AS ANTIGAS (E SURPREENDENTES) SEMENTES GREGAS



Um dos maiores best-sellers do final dos anos 60 e início dos anos 70, e cola para uma teoria mirabolante proposta pelo autor, Erick von Däniken, tinha como título “Eram os deuses astronaustas?”.
Mesmo completamente desacreditado pela ciência , e diversas vezes desmascarado por fraude, sua teoria de astronautas extraterrestres no passado longínquo da humanidade ainda tem seguidores fiéis, e abriu as portas para novas teorias sem comprovação e cheias de conspiração, que tentam juntar peças soltas do passado num quebra-cabeças que não se sustenta.
Apesar de todo sensacionalismo, o movimento dos pseudo-historiadores ajudou a fazer boa ciência, atraindo mentes curiosas, que hoje apresentam respostas e resultados admiráveis.
A verdade, tal qual a conhecemos hoje, é que realmente sabemos muito pouco do nosso passado, e nossos antepassados conheciam e usavam tecnologias avançadas mesmo que algumas vezes não as compreendessem.
Não precisamos abrir nossas mentes para aceitar fantasmas fugidios de astronautas que não deixaram rastros em nosso passado para explicar o que descobrimos e não conseguimos explicar. Todo conhecimento ali concentrado está dentro do humanamente realizável para precisarmos destes fantasmas.

Precisamos, isso sim, da mente aberta percebermos que nossos antepassados há milênios eram tão ou até mais competentes que nós, dentro das possibilidades técnicas que dispunham.
Antes de mais nada, precisamos ser humildes e não faltar com o respeito à sua memória e ao valioso legado que nos deixaram. Egípcios, babilônicos e chineses na remota antiguidade utilizavam tecnologias que podem nos assombrar, porque as consideramos modernas e não concebemos que fossem conhecidas em tempos tão remotos.
Porém, foram os gregos que criaram várias tecnologias que, juntas, apontavam o caminho para criar toda uma geração de máquinas, entre elas, o automóvel.
- Vida, movimento e vapor
Os gregos antigos tinham uma idéia de que vida era feita de movimento. Sob sua filosofia, qualquer coisa que fosse capaz de se mover por conta própria deteria alguma parcela de vida. Era uma ideia tão profunda em sua cultura que permeava sua filosofia e sua religião.
Entre as lendas gregas, há a história de Talos, um robô gigante feito de cobre, em forma de guerreiro, construído pelo deus Hefaistos (ferreiro divino, Vulcano para os romanos), e dado ao rei Minos de Creta, para proteger a ilha contra invasores e que também ajudava na manutenção da lei e da ordem locais.
Durante a viagem dos argonautas, Talos ameaçou destruir o navio Argo no qual os heróis viajavam quando estes se aproximaram de Creta. A feiticeira Medeia usou encantamentos para criar confusão em Talos, enquanto os argonautas abriam um registro em uma perna que deixou o sangue metálico de Talos vazar, esvaziando-o do sopro de vida que o animava.

Talos é uma das mais antigas visões de um robô completo como conhecemos hoje, e, conforme acreditam alguns especialistas, foi a provável inspiração para a imagem do Colosso de Rodes, uma das sete maravilhas do mundo antigo, e que servia de farol e de proteção militar para a entrada do porto da ilha de Rodes. Embora as evidências arqueológicas e históricas sejam vagas, algumas das descrições do Colosso de Rodes o indicam como um autômato simples, que lançava óleo fervente sobre navios invasores.


Tentando desvendar os segredos da vida, os gregos incansavelmente buscaram imaginar e construir máquinas capazes de se mover por conta própria. Um dos maiores especialistas gregos em máquinas foi Heron de Alexandria, que projetou uma máquina a vapor simples, a que ele deu o nome de “Aeolipile” (“bola de vento”), um tipo primitivo de turbina a vapor.

É de Heron também um dos primeiros tipos de odômetro conhecidos, necessário para medir a distância entre dois pontos de observação astronômica, informação importante para cálculos astronômicos que levavam em conta a simultaneidade da observações.

Outro invento importante creditado a Heron é o de um tipo de seringa, de onde derivam a seringa hipodérmica e o sistema de pistão e camisa, usados nos motores atuais.


