HOT RODS E O EVENTO CINEMATOGRÁFICO

Fotos: Portuga Tavares, divulgação THX-films e organizadores do evento
Folder do evento Hot Rods Brasil, uma boa pedida para quem curte os antigos modificados

Carros dignos de estrelar filmes dentro de estúdios de uma companhia cinematográfica: não se tratou de uma produção com um roteiro e sim de um evento dedicado aos automóveis antigos modificados que fizeram cena no 4° Hot Rods Brasil, realizado entre os dias 8 e 10 de novembro, no Pavilhão Vera Cruz, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Carros antigos modificados, de todas as categorias, ocuparam os pavilhões, veículos tão fotografados quanto artistas de cinema. Sem dúvida, um dos mais assediados foi o Chevrolet Nomad 1957, versão esportiva da perua familiar que ficou ainda mais esportivada com o novo coração no cofre, um V-8 426 Hemi, da Dodge, simplesmente um big block de 7 litros.



O Chevrolet Nomad 1957 é curioso e fica ainda mais chamativo com o motor Dodge V-8 Hemi.
O  projeto vai além da motorização, inclui grandes rodas na traseira e pneus de arrancada; o carro ainda está em construção
Pelo desenho do projeto dá para notar que a equipe do Norberto, da oficina HotCustoms, deverá ter um belo automóvel no acervo.

A cidade que faz parte da região conhecida como ABC e já teve o apelido de "Detroit Brasileira" por abrigar grandes fabricantes de carros do país, também já foi a "Holywood Nacional", por acolher a Companhia Cinematográfica Vera Cruz. Nos anos 1950 as principais atividades da cidade passaram a ser "produzir automóveis e filmes" e ambos conquistaram todo o país.

Três exemplos de fábricas automobilísticas em São Bernardo do Campo; a Wiillys é a atual Ford
Os estúdios da Cia. Cinematográfica Vera Cruz na época dos filmes e hoje transformados em pavilhão de eventos.

Nos antigos estúdios, hot rods, street rods, custom cars e motocicletas contracenaram com pin-ups e rodders num encontro temático que foi uma boa pedida para quem gosta da história do automóvel e as modificações que formam uma cultura à parte do automóvel, o Movimento Rodder. Levando em conta que tudo começou com jovens americanos comprando automóveis velhos — porque eram baratos — e transformando-os em carros de competição para corridas ilegais em vias públicas, podemos dizer que o movimento que nasceu como diversão se transformou em uma verdadeira cultura, com termos próprios.
Estamos no Brasil, então o Fusca não podia faltar: aqui um "Rat Bug" termo que remete aos Fuscas com visual despojado dos Hot Rods mas com jeito desleixado, chamados de Rat Rods
A Kombi tem visual inspirado nos carros de surfe, comuns na Califórnia, onde originou o termo California Look.
Já o hot rod com rodas vermelhas, pneus banda branca, calotas e motor Ford V-8 Flathead leva outro termo...
... chamado de Old School, por lembrar os carros mais nostálgicos que utilizam peças da época das modificações
Já os Street Rods levam o nome até veículos mais modernos como, por exemplo, o Camaro; os itens obrigatórios estão ai, assim como a preparação no motor

Tamanha foi a expressão dessa cultura incorporada ao mundo do cinema que muitos filmes retratavam os jovens, seus carros com motores mexidos e as corridas nas ruas, quase sempre à noite. O diretor de cinema George Lucas, que de tão apaixonado por automóveis se inspirou na turma da juventude para contar uma história que acontece numa noite de verão em uma pequena cidade americana do interior: assim nasceu o enredo de "Loucuras de Verão" (American Graffiti), de 1973, algo tão comum, simples e genial, que era para ser um telefilme (produção de baixo custo para televisão) e acabou ganhando às telas grandes das salas de cinema.

