OLHO VIVO NAS VANS ESCOLARES


Não vou aqui dar uma de que andei muito de ônibus escolar, não. Graças a Deus tínhamos carro em casa. Quando moleque, pra ir pra escola funcionava, e muito bem, o esquema de rodízio. Cada dia um pai ou mãe se encarregava de lotar seu carro com a molecada. Era ótimo, na ida todo mundo dormindo uns por cima dos outros e na volta uma algazarra maluca e todos esfomeados raspando as lancheiras dos outros e tomando restos de groselha quente e melada difícil de engolir devido às cotoveladas na boca do estômago. O rodízio rolava porque meus pais não confiavam nem nos ônibus escolares nem nas vans da época, que invariavelmente eram Kombis 1200, e com razão.

Essas Kombi eram instáveis e se não bem dirigidas capotavam com facilidade. Minha mulher, quando criança, capotou numa dessas Kombis escolares e seus olhos, os olhos mais lindos do mundo, se encheram de cacos de vidro. Tudo bem, por sorte sem sequelas.
Hoje a lei manda que nas vans escolares a criançada vá sentada e com cintos de segurança atados, mas não é o que acontece em todas. Outro dia mesmo dei uma bronca em uma motorista de van, uma bruxa - cara de bruxa, jeito de bruxa, bruxa é - porque ao parar num sinal vi a criançada pulando lá dentro. Minha atenção tinha sido chamada porque estando parado no sinal saquei pelo retrovisor que essa tal van vinha vindo com tudo e medrei achando que seria abalroado por trás. Olho de lado e vejo essa bruxa malvada guiando a van com aquele monte de anjinhos inocentes lá dentro.

Fiquei louco, as orelhas esquentaram, e daí pra frente, não tem mais jeito, eu engrosso.

Abri a porta, desci do carro e meti a boca na lazarenta: "Olhe aqui, minha senhora, as crianças estão sem o cinto. Trate de parar aí e mandar colocar". Eu tinha que ser duro, para ela mandar mesmo colocar e também pras crianças tomarem um sustinho, assim elas comentariam o ocorrido com os pais, e assim, eu esperava, que se seus pais tivessem um mínimo de cuidado com os filhos teriam o cuidado de passar verificar direito isso daí.

A bruxa me surpreendeu arrancando com tudo e se mandando, inclusive, com o arranque abrupto algumas crianças que estavam em pé caíram sentadas nos bancos.

Me surpreendeu mesmo, tanto que fiquei com cara de tonto de pé ali parado.

Pensei em ir atrás, mas logo afinei porque temi que isso iniciasse uma corrida perigosa e desse numa besteira que nem quero imaginar.

E olhe, caro leitor, e em seguida bobeei mesmo, porque não anotei o número da placa ou de outra identificação da van da bruxa - eu estava pasmo, estupefato com a brutalidade daquela mulher, um tipo de caráter que nunca deveria ter uma profissão de tamanha responsabilidade; creio que é uma das profissões de maior responsabilidade.

Fiquei sem ação.

E me mordendo de raiva entrei no carro e vim tocando pra casa. Desgraçada daquela mulher!

Fiquei ligado e assim que vi um fiscal da CET - ele, claro, muito ocupado em multar e nem aí pra ficar de olho nessas irrelevâncias de bruxas levando anjinhos - parei e lhe perguntei se o cinto era obrigatório mesmo para as crianças. Ele disse que era obrigatório, sim, e que se eu tivesse pego a placa etc, eu poderia denunciar a bruxa, que ela perderia a autorização, caso comprovado.

- Tá bom, seu guarda! Tá bom! E como é que comprova? - perguntei. Só se a criançada dedasse, e criança tem medo de dedar bruxas.

Que raiva!

Ele me recomendou ficar de olho.

- Fique de olho o senhor! - cacete!

Bom, acalmando. Por termos morado na roça durante a infância e adolescência de minhas filhas, tínhamos que nos revezar, minha mulher e eu, para levá-las à escola na cidade, então, com elas, nada de vans, não tinha van por lá.

