TARGA FLORIO, DESAFIANDO O LIMITE


Quando falamos de corridas por ruas e estradas, o primeiro nome que vem à cabeça é a Mille Miglia italiana. Alguns outros lembram da Carrera Panamericana do México, mas curiosamente não muitos no Brasil falam primeiro da clássica Targa Florio.

O resultado da paixão do italiano Vincenzo Florio pelas corridas de automóveis no começo do século passado resultou em 1906 numa das mais desafiadoras provas de velocidade de todos os tempos, passando por ruas e estradas, cidades e pequenos vilarejos na Sicília.








Não havia infraestrutura, os carros passavam pelo centro das vilas acelerando forte, com as pessoas assistindo na calçada e das janelas das casas, que alias, estavam bem perto dos carros. Não era qualquer um que corria na Targa Florio, era preciso muito sangue-frio e bem pouco juízo para correr no meio de casas em pisos não muito regulares com carros de mais de 300 cv.

Vejam no vídeo como era a sensação de andar na Targa. Como não era possível fechar todo o traçado por muito tempo, tratando-se de vias públicas entre cidades, era preciso treinar de algum jeito. A solução mais racional seria pegar um carro comum e andar pelo traçado para conhecer as curvas e os segredos da pista, certo?



Se pilotos de corrida fossem pessoas com algum parafuso na cabeça, sim, mas não é o caso. Logo, por que não emplacar os carros de corrida mesmo e andar pela cidade?

Vencer a Targa Florio era uma honra, uma meta de todos os pilotos. Grandes nomes deixaram sua assinatura nos registros da prova, como Jo Siffert, Lorenzo Bandini, Stirling Moss, Peter Collins, Tazio Nuvolari... Entre os fabricantes, o maior vencedor é a Porsche, seguido pela Alfa Romeo, depois Ferrari, Lancia e Bugatti.


Os últimos anos foram marcados pela disputa eterna entre Porsche e Ferrari, com algumas pontadas da Alfa Romeo no meio. Curiosamente os poderosos 917 não foram usados a fundo, pois o menor e mais ágil 908 mostrava-se mais eficiente.

Difícil não pensar que hoje em dia se acha um absurdo uma corrida desse tipo, um atentado à segurança e ao bom senso. Como pode?! Um carro de corrida em alta velocidade passando por uma cidade! Os heróis do passado são serão os vilões do amanhã...Muitos vão achar fora da realidade alguém organizar um evento assim, sem preocupação com barreiras de proteção, isolamentos etc. Mas se não fossem por eles, não teríamos nem um décimo do que temos hoje, e graças a eles que muitos viram a pilotagem heróica dos pilotos passado, literalmente domando suas máquinas e desafiando os limites.

Sabemos que é importante, sim, que a segurança seja uma prioridade no esporte, tanto para os participantes como para o público, mas quando isso começa a interferir na forma, no resultado e na emoção da corrida, acho que é hora de se rever alguns conceitos.





MB

13 comentários :

  1. Esse tempo são hoje , como os tempos heróicos da grécia , como a idade média mitica , e caso não trabalhemos pra preservar essas histórias , las vão soar como lendas sem provas nos ouvidos de nossos filhos e netos.

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  2. Realmente pensar numa competição desse tipo hoje em dia é loucura, seja pela paranóia com segurança, seja pela quantidade de gente existente em todos os lugares.

    Imaginem como os arredores das ruas e trilhas iam ficar lotados, com pessoas curiosas atravessando desavisadamente pra lá e pra cá, o que aumentaria exponencialmente o risco de acidentes, ajudando a turma obssessiva por segurança a ter razão e alimentar a nóia.

    Veja bem, não estou dizendo que segurança não é importante, mas do jeito que as coisas estão, tudo está ficando demasiadamente controlado e politicamente correto.

    Realmente as coisas estão ficando cada vez mais sem graça.

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  3. Marllon Brandl29/08/10 10:55

    Grandes pilotos, grandes histórias, grandes tempos.... pena q nao vai mais voltar a ter esses tipos de corridas... onde o quem mandava era o piloto, quem nao tinha nada de ABS,EBD e bla bla bla... era tudo no braço...

