SPEEDFIGHT. PEUGEOT, BEM MAIS QUE PIMENTEIROS


Moedores e pimenteiros Peugeot: desde 1810

SpeedFight: um cinqüentinha brigador e sofisticado

Uma definição (maldosa) sobre a marca francesa seria assim: “Os scooters são o segundo melhor produto da Peugeot. O primeiro, The Best, são os moedores de pimenta”. Explico a maldade historicamente, antes que os donos de carros da Peugeot me xinguem muito. A produção francesa destes pimenteiros começou há mais de 200 anos, em 1810. Já os automóveis são “recentes”, só tem 120 e poucos anos, tendo saído o primeiro desta empresa de Lion (daí o leãozinho) só em 1891. Como curiosidade, existem moedores de pimenta antigos Peugeot (que trituram pimenta do reino), em prata, que valem uma fortuna para colecionadores.  

Gozações e história à parte, gosto de pimenta inclusive sobre duas rodas. E sempre gostei dos scooters Peugeot, tanto que dei um Zenith para meus filhos quando adolescentes (em 1994) e ele roda até hoje, sem nunca ter sido aberto o motor. Vieram poucos destes scooters para o Brasil, já que a Peugeot nunca os importou oficialmente, a maioria foi trazida pela Sundown entre 1994 e 1997. Pois é, acontece: há pouco mais de um ano, meu mecânico de motos, o João, me deixa um recado de que havia uma “coisa esquisita”, um scooter estranho numa oficina numa cidadezinha a cerca de 50 quilômetros de Tatuí. 

Escape dimensionado e peças em compósito de fibra de carbono

Em um sábado lá fomos nós, para ter uma surpresa e descobrir  o topo de linha dos cinqüentinhas da Peugeot, o SpeedFight. Coitado, caiu no Brasil para servir de “transporte de sítio”, todo cheio de lama e poeira, fundido e faltando muitos pedaços. Em compensação, estava todo original, pelo menos nas peças que sobraram. Claro que comprei e depois de lavar várias vezes, descobri que até a pintura, capa do banco e espelhos era originais e estavam em muito bom estado para um cinqüentinha feito em 1997 e usado em estradas de terra, longe de seu habitat, o asfalto. 

Na dianteira, uma exclusiva suspensão de único braço

Eles não vieram para o Brasil pela própria Peugeot por um motivo muito simples, segundo executivos da marca: preço. São muito sofisticados e caros. Além disso, cilindradas tradicionais, idolatradas na Europa, simplesmente ninguém dá a menor importância no Brasil, principalmente 50 cm³. Dificilmente alguém pagaria algo como R$ 10 ou 12 mil por um mosquito voador como este. Este SpeedFight é o melhor exemplo disso: grande, com dimensões do Honda Lead, tem aros de liga de 12 polegadas (outros scooters até de 150 cm³ têm aros 10”), na carenagem existem várias peças em compósito de fibra de carbono, a suspensão dianteira é monobraço (algo que praticamente só a BMW teve coragem de usar em suas motos), com freio a disco centralizado (dentro da roda), escape dimensionado de fábrica, além de um motor muito chique. 

Só como exemplo: o cilindro é de ferro fundido, com um banho de alumínio na camisa, onde o pistão trabalha com anéis cromados. Quase não há atrito neste dois-tempos, que gira como um motorzinho de aeromodelo. Com apenas 49 cm³ rende 6 cv, ou seja, mais de 100 cv por litro. Desvantagem: o cilindro não permite retifica, pois aí se retira o banho de alumínio. Além disso, não existe pistão sobremedida para ele. Assim, na minha mão só havia um projeto, com a transmissão estourada e o motor fundido (o cilindro tinha um enorme risco, inutilizando-o), além de danos menores como pneus carecas, detalhes e plásticos de lanterna desaparecidos. 

