QUE DIFERENÇA...

Fotos: Autor
Sexta-feira última precisei ir ao Cemitério do Araçá para o velório do meu concunhado, vitimado por um ataque cardíaco fulminante aos 47 anos. Estava na calçada acompanhando minha mulher, que fumava, quando vi chegar essa coisa da foto. Foi impossível não me lembrar do carro funerário C4 que vi na Argentina.

Muito estranho, esse carro do Serviço Funerário do Município de São Paulo, uma Saveiro com parte de uma a carroceria anexada à caçamba. Acho-o feio demais, tétrico até.

Mas o pior foi enquanto estávamos ali, na entrada das salas de velório, ver o local infestado de baratas. Como pode? Um cemitério numa região nobre da maior e mais rica cidade brasileira, daquele jeito! Que falta de noção de cuidado dos funcionários desse cemitério e, por que não, da própria Prefeitura. Aquele piso não deve ver uma água há meses.

Barata passeia tranquilamente na entrada das salas de velórios
Um comentário sobre o velório. Ao entrar no recinto, parecia que havia uma festa. Vozerio, risadas, a maior descontração. Aquilo me chateou demais, era uma falta de respeito para com a minha cunhada e familiares que ali estavam. Nunca havia presenciado nada parecido em toda a minha vida. Lamentável, a falta de educação de berço.

BS

33 comentários :

  1. Meus sentimentos à família!
    Realmente, o silêncio é fundamental neste momento tão importante da passagem para outra dimensão. Não só a educação de berço, mas educação religiosa, também ajudaria muito!

    Quanto ao carro, existe uma fábrica de carrocerias funerárias aquí pelo Rio de Janeiro. Algumas até simpáticas.
    Eu particularmente, gostaria de fazer a "última viagem' de modo decente. Talvez uma Mercedes...
    MH

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  2. Bom, primeiramente deixemos os pêsames à família. Em segundo lugar, a grande causa de termos Saveiros adaptadas em vez de carros de passeio propriamente ditos são:

    1) A carência de peruas com compartimento traseiro suficientemente longo para levar um caixão de adulto. Caravan, Suprema, Quantum e Royale saíram de linha;

    2) A ida por proximidade: se peruas M2 ou grandes não mais existem ou só são importadas, pegue-se o que houver de nacional com compartimento de carga longo o suficiente para um caixão de adulto. Se houver algo próximo, adapte-se isso;

    3) A Saveiro em questão ser do Serviço Funerário Municipal. Portanto, não está implícito que precisa ser algo que lembre um carro funerário americano, mas sim que leve um caixão de adulto do ponto A (local do falecimento) ao B (velório ou cemitério) e, quando muito, ao C (se o velório for em lugar separado do cemitério).

    Infelizmente, os carros funerários que temos são reflexo da mediocridade que aflige nossa indústria, que deixou de ter uma gama mais ou menos completa de carros para ter uma fixação quase doentia por modelos pequenos (porque disseram que esse seria nosso potencial e que carros maiores seriam inviáveis de aqui serem feitos). Aliás, falando em mediocridade, segue um vídeo interessante falando tirando onda sobre o quão medíocres estão os carros médios nos EUA:

    http://www.youtube.com/watch?v=Q3V5S7NhvcA

    Particularmente acho que rende uma postagem interessante por aqui, pois é comercial entusiasta, não fala de nenhuma marca em especial e ao mesmo tempo fala de todas, de maneira que sequer o chatíssimo Conar seria capaz de tirar o anúncio do ar se aqui fosse veiculado.

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  3. http://blogs.insideline.com/straightline/2010/10/subaru-goes-viral-with-2011-mediocrity-campaign.html

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  4. UM Saveiro, prezado Bob

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  5. João Gabriel Porto Bernardes06/10/10 07:58

    Bob meus sentimentos...

    Já disse em outro post e vou dizer nesse novamente,a morte é tratada com descaso nesse país,além de cemitérios(públicos ou particulares)estarem em péssimas condições de conservação e oferecem péssimos recursos de infra estrutura(lanchonetes péssimas,caras,falta de acomodações dígnas e até de banheiros em alguns casos)ainda nesse momento solene e de extrema dor,temos ainda que suportar essa farra que são esses serviços funerários,que só vêem dinheiro e nada mais e além disso fazem o transporte em gambiarras como essa aí...assim como as ambulâncias,veículos escolares,obedecem um certo padrão,os carros funerários deviam obedecer alguns padrões também tanto de acabamento como de conservação passando por vistorias regulares para receberem a licença para rodar,não importa o ano ou modelo,desde que fosse apropriado para tal e obedecesse os padrões...