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  4. Boa lembrança Milton.
    Lembro da edição de 1970, a Ferrari participou com as 512S, e a Porsche deixou de lado os 917 e participou com seus novos 908-03 de tres litros, que a imprensa italiana apelidou de bicicletta, de tão leves que eram... Os 908 tinham 200CV a menos, mas também pesavam quase 300kg a menos que as 512, e eram mais adequados ao traçado.
    Foi uma derrota muito sentida para a Ferrari... Acho que foi nessa edição que a volta mais rápida, um "temporal", foi de Leo Kinnunen, piloto regular mas normalmente mais lento que os colegas Siffert, Rodriguez, Bell, etc... Na época se falou que isso era devido às características do circuito mais "fáceis" para um piloto com ele, vindo do rally. Depois de um ou dois anos retificou-se a informação, houve um erro na planilha de cronometragem e acrescentaram um minuto ao tempo dele na volta... E lá se foi o recorde...
    Se não me falha a memória o recordista ficou sendo Arturo Merzario com Ferrari 312P, na edição que correu em equipe com Sandro Munari (1972?) derrotando o esquadrão das Alfas... (bons tempos, a Alfa ainda podia permitir-se de competir com a Ferrari...)
    De qualquer maneira correr com veículos de quase 600CV nessas estradinhas tortuosas, passando pelo meio das cidadezinhas, num tempo de volta que passava de meia-hora, isso sim era automobilismo...
    Aproveito para te pedir que escreva algo sobre o TT de motos, algo parecido em termos de filosofia...
    Valeu Milton pela lembrança.

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  5. alguma hora essa paranóia com segurança vai sumir , como sumiu a moda dos motores monstro dos anos 70 .

    espero estar vivo para aproveitar o renascimento.

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  6. Paranóia com segurança ?

    Voce viu o filme, naquela hora que ele ultrapassa um caminhão ? E tem hora que passa por carros de passeio indo ou vindo ?

    Qual a segurança numa prova dessas ? Eles tinham é mesmo muita sorte !

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  7. Querem saber? O mundo atual é muito CHATO.

    Esse problema de "segurança" é fácil resolver. Os pilotos, equipes e no caso moradores da região assinam um termo de responsabilidade dizendo ali que sabem os riscos que correm e que se der bobagem não vão processar ninguém e tal.

    O grupo B acabou por causa de acidentes... mas quem ficava na beira das estradinhas pra assistir não foi obrigado pela FIA...

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  8. MB,
    bem legal mesmo, uma corrida bastante interessante. Bom saber que aqui também a Porsche venceu mais vezes que a Ferrari. Isso diz muita coisa.
    Valeu.

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  9. Muito legal, mas impraticável nos dias de hoje. Queria ver os "pilotos" (qualque um, de Schumacher a um japonês kamikase) de hoje encarando um desafio daqueles, com qualquer carro. Com algum carro daquela época, então, nem pensar...

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  10. Uma Targa Florio poderia ser ressuscitada se fosse feita à moda de como o GP de Mônaco sempre foi feito: interdita-se a parte do sistema viário que sediará a prova e permite-se que o pessoal a use durante o tempo em que for a prova, proibindo-se nessa hora que pessoas e veículos civis estejam na pista.
    É algo simples de se fazer e que permitiria que a prova continuasse existindo.

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  11. Muito bacana, Milton. Apenas gostaria de acrescentar que os pilotos que mais davam show na Targa Florio eram figuras de segundo plano na história do automobilismo mundial, como o belga Willy Mairesse e o ídolo local Nino Vaccarella.

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  12. Vi o primeiro video praticamente sem respirar.

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  13. Provas de estrada são ricas e interesantes. Hoje temos os ralis, que quando sobre asfalto lembram essas três épicas competições citadas pelo Milton, mas não é a mesma coisa. Os carros são rápidos, mas não tão espetaculares quanto os protótipos-esporte. A Targa Florio nos legou um modelo de Porsche 911, o Targa, nome dado em homenagem à prova que a marca tanto venceu.

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