SE O BRASIL MUDASSE A MÃO DE DIREÇÃO

Foto: BBC News Magazine

"Dirija na esquerda na segunda-feira, dirija na direita na terça-feira"

Relaxe, leitor ou leitora, que isso não vai acontecer. Mas, e se acontecesse, como seria? Qual a operação e a logística necessária para isso?

Este post foi gerado depois que um velho amigo do Rio de Janeiro e ex-colega de GM, o Hubert Melin, me mandou uma história de mudança de mão de direção. Foi em 2009, em Samoa, um estado independente de línguas inglesa e samoana no Pacífico Sul, próximo à Nova Zelândia, de quem se separou em 1962. A coisa toda é mais complicada do que parece e o mais curioso é que eles tinham mão igual à nossa e passaram à mão inglesa.

A matéria, assinada por Tom Geoghegan, está nesta página do site da BBC News Magazine e se intitula "Poderia o Reino Unido andar na direita?". Leia a seguir seu conteúdo.
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Os motoristas de Samoa trocaram o lado da estrada em que dirigem de um dia para outro. Esta é uma mudança que a Inglaterra já considerou – mas será que isso daria certo hoje?

Esse é o tipo de pergunta de entrevista de emprego que reduz candidatos confiantes a frangalhos: "Imagine que você é o ministro responsável pelas rodovias da Inglaterra e tenha que mudar o país para dirigir no lado direito. Como você faria isto?"

O exemplo de Samoa deve dar algumas pistas. O país experimentou na segunda-feira 7/09/2009 seu primeiro dia de dirigir no lado esquerdo, o início de dois dias de feriado bancário especial para tornar mais fácil aos samoanos adotar o novo regime de mão de direção.

Olhar a direita – não, agora é olhar à esquerda (Wikipedia)
E se o Reino Unido fizesse igual a Samoa? Dirigir na direita tornaria as viagens à Europa continental muito mais fáceis, ao pegar ou alugar um carro. E mais carros com volante de direção na esquerda significa que poderiam ficar mais baratos. 

A idéia não é tão irreal como parece. Ainda que o Departamento de Transportes diga que não há planos para mudança, tal plano chegou a ser cogitado no final dos anos 1960, dois anos após a Suécia passar, com sucesso, à mão direita.

O relatório do Departamento rejeitou a idéia com base em segurança e custos. Só que isso foi antes de a Inglaterra entrar para União Européia e da abertura do Túnel do Canal, que pela primeira vez estabeleceu uma ligação por terra entre a Inglaterra e o Continente. Assim, se o Reino Unido estivesse pensando hoje em fazer a mudança, quais seriam as questões principais?
  
Sinais e entroncamentos

A sinalização horizontal e sinalização das vias teriam de ser mudadas para o outro lado da estrada, mas necessitariam ficar prontas antes do dia da mudança, num trabalho de logística descomunal.

As ruas de mão única teriam de ser reconfiguradas e os semáforos com aquelas setas de direção específicas, trocados, diz Paul Watters da britânica Associação do Automóvel (AA). Para se ter uma idéia do custo, só a mudança das placas de milhas por hora para quilômetros por hora foi estimado em £ 750 milhões (R$ 2,250 bilhões), acrescenta.

O maior problema de engenharia estaria nas estradas, diz Benjamim Heydecker, do Centro para Estudos de Transportes da Universidade College London. Cerca de um em dez entroncamentos rodoviários é assimétrico ou incompleto, precisando ser demolidos e reconstruídos. “A sinalização das estradas deverá ser virada e reposicionada, assim as aproximações aos entroncamentos não estariam no mesmo lugar”.

Pontos críticos de acidentes teriam que ser revistos também, pois a sinalização é específica para os locais e precisaria ser trocada.

Ajuste das faixas de acesso

“Entradas e saídas de auto-estradas também não são simétricas, assim haveria conseqüências também", diz Heydecker. Faixas de acesso que seriam para desaceleração de repente seriam usadas para aceleração, de modo seu comprimento precisaria ser aumentado; e vice-versa.
  
Treinamento dos motoristas

Mesmo que muitos motoristas sejam acostumados a dirigir na direita – em razão das viagens ao exterior – um grande programa de treinamento seria necessário, de acordo com Heydecker. Ênfase especial teria que ser dada às rotatórias, que passariam a girar em sentido anti-horário, e às curvas à esquerda, que poderiam requerer que se cruzasse na frente do tráfico contrário, o que não existe atualmente.

