UM CONTO



Foto: dyiforums.net

Os amigos AA e BB pararam em frente à banca de jornal. Haviam sido capturados pela foto de um Charger R/T na capa de uma revista exposta.

A foto era simples, mas conseguira sintetizar uma boa parte da essência desse carro nacional que fora tão injustiçado e desprezado por muitas pessoas durante muito tempo, sendo várias vezes comprados em “vaquinhas” ou cotas entre amigos, por valores individuais que mal ultrapassavam o de duas calças jeans da moda.

A publicação mostrava um exemplar restaurado, bonito demais, de 1972, ano em que AA e BB eram meninos pequenos ainda, muito antes da adolescência, quando os interesses entram num turbilhão de sentimentos atabalhoados dessa fase da vida.

— Você acredita que os carros tenham vida? perguntou AA.

BB, naquele comportamento que lhe era peculiar, soltou um grunhido, mas foi rapidamente completando com palavras:

— Eu sei lá, só sei que o carro é muito bonito, muito bacana mesmo.

AA não era adepto de muita adoração a carros, digamos, excessiva adoração. Era, sim, um entusiasta de ficar tempos e tempos olhando para o carro, analisando detalhes, não apenas de estilo, de desenho, de enfeites. Passava ainda mais tempo com as peças que mantinham a máquina andando, freando, fazendo curva, queimando gasolina. Era absoluto adorador de montagens bem feitas entre peças e sistemas, um fanático por partes ou conjuntos de componentes que permitissem em caso de necessidade, ser facilmente removidos, reparados e remontados sem danos, ou sem ter que trocar peças como vedações, juntas e retentores.

Quando uma revista, livro ou matéria de televisão só mostrava as partes normalmente visíveis dos carros, sempre soltava um impropério. Precisava ver as entranhas, dentro do cofre do motor, debaixo do assoalho, as peças dos freios, das suspensões. Mas na mídia só se falava e mostrava o “bonitinho” , o colorido e o eletrônico, as luzinhas. Pobreza intelectual plena, pensava AA.

Os carros preparados para provas de rali, que destroem peças como crianças comem pipocas, eram seus favoritos, já que todas as modificações feitas a partir do carro fabricado para as ruas era pensada com foco na manutenção rápida. Era normal trocar uma transmissão acoplada ao motor em quinze ou vinte minutos, incluindo aí a embreagem. Discos e pastilhas de freio em cinco minutos, radiadores em sete, e por aí afora.

BB não ligava muito para isso. Dizia que já passara sua época de mexer em carros ele mesmo, que só precisava era de um mecânico bom e que cobrasse preço justo. Até mesmo para trocar lâmpadas ele não se incomodava em deixar seu carro de uso pessoal para alguém fazer. Só exigia que o serviço fosse bem feito. Mas ele gostava muito de um outro lado, o de entender de onde veio cada carro, cada conceito de projeto. Apreciava muito saber como era a pessoa que havia tido determinada idéia, prestando especial apreciação aos que pensavam fora dos padrões normais de aceitação do grande público consumidor.

E AA disse:

— Bom, se os carros não têm vida, como pode ser que um carro bem cuidado pelo dono pareça sempre mais feliz ao passear por uma bela estrada do que o tratado apenas por mecânicos e lavado apenas em lava-rápidos?

— AA, você está louco, viajando forte. Carro é só uma máquina que precisa de manutenção. Quem a executa não interessa. O carro não sabe isso, pô! Como pode um carro ficar mais ou menos feliz?

— Não acredito BB. Não mesmo. Meus carros sempre funcionaram melhor nas fases da minha vida em que eu tinha tempo para fazer as manutenções básicas, os consertos pequenos que sempre são necessários depois de um tempo de vida, e até de lavar toda semana. Mesmo que fosse uma lavadinha rápida só para tirar a poeira. Depois que o tempo ficou escasso, nunca sinto um funcionamento perfeito quando dirijo. Sempre tem algum detalhe me incomodando, algum aviso do carro para mim, pedindo atenção. Ele parece sentir que não está sendo bem tratado pelo dono.

— É porque você tem mania de não comprar carro zero-quilômetro, e fica pegando carro que gente ruim usou antes. Carro onde não se conserta nada é que funciona mal.

— BB, se liga camarada. Eu já comprei dezenas de carros usados, e quando conseguia eu mesmo cuidar bem deles, sempre funcionaram como relógios suíços e nunca me deixaram a pé.

BB ficou quieto, mas pensava que o amigo estava realmente maluco.

Mas AA era teimoso, mais do que o saudável socialmente falando, e seu gosto em fazer tudo que estava a seu alcance nos carros de casa era o que mais importava. Ele somava o conhecimento que foi adquirindo com a satisfação de conhecer detalhes dos carros que teve e em que trabalhara, para desarmar qualquer engraçadinho que proferisse frases atestando uma pretensa prática em manutenção caseira de veículos. Era no entender de muitos um chato, desmanchando o prazer dos falastrões que se auto promulgavam especialistas. Chegava a incomodar mecânicos profissionais, principalmente aqueles que adoravam usar marretas para remover peças.