A tecnologia grega estava a serviço da religião, e Heron foi responsável por diversos mecanismos instalados em templos gregos, que serviam para que estátuas se movessem, “voassem”, tocassem trombetas, e até mesmo que pássaros metálicos pudessem cantarolar, com o objetivo de impressionar os fiéis.
Para tanto, Heron usou a força dos ventos, da água e do vapor como fonte de energia. O desenho a seguir é da reconstrução de um dos autômatos de Heron, feito por Giovanni Batista Aleoti, em 1589. Quando Hércules atingia a cabeça do dragão, movido pela ação de água, o dragão espirrava um pouco dela na face de Hércules.


Em templos gregos, os fiéis ficavam impressionados quando as pesadas portas de entrada se abriam sozinhas após o ritual de acendimento da pira na entrada, fazendo-os acreditar que elas se abriam por intervenção divina.
Restos arqueológicos de um destes templos mostraram que as portas eram abertas por uma máquina a vapor elementar instalada no subsolo, movida pelo calor da pira.
Este foi mais um autômato de Heron, que usava o vapor para criar a primeira porta automática.


A força do vapor ou dos gases aquecidos ainda hoje é importante forma de impulsionar diferentes máquinas térmicas, e os sábios gregos dominaram os rudimentos desta tecnologia com maestria. Se tivessem continuado seus estudos de forma intensiva, ao invés de usá-la de forma esporádica, poderiam ter desenvolvido máquinas térmicas eficientes 17 séculos antes que James Watt o fizesse.
- Um parafuso no sapato de Roma
Durante a expansão romana sobre as cidades-estado gregas, uma em especial resistiu por anos a fio, mantida em grande parte por um exército de um homem só. Arquimedes de Siracusa é um dos maiores gênios de todos os tempos, com importantes contribuições na física e na matemática.
É famosa a história da coroa de ouro do rei de Siracusa, na qual o rei desconfiava da honestidade do ourives real, mas que havia criado uma obra tão bela que o rei não desejava que fosse destruída para ter o material analisado. Arquimedes, encarregado de resolver o difícil dilema, percebeu durante um banho nas termas que seu corpo flutuava na água apesar de seu peso, e, descobrindo naquele instante o princípio da hidrostática, saiu correndo nu pelas ruas da cidade gritando “Ereka!!! Eureka!!!” (“Descobri!!! Descobri!!!”).
Ele compreendera a importância da propagação da pressão por um líquido, como esta pressão mantinha uma parcela do líquido em equilíbrio com o resto dele, e de como a distribuição desta pressão afetava a flutuabilidade de um corpo feito de um material diferente que substituísse essa massa de líquido. Um verdadeiro feito para alguém que viveu mais de um milênio antes que Newton pudesse expressar a lei da ação e reação.

Com ela, Arquimedes descobriu que o ourives roubava o rei sem destruir a coroa, e entrou para a História da humanidade. A hidrostática é uma parte fundamental da física, sem a qual diversas tecnologias que usamos atualmente não seriam viáveis, como sistemas de lubrificação de alta pressão do motor, freios e direções hidráulicas.
A longa resistência de Siracusa incomodava os romanos, que não conseguiam vencê-los, apesar de estarem em maior número. Sua resistência inspirava a rebelião de outras cidades-estado gregas sob jugo de Roma. Para subjugarem a cidade, estabeleceram um cerco em torno da cidade, isolando-a das principais fontes de água. Eles sabiam que havia apenas uma fonte de água ainda ao alcance dos gregos, mas que a passagem estreita, íngrime e acidentada não permitiria que a cidade fosse abastecida na medida necessária por meio de burros com potes, obrigando-a a se render em questão dias. O plano era perfeito, porém não contavam com a inteligência de Arquimedes.
Durante seus estudos em Alexandria, o então jovem Arquimedes observou o formato do interior da concha de um molusco marinho, em formato de parafuso. A partir desta forma, Arquimedes criou o hoje chamado “Parafuso de Arquimedes”, onde um parafuso sem fim gira dentro de um tubo, bombeando a água aclive acima.
O parafuso é uma armadilha, onde a água sempre tende ao ponto mais baixo, porém com a rotação do parafuso, esta é uma posição transitória, criando um contínuo movimento ascendente.
Quando Siracusa enfrentou o cerco romano, Arquimedes construiu um grande parafuso, bombeando água do rio para a cidade em quantidade mais que suficiente, prolongando a resistência da cidade.



