RELIANT SCIMITAR GTE

Inovador e pioneiro, Gran Touring Estate

Conhecida principalmente pelos seus polêmicos modelos de três rodas que promoveram e continuam gerando todo e qualquer tipo de comentário e piada,  a empresa Reliant, fundada em 1935 em Tamworth, bem no centro da Inglaterra, viu seu maior sucesso de imagem positiva com o Scimitar (Cimitarra, uma espada curva de combate da cultura muçulmana), mais especificamente  com o modelo GTE, sendo o E de estate, a perua na língua de Sheakespeare. 

Uma empresa que baseia seu negócio anos a fio em um carro de três rodas não pode ser muito padrão, muito dentro da caixa. Algo mais iria um dia aparecer das cabeças dirigentes, e esse algo a mais foi o Scimitar GTE.

Óbvio que muitos irão dizer que é um carro feio. Isso pouco importa se for verdade ou não. O fato é que outras marcas vieram depois da Reliant com seus estates de tendência esportiva, como a Volvo com o P1800ES em 1970, mais à frente a Lancia com o Beta HPE, o Lotus Elite de 1974 e a BMW com o Z3 Coupé. Nesse ponto fica fácil de confundir e misturar peruas com hatches, e devo dizer que essa classificação é difícil, principalmente porque há peruas duas-portas.

Em linha mais clara, o SE4 cupê, com menor entreeixos, e sem espaço para passageiros atrás

Derivado do Scimitar cupê SE4, mas com chassis próprio de maior distância entreeixos, teve nas diferentes versões evoluídas ao longo de dezoito anos 15.273 unidades produzidas.

Seu desenho é creditado ao estúdio Ogle, com a autoria do estilista Tom Karen, e o grande golpe de sorte desse carro foi  ficar muito famoso no Reino Unido depois que a Princesa Anne, filha da Rainha Elizabeth II e do Príncipe Phillip, o adotou como seu carro de uso freqüente. Poucos imaginavam que uma marca pequena pudesse ter uma garota-propaganda que fosse tão famosa.

O fato é que os britânicos tinham como uso tradicional e primeiro para as peruas, carregar espingardas de caça, o que fez várias modificações de carros normais serem batizados como modelo shooting break, sendo break o termo usado na França para perua, e shooting relativo a tiro. Interessante que as rivalidades franco-britânicas, seculares, estão de tal forma arraigadas na cultura dos dois países que os franceses usam a palavra inglesa break (quebra) para designar as peruas, que por terem bancos traseiros que deitam (quebram) para aumentar a capacidade de colocar carga, são assim designadas. E mais interessante ainda é os britânicos usarem o termo que os franceses usam para as peruas, e terem também a palavra estate para isso. Confuso, sem dúvida.

No caso da Princesa, tendo como atividade freqüente a equitação, utilizava seus GTE também para carregar os equipamentos para andar a cavalo.

Princesa Anne saindo de Buckingham Palace, em foto de 1970
O Scimitar GTE tem também a marca histórica de ser o primeiro carro com tampa traseira com vidro (hatch) equipado com  bancos individuais traseiros rebatíveis. Mais do que isso, a tampa é apenas um vidro, sem metal junto. Pelas informações encontradas, o GTE foi também o primeiro a adotar o lavador e limpador de vidro vigia traseiro. O Dodge Charger, em 1966 já tinha os encostos traseiros individuais e rebatíveis, mas não tinha porta traseira, ou hatch, apenas uma tampa de porta-malas tradicional. 


Mais hatch do que perua, apesar da designação
Mas a origem desse interessante estilo de carroceria é devido à solicitação da empresa de vidros Triplex Glass Company, que para promover seu produto laminado que escurecia com a incidência de luz, o Sundym, encomendou à Ogle Design uma perua com teto de vidro, que foi feita a partir de um modelo cupê da Reliant, o SE4. O trabalho de Tom Karen ficou muito interessante, e foi batizado de Ogle GTS.