Após anos dirigindo, hábitos são enraizados e isso requer mais que poucas aulas para aprender o novo sistema de mão. Mas onde, como e quando os motoristas poderiam treinar antes da mudança?

Aviso para estrangeiros de países de mão direita que vão dirigir na Austrália (Wiikipedia)
Volantes de direção e portas de ônibus

A mudança complicaria a vida dos motoristas ingleses que, por estarem sentados à direita nos carros vendidos lá, de uma hora para outra passariam a ficar mais afastados do centro da rua.

Com o tempo, eles passariam a comprar carros com volante de direção na esquerda e teriam de trocar marchas com a mão direita.

A fabricação mundial de carros seria simplificada se todos os países adotassem o volante na esquerda, opina Heydecker. "Se os carros fossem todos fabricados da mesma maneira, o custo de projeto seria menor e a qualidade tenderia a ser maior".

Veículos de uso público como ônibus teriam de passar por grandes modificações, passando as portas para o lado direito.

Lições da Suécia

Os preparativos foram feitos com grande antecipação, diz Niklas Stavegard, da Motormannen, a Associação Sueca do Automóvel.

"Toda a sinalização de trânsito foi duplicada. As novas placas para mão direita ficaram cobertas até o dia da mudança. Neste dia particular, a sinalização da mão esquerda foi coberta e a da mão direita passou a valer."

A mudança foi feita às cinco horas da manhã de domingo 3 de setembro de 1967. Todo o tráfego de carros particulares foi suspenso entre 1h00 e 6h00 e houve uma parada total do tráfego às 4h50, com uma contagem regressiva pelo rádio até 5h00.

O limite de velocidade nas áreas urbanas foi temporariamente baixado de 50 km/h para 40 km/h após a mudança. E a maioria dos carros já tinha volante no lado esquerdo, de modo que não foram necessárias mudanças neles.
  
Custo

Em 1969, o governo inglês calculou que custo para fazer a mudança seria de £ 264 milhões – cerca de £ 3,4 bilhões hoje (equivalente a R$ 10,2 bilhões). Mas esse custo seria visto hoje como uma estimativa bastante conservadora. “Desde aquele tempo, a malha rodoviária e o nível de sua sofisticação e infraestrutura de controle cresceram enormemente”, diz uma porta-voz pelo Departamento de Transportes.





As diferenças entre os dois tipos de mão, esquerda e direita, respecticamente, podem ser melhor vistas acima. Inverter é mesmo complicado (Wikipedia)

Custos adicionais incluiriam inversão do lado das portas de todos os ônibus e alteração das entradas e saídas das auto-estradas e dos sistemas de controle de tráfego.  “Acidentes provavelmente aumentariam, e o custo atual de uma fatalidade é de £ 608.580” (R$ 1,825 milhão), diz ela. ”Isto pode ser verdade especialmente para motoristas idosos,  menos capazes de se adaptar às mudanças”.

O veredicto

A República da Irlanda, que já mudou as placas das estradas de milhas para quilômetros, chegou a considerar esta mudança de lado da mão visando uma maior integração européia, quando um partido político pró-Bruxelas, cidade-sede da União Européia, o sugeriu. Mas foi prontamente rejeitado.

“Quando a questão foi aventada, foi seguida pela pergunta “Isso é mesmo necessário?”, e a resposta para ela foi um sonoro “Não”, diz Sean O’Neill, do Departamento Nacional de Estradas da Irlanda. “Se isso fosse necessário ou se o Reino Unido já o tivesse feito, nos deixando como um dos últimos países europeus que dirigem do lado esquerdo, talvez pensássemos diferentemente.”

Para um país significativamente maior, como o Reino Unido, com uma malha rodoviária relativamente mais desenvolvida, o desafio deveria ser ainda maior. O receio imediato seria caos viário e muitos acidentes, diz Philip Gomm, da Fundação RAC (Royal Automobile Club).

Uma vez que qualquer mudança teria de ser instantânea, e as estradas do país nunca estão vazias, apenas menos congestionadas – a Inglaterra tem algumas das mais congestionadas estradas da Europa – como seria possível fazer todos passarem ordeiramente para o outro lado da via?

“O conceito todo é confuso. Seria um pesadelo logístico envolvendo gigantesca educação pública, vasta soma de dinheiro gasto e um número colossal de pessoas trabalhando nisso – e tudo só para ficarmos iguais aos franceses."