Mas se o leitor é pai ou mãe e seus filhos vão de van pra escola, recomendo: verifique bem quem leva seus filhos. Verifique se o motorista é rigoroso com a colocação dos cintos, se é calmo. E sem que ele perceba, siga-o, veja como ele guia - uma vez só não basta. Dê umas incertas, de vez em quando siga-o.

Nesse caso, sim, a pessoa sendo pai ou mãe, terá como comprovar alguma falta do motorista.

E depois, por favor, traga-o pra mim. Traga-o ou traga-a; traga pra mim e deixe comigo, que eu tenho aqui um pau de amansar louco bem bom pro serviço.

AK

23 comentários :

  1. AK, depois do adjetivo empregado à Madame Mim do volante, "lazarenta", nem precisava mencionar que morou na roça. Só ficou faltando o "morfética".

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  2. Pô Arnaldo; Kombi só tomba se o motorista for de uma incompetência visceral.
    Mas essa história de chamar na xincha motorista de vans escolares não é privilégio seu não. faço isso direto, pego a placa e denuncio mesmo. E chamo atenção de zelosas mamães e vovós com seus rebentos no colo, no banco da frente...Apesar da Lei da cadeirinha, ainda se vê por aí .
    ^merda de gente sem noção.

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  3. Aléssio Marinho03/07/11 09:55

    AK;

    Pelo menos essa bruxa tinha permissão para trabalhar. Suponho que tenha feito curso de condutor de veículo escolar.
    Aqui na mangueirosa é raro encontrar uma van de acordo com a Lei. 98% das que rodam aqui são clandestinas. E são fáceis de reconhecer: películas escuras e um número de telefone na traseira. Nada mais. Absurdos paraenses...

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  4. regi nat rock,

    Que história é essa de que Kombi tem boa estabilidade e é difícil de capotar?
    Por favor, não diga uma coisa dessas.

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  5. Arnaldo,

    Kombi a gente conduz com o poder da mente. Faz pensamento positivo para acelerar, reza para frear e repete mentalmente um mantra pra fazer curva, porque direção freio e acelerador dão apenas sugestões do que ela deve fazer, é igual cavalo velho de queixo duro, é ou não é? Pelo menos era assim com a Kombi movida a GNV que eu tive a desonra de dirigir enquanto fui estagiário de uma empreiteira. Dirigir aquilo por São Paulo era traumatizante. Dei azar ou são todas assim?

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  6. Marcelo Junji03/07/11 11:46

    Esses motoristas de escolares se acham os donos da situação, eles sabem que todo mundo vão respeitá-los, já que carregam seres que todos nós tomamos o máximo de cuidado. Aproveitam-se disso, e saem fazendo barbaridades, dirigindo como se tivessem a preferência de um ambulância. Para esses motoristas de escolares, só falta giroflex e sirene, para se sentirem totalmente os donos das ruas.

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  7. Kiko,

    Você é bom pra exagerar.
    Menas, colega, menas.
    Tive 2 kombi na fazenda, uma 1500 antiga e uma 1600 mais nova, de bitola mais larga, e ia na boa. É só não barbarizar.
    Acho que a empreiteira queria se livrar de você.

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  8. Kiko;

    Perai, comparar a aceleração de uma Kombi com uma Kombi GNV é igual comparar uma Honda CB400 com uma Mobilete Caloi (Kombi GNV)

    Certa vez dirigi um Vectra 2,2L com GNV e o carro estava mais para Gol 1000 CHT com 4 pessoas bem grandes dentro que para Vectra.

    A Kombi é um dos carros mais resistentes que tem: Aguentar peão de obra e motorista de prefeitura, eu DUVIDO que qualquer outro veiculo aguente o tranco. Da leva de 1996 adquirida pela prefeitura da cidade onde moro, só restaram as Kombis: Os Gols, Saveiros, Corsa Picape (adquiridas anos depois) já sucumbiram todos.

