouquinho sobre isso. Além da excelência em produto, a BMW tem uma disciplina e consistência enorme no Marketing. Difícilmente faz besteira. Abraço.

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  11. Nenhuma 328 dos anos 30? O melhor esportivo leve daquela época...

    MFF

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    1. MFF, na parte dois tem um 328 "modificado". Abraço PK

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  12. Rafael Ribeiro13/11/13 17:11

    Parabéns pelo post, mal posso esperar pela continuação.
    BMW, quanto mais eu conheço, mais eu admiro...

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    1. Rafael, a continuação já está a caminho. Abraço

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  13. Enxurrada de BMW no AE! Eu confesso que não dava a devida atenção a marca, mas ultimamente venho me apaixonando a cada nova descoberta sobre essa fantástica fábrica de entusiasmo! Muito dessa curiosidade surgiu dos textos sobre bimmers aqui no AE! Aguardando os próximos capítulos. Parabéns pelo texto e pelo blog, mais uma vez!

    Daniel Libardi

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    1. Daniel, que bacana que se entusiasmou com os BMW. Aguarde a parte 2 do post. Abraço.

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  14. PK, estive nesse museu na última quinta-feira, bem como em todos os outros museus automobilísticos alemães citados no texto. Para o BMW Welt + Museu BMW + Exposição Rolls Royce (não entendi muito bem, mas acho que era um tipo de exposição temporária), sugiro que o entusiasta se programe para gastar em torno de 4~5 horas lá. Infelizmente também não desfrutei da visita à fábrica, e nem do test-drive. Belíssimo post, abraços.

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    1. Yuri, que legal! Realmente para explorar tudo é necessário se programar bem e um dia inteiro. A exposição da Rolls-Royce é temporária mesmo. Também não consegui ver tudo com a devida calma. Abraço

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  15. Este comentário foi removido pelo autor.

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  16. PK,

    Bem vindo de volta, estávamos sentindo sua falta!

    Belo tema!
    MAO

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