EXTRA: COLUNA "CONVERSA DE PISTA", COM WAGNER GONZALEZ


PNEUS, MELHOR PASSAR A BORRACHA

A trilogia Pneus, Redondos e Furados continua vendendo bem nas bancas de jornal (sim, elas ainda existem...) e telas de internet pelo mundo afora. No fishn’chips de Silverstone a fritura dos peixes contaminou as batatas, ingrediente igualmente consumido em larga escala nas mesas tedescas, onde a F-1 se apresenta neste fim de semana. 

A questão agora é se é possível corrigir o tempero do Eisbein a tempo de salvar as batatas; por mais internacional que seja o cardápio da Pirelli, cotechino – embutido típico da “Bota” feito com carne de porco de segunda –, é um prato consumido regionalmente e menos consagrado que massas e molhos.

A receita do que aconteceu no fim de semana passado é das mais complexas: demandou muitos ingredientes, muito tempo de preparo e cozimento, trilogia com explosivo poder de desandar o ponto ideal do prato. E não deu outra. 



No primeiro quesito destacam-se o ondulado asfalto de Silverstone, detalhe que faz os pneus trabalharem mais que o normal para absorver essas imperfeições. Além disso, as já citadas zebras, que atuaram como lâminas típicas de sushiman que se preze, e o falido postulado de que a ordem de montagem dos pneus não altera o produto contribuíram substancialmente para o prato do dia honrar o grau de sofisticação da gastronomia inglesa.

A montagem dos pneus parece ter tanta importância quanto o estilo da maioria dos pilotos envolvidos no incidente do GP passado. No tempo dos pneus diagonais era comum equipes que usavam Goodyear montar os borrachudos no sentido de rotação contrário ao indicado pelo fabricante. Não se tem notícia de problemas por causa disso. 

Quando a Michelin se integrou ao convescote trouxe consigo a tecnologia radial, adotada também pela Pirelli no seu retorno à categoria. Nessa época os italianos produziam pneus assimétricos onde a estrutura do ombro interno era reforçada para absorver a carga gerada nas acelerações. 

No último fim de semana os produtos turcos da marca de Bicocca (região fundada pelos Archimboldi no século XV e onde fica a sede da borracharia milanesa) eram assimétricos, mas com reforço no ombro externo para suportar a alta deflexão gerada nas curvas de alta, característica maior do aeródromo que virou um dos principais autódromos mundiais.

Ironicamente. algumas equipes – McLaren e Red Bull entre elas –, montaram seus pneus com a rotação invertida. Por que a Pirelli, responsável pela montagem, não impediu isso? Porque uma vez entregue à equipe ela pode montar o conjunto roda pneu no lado não indicado e aí, adeus, amor... Por causa disso a FIA, agora, cobra um maior controle sobre pressão e montagem dos borrachudos: Charlie Whiting avisou que quem “errar” na calibragem e abusar da cambagem pode ficar de castigo. Ou seja, depois dos pneus estourados...

Apesar de tudo, as mudanças “borrachisticas” deste fim de semana serão pela metade: mantém-se a especificação dos dianteiros e usa-se o modelo os pneus traseiros testados no Canadá, que utilizam kevlar na sua carcaça. Mudança profunda acontece no GP da Hungria: neste circuito pouco usado e de velocidade média relativamente baixa será feita a segunda avaliação prática. Este equipamento que une a estrutura 2012 aos compostos de 2013 serão testados dentro de duas semanas em Silverstone – sim, em Silverstone – e terão seu primeiro desafio para valer no GP da Bélgica.



Enquanto isso, vive-se um fim de semana do tipo “business as usual”: Vettel (1m30”416) e Webber (1’30”683) fizeram sanduíche de Rosberg (1’30”651) no treino livre da tarde, seguidos por Grosjean (1’30”843”) e Raikkönen  (1’30”848). Alonso (1’31”056) e Massa (1’31”059), vieram a seguir. Amanhã tem classificação às 9h00 (horário de Brasília) e a largada da prova será às 9h00 de domingo.

BRUTOS TAMBÉM CORREM...E SOFREM

Interlagos recebe neste final de semana a etapa paulista da temporada de F-Truck. Falando para a imprensa esta manhã, a empresária Neusa Félix admitiu que a crise econômica que afeta o País não poupou a categoria, uma das mais populares, senão a mais popular, do esporte a motor no Brasil. Segundo ela, a marca Sinotruck optou por adiar sua participação na categoria em função da conjuntura econômica. “Mas continuamos conversando e é possível que eles reconsiderem essa posição em breve”. Atualmente a categoria reúne equipes que usam caminhões da Ford, Iveco, MAN, Scania, Volvo e Volkswagen, algumas delas com apoio direto das respectivas fábricas. Enquanto os chineses não vêm, o Santos passa a apoiar uma das equipes, tal qual o Corinthians faz há algum tempo.  

WG

11 comentários :

  1. Por tudo isso, Wagner, torço para que acabe o monopólio da Pirelli. Saudade da F1 com dois ou três fornecedores de pneus...

    Pra mim, a atitude daquela fabricante foi de uma falta de profissionalismo ímpar. Como uma fábrica entra nesse esporte sem entender como funcionam as equipes?

    Pior que eu sempre fui fã de Pirelli nos carros que uso. Mas na F1, parece que não pegou...