Peugeot Zenith foi apenas um doador de peças

Primeira providência foi achar um Peugeot Zenith sucata – scooter mais simples e que veio em maior quantidade para o Brasil – mas que tem o mesmo motor básico. Consegui achar um jogado em outra oficina e ele foi doador do cilindro e as carenagens plásticas do motor, que fundiu exatamente pela falta destes dutos que encaminham o ar do ventilador para refrigerar o cilindro e cabeçote. Alguns poucos outros detalhes do Zenith também foram usados. Consegui um pistão paralelo no Brasil e uma correia de transmissão quebra-galho foi achada numa loja de borrachas. Os pneus têm a mesma medida do Honda Lead e foram comprados com alguma facilidade. O Speed começou a andar, ainda que mal. Precisava de peças novas e de melhor qualidade. 

Painel chique, com direito ao leãzinho francês de Lion

Fuçando na internet, cheguei ao eBay da Inglaterra. Uma das vantagens deste monstruoso comércio mundial é que, sendo associado ao eBay americano, você pode comprar qualquer coisa no mundo todo, com o mesmo username e senha. Achei um vendedor inglês oferecendo peças do SpeedFight com refrigeração líquida (que começou a sair em 1998/99) na França. Mandei um email e o inglês garantiu que conseguiria qualquer peça para o meu, com refrigeração a ar. Era verdade. 

Fui pedindo ao poucos (para não estourar a cota de US$ 50 de nossa democrática alfândega) e veio tudo: pistão, correia de transmissão, pastilhas de freio, plásticos de lanterna, um monte de detalhes. O carteiro era esperado com a ansiedade de um adolescente (aliás, esta paixão meio besta por scooters começou exatamente na adolescência, em meio às Vespas e Lambrettas, avós deste Peugeot). Veio tudo e de qualidade. O SpeedFight começou a andar para valer. Antes, as suspensões e freios foram desmontados, limpos, além de rolamentos e buchas serem lubrificadas ou trocadas. A suspensão dianteira estava travada de tanta terra. Algumas borrachas e retentores genéricos foram trocados. Claro que não faltaram algumas “gambiarras de classe” (como cabo de velocímetro) adaptadas de motos nacionais.

Disco dianteiro central evita desvios em freadas mais fortes

Depois de algum amaciamento, ele chegava aos 90 km/h na estrada, ótimo para um cinqüentinha grande e pesado (98 kg), Só que nas subidas caía para 50/60 km/h, uma velocidade perigosa. Aí chega um email de meu amigo inglês: vai um pistão de 42 mm para transformar o Peugeozinho em 75 cm³? Ele tinha inclusive o bendito cilindro maior com banho de alumínio, só que era caro e transporte mais caro ainda. Comprei só o pistão e anéis, peguei o cilindro velho, riscado, e mandei abrir e encamisar. 

Segundo o inglês, assim ele não chegaria ao 9 cv, mas uns 8,5 cv devido ao maior atrito interno entre os anéis e a camisa de ferro (colocada no Brasil). Depois de tudo montado, surgiu um problema: o filtro de ar tem um limitador de fluxo para manter a mistura correta. E precisávamos de mais ar e mais gasolina devido ao aumento de 50% na cilindrada. O filtro original foi guardado e em seu lugar veio um “esportivo genérico” (parece um minifiltro daqueles para carros turbo) que só serve para o motor não engolir pedras. Não filtra nada mas a poeira até ajuda os anéis assentarem mais rapidamente. 

Acertada a carburação, o Speed ficou forte. Forte demais nas arrancadas, sem grandes vantagens na velocidade final. Fui para o eBay de novo e da China vieram roletes para a transmissão CVT com diversos pesos. Quando se colocam roletes mais pesados, a polia dianteira aumenta mais seu diametro e alonga a relação final. Moral da história: sem grande trabalho, quase tudo chegando em casa pelo correio, tenho um Peugeot Speedfight 75 (travestido de cinqüentinha), bastante exclusivo aqui no Brasil, que roda a 100 km/h na estrada e nas subidas segura 85/90 km/h. E o motorzinho ainda está amaciando...De quebra, uma deliciosa sensação de voltar à adolescência quando se está na terceira idade.
 
Desculpas do escriba: As fotos são de meu arquivo pessoal e estão meio sem graça. Não pretendia publicá-las e não tive tempo de refazer. 

