O QUE MARCA SIGNIFICA REALMENTE



Li esse texto quando trabalhava na GM. Alguém me deu para lê-lo, li, achei muito interessante, tirei uma cópia e guardei. Foi publicado na revista americana AutoWeek em agosto de 1998. Seu autor, Leon Mandel, foi editor-chefe e publisher da revista e escreveu sobre automóveis durante quatro décadas. Faleceu em 5 de março de 2002 aos 73 anos.

Procurando determinado papel nos meus guardados, encontrei a cópia - é sempre assim, procura-se uma coisa e se acha outra. Achei que o texto merecia ser compartilhado com os leitores do AE por ter muito a ver com o que acontece nos nossos dias.

BS


O QUE MARCA SIGNIFICA REALMENTE

Por Leon Mandel

Fala-se muito nas escolas que a lealdade à marca teve o mesmo fim do aperto de mãos quando se fechava um negócio. Pois estão todos redondamente enganados.

Algumas edições atrás eu escrevi um artigo exaltado sobre como a GM poderia definir melhor suas marcas - vender Chevrolets na Kmart, oferecer Buicks com revestimentos interiores exóticos, escrevi; vender Saturns de micro em micro pela internet ou nas livrarias das universidades, acrescentei...já deu para vocês saberem do que estou falando. É o fim do mundo.

Como poderia eu duvidar das verdades do Velho Testamento? Interessante, não? Por um bom tempo eu acreditei que se ligar num carro era o mesmo que religião. De tal maneira que, se você crescesse adepto da Ford, seria assim para sempre; ou se você pertencesse à congregação Chevrolet, seria lá que você passaria a sua vida toda. Mas nesses últimos anos quase passei a acreditar no que tenho lido - que não damos mais a mínima para aquilo que os produtos foram criados para ser. Que tudo não passa de mercadoria. Um volante de direção parece-se com outro, um câmbio não pode ser distinguido de outro. Ofereça um carro por preço mais baixo que o do concorrente e a venda está feita. Uma venda conquistada.

Obviamente, não me ocorreu que o negócio no qual me encontro diga o contrário. Autores de livros sobre carros e jornalistas especializados passam suas horas analisando as características dos produtos de maneira a fazer julgamentos e estendê-los aos leitores. Fazem mais do que isso, de fato, ao examinar o carro segundo o contexto fornecido pelo seu fabricante, emitindo sua opinião se o veículo cumpre ou não o prometido. Seguem-se julgamentos mais precisos, como a personalidade do veículo, suas sutilezas. Se ele é fiel - isto é crítico - à sua promessa de longo termo.

Devido ao fato de carros terem personalidade, as pessoas os escolhem baseando-se nesse aspecto e no quanto eles combinam ou se aproximam da própria personalidade, incluindo o pretendido perfil de uso. Essa característica é descrita pela palavra “marca” . Quando uma companhia perde a visão do que os seus carros representam para os seus compradores, ela perde o foco da sua marca, e o carro, de fato, passa a ser mera mercadoria.

Este é um fato na verdade muito triste, que pode ocorrer com qualquer um. Ocorreu com a Porsche e com a Mercedes-Benz. E, em maior escala, ocorreu com muitas marcas da GM. No caso da Porsche e da Mercedes, aqueles que tomam as decisões, ao verem as vendas despencarem, entenderam que sua missão era restabelecer o significado de seus carros - recriar nos novos produtos as virtudes e as características que definiram a marca nas mentes dos  compradores.

Por qualquer que seja o motivo, a GM decidiu tomar outro rumo. Ela encarregaria uma dúzia de jovens e brilhantes marqueteiros de serem os guardiães da marca, tornando-os responsáveis, juntamente com um quantidade um pouco menor de VLEs (N.d.T.: engenheiro responsável por uma linha de veículo), pela definição da personalidade de cada marca e de levá-la aos compradores.

Em vez de desenhar na sua própria história, a GM decidiu por um método de inferência de mercado: se o Saturn deveria ser vendido a clientes intelectuais, cautelosos, não-entusiastas, a GM criaria para este carro uma imagem que fosse atraente para este grupo. O problema disso é que se dá exatamente ao contrário. Um carro é o que ele diz que é, não o que um marqueteiro quer que ele seja.