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  2. Sinceramente, jogar a culpa na Pirelli é fácil. Acredito que o conjunto de fatores que você citou, incluindo o fato de os pilotos abusarem das zebras pra vir o tempo, foram fundamentais para a sucessão de decapagens. E quantos tiveram o problema? Por que a maioria não teve o mesmo problema se a corrida era a mesma: mesmo piso, mesmos pneus, etc, etc.? Nem sou entusiasta dos pneus Pirelli (aliás, uso pneus de outro fabricante) mas não podemos condenar somente o fabricante pelos problemas ocorridos. Também chamar a Pirelli de monopólio é brincadeira. A Pirelli foi chamada a fornecer os pneus porque a Michelin jogou a toalha. E também já teve seus problemas no passado, como tiveram a Firestone, a Goodyear e a Dunlop. Quem acompanha a F1 como eu desde os anos 60 sabe do que estou falando. Já pensou se o Ecclestone resolve empurrar os Avon na F1? Ou ir atrás dos asiáticos? Aí vão ter saudade dos italianos. Wagner, um abraço e parabéns pela coluna.

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    1. Stroncio,

      Obrigado pelo comentário.

      A Avon já esteve na F1 para tapar buraco, mas, sem dúvida ajudou muitas equipes pequenas a sobreviver nas temporadas de 1981/82.

      Abraço,

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    2. Lucas dos Santos06/07/13 13:23

      Apenas uma correção: A Pirelli foi chamada a fornecer os pneus porque a Bridgestone jogou a toalha e não a Michelin.

      A Michelin já havia saído de cena há alguns anos quando a Pirelli chegou e, quando foi convidada a voltar para a Fórmula 1, disse que só voltaria se houvesse mais algum fornecedor para concorrer. Como a categoria estava interessada em ter apenas um fornecedor, não aceitou as condições da Michelin e contratou a Pirelli.

      Também não condeno a Pirelli pelos problemas sofridos atualmente com os pneus. Os compostos atuais só são frágeis desse jeito porque foram encomendados para serem assim, a fim de aumentar o número de trocas durante as corridas. Acredito que outras fornecedoras, no lugar da Pirelli, passariam pela mesma situação.

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    3. "Jogou a toalha" não é um termo que encaixa bem à saída da Bridgestone, depois de fornecer pneus à F-1 por 14 anos seguidos, tendo sido fornecedora única nos 4 anos finais. Se alguém "jogou a toalha", foi a Michelin, quando saiu ao final de 2006, um ano antes do programado, deixando a Bridgestone sozinha.

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  3. Mineirim,

    Sem dúvida a atitude da Pirelli não foi a mais sensata, mas posso dizer que os contratos na F1 são feitos de uma maneira que pouca gente tem acesso pleno. Como a FIA estava deixando o barco navegar ao sabor dos ventos e muita gente assoprou histórias e comentários das mais diversas direções e intensidades a calmaria que aprendemos na escola não teve flashback. Agora é descontar o prejuízo e autorizar treinos livres, o que vai melhorar o desenvolvimento de pneus e diminuir a possibilidade de acidentes, inclusive o que envolveu a bela Maria de Vilota, cerca de um ano atrás.

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  4. Essa mudança na estrutura dos pneus de F-1, em que o aço da cinta foi ou está sendo substituído pela aramida (nome comercial Kevlar) mostra que nada é mesmo para sempre. O "steel-belted radial", radial com cinta de aço, a grande novidade dos radiais no final dos anos 1960, passa ao ostracismo...Há quem se lembre de anúncio da Pirelli aqui, "É mais do que pneu, é pneu com aço, é pneuaço". Houve até, a título de piada, o mesmo jogo de palavras com a divisão de cabos da Pirelli..."É mais do cabo, é cabo com aço, é um..."...

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  5. Se eu fosse da Pirelli faria uma pequena sacanagem com as equipes: colocaria umas "setinhas" naquela faixa lateral colorida que indica a especificação de dureza do pneu. Equipe montou no sentido inverso, todo mundo fica sabendo e aí é por conta e risco da equipe.
    Quanto aos pneus de rua: os últimos Pirelli bons que usei foram os P400, nada especiais no seco mas ótimos no molhado. Depois migrei para os Michelin, muito superiores aos lançamentos recentes da marca italiana.

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  6. Eureka! Consegui concordar com todos, o que não é normal. Lucas, vc está certo, não foi a Michelin mas sim a Bridgestone. Acho ótima a idéia do Bianchini de colocar a setinha. Enfim, vamos ver como se comportam os pneus amanhã com a aramida no lugar da cinta de aço. Abraços em todos.

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  7. Deve ser divertido pro piloto da F1 pensar em encarar as retas imensas e as curvas de altíssima da parte final da volta em Spa calçando pneus que fazem PUF de repente...

    Não consigo acreditar que num ambiente de preocupação quase doentia com a precisão no acerto dos carros as equipes simplesmente invertam o sentido de giro do pneu, desprezando o risco de matar o piloto. FIA e Pirelli fizeram uma caca daquelas e agora resolveram "socializar" a culpa entre as equipes.

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  8. Buenas, tirando a prova dos nove, a culpa é sim da Pirelli que aceitou fazer esses pneus-paçoca à pedido do Bernie só para aumentar a emoção da F1. E como o mundo é dos espertos, enquanto o povão vibra vendo os pilotos tentando guiar carros calçados com quichutes e pneus do carro em 1º lugar explodirem, além do festival do macarrão italiano, e com isso vendo a audiência subir. A Pirelli, ao contrário, começa a ver a sua audiência cair nas borracharias. Quem compraria um pneu que não aguentou menos de 20 voltas na F1, ou melhor, quem compraria um pneu da mesma marca que explodiu em um carro à mais de 200 Km/h?

    Soberba, um pecado capital.

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