Imediatamente comprado pelo Príncipe Phillip, marido da Rainha Elizabeth II, já na apresentação pública no salão londrino de 1965 em Earls Court,  foi às manchetes do mundo automobilístico.  Era a visibilidade e promoção que a Reliant precisava.

Ogle GTS, o início da idéia do GTE
Aproveitando o bom momento, a administração da Reliant contratou o estúdio Ogle para desenvolver o conceito e trazer o carro à produção. O estilista Peter Bailey trabalhou juntamente com  Tom Karen, um checoslovaco que saiu de seu país em 1942 em plena Segunda Guerra Mundial para tentar uma vida nova na Inglaterra, estabelecendo-se no ramo de desenho, não apenas de carros.

Sua carroceria de compósito de fibra de vidro foi definida com linhas bastante simples, e proporções exatas para um tipo que fica no meio termo que deixa dúvidas entre ser um hatch ou uma perua. Pelas duas portas apenas, fica mais para um hatch mesmo, e chama à lembrança um dos meus preferidos de todos os tempos, o BMW Z3 Coupé.

A estrutura é um chassis de aço, com forma bastante lógica, envolvendo os componentes mecânicos e permitindo um belo empacotamento do tanque de gasolina de 64 litros após o eixo traseiro, um berço robusto para o motor à frente, espaço para o estepe à frente do motor e volume de cabine para quatro pessoas.

Os pontos críticos de conservação do chassis, num guia de compra do modelo

Motor atrás do eixo dianteiro, balanços curtos: baixo momento polar de inércia

O motor de início foi o V-6 Ford de três litros, chamado de Essex, passando a partir de 1981 ao mais moderno 2,8-litros. O câmbio manual sempre foi de quatro marchas, e o modelo de maior velocidade máxima, o SE5a, chegava a 195 km/h, com velocidade de cruzeiro de 160 km/h bastante tranqüila, conforme a revista Autocar relatava. Esse modelo tem 1.253 kg de massa em ordem de marcha, pouco para um carro que não tem construção monobloco, mas explicável pela falta de necessidade de atender as normas de segurança de hoje e pela material compósito da carroceria.

O Ogle GTS havia sido feito sobre um SE4, mas a empresa já tinha pronto o SE5, mais moderno, e foi sobre ele que o GTE for desenvolvido, sob a coordenação de John Crosthwaite, da Reliant. Além de um chassis muito melhorado em robustez, as suspensões também evoluíram, e o Scimitar é um carro confortável e bastante estável pelos relatos encontrados.

Motor bem recuado, com espaço para o estepe quase na horizontal


Assento inteiriço e encostos individuais atrás

Volante quase vertical, como deve ser, e muitos instrumentos, como deveria ser obrigatório em todos os carros

Fato interessante é que em 1981, a chapa de aço utilizada para a fabricação desse chassis passou a ser galvanizada, aumentando bastante a vida útil do carro, e auxiliando na valorização como item de coleção, já que a conservação do carro em boas condições se tornou muito mais fácil.

Notável também é o fato resultante de um  acordo  da Ogle com a Reliant, que permitiu à primeira fabricar uma versão do carro colocando seu emblema. O Ogle Scimitar GTE tem parte frontal do teto em vidro, numa antecipação de décadas ao que vemos hoje em Citroëns e outros, área dianteira com quatro faróis retangulares e grade diferente. As persianas sobre os faróis abrem e fecham eletricamente.

Ogle Scimitar GTE, uma variação de estilo , exemplar raro

Persianas elétricas nos faróis
Tom Karen mantém um site com seus trabalhos. Dele é o direito da foto de abertura desse texto, magnífica, onde a esquadrilha de demonstração acrobática da RAF (Royal Air Force), Red Arrows, está retratada, com os Foland Gnats em vôo baixo.