“Assim, provavelmente o melhor conselho para alguém que esteja pensando num esquema desses é: 'Esqueça. Se não está quebrado, não precisa consertar'”

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A questão da mão de tráfego

Vale lembrar que a divisão direita/esquerda de mão de tráfego surgiu na era pré-industrial, os cavalos se mantinham na esquerda para que os cavaleiros pudessem usar suas espadas com a mão direita. Foi Napoleão quem mudou a Europa para a direita. Os Estados Unidos acompanharam a França. Mas os ingleses influenciaram a Índia, Paquistão, Austrália e a República da Irlanda. De quebra, Argentina, Paraguai, Uruguai e até o Japão. Mas esses três países sul-americanos passaram para tráfego à direita em 1945.

E o Brasil? Não havia regra definida a esse respeito até 1928, quando passamos para a mão direita.

BS

(Atualizado em 21/03/13 às 11h10)





75 comentários :

  1. Acho que em Portugal também era mão pela esquerda.

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  2. No Brasil seria fácil e simples. Brasileiro adora dirigir no lado esquerdo da via, hehehe...

    Quando a Suécia mudou em 1967 foi mais simples, devido ao menor número e também a menor velocidade dos veículos.
    Mesmo assim, acredito ser viável e interessante a mudança no Reino Unido.

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    1. Detalhe interessante foi que na noite da "virada" da mão de direção organizaram um show da banda sueca ABBA, famosíssima à época, que foi transmitido ao vivo para o país inteiro.

      Tudo isso pra evitar que as pessoas saíssem com seus carros, diminuindo assim o número de acidentes. Criativo, não?

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    2. Caramba, interessante essa informação do show. Queria que as "cabeças pensantes" daqui do Brasil tivessem criatividade similar.

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    3. Lorenzo Frigerio21/03/13 04:30

      Marcos, tem certeza que era o ABBA, mesmo? Essa banda só começou a ser conhecida no meio dos anos 70. Em 67, deviam ainda estar na escola.

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    4. Esta informação está na página da Wikipedia em sueco. E eu já tinha lido em português em algum lugar...

      Procure por Dragen H na wikipedia.sw

      Abraço,

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  3. Na província japonesa de Okinawa, houve 2 inversões: até 1945, era mão inglesa. De 45 a 71, francesa. Isto porque neste período, a província esteve sob domínio americano. Contam os mais velhos, que em 1971, quando a província voltou a ser administrada pelo Japão, as pessoas dormiram, e ao acordarem já estava tudo invertido. Os onibus foram todos trocados por outros, com as portas a direita. Mas, ainda há problemas daquela época: num antigo prédio, a rampa de acesso foi feita para mão francesa. Ao inverter-se a mão da via, a rampa continuou como antes. Resultado: a visibilidade para sair ficou péssima, e o carro em que eu estava como passageiro, colidiu com outro na rua.
    Outro lugar que é estranho é Hong Kong, ex colonia inglesa. Ao pegar um translado do aeroporto de Hong Kong para a cidade de Shenzen (na China é mão francesa), é necessário trocar de veículo logo após a fronteira.

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    1. Outra coisa que acontece no Japão é que brasileiro não pode dirigir lá sem fazer uma CNH de lá. Carteira internacional lá não vale. Dizem que é por causa da mão inglesa.

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    2. A CNH brasileira nao e' aceita no Japao simplesmente porque nao ha reciprocidade, o Japao nao foi signatario da Convencao de Viena e nao reconhece a permissao internacional para dirigir.

      Africa do Sul, Reino Unido, Irlanda, Zimbabwe, Namibia, Nova Zelandia - todos utilizam mao inglesa e reconhecem a CNH brasileira.

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  4. Em algumas coisas já começamos certo, como a mão de direção e o sistema métrico. Ainda bem!

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    1. Oh...mas fala baixo, se nao, o pessoal lá de cima consegue estragar!
      Jorjao

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  5. A 40 anos atrás, quem conduzia um veículo era mais obediente e educado, a frota era muito menor e havia mais policiamento nas vias. Já vi cidades que inverteram apenas o sentido do fluxo em suas ruas, onde era mão virou contra-mão e vice-versa, foi um caos. Teve que manter a guarda mirim nas esquinas por quinze dias sinalizando.
    Por outro lado vi esse processo em Itatiba-SP e a população se comportou de forma ordeira e educada. A sinalização foi um primor e mesmo de madrugada ninguem vandalizava com os cavaletes. Lá tinha um radialista muito popular que gostava de dar conselhos para um trânsito melhor. Ele convenceu muitos motoristas idosos a trafegarem sempre com o farol baixo aceso, mesmo dentro da cidade. Ou seja veja e seja bem visto. Isso em 1999. Nos tempos atuais, vai ser difícil. O condutor mediano hoje olha mais pra seu celular que pra via.

