Fotos: Lotus/Caterham, exceto mencionado
Simplesmente não há nada comparável a ele.
Feio, antiquado, não aerodinâmico, parece um
inseto, um minúsculo alienígena de pernas finas e olhos grandes e
esbugalhados, que anda por aí arrastando a barriga no chão feito
uma lagartixa. Mas ao mesmo tempo, para o entusiasta, um sem-fim de
detalhes visuais chama a atenção e acionam as sinapses do desejo de
nossas pobres mentes deturpadas por anos inalando cheiro da gasolina
de alta octanagem: pequeno, baixo, obviamente leve, expõe suas
belíssimas partes íntimas de suspensão sem pudor algum. As rodas e
pneus parecem mais altos que a carroceria. Na lateral do capô, os
filtros de ar da dupla de Webers frequentemente ficam para fora,
sobrando, saltando para fora, feito o decote de Sophia Loren,
coitado, sempre tentando inutilmente conter toda aquela
voluptuosidade. Seu volante pequeno e sua posição de dirigir rente
ao solo prometem, mesmo com o carro imóvel, prazer supremo.
É realmente algo de outro mundo, um alienígena
entre mastodontes modernos. Que outro automóvel despreza tão
completamente a necessidade de uma carroceria e de um desenho
bonitinho? Que abandona moda se mantendo idêntico por 60 anos, e
usando apenas a quantidade mínima de roupa para cobrir suas partes
mais pudentas? Que outro carro, destituído de toda e qualquer
gordura no corpo, tão comum desde tempos imemoriais na forma de
cromados, frisos, guelras, barbatanas e outros adornos inúteis, se
assemelha tanto a um atleta? Que outro carro destila tão
perfeitamente o prazer ao dirigir a sua forma mais básica, essencial
e perfeita?
Nenhum outro. O Seven é a expressão máxima do
espírito entusiasta, um carro que carrega a simplicidade e a
inteligência acima da glória, da fama, e do status. Um carro onde
todo excesso, todo o supérfluo, é deixado de fora de propósito,
por um motivo, e não para ganhar um troco. Que não se importa em
ser desconhecido e desprovido de glamour. Um carro que põe o prazer
e a velocidade acima até daquela que é a função básica de todo
automóvel, o transporte de pessoas, subvertendo assim a sua própria
lógica básica.







