RETOMANDO UM VELHO HÁBITO


No último sábado, durante o 1º Café da Manhã Chamonix Cars, relatei ao amigo Arnaldo Keller uma das grandes paixões da minha infância e adolescência: o plastimodelismo.

Ganhei os primeiros kits por volta dos 8 anos de idade, influência direta de um primo apaixonado por aviação: o primeiro kit era de um avião Concorde, que montei com a ajuda do meu pai. Em pouco tempo estava montando sozinho os primeiros kits, com uma predileção especial pela engenharia naval: de barco viking a navios da II Guerra Mundial, montei de tudo um pouco.

Já com os primeiros trocados da mesada, passei a comprar meus kits e aí o instinto automobilístico falou mais alto: VW Karmann-Ghia 1963, Chevrolet Bel Air 1962, Opel Blitz 1939, Dodge Coronet Super Bee 1970, Chevrolet Impala 1958, entre outros, quase sempre destruídos pela faxineira insensível e indelicada que insistia em limpar meu quarto.

Aos poucos fui juntando um sem número de pequenas ferramentas: estilete, pinças, pincéis, diversos tipos de cola, tintas especiais para o hobby e outros artefatos improvisados: os pregadores de roupa sumiam da área de serviço, por fazer um bom trabalho na hora de manter pecinhas no lugar certo na hora de colar. Alicate de cutícula e lixas de unha também quebravam um galho considerável, para desespero da minha mãe.


Cheguei até mesmo a comprar um aerógrafo e compressor de ar no final do ensino médio, mas meus dias de plastimodelista estavam chegando ao fim: as responsabilidades da vida adulta passaram a tomar todo meu tempo e o prazeroso hobby acabou caindo no esquecimento. Até o último sábado.

O fato é que nem eu consigo entender o motivo de ter me lembrado do plastimodelismo enquanto conversava com o Arnaldo. A lembrança simplesmente surgiu, aparentemente sem nexo algum. Bateu uma saudade das intermináveis horas de trabalho e da paciência de chinês exigida, o que na minha opinião é muito mais gratificante do que comprar um modelinho já pronto, encontrado em qualquer loja.

Hoje decidi montar o último kit que sobrou na minha estante, o do Golf VR6 1992., comprado há muitos, muitos anos. Confesso que depois de tanto tempo estou apanhando um bocado, mas me sinto ótimo ao retomar este velho hábito.

FB

15 comentários :

  1. Felipe,

    Esse é um hobby maravilhoso, que faz bem à todas as idades...Também comecei cedo, até participei de uns campeonatos, e como vc., também comecei nos aviões e barcos, e logo pulei para os carros...Meu pai comprava kits da Revell Kikoler (feitos no Brasil) na querida Casa Aerobrás, na Major Sertório, no Centro de SP, quando kits de montar não se achavam em qualquer lugar...
    Faz muito tempo que eu não monto, provavelmente quase dez anos, mas tenho guardado um kit americano da Monogram de um Chevy Bel Air Sport Coupé Fuel Injection 1957, extremamente rico e detalhado, com 3 opções de montagem (original,customizado e stock racing), com as respectivas peças de mecânica diferentes e agregados, e o melhor, em escala 1:12, enorme,tem até aqueles dadinhos pra pendurar no retrovisor !!!
    Um dia eu crio coragem, pego minhas traquitanas guardadinhas, e mando bala...
    Abração !!!

    Mário Buzian

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  2. FB, nunca pratiquei o plastimodelismo, mas entendo bem a sensação, por mexer desde a microeletrônica até brinquedinhos em escala 1:1.

    Essas brincadeiras são verdadeiros vícios.
    Limpamos uma mesa, espalhamos sobre ela todas as peças e ferramentas, e pacientemente vamos cuidando de cada detalhe até terminar.
    Passam-se horas e não percebemos.
    Quando terminamos, sentimos o gosto de ter realizado um projeto e a tristeza pela diversão de ter acabado.

    Como os médicos costumam dizer, não existem ex-viciados, mas viciados há muito afastados do vício. Para retomar o vício, basta uma recaída...

    Bom, FB, agora estufe o peito e diga:
    - Plastimodelismo, aqui me tens de regresso...

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  3. FB, muito bom.

    Há anos sou adepto, aprendi com meu pai e continuo fazendo. É um vício sem cura. E sem espaço mais em casa pois a coleção cresceu muito com os anos hehehe.

    abs,

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  4. Quando era criança ganhei um kit de um Porsche 959, mas depois nunca mais me compraram outros. Acabei aprendendo a fazer com durepoxi, e hoje monto do zero. Dá um trabalho do cão, mas é muito gratificante! E foi legal porque no fundo nunca parei com esse hobby.
    Estou tentando descobrir um método eficaz e acessível para tirar moldes sem destruir a matriz. Devagar eu chego lá, mas é legal saber que tem outros malucos como eu!
    Bem vindo de volta Felipe!