Esse é o motivo, em longo prazo, pelo qual quem gosta de Ford nunca gostará de Chevrolet, não importa o quanto de desconto seja dado. É o mesmo motivo de proprietários de Jaguar jamais passarem perto do “clube” Porsche. De donos de carros com motores de grande cilindrada nunca voltarem atrás nas suas crenças e passarem para os de motores menores, de alta rotação.

É o que resume o negócio de automóveis. Escolha, Diferença, Personalidade.

E, claro, emoção. Talvez a lealdade à marca possa pertencer ao passado e pode até ser que ela não exista mais no segmento de minivans, mas tente dizer a um comprador de Impala SS que não está previsto um Malibu equivalente por um bom tempo, que seria melhor ele comprar um Elantra...


(Fim) 

44 comentários :

  1. Bob, eu sempre gostei da GM. Nas décadas de 80 e 90 ela tentava trazer para cá os carros bem atualizados em relação ao que eram na Europa (apesar de continuar reciclando Chevette e Opala). Porém, nesta última década eles desistiram deste compromisso e se renderam ao lucro fácil de reciclar plataformas antigas e esticar plataformas menores para vender carros maiores, a preço de carros maiores mesmo. Isso começou com a última geração do Vectra, que eu chamo de vAstra ou Astrão, em que pegaram o Astra europeu, puseram um porta-malas e esticaram o entre-eixos, enquanto os europeus haviam recebido em 2002 um verdadeiro Vectra C baseado na plataforma Epsilon. Desde então, só trapalhadas por aqui.

    Tive 3 Monza e 2 Vectra, vendi o último Vectra (ainda um Vectra de verdade, um Vectra B 2002, nada de Astrão) e comprei um Fusion. Fui pra Ford porque a GM simplesmente não tem nada pra substituir o Vectra à altura. E, para o azar da GM, estou gostando bastante do Fusion.

    Assim como eu, hoje muitos ex-donos de Vectra devem estar dirigindo Civic, Corolla ou mesmo Fusion. A GM simplesmente os empurrou para a concorrência pela ganância de economizar no produto.

    ResponderExcluir
  2. Aqui no Brasil é muito difícil definir isso pois, pois o carro vende pelo menor preço ou pela sorte de ser a moda da vez e não pelas virtudes mecânicas, historia da marca, beleza, durabilidade, ergonomia, facilidades e real status.

    Já lá no exterior tanto norte americano quando europeu, a coisa sim pende muito pelas questões da marca em si, da historia, do custo beneficio, das facilidades e ainda muito sim pelo desempenho nas pistas o que é muito bom de se ver, principalmente as Europeias.

    Aqui nesta terra é uma piada de mal gosto...

    ResponderExcluir
  3. Farjoun,

    Entendo perfeitamente como você se sente.

    Pelas garagens de minha família passaram doze Chevrolets - dois Opalas, quatro Chevettes, dois Monzas, um Kadett, um Corsa e dois Vectras. Aprendi a dirigir no primeiro Chevette, um modelo Jeans de 1979. Meu primeiro carro foi o segundo Chevette, um SL do mesmo ano.

    Hoje, temos em casa um Jetta 2008 e um Corolla 2001.

    Algum tempo atrás, um conhecido que trabalha em uma concessionária GM me perguntou: "Como é que alguém como você, que entende tanto de Chevrolet, anda de Volkswagen?"

    Devolvi na bucha: "Como é que uma empresa que fez Opala, Chevette, Monza e Kadett resolve fazer Celta?"

    ResponderExcluir
  4. Se Leon Mandel ainda fosse vivo e visse o Elantra 2011, com certeza ele mudaria o último parágrafo do texto!

    Coitados dos atuais Chevrolet. O Cruze parece uma múmia do lado do novo sedan da Hyundai...

    ResponderExcluir
  5. Desculpem. AO lado do "novo" Chevrolet...

    ResponderExcluir
  6. Isso está acontecendo com a Honda nesse exato momento. Os carros estão perdendo confiabilidade mecânica e estão cada vez mais parecidos com os Hyundai (pq vendem mais).

    Pergunte a qualquer dono de Honda fabricado até ano 2000, se eles preferem o Honda antigo ou o novo. Ou perguntem se eles preferem o Fit antigo ou o novo também. A resposta será a mesma.