JS



















42 comentários :

  1. Aléssio Marinho20/07/13 12:24

    Poxa, que saga, hein?
    Aqui em Belém vejo alguns "2 rodas" Peugeot circulando, alguns em péssimo estado, diga-se.
    Mas o pessoal tem contato próximo com a Guiana Francesa e consegue trazer peças de lá. Acho que em Macapá deve ter uma maior quantidade deles rodando.
    De vez em quando vejo carros com placa europeia rodando por aqui, por ex, o Duster conheci 6 meses antes da Renault apresentá-lo, na casa de um vizinho...rssrs

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  2. Coitado desse Peugeot: fabricado para desfilar nas avenidas de Paris, com pecas de fibra de carbono(!), acabou vindo para rodar em fazendas...

    Sorte ele ter te achado, Milton. Aliás, sorte dele e sua.


    Aproveitando, se puder, escreva algo nos comentários sobre essa importacao via eBay de peças chegando pelo correio. Tem muita coisa que custa até 50 dólares lá fora, de importados, e que aqui deve esbarrar nos 600 reais de preço final devido ao custo e o lucro Brasil.

    Obrigado e parabéns!

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    1. Oi Marcos.
      Há uma regulamentação de alfandega sobre produtos que vem do exterior liberando de cobrança de taxas artigos até U$50. Nestes U$ 50, no entanto, estão somados o preço do produto mais o frete. O que ultrapassa este valor é taxado em 60%. Para comprar pode ser usado qualquer site de vendas no exterior. Pessoalmente prefiro o eBay, pois tem de tudo e são vários sites em muitos paises. Um problema, as vezes, é que alguns vendedores não enviam para o Brasil. Dá pra convencer alguns, mandando email e pedindo o frete etc. Outra vantagem do eBay é que se paga com o PayPal, um metodo bastante seguro no qual não se expõe o numero do seu cartão de crédito. Outra desvantagem é que demora, já que o frete mais em conta é pelo correio normal: a entrega varia geralmente varia entre 15 e 30 dias. E para comprar é necessário entender e escrever em ingles (o Google Translator ajuda um pouco).

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    2. Obrigado pela disponibilidade, Josias. Ajudou bastante.
      Desculpa lhe chamar de Milton. Tinha lido um post do MB antes de ler o seu e confundi.
      Abraços,

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    3. Marcos, possuo uma Aprilia Pegaso e uso muito desse expediente para pedir peças.
      Acrescentando o que o Josias falou, geralmente sites da Inglaterra e Alemanha são mais amigáveis para mandar peças. Americanos não gostam de mandar para o Brasil. É impressionante a quantidade e a qualidade de peças que tem no exterior.

      Quando comprei a Aprilia Pegaso fui muito criticado por causa da falta de disponibilidade de peças. Mas tanto ela como uma moto anterior, uma Kawasaki Vulcan 500 1996 nunca tive dificuldade de achar peças.

      Cabos de velocímetros faço em lojas que fazem restauração de velocimetro. E pasmem! Mesmo sendo mão de obra muito especializada o custo é menor do que nas lojas da boca e a qualidade é igual.

      Não tenha medo de manter uma moto rara, apenas não dependa dela para o uso diário, pois algumas peças demoram a chegar.

      Abs,

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    4. Penso q caberia maiores detalhamentos a respeito desse processo de compra no exterior, com pormenores, dicas e cuidados que devemos tomar.

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    5. A questão é achar um vendedor com boa qualificação... Há uma política de garantias de compras no ebay e tambem no paypal, então voce está duplamente resguardado.

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    6. Quem quiser peças para a peugeot speedfigt pode me ligar que tenho muita coisa e o que não tiver consigo com rapidez. 41-9878-3545 Alex

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  3. Marcos Alvarenga, quem escreveu o post foi Josias Silveira.

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  4. Tive um Speedake 98! Na época nem sabia e/ou nem me dava conta de que era um Peugeot "da mesma Peugeot" dos carros (assim como me dá sempre a impressão que a Honda das motos não é a mesma Honda dos carros). Mesmo porque em 98 os carros da Peugeot não eram tão comuns quanto são hoje e também não estavam entre os "preferidos".
    Nunca mais vi um scooter da marca rodando. Creio que a manutenção ficou difícil devido à falta de peças.