    Luiz CJ.

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  6. Seria bom se a Inglaterra mudasse de mão de direção ,mas inglês é enjoado ,querem ser diferentes, como por exemplo gostam de usar a medida de polegadas para tudo ,abraço.

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    1. Lorenzo Frigerio21/03/13 04:32

      Falando em medidas imperiais, os americanos são até piores.

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    2. Ingleses e americanos são do contra.
      Falando mais sério (não foi brincadeira o parágrafo anterior), não vai ser mudando a mão que vai melhorar o trânsito no Brasil.

      João Paulo

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  7. Eu sou totalmente a favor.

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  8. Bob, tem a questão dos faróis assimétricos também, que são invertidos de acordo com a mão de direção. Aqui no Brasil, eles iluminam acima da linha de visão do motorista o lado direito da estrada, de forma a facilitar a visualização da sinalização. No Reino Unido é o contrário, o facho sobe para a esquerda. Usar os faróis "trocados" colocaria a luz na cara de quem trafega no sentido contrário, pois ele está onde quem projetou o farol considerou que haveria uma placa.

    A título de informação, em St. Thomas, nas Ilhas Virgens Americanas (Caribe), trafega-se pela esquerda, como no reino unido, mas os carros têm volante à esquerda. Comentei que achei estranho e um motorista nativo me disse que preferia assim porque, no caso de uma batida em pista dupla, bateria o lado do passageiro, não o dele.

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    1. Carros vindos do Méxicu como o Fusion vem com faróis simétricos.

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    2. Antônio Martins20/03/13 14:24

      Nesse primeiro caso teria que todo mundo colcoar aqueles adesivos comuns na europa para tampar a rampa que sai da horizontal do facho.

      Essa solução de St. Thomas é melhor do que obrigar mudar o volante na marra: http://www.jalopnik.com.br/pero-donde-esta-el-volante/

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  9. Bob, na primeira placa, "Drive on left on monday, on right on tuestay" a legenda está como domingo e terça mas seria na segunda e terça.

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    1. Hugo,
      Puxa, é mesmo, que mancada! Obrigado pelo alerta, já corrigi.

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    2. Já estava certo. Monday é segunda e Sunday é que é domingo.

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  10. Antônio Martins20/03/13 14:12

    A vantagem é que os que alugam a faixa esquerda sem estar ultrapassando, passariam a estar no lugar correto com a mão invertida...

    Uma coisa que suspeito ser o motivo dos carros americanos serem obrigados a faróis simétricos é, em alguns momentos, assim como ocorre aqui (Art 29, I, do CTB), poder ocorrer exceções à mão direta. Veja um exemplo: http://goo.gl/maps/cBqIt

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  11. ^Bem lembrado, Carlos. Num Top Gear de uns bons anos atrás o Clarkson cita isso ao dizer do porque tinha posto fita isolante em alguns pontos do farol do carro. Aparentemente o manual contém esse tipo de informação.
    Sobre o Reino Unido: a questão do custo dos automóveis é relativamente discutível, pois todo projeto global que se preze nos dias de hoje já leva em conta a possibilidade de direção nos dois lados. Isso é muito fácil de se ver em veículos comerciais, como a Sprinter. Por serem bem menos preocupados com conforto e acabamento, o painel é simétrico, de forma que pode comportar tanto a coluna de direção como um porta-luvas ou airbag. Então no fim, acho que seria como a Irlanda concluiu: algo desnecessário. Afinal, o único problema real é quando se dirige um carro na mão contrária à que ele fora projetado para usar, mas aí cabe aos motoristas nessas situações se adaptar.

    PS- esse problema da rotatória eu experimentei na pele. Fiz uma longa viagem pela França e ao chegar nas Ilhas Guernesey aluguei um carro, volante na direita. Tudo ia melhor do que imaginava até que topei com uma rotatória e entrei do lado errado, por força do hábito. Por sorte não tinha mais ninguém na rotatória (talvez uma das coisas que tenha permitido meu erro...) e eu entrei na primeira rua que dava mão para sair dali logo. Mas foi um susto!