A ficção de George Lucas é inspirada em sua turma, um grupo de amigos que rodam a noite com seus carros...
...entre as máquinas modificadas para correr; dois destaques, o Bel Air em estilo Street Rod e um Hi Boy, autêntico hot rod

O Mel´s Drive-in era o ponto de encontro da galera e seus carangos envenenados
No evento: Chevrolet Bel Air sport coupé inspirado no modelo conduzido por Harrison Ford, em American Grafitti

O rockn´roll também teve seu grande boom junto aos jovens e suas máquinas customizadas. Assim como a película de George Lucas, o evento que se realizou no ABC paulista também foi ambientado com música, criando um clima perfeito para os "veteranos equipados", hot rods verdadeiros com sua aparência e peças que remetem aos anos 1940 e 1950, chamados de "Old School" por se manterem o mais fiel possível aos automóveis que começaram a cultura, e que estrelaram no mesmo ambiente de veículos de concepção mais moderna.
Projetos modernos como o Sigma, que tem peças 0-km, conviveram com carros mais nostálgicos.
O T-Bucket é uma das primeiras expressões dos jovens que compravam antigos Ford modelo T por preços módicos...
... ou então o Ford  modelo A, também a preço de sucata para se transformarem em "devoradores de asfalto".
Menos lataria e maior cavalaria, uma receita básica para melhorar a relação peso-potência. 

Particularmente sempre fui fã dos modelos 1932, fossem highboy, onde a carroceria fica apoiada em cima do chassi, ou lowboy, que tem o chassi encaixado no assoalho, conhecido como chassi em box, isso confere ao automóvel um aspecto visual mais baixo e, dependendo da construção, maior estabilidade em curvas. Independente do modelo, acredito que pelo fato do primeiro "popular V-8" ter tido tanto sucesso, sempre sonhei, de alguma maneira, conduzindo um Ford V-8 com motor preparado e visual limpo de adendos de carroceria.
Lowboy: a carroceria fica com aparência baixa para um automóvel do início dos anos 1930
Aqui um highoy com estilo inspirado nos primeiros hots que corriam no deserto de sal.

Enquanto os hot rods americanos do início da cultura rodder eram construídos para correr, portanto não precisavam de nada considerado desnecessário como pára-lamas, pára-choques e demais excessos de carroceria, os street rods — podemos dizer de uma maneira simplificada — são os "hots" para andar nas ruas, cumprindo as legislações locais, então se for necessário ele terá pára-lamas e pára-choques. A aparência não é o que importa e sim o motor, mas, convenhamos, quem gosta de carro acaba imprimindo estilo, então seja despojado, com aparência de desleixado ou com pintura impecável, o carro sempre ganha um trato de visual.
Enquanto alguns customizam a aparência com reconstrução e novo visual da carroceria...
... outros optam por um visual mais despojado, nem por isso deixou de ter um trato especial do dono
Nesta F-100 a ferrugem e os desgastados da pintura foram propositais para conferir uma aparência de abandono

Na área dos customizados, automóveis com a personalidade impressa na carroceria ostentam a ousadia do construtor ou proprietário em transformar um veículo, mais um braço dessa família chamada de "hot". Vale carros com boa parte da aparência original ornamentado por filetes feitos à mão, conhecidos como "pin stripe", rodas modificadas, itens de conforto, pintura e até mudanças mais radicais nas carrocerias.
A picape Chevrolet de 1959 ainda conserva muitas características originais, apesar da customização...
... que ressaltou a beleza do carro com ornamentos de filetes feitos à mão, conhecidos como: "pin stripe"
O Furgão F-1 parece modernizado, porém comportado, mas quando visto de frente...
... a opinião muda ao observar o trabalho – também artístico – de aerografia, que ressalta o degradê da pintura

Sabemos que carros antigos não estão mais dando sopa por ai, como era comum até o final dos anos 1990, então uma opção passa a ser o uso das réplicas. As vantagens dessa escolha é que além de não ter de caçar um automóvel original e gastar só pelo fato de ter sido, em algum lugar do passado, um veículo de fábrica, o proprietário pode escolher por um projeto 0-km e criativo em cada pequeno detalhe. Com as facilidades de importação é possível ter um veículo moderno com a nostalgia do antigo e em alguns casos com até mais conforto e melhor ergonomia, itens que as vezes ficam a desejar nesse tipo de automóvel. Uma vez que o projeto nasce do zero, é possível recriar e realocar alguns detalhes do veículo que fazem a diferença no projeto final.
Alguns veículos são sonhos caros de realizar, uma alternativa são as réplicas, entre os mais pedidos o Cobra
A réplica do Willys 1941 se popularizou como um dos mais replicados kit-cars.