    Mais uma vez meus sentimentos Bob..
    Abraços!

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  6. Mister Fórmula Finesse06/10/10 08:32

    A falta de noção de algumas pessoas em relação à educação é uma coisa monstruosa...

    Há duas semanas, eu presenciei a batida de duas carretas bem na minha frente - por 5 segundos, seria eu a vítima - e ao acionar o socorro, já saindo do carro, divisei mais adiante um Tempra destruído com o motorista preso nas ferragens, logo depois de constatar o estado grave deste, desci até as cabines dos caminhões pois um dos motoristas estava preso também. Por um momento olhei para trás e vi um cena surreal: uma moça de nem vinte anos, praticamente encostando o celular na vítima para bater fotos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    O sujeito preso, sangrando, quase sem pulso e a sem noção batendo fotos com o celular certamente para arregalar os olhos da família e dos amigos...realmente, tive ganas de fazer uma besteira.

    Educação, bom senso...é realmente um engano imaginar a sociedade como um ser pensante (vide eleições).

    Meus sentimentos a sua família Bob!

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  7. Anônimo das 07:23
    Agradeço sua correção, mas lembro que o veículo é caminhonete segundo definição no Código de Trânsito Brasileiro, portanto, feminino.

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  8. João Gabriel Porto Bernardes
    Agradeço suas palavras. Realmente, a morte é tratada com descaso aqui.

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  9. Todos
    Agradeço as palavras de condolências.

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  10. Bob,

    Os pontos que comentou têm em comum a falta de respeito ao próximo, desde o chão, o falatório e o carro.

    O Finesse comentou da moça tirando fotos... Tanto no acidente quanto no velório, as pessoas gostam de aparecer para os demais, mas esquecem de viver com os demais. Lamentável.

    Meus sentimentos à família.

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  11. Meus sentimentos à família.

    No caminho do trabalho, tem uma funerária que usa duas pick-ups como carro funerário : uma Saveiro e uma Montana. A Montana ainda tem uns adereços esquisitos e a inscrição "Transporte VIP", ou qualquer coisa do gênero.

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  12. É...já senti esta sensação,pois no falecimento de meu pai vi a Saveiro na porta e pensei,que carro mais feio para transportar meu pai!Podiam pelo menos ter comprado uma Saveiro preta.

    Meus sentimentos pela perda.

    abs

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  13. Rafael Bruno06/10/10 10:03

    Quando morrer, gostaria de ir numa Caravan.

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  14. eu já vi uma royale com gnv como carro funerário. eu ainda prefiro a velha e boa suprema.

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  15. Junior-Big06/10/10 10:15

    Meus sentimentos Bob...

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  16. Opção menos gambiarrenta para transportar mortos é uma pick-up média de cabine simples, justamente por sua caçamba ser longa o suficiente para acomodar um caixão de adulto. Veja o que se pode fazer com uma Hilux:

    http://www.pickupcia.com.br/capota_para_translado_hilux_vigo.htm

    Como se vê, é só uma capota de fibra de vidro sobre o já existente, mais umas alegorias e adereços.

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  17. Francisco V.G.06/10/10 10:32

    Bob
    Meus sentimentos. Quanto ao cemitério, sem muitos comentários, aquilo é deprimente, conheço o lugar.
    MFF
    Eu teria, sim, feito uma besteira, sem me importar com as consequências.

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  18. Meus pêsames à família Bob, também perdi um amigo essa segunda da mesma forma.
    Acho que a maneira como cada um lida com a morte é uma coisa muito pessoal (envolve crenças com as quais as pessoas são particularmente sensíveis). Tem gente que prefere um clima mais leve, como funerais americanos, e tem gente que prefere a versão mais sóbria. Independente da forma, a regra básica que procuro seguir é tentar agir de acordo com a forma que os familiares fiquem mais confortáveis - e pra isso é preciso sensibilidade, coisa que realmente parece ter faltado no exemplo que citou...
    Falando do assunto em questão, eu queria que levassem minha casca vazia em um Cadillac Eldorado Miller Meteor (igual ao dos Ghostbusters, mas preto). Vendo essas Saveiros deformadas (são comuns por aqui também), sinceramente acho que um reboque estilizado seria bem mais digno.