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  5. CSS.
    Vieram poucos e, pelo que sei, a importação parou em 1997/98, um bom tempo atrás. Até existem algumas peças aqui pelo Brasil, mas são poucas, cobram uma fortuna e nem sempre são confiáveis, caso de componentes internos do motor. Aí fica difícil ver algum rodando. Percebo isto qdo rodo com o meu: muita gente pergunta qual a razão de ter um logotipo Peugeot num scooter.

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    1. Pois é Josias, muita gente desconhece. Induz a pensar que você mesmo colou um logo do leão no scooter.

      Assim como, aqui na cidade onde moro, roda um bizarro Fiat Coupé com logotipos da Ferrari...

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  6. E josias pregando fogo, na ciquentinha!!KKK
    Deve ter ficado bem legal este motor

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  7. Não sou muito fã de motos e scooters, mas gostei do post.

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  8. Josias,

    Muito legal a história e as "adequações técnicas" feitas no bichinho. Parabéns!

    Agora, e aquela Volvo 850 da 4ª foto?? Eu babo nesas quadradonas da Volvo!

    Um abraço!

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    1. Marcelo. Larga de olhar o meu quintal rsrsrs... Aquilo é uma Volvo SW 850 T5, 1997, Pouco rodada, se não me engano tem 235 cv no motor turbo de cinco cilindros. Uma delícia na estrada e carrega toda a tralha. No vidro traseiro, aquele adesivo verde reza: Powered by five mad vikings (algo como "empurrada por cinco vikings loucos) e tbém achei no eBay.

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    2. Josias,

      Precisamos de mais posts sobre essas "tranqueiras" que você tem no quintal de casa (rsrs)... Um post sobre a 850 SW T5 seria muito bem vindo!

      Me recordei de algo, agora. Certa vez você fez uma série de matérias na Oficina Mecânica, sobre a restauração de um TL, 1972 ou 1973 (não me lembro ao certo, agora), Amarelo Manga (da mesma cor do que eu tive). Que fim levou o carro? Você ainda está com ele?

      Um abraço!

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    3. Marcelo.
      Caramba, não lembrava que fiz uma matéria com o TL cor de manga. Rodei bastante com ele e depois vendi. Sempre tem uma encrenca nova na fila, esperando para ser recuperada. O que falta é $ e tempo. abs.

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    4. Caro Josias Silveira, belíssima sua Volvo SW 850 T5... Para quem, como eu, também adora um bom carrinho 'véio', esses posts são excelentes.

      Meu irmão, que mora em Portugal, teve uma dessas, com um ótimo câmbio manual que a Volvo não disponibilizou aqui no Brasil.

      Sempre estranhei este carro enorme (e um Volvo) com tração dianteira, mas foi só dirigi-lo pela primeira vez para esse estranhamento passar (o mesmo que aconteceu quando dirigi um Alfa 164 - com tração dianteira - pela primeira vez). E, ora, o 850 SW já participou até corridas!!!

      Aqui no Rio tem bastante Volvo SW 850 a bom preço. O problema é que só com câmbio automático. Daí a pergunta: é possível comprar este carro e colocar um câmbio manual?

      A pergunta é cabível porque não fiz isso com um Chrysler PT Cruiser porque o mecânico da uma concessionária da Chrysler (San Diego - RJ) disse que era impossível em razão da parte eletrônica (que 'conversava' com o motor). Daí passei o PT Cruizer para frente... Não gosto mesmo de câmbio auto.

      Enfim, com a eletrônica envolvendo os câmbios automáticos, você sabe se é possível colocar um câmbio manual em um Volvo 850 (ou até no PT Cruiser)?

      Por fim, a saga em busca de uma Subaru Outback, meio 'véinho', câmbio automático, continua...

      Abraços!!