Alguns projetos mais ousados acabam por ser a reconstrução de um automóvel, o Maverick exposto em frente ao estande do seu construtor, o Sigma, é um bom exemplo disso. Exceto pela carroceria e alguns detalhes o automóvel era outro. O sistema de suspensão trabalha na horizontal, tanto na dianteira, com amortecedores e molas montados acima dos cabeçotes do motor, quanto na traseira, onde o conjunto de absorção de impacto fica entre os bancos na parte traseira-central do habitáculo, preso ao assoalho do veículo. O motor, que continua a ser um small block, deixou o apoio original no agregado dianteiro — acima do eixo dianteiro — e passou a ser entre eixos.

Acredite, este Maverick teve modificações que vão muito além da pintura e o sistema de abertura do capô
Do original de fábrica sobraram a carroceria e alguns detalhes, acredite, esse é um automóvel reconstruído
Esse é o tipo de carro que mesmo sem dirigir você já imagina o quanto deve ter melhorado. Além disso, o esportivo compacto que nasceu com construção monobloco ganhou uma gaiola que passou a funcionar como um "endo-esqueleto". As colunas "A" ganharam em resistência com novas barras de proteção, levando em conta que o veículo foi feito para andar mais do que o original. Esse é o tipo de elemento de segurança que esperamos ter e nunca usar, de qualquer maneira da maneira como vi no veículo ficou longe de ser aqueles tubos que na maioria das vezes enfeiam o projeto. Sinceramente, espero que a Sigma leve o carro a mais eventos e — se não for pedir demais — permita que eu consiga sentir o carro no asfalto. Enquanto isso, nos resta saber quais as próximas evoluções do projeto.

O interior foi despojado de qualquer luxo e ganhou instrumentos e gaiola de proteção
O motor foi deslocado para ficar entre eixos, enquanto molas e amortecedores dianteiros ficam na horizontal
O curioso sistema da suspensão traseira tem amortecedores e molas no interior do veículo
A parte boa de um "hot" é que ele nunca está pronto, então sempre poderá ser aperfeiçoado, melhorado e assim evoluir, além de cada projeto ser único, por mais que inspiração venha deste ou daquele modelo, é praticamente impossível dois veículos ficarem idênticos.

PT

13 comentários :

  1. Pois é. Embora possam ser admiráveis por toda a engenharia aplicada, creio que sou mesmo um purista. É difícil um carro modificado me agradar, ainda mais se esta modificação for radical, e não ficar escondida na parte mecânica, mas se estender à parte estética do carro. Não sei a razão da escolha deste modelo em particular, mas o único carro que me instiga a um projeto de customização, é a Chevrolet Veraneio. Pegar uma meio baleadinha, e ao invés de restaurar no sentido mais puro da palavra, fazer dela um veículo único, ao meu jeito, e mesmo assim, mantendo o DNA, ou seja, usando uma mecânica Chevrolet mais atual, fazendo um caprichado e luxuoso interior monocromático em cor clara, agregando itens de conforto como ar, direção, vidros, espelhos, e travas elétricas, colocando rodas mais modernas mas de catálogo GM, pintando com uma cor do catálogo GM, etc...O resultado final seria um carro diferente das originais, mas de aparência sóbria e elegante, e com uma mecânica moderna que desse tranquilidade para se usar até diariamente se fosse o caso, e em longos percursos.

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    1. Veraneio StreetRod do Mr.Car... Câmbio autom. na coluna e banco inteirisso? Gostei da idéia...

      Este evento deve ter sido muito bom, gostaria de ter ido. Fica pro próximo ano.