E BB, um cara paciente e seu amigo, tocou em outro ponto sensível.

— AA, você não tem vontade de comprar um carro novo e parar de sujar as mãos e a testa de graxa e óleo todo final de semana ?

— Tenho, claro. Carro novo é uma delícia. Mas se eu só tivesse carro novo, usaria como o computador de casa, que nunca abri para ver o que tem dentro. Seria só um usuário. E usuário me lembra drogado. BB, deixa eu com meus carros velhos. Pelo menos eu sei ver se tem água no radiador, não preciso ficar abrindo o capô no posto e expondo a intimidade da família para os desconhecidos.

— AA, chega por hoje. Você é tão esquisito que eu me sinto até normal!

JJ













74 comentários :

  1. Pois é verdade. Quem tem carro velho acaba entendendo de mecanica. É praticamente obrigatório, senão qualquer mecânico faz o que quiser nos nossos carros e depois só mandam aquela conta insensata. Isso quando não fazem bobagens.

    O que eu posso fazer no meu carro eu faço... o que eu não sei, eu acompanho de perto o serviço do mecânico.

    Se carro realmente tem vida, o meu sabe que eu gosto dele :)

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  2. Só não fazia a manutenção toda do Clio por falta de espaço, que por sua vez leva a falta de ferramental por não ter onde colocá-lo.

    Agora que o Ka é 0km, me restará o Fit para fazer afagos mecânicos.

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  3. Jackie Chan12/07/12 12:21

    Eu sou como AA, mas não somente com carros.

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    1. Eu te entendo, meu amigo. O difícil é a ressaca.
      Alcoolatra Anonimo

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  4. Para o amigo que disse que carro tem vida! Vejam e depois me digam se ele não em razão!

    http://www.youtube.com/watch?v=3rv2-DYgzcY

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    1. Gabriel,
      bela dica. Nunca tinha visto esse comercial. Gostei muito mesmo. Obrigado.

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  5. Meu comentário no post anterior do AK caberia aqui também. Sei lá se carro tem alma. Racionalmente não podem ter, mas emocionalmente às vezes me convenço. Fica meio aquela discussão de crente versus ateu. Não vamos chegar a lugar algum no final das contas e ninguém convence ninguém. JJ, vc e o AK tão pegando pesado ultimamente, muito bacana. ISSO é coisa de entusiasta. Parabéns!

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    1. Adlei Brex,
      obrigado. É bom pegar pesado assim !

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    2. Acho que um carro tem tanta alma quanto lhe for dada.
      Adlei, você ainda não assistiu, sugiro o documentário "Love the Beast", com o ator Eric Bana levando o seu primeiro carro, pelo qual tem grande carinho, para disputar a Targa Tasmania. Agora não me lembro quem dá o conselho que me fez chegar a essa conclusão, mas é o seguinte: "Nunca corra com o seu carro". Se for pra ferir, bater ou destruir um carro, que seja um com o qual não se tem apego emocional.
      Aí que ficou claro, um carro popular pode ter tanta alma quanto um italiano esportivo, quem define isso é quem lhe empresta parte da sua própria alma ao carro.

      Abraço!
      Juan Caesso

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    3. http://www.youtube.com/watch?feature=endscreen&NR=1&v=dhuJc5fA8tQ
      Adendo da parte do documentário que citei.
      Perceba quanto sentimento o ator possui pelo seu carro.

      Juan Caesso

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    4. Juan, tenho o filme aqui em casa e confesso que em determinadas cenas uma teimosa lágrima cisma de pular. Legítima história onde a vida do dono se funde com o carro. Dá pra ver a cara de tristeza do Eric quando o Jay Leno toca no assunto, principalmente ao lembrar que o carro está parado sem conserto há mais de 1 ano. Sei que é estranho, mas meu carro ocupa o lugar de um bicho de estimação querido.

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    5. O filme "Love The Beast" é fantástico, tirando a parte em que o pobre Falcon é destruído no acidente, claro... Nesse momento, na primeira vez que assisti, algumas lágrimas rolaram pelo rosto. Assisti o filme justamente após ler sobre o dito cujo aqui no AE.

      Mas apesar do risco que sempre existe em competir com o próprio carro, nada se compara à emoção de se correr com o carro amado. É como se o carro fosse uma extensão nossa. Uma das minhas frustrações foi não ter podido correr em Interlagos com meu Caravan. Quando descobri sobre o rali do Jan Balder, já tínhamos nos separado a quase dois anos.

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    6. Road Runner, com certeza iria arrancar suspiros dos admiradores a Caravan em Interlagos, voce poderia contar com a minha torcida.
      Mas tem um conceito de corrida que realmente me interessa, é o ChumpCar e 24h of LeMons. Quem sabe eu não faça um turismo automobilistico até os EUA um dia desses. Carros velhos e baratos, automobilismo acessível e descompromissado, muita diversão, sem dó de descer a lenha, enquanto o carro aguentar.
      http://www.24hoursoflemons.com/
      http://www.chumpcar.com/

      Juan Caesso

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  6. Eu tbm sou como esse AA, mas eu tbm mexo em meus computadores.