    ResponderExcluir
  7. Lealdade à marca, acho que está mesmo em declínio. Ficou restrita a pequenos grupos. Mas parece que ainda existe muita gente que escolhe marca (e modelo) por uma imagem consolidada há muito tempo, assim como tem gente que só compra geladeira Brastemp e ar-condicionado Consul.

    Isso, para mim, explica por que ainda tem tanta gente comprando carros da GM e da VW, apesar de serem negócios cada vez piores em relação aos concorrentes.

    ResponderExcluir
  8. Gosto de experimentar. Até agora, foram seis carros, e nunca repeti marca. Creio que jamais faria como meu pai, que teve oito VW, e seis GM. E além de repetir marca, meu velho repetia modelo, he, he! Das que experimentei, nenhuma se mostrou tão superior em relação às outras que me fizesse adotá-la para sempre, nem tão inferior que me fizesse descartar definitivamente a possibilidade de uma volta àquela "casa". Acho que isto corrobora uma coisa que o Bob diz, ou seja, que hoje não existe mais marca ruim. O que acontece, é que o sujeito, por questão de gosto pessoal, pode valorizar mais (ou menos) determinadas características de uma determinada marca. Eu, por exemplo, não gosto da dureza (no sentido do conforto, mesmo) das suspensões dos VW. Bem, isto tudo que eu disse, está valendo para carros de simples mortais, digamos assim. Não sei se um dia, se vier a poder ter carros de patamares tão superiores, não encontrarei em uma marca qualquer, atributos que me façam considerá-la tão acima da concorrência, a ponto de me fixar nela.

    ResponderExcluir
  9. Sem dúvida isto existe. Lógico que menos, devido a um maior número de modelos. Tive Gol quadrado, depois bola, depois parati, depois GOLF e ... na falta de um novo GOLF, FIELDER.
    Dificilmente compraria a FIELDER se existisse aqui o GOLF europeu.

    ResponderExcluir
  10. prezado Bob,

    boa noite.

    dúvida: o termo "grande cilindrada" foi empregado corretamente? Não poderia ter traduido para "grande capacidade volumétrica"?

    Abraços

    ResponderExcluir
  11. Felipe
    O termo cilindrada é correto e deriva do francês cylindrée e uso-o exclusivamente. O outro termo igualmente correto é deslocamento, do inglês displacement. Não deve ser usado nenhum outro fora esses dois, inclusive o que você citou, capacidade volumétrica.

    ResponderExcluir
  12. Cada um com sua história.
    Desde a mais tenra idade fui fanático pela Ford, e tive até a felicidade de aprender a guiar em uma pick-up Ford F-100.
    Mas nem sempre as coisas são como queremos. Após alguns Fuscas, adquiri uma Belina II usada que desfrutei plenamente, mas foi o primeiro e último veículo da Ford.
    Após adquirir alguns carros da VW usados e um novo, passei a adquirir carros da Chevrolet, novos e um Renault, também novo.
    Atualmente possuo um Astra hatch duas portas que foi comprado zero. Foi o último a sair nessa configuração, que é a minha preferida e agora que foi descontinuado, certamente mudarei de marca. Fora o Astra, não tenho interesse por nenhum Chevrolet fabricado atualmente.
    Mas se sempre fui fanático pela Ford, porque não fiquei cliente dela? É que sempre que pretendia trocar de carro, eu dava uma passada em alguma revenda Ford, mas quando tinha um carro em mente, os vendedores sempre insistiam para que eu comprasse outro. E é claro que nunca fechávamos negócio.
    Ainda hoje eu sinto por isso e penso comigo mesmo: "O próximo será Ford", mas sinceramente não acredito mais nessa hipótese.
    Mas ainda continuo fã da marca. Tanto é que na crise automobilística norte americana, eu torci mais por ela do que pela GM, mesmo com um Astra e um Celta na garagem. E até hoje, sempre que vejo algo sobre a marca Ford, deixo tudo de lado para ler a respeito.
    Mas, são coisas da vida.

    ResponderExcluir
  13. Nao entendi nada, cilindrada nao estava errado?