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  19. Concordo com o Bob e o MFF, o nível de grosseria e falta de educação da população atual "neste país" está num nível inacreditável, a ponto de se transportar um corpo como se fosse frete.

    Pudera, décadas de negligência e descaso total com a educação básica iriam mostrar seus resultados em algum momento, nem peão de obra conseguem contratar por falta de formação mínima.

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  20. Eu moro a 3 quadras de um cemitério e também já presenciei alguns velórios que mais parecem uma festa.

    Também não consigo entender... Porém uma coisa que ouvi certa vez é verdade, muitos familiares só se reunem nestas horas.

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  21. Bob,
    Em primeiro lugar, meus pêsames. Realmente a morte se torna algo ainda mais terrível quando ocorrem situações como estas que você citou...
    Como funciona o sistema de funerário aí em São Paulo? A prefeitura é responsável por funerárias e cemitérios?
    Aqui no Rio o sistema funerário é uma verdadeira máfia, simplesmente se cai na mão dessa gente justamente num momento em que mais se precisa de ajuda...

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  22. Não me lembro qual autor falou na morte como sendo a pobreza absoluta, mas alguém falou. Embora a sentença me pareça algo materialista, há nela ao menos uma relativa verdade. Isso porque não sabemos que riquezas podem aguardar o software uma vez livre de seu hardware. Mas, nos limites da existência visível, aquele ser realmente perdeu tudo. Essa a razão porque me repugna o luxo em tais cerimônias. Modéstia e simplicidade, que podem ter gravidade, deveriam prevalecer. Aqueles soberbos Cadillacs fazem homenagem à família do finado, às suas possíveis ilusões de status, não ao próprio. Com todo respeito à perda da sua família, Bob Sharp, eu diria: nem tanto ao céu, nem tanto à terra. Essas picapes brazucas são um insulto, um ultraje, tanto quanto os insetos nas capelas. Mas Cadillacs são também inadequados, pelas razões que dei acima. E aquele Citroen, principalmente no tratamento dado ao interior, me parece flertar com a pompa. A pergunta que eu teria a fazer é a seguinte: por que não se usam vans para o transporte funerário? Por que essa fixação em veículos derivados de carros "de passeio", adaptados?

    Quanto ao velório/falatório, acho que vale lembrar o significado da palavra "gurufim", aqui no dicionário Houaiss:

    substantivo masculino
    Regionalismo: Rio de Janeiro, São Paulo.
    1) na comunidade negra, brincadeira feita em velório a fim de desagravar a sua atmosfera
    1.1) velório popular em que há música, dança, canto, em homenagem ao morto

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    Respostas
    1. Por que os Cadillac? Pq é um carro muito legal, além de ter espaço de sobra p/ um caixão. Lá nos States é um carro comum, uma ostentação seria um Rolls Royce. Gostaria de ter um desses p/ dirigir nos finais de semana.

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  23. Não vejo o "falatório" no velório como essa falta de respeito que foi falado. É só lembrar que no interior do nosso país era comum, e em muito lugares ainda o é, velórios de vários dias, com bebida e comida, quase que uma "festa" para homenagiar o morto. É simplesmente uma questão cultural.
    Quanto ao carro, realmente é uma péssima adaptação, gambiarra mesmo. Poderia se usar furgões, tipo Ducato o Sprinter, como é utilizado na Santa Casa de BH.

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  24. Nico acima da lei06/10/10 15:23

    Para os que gostam de festa em velório, espero que o dia que o pai, a mãe ou um familiar próximo de vocês morrer, familiares e amigos não apareçam dando risada e fazendo festa enquanto vocês choram.

    Bando de moleque criado a leite com pêra.

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  25. Nico e anônimo anterior,

    Tudo depende de como a família reage. Existem determinadas crenças e religiões em que as pessoas celebram a morte e outras não.

    Se a família (esposa, filhos, pais..) compartilham de um momento de tristeza e silêncio, acho sacanagem ter uma galera do lado de fora se portando como se fosse uma mesa de bar.

    Respeito à dor dos outros é fundamental. E essa Saveiro é falta de respeito aos que tem crença e também os que não tem.

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  26. Absalão Bussamra06/10/10 17:54

    Em primeiro lugar, meus sentimentos à familia.

    Recentemente, quando estive no velório de uma tia, encontrei a mesma situação: risadas, vozerio, gente sem a mínima educação fazendo a maior baderna num ambiente que devia ser de respeito.

