IDÉIAS: DUAS BOAS E UMA MÁ

Foto: Google Earth


Numa viagem a Miami, anos atrás, notei placas indicativas de ruas colocadas sobra a via, não em postes nas esquinas. Achei ótimo, de longe já se via o nome da próxima transversal.

Eu tinha um bom relacionamento com o presidente da CET de então, o Gilberto Lehfeld, e falei com ele sobre a utilidade de tal localização das placas de ruas, não apenas para facilitar a vida dos motoristas como também, e principalmente, para contribuir para a fluidez do trânsito, já que não é preciso seguir lentamente para achar a rua que se procura. Ele comprou a idéia imediatamente e hoje se vê em São Paulo muitas dessas placas em ruas e avenidas.


Outro exemplo de como vale a pena aproveitar as soluções de outros países é a indicação de aeroporto.

Certa vez, em Milão, estava seguindo para o aeroporto internacional para pegar o avião de volta e notei placas com o pictograma de um avião e o nome do aeroporto, Linate (doméstico) ou Malpensa (internacional). Me lembrei que aqui viam-se placas indicando apenas "Aeroporto", mas temos dois que servem São Paulo, o de Congonhas e o de Cumbica. no município vizinho de Guarulhos.

Assiim que chegue telefonei para o Lehfeld a respeito e pouco depois começamos a ter placas indicando aeroporto e especificando qual.

Foto pbase.com

A má idéia

Já a numeração das faixas de rolamento dá margem a muita discussão. Por questão de lógica, a numeração deveria ser crescente da direita para a esquerda, mas há quem argumente que a seqüência deva ser da maneira como se escreve, como na foto abaixo.


Essas pessoas acham que nunca poderia ser 7-6-5-4-3-2-1. Discussão mais feroz do que subir marcha para cima (VW, Audi, Porsche) ou para baixo (BMW, Fiat Dualogic)!

Ocorre que o nosso tráfego é de mão pela direita (right hand traffic), as faixas crescem a partir da direita. Como está nesse trecho da marginal do Rio Pinheiros, em São Paulo, acredito que traga confusão para o motorista, pois carece de lógica.

Uma vez meu irmão vinha do Rio e se dirigia diretamente à minha casa no bairro de Moema. Ele sabia que era próximo do Aeroporto de Congonhas, mas vindo pela Av. 23 de Maio sentido sul (aeroporto) leu na placa em um pórtico "Aeroporto Faixa 1". Deslocou-se para a faixa mais à direita, quando viu que estava para entrar no Túnel Ayrton Senna, na saída à direita. Chegou em casa comentando não ter entendido nada...

Já ouvi argumento dos que advogam numeração decrescente para a esquerda, como a da foto, de que no caso de faixa adicional, tambem chamada de terceira faixa, como nas subidas das rodovias, complicaria. Não procede, pois seria só numerar essa faixa adicional com 1D (de direita), mesmo porque os trechos com essas faixas costumam ser curtos.

O nosso colaborador Rex Parker, que mora na Califórnia, disse que lá também é como aqui. Já o jornalista canadense Jim Kenzie, que escreve no caderno de veículos do jornal The Toronto Star, publicou um artigo criticando esse padrão adotado também no Canadá, cuja mão é direita como a nossa.

A minha impressão é que se trata de mero atavismo, já que tanto EUA quanto parte do Canadá foram colonizados pelos ingleses, tendo essa noção ficado enraizada nas cabeças desses dois povos.

Há um efeito secundário, psicológico, nefasto, resultante da faixa mais à esquerda ser a n° 1: é a principal, a boa, na qual onde pessoas importantes trafegam – os "bandidos da faixa esquerda: (left lane bandits), como os chamou o jornalista canadense na sua matéria.

Nas cabines de pedágio daqui a numeração é crescente da direita para a esquerda, dentro de toda lógica: 



O mesmo princípio é aplicado nas raias das piscinas olímpicas:

Foto: caraguatatuba.sp.gov.br
Resultado desse jogo de idéias, 2 x 1. Nada mau. Mas bem que poderia ser 3 x 0.