    ResponderExcluir
  14. Cilindrada é o nome de uma grandeza, medida em unidades de volume, como cm³, litro ou in³

    Pode-se dizer que o motor V8 do Landau tinha 302 in³ de cilindrada, assim como hoje se diz que o motor do Celta tem motor com cilindrada de 1 litro. O uso errado que fazem é colocar cilindrada como unidade de medida, como se 1 cilindrada fosse 1 cm³ (ou 1 ml, é a mesma coisa), dizendo que "O Veloster tem motor de 1600 cilindradas", quando o correto seria dizer "O Veloster tem um motor de 1600 cm³ de cilindrada" ou "O Veloster tem um motor com cilindrada de 1600 cm³"

    Percebeu a diferença? Cilindrada é o nome da grandeza, não a unidade de medição dela.

    ResponderExcluir
  15. CMF muito obrigado.

    ResponderExcluir
  16. Meu velho e querido tio Valter sempre foi Chevrolet. Teve Veraneio, Opala Comodoro, vários Omegas. Aí entrou rapidamente em Astra e por fim no Vectra (Astra) atual. Hoje ele anda de Corolla!!

    ResponderExcluir
  17. Pensem bem, novo é novo....mas e depois de usado, sou mais chevrolet.Tenho um celta 2007 com 176.000. não incomoda.Quero ver Hiunday,kia, nissan, jac, etc daqui uns seis , sete anos.Sem falar que esses carros mudam a cada dois tres anos enquanto a marca da gravata eles demoram ou seja,sem aquela sensação de carro velho com dois anos de uso.

    ResponderExcluir
  18. Eu compro carro da seguinte forma:

    1 - numa concessionária que pague bem pelo meu usado
    2 - zero km, mesmo sabendo que vou perder dinheiro
    3 - cujo financiamento curto seja vantajoso financeiramente
    4 - que ofereça os itens de conforto e potência que desejo
    5 - que tenha um visual que me agrada

    Visto isso, faço uma planilha de tomada de decisão e compro o que melhor me atender, tanto faz a marca.

    Lealdade com marcas é a pior besteira que existe - a marca não vai nunca chegar na sua casa e falar "ó, você é leal, leva aqui esse descontão ou esse brinde ou esse carro bacana". Ainda por cima, quem é leal vive batendo a cara quando a marca não agrada.

    ResponderExcluir
  19. Bob,
    Nada a ver com o assunto do post, mas como pedido/sugestão: Vc participou daqueles torneios da Ford com o Maverick 4? Se sim ou não, mas tendo conhecimento, poderia falar desses carros com o motor 2300 OHC nas pistas(se tinham preparação, o que representou a introdução deste motor na linha e o porquê do uso restrito desse motor na linha Ford de automóveis)? Outra coisa, uma vez o Rafael Hagi disse que você irá preparar um post sobre a história do motor chevette...Procede? Abraço!

    ResponderExcluir
  20. Marcelo Junji12/10/11 22:42

    Acredito que Peugeot-Citroen ainda continuam focadas nas características dos seus carros, mas não dá para ser fiel com uma marca que não respeita seu cliente. Carros peugeot dá muito prazer em dirigir, mas se tiver defeito a fábrica não faz valer a garantia, alegando que está tudo dentro da normalidade.
    PSA nunca mais.

    ResponderExcluir
  21. Antonio Gomes12/10/11 22:51

    CMF, agradeço também pelo excelente e didático esclarecimento.
    BS, ogrigado por compartilhar estes pequenos tesouros, que podem ser úteis não só no mundo automobilístico, como também em outras áreas profissionais e nos abre a mente para novas reflexões. Um abraço.

    ResponderExcluir
  22. Achei interessante essa parte: "Fazem mais do que isso, de fato, ao examinar o carro segundo o contexto fornecido pelo seu fabricante, emitindo sua opinião se o veículo cumpre ou não o prometido."

    Tem uns vídeos da Sabine Schmitz avaliando carros para um programa alemão (não é o D-Motor), e a avaliação parte exatamente do que prometem sobre o carro. Só como um exemplo, a BMW definiu que o 1M tinha um design atlético. Ela foi lá e deu um vermelho, falando que o design era musculoso e não atlético. Então ela vai concordando com mais ou menos animação, verificando se o carro cumpre o que promete. É meio engraçado imaginar ela avaliando o Elantra aqui no Brasil...