    O velório ocorreu no cemitério São Pedro, mais conhecido como "o da Vila Alpina". O local parecia uma estação rodoviária, pois concentra inúmeras salas. Impressionante a falta de estrutura: salas apertadas, limpeza precária. Tentei usar o sanitário, mas não foi possível: de lá emanava um odor absolutamente nauseabundo, quase desmaiei ao entrar.

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  27. Nico acima da lei;

    Não mencionei em meu comentário, mas foi assim no velório do meu pai, não necessariamente com festa, mas sem a necessidade do clima soturno. Conhecendo-o como eu o conhecia, um velório com choro e vela é que seria um desrespeito. Vai muito de cada um (procurem o velório do Graham Chapman no youtube para terem uma idéia do que estou falando).
    O fundamental é ter sensibilidade. Para o morto o velório provavelmente é a menor das preocupações, o momento deve ser da família, e o respeito é devido a eles. E nesse ponto, crenças à parte, é fácil perceber que uma Saveiro "esticada" e baratas pelo chão dificilmente combinam com a sensibilidade de qualquer ser humano normal.
    Em tempo: olhem esse site aqui. Parece algo bobo, mas lidar com a morte é algo muito evitado em nossa cultura, portanto o assunto merece mesmo um pouco de reflexão.

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  28. Parece que vem mesmo da cultura afro no Brasil, em certas regiões, atitudes assim nos velórios. Pode ser uma forma peculiar de homenagem ao morto, mas também uma maneira de lembrar aos mais impactados pela perda que a vida prossegue. Possivelmente é coisa saudável. Já em nossa cultura ocidental, em que a morte é vista como antagônica à vida e não como algo unido a ela numa realidade só, em que doentes terminais têm a gravidade de seu estado escamoteada, o pessoal médico simulando otimismos, dando tapinhas em suas costas, a coisa me parece diferente. Sou mais por diagnosticar, no exemplo dado pelo Bob Sharp, a necessidade de afastar da consciência a realidade da própria finitude. Uma coisa meio histérica, neste sentido.

    Aqui entre nós, só não acho esse post, e os nossos comentários, absolutamente off off topic neste fórum porque o automobilismo, especialmente o esportivo, é uma espécie de tourada em que o toureiro também pilota o touro. A possibilidade da morte está sempre ali.

    P.S. - antes de postar isto aqui vi o comentário do Rafael Ruivo, que diz tudo e diz bem.

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  29. Sobre heranças africanas em velórios brasileiros, não esqueçamos de como são os velórios na Louisiana, em que há sempre uma bandinha tocando jazz dos mais animados. Aqui no Brasil, Fernando Sabino pediu para que fizessem isso em seu enterro.
    Claro que há heranças afro e heranças afro, uma vez que naquele continente muitas são as etnias. Talvez o bumbo solitário da escola de samba no enterro de algum bamba remeta a outro povo africano (talvez aos angolanos que criaram o semba).

    E, claro, nem sempre há herança afro na coisa. No Brasil, houve sim uma mudança no perfil do velório por conta da impessoalização das relações. Essas ocasiões fúnebres acabaram sendo uma daquelas oportunidades em que você reencontra pessoas. Uma amiga de minha mãe, que ela não via há uns 10 anos, acabou sendo vista de novo por ela (e retomando a amizade forte, que havia se interrompido não por causa dela, mas por ocorrido com outra pessoa do círculo social) justamente em um velório.

    Minha avó, filha de italianos, sempre nos dizia que, se no dia do enterro ou do velório dela alguém quisesse ir ao cinema, ela não ia se importar, pois contato interpessoal direto ela queria enquanto estivesse viva. E isso porque estamos falando de cultura ocidental. Ela encarava surpreendentemente bem a morte, talvez melhor do que os filhos e os netos.

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  30. Embora eu não considere o maior dos problemas, acho que falta mesmo um pouco mais de solenidade nos veículos atualmente usados em rituais fúnebres. Devo confessar que até gosto de rabecões com uma aparência mais clássica. E considerando a experiência brasileira com a fibra de vidro eu acredito que não seria tão difícil modificar alguns veículos atuais, mesmo caminhonetes pequenas, para apresentarem um aspecto mais nobiliárquico que eu considero adequado a um rabecão...

    http://cripplerooster.blogspot.com/2012/05/uma-rapida-observacao-sobre-veiculos.html

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  31. Querido Bob Sharp, se neste país a vida é tratada com tanto descaso, o que dizer da morte...

    Lamentável. E triste.

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