      Leo-RJ

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    5. Oi Leo.
      Comprei essa Volvo com o cambio automático em mau estado e a ideia era colocar um manual, do modelo não turbo. Cheguei a conversar com o pessoal da Volvo e eles disseram que até colocariam, apesar do enorme trabalho para reestruturar a parte eletrônica, bem diferente nos dois casos. Porém, eles foram taxativos no fato de que o cambio mecânico não aguentaria o torque do motor turbo. Assim, acabei refazendo o cambio automático, que aliás ficou ótimo.

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    6. Caro Josias,

      Obrigado pela resposta. Eles estava certos, então. Melhor sonhar com os Volvo SW 850 T5 com câmbio manual original que rodam na Europa... :)

      Abç!

      Leo-RJ

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  9. e aquela saveiro sunset no fundo

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    1. Anonimo, mais um fuçando no meu quintal, rsrsr Tá bom de vista, hein! Realmente é uma Sunset 1994, motor 1.8S com cabeçote preparado pelo Sérgio Performance no computador e calibrada no dino. Vieram 130 cavalinhos alcoólatras. Tá comigo há uns 15 anos.

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    2. faz um post sobre ela
      eu tive uma sammer 97

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  10. Caro Josias hoje em dia o banho de Nikasil pode ser recuperado. Pode procurar a Lattari em SP. Tente arumar um cilindro velho que ainda não foi retificado.
    Sds, Fernando

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    1. Oi Fernando.
      Eu até sabia disto, mas de todo jeito teria de primeiro encamissar e depois dar o banho de Nikasil. O banho original do Peugeozinho não parece Nikasil, é algum derivado de alumínio mesmo. Mas o Nikasil é uma boa ideia. Já usei em virabrequim.

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  11. E essa bela perua volvo ao fundo... conte-nos mais sobre essa bela máquina.

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    1. Mauro. Dê uma olhada acima, na resposta que dei para o Marcelo, sobre a Volvo.

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  12. A motinhá não me apetece hoje em dia. Mas reconheco que na adolescência era louco por uma scooter destas. Reconheco também que não era a hora de montar em duas rodas (15... 16 anos) , pois não tinha o juízo que tenho hoje com 24. Uma 50cc nesta época seria mais perigosa que uma 500cc hoje. Os nossos pais são muito sábios mesmo em nos dizer "não " nas horas certas.

    Boa sorte com a sua francesinha, Josias!

    Abraço, turma!

    Augusto Sousa

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  13. Não acho que seja depreciar os Peugeots dizer que o melhor produto da empresa é um moedor de pimenta. Há um na minha família que foi fabricado em 1895. Funciona perfeitamente até hoje, tem um desenho que é funcional e decorativo ao mesmo tempo, seu uso requer pouco esforço e ele faz exatamente o que se espera que ele faça, quando se quer que ele faça. Além disso tudo, as estatísticas de mortes por uso incorreto de moedor de pimenta são ridículas, o que me leva a crer que, mesmo com 118 anos, esse produto é mais seguro que um carro ou moto modernos.
    "speedfigt" seria um ótimo nome para um caça da segunda guerra. Mas em se tratando de um a cinquentinha, ficou exagerado. Considerando-se, no entanto como uma motinha urbana que anda e ronca mais forte que a média, parece divertido de qualquer forma!
    Se não me engano, durante um período de tempo, as concessionárias Peugeot venderam as scooters. Caras e com a manutenção no padrão das concessionárias Peugeot, talvez não fossem uma boa opção, mas lembro-me delas na frente da loja...
    Tenho que dizer, também: A Zenith, embora tenha essa cara de moto da Barbie, é bastante bonita, chocando menos que a speedfigth. Acho que ela mereceria a chance de "nebulizar" as ruas e avenidas da cidade novamente...

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    1. Braulio.
      A Zenith que mostrei a foto foi só ilustração. Ela anda e bem. A que foi desmontada já tava sem chances de conserto e só guardei algumas peças.