    Sobre marcas, eu sempre ouvi falar no termo "suspensão de BMW". Quando eu dirigi pela primeira vez um BMW foi na Alemanha, em uma Autobahn de concreto eu descobri o que significava aquilo. O carro te chacoalha e não é pouco.

    Friamente não é bom que o carro se comporte assim, mas ele se comporta como o esperado de um BMW. Se um Mercedes me fizesse aquilo, eu acharia ruim...

    ResponderExcluir
  23. Fidelidade à marca era uma coisa muito mais fácil de se manter quando havia apenas quatro concorrentes no mercado brasileiro. Com a chegada das novas entrantes francesas e japonesas, e mais todas as marcas de importados, o consumidor entrou num período de experimentacão e reavaliação de suas afinidades.

    Hoje é possível perceber que algumas dessas marcas mais recentes, dentre as quais eu destacaria a Honda e a Toyota, já estão bem avançadas na construção de relações de fidelidade com o consumidor. O anti-exemplo é mesmo o da GM, que parece confiar principalmente em preço e condições comerciais para compensar a falta de atratividade de sua atual linha de produtos. É uma atitude no mínimo imediatista: sem atualização tecnológica e atenção ao pós-venda, não há fidelidade que resista.

    ResponderExcluir
  24. Antonio Gomes12/10/11 23:15

    Ao anônimo das 22:30: todo ser sensato avalia suas escolhas e valoriza seu dinheiro e tempo. Só que algumas escolhas e compras não podem ser avaliadas numa simples (ou sofisticada) planilha de tomada de decisões. Alguns itens avalio dessa forma, mas outros como carros por exemplo, entra a emoção, o espírito, a alma, a irracionalidade, a paixão, o autoentusiasmo.
    Não perca tempo escolhendo ou visitando concessionárias. Procure um site especializado, insira seu perfil e condições e ele lhe apontará qual marca, modelo e local onde comprar. Tome uma decisão racional e inteligente.

    ResponderExcluir
  25. anônimo 22:24
    "...enquanto a marca da gravata eles demoram ou seja,sem aquela sensação de carro velho com dois anos de uso".

    Atualmente é sensação de carro velho já no show-room da concessionária.

    ResponderExcluir
  26. Aléssio Marinho12/10/11 23:46

    Acho que um carro deve combinar com você, te transmitir plena satisfação nas suas reações, no modo de fazer, ser um grande companheiro, daqueles que te dão o ombro ou chegam dando voadora quando precisa...
    Aprendi a dirigir em VW, curti muito GM, tivemos fiats em casa e esses me tocaram pelo modo muito prático de ser.
    Mas meus carros mais marcantes foram os Ford, pela "classe", pela solidez que só um ford transmite. Pena que não tenham mais o entusiasmo que transmitiam.
    Descobri a praticidade dos Fiats, a classe e solidez dos ford que tanto me agrada, nos Renault, na forma da sua suspensão macia e firme, na praticidade dos comandos, no ronco na alta, nas reações do trem de força.
    Os valores que aprecio num carro estão todos ali.

    ResponderExcluir
  27. Anônimo 12/10/11 22:30, por favor, divida conosco este tesouro do conhecimento: que concessionárias são estas que pagam bem pelos seus usados? He, he, he!
    Abraço.

    ResponderExcluir
  28. Engraçado como são as coisas de gosto e referencia: Lá em casa e na família nasci em meio aos VW e GM na década de 70~80, depois partiram para aos Ford nos anos 80, voltamos aos VW nos anos 90, recaímos para a Ford nos anos 2000 e até hoje. Mas o meu gosto foi muito diferente do que já passou lá em casa, mas claro que como referencia e memórias são muitos boas no geral, mas apurei meu gosto para os bons carros e pelo seus conjunto como um todo, e não por propagandas, revistas ou populares da "boca pra fora", para justificar a compra, claro, sem o devido tempo de uso e imparcialidade.

    Mas minha paixão mesmo são pelos Porsche (mesmo sem nunca ter dirigido um !) por sua baita historia, pela primazia técnica, tecnologia e desempenho, nível de construção e perfeição mecânica, sucesso, isso sem nem falar pelas competições e prêmios ganhos, que juntando todas as marcas, não dá nem 1/20 do que os Porsche conquistaram e continua conquistado nas pistas do mundo todo. Dai vem os os japoneses como os Nissan com seus GTR que tem uma baita historia a parte, precisa nem de apresentação que todos nós já sabemos e a Honda pela técnica e status no mundo afora. Os americanos com os Ford pela conjunto e história e os Dodges por sua força bruta e durabilidade. Bom, é nessa ordem que coloco meu gosto, agora que o criou, acho que foi só a racionalidade e lógica de um entusiasta em carros. Mas de berço e influencia externa é que não foi, somente adquiri pelos meus padrões e meus conceitos.

