CADÊ OS GUARDAS?

Foto: bikeabout.org



Quando criança, gostava de prestar atenção nos adultos que comandavam coisas "interessantes" na visão de um garoto de seis anos. Ficava observando os garis mexendo naquelas alavancas que comandavam a pá hidráulica do caminhão de lixo e morria de vontade de meter a mão ali. Idem quando andava de ônibus, me sentava, sempre que conseguia, no primeiro banco atrás do motorista e ficava observando ele abrir e fechar as portas com aquelas chavinhas mágicas e morria de vontade de fazer isso uma vez.

A única vez que me lembro de ter comandado algum equipamento "de adultos" foi quando, morando em São Paulo (morei só um ano lá), ao aguardar o semáforo fechar para atravessar, acompanhado de minha mãe, fiquei observando o guarda comandar a troca da luz verde para vermelha. Ele então me chamou para apertar os botões, sob sua supervisão. Não precisa dizer que achei aquilo o máximo. Não passava de uma caixinha presa no poste com um botão verde e outro vermelho, mas para um moleque de cinco anos representava muito mais que isso. De fato, ao toque de um dedo, os carros paravam. Dedo poderoso !

Tenho notado que a Prefeitura do Rio de Janeiro tem efetuado algumas ações de melhoria do trânsito em locais críticos, com a presença de agentes, e lembrei do guarda que comandava o sinal com os botões. Ora, quantas vezes ficamos parados debaixo de um sinal de trânsito sem que ninguém atravesse nem venha carro algum na transversal? Isso acontece mesmo em vias de maior fluxo, e nesses casos, a presença de pessoas ordenando o tráfego teria resultado imediato.

Na avenida Ayrton Senna, na Barra da Tijuca, aqui no Rio de Janeiro, uma dezena de homens e alguns cones conseguem transformar o caótico trânsito da hora de pico em algo aceitável, apenas fechando os retornos mais problemáticos e ordenando melhor o trânsito.

Não dá para colocar um guarda em cada cruzamento, mas sinto falta de mais agentes em alguns pontos importantes da cidade, agentes esses que poderiam melhorar muito o fluxo dos veículos, priorizando um ou outro lado do cruzamento e temporizando a passagem de acordo com o fluxo do momento. Não adianta sinal aberto se o tráfego à frente está parado, só serve para bloquear o cruzamento, coisa que infelizmente os cariocas ainda fazem muito.

Sem contar situações momentâneas que podem ser minimizadas com uma ação imediata de pessoas. Assisti no RJ TV ontem o caos no trânsito entre Barra da Tijuca e zona sul do Rio, por conta de um trator enguiçado dentro de um túnel. Uma rápida intervenção, prorrogando o horário de sentido único da Av. Niemeyer (caminho alternativo) em direção à zona sul e desviando o tráfego para ela, além de priorizar a passagem em alguns cruzamentos no trajeto, certamente minimizaria o problema.

Precisamos de mais pessoas cuidando do trânsito, com presteza e inteligência, não só no Rio como no país todo. Só assim começaremos a desatar os nós do nosso dia a dia.

AC

13 comentários :

  1. Já existe tecnologia para controle inteligente dos semáforos. Não é implantado pois não gera receita com a aplicação de multas.

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  2. Em vez do agente de trânsito estar junto dos carros, eles preferem ficar no alto de um edifício com um binóculo...

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  3. Antes do semáforo inteligente, bem que podiam "instalar" um presidente da CET inteligente tbm... rs
    Mas o post é oportuno, pois cada vez mais os guardas apenas tem função de atender um acidente já ocorrido, ou multar. Disciplinar, educar e orientar são conto da carochinha.

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  4. Enquanto isso em SP....rss.

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  5. os guardas de trânsito foram substituídos por honestas empresas de fiscalização eletrônica, os "agentes" fiscalizadores de hoje precisam bater metas, recebem premiações por quantidades de autuações, a prf utilizade de mesmo sistema eletrônico, só a PM continua fazendo fazendo a ronda, e não é para fiscalizar o trânsito

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  6. Aqui em Curitiba tbm estão faltando agentes de Transito, muitas vezes um sinal apaga e fica mais de hora sem a presença de nenhum agente, os próprios motoristas estabelecem uma ordem de qual cruzamento vai ter a vez, e enquanto isso os Piriquitos, apelido carinhoso aos agentes de transito daqui, estão na região central escondidos debaixo de marquises, atras de postes ou dentro de comércios aplicando multas descabidas, ao invés de estrem cuidando e tentando melhorar do transito.

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  7. Lembrei de um fato recentemente...

    Estava indo trabalhar e estava o maior trânsito no cruzamento da Marques de São Vicente com a Pacaembu. E eu vindo da Pacaembu tinha que cruzar a Marques, fazer o retorno e pegar a Marques, ou seja, ia pegar o trânsito duas vezes.