O parafuso de Arquimedes é a base para vários tipos de bombas modernas, desde bombas de líquidos de fuso simples a até compressores de fusos duplos engrenados, como o Elliott-Lysholm, muito empregado como compressor para motores Diesel de 2 tempos e em motores Otto comprimidos.
A Arquimedes também é creditado a invenção do primeiro planetário, usado para pesquisa e ensino da astromomia.


A mais famosa contribuição de Arquimedes foi o estabelecimento do princípio das alavancas. “Dê-me uma barra suficientemente longa e um ponto de apoio e levantarei o mundo...”, teria ele dito.


A alavanca não foi uma invenção de Arquimedes, mas ele foi quem primeiro compreendeu que o produto da força aplicada à alavanca pela distância entre o ponto de aplicação e o ponto de apoio é constante ao longo de toda alavanca. Este produto recebeu o nome de “torque”.
As alavancas estão por toda parte, e sob diferentes formas num automóvel. Os sistemas de suspensão são seu exemplo mais visível. Porém, a forma mais notável do princípio das alavancas encontra-se num fundamental componente mecânico: as engrenagens.
Quando dois eixos engrenados giram, a engrenagem motora transforma o torque motor em uma força que é aplicada sobre os dentes engrenados das duas engrenagens. Sob a distância da aplicação da força transmitida para o dente da engrenagem movida até seu eixo de rotação, forma-se uma alavanca que gera o torque transmitido pelo eixo movido.

A inesperada resistência de Siracusa, que conseguia equilibrar a força invasora com inteligência, criou um impasse que perdurou por mais de uma década.
Segundo Plutarco, quando por fim a resistência foi vencida e os romanos entraram na cidade, um soldado romano encontrou um velho agachado, olhando perdidamente para desenhos feitos na poeira do chão. Ao dar a ordem ao velho para se levantar e segui-lo para a prisão, o velho respondeu imperativo para que ele não perturbasse seus círculos. Enfurecido, o soldado degolou o velho, e seu sangue tingiu o desenho traçado no chão. Assim morreu Arquimedes, junto com a liberdade de sua amada Siracusa.


Os romanos dominaram militarmente a Grécia, mas foi Roma quem por fim se viu dominada pela elevada cultura grega, formando deste amálgama a base da civilização ocidental.

- Engrenagens, planetas e computadores
Barcos gregos naufragados na antiguidade sempre foram fonte de tesouros, e gerações de homens do mar se dedicaram a procurá-los. Raramente havia tanto ouro, prata ou jóias nestes navios, mas suas cargas de obras de arte e vasos de alabastro cheios originalmente com azeite e vinho eram muito apreciadas e valiosas.
Porém, um barco encontrado junto à costa da ilha grega de Antikithera (ou Anticitera) por volta de 1900 traria algo inesperado de volta à luz do dia.

Um mergulhador, explorando o fundo a 40 metros de profundidade atrás de esponjas deu sinal ao navio para ser rapidamente resgatado. Assustado, contou a todos que fora recebido por fantasmas de mulheres nuas. O capitão, percebendo que a visão deveria ser uma enorme oportunidade, mandou o mergulhador de volta.

Os fantasmas que o mergulhador vira era uma valiosíssima carga de estátuas de um grande e imponente navio mercante grego. A salvagem do barco afundado, além da carga tradicional, trouxe também uma caixa de madeira e latão não identificada, do tamanho de uma caixa de sapatos, cheia de restos de vida marinha, logo enviada ao museu de Atenas.
Quando a madeira secou, a caixa se desmanchou, expondo seu interior. As pedras escuras que de lá saíram foram limpas, e então veio a surpresa. Eram restos de algum tipo de mecanismo, com engrenagens, escalas fixas, escalas móveis sobre as engrenagens e inscrições em grego.