    ResponderExcluir
  29. "... Sem falar que esses carros mudam a cada dois tres anos enquanto a marca da gravata eles demoram ou seja,sem aquela sensação de carro velho com dois anos de uso.

    Anônimo 12/10/11 22:24"


    - Tem razão. Hoje, a Chevrolet me dá a sensação de carro desatualizado desde que entro na concessionária. Abra o olho meu amigo. A Chevy não tem carro bom mesmo faz tempo já... O Cruze parece ser um pouco melhor. Só um pouco.

    ResponderExcluir
  30. Osmar Fipi13/10/11 07:28

    Marca aqui no Brasil só serve pra ilustrar propaganda. Na europa as marcas preservam suas características: BMWs são BMWs, diferentes de Volkswagens, que são diferentes de Renaults, que diferem de Fords.

    Aqui não, tudo é misturado. Fiat que na verdade é Chrysler, Dacia que vira Renault, Daewoo que vira Chevrolet... e por aí vai.

    Para um público nada informado, que não gosta de carros e não sabe dirigir, o que vale é colocar o "badge" e todos acreditarem em qualquer coisa. Deu status? Então tá bom. Tem boa margem de lucro? Então dane-se a construção e refinamento...


    - Osmar Fipi

    ResponderExcluir
  31. Nilton Lopes13/10/11 10:49

    Marcelo Junji.
    No caso da PSA vale a pena ir pra cima! Ligue mande e-mail, encha o saco, vá no Procon, mande carta para revistas sites especializados, se arme de todos os argumentos e não desista. Troquei um 307 Feline 2008, daqueles que deram problema na junta do cabeçote e vazava água para o motor, por um 2010 sem ônus algum. O que eles querem é ganhar pelo cansaço, mas dá para inverter essa regra.

    Abraço.

    ResponderExcluir
  32. É isso aí, Nilton.
    O Peugeot do meu filho teve dois probleminhas, que só foram resolvidos depois de enviar e-mail para a fábrica.

    ResponderExcluir
  33. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  34. Bob, escrevi algo que se coaduna a esse post e ao que o Paulo Keller escreveu dia desses sobre entusiasmo:
    http://sobreixos.blogspot.com/2011/10/rodoviarismo-careca-19.html

    ResponderExcluir
  35. Francisco Fernando da Áustria-Hungria13/10/11 11:26

    A Volkswagen morreu quando passou a vender Audis populares, nada que seja refrigerado a água pode ser Volkswagen. Chevrolet aqui nunca existiu, montaram pouca coisa americana em São Caetano e quando decidiram fabricar escolheram produtos Opel. Ford, tirando os Galaxie (só para abastados) era tudo Renault (Corcel e derivados), a única que tinha certificado de autenticidade era a FIAT, mas acabou quando passaram a usar motor OPEL.

    ResponderExcluir
  36. Wagner Bonfim13/10/11 13:35

    Bob, como manter fidelidade a uma marca se ela mesma não se importa com isso?

    Eu era fiel a VW, e já tive:

    - Santana CLi 1,8;
    - Gol 1,0 Special GIII;
    - Gol 1,6 Power GIV;
    - Gol 1,0 Copa;
    - Parati 1,6 T&F;
    - Fox 1,0 GII 2p e
    - Gol 1,0 GV.

    Fora o Santana, adquirido do sogro, os outros foram comprados na única concessionária VW da Grande Vitória, a Vitoriawagen, cujo grupo Líder (MG) é o dono, e também de várias concessionárias Chevrolet, Audi e Hyundai.

    Quando fui trocar o Fox 2p em uma Saveiro, me ofereceram R$23.000,00 no carro, que é quase um 0 km! Fora o atendimento sofrível ...

    Preferi adquirir um Ford em uma loja independente, aonde o dono fala direto com você, e o mais importante, gosta de automóveis!