O modelo melhorado, SE6 de 1975, ficou mais largo (80 mm) , mais longo no entreeixos (100 mm) e mais pesado, com mais espaço interno e novos pára-choques. O custo dessas extensas alterações aumentou o preço do carro, colocando-o em um segmento de modelos de luxo, o que desagradou os puristas de um carro bom de dirigir, diferente e de preço dentro da normalidade para um carro de pequeno volume de produção.


Um exemplar a venda cuja foto encontrei há tempos





Depois de muitos anos em produção, a Ford encerraria a produção do motor 3-litros, substituindo-o pelo mais moderno 2,8-litros com injeção eletrônica de combustível, e a Reliant imediatamente adotou-o, mantendo a atualidade do carro. A potência foi de 140 cv para 162 cv, que compensou bem o maior peso do SE6. Dessa forma, o carro atingia 195 km/h, com aceleração de 0 a 100 km/h em 8,5 segundos, muito bom para essa época e potência.

Havia câmbio manual de quatro marchas, com opção de um dispositivo de sobremarcha (overdrive) da marca Laycock de Normanville, que atuava na terceira e quarta. Além desse, um automático da Borg Warner existia já desde 1970, sendo depois substituída por uma caixa Ford C3.
A Princesa Anne prossegue sendo proprietária do modelo. Hoje ela possui um  Middlebridge Scimitar, fabricado pela empresa que assumiu os direitos da Reliant em 1987, após  essa ter sido liquidada, e voltou a fazer o carro com algumas alterações, porém a falta de lucros levou ao encerramento da produção depois de apenas 78 exemplares, de 1988 a 1990.
Mas o Scimitar parece ser imortal, já que depois disso a empresa Graham Walker Ltd. assumiu os direitos, e segundo consta, ainda fabrica o carro sob encomenda.  Manutenções e consertos são feitos por essa companhia, que também é concessionário MG atualmente, e não raro a própria Princesa Anne leva seu carro para os serviços necessários.

Só mesmo no Reino Unido...

No emblema, a espada de combate

A versão mais moderna de um carro diferente

A Middlebridge contava mais de 400 alterações de melhoria nessa reedição
O Reino Unido é lugar de entusiasta, sem dúvida. A Princesa com seu GTE na porta da oficina

JJ

Fotos: grahamwalkerparts.co.uk ; middlebridge-reliants.co.uk ; aronline.co.uk ; sporting-reliants.com


30 comentários :

  1. "Pirei" nesse interior claro com forração aveludada (acho infinitamente mais bacana que couro, além de não ferver sob o sol e ser extremamente agradável ao toque), e no painel com muitos instrumentos, coisa que, como bem dito pelo Juvenal, deveria ser obrigatória em todos os carros. E podemos estranhar hoje, mas para a época, não o achei feio.

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  2. Gostei do Scimitar GTE, já que gosto bastante de modelos desse tipo, um meio termo entre hatch e perua. Legal a princesa Anne ainda usar o modelo e, mais legal ainda, ser possível adquirir e manter numa boa os carros hoje em dia. Por essas e outras que digo que, aqui nesta terrinha, é uma praga para quem gosta mesmo de carros...

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    1. Road Runner,
      o Brasil é hostil aos automóveis. Brasileiro apaixonado por automóveis !!?? piada de mau gosto.

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    2. Brasileiro é apaixonado por TER automóveis...

      César

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  3. JJ,
    Que história fantástica! Adorei as soluções de chassi para esse carro: motor central dianteiro, estepe na frente.
    Hoje faltam inovações. É sempre um carro parecido com o outro...

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  4. Outra coisa: gostei muito da honestidade, digamos assim, dos dois lugares traseiros, como também há no Volvo C30. Para acomodar três adultos com o conforto que devem ser acomodados, só mesmo em carros bem mais largos. E de preferência, com assoalho plano.