O estranho objeto permaneceu um completo mistério até que em 1951, o físico e historiador americano Derek Price foi ao museu de Atenas especificamente para estudá-lo. Price identificou positivamente o mecanismo como um computador analógico para calcular posições astronômicas do Sol e da Lua pelas inscrições e pelo número estimado de dentes de cada engrenagem.


Price identificou também um subconjunto muito especial de engrenagens, pois eram montadas sobre uma base móvel. Quem projetou o mecanismo teve de enfrentar uma imposição técnica difícil de ser resolvida em sua época. O mecanismo calcula com relativa precisão a posição do Sol e da Lua em relação ao fundo fixo das estrelas, que é a base do calendário sideral. Porém, para calcular efemérides das fases da Lua e eclipses como o mecanismo se propõe, é necessário que ele calcule o chamado calendário sinódico, onde os meses lunares usam como referência o Sol.
O calendário sinódico é calculado pela diferença entre as posições siderais do Sol e da Lua, marcadas em relação às estrelas e às constelações do zodíaco. Engrenagens simples realizam apenas operações de multiplicações e divisões. Adições e subtrações com engrenagens só são possíveis utilizando um mecanismo diferencial.
Porém a invenção do diferencial de engrenagens é creditada ao fabricante de relógios Onésiphore Pecqueur (1792-1852) para um automóvel a vapor de sua criação. Quem projetou o mecanismo, usou um conjunto diferencial de engrenagens para calcular o movimento relativo da Lua com o Sol, de tal sorte que as fases da Lua e os eclipses calculados se repetem em ciclos de 19 anos siderais ou 235 meses sinódicos, com uma margem de erro muito pequena sobre os valores que conhecemos atualmente.

A presença de um mecanismo diferencial na máquina de Antikithera 18 séculos antes de sua suposta invenção é um fato notável.
Em 2005, num novo e aprofundado estudo do museu de Atenas com o apoio técnico e financeiro de diversas empresas, entre elas a HP, os restos do mecanismo foram mapeados em 3 dimensões com alta definição, permitindo reconhecer partes, escalas e inscrições antes inacessíveis ou irreconhecíveis.
Os resultados destes exames não só confirmam as hipóteses feitas por Price, como levanta a hipótese de que o mecanismo também calculava as posições de Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno.


O mecanismo, datado como próximo ao ano 80 a.C., era indiscutivelmente sofisticado e complexo para ser apenas o protótipo original.
- Não há modificações que caracterizam correções de um protótipo, indicando que outros mecanismos foram construídos até que este modelo fosse aperfeiçoado.
- Os mostradores e engrenagens parecem ter sido feitos a partir de uma única folha de latão de 2 mm de espessura. Latão era uma liga rara e muito cara para a época, mas adequada para a fabricação e funcionamento de mecanismos de relógio, como ainda hoje é usada. O formato de folha mostra a capacidade que dispunham para a laminação do metal.
- A precisão das marcas das escalas é de meio grau, indicando a precisão de marcação e confecção das engrenagens.
- Os dentes de todas as 32 engrenagens conhecidas, ao invés de usarem o perfil curvo moderno, chamado de “evolvente”, possuem um perfil em triângulo eqüilátero com a mesma altura em todas elas. Embora as engrenagem funcionem com interferência (trabalham “apertadas” umas contra as outras) e com imperfeições de engrenamento, este tipo de dente permite que quaisquer combinações possíveis de pares engrenados sejam feitas. Certamente este desenho facilitou o desenho e a construção das engrenagens, mas dificulta hoje a identificação dos pares corretos de engrenagens.


Durante muitos anos, os estudiosos da história da ciência datavam o uso de trens complexos da engrenagens durante a Idade Média, como grandes rodas transmissoras para moinhos movidos por vento e por água, e somente no século XVI foi aprimorada para a confecção de mecanismos de relojoaria. Mas o mecanismo descoberto tinha a complexidade e a qualidade construtiva comparável à dos relógios feitos no século XVIII.
Como dispositivo de cálculo baseado em engrenagens, sua concepção precedeu a máquina de calcular inventada pelo filósofo e cientista francês Blaise Pascal em 16 séculos.