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    1. Coisa parecida ja aconteceu comigo ... Mas nao foi qualquer rotatoria, foi a MAGIC ROUNDABOUT : http://www.premierfootballbooks.co.uk/images/attractions/magic_roundabout.jpg

      Se vc consegue dirigir nela, vc nao tem mais problema em lugar nenhum :D

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  12. Só acrescentando à informação do último parágrafo, Napoleão era canhoto e por isso trafegava com seu cavalo pela direita. Quando conquistou quase toda a Europa, fez esse ser o padrão a ser seguido, o que foi veementemente negado pelos ingleses, que consideraram o trafegar à esquerda uma questão de honra. Por isso permaneceu a "mão inglesa" na Grã-Bretanha e nos países sob sua influência.

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    1. Acredito que "mao inglesa" continuou a ser usada na maior parte das ex-colonias em virtude de conveniencia.

      Observando bem, a maioria dos paises que mantem a mao inglesa esta isolado (geralmente sao ilhas - Reino Unido, Irlanda, Australia, Nova Zelandia, Japao) ou estao concentrados em uma mesma regiao (sul da Africa, ex-colonias inglesas na India).

      O Canada foi um dominio ingles ate a decada de 1960, entretanto converteu para a mao francesa na decada de 1920, com a finalidade de facilitar o trafego de fronteira com os Estados Unidos.

      O caso de Portugal e' curioso pois utilizava a mao inglesa ate a decada de 1920, quando converteu para a mao francesa. Contudo, varias de suas ex-colonias hoje mantiveram a mao inglesa, caso de Mocambique e Macau.

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  13. Uma vez assisti a uma entrevista do Rubinho, falando sobre sua adaptação à mão inglesa quando ele se mudou para a Inglaterra. Disse que batia a cabeça na coluna B toda vez que ia dar a ré. Segundo ele, ganhou até alguns "galos" na testa. rsrs

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    1. Engraçado também foi ele discutindo com o Clarkson, pois o inglês dizia que dirigia no "right side" (um trocadilho), e o rubinho disse que eles dirigiam no "wrong side"... rs

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  14. Bob no Brasil existe mudança de sentido de circulação na fronteira de Roraima com a Guiana. Deve ser uma confusão. Como enxergar para ultrapassar com segurança? rs
    Tenho uma duvida. Em países que o sentido é trocado, o lado do motorista dentro do carro também é. Logo como fica o cambio quando manual? Mantem do jeito que é a posição das marchas?

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    1. Sim, a posição das marchas, e dos pedais, é a mesma.

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    2. Até onde me consta tudo permanece igual, da posição dos pedais (embreagem a esquerda, freio no meio e acelerador a direita), posição das marchas (1ª e 2ª para a esquerda, 3ª e 4ª no meio e 5ª para a direita) bem como também a posição das alavancas de seta e limpadores de para-brisa na coluna de direção.
      Me corrijam se falei bobagem.

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    3. Tirando a posição do volante, tudo permanece a mesma coisa, não faz sentido em alterar a posição das marchas e dos pedais.

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    4. Minha duvida era só com a posição das marchas mesmo.
      Obrigado.
      Abs

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    5. Pelo menos no Japão, as posições das alavancas de seta e limpadores de para-brisa são invertidas. Alavanca de seta à direita e de limpadores à esquerda. Não sei se é assim também nos outros países de mão inglesa.

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  15. Se o Reino Unido tivesse feito isso em 1960, óbvio, teria sido melhor para eles.
    E provavelmente os outros países de mão inglesa os teriam seguido.
    Agora a inverção fica cada vez mais difícil e, o que mé pior para todos eles, provavelmente munca mais acontecerá.
    O lugar certo do volante é no lado esquerdo... he he

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    1. Já os ingleses acham que nós é que dirigimos do lado errado... he he

      Discussão do tipo quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?

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  16. O país que eu realmente lamento utilizar mão inglesa é o Japão. Acho que nem preciso explicar por quê né?

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    1. Adriano20/03/13 14:41 A Austrália utilizar também é curioso.

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    2. Se não me engano, Japão usa mão inglesa por causa dos samurais: eles colocavam a espada do lado esquerdo do corpo e quando eles andavam na estrada como se fosse mão francesa a espada de ambos acabava se tocando e isso era um sinal que queria duelar até a morte. Assim imagina o tanto de samurai que morreu por um esbarrão sem querer. Assim inverteram a mão.

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    3. A chefe de estado da Australia e' a Rainha Elizabeth II: seria curioso se a Australia nao utilizasse a mao inglesa.