BS

23 comentários :

  1. A idéia das placas sobre a rua (e grande) é ótima, já no caso das faixas, prefiro mesmo que aumentem da esquerda para a direita, como a gente escreve.

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  2. Bob,
    Os ingleses usam as expressões "right hand drive" e "left hand drive" para indicar a posição do volante no carro, e não a mão de direção.
    No antigo configurador da Aston Martin, em que era possível escolher em que lado ficava o posto de direção, a opção "right hand drive" gerava um carro com volante à direita.
    Em resumo: no Brasil, assim como na América e Europa continental, o tráfego flui pela direita; então, os carros são LHD, com volante à esquerda. Já na Inglaterra, Japão, África do Sul e Austrália, os carros rodam na chamada "mão inglesa", pelo lado esquerdo da via, e são RHD, com volante à direita.

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  3. Alexandre Zamariolli
    Isso, right (or left) hand traffic, e não right (or left) hand drive. Já acertei lá, obrigado. Vale o ditado estilo chinês "Mão direita, volante na esquerda, mão esquerda volante na direita".

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  4. Outra polêmica de numeração é qual o primeiro cilindro. A maioria acho que usa o primeiro na frente do motor (se é que o motor tem frente), outra parte usa o primeiro no lado do volante.

    Eu acabei me acostumando com o primeiro no lado do volante. É o primeiro em relação a tomada de força. No caso de famílias com 4 e 6 cilindros, como em um BMW, os 4 primeiros estarão sempre no mesmo lugar. Mas eu nem sei qual numeração a BMW adota. Eu só sei que PSA é primeiro cilindro lado volante.

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  5. Anônimo, no CHT, de inspiração Renault, também é assim, o cilindro número 1 é o do lado do volante.

    Outra ideia dos EUA que poderia ser copiada aqui é a permissão de conversão à direita com o semáforo fechado. Lá é permitido entrar à direita com semáforo fechado, sempre dando preferência para a via para a qual o semáforo está aberto. Sendo assim, a faixa da direita fica reservada aos que vão fazer a conversão. A regra é a permissão da conversão, onde ela é proibida deve haver a placa "NO TURN ON RED".

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  6. CMF,

    Com certeza essa idéia não seria boa aqui. O que eu vejo de gente atravessando, ou entrando, em uma via e olhando primeiro para direita não está no gibi.

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  7. CMF, no cruzamento da Rua Heloísa Pamplona com a Av. Dr. Rodrigues Alves em São Caetano do Sul era permitido isso. Era livre virar a direita, porém à esquerda do cruzamento a mão só ia. Então nunca tinha esse problema de preferencial. Atrapalhava sim os pedestre que por venturar atravessavam pela faixa. Mas isso é passado e o que tem lá agora é um RADAR.

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  8. Gustavo Cristofolini23/10/11 22:10

    A primeira vez que passei por SP foi num sábado descendo de MG para SC. Eu estava indo para casa, cansado, havia encontrado um buraco na Fernão dias, destruido 2 rodas e 1 pneu. Pois bem, naquela ocasião conhece as faixas numeradas da Marginal Pinheiros. Não vi dificuldade alguam em razão do sentido de numeração. Estava sinalizado de maneira adequada, 2 ou 3 vezes a faixa que eu deveria pegar e se nao estou engando esta(va) pintado no chao 2 vezes tambem as faixas. Não importa se esta numerado da direta para a esquerda ou vice-versa, o importante é que esteja bem sinalizado.

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  9. Gustavo Cristofolini
    O importante é estar bem sinalizado E haver lógica na numeração.

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  10. Essas das placas é excelente mesmo, ajuda demais, ainda mais quem, como eu, não usa GPS. Pena que nas ruas mais periféricas não colocam.
    Quanto às pistas, nunca reparei nesta questão da numeração. O que acho é que facilita muito a vida e dá mais segurança pros motoristas.