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    2. Não tinha pensado exatamente em câmbio automático, mas contanto que o dinheiro desse, e houvesse viabilidade técnica, até air-bags, freios ABS, e cintos retráteis de três pontos entrariam no projeto. Gostaria mesmo de fazer algo muito caprichado, sob todos os pontos de vista (melhora do conforto, do desempenho, do comportamento dinâmico, e da segurança). Algo no nível de qualidade Overhaulin, só que sem os exageros do Foose nos quesitos rodas e sonorização,por exemplo, he, he!

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    3. Mr. Car e Beto,
      Vi, uma vez, uma Veraneio com motor V-8 454 e câmbio TH400, que carro, andava muitoooo.
      Embora goste de carros originais, as vezes sou obrigado a dar o braço a torcer, os modificados têm lá seus encantos...

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  2. Portuga, eu também gosto dos Ford 32, altos ou baixos. As linhas limpas e a simplicidade do projeto me atraem.

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    1. Bera Silva,
      Pois é... não sei se é pela simplicidade, história, conjunto, sei que os 32 me agradam. Se encontrasse um bom kit de lata - a preço que consiga pagar - começaria o projeto de montar um desses.

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    2. Eu não me importaria de ter um de fibra-de-vidro, desde que tivesse a mesma forma que o original. Já vi na internet carrocerias prontas pra vender, mas agora não achei nenhuma. Acho que a parte mais chata de se fazer é juntar as partes formando um conjunto estético, mecânico e dinâmico coeso.

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  3. Muito bom Tuga Tavares! Car Culture!

    Gostei de quase todos, e respeito os diversos estilos, mas eu quero mesmo é um Sigma!
    Empresa do ABC vai exportar carro esportivo aos EUA
    Os componentes mecânicos mais caros encontra-se no mercado local americano, sem nossa tributação local. Dúvidas, dúvidas. Será que exportam o carro completo? Todos os componentes saem daqui e são montados lá? Qual o preço de venda lá no mercado exterior? Curiosidade apenas.

    HOT ROD V8 - Sigma Sport Car
    http://www.youtube.com/watch?v=C3h8UXHu7ps
    Quero este! Eu quero este com câmbio de competição (dentes retos e seqüencial)!!!

    Mr.Car, serve um Chevrolet C-10?
    Chevrolet C-10 1971 Custom # Revista FULLPOWER
    http://www.youtube.com/watch?v=AIZ6Q6qugTU
    Claro, não no modo "cachorrinho deitado com as patas encolhidas", mas no modo normal, basta ajustar para a altura "correta". Abaixadinha, rapidamente e só por cavalheirismo, para digna dama de saia ou vestido acomodar-se mais facilmente. Tudo com alta classe.
    Tem o interior clarinho, percebestes? É meio extravagante na cor exterior; pinceladas de excentricidade. Encare como qualidade, não como defeito.

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    1. A cor não é problema, até mesmo por ser original do catálogo GM. Essa suspensão...sem comentários.

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    2. Após escrever este texto, conversei com o Ricardo, proprietário da Sigma.
      Ele confidencializou que o Maverick ainda não está 100%, mas até o meio de Dezembro deve estar finalizado, então em Janeiro combinei uma visita a empresa para ver o funcionamento do veículo.

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  4. Leonardo Brito16/11/13 11:04

    Nota mental: trazer um babador para os posts do Portuga... sujeira, inundei a sala vendo a Nomad e o Camaro amarelo (no pun intended).
    No meu tempo de garoto o SBT passava um filme chamado "The California Kid", com o Martin Sheen dirigindo um Ford 34.

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    1. Opa Leonardo,
      Obrigado, espero fazer umas fotos melhores para as próximas postagens. hehehe
      Não lembro dos veículos citados e dos filmes, mas vou aproveitar o domingo para pesquisar, obrigado pela dica.

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  5. Me admira essa rapaziada que curte uma ferrugem,fico no desespero de ver qualquer uma no meu carro ,por menor que seja rssss...

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