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    1. Lucas,
      também abri algumas vezes o velho PC de casa, para colocar mais um HD, mais memória, essas coisas básicas. Mas não entnedo nada daquilo.

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  7. Eu concordo com AA... Eu acredito que carros tem vida sim... Eu gosto de fazer o que está ao meu alcance no meu carro. A unica hipótese do meu carro ir num lava jato é quando quero lavá-lo por baixo e mesmo assim eu combino qual será o produto aplicado e somente é lavado por baixo e mais nada...

    Fico vendo nos lava-rápidos dos postos de combustíveis os proprietários que submetem seu carro aquele espuma cheia de areia, terra e tudo mais que está naquele balde com aquela água mais sua que seu carro e o cidadão passa aquela espuma riscando o carro, machucando sua pintura tão perfeita... que dó que dó

    Uns possuem carro outros apenas meio de locomoção...

    Possuir um carro vai muito além de colocar combustível e rodar quilômetros... Possuir um carro é saber o que tem debaixo o capô, e preocupar com as revisões preventivas, é sentir prazer ao lavar o carro num sábado de manhã só para desfilar com o mesmo no anoitecer, e sentir-se realizado com ronco do motor, com a troca suave das marchas, com o freio sempre esperto e principalmente ver que o carro em que está é o melhor carro do mundo para você...

    Eu nasci em 1987 e aqui em casa temos um Fusca que está na família desde 1982, o ano dele é 1980, as vezes fico sentado na escada que dá na garagem olhando pra ele e pensando por quantos lugares ele passou, quantas situações ruins e boas ele enfrentou, sua história, sua vida!

    Forte abraço a todos e belo texto Juvenal Jorge, através do AA pude perceber que muitas coisas que faço somo parecidos!!!

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    1. Júlio e Laura,

      obrigado pelo elogio.

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  8. Esse é um dos poucos males de comprar carro zero: se vc quiser mexer na mecânica pode acabar com a garantia ... hehe. Apesar que meu carro hoje não dá mais pra mexer só com ferramentas tradicionais.

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    1. Félix,
      é de assustar a quantidade de ferramentas específicas que existem para cada marca e modelo de carro. O mundo está mesmo cada vez mais complicado.

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  9. Mulheres falam com suas plantas.

    Eu falo com meus carros.

    Acho que sou como o AA.

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  10. PARABÉNS JUVENAL! SENSACIONAL!

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    1. O.o

      nunca vi isso...

      O mundo acaba em 2012!!!

      Lucas Franco

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  11. Claro que carros tem vida. Acho que somente que realmente gosta de automóveis e sente prazer ao guiar, tem esse hmmm.... posso chamar de "sentido".
    Eu nunca vejo um carro só como um objeto, seja ele novo ou antigo quando entra na família, é como se mais uma pessoa estivesse se integrando ao vínculo familiar, pois o carro nos movimenta desde os momentos mais alegre e de euforia, até os mais triste e solitários que temos nesta pequena viagem chamada vida.

    Abraços.

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  12. Quem aqui nunca perambulou por ferro velhos em busca de um item impossível de achar em autopeças e não consegue ficar alheio à trsteza da imagem de diversos amigos destruídos e empilhados como se fossem entulho?

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    1. Raphael,
      é mesmo de dar dó a situação de muitos carros, alguns até mesmo sendo usados diariamente.

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    2. Raphael Hagi12/07/12 14:01 Verdade nem gosto de ficar olhando muito ,até quando vejo carros mergulhados em enchentes, doí o coração ,penso que poderiam estar rodando ,ainda sendo úteis e fazendo alguém feliz ,abracs ,Fabio.

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  13. É por bobagens como essa "carro tem vida, tem alma" que os japoneses até hoje são tão menosprezados, mesmo oferecendo MUITO a um preço menor que seus pares de outras nacionalidades.

    É uma mania que o povo tem de espiritualizar as coisas que eu não entendo! Pra mim é tudo desculpa pra ver se acha algum adjetivo "bom" para categorizar algo ruim.

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    1. Carlos Eduardo,
      não todos os japoneses são menosprezados, não todos.

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    2. Concordo em parte com o Carlos Eduardo. Já li aqui e no BCWS (ambos ótimos, diga-se de passagem) quando se referem a Hondas e Toyotas que são meros meios eficientes de transporte, mas não tem personalidade, como os italianos, e coisas do tipo...

      Bobagem. Estou com um Fit 1.5 agora, e nunca tive carros japoneses. O motor é girador e super autoentusiasta! Apesar de a 5ª marcha dele ser curta (cambio manual, quase 4.000 rpm a 120 km/h), o motor não passa nenhuma vibração para a cabine, e com o rádio ligado em volume ameno, mal se nota tal rotação. O carro é duro sim, e muita gente critica,mas tem uma estabilidade incrível. O gozado é que quando muitos compram um carro mais "mole" e confortável, acabam preparando a suspensão, colocando pneu de perfil baixo, então, o que é que tem o carro vir assim de fábrica?

      Existe no exterior uma forte comercialização de equipamentos e venenos para preparação desses motores giradores da Honda, inclusive para adoradores de Civics de gerações anteriores.