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  14. Belo achado, moto muito bonita. Eu mando vir muitas peças para o meu mondeo 95 do ebay, lá se encontram peças de qualidade a preços irrisórios. Um exemplo é o MAF (sensor de fluxo de ar) que aqui no brasil o original custa quase 2000 reais quando é encontrado. Lá eu paguei 8 libras com frete. Eu mandei vir 2, só pra deixar um guardado.

    Quando passei 1 mês na amazônia me deparei com muitas dessas scooters francesas, lá por não pagar imposto eu imagino que foram importadas muitas. Tinha também muitas keeway hacker 50, a qual meu pai me arranjou uma preta, toda moída, mas que andava muito bem por estar com a mecânica em perfeito estado.
    O legal da história, é que eu tinha 15 anos e meu pai me largou as chaves da DR650 para mim aprender a andar de moto. Depois de quase me matar umas 10 vezes em menos de uma semana, devolvi as chaves e ele me arranjou a hackerzinha, bem mais amigável.

    A amazônia é um lugar diferente de tudo que eu já vi pelo brasil, lá não se usa capacete, muito menos cinto de segurança em carros para andar dentro da cidade. Nem a própria polícia usa. Imagino que alguns lugares do nordeste também sejam assim.

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  15. Aléssio Marinho21/07/13 01:15

    Porcodio,

    Saiu de capital e de cidade maiorzinha, o povo não usa capacete nem emplaca as motos. Sem contar o pessoal que põe cartão telefônico na placa da moto e usa sem capacete. Ninguém incomoda.
    Em Parintins, aluguei uma Biz pra andar pela cidade. Perguntei pro "alugador" se tinha capacete e ele me respondeu que se me desse um, seria parado pela polícia e teria a moto apreendida, pois saberiam que eu era de fora... E tem mais motos do que carro. Fui numa cidade-ilha chamada Nhamundá e contei 6 carros, 3 da prefeitura, e centenas de motos, maioria sem placa.
    Já rodei em cada lugar que dava um livro...

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  16. Adorei o texto. Ouvir histórias de alguém recuperando carros ou motos, pra mim é uma satisfação, fico feliz como imagino que o dono ficou, sabendo que uma parte da história ainda roda (o mais original possível, claro) por ai. Parabéns pela francesinha Josias, e nos brinde com mais histórias como esta!! Abraço.

    Daniel Libardi

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  17. Que história sensacional Josias!
    Recuperar uma motoneta Peugeot com peças via ebay já demonstra autoentusiasmo de primeira linha, com gambis e adaptações para apimentar desempenho, mais ainda!
    Abraco!

    MAS

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    1. É isso aí Marco Aurélio.
      Estas coisas estranhas garantem diversão de primeira linha. Além disso, reforçam que o nosso conhecimento sobre mecânica não é só teórico.
      Abração

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  18. Mais uma história da série "melhorias do Josias"... parabéns!

    E acho que, mais dia ou menos dia, ainda o verei enfiando um motor 2.0 num Citroën AX ou num Peugeot 106...

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    1. Anonimo. Não deixa de ser uma boa sugestão. Tempos atrás andei procurando um Citro AX. Só achei bagaço...

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    2. Instigando... http://www.delest.nl/cb-img/671/Peugeot-106-Rallye-13-1995.jpg
      Reproduzir um desses aqui fica fácil.

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  19. Adoro scooters mas essa Peugeot era mesmo só objeto de desejo visual...na prática, eu andava de Yamaha Axis 90...um torpedinho 2 tempos que atropelava CG's e ajdacencias.
    Hoje tenho uma PCX...muito boa também.

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  20. Vendemos algumas dessas scooters na CCS da família, aqui em Santos... como não eram de importação oficial meu pai ficou um tanto receoso no tocante a manutenção/garantia e parou de vender.
    Um vendedor que trabalhou conosco anos depois acabou comprando um Speedake azul/amarelo... era ele e outro vendedor com uma Aprilia RS 50 andando sempre juntos.

    Nunca me interessei em ter um desses, apesar da facilidade... preferi continuar com minha XR 200 a arriscar nesses scooters.
    A molecada da época babava neles.

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  21. Olá! Meu pai tem uma speedfight mas ela não tem cabeçote, sabe me informar onde eu posso achar?

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