    Fiquei pelo menos 20 minuto pra andar 5 passos, até a hora que fiquei p@#$, parei o carro quase em cima da calçada (mas num local seguro) e fui pro meio do cruzamento colocar ordem na bagunça. Sabe aquelas cenas de cinema?? Um cruzamento de 4 vias vai engarrafando até a hora que NINGUÉM passa (ridículo mas acontece). Suei pra conseguir fazer o trânsito fluir, até os policiais passavam e me cumprimentava pela atitude, e eu querendo bater neles. Na hora que já estava fluindo liguei pra CET que tem um posto não mais do que 2km dali! Ai pensei, pô eles vem de moto é rapidão, demorou mais 15 minutos e chega uma Ranger.. haha. Brasil sil sil!!

    Abraços a todo AE.

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  8. Alexandre - BH -08/07/11 04:24

    Meu xará, essas passagens da infância são mesmo inesquecíveis. Interessante como a boa relação com a polícia pode – e deve – ser incentivada desde cedo, sem que isso signifique, na fase adulta, conivência com os erros da instituição. Eu me lembro quando ganhei a carteirinha ‘Sou Mais Um Amigo da Polícia Militar’, da campanha ‘PM Amigo Legal’, de Minas Gerais. Aquilo era o máximo! Com a identificação, me sentia quase uma autoridade-mirim, do alto dos meus seis ou sete anos. A imaginação ia longe e eu brincava com meu irmão no Fusca do meu pai, que era a nossa viatura policial! Espero que a polícia do Rio de Janeiro desperte esse sentimento nas crianças das comunidades pacificadas.

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  9. AC, fico surpreso e feliz com a informação de que há agentes de trânsito trabalhando no Rio e de uma maneira eficiente. Tentarei explicar antes de que meu comentário inflame a eterna briga bairrista de "mermãos" contra "manos" e vice-versa: sou paulista (não paulistano) e morei longo tempo no Rio (na minha opinião, uma das melhores cidades pra se viver) e ficava abismado com a total ausência, ou total inoperância qdo existiam, dos fiscais de trânsito na cidade. Ficava imaginando um caos maior que o trânsito de SP se a proporção carros/habitantes fosse igual a desta última. Espero, mesmo, que a CET-RIO tenha entrado em ação efetiva.

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  10. Vitor,

    tem horas que dá vontade de parar o carro e ir lá botar ordem na bagunça mesmo. Já atravessei a moto na frente de cruzamento com sinal apagado para um dos lados conseguir andar.

    Xará de BH,

    torço para que seja esse o principal resultado das UPPs aqui no Rio. Que as crianças que ali moram não tomem mais como exemplo o traficante que empunha um fuzil, como já cansamos de ver em reportagens na televisão.

    Ciro,

    em alguns pontos críticos, notadamente na Barra onde hoje temos canteiros de obras pelo bairro todo, os agentes estão presentes. Mas ainda há muita lentidão nas ações quando acontecem fatos inesperados, como o enguiço do trator na Lagoa-Barra. Uma faixa de rolamento interditada e para tudo. Dava para minimizar com ação rápida de agentes treinados.

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  11. Olha, eu sou gaúcho, mas moro em BH... eu fiquei abismado como o agente de transito aqui (bhtrans) é omisso... Não se vê agentes organizando o trânsito, só se vê os "quiridos" passeando nas viaturas, normalmente dando mau exemplo... Enquanto isso, as proximidades do BH Shopping ficam um caos. Eu trabalho no Belvedere e moro no Buritis. As vezes, no final da tarde, eu levo 1 hora para percorrer 5 km, é triste. Nessa zona mais especificamente, tem umas 3 ou 4 ações facilmente implementáveis para diminuir a lentidão, e uma delas é colocar agentes para organizar o transito, impedir das pessoas pararem em local proibido e avançarem sinal vermelho. É impressionante a falta de educação do motorista médio...
    Não me importaria se a BHtrans tomasse a iniciativa da CET-Rio como exemplo e começasse a organizar, ao invés de somente controlar radar... ta muito ruim de andar de carro, já está dificil de ter prazer em dirigir aqui...

    Mas voltando ao tópico. Eu, há 20 anos atrás também fazia as mesmas coisas, adorava cumprimentar os brigadianos em porto alegre, achava muito legal ser policial, pena que a gente cresce e a realidade vem à tona...

    Belo post Alexandre.

    abraço

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  12. E em São Paulo só piora. Prefeito quer nossa grana com multas. Bandidos pé de chinelo adoram um congestionamento.
    E a carteira, ó !
    Cambada de safados.

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  13. AC,

    Vivi algo parecido na infância. No meu caso, não fui convidado, mas dei uma de curioso na máquina instalada no poste.

    Enquanto esperava para atravessar, o guarda ficou meio longe e eu, impulsivamente, fui manobrar a manivela de bonde (devia ser máquina mais antiga) que comandava. Incrível! O sinal ficou vermelho e verde ao mesmo tempo... Fugi do guarda...

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