      Aí falam quando entram num Corolla, falam que o interior é frio e sem graça, sem emoção. Mas então não reclamem mais do resto da industria nacional que faz o interior dos carros todo preto.... Vcs não sabem o que querem!

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    3. Juvenal Jorge,

      O que mais se lê pela internet, e aqui também infelizmente, é um baita menosprezo pelos carros japoneses. Como se eles também não fossem dignos de respeito, mesmo usualmente fazendo o mesmo (ou até mais) que seus pares.

      É sempre assim. Não adianta ter motor potente, vocal, girador e comportamento dinâmico exemplar. Se não tiver um v8 enorme debaixo do capô, quebrar quando se mais precisa ou se simplesmente não tiver manual em alemão, é "sem alma". Quando faltam argumentos, apela-se para a religião.

      Lógico que não são todos que são menosprezados. Os úinicos que salvam são o mazda rx7, subaru impreza wrx, lancer evolution, honda nsx e só. O resto é "sem alma".

      Engraçado que o mesmo vale para as motos. Quando a CB 750 Four surgiu, de cara desbancou todas as motos existentes, em especial as Triumph tricilíndricas, que andavam muito, mas viviam dando problemas elétricos e ainda tinha os carburadores amal que adoravam se desregular sozinhos. A única moto que tinha desempenho similar era a MV Agusta. O que eles falaram da CBzona? É sem alma. Você pedala de manhã ela liga de primeira, anda o dia inteiro de cabo enrolado sem reclamar e você pode fazer isso a vida inteira que ela não vai dar problema. Que sem graça! Coisa desalmada! Resultado desse argumento: hoje os europeus precisam correr atrás dos japas, que são referência no mercado.

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    4. O erro está em tentar explicar a personalidade destes carros em termos racionais, justamente o oposto da emoção, que é o que usamos para definir coisas como alma.
      Não vou depor contra carros japoneses (até por ter largas experiências com os mesmos), mas a alma aqui contida é a capacidade do objeto em criar vínculos de dependência com o dono que não se exemplificam por vias racionais, e tais vínculos são gerados, muitas das vezes, por idiossincrasias que distinguem um automóvel dos demais.
      Da mesma forma que podem representar incômodo e gastos, algumas características também geram apego, e assim, nos detalhes, é que se personifica a "alma" de um automóvel.
      Nós, seres humanos, somos naturalmente voltados ao místico, ao emocional e ao irracional de alguma forma, e por isso que o racional, lógico e materialmente perfeito é incapaz de nos agradar a pleno, de nos satisfazer em todas as espectativas quanto àquilo que experimentamos. É por isso que um carro temperamental, diferenciado, nos arrebata o coração, enquanto que um meramente perfeito no viés técnico é sempre propenso a ser o melhor meio de transporte, e só.
      Quer um exemplo? O que você acha de ter uma esposa solícita, completamente, que para tudo lhe pergunta como quer, quando quer, que está sempre disposta à sua vontade sem nem mesmo questionar o porquê das coisas, que se dispõe e se submete sem qualquer alteração de humor, que está sempre igual, imutável, inalterável?
      E se ela não tiver gosto próprio, preferências próprias? Não sei você, mas não aguentaria mulher assim e, dos meus amigos que já experimentaram, ninguém aguentou. Uma mulher assim não tem alma, não te desafia, não te traz à tona emoções, não te toca nas entranhas do apego e por isso mesmo é enjoativa, tanto quanto um tofu aguado.
      Carros japoneses são mais ou menos assim: Inócuos em tudo menos em te levar de A a B contanto tostões e sendo a tênue linha entre o economicamente viável e técnicamente perfeito.
      Você pode até adorar o que um Corolla faz por você, mas dificilmente vai adorar o Corolla em si.

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    5. Ou seja, um monte de blablabla pra justificar o injustificável. Usar "alma" para desqualificar algo é o argumento mais tacanho de todos os possíveis. Argumento da época da "Santa Inquisição". Muito mais honesto é dizer simplesmente que não gostou, uma opinião ao invés de uma desqualificação.

      Outra coisa: alma é um conceito teológico, não sentimental! A argumentação imbecil é a mesma, seja para definir uma mulher que você não gosta ou um carro que você não gosta.

      Só quem cai nessa conversa de "alma" é gente de mente fraca que não usa o cérebro pra pensar!

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    6. Nem todos os japoneses são assim frios e sem alma. O Nissan Skyline era um desses que reunia uma legião de fãs tão ferrenhos quanto os ferraristas. Entre os mais acessíveis, temos os Honda, que embora não despertem as mesmas emoções que os Alfa Romeo, também são amados por seus donos.

      Carlos Eduardo, nem tudo na vida deve ser decidido pelo cérebro. Os soviéticos tentaram fazer isso, todos andavam de Lada (até porque nenhum carro melhor que este é realmente necessário), moravam em apartamentos iguais (as únicas diferenças eram as flores na varanda), vestiam roupas iguais, etc... Tudo porque aquele era, racionalmente, o melhor padrão de vida existente, tanto para o Estado mas também para o cidadão soviético.