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  17. O Milton Belli postou um artigo aqui sobre o lendário Burt Munro, que aliás me fez alugar o ótimo filme sobre sua história com o Anthony Hopkins. Em um trecho do filme o neozeolandes dirige pela primeira vez na mão francesa (ou americana, ou brasileira, enfim, o contrário da mão inglesa) e barbariza, levando o dono do veículo, no assento do passageiro, ao desespero. Assim que o carro pára o dono diz, bravo:
    - Preste atenção, aqui ou em qualquer lugar do mundo, o motorista vai fica no meio da pista, nunca no canto!

    Boa dica. Mesmo pelo filme dá para perceber que a confusão é quando se vai fazer uma conversão.

    Eduardo Trevisan.

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  18. Jessé Júnior20/03/13 15:48

    Bob, ano passado estive na Mongólia e lá existem carros com direção do lado esquedo e direito - uma loucura. Ninguém soube me explicar qual o critério para a aquisição de carros de um jeito ou de outro, mas é estranho.
    Outra coisa: Tenho observado um vício DA MAIORIA dos brasileiros que na minha opinião é responsável por grande parte dos acidentes e dos nós que se formam no nosso trânsito: As pessoas quando vão convergir, num cruzamento que forma uma esquina de 90 graus, por exemplo, não fazem a conversão propriamente dita contornando o meio do cruzamento, como se ali houvesse um "poste imaginário!". Elas simplesmente começam a virar muito antes, "cortando" o cruzamento, buscando a tangente da curva. Esse procedimento é absurdo e passa despercebido, muito embora por instantes haja verdadeira invasão da contramão de direção. Será que consegui expressar o que queria? Abraço!

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    1. Jessé Junior,

      Pensei que era o único que reparava nisso e me incomodava. Já que sempre fiz cruzamentos sem sinalização do jeito que considero correto: Ligando a seta, parando o carro (ou se não houver tráfego reduzindo bastante), e virando 90 graus.

      Não sei em outros lugares, mas aqui no Rio o que mais vejo são os "aspirantes a piloto" tangenciando a curva ao virar em uma esquina ou cruzamento, sem sequer reduzir a velocidade. Alguns quase acertam o meio-fio no lado interno da curva. É surreal.

      Quase em frente a minha casa tem um cruzamento onde isso acontece direto, com uma rua de mão dupla cortada por uma mão única. Frequentemente acontece de 2 "pilotos" vindo em sentidos opostos querendo convergir ao mesmo tempo, os 2 tangenciam a esquina como se estivessem num GT e já viu. Freadas bruscas e batidas constantes. Também dá m quando o "piloto" entra enquanto tem um carro saindo de uma garagem ou de uma vaga próximos a esquina.

      O Brasil realmente precisa de uma campanha de conscientização de direção defensiva. Quem faz esquinas desse jeito provavelmente nunca ouviu falar nisso.

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    2. Jessé Júnior20/03/13 16:53

      Pois é Adriano, venho observando isso a bastante tempo e sempre que vejo um acidente nessas circunstâncias, o que é muito comum, me pergunto se alguém identificou que o "complexo de piloto tangenciador" é (se não o culpado) um dos maiores responsaveis pela lambança. Já aconteceu comigo, pasmem: dou seta, vou até o meio do cruzamento e inicio a conversão a 90 graus, quando sou "ultrapassado" por alguém que me acha um trouxa por fazer o certo e SE ACHA o PILOTO por conseguir uma tangência perfeita e quase bater de frente com quem vem no sentido perpendicular. Com o nível de formação de nossos "pilotos", difícil que haja uma melhora nas coisas.

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    3. no Brasil, pelo menos 95% dos motoristas precisariam passar por um processo severo de reeducação e conscientização quanto as suas atitudes no trânsito.

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    4. Lucas dos Santos20/03/13 19:33

      Jessé Júnior,

      Você conseguiu se expressar perfeitamente. Quando eu estava na auto escola, há pouco mais de um ano atrás, isso era a coisa mais cobrada pela minha instrutora! Eu levei algum tempo para aprender, mas raramente vejo alguém seguir essa "regra" no dia-a-dia.

      Não sei se as outras auto escolas também cobram isso - acredito que sim, pois "fazer conversões com imperfeição" tira pontos no exame do Detran - mas o fato é que poucos motoristas se habituam a fazer conversões corretamente, o que é lamentável.

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  19. Na inglaterra até seja possivel, mas no Brasil nem pensar...aqui volta e meia modificam uma rua de mão dupla para mão unica e teve até morte...mistura de imprudência com má sinalização...

