SERVIÇO INCOMPLETO

Imagem: BMW AG

Foi publicada ontem no Diário Oficial da União a alteração no Código de Trânsito Brasileiro que torna obrigatória a realização de aulas noturnas para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação.
A nova exigência começa a vigorar em 60 dias e o projeto é de autoria do deputado federal Celso Russomanno (PP-SP), que afirmou que a condução do veículo durante a noite exige "precauções adicionais".
Aí eu sou obrigado a perguntar: precauções adicionais são exigidas apenas na condução noturna, deputado Russomano? E em outras condições adversas de visibilidade, como chuva ou névoa? E quando é que vão começar a ensinar os motoristas a entrar e sair de vias expressas e rodovias?
Imagem: garageboy.com
Quando eu estava no segundo grau, prestes a completar 18 anos, marquei uma viagem para o interior de São Paulo com alguns colegas de classe, já que um deles era recém-habilitado e havia acabado de comprar um carro. Logo no começo da viagem, um de nós perguntou se o dono do carro tinha muita experiência em estradas.
"Na verdade não..." - disse o colega - "... essa é a primeira vez que estou encarando uma estrada, mas não quis falar nada para não assustar vocês. Fiquei com medo de desistirem da viagem".
É claro que ficamos todos apreensivos, mas já estávamos ali mesmo, não podíamos pular fora. Encaramos como uma verdadeira aventura e fizemos nossa viagem em segurança, mas e as pessoas que não contam com a mesma sorte, como é que ficam?
Dentro de alguns meses chegaria a minha vez de me submeter ao exame para obtenção da CNH e a encrenca começou logo no dia do exame: eu trajava uma bermuda, vejam vocês, um traje bem natural para aquele dia de calor escaldante.
A dona da auto-escola ralhou comigo, dizendo que aquilo era um absurdo, pois até bem pouco tempo atrás exigiam até traje social completo, com gravata (o Bob Sharp sabe bem do que estou falando).
"Instrutor" de auto-escola ordenhando volante.
Depois de muita discussão, os examinadores disseram que eu poderia sim realizar o exame de bermuda, sem problema algum. Passei "raspando", perdi 3 pontos na baliza (um ponto por regular o espelho retrovisor depois de ter colocado o carro em movimento e dois por ter deixado o carro "morrer").
Inesquecível mesmo foi a recomendação do examinador, logo ao descer do carro: "Aqui estão seus protocolos, agora vocês são motoristas habilitados. Pelo amor de Deus, não cometam nenhuma besteira, não matem, não morram."
Apenas isso: uma porcariazinha de uma baliza, uma rampinha fajuta, uma volta no quarteirão e uma recomendação para "não matar e não morrer". Sinceramente, eu não me importaria nem um pouco em realizar o exame de terno e gravata, se de fato eu tivesse um aprendizado digno e sério.
Mas não adianta. Para os nossos "representantes", o que realmente importa é entupir os nossos carros de itens de segurança como ABS e airbags, ainda que o consumidor não faça questão de tê-los. Como se uma canetada cretina fosse resolver um problema grave de formação e educação para o trânsito.
FB

23 comentários :

  1. bah, vc iria adorar tirar a carteira aqui, extremamente difícil, volta grande, muito morro, algumas paradas, nem metade dos que tentam conseguem passar. Eu mesmo reprovei uma vez, meus irmãos várias ao ponto de irem a outras cidades e prestar a prova lá. Bom texto.

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  2. bah, vc iria adorar tirar a carteira aqui, extremamente difícil, volta grande, muito morro, algumas paradas, nem metade dos que tentam conseguem passar. Eu mesmo reprovei uma vez, meus irmãos várias ao ponto de irem a outras cidades e prestar a prova lá. Bom texto.

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  3. Marcelo Augusto19/03/10 01:53

    Eu sou curioso para saber como é o exame em outros países. Parece que uma vez um colega do blog falou disso.

    Aqui saber dirigir é aprender a operar a embreagem, não deixar o carro "morrer". Ou seja, uma criança que alcança os pedais passaria na prova prática em um carro de dois pedais...

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  4. Comportamento normal de deputado: inventa uma lei boba, sem embasamento técnico adequado e que não adianta nada, e vende a ideia como se fosse resolver os problemas do mundo por decreto. Lembre-se, lá em Brasília o pessoal já tentou até proibir a inflação por decreto! E insistiram no erro várias vezes, diga-se de passagem. Qualquer dia, algum deputado desses inventa uma lei proibindo a gravidade de atuar após as 10 da noite, ou qualquer coisa tão absurda quanto.