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    7. Este comentário foi removido pelo autor.

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    8. Anônimo,

      Você não entendeu meu ponto de vista.

      Os carros japoneses não tem alma. (cansei de ler essa)
      Os carros italianos não tem alma.
      Os carros alemães não tem alma.
      Os carros britânicos não tem alma.
      Os carros [insira qualquer nacionalidade aqui] não tem alma.

      O que eu vou escrever aqui vai chocar a maioria do pessoal, mas a verdade precisa ser dita.

      Nenhum carro tem alma.

      Quem diz que um carro "não tem alma" como se "alma" fosse algo inerente a um carro (como estabilidade) está na verdade tentando desqualificar o que está sendo avaliado com um argumento vazio.

      O que você escreveu aqui, eu leio e vejo um enorme preconceito. Dizer que um honda não desperta a mesma emoção e paixão de seus donos que um alfa romeo é extremamente preconceituoso. Se fosse possível fazer um teste cego, toda essa carga preconceituosa seria desmascarada, já que a honda também produz carros com comportamento dinâmico brilhante e um motor vocal, potente e girador. Muita gente escolheria o honda achando que estava escolhendo a alfa.

      Para finalizar: O seu olhar sobre a União Soviética é simplista ao ponto de ser inválida para comparar. Todo o sistema, como foi implementado, favoreceu a corrupção e a permanência de tiranos no poder. Olhar só a questão de todos dirigirem ladas não diz nada sobre o que realmente acontecia lá. Fora que, para um russo, um lada tem muito mais "alma" que uma ferrari 250 GTO. Quero ver você contestar essa informação, criar uma escala de "alma", para poder comparar a "alma" do lada com a "alma" da 250 GTO. Estabilidade tem como comparar...

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    9. É uma explicação, não uma justificativa, simplesmente porque pontos subjetivos somente podem ser explicados mas não comprovados de forma cartesiana, sem que com isso se desqualifique sua legitimidade. Assim é com a arte, com a música, etc. Se você leva como absolutas considerações subjetivas a ponto de relevar como "argumento desqualificatório", comece a considerar uma regulagem no seu senso crítico, pois individualmente as prioridades e gostos variam de indivíduo para indivíduo, mesmo que seguindo padrões majoritários e linhas principais.
      Ademais, minha opinião está fundamentada sobre o comportamento neutro do carro japonês médio em geral, que não costuma apresentar qualquer característica marcante, singular, que demonstre traços de personalidade (assim como muitos outros modelos de diversas marcas e múltiplas nacionalidades), sua racionalidade, simples e crua, expressa um objetivo muito mais atrelado a excelência como meio de transporte do que qualquer pretensa simpatia por outros desejos do motorista mais ligado a fatores emocionais (ojeriza da desqualificação dirigida à Alfa).
      É óbvio que existem exceções, e uma lista delas não caberia no comentário, mas não menos justa a qualificação geral vez que, da análise contextual pela qual os automóveis japoneses foram inseridos nos diversos mercados mundo afora, se vê que apresentaram-se como carros baratos e focados no transporte A-B, tão eficientes em tal proposta que diluem qualquer característica própria e tendem a convergir em sistemas de extrema semelhança entre si (e talvez a coreana Hyundai seja hoje a mais perfeita exemplificação deste fenômeno).
      Agora, querer colocar o contexto teológico de alma na conversa foi de uma esculhambação da mais grave deselegância, atitude tacanha, como se fosse esse o significado atribuído ao termo em debate. O antropomorfismo, forma de pensamento pela qual atribuímos características humanas a objetos inanimados, é a fonte de derivação da alma descrita aqui:
      "De acordo com a etimologia, a antropomorfia diz respeito à imagem do homem e da humanidade: antropo = homem e morfia (morphé) = imagem. Tal imagem pode ser construída de maneira isolada por indivíduos, mas também pode ser, e certamente o é, uma construção coletiva, contendo uma miríade de entidades que denotam um momento histórico e uma cultura." (in Elementos iniciais para o antropomorfismo do projeto e do design, Caio Adorno Vassão).

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    10. Trata-se de um fenômeno não isolado, mas sim de uma construção circunstancial erigida por um grupo de indivíduos e que, portanto, não pode ser considerada de forma completamente individualizada a ponto de se considerar leviana uma utilização de forma destacada da dita "opinião pessoal". Prova irrefutável disso são as escolas de design: Impossível seu sucesso sem uma caracterização coletiva de conceitos subjetivos.
      Você pode até tentar sugerir uma "escala de alma" ou qualquer outra racionalização de uma característia subjetiva de um automóvel como um argumento que afaste a incidência deste geist gerado em maior ou menor nível (o que é ridículo assim como tentar definir arte por meio de equações matemáticas), mas não pode negar suas manifestações em fatos mensuráveis. Exemplificativamente, de que outra forma explicar o frisson causado pelas linhas do Jaguar XKE ao tempo de seu lançamento?
      Carros tem alma, não própria, mas atribuida, e muitas vezes com fortes ou majoritárias implicações advindas do senso coletivo, nascidas da propagação do sentimento advindo de experiências individuais, as quais tornaram-se parelhas e concordantes a ponto de confeccionar um padrão. O carro por si só é um objeto inanimado (acho que só não é óbvia esta afirmação do lado de dentro dos muros de um hospício), mas a projeção de alma e personalidade a qual fazemos sobre este (que por mais que nunca igual de indivíduo para indivíduo, apresenta padrões bem simétricos) é o objeto de descrição da maioria dos comentários.
      Mas tudo isto é inócuo, pois números de vendas e público alvo são dois dados mensuráveis objetivamente, e basta conferir quais as prioridades do público que compra Sentra, Corolla, Cerato e afins, e porque marcas problemáticas, complicadas e muitas das vezes antiquadas em termos racionais sobreviveram aos seus dias mais sombrios.