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  20. No Brasil é proibido o uso de carros com volante do lado direito?

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  21. hehehehe... me lembrei de uma novela (não lembro qual) em que o prefeito metido a besta resolveu implantar a mão inglesa na cidade. Foi a maior quizumba.

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    1. Em Londrina (PR) até que faria sentido.

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    2. "A Indomada" o nome da novela, "Greenville" o nome da cidade e "Ypiranga Pitiguary" o nome do prefeito, interpretado pelo brilhante Paulo Betti.

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    3. Em Londrina tem outro problema, no centro da cidade muitas ruas são mão única e o estacionamento é na esquerda, então temos carros lentos nas duas faixas, além da lentidão por sempre ter algum motorista procurando vaga no lado esquerdo, muita gente trem dificuldade em estacionar do lado contrário.

      Cristiano

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  22. Muito interessante, Bob. Você respondeu, ao final do texto, a pergunta que me veio à cabeça durante a leitura, a respeito da origem dessas diferenças de mão de direção. Pois então, uma coisa é Samoa, muito menor, e numa época de menos tráfego, e outra é o Reino Unido hoje em dia.

    De fato, seria um pesadelo logístico.

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    1. Luiz, a explicação está incompleta, veja só…

      Para um cavaleiro destro cuja espada está a sua esquerda, para subir em seu cavalo o mais fácil é ele estar sobre uma calçada certo?

      Daí é só colocar o seu pé esquerdo no estribo e passar a perna direita sobre as ancas do cavalo e assim em relação a posição inicial na calçada a cabeça do cavalo estará à esquerda de quem o monta e com isso temos a mão inglesa, onde o lado de desembarque e a faixa de menor velocidade é a esquerda não à direita como no resto do mundo.

      Agora, porque então o motorista se senta no lado oposto ou seja, na mão inglesa o motorista se senta à direita e aquí, o motorista se senta à esquerda?

      Os cocheiros sempre tentavam sentar-se o mais distante da calçada, para que as chibatadas dadas nos cavalos não pegassem em algum transeunte inocente!

      Eu já dirigí (e quase batí) na mão inglesa e mesmo tendo apanhado na hora de encarar uma rotatória confesso que em minha humilde opinião eles estão certos e nós errados e sabe por que?

      A maioria das pessoas são destras e portanto cabe à nossa melhor mão fazer o que é o mais importante, que seria guiar o carro e não trocar as marchas e é por essa razão que um canhoto chamado Senna levava vantagem numa pista exigente como Monaco, numa época onde os bólidos usavam a troca de marchas na alavanca e no seu carro ela ficava à direita o que liberava a sua mão forte para guiar enquanto a fraca se encarregava de efetuar as centenas de trocas de marchas que a pista exigia.

      Ah, e se não me engano os suecos guiavam na mão inglesa usando carros com volante do lado esquerdo e me parece que o índice de acidentes era altíssimo, o que levou a mudança para a mão francesa e talvez por isso que seus carros são tão focados em segurança!

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    2. Agora uma dica que eu lí é a de que para sempre se dirigir de forma correta, independentemente da mão em que se encontre, é só ter em mente uma coisa:

      O MOTORISTA DEVE SEMPRE ESTAR PRÓXIMO AO CENTRO DA VIA

      Aí não tem como errar!

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    3. ... também conhecido como "alugar a esquerda".

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    4. Caro anônimo,
      No post estamos falando de dirigir na mão inglesa então a faixa da esquerda, ao contrário do que você diz, é a mais lenta.

      Apenas disse caso você não tenha entendido que para se situar na mão inglesa numa rua de duas mãos, se você sair dirigindo como aquí, mais cedo ou mais tarde você vai dar de frente com um "Double Decker" pela frente, só isso...

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  23. Bob, existe alguma lei que impeça a circulação/importação/emplacamento de carros com o volante no lado direito no Brasil?

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    1. Não. Só que além de complicado, pode ser perigoso. Imagine numa ultrapassagem, você fica totalmente sem visão da pista contrária pois está mais distante do centro da rodovia.
      Aqui no RS conheço um Mini ano 1980, importado recentemente, com volante à inglesa, documentado e vistoriado normalmente.

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    2. Acho esse problema pode ser facilmente resolvido com uma câmera posicionada do lado esquerdo do carro e uma pequena tela de no painel, como se fosse uma câmera de ré, só que ligada o tempo todo.

