MARCAS QUE MARCARAM

Há duas semanas falamos das versões Executive e Limited, ambas topo de linha respectivamente das picapes Chevrolet S10 e Ford Ranger e como ambas iniciaram uma corrida pela menor potência e menor preço de uma picape de luxo.

Em geral, versões de um mesmo modelo, nada mais são que variações de acabamento e motorização, empregadas de forma a ampliar o leque de compradores, oferecendo-lhe mais opção de escolha. Esse trabalho, normalmente encabeçado pela área de marketing, em certas vezes atinge um sucesso tão grande, que acaba dando uma identidade própria à determinada versão, fazendo com que o carro seja primeiramente reconhecido por ela.

As listas que postamos aqui, principalmente as "rankeadas" são muito legais, normalmente acompanhadas de controvérsias, mas trazem aquilo que tiramos de nossos corações e almas. Desta vez, tentarei mencionar algumas versões que marcaram seus modelos, marcaram também o fabricante, gerando até fã-clubes específicos, quase deixando um legado, sem ordem de preferência e sim, por fabricante. Assim, fica aberta a possibilidade de comentários complementares dos leitores, citação de outras marcas que deixei de mencionar e por aí vai.



Chevrolet Opala Diplomata
O Opala havia sido lançado em 1968, nas versões Especial e Luxo, anos depois o topo de linha passou a ser o Comodoro e, em 1979 a GM lança o Diplomata.

Nos dias de hoje, batizar um automóvel com esse nome, encabeçando a hierarquia de luxo, talvez não faça muito sentido. Para quem não viveu a época, tampouco lembrará que pouco mais de dez anos antes, nossos carros mais luxuosos chamavam-se Simca Présidence e Aero-Willys Itamaraty, ou seja, reverenciavam o poder executivo como os donos do dinheiro. 

Mais tarde, a Ford deu ao Galaxie, um nome requintado, Landau, mas Diplomata foi além. Foi tão bem sucedido, que sendo quase um contemporâneo ao Landau e Alfa 2300, viu-os ficar na metade do caminho e seguiu ao longo de seus treze anos como carro nacional mais luxuoso, o mais desejado, performance superior do tipo "sedã de luxo e desempenho".

A GM aproveitou-se dessa preferência e inaugurou a oferta de várias tecnologias de conforto até então inéditas em automóveis nacionais, temporizador de vidros elétricos, regulagem de altura do volante, caixa automática de 4 marchas com gerenciamento eletrônico (a mesma caixa dos BMW da época).

A "acertada de mão" no Diplomata foi tão grande, que parecia que marketing e engenharia da GMB enfim haviam chegado a um acordo, aparado todas as arestas, dado-se as mãos e celebrado, fizemos do Opala O MAIS DESEJÁVEL...


Fiat Uno/Mille
O Uno foi um sucesso instantâneo da Fiat. Muito superior ao carro que viria a substituir, o 147, em todos os sentidos e parâmetros de avaliação, deu também origem a seus derivados, sedan (Premio), perua (Elba) e picape e tomou deles emprestado os motores mais potentes e outros componentes de suspensão, freio e acabamento, para suas versões mais luxuosas e esportivas: CSL 1.6, 1.5R, 1.6R. Mais tarde a Fiat trouxe da matriz um propulsor 1.4 Turbo, que deixou enormes saudades e chorosos os fãs, mas o Mille é o Mille, um Uno à parte.

Na esteira da concessão que a Gurgel havia conseguido do governo, impostos reduzidos para carros populares de até 800 cm³, com uma pequena esticadinha de mais 200 cm³, os fabricantes locais acabavam de inaugurar um novo segmento, carros de até 1.000 cm³ e a Fiat uma nova marca: Mille

O poder do nome Mille quase transcende a marca Fiat. Filas de espera, ágio, versões de luxo com ar-condicionado e direção hidráulica, não importava o carro 1.000 cm³ que você iria comprar, ele tinha de ser Mille.

A concorrência mexeu-se, lançou seus modelos para fazer-lhe frente, mais tarde muitos deles já eram superiores, mais bonitos, econômicos, de melhor desempenho, mas o Mille seguiu incólume. É atualmente o terceiro carro nacional mais vendido, é o mais barato, o mais econômico e assim, a Fiat, mineiramente prepara-se para ter o carro nacional de maior longevidade, pois faltam poucos anos para superar aquele que considerávamos insuperável, o Fusca. A celebração do feito? Mais uma nova versão da versão Mille, aquela que todos amam ou amaram ter.


Ford Escort XR3
Sei que até agora as marcas que apontei não serão muito questionadas e aqui, ao mencionar o XR3 como o Ford que mais me marcou, posso estar sujeito a tomatadas. Dirão e o Landau? E o Maverick GT?

Para mim, a marca de maior sucesso dentro da Ford foi o XR3. O Escort, na sua época, era um carro respeitável, excelente em diversos sentidos, mas bastava estacionar um XR3 na sua frente e, uau! Era aquele que arrancava frisson, suspiros das mulheres e desejo nos homens.

O "pocket rocket" da Ford vinha de sapatos largos, aro 14”, pneus 185/60, perfil baixo, série 60, motor de ronco gostoso e desempenho de primeira classe, a revista Motor3 o apresentava como um carro nacional de 180 km/h, um feito na época.

Se a Ford não teve nenhum carro que durou duas décadas, não importa, o XR3 era chamado pelo nome e não de Escort.