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    11. Exatamente isso, Charles.

      Carros não são seres vivos, são obras de arte. Obras de arte têm personalidade, a do seu autor. Da mesma forma, carros têm personalidade, a de quem os desenvolveu e os construiu.

      É por isso que Ferraris são tão apaixonantes. Cada Ferrari leva em si a personalidade quente de Enzo Ferrari marcada no aço frio do qual são feitos os carros.

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    12. A partir do momento que se usa um conceito abstrato e até mesmo teológico para se qualificar algo como bom ou ruim, é porque a coisa qualificada não é tão boa ou tão ruim assim. Subterfúgios não podem ser considerados argumentos válidos NUNCA.

      Pode ligar o gerador de blablabla à vontade, postar tratados de 1000 palavras cada sobre os sentimentos humanos e a história do automóvel. Todo carro tem o trabalho de várias pessoas, e não é um jornalista que tem o direito de desqualificar o trabalho dos outros com um argumento completamente furado. Se é ruim, tem que ser por motivos reais...da mesma forma, se for bom, também que seja por conceitos reais.

      1 peso, 2 medidas não dá!

      A pessoa tem todo o direito do mundo de gostar ou não de algo. Porém, não gostar de algo não credencia a pessoa à desqualificar o que não se gostou.

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    13. Não é inválido se gera resultados no mundo palpável, como exemplifiquei por mais de uma vez.
      Ademais, pegue qualquer livro sobre desenho industrial e veja que estes conceitos abstratos são base de uma ciência muito bem fundamentada, que envolve psicologia, comportamento humano, etc.
      Se para você a sensação que um determinado produto causa no público é algo tão subjetivo e irrelevante frente aos dados técnicos que não pode formar um argumento, então convide todos os designers de produto e desenhistas industriais a rasgarem seus diplomas.
      Não querendo entender o que coloquei ali e, mais, pesquisar sobre o tema (como eu fiz), talvez deva você desligar a sua máquina de blábláblá. Até agora são apenas suas convicções pessoais que está usando como argumento, curiosamente, algo tão abstrato quanto do que me acusa.
      E já expliquei que alma aqui não está no conceito teológico, mas pelo jeito falar em antropomorfismo fica um pouco além do que consegue assimilar com sua teimosia.
      E daí que todo o automóvel tem o trabalho de várias pessoas? O trabalho de ninguém está sendo desrespeitado ao dizer que o produto final tem determinada característica, e as qualidades técnicas do carro sempre foram muito bem retratadas.
      O jornalista, como ser humano que é, está sensível à observação de fatores impossíveis de se expressar em fichas técnicas, e o grande pulo do gato é ter o tato e o bom senso de expressar de forma precisa por palavras a experiência que o automóvel transmite, caso contrário uma revista ou site de avaliações se resumiria tão somente a um amontoado de fichas técnicas.
      Por último, crítica responsável existe independente de ser ela objetiva (numérica) ou subjetiva (experimental), indo da honestidade do jornalista em descrever o produto de forma imparcial. Honestidade e imparcialidade, por sua vez, estão muito bem lastreados com o texto "O ônus da crítica", de autoria do MAO, aqui mesmo neste blog.

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  14. Muito bom msm, sou identico ao AA também, perfeito o texto,
    tenho um fiesta 2000 que foi comprado zero, ta velhinho ja,
    mas nao vendo por nada desse mundo, passei muita coisa com ele,
    ja faz parte da minha historia

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  15. AA Arnaldo Keller e BB Bob Sharp?

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    1. AutoClandestino,
      são apenas personagens fictícios.

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    2. hehehe, AutoClandestino... eu pensei a mesma coisa! até em partes do texto, parecem ser opniões deles! mas como o Juvenal Jorge disse, personagens fictícios!

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    3. Pensei isso também!
      Mas à medida que fui lendo, achei que o BB não é tão parecido com o Bob, mas o AA é um Arnaldo "de alma".

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  16. eu sou vitima. ja comprei usados que como o dono anterior nao dava a minima para manutençao eles (os carros) se viravam para andar.quando vêm para minha mao parecem que pensam consigo mesmo,esse vai nos salvar.ai começam os defeitos mais imprevisiveis.e o pior e que eu gosto.senhores nao duvidem carros pensam e conhecem seus donos.