    Em um episódio do Top Gear (3º da 12ª temporada), eles comentam que para obter a habilitação na Finlândia, todo motorista tem que fazer um curso que inclui frenagens de emergência em piso de baixa aderência, aulas noturnas etc. A habilitação definitiva só é dada aos finlandeses após três anos de aulas a treino. No programa eles mostram isso sucintamente, mas vale a pena ver. Só tome cuidado para conter a raiva de lembrar como as coisas funcionam por aqui...

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  5. Atitude de político para aparecer em época de eleição. Só isso...

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  6. Francisco V.G.19/03/10 07:50

    O que esperar dessa gente? Apenas isso: Besteiras. Mas o pior é a grande parte da população que compra essa conversa mole e fajuta, auxiliado, é claro, pela imprensa que mais faz em desinformar do que informar.

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  7. Quando colocarão no Código que é necessário aprender dirigir em estradas também?

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  8. Marcelo R.19/03/10 08:47

    Além da formação falha, é mais fácil pagar "milzão" e receber a carta em casa, sem nem fazer a prova prática...

    Pontos na carteira?? Mais "milzão" e eles somem, fazendo com que você possa "se orgulhar" da sua "ficha limpa"...

    Esse tipo de coisa me revolta, fora o fato de que as pessoas que fazem isso, ficam te olhando e imaginando: "Que trouxa!", por você querer andar corretamente, para não ser multado, e nem querer comprar a sua habilitação.

    Tem muita coisa a ser mudada por aqui e o começo tem de ser pela mudança do pensamento da maioria da população, para tentarmos mudar as outras coisas...

    um abraço e fiquem com Deus!

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  9. Ainda sou da opinião que nossas leis estão mais que adequadas à nossa realidade... na verdade tem coisa até demais nelas.

    O que realmente faz falta é a atuação constante de agentes de trânsito, ou seja, fiscalização contínua e eficiente nas ruas, especialmente em horários de pico.

    Estes fiscais deveriam possuir curso de formação para poder atuar em controle de tráfego, educação e avaliação de melhorias.

    Embora ache que minha idéia seja um tanto utópica, acho muito difícil alguém me convencer que um canetaço de um senhor deputado dentro de um escritório com ar condicionado vai resolver um problema que só se resolve com um árduo trabalho de campo.

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  10. Esse tal aí... Celso Russomano... só quer aparecer! BABACA! lembro quando ele se candidatou a prefeito aqui me Santo André... o cara nunca foi cidadão andreense e queria se candidatar a prefeito, isto é só um exemplo!

    Aliás, aqui em Santo André, pelo menos na minha época, deixou o carro morrer, reprovou.

    Bitu, lendo sua história, lembrei de quando fiz a minha primeira viagem (dirigindo) pro sul do Brasil... A Régis na época era realmente a rodovia da morte (mão dupla, além de ser um buraco só). Eu e meus amigos passamos por uma das situações mais sinistras que já vivenciei, chuva à noite, subida com caminhão colado e outro caminhão ultrapassando na curva, nos obrigando a ir pro acostamento e mais buracos à 120~130km/h (velocidade que estávamos sendo obrigados a andar, devido à pressão da carreta que colava na gente). Detalhe, num Gol "bola" com aro 13! Ufa! Graças a Deus! segurei a situação no sangue frio, enquanto meus amigos nem conseguiam falar nada, silêncio no carro, som desligado, tensão total... kkkk...

    Marcelo, acredito que andamos corretamente, não simplesmente para evitar multas... o caminho é a educação mesmo.

    Quanto à lei, o que falta é aplicação mesmo, porque tem melhorado sim, por exemplo, eu sou a favor desta CNH provisória, acredito que esta lei deixou os novos motoristas sob uma pressão extra, obrigando-os a redobrar a atenção.

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  11. Por ter tido a maior parte de minhas aulas à noite, considero válida qualquer iniciativa que vise a levar um motorista mais consciente para as ruas.
    E como falaram aqui, também seria preciso reciclar os instrutores. O cara que me instruiu era um compêndio de vícios ao volante: "ordenhava" o dito cujo, pedia para seus alunos deixarem a primeira marcha engatada nas paradas, pedia para usar só lanternas à noite e por aí vai.

    E, claro, que se acabe com essa história de se poder ir só até a terceira marcha nessas aulas, pois há muito que os carros têm mais de quatro marchas e, em alguns casos, o dobro da marcha máxima a que se pode chegar.
    Falou-se da Finlândia e digo ser favorável a que se aprenda a controlar o carro em situações extremas, como derrapagens e frenagens em terrenos de pouco atrito. Lá é neve, mas aqui pode ser lama fina.