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  5. Engraçado é ver como a inversão de valores é como uma panela d'água em fogo baixo.
    Reino Unido, monarquia, família real, títulos de nobreza. Toda aquela descendência da ideia feudal, aristocrática, opressora do pobre.
    Neste mesmo cenário, uma princesa, sangue azul, dirigindo um carro de plebeu, usado e fora de linha, para uma oficina mecânica fazer sua manutenção regular, no mesmo lugar que um jurisdicionado bretão qualquer pode levar seu carro, bom, barato, o qual pode pagar com o bom salário que tem, com a tranquilidade de contar com boa mão de obra e excelente disponibilidade de peças, a preço justo e podendo usá-lo por belos e bem pavimentados condadinhos vincinais.
    Brasil, democracia, rés pública, poder ao povo, liberdade irrestrita por força de lei, nada de absolutismo ou coisa do gênero.
    A realeza do terno e gravata, palacianos que só, representantes legítimos do povo pelo voto, do alto da representação de seus doutos partidos, andando com carros pagos por jurisdicionados, de último tipo, não raro importados e blindados, com chofer, para cima e para baixo. Jamais saem de suas bolhas de privacidade imaculável por qualquer reles jurisdicionado, que anda de carro barato a preço de ouro, se submete a oficinas chinfrins sendo explorado, com peças raras e a preço absurdo, ainda tendo que sustentar os camaradas democratas que elegeu com a mais escorchante carga tributária do mundo, a duras penas por conta de seu emprego ruim, mal remunerado e desgastante.
    Aí eu me pego perguntando, se democracia, monarquia, parlamentarismo, república, não são só rótulos filosóficos bonitos que damos a uma organização humana que, na via factual, é regida tão somente pelas intenções dos administradores do poder, sejam eles reis ou presidentes, e que de nada adianta conclamar falsos ideais libertários quanto um povo é escravo da própria ignorância e corrupção.
    Mas ok, chega de filosofia de boteco.
    Me chamou muito a atenção este trecho aqui:

    "Mas a origem desse interessante estilo de carroceria é devido à solicitação da empresa de vidros Triplex Glass Company, que para promover seu produto laminado que escurecia com a incidência de luz, o Sundym"

    O que se sucede com este vidro? Teve sucesso? Fracassou? Quais seus pontos altos e baixos? Me interessou muito, pois desde aqueles panfletinhos por aí distribuidos para propagandear as tais das lentes de óculos transitions, me pego encasquetado achando que aquela película fotocromática que vinha nos encartes é muito parecida com as películas de vidro em si, e que poderiam muito bem ser coisa a se usar em automóvel (e não no teor de escuridão dos ditos sacos de lixo, que fique claro).

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    1. Charles,
      sem dúvida você está certo na sua colocação administrativo-filosófica. O que parece uma bruta estupidez, como a monarquia, pelo menos aparenta melhor resultado prático.

      Sobre o vidro, não sabemos. Talvez fosse muito avançado para a época.

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    2. Não sei se é o mesmo, mas achei este link http://www.pilkington.com/automotive+international/sundym+select/default1.htm sobre o vidro que controla a luminosidade.

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    3. O Mazda 929 usou esse vidro durante algum tempo

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  6. Só uma dúvida:
    Príncipes e princesas compram e dirigem seus próprios carros, e os levam pessoalmente à oficina quando necessário.
    Será que os deputados e senadores brasileiros fazem a mesma coisa?

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    1. Claro que fazem... em época de eleição, todos eles fazem isso, e depois tomam o café na padaria, vão a igreja, fazem caminhadas, seguram crianças no colo pra foto e fazem promessas que vão ser diferente dos outros.

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  7. Nada como o simples...Na democracia bolivariana ( sim, a que estão tentando implantar ou já implantaram aqui...) O simples dá lugar ao tosco, o pensamento dá lugar a catarse coletiva que estiver na mídia e ainda por cima, sempre que a realidade teima em mostrar a verdade, a culpa é das "zelite"... Belo carro para algums e sem dúvida horrendo para outros, mas não há de se negar que a simplicidade,independente do gosto estético, é a que se pereniza.