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    1. ary12/07/12 14:18 você me fez pensar uma coisa... todo carro que tenho, tento ser o mais cuidadoso possível... acredito que pessoas iguais a mim eu só encontro aqui nesse espaço... mas acontece que todo carro que tenho sempre vem com algo que especial que acontece só na minha mão... Tive um problema num câmbio de um Palio motor Fiasa ano 98 que todos os mecânicos que eu conto o que danificou lá dentro seria a ultima peça a quebrar num câmbio... Que realmente gosta de carros como descrevi num cometário acima, só esse é contemplado com defeitos dos mais imprevisíveis, como você bem disse no seu comentário... pior que eu também gosto....

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    2. Autoentusiasta cansado da Luta12/07/12 20:14

      Pior que é bem assim!
      Quem cuida muito do carro dá trela para ele aprontar...
      Quando o cara é tosco, o carro acaba funcionando de qualquer maneira...
      É mais ou menos como o marido que massacra a mulher, e o que respeita... O que massacra pode até ter tudo que quer, mas não justifica... Respeito as chatices das mulheres e dos carros! rs
      Aliás, cada vez mais, fico com vontade de comprar carro velho e ruim, não antigo, mas velho mesmo. Dirigi uma saveiro caixa outro dia, arregaçada, daquelas da roça mesmo, que delícia!

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    3. Autoentusiasta cansado da luta,
      vai por aí o meu texto "Carro velho e sem seguro: um sonho"

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    4. Autoentusiasta cansado da Luta13/07/12 10:01

      Juvenal Jorge,
      Conheço o texto! Acompanho o AE faz tempo, mas com outros nomes...

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  17. Parabéns, Juvenal Jorge, conseguiu mexer com nossas almas, coisa que só poucas pessoas conseguem.
    O carro sente não só o afago mecânico e estético que lhe damos, como também o carinho ao dirigir, mesmo que estejamos dando um pau nele.
    Fato curioso: Teve uma época em que eu pegava emprestado o carro da minha irmã (carros zeros, diversas marcas), e ela até gostava, dizia que o carro ficava mais 'macio e gostoso' de dirigir, nas palavras dela, e um outro irmão quando pegava o carro ela dizia exatamente o oposto. Detalhe: vez ou outra não avisava que tinha usado o carro e sem alterar banco e espelhos ela percebia que o tinha usado. É o carro dando feed-back. Um abraço.

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  18. Ótimo texto e conto ,mas desculpe minha ignorância automotiva ,qual o nome do carro da foto ? desde já agradeço .Abraço a todos ,Fabio.

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    1. Fabio
      É um Simca Aronde. Foi produzido de 1951 a 1963.

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    2. Fabio,
      ainda bem que Bob respondeu. Eu também não sabia o nome do carro da foto.

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    3. Bob Sharp12/07/12 18:48 Obrigado por responder Bob,valeu !
      Juvenal Jorge12/07/12 22:02 Acho que é um carro raríssimo Juvenal .
      Abraço a todos ,Fabio.

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  19. Que texto excelente! Parabéns
    Tive que recentemente adquirir um carro que não me tirasse tempo nos finais de semana. Um carro novo, zero, que ninguém enfiou a mão suja nele. Agora, o tempo dos finais de semana fica apenas para meus dois da década de 70! Aquelas duas carniças me fazem muito feliz! Coisa boa quando ambos invadirem as ruas da pacata cidade onde moro.

    Anonimous

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  20. Sou AA!!
    Eles nao só tem vida, tem personalidades, temperamentos, teimosias.. :)
    E depois de uma boa lavada, um bom carinho, até motor soa diferente.

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  21. Christian Monteiro12/07/12 19:54

    Se o dono do carro tem alma de autoentusiasta, o carro tem vida sim!
    Perceptível, indiscutível e irrevogável!

    Quem nunca observou que um carro, após ser lavado com cuidado, os ruídos internos diminuem? Pareceria um absurdo dizer isso (já que em tese nao existe relação) se não fosse fato comprovado pela maioria esmagadora dos apaixonados por essas máquinas.

    Se não for verdade absoluta, pelo menos nos faz muito bem pensar que é...


    CM
    _______________________________________

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  22. É por causa destes textos que leio este blog.

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  23. Sabe, o que dá alma a um carro é o zelo do dono.

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    1. Assino embaixo amigo.Fabio .

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  24. Autoentusiasta cansado da Luta12/07/12 20:18

    Belo texto!
    Acho que todo mundo às vezes é mais AA, às vezes mais BB... Depende da fase da vida, da pressa, da grana, de vários fatores que mudam...
    Mas uma coisa tem que ser sempre igual: o respeito ao carro. Não suporto ver gente maltratar carro - não confundir com usar o carro intensamente.