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  24. No Brasil até 1928 cada Estado tinha sua própria mão de direção. O Paraná, por exemplo, circulava pelo lado esquerdo e teve de se adaptar à nova lei.

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  25. Samoa mudou do lado direito (onde dirigiam) para o lado esquerdo (por onde dirigem seus vizinhos e principais fornecedores Austrália, Nova Zelândia e Japão), e não o contrário como diz o texto.

    http://en.wikipedia.org/wiki/Right-_and_left-hand_traffic#Samoa

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    1. Anônimo 20/03/13 19:40
      Você tem razão, foi ao contrário, de mão direita para mão esquerda, algo inusitado. Valeu como informação e correção, mas o teor da matéria permanece válido, trata-se dos aspectos da mudança de mão. Agradeço o interesse.

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    2. Interessante notar também, Bob, que a maioria das ilhas dirige pelo lado esquerdo da via (Japão, Nova Zelândia, Austrália, Grã-Bretanha, etc)

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    3. As ilhas ex-colonias britânicas é natural que tenham adotado mão inglesa. O estranho é o Japão também ter adotado, já que durante a modernização da era Meiji o "modelo" adotado para quase tudo era o prussiano, ficando a influência inglesa mais para o setor naval. Talvez tenham mesmo adotado a "mão inglesa" já nos tempos dos samurais, como comentaram acima...

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  26. Bem, Samoa talvez seja uma ilha minúscula com uma frota pífia. Talvez a mudança tenha sido aceitável e até mesmo elogiada, mas mudar esse tipo de coisa num país continental como o Brasil certamente seria a maior das utopias.
    A frota da Grã-Bretanha já me parece grande o suficiente para justificar a negativa a esse tipo de mudança. Aliás, sempre achei justo que a mão inglesa seja utilizada em ilhas, já que dificilmente os carros dessas nações serão levados para outras e vice-versa. A Grã-Bretanha até pode ser uma exceção, mas ninguém levaria um carro de outro continente para utilizar na Austrália (e nem o oposto).
    Essa prática de cobrir partes dos faróis com fita isolante só funciona nos antigos faróis com lentes complexas, nos atuais de lente lisa não há como, neste caso o que muda são os projetores internos.
    O Uruguai utilizou a mão inglesa se não me engano até o fim da Segunda Guerra, me lembro que quando estive lá em 1991, ainda não era muito difícil de se ver alguns Fordinhos com volante à direita em pleno uso.
    Esse post me lembra aquele do ônibus articulado com monoposto central... Pelo menos eliminaria esse problema.

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  27. Sou contrário a estes modos de uniformização. Já vivemos num planeta extremamente uniformizado culturalmente, com o domínio da civilização europeia. E já somos formados pela sociedade tecnocrática e científica pós-revolução industrial, a mesma que criou estes brinquedos que ficamos aqui neste blog a adorar.

    Deixem as mãos onde elas estão. Afinal, desde a primazia da relatividade tudo depende do ponto de vista. Até mesmo o que é esquerdo e direito. Viva as diferenças!

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  28. Bob, há um equívoco no texto, Samoa trocou a mão de direção em 2009, no texto dá a entender que eles estão trocando agora.

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  29. torres
    Exato. Acabei de atualizar todo o texto. Agradeço sua colaboração.

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  30. Os ingleses não vão abrir mão de sua mão inglesa "para ficarem parecidos com os franceses". Mas ia ser uma boa, já que sumiriam os displays no centro do painel...

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  31. Bob, eu já li, não me lembro aonde, mas já faz algum tempo, que na Argentina também houve mudança na mão da direção. Tanto que aqui no AE também já li acho que em um post do Arnaldo, que realmente tal mudança aconteceu.
    A diferença é que esse evento aconteceu na época da ditadura militar de lá, bem como, na época, tanto o trânsito quanto o volume de veículos eram muito menores.
    Vou pesquisar mais à respeito e te mando os links.
    Tallwang

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    1. Pesquisei rápido e achei aqui no Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Sentido_de_circula%C3%A7%C3%A3o#Argentina

      Tallwang

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    2. A matéria completa está aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Sentido_de_circula%C3%A7%C3%A3o

      Tallwang

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  32. imagino que diminuiriam as mortes em colisões frontais em pistas simples, já que o choque se daria no lado do passageiro e como sabemos a grande maioria roda sozinho, claro que levando esposa e/ou filhos essa vantagem é de dar arrepios.....
    pode ser que meu pensamento é um absurdo, mas reparei que nos "crash test" a colisão é direcionada ao motorista

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