Como computador astronômico, utilizou o modelo de Hipparchus para o movimento da Lua e o ciclo de Saros para cálculo das efemérides de fases da Lua e eclipses. Estes modelos ainda levavam em consideração a Terra como centro do movimento do Universo e, portanto, longe do que poderia ser oferecido pelos “deuses-astronautas”.


A sofisticação tecnológica do mecanismo concentra todo um leque de conhecimentos avançados: astronomia, matemática, computação analógica, metalurgia e fabricação de peças de precisão. Isto levanta a questão de quem dominava estes conhecimentos e teria a capacidade de construir tal dispositivo.

Era de conhecimento comum que os gregos utilizavam engrenagens e roscas sem-fim em mecanismos simples, como nas invenções de Heron e de Arquimedes, porém não há registros diretos e confiáveis de que estas tecnologias estivessem disponíveis em níveis tão avançados, muito menos que elas estivessem reunidas em um dispositivo único.

A única menção a um dispositivo deste tipo foi feita por Cícero, no séc I a.C., onde afirma que Posidonius, de Rodes, construiu um instrumento que reproduzia o movimento do Sol, da Lua e dos planetas a cada revolução de uma manivela. O relato é superficial, e não descreve o dispositivo em si nem como funcionava. É muito provável que ele estivesse se referindo à máquina de Antikithera ou algum exemplar anterior, assim como a seu construtor.

Rodes era conhecida no mundo antigo por aprimorar a catapulta e desenvolver outros mecanismos de guerra, além do legendário Colosso, o que reforça a afirmação de Cícero. A própria máquina de Antikithera fornece outra conexão com Rodes. O dialeto das inscrições bem como o nome dos meses lunares que foram escritos na máquina eram os usados por Corinto, uma das mais antigas cidades-estado. Rodes fora fundada como uma colônia de Corinto.

Esta conexão vai além. Siracusa, de Arquimedes, o criador do planetário, também fora fundada por coríntios.

Em julho de 2006 surgiu uma nova e improvável peça a este quebra-cabeças. Na praça pública do Mercado Cívico da cidade de Olbia, durante uma escavação arqueológica, foi encontrado um fragmento de uma engrenagem de 43 milímetros de diâmetro. O achado foi datado como sendo do final do século III a.c., ou mais tardar, do início do século II a.c..

Restaurada, dois detalhes importantes chamaram a atenção. Ela era feita de uma liga de latão incomum para sua época, mas perfeitamente adequada para construção de engrenagens de relógios, assim como era a máquina de Antikithera, e os dentes eram curvos, de perfil evolvente, como nas engrenagens modernas, permitindo um engrenamento perfeito.

Nesta época, Olbia era um importante porto romano, não só para o comércio, mas também militar. É nesta época também que data a queda de Siracusa, e Olbia poderia ser o porto de partida e de retorno das forças romanas que atacaram Siracusa.

O perfil evolvente só foi calculado por eminentes matemáticos por volta de 1700, quase 2 mil anos depois da data estimada desta engrenagem. Para desenhá-lo em tempos tão remotos, foi preciso um gênio da matemática para deduzi-lo.

A liga de latão também indica um conhecimento de metalurgia acima do padrão de sua época. Todas estas evidências apontam diretamente para Arquimedes, pois coincidem com seu período de vida, suas habilidades e suas obras.

A hipótese defendida por arqueólogos italianos, mas fortemente contestada mundo afora, é a de que este fragmento de engrenagem deve ter pertencido ao planetário construído por Arquimedes, e se separou dele em Olbia, para onde o planetário deve ter sido levado como parte do espólio de guerra.


O fato da máquina de Antikithera usar dentes triangulares cerca de 200 anos depois da engrenagem de Olbia indica que o conhecimento da geometria dos dentes se perdeu, mas o uso da liga de latão para construir o mecanismo permaneceu.

Agora, a máquina de Antikithera já não é mais um fato arqueológico isolado e improvável, sendo possível estabelecer uma seqüência de acontecimentos. Os estudos da máquina de Antikithera ainda estão longe de serem concluídos.

Faltam muitas partes, e muitas engrenagens parecem não ter par. Muitas das inscrições foram apagadas pela corrosão. Mesmo as peças presentes ainda causam alguma controvérsia sobre que pares de engrenamento formavam originalmente.