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  25. Claro que carro tem alma!
    Dia desses meu vizinho me deu carona em sua Variant 76 da qual ele é o 7º dono e possui desde 1991. Não é das piores, mas nem das mais conservadas, apesar de conservar grande parte de sua originalidade. É antes de tudo um utilitário batalhador de uso diário.
    Sentado naquela Variant, fiquei imaginando: quantas pessoas já sentaram nestes bancos, quantos assuntos foram conversados aqui dentro, quantas brigas de casal explodiram dentro desse carro; por quantas ruas andou nesses 36 anos, quantas viagens fez; pela mão de quantos mecânicos, eletricistas e chapeadores passou... Quantos jogos de pneus trocou, quantas baterias, quantos cabos de embreagem, quantos platinados!!! Quantas vezes já se encheu esse tanque de gasolina?
    Ah, se esse painel falasse!
    Sim, um carro velho do qual eu não conheço os detalhes sempre me desperta esse interesse. Parece que tem toda uma história latente, um passado misterioso. Que graça teria um carro novo? Não teria nenhum mistério intrigante para se desvendar.

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    1. Rapaz, sabe que penso as mesmas coisas quando vejo um carro velho?! Fico imaginando ele sendo fabricado, depois zerinho na concessionária, quem teria sido seu primeiro dono, sua alegria ao comprar, os passeios que fez com a família, crianças rindo dentro dele partindo para as férias...Só mesmo malucos apaixonados por carros como nós, para "viajar" em como teria sido a "vida" de um carro até que ficasse velhinho, ninguém o quisesse mais, e termisse seus dias encostado em alguma garagem ao apodrecendo debaixo de sol e chuva em um ferro-velho.

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    2. Autoentusiasta cansado da Luta13/07/12 09:56

      Me lembrou aquele lindo e famoso comercial da Mercedes onde botam o carro acabadinho na prensa e, antes dele ser esmagado, "passa" pelo para-brisa toda a história do carro até aquele momento?
      Isso vai soar ridículo, mas eu choro toda vez. É muita maldade.

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    3. Autoentusiasta cansado da Luta13/07/12 10:04

      Achei, tinham até postado ele acima:
      http://www.youtube.com/watch?v=3rv2-DYgzcY

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  26. Caraca, nunca vi uma descrição tão parecida comigo, quanto a carros: sou o AA perfeito! Juro que não é por sacanagem, tento me controlar, mas não consigo ficar no "cantinho do cliente" quando mando fazer algum serviço em meu carro. Quando o mecânico menos espera, lá estou eu "no vácuo", vendo como as coisas estão sendo feitas. Dependendo do que vejo, lá vai pitaco... É duro isso, sou o verdadeiro pentelho (acho que pé no saco mesmo!) dos mecânicos. Nem mesmo um excelente mecânico a quem confio meu carro aqui em Sorocaba está totalmente imune a uns pitacos de vez em quando... Meu maior mal é ser muito detalhista.

    Mas não sou apenas chato, sem conhecer do assunto. São raras as vezes que erro um diagnóstico em meus carros. Agora que moro em apartamento não dá para fazer muita coisa no carro. Além disso, como é um carro moderno, com eletrônica para todo lado, sobra pouco a se fazer sem as ferramentas específicas.

    Lava rápido é um terror para mim!

    Belo post, bem entusiasta!

    Abraços a todos!

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    1. Autoentusiasta cansado da Luta13/07/12 09:51

      hhehe também sou assim...
      Um lugar legal para manter o carro em dia são as oficinas da Porto Seguro, além de terem um preço mais honesto vc pode acompanhar todos os serviços, e a maioria do pessoal, até hoje, sempre foi simpática e explica tudo que está fazendo.
      Bem diferente da caixa-preta da concessionária, onde chegando em casa tem que ficar conferindo se realmente fizeram. Já me cobraram coisa como filtro de ar que não trocaram.

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  27. Pois é.
    Meu carro só eu e minha mulher pilotamos. É só dar na mão de outra pessoa, mesmo sabendo ser competente, que, dia seguinte ele avisa. "não gostei e vou dar trabalho extra pra ver se aprende a ME respeitar" Batata! Na última vez, foi a sonda lambda. E o bichim tá com 30.000km.
    Acreditem se quiserem.

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  28. Marcelo Junji12/07/12 23:42

    Me identifico com o AA, mas não estou conseguindo ser como ele.
    Os meus carros de segunda mão e os mais velhos, pouco mexo por não necessitar. E os mais novos que ainda estão em garantia e que estão dando problemas mais graves que os velhos, não posso mexer.
    Antes eu achava carro novo melhor, mas depois que não trocaram os discos de freio em garantia num carro que rodou somente 15k km, coisa que eu mesmo poderia fazer se o carro não estivesse em "garantia".E ainda gastaria só 1/3 que me cobraram na concessionária.
    Acho que eu estava ficando como o BB, mas depois de tantas decepções com carros novos, concluo que é melhor eu ficar mais parecido com o AA.

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  29. AA e eu temos muita idéia para trocar...

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  30. Meu avô costumava repetir que tudo que não é meio parecido com o dono é roubado! Sábias palavras de um ditado pópular. Com os carros para mim é a mesma coisa: Parece que êles falam com a gente, reclamam quando são maltratados, avisam quando vão dar algum "piripaque" e, um autoentusiasta percebe isto com uma antecedência incrível...Belo post Juvenal, sintetizou uma vida inteira de paixão pelo automóvel.

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