    ResponderExcluir
  37. A principal característica, para mim, que me faz ser fiel a uma marca é o atendimento, tanto antes, quanto depois da compra. Por esse motivo está cada vez mais difícil ser fiel a alguma marca.
    Se você entrar em uma loja qualquer para comprar uma simples camiseta de 10 reais, será mais bem atendido do que em qualquer concessionária da minha cidade para comprar um carro de 50 mil reais.
    É impressionante a empáfia e a arrogância as quais temos que nos submeter para trocar de carro.

    ResponderExcluir
  38. Ser fiel à uma marca no Brasil é impossível. Um determinado carro pode ter características excelentes mas elas são raramente repassadas às próximas gerações.

    Já o caso da GMB, ela abandonou o paradigma de ter produtos para clientes fiéis e adotou um novo, que são carros descartáveis para clientes totalmente infiéis à uma marca e que só pensam em valor.

    ResponderExcluir
  39. pessoal oque eu quis dizer ontem as 22:24 é que ficam tempo em produção sem grandes modificações ok

    ResponderExcluir
  40. Pelo texto, percebe-se claramente que a "eletrodomesticalização" do automóvel começou a um bom tempo, o que é uma pena. Se por um lado temos hoje muitos carros bons, onde fica difícil apontar uma falha de projeto de fato, por outro lado temos carros muito parecidos entre si, praticamente acabou-se a identidade de cada marca. Ainda bem que existem algumas honrosas exceções.

    ResponderExcluir
  41. Eu gosto de carros VW, os dois carros que já tive são VW, gosto do Câmbio MQ200, imbatível em precisão, gosto da dureza da suspensão e até daquele visual quase igual de todos os seus carros (embora o acabamento seja um calcanhar de aquiles). Mas quando penso em trocar de carro, sempre namoro o Jetta 8v, porque exceto pelo santanatech, representa o que a VW tem de melhor, desde a solidez e sobriedade do design, passando pelo interior sem modismos e findando naquela ergonomia que faz você reconher qualquer VW nos últimos 20 anos, a maneira esportiva, baixa, cambio curto e tudo o mais. Até a suspensão um tanto mais dura que a dos rivais tem sua pitada de história. Mas outras características da própria marca estão me fazendo titubear: o preço e o seguro excessivos. Os concorrentes passam a ficar interessantes numa análise mais fria. Pela simples paixão(como aconteceu antes), nem test drive em outras marcas faço, vou direto no Jetta, azul (ou branco) com interior bege, lindão!

    ResponderExcluir
  42. Marcelo Junji13/10/11 20:22

    Nilton Lopes, valeu, Já estou arquitetando alguma coisa. Abraços.

    ResponderExcluir
  43. Talvez daqui a alguns anos, quando arrefecer o crescimento econômico do Brasil (como nos demonstrou o Japão, é impossível crescer a taxas estratosféricas sem parar a não ser que leve o mundo todo de arrasto nessas mesmas taxas), as marcas se preocupem com a fidelização dos clientes, criando inclusive programas para este fim.

    PS: boa parte do mercado de carros 0km está acessível porque nunca na história deste país foi tão fácil financiar um carro. Tivesse o consumidor de pagar metade do valor do carro na entrada o nosso mercado sofreria uma redução drástica.

    ResponderExcluir
  44. Virou moda meter o pau na GM Brasil, mas apesar de ser simpático à marca, sonhando com o dia que colocarei um Corvette na garagem, assino embaixo. Meu pai teve três Opalas, dois Monzas, dois Vectras (A e B) e o último Astra, que está comigo hoje. Ele? Tem um Civic na garagem, que passará para mim em alguns anos... Com o Cruze tenho esperanças de voltar a pensar em colocar um GM na garagem de novo, mas hoje com Agiles e Celtas não dá. Quem já ouviu falar no conceito de "consistent branding" concorda que pode haver sim uma simpatia e identificação com a marca, mas num mundo de contadores de feijão nas fábricas automotivas e financiamentos a perder de vista, o que fala mais alto é o preço mesmo...

    ResponderExcluir

Pedimos desculpas mas os comentários deste site estão desativados.
Por favor consulte www.autoentusiastas.com.br ou clique na aba contato da barra superior deste site.
Atenciosamente, Autoentusiastas.

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.