O fragmento de engrenagem da Olbia é pequeno demais para especulações mais abrangentes sobre o mecanismo do qual ele fazia parte. Talvez em futuras escavações novos fragmentos possam ser encontrados.
Certamente estes achados ainda guardam muitos segredos.

O impacto causado pelas descobertas e pelos estudos da máquina de Antikithera e da engrenagem de Olbia só pode ser compreendido quando revisamos a História. Séculos depois da perda da máquina de Atikithera, os árabes, em sua expansão pelo norte da África, tomaram contato com os gregos e absorveram muito de sua cultura e ciência. Este conhecimento foi posteriormente disseminado no mundo árabe, da Península Ibérica até a Ásia. Não só preservaram este conhecimento durante os anos de escuridão da Idade Média, como deram importante continuidade a muitos destes trabalhos.

Os árabes construíram planetários e instrumentos astronômicos, e, embora não tão complexos nem tão precisos quanto a máquina de Antikithera, é muito provável que o fizeram após o contato com mecanismos semelhantes a ela.
Um instrumento astronômico do século XIII, o astrolábio bizantino, funciona através de um conjunto de engrenagens de dentes triangulares eqüiláteros semelhantes aos da máquina de Antikithera, e dificilmente esta seja uma mera coincidência.

No século XVI ocorreu o auge das grandes navegações para as potências européias, em especial, Portugal e Espanha. Navegar em alto mar exige reconhecer a posição do navio em latitude e longitude. A latitude pode ser obtida por observação astronômica através de um astrolábio, enquanto a longitude só pode ser obtida através de um relógio de alta precisão, o que disparou uma corrida tecnológica para o desenvolvimento das tecnologias ligadas a estes instrumentos, e o grande centro para estes aperfeiçoamentos estava na Holanda, onde o poder da Igreja e da sua Santa Inquisição eram muito pequenos, e inventores e pensadores tinham maior liberdade de pensamento e de estudos.

A arte relojoeira foi o berço onde amadureceu uma série de tecnologias que se espalharam por outros setores, culminando duzentos anos mais tarde na Revolução Industrial.

Nossas máquinas atuais são descendentes diretas desta evolução. A máquina de Antikithera e a engrenagem de Olbia são as provas de que os gregos antigos atingiram um estágio de desenvolvimento tecnológico semelhante ao da Holanda com 17 séculos de antecedência. Eles tiveram em mãos os meios técnicos e as mentes para desencadear a sua própria revolução industrial com quase dois milênios de antecedência.

Porém, a expansão romana e a perda da independência das cidades-estado gregas mudaram o curso da História. Não sabemos quantas destas tecnologias foram esquecidas e que os holandeses reinventaram séculos mais tarde, ou ficaram dormentes, sendo transmitidas dos gregos aos árabes, e depois passando dos mouros convertidos da Península Ibérica durante a unificação espanhola para os holandeses. Uma boa parte da tecnologia relojoeira holandesa do século XVI deve ser aparentada com os planetários gregos e árabes.
Muitas tecnologias presentes nos automóveis reconhecidamente se originaram dentro da ciência grega. São inegáveis as contribuições de gênios gregos como Arquimedes e Heron.

Porém, as evidências materiais oferecidas pela máquina de Antikithera e pela engrenagem de Olbia apontam que a tecnologia automobilística moderna, dos conjuntos de engrenagens da transmissão aos sistemas microprocessados, tem raízes ainda mais profundas na ciência grega.
Se os gregos antigos desencadeassem com êxito uma revolução industrial, talvez os automóveis fossem peças de museu com mil e quinhentos anos de idade. E sabe-se lá que tipo de veículo estaríamos usando atualmente. Assim se escrevem as linhas tortas da História.

AAD

41 comentários :

  1. Gregos!!!...civilização fantástica, que "construia" a tecnologia, á serviço da humanidade!!!

    Tecnologia que hoje, vemos aos montes, necessária no mundo moderno...carros!!!

    Brilhante!!!

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  2. Excelente texto! Muito, muito bom!!!

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  3. Clésio Luiz01/07/10 10:15

    E do lado de cá do Atlântico, muita coisa se perdeu com a chegada dos espanhóis.

