google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)

Não é de hoje que as fábricas alemãs de automóveis disputam acirradamente o mercado de sedãs esportivos. Sou suspeito para falar, sempre fui fã da MB, é minha favorita entre as germânicas. No final dos anos 80, a Mercedes e a BMW travavam uma guerra nas etapas do DTM, o Campeonato Alemão de Turismo, o que acarretava cada vez mais no desenvolvimento dos modelos de produção. Nesta época é que nasceram os dois grandes respectivos representantes dos sedãs esportivos da BMW e da Mercedes, linhagens que continuam marcantes e desejáveis até hoje.

A BMW disputava nas pistas com a M3, então na geração E30, um dos melhores carros de performance de todos os tempos, que por regulamento deveria ter uma versão road-legal para homologação. E não foi diferente com a Mercedes. A geração W201, com modelo-base no 190E, era a escolhida para representar a marca de Stuttgart. Ao longo dos anos, o 190E ganhou diferentes versões de motorização, passando pelo já apimentado e tentador 190E 2.3-16V, até chegar ao modelo topo de linha, meu favorito, o 2.5-16V EVO II.

Falta de medicação faz mal, principalmente quando se trata de Gardenal, e com certeza a Engenharia de desenvolvimento da Mercedes estava em falta na época. O peso do carro foi reduzido para 1.408 kgf, o motor era o quatro-cilindros M102E25/2, preparado pela inglesa Cosworth, que na versão de rua possuía 235 cv a respeitáveis 7.200 rpm. A suspensão era extremamente firme e a direção muito rápida, o que fazia do carro uma covardia em estradas sinuosas. Desde 1990, a Mercedes já adotava a política da força bruta, pois o EVO II era 100 kgf mais pesado que o M3, mas com 40 cv extras.

Talvez o maior apelo do carro fosse a carroceria modificada. O modelo de corrida tinha as bitolas maiores para acomodar os largos pneus slick, então por que não passar isto para o modelo de rua? Na verdade, era obrigado, pois poucas modificações na carroceria eram permitidas pelo regulamento, baseado no carro de homologação. Os pára-lamas eram alargados em aproximadamente 90 mm de cada lado, que, juntamente com um kit aerodinâmico completo, incluindo um novo spoiler dianteiro e um aerofólio traseiro ao melhor estilo Dodge Daytona, criavam um visual perturbador e intimidante.

Na realidade, o EVO II era um DTM com bancos extras e umas frescurinhas, como painel, forro de portas e carpete. O que mais você precisa??



Hoje à tarde saí do banco e fui passear num sebo de livros. Acho que nessa época de informática cibernética e internet é meio demodê, mas eu curto fazer isso. Olhei uma penca de CDs antigos, livros diversos e quando já ia embora, me dando por vencido, olhei um livro da Classic Motorbooks, The Long Haul, Trucking in America. Não resisti ao belo Kenworth na capa. Abri e comecei a folhear.

Fotos maravilhosas, histórias bacanas, já estava com vontade de comprar, quando vi o último capítulo, BigBoss. Viajei de volta ao ano de 1998, na minha última viagem aos EUA, onde fui a um evento chamado Cummins Day, no autódromo da cidadela da ponte velha, o famoso e bem-conhecido dos fãs de drag race, Old bridge Townshio Raceway Park. Lá eu vi um caminhão velho, de arrancada, que me prendeu a atenção e eu até tirei umas fotos dele, que vão aí.

Evidentemente não fotografo como nosso amigo Paulo Keller. Ao ver ele no livro, se tinha alguma dúvida sobre a compra, ela simplesmente acabou. Comprei-o. Por meros 20 reais. Metade do preço de uma boa revista gringa. Emoções baratas.

Fim de semana e, como tal, duas coisas pulam à mente (sim, o texto está atrasado há alguns dias -- ficou em "rascunhos" e, sobrecarregado de trabalho, simplesmente esqueci dele). Uma é a solidão, que ainda demorará um pouco a passar. E a outra, como sempre, são os projetos abandonados na garagem.

Sábado pela manhã viajei à uma oficina especializada em freios e circuitos hidráulicos automobilísticos. Um amigo havia comentado que eles eram capazes de recondicionar os cilindros do circuito da embreagem hidráulica da Alfa, e então lá fui eu, carregando o mestre e seu escravo, para um retrabalho que espero ser definitivo. Quando mostrei as peças ao atendente, ele logo retrucou "Isso é de quê, de Alfa?" -- bom sinal.

Depois de algum tempo retrucando que eu não queria de modo algum tentar adaptar algum cilindro-escravo moderno no bellhousing da Alfinha, o atendente aceitou ficar com as peças para fazer os reparos. Me pediu um mês de prazo e logo pensei: "Ah, um mês livre de gastos e dores de cabeça com a Neguinha. Que delícia!".

Desse modo, a GTV se une à Vespa, ficando abandonado na garagem à mercê da boa vontade do serviço alheio. As peças da Vespa ainda não voltaram da pintura, preciso ligar para o meu amigo lá, e a Alfa só terá embreagem mês que vem.

Com a cabeça livre para pensar, no domingo, a solidão voltou. E com ela a vontade de fazer algo sozinho e egoísta. Decidi então apelar para a Grazi, que apesar do nome e do que posts anteriores podem sugerir, não é uma loira alta de seios fartos.