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  8. JJ. A dianteira Deste carro lembra muito a do Jensen Interceptor, teria esse fabricante alguma relação com a Reliant?
    Os Reliant sempre me lembram aquele modelo esquisito azul e de três rodas que o Mr. Bean, em alguns de seus episódios, tenta a todo custo fazer capotar.
    Será que existe algum desses no Brasil?

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  9. O desenho me parece um bela evolução da Brasília.
    Carro muito interessante.

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  10. Lorenzo Frigerio06/09/13 17:26

    "Break" não significa "quebra" e sim "pausa para descanso" - Have a break, have a Kit-Kat". Antes que alguém pergunte se o sentido duplo - e dúbio - já não foi explorado, pois os ingleses são mestres nesse tipo de humor, posso dizer que foi, sim. Em Hong Kong, precisamente num anúncio do Kit Kat, uns 20 anos atrás.
    Vocês já devem ter visto uma foto do Charles e da Diana, no auge da crise conjugal, numa cerimônia em que cada um estava olhando para o lado oposto. Pois os chineses pegaram a foto e botaram o lema embaixo: "Have a break. Have a Kit-Kat."
    Os ingleses ficaram possessos e a propaganda teve de ser retirada.
    Agora, isso é tapa com luva de pelica ou não?
    Voltando às peruas, "pausa para descanso" - é por isso que algumas são chamadas de "Weekend".

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    1. se não me engano as Break são francesas e as Weekend são italianas.

      as americanas são Station Wagon - apesar que não existem mais por lá, só SUVs e Crossovers.

      tem também as Shooting Brakes, que de origem são inglesas mas se acha também na Alemanha (Mercedes).

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    2. Ao final do século XVII os britânicos desenvolveram um tipo de carruagem aberta com 4 rodas a que denominaram "brake". Esse têrmo derivava do uso de tal veículo para adestrar cavalos (em inglês "to break a horse"). Posteriormente a carruagem passou a ser usada em caçadas, com o nome de "shooting brake". Os franceses adotaram a engenhoca, chamando-a de "break de chasse". Não me perguntem porque preferiram a grafia mais antiga. Quando surgiu o automóvel muitos estilos de carroceria receberam nomes originados na construção hipomóvel, entre eles "shooting brake" para designar o que chamamos de perua. Naturalmente esse tipo de auto servia muito bem às grandes propriedades rurais do Reino Unido, conhecidas como "estates". Resultado: as peruas viraram "estate cars". Mas nos EUA, carruagens similares eram usadas para transportar carga e passageiros desde as estações de estrada de ferro, portanto ficaram conhecidas como "station wagons". É favor não quebrar nenhum banco nem sair comendo chocolates por aí. AGB

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    3. Lorenzo Frigerio07/09/13 03:57

      No Reino Unido, as peruas são chamadas de "estates". O termo "shooting brake" se aplica a peruas adaptadas de carros esporte.

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    4. No Reino Unido a denominação atual para a perua é "estate car". "Estate" é simplesmente uma forma abreviada dessa expressão. Naturalmente a palavra tem outros significados como propriedade imobiliária, bens deixados em herança etc. O têrmo "shooting brake" é mais antigo e referia-se principalmente às peruas com carroceria de madeira, mais parecidas com as carruagens de outrora. Num país de fortes tradições como a Grã-Bretanha é natural que palavras vetustas sejam reutilizadas, inclusive por seu lado esnobe. AGB

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  11. Este estilo de carroceria é muito agradável. Fica muito bem casado com o longo e baixo capô. Boa disposição dos componentes mecânicos neste projeto. Olhando as características, acho que pode-se dizer que é um 2+2, apesar do formato. Gostei muito do modelo antigo em laranja (esportivo). Do modelo novo, eu bem poderia ficar com a "ambulância branca" - para quem é do tempo em que se usavam "peruas" com este fim - ou a "flecha prateada"; elegantes.