    Hoje em dia a guerra é outra. É a guerra de patentes que freia o desenvolvimento tecnológico.

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  4. André,
    Que aula! Parabéns!

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  5. André,

    Que maravilha de aula! Parabéns e obrigado.

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  6. excelente texto, nunca é demais lembrarmos que só chegamos neste ponto porque teve alguém antes.

    uma coisa que nunca entendi é porque nos surpreendemos com os antigos, afinal, a inteligência do homem da era grega é a mesma que o de agora.
    a alimentação e os maiores cuidados podem apenas ter garantido maior altura e que a media da população não tenha sua inteligência destruída na infância, mas o QI das elites é exatamente o mesmo.

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  7. Parabéns pelo texto. Não imaginava que tais avanços tivessem existido. Mas o que se torna claro é que a força bruta prevaleceu sobre a ciência e a humanidade perdeu ou ganhou. Não se sabe. Talvez estariamos com o acidente do Golfo do México a 1500 anos atrás.

    Sds,

    Cristiano.

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  8. Mister Fórmula Finesse01/07/10 13:40

    Eis um post que vou imprimir e ler com muita calma e tempo....que aula!

    Merece ser visto e revisto.

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  9. Texto muito bacana de ler, uma aula de história.
    Eu não sei vocês, mas acredito que os gênios de qualquer época não tem apenas QI mais alto mas são espíritos mais evoluídos. Sim isso é papo espírita.

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  10. Zullino,

    Taí uma boa pergunta.

    Eu acho que a tecnologia de hoje é a mesma que existia à 2.000 anos atrás.

    Acredito que hoje apenas encontramos inúmeras aplicações para os conceitos antigos usando agora um meio digital, na verdade um meio virtual.

    Para falar a verdade, eu acho o homem um bicho burro apesar de seu Qi elevado.

    Criou um monte de coisas, foi pra Lua, mas não sabe resolver o problema de seu semelhante.

    É um fo....endo o outro à mais de 10.000 anos.

    Um abraço,

    Rafael Aun

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  11. Caramba, que post sensacional! Mais um pra ler e reler. Parabéns!

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  12. Muito interessante a matéria.
    Falando mais sobre os gregos e o uso do vapor, acredita-se que o uso do vapor, não fora mais explorado pelos gregos pois não havia necessidade economica do seu uso na época.
    Com escravos em abundância, não havia necessidade de se desenvolver esse tipo de máquina para realizar tarefas pesadas, devido é claro, ao "baixo custo" da mão de obra na época. heheheh
    Apenas durante a revolução industrial o vapor começou a ser amplamente utilizado

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  13. A física e a matemática são as mesmas desde a criação do universo e não acredito que a inteligência humana tenha se modificado muito, o que aconteceu é que graças à educação muitas pessoas conseguem exercitar os cérebros e a inteligência também se alimenta de exercício.
    O que tem acontecido na história da humanidade são avanços como esses dos gregos seguidos de retrocessos como a Idade Média, não pela Idade Média em si, a Igreja conseguiu salvar muita coisa, mas escondeu ou usou e seu próprio benefício. Tanto que toda a base científica da Igreja é aristotélica na base dogmática de "Aristotelis Dixit" e quase queimam o Galileu por causa disso.
    O que os antigos nunca conseguiram foi monetizar a tecnologia, no máximo a usavam na religião ou na guerra, mas guerra é uma maneira muito ineficiente de monetização, pois parte da destruição de parte da riqueza e captura do que sobra.

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  14. Nao quero nem saber se foi CTRL+C/ CTRL+V, porque de uma forma ou de outra você mandou bem pacas!
    Por isso que me sinto em casa nesse blog, me sinto normal!!! rssrsr

    Abraços!

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  15. AAD,

    Post perfeito, parabens por toda a pesquisa q certamente vc fez, e muito bem feita.

    Acredito, como o Roberto Zullino disse, que a humanidade evolui até o momento que regride pela ignorancia de alguns grupos.

    É o caso da morte de arquimedes. Uma mente do tamanho de uma galáxia finada por um soldado nervosinho.

    Oque vivemos hoje não é muito diferente. Boa parte dos avanços tecnológicos não evoluem porque o mercado