    E como o colega Fabio, também já peguei a Régis em dia de inferno. Se bem que foi de dia, mas peguei um monte de buracos a 110 km/h, três caminhões que tombaram, defensas inexistentes nas laterais e outras atrocidades. Tanto que me impressionei com a melhoria que ela teve em dois anos ao trafegar por ela no fim do ano passado.

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  12. O teste de habilitação pra carro é bom até! Eu tenho carteira pra moto sem nunca ter passado de 10 km/h..

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  13. ah, é, andar a noite é muito diferente, tem que saber acender os faróis. HAHAHA.

    Ja dirigi a noite e com chuva forte, a única diferença que percebi foi a minha atenção redobrada, e ainda tive que aturar alguns motoristas devidamente habilitados com o alerta ligado piscando na minha cara, certamente se achando os cherifes da estrada do tipo "se eu liguei o alerta é porque ta perigoso" ou algo assim, sei lá.

    Pô, eu pretendia fazer todas minhas aulas práticas a noite, terei que fazer aulas de dia também? afinal são situações diferentes.

    é cada uma viu?

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  14. Uma matéria que o pessoal do CQC ia gostar.

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  15. Zé da Silva19/03/10 12:11

    É impossível escrever algo , sem que se saiba o alfabeto.
    Esse deputado tem como origem a apresentação de um programeco de televisão, cuja maior atração era mostrar festinhas de gente aprentemente bem sucedida, e depois abriu processo contra um hospital por erro médico, aí o povo ficou com pêna dêle e o fez deputado, aí êle entrou no partido do Maluf,acho que não preciso contar o resto.............

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  16. A Auto-Escola não me acrescentou nada. Tudo o que eles me "ensinaram" (o básico do básico do básico), eu já sabia, ensinado por meu pai e meu avô dentro da fazenda. Como não me deixavam circular com o carro em vias públicas, com trânsito de fato, e 10 aulinhas na cidade (ainda mais em cidade do interior) não te dão tarimba nenhuma, aprender a dirigir mesmo, enfrentando as mais diversas situações, só fui aprender na prática do dia-a-dia, depois de tirada a carteira. Até hoje me lembro dos sustos dos amigos, he, he! Em tempo: alguém aí falou em aulas em estradas. Muita gente pensa que estrada é mole, até mais fácil que dirigir no trânsito pesado, mas é uma situação completamente diferente, que requer conhecimentos que a Auto-Escola não dá. Minha primeira viagem foi de 900Km, bem grande para quem nunca tinha vivido a situação. Me lembro da minha apreensão e do extremo cuidado para não fazer besteiras.

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  17. Me respondam uma coisa:

    Alguem apreendeu a trocar um pneu na Auto-Escola ?

    Quem tem seguro tudo bem, liga para o 0800 e chama o motoboy. E quem não tem ?

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  18. Estranho, pois a resolução 168/2004 do Contran (pode estar errado o número, pois passam muitos números na minha cabeça) prevê que as aulas serão feitas em condições adversas de clima e iluminação.

    Agora, obrigar o aluno de CFC a passar por uma condição adversa sem sequer dominar o veículo é arriscado.

    Muitos CFCs não estão preparados para esse tipo de abordagem prática, pois sequer conseguem passar o programa básico. O foco é sempre o exame!

    E essa culpa não é só dos instrutores ou do CFC, mas dos próprios candidatos/alunos que querem só passar no exame e ter a desejada CNH.

    Estou na luta, tentando fazer a minha parte nessa batalha chamada educação de trânsito!

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  19. Nunca entrei em uma autoescola ,mas deve ser uma porcaria mesmo como dizem.
    tirei minhas cartas com carro próprio, na época podia se nomear um instrutor, geralmente era o pai.
    para tirar carteira de moto foi mais difícil, ninguém tinha, só o seu manoel português que entregava pão de lambreta do jardim paulista. ele foi meu instrutor, mas tive que ir dirigindo, eu tinha uma BMW R69S e o portuga disse que não iria dirigir aquilo nem amarrado.

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  20. Estou cansado de ver carros de autoescola sendo mal conduzidos, fazendo barbeiragens e cometendo infrações.

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  21. Este comentário foi removido pelo autor.

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  22. Por que o carro de CFC fotografado tem pictogramas que representam condutor portador de deficiência física? Seria um carro adaptado para instrução de deficientes físicos?
    Não seria por deficiência na mão esquerda que o condutor está dirigindo apenas com a mão direita e "ordenhando vaca" no volante?

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  23. Falta o canetasso decretando o motorista brasileiro a ser EDUCADO.

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