google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)


O Anaconda é um exemplar único de uma empresa que durou pouco. Uma idéia boa, mas que não foi desenvolvida a ponto de auxiliar a sobrevivência da empresa. Restou apenas como peça de coleção, apesar de poder ser usado normalmente, dada a mecânica simples e quase toda oriunda de um Peugeot 204, carro que teve mais de um milhão e seiscentas mil unidades fabricadas, característica a ser seguida por todos que tem vontade de um dia construir um automóvel. 

O construtor foi batizado de BBM, iniciais dos nomes de família de Pierre Bertin-Boussu e Jean-Michel Meunier. Boussu era um menino que comprava revistas de carros e ficava desenhando o que via nelas,  inventando outros carros, além de ter desenvolvido o gosto por desenhar peças e partes. Nada  muito diferente do que muitos de nós fazíamos quando crianças ou adolescentes. Meunier estudava eletrônica, era fanático por corridas, e se conheceram na escola.
Instantes finais, tentando chegar no Maverick líder, faróis ligados de dia para facilitar o avanço

Tudo começou quando um grupo de 15 cariocas resolveu criar uma categoria de stock cars em 1972. Uma grande concessionária Chevrolet na época, a Mesbla, se interessou pela modalidade e negociou com a GM a produção e venda, a preços de incentivo, do Opala cupê 4100 standard. Resultou num preço bem conveniente e 15 carros foram comprados, sendo organizadas provas no autódromo do Rio. Havia um regulamento específico, inclusive permitindo pequenas modificações na carroceria e retirada de todo material de acabamento interno, bem como a troca dos vidros laterais e traseiro por acrílico. Pneus, só radiais de rua. Foram feita algumas corridas, com relativo sucesso, mas a modalidade não foi adiante. Um dos carros pertencia a um grande amigo meu (até hoje), José Carlos Ramos da Silva, que quis começar a correr aos 30 anos de idade e realizou seu sonho nessas provas no Rio.

O Opala  "stock car" do José Carlos, estréia

No final de julho de 1973 soube-se que o piloto e construtor de carros de corrida e réplicas, Antônio Carlos Avallone, de São Paulo, organizaria uma prova de longa duração nunca feita antes, de 25 horas, empregando regulamento da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), o Turismo de Série Divisão 1. Um regulamento bem restrito, pelo qual pouco se podia mexer nos carros, liberado apenas molas, amortecedores (desde que nacionais) e rodas de alumínio de até 7 polegadas de tala. Seriam três classes de cilindrada, a A, até 1.600 cm³, a B, de 1.601 a 2.500 cm³, e a C, acima de 2.500 cm³.

O José Carlos negociando a Curva Norte do autódromo do Rio original, em sua primeira corrida

Fotos: Lotus/Caterham, exceto mencionado



Simplesmente não há nada comparável a ele.

Feio, antiquado, não aerodinâmico, parece um inseto, um minúsculo alienígena de pernas finas e olhos grandes e esbugalhados, que anda por aí arrastando a barriga no chão feito uma lagartixa. Mas ao mesmo tempo, para o entusiasta, um sem-fim de detalhes visuais chama a atenção e acionam as sinapses do desejo de nossas pobres mentes deturpadas por anos inalando cheiro da gasolina de alta octanagem: pequeno, baixo, obviamente leve, expõe suas belíssimas partes íntimas de suspensão sem pudor algum. As rodas e pneus parecem mais altos que a carroceria. Na lateral do capô, os filtros de ar da dupla de Webers frequentemente ficam para fora, sobrando, saltando para fora, feito o decote de Sophia Loren, coitado, sempre tentando inutilmente conter toda aquela voluptuosidade. Seu volante pequeno e sua posição de dirigir rente ao solo prometem, mesmo com o carro imóvel, prazer supremo.

É realmente algo de outro mundo, um alienígena entre mastodontes modernos. Que outro automóvel despreza tão completamente a necessidade de uma carroceria e de um desenho bonitinho? Que abandona moda se mantendo idêntico por 60 anos, e usando apenas a quantidade mínima de roupa para cobrir suas partes mais pudentas? Que outro carro, destituído de toda e qualquer gordura no corpo, tão comum desde tempos imemoriais na forma de cromados, frisos, guelras, barbatanas e outros adornos inúteis, se assemelha tanto a um atleta? Que outro carro destila tão perfeitamente o prazer ao dirigir a sua forma mais básica, essencial e perfeita?

Nenhum outro. O Seven é a expressão máxima do espírito entusiasta, um carro que carrega a simplicidade e a inteligência acima da glória, da fama, e do status. Um carro onde todo excesso, todo o supérfluo, é deixado de fora de propósito, por um motivo, e não para ganhar um troco. Que não se importa em ser desconhecido e desprovido de glamour. Um carro que põe o prazer e a velocidade acima até daquela que é a função básica de todo automóvel, o transporte de pessoas, subvertendo assim a sua própria lógica básica.



E o sol voltou a brilhar em Spa   

Depois de chuvas e trovoadas, GP da Bélgica realizou-se sob brancas nuvens e não trouxe nenhuma novidade dentro ou fora da pista. Vettel venceu, Alonso foi segundo e Massa teve problemas
   

(Foto: Mercedes-Benz-Media)

Mais do mesmo

Corrida foi em pista seca (foto Mercedes-Benz Media)

É no mínimo curioso como a história se repete, ano após ano, no Circo do Tio Bernie. Uma equipe domina a categoria por algumas temporadas, a Ferrari entra e sai de crises e o mundo segue sem maiores problemas. O GP da Bélgica disputado no último fim de semana foi bem assim, mais do mesmo: Vettel venceu e se aproximou da condição de mais jovem piloto a se tornar quatro vezes campeão mundial, Fernando Alonso subiu ao pódio com aquela cara de nenhum amigo e Lewis Hamilton estava lá para mostrar que continua vivo.

Como nada mais digno de manchete aconteceu, exceto pelos problemas técnicos que novamente afetaram o Ferrari de Felipe Massa, não tardaram a surgir boatos de novas transferências fantásticas envolvendo Kimi Räikkönen – que abandonou e quebrou uma série de 26 corridas consecutivas marcando pontos –, Fernando Alonso e até mesmo Pastor Maldonado, o venezuelano que cumpre sua segunda temporada na Williams.