    Verdureiros e pequenos proprietários rurais andam com Kombis velhissimas em perfeita conservação: Inclusive eu estou de olho em uma, se Deus quiser eu arremato qualquer hora dessas.

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  9. Arnaldo Keller

    Com relação a estabilidade da Kombi, permita-me apenas um comentário: Todas que eu vi tombarem em ruas e estradas ou estavam com excesso de altura (caso das Picapes) ou os seus motoristas literalmente barbarizaram na velocidade ou na curva.

    Longe de ser um expoente de estabilidade, a Kombi também não chega a ser um simbolo de desequilibrio.

    Um abraco!

    PS: Vc ainda tem Fazenda?

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  10. Não dando razão nenhuma a bruxa, mas do jeito que vc saiu do carro e foi lá dar a bronca merecida, a mulher deve ter se borrado, com um tipo "Ah meu deus, esse cara vai me assaltar e levar a Van com as crianças, esse carro que parou ai na frente é roubado e eu sou a próxima!"
    Trauma de caroica talvez mas se o cara da minha frente, saisse do carro do nada e viesse na minha direção eu também arrancaria, não deixava nem chegar perto...

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  11. Eu nunca confiei nessas vans. E nem quero confiar quando tiver filhos. É muito comum eu estar dirigindo e levar cortadas absurdas de vans escolares.

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  12. Arnaldo, eu tenho a mania de tirar férias fora da "alta temporada". Assim sendo, ano passado foram as minhas primeiras férias que fui levar minha filha para a escolinha. Só que eu moro a 1 quarteirão da escola, então vamos a pé. Um dia, logo antes de virar a esquina para a avenida, vejo parado no semáforo um Classic com uma criança pulando do banco traseiro - portanto SOLTA - para o dianteiro e a mãe sorrindo. Tive ganas de dar-lhe uma bronca muitíssimo bem dada, mas como estava em cima da hora para entregar a filhota, deixei passar. Qual não é minha surpresa ao ver o mesmo Classic parando no estacionamento da escola, pois a criatura além de mãe de aluno era uma das professoras... aí não aguentei: perguntei se ela ensinava as crianças tão bem como respeitava as leis de trânsito... ela não gostou, mas como não dava aula para a turma da minha filha, beleza. Ainda bem que para esse ano ela foi dar aula em outra escola.
    Abraço!

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  13. AK.
    Não esqueço da história do irmãozinho de um amigo meu, que ia pra escola numa Townerzinha em péssimo estado, soltando uma fumacera preta, vidro rachado. Lembro muito bem da cara de bruxa da mulher (pior que parecia bastante com a Dilma... hahahaha), uma vez ela botou a gurizada pra empurrar a towner que não queria pegar!!!

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  14. Não faz muito tempo meu pai e eu presenciamos um motorista de van escolar falar gracejos para uma passageira que acabara de desembarcar, adolescentezinha, de uns 13-14 anos. Não satisfeito em dizer elogios “pouco adequados” à garota (que, tonta, estava levando na brincadeira), ficou suspirando e sussurrando obscenidades enquanto a jovem atravessava a rua, já de costas para o carro. O homem ficou passado quando nós o encaramos feio, pois estávamos ao lado da janela da van, parados numa retenção do trânsito. Imediatamente ele arrancou e, não sei como, conseguiu ir se esquivando por entre os carros para longe nós...