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  5. Rodrigo Laranjo29/10/09 12:08

    Eu já montei um Cadillac Eldorado 1959 conversível!!!

    Dei de presente para uma namorada... Tenho saudades do carro!!!!

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  6. Mister Fórmula Finesse29/10/09 13:43

    Minha natureza irriquieta nunca me permitiu gastar horas nesse excelente hobby, mas meu irmão mais velho praticava e por suas mãos vi nascer lindos modelos como o Titanic, alguns bólidos da f1 como o Ligier e até alguns caças da segunda Guerra Mundial. Admiro a tenacidade e a paciência utilizada para dar vida a um monte - inicialmente - desconexo de peças nas cartelas, sem falar da colocação dos adesivos...um verdadeiro desafio para quem só tem parcas habilidades manuais com um volante nas mãos como eu (de resto, sou um desastre em amenidades manuais do cotidiano)

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  7. Vitor Guerra29/10/09 15:42

    ainda há esses kits a venda?
    onde acho.
    acho que descobri o que vou fazer pra ocupar o tempo nas férias.

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  8. Ae, Bitu! O que tenho guardado aqui, ainda... :o)

    http://www.tuningbrasil.com/plasti/newkits.jpg
    http://www.tuningbrasil.com/plasti/novas07.jpg

    Esperando tempo pra voltar à ativa...

    Abçs,

    Stein

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  9. Vitor, há sim, em diversas lojas por ai.

    abs,

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  10. É.... igual a história do autorama.
    Eu também quando criança montava aviôes, navios de guerra e carros.
    Agora que sou adulto, tenho condição de comprar eu esqueço.
    Olha que digo quando eu era criança, mas só tenho 24 anos de idade.
    Que saudades!

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  11. Sempre foi uma ótima forma de relaxar, ficar um tempo concentrado quieto atentando aos detalhes.

    Gostaria de ter mais tempo pra me dedicar mais a isso de novo. Estou com um Charger 67 engatilhado, parei na hora de escolher a cor, que sempre foi um problema hehhehe.

    E ainda tem muito kit gaurdado pra montar aqui, na casa das centenas.

    abs

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  12. Rafael, moldar no durepoxi n"ao ~e pra qualquer um. Tem que ter o dom.

    Existe uma técnica muito boa de moldagem que aprendi há mais de 20 anos.

    Se vc consegue fazer a primeira peça, quando ela estiver terminada, passe um produto desmoldante (tipo um óleo), e aplique borracha de silicone sobre a peça.
    Quando a borracha de silicone tiver atingido a cura total, pode desmoldar a matriz.
    A peça de silicone passa a ser o molde, e para fazer novas cópias, use resina epoxi líquida para encher o molde.

    Como o molde é de um material muito elástico, demolda a peça acabada com facilidade sem quebrá-la.

    Todo esse material vc encontra em casas que vendem produtos pra fibra de vidro.

    Agora vai outra dica.
    Eu aprendi essa técnica na Aerojet de São Paulo, e isso há mais de 20 anos. Mas até pouco tempo atrás eles ainda davam esse curso.
    Ele é de graça, e dá pra fazer numa manhã de sábado.
    E lá mesmo vc compra todo material que precisar.

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  13. Talles WAng30/10/09 21:07

    Puxa vida!

    Caramba! Eu tinha e ainda tenho uma carteirinha da Revell Kikoler!

    Ha ha ha nela eu tô a cara das minhas filhas!!! Também tinha a mesma idade delas hoje +- 9 anos!

    Meu forte eram os aviões a 2ª Guerra!
    Eram Foke Wulfs, Zeros, Zekes, B17s, Me262, Messersmiths, Spitfires....

    Alguns eu mesmo tirava os motores originais e montava uns motores de autorama que ligados a baterias de 9v acionavam as hélices!!!

    Eram o maior barato!

    Com os carros os melhores eram os dos anos 50 ou as pickups (eu tinha uma do Duro na Queda!)

    Eu mechia na suspensão e rodas...

    Conseguia montar rodas (maiores atrás, claro) e com suportes de pilhas montava as suspensões que faziam carro passar a tê-las...

    Era uma época sensacional...

    Como eu não tinha mesada, jejuava na hora do recreio e dava calote nos ônibus na volta para casa para no fim do mês poder ir na HobbyLândia lá na Av. Rio Branco 256 e trocar aqueles montes de moedas e trocados no balcão para trocar por kits da Revell ou peças para meu Autorama Nelson Piquet Super Curva!

    Até hoje tenho minha pista e meu Brabham. Recentemente comprei no ML um par de aceleradores originais. Falta adquirir a Ferrari (que ficou com meu irmão)...

    Abraços,
    Talles Wang

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  14. caramba felipe ! rsrs

    eu também faço isso ! eu tenho uma coleçao com 350 unidades...

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  15. Só para referência:

    http://www.paceautorama.ppg.br/list.asp?id=22

    Tallwang

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