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  11. Compra um TomTom

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  12. Mario Henrique24/10/11 00:57

    Ei Bob, eu já usei estas placas de rua em visita à SP!!!!!Na região da Sta Ifigênia e 25 de Março.
    Muito obrigado pela idéia!!!!
    MH

    Quanto à numeração, tinha um colega de almoxarifado que só usava da direita para a esquerda, uma confusão só! Deixa da esquerda para a direita, mesmo!!!

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  13. Aléssio Marinho24/10/11 01:52

    Bob,

    Um dos meus defeitos é não ter a lateralidade desenvolvida. Tenho um ótimo senso de direção, aprendo caminhos com uma facilidade incrível e depois de muito tempo, ainda consigo ir a um endereço. Mas me confundo todo com esse negócio de esquerda/direita. Realmente, pra mim é muito complicado entender. Por isso considero a ordem de escrita ocidental (da esquerda pra direita) o lógico para definir a numeração de uma via, pois a usamos na escrita.
    Quanto aos 2 outros casos que você cita, mais uma vez comprova que as nossas autoridades de trânsito não levam a sério a questão da sinalização. Um grande erro das cidades brasileiras é não usarem os pontos cardeais como referência, como em Brasília e nos Eua.
    Essa mania de homenagear uma pessoa atribuíndo o seu nome a um logradouro, fato que permeia nossas cidades, sem um padrão lógico complica a vida de nós, calangos do cerrado...rsrsrs Acostumados a usar os pontos cardeais e numeração sequente, muito mais simples e lógica.

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  14. Bob,
    Faixa 1 ser a da esquerda é simples e ajudaria a baixar uma lei marcial: Veículos lentos, proibido faixa 1, sempre.
    Nunca me atrapalhei com isso, para mim é lógico.

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  15. Luiz Evandro Águia24/10/11 09:46

    Caro Bob,, Porque em certos cruzamentos com semaforo nas cidades nao se adota aqui no Brasil ,a mesma regra dos Estados Unidos - que permite dobrar a direita , mesmo com o semaforo sinalizando vermelho para o cruzamento de uma rua ou avenida abs Águia from Floripa

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  16. Bob, parabéns pela iniciativa, essas placas em cruzamentos são muito úteis e aqui em Santos aderiram à idéia.
    Sds

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  17. O mautorista que não consegue entender a numeração viária da direita para a esquerda não está apto a conduzir veículo motorizado.

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  18. Luiz Evandro Águia
    Também acho que deveria haver esta sistemática aqui. Desafogaria o trânsito.
    Num filme do Woody Allen, ele morava em Nova York e se recusava a ir para a Califórnia, cuja único benefício, segundo ele, era poder dobrar à direita com sinal vermelho...

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  19. Antônio Martins24/10/11 16:34

    Mas neste caso a de pedestre fica após a entrada à direita?

    Tem alguma imagem do Google pra ilustrar isso Bob?

    Obrigado

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  20. Antônio Martins
    Mesmo caso de se dobrar à direita com sinal verde: dar preferência ao pedestre. Mas em todos os casos de se poder dobrar com vermelho é mandatório parar, como se fosse uma placa "Pare". A razão da permissão é logica: evitar de se ficar parado à toa sem não vem tráfego da transversal.

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  21. Quanto à numeração das faixas, é um padrão e pronto. Acho que não tem sentido falar em "certo" e "errsdo", assim como o citado padrão de marchas ascendentes e descendentes.
    As placas com nomes de ruas nas transversais realmente é uma excelente ideia. Só tinha visto em São Paulo, mas agora começaram a aparecer algumas aqui em Campinas também. Pelo menos copiaram algo de bom.

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  22. Com licensa vovô, mas seu engarrafamento ta no meu caminho pra pedalar até o trabalho, e de volta, e pra faculdade, e de volta.

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  23. Aqui no RS enfim, um ato coerente:
    http://www.clicrbs.com.br/pioneiro/rs/plantao/10,2815881,Concepa-quer-ampliacao-do-limite-de-velocidade-na-freeway.html

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