    Muito interessante ter este sido o primeiro com lavador e limpador do vigia traseiro, mesmo tendo grande área envidraçada e com caimento suave - sem bagagem, os ocupantes traseiros devem passar por "sensação de nudez", ainda mais se for em terras de gente muito curiosa.
    Em baixo ritmo de deslocamento, é muito ruim a solução dos sedans não possuírem mecanismo rápido (ação mediata) e eficiente como o limpador e lavador traseiro. É angustiante a operação de manobrar no trânsito pesado, em noite de chuva. Em alta velocidade a aerodinâmica faz o seu papel e tem-se boa visibilidade.

    Atraente esta queda da linha do teto juntamente com a ascensão da linha do vidro traseiro. E pelo que parece (fotos internas), este vidro não tinha sistema de abertura (tal como uma porta entreaberta - quase um sistema basculante), o que acho uma pena. Alguém mais lembra de quando os automóveis tinham vidros traseiros com este tipo de abertura? Com os automóveis de 4 portas isto desapareceu.

    Gostei também do cuidado para com os cotovelos dos passageiros do banco de trás. Os apoios de braço hoje são minúsculos (curtos e estreitos) e de material duro, desconfortável em longas viagens. A lembrar que temos mais espaço na seção central, e assim podemos posicionar melhor os braços, ao contrário das laterais.

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  12. os que acham o Scimitar feio devem gostar de Agile, certo?

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  13. Lorenzo Frigerio06/09/13 20:39

    Imagino que, tratando-se de um carro projetado nos anos 70 e ainda por cima sendo inglês, deve ter problemas sérios de entrada de água e poeira, sem contar os efeitos da umidade sobre a elétrica Lucas. Naturalmente, a Princesa Anne tem quem cuide dele e o guarda em lugar coberto, mas a maioria dos súditos britânicos tem que deixar o carro na rua. Então, para ela não é um carro velho; é um luxo, sim.

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    1. Verdade.... carro inglês e década de 70 são como catalizadores para dor de cabeça...

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  14. Sei que é off topic mais vocês do auto entusiastas ja ouviram falar desse carro ...??
    http://www.batalhax.com.br/2012/06/scorpion-o-supercarro-do-futuro.html?m=1

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  15. Lorenzo Frigerio07/09/13 04:01

    Qualquer semelhança com o Civic VTi provavelmente não é mera coincidência (embora esse seja bem mais bonito).

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  16. Como sou fascinado por peruas, sou suspeito, mas muito interessante esse Reliant!
    Me lembrou outro misto de hatch e perua que os ingleses tanto apreciam: o MG MGB GT

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  17. Autoentusiasta Cansado de Guerra07/09/13 18:00

    Como diria o Bob, painel de Boing!

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  18. O de 1ª geração me pareceu uma mescla entre Brasilia/Variant I (e com o Civic hacth 95). Mesmo sendo Inglês, e normalmente carros ingleses primam pelo mau gosto, achei muito bonito o carro. Eu particularmente gosto de SW curta (designação "perua" é só em SP), espécie em extinção no Brasil e no mundo, exceto na velha Europa. Quem dera poder conservar um carro antigo contando com apoio de empresas fabricantes de peças e oficinas comprometidas como lá no velho mundo, pois dependemos de ferro-velho e de muitos "espertinhos" e aproveitadores de ocasião pra manter digno um nacional com mais de 20 anos, sema apelar pro "gatilho". Parabéns pelo texto e pelo blog!!

    Daniel Libardi

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  19. JJ,

    Muito legal o post, descobri um monte de coisa que não sabia desse carro legal pacas!

    Obrigado!
    MAO

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