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  15. Arnaldo:
    tive varias Kombis desde uma corujinha até a última ano 93 ou 94 nem lembro mais, inclusive a diesel cabine dupla.
    Não posso me queixar. No limite delas, nunca tive problemas, e andava em estradão dos brabos no MT, bem como descendo pra Caraguatatuba quase toda semana. E duvido que tenha atrapalhado muita gente, pois sempre guiei, e guio, de olho nos outros. Quem me conhece sabe que não sou exatamente um "mané" pois o da direita ainda é pesado. Pra quem sabe, Kombi é até bem divertida para algumas proezas...
    Ou então não pode passar dos 50 km/h

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  16. Alexandre - BH -04/07/11 02:23

    Crianças sem cinto? Que tal isso aqui?
    http://estadodeminas.vrum.com.br/app/noticia/noticias/2011/06/29/interna_noticias,44090/flagrante-veiculo-do-detran-visto-fazendo-transporte-irregular.shtml

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  17. Bianchini,

    Você fez muito bem em dar-lhe um cata. Já fiz isso também, alertei mães sem noção.
    O bom também é falar para ela discutir essa questão com o marido dela, se ele acha que a criança deve ir sentada com cinto ou não. Aí ela se toca melhor, se é que ela tem um marido que preste.

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  18. Olha todo mundo acha que o perueiro é errado mas qdo um idiota pega uma merda dum carro financiado 100% sai nas principais vias das cidades com o braço pra fora do carro olhado para aquelas piriguetes e se achando o fodao é normal e qdo uma vam apoda o idiota do carro , o perueiro e louco preste atençao esta ganhando seu pao nao vende pó. igual a vc que pode ficar dando rolé mo dia todo....quanto as clandestinos estes sao foda mesmo.

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  19. Acusar condutores de transporte escolar de forma genérica é um equívoco. Minha mulher trabalha no ramo e sou testemunha do esforço dela e de colegas em prestar o melhor serviço possível.
    Ela paga uma auxiliar para cuidar do salão e fazer cumprir regras como uso do cinto de segurança. O que é muitas vezes contestado pelas crianças, que dizem que não usam o cinto ou cadeirinha no carro dos pais.
    Além disso, os condutores de vans escolares cumprem todas as exigências dos demais motoristas e ainda passam por cursos de reciclagens - um dos últimos exigidos, foi sobre transporte de deficientes.
    Não posso crer que sejam os condutores de tais vans que fazem acrobacias no trânsito, como querem fazer crer AK e seus seguidores.
    Vans, pelo porte e peso, não se aprestam a manobras agressivas, como se propalam em algumas intervenções neste blog.
    Por que não acusar motoristas de ônibus... ou de caminhões? Ou taxistas?Ou motoqueiros? Ou os classe-média idiotizados que se julgam donos das ruas e melhores que os outros por terem comprado um carro novo, mesmo que a prazo?


    Sérgio D. Gomes

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  20. Sergio Gomes,

    Parabéns à sua esposa. Certamente que não é ela a motorista do ocorrido.
    É de pessoas assim, responsáveis, que precisamos e este texto visa alertar os pais para procurarem motoristas que trabalham igual à sua senhora.
    O post valoriza sua esposa e não o contrário. Leia com cuidado o que escrevi e verá que você me deve agradecimentos, isso sim, em vez de críticas.

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  21. Junior Antonini05/07/11 17:50

    Ao Sérgio D. Gomes:

    Concordo com o que o Arnaldo escreveu para você agora afirmar que "Vans, pelo porte e peso, não se aprestam a manobras agressivas, como se propalam em algumas intervenções neste blog" é realmente não ter noção do que acontece nas ruas.
    Ao menos aqui em Florianópolis já vi cada coisa... e outra, já viu caminhões fazendo coisas absurdas?
    Olha esse "belo exemplo":
    http://www.youtube.com/watch?v=O83Dapi2Je8

    Como disse o Arnaldo, parabéns a sua esposa pelo exemplar comportamento.

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  22. Independente do que aconteceu, esse senhor não deveria chamar ninguém de bruxa, essa condutora é uma pessoa e tem nome, porém como o senhor não sabe o nome dela deveria chama-la de Senhora. Uma pessoa que se diz tão preocupada com crianças, dar um exemplo desses... Francamente!

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  23. Anônimo 29/08/13 11:33
    Bruxa para motorista de van escolar com um comportamento desses é até elogio.

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