Volkswagen Gol GT
O Gol nasceu com diversas incumbências, substituir o Fusca e o Brasilia, tornar-se o carro-chefe da VW e conseguiu todas elas e mais outras. Quando lhe instalaram o motor refrigerado a água, em 1984, havia um certo nervosismo quanto a expectativa gerada na nova versão esportiva, o GT. Ele deveria superar o XR3 em potência, entrega, desempenho, substituir o Passat TS, como o esportivo da VW e não é que essa versão conseguiu tudo isso também?

Para destacar-se do resto da família, que já tinha ótimo desempenho com motor 1,5-L, veio o motor do Santana, de 1,8-L. Tomou-lhe emprestado outros componentes, como freios, tomou do seu primo alemão, Golf GTi, o comando de válvulas, mas o Gol GT foi muito mais que isso. Para termos uma idéia, seus ornamentos externos, que eram aerofólio, faixas, logo, desenho das rodas, faróis de longo alcance, passaram a enfeitar qualquer versão do Gol, os seus donos queriam, sonhavam que seu Gol fosse um GT, não importa se só posso pagar rodas de 13”, se não posso ter motor 1,8-L, seu imaginário estava na aparência e muito mais para si mesmo do que para mostrar aos amigos, pois qualquer um identificaria tratar-se de um "GT genérico", termo que se popularizou vários anos depois. 

Mesmo por que, a diferença entre o GT e os demais Gols era tão extensa, interior, tecidos, acabamento, painel, bancos Recaro, mecânica, que era praticamente inimitável alguém conseguir fazê-lo comprando peças no mercado. Algumas lojas de acessórios não davam conta de atender a esses sonhos e enriqueceram muito com isso.

Na esteira desse sucesso, a VW aproveitou também e deu ao GT a primazia da injeção eletrônica, o GTI, cavalaria adicional, enfim, seguiu sendo por vários anos como o VW mais marcante, ajudando a consolidar a imagem de sofisticação técnica a um emblema que nasceu de carro do povo.

Quem cresceu gostando de carros ou já era crescido, quando surgiu o Gol GT, lembra do ronco de seu motor e tudo aquilo que aquela marca representou.

CZ


Fotos: Revista Quatro Rodas

10 comentários :

  1. Rodrigo Laranjo04/10/09 18:57

    Faltou citar que "Landau" não era o carro, e sim versão!!! Igual o "Diplomata". O "Landau" era a versão top do Galaxie.

    Galaxie 500 (básico), LTD (intermediário) e Landau (top).

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  2. Obrigado por seu comentário Rodrigo,
    Correção já feita.

    CZ

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  3. Vou dar meu pitavco ok? Gostei dos textos em geral, mas achei o do Mille meio confuso, pois deixa a entender que ele em breve poderá se tornar o carro com maior longevidade aqui no Brasil. Devemos considerar que esse título deverá ir para o Gol, que foi lançado 4 anos antes do Uno. Outro ponto, para o ranking de vendas, o Uno e o Mille eram considerados carros "diferentes", tanto que a Fiat apesar de ter vendido mais que o Gol, num passado recente, (não lembro o ano exato) não levou o título por causa dessa separação dos modelos. Isso também poderia atrapalhar para efeito de longevidade o Uno/Mille.
    Nada contra, mas nunca nenhum carro da Fiat foi sonho de consumo meu ou da minha família, tanto que se pensarmos em carros populares da época, o Fusca Itamar 1995 está aqui em casa até hoje e ficará para minha herdeira.
    Abs

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  4. Alexboni,
    Quando disse veículo de maior longevidade, título, a meu ver, não muiiiito honroso, referi-me ao mesmo carro. O Gol está na terceira plataforma.
    Se tentarem separar Uno de Mille, não significará nada, pois são o mesmo carro, logicamente com inúmeras modificações e aprimoramentos ao longo dos anos.
    CZ

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  5. Rodrigo Laranjo05/10/09 10:18

    ô loco, me senti importante agora! :D

    Falando sobre Uno e Mille, que é exatamente o mesmo carro, mudando apenas "perfumaria", ao contrário do Gol, que mudou completamente (até o motor virou!), faltou falar da KOMBI, essa sim secular...

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  6. Escort Zetec foi o 1º Escort legítimamente Ford e não foi citado?

    Escort Zetec foi o carro do século e um pioneiro em tecnologia. Na minha opinião um dos carros que mais impressionou.

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  7. Faltou Escolher dos dois Passats, TS e Pointer, eu não sei qual fez mais sucesso. mas o nome Pointer e TS viraram legenda...

    O resto da lista a meu ver está correta.

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  8. engraçado no vídeo do Gol GT, é no começo aparecer o logo da Chevrolet - Marca de Valor

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  9. Marcelo R.27/01/10 16:44

    "Para destacar-se do resto da família, que já tinha ótimo desempenho com motor 1,5L, veio o motor do Santana, de 1,8L. "

    Motor 1,5??? Quando o Gol GT foi lançado, em 1984, o Gol comum usava o motor boxer 1,6 do Fusca. Se o texto se refere ao motor refrigerado a água, ele foi lançado no Gol em 1985, porém, na versão de 1,6L...

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    1. Ele está se referindo ao motor do Passat TS 1.5, do qual havia acabado de falar. Família aqui quer dizer marca.

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