Acordei-a do sono após o encontro com o Scania e ela, alegremente, me levou por um longo e demorado passeio. Andei pela Av. dos Bandeirantes, pela JK, pela Faria Lima. Passei em frente de bares de motociclistas, cruzei com um amigo passeando num antigo Golf GTi, curti o sol. Curti o ronquinho do motorzinho Sachs a uma velocidade que seria confortável pedalando e curti a brisa.

Mind-cleansing indeed, my friends, indeed.



Obsolescência programada, um dos pilares atuais da indústria automobilística, não significava nada para Henry Ford.

O criador do modelo T queria do fundo de sua alma que seu “tin lizzie” durasse para sempre, e o criou com esta idéia na cabeça.

Sua idéia era fazer um carro sem classe, que por sua qualidade e versatilidade pudesse ser comprado por todas as camadas da sociedade, indiscriminadamente. Desta forma, o volume de produção e os custos dela poderiam indefinidamente ser aperfeiçoados, num ciclo eterno de redução de custo sem redução da qualidade, mas sem alteração nenhuma no carro em si. E o mais incrível é que, por um bom tempo, Ford teve sucesso nessa aparentemente impossível tarefa.

O T, assim como o Fusca e o Mini original, não era apenas um carro barato. Era barato, mas de qualidade muitas vezes superior a de carros custando o dobro ou o triplo do preço. Foi usado como caminhão na roça e como carro de corridas na pista. Como ambulância nos hospitais e como um alegre phaeton que levava as famílias para piqueniques nos fim de semana.

Até meados dos anos 20, quando o método moderno de criar e vender carros foi criado por Alfred Sloan e a sua GM (designers mudando carros todos os anos, vários modelos numa escalada de preço etc.), o modelo T chegou muito próximo de ser o carro definitivo que Ford tanto sonhava.

Não era para ser como o velho Henry desejava, mas eu pessoalmente acredito em que, em seu carro definitivo, ele acertou pelo menos uma coisa: o tamanho definitivo de motor.

O modelo T deslocava 2,9 litros em seu 4 cilindros em linha “monobloco” de cabeça chata. Na casa dos três litros. Não era grande demais para não desperdiçar combustível e atrapalhar a dinâmica do veículo com seu peso, nem pequeno demais para que o desempenho ficasse inaceitável. E o mais interessante é que os 3 litros de deslocamento, 100 anos depois, continuam com as mesmas vantagens.

Um motor de 3 litros moderno pode varrer a faixa de 150 até mais de 400 cv tranqüilamente. Nas potências mais baixas, se torna muito mais satisfatório para dirigir do que os 4-em-linha de 2 litros mais usuais hoje em dia, com pequeno prejuízo (se houver) em economia de combustível e peso. E nas faixas mais altas, com ou sem superalimentação, é mais econômico e mais leve que os propulsores de deslocamento maior.

Para exemplificar, nada melhor do que mais uma listinha.

Com vocês, os 10 melhores carros de 3 litros de todos os tempos, segundo o Marco Antônio Oliveira:

1) Mercedes-Benz 300 SL:
O famosíssimo “asa de gaivota” chegava a quase 250 km/h em 1955 e foi o primeiro carro de série com injeção de combustível (direta, muito parecido com Diesel, inclusive com bomba injetora) e deslocava 3 litros de seu seis-em-linha inclinado.

2) Ferrari 250 TR:
O V12 de três litros de Gioachino Colombo é a raiz de toda a fama e sucesso de Enzo. Um motor de alma, 250 cm³ por cilindro, total de 3 litros.

3) BMW M3 (E36, 1991-1998):
Um seis-em-linha girador, aspirado, de 6 borboletas e 286 cv. Já foi dito que era “suave como um V12, forte como um bom V8 e subia de giro como um pequeno 4-em-linha.” Na minha opinião, o melhor M3.

4) Porsche 911 SC (1978-1983):
Eu tinha que colocar um 911 refrigerado a ar na lista, pois do Carrera 2,7 aos últimos de 3,6 litros, a maioria deles ficaram sempre ao redor dos 3 litros. E o SC, com exatamente 3 litros.

5) Porsche 968:
Prova que um 4-em-linha pode deslocar 3 litros sem ofender ninguém. E ser memorável.

6) Ferrari F40:
O mais famoso dos Ferraris também deslocava 3 litros e era turbo. Com 478 cv, o mais potente carro da lista.

7) BMW 335 atual:
O motor seis-em-linha de 3 litros da BMW já é uma jóia. Turbocomprimido para 300 cv e montado na excelente Série 3, faz um dos carros mais perfeitos tecnicamente já criados pela humanidade.

8) Ford modelo T

9) Honda NSX:
O melhor esportivo já criado na terra do sol nascente deslocava exatamente 3 litros em seu magnífico V6 VTEC de alumínio.

10) Noble M15:
A partir do V6 Ford de alumínio e 24 válvulas, a pequena empresa inglesa, com ajuda de turbocompressores, faz um 3 litros de 455 cv. Montado no excelente M15, mostra que a indústria de carros esporte inglesa ainda vive.

Lista difícil de se manter em apenas 10. Faltou um monte de sedãs, por exemplo.

Sedãs de 3 litros podem não são tão glamurosos quanto seus irmãos maiores, mas quem já andou bastante em um Mercedes 300 E, um Omega de 3 litros, um Nissan Maxima com o ótimo V6 de alumínio, ou mesmo um BMW 530 com o V8 de 3 litros (coincidentemente todos da década passada) sabe o quão satisfatórios eles são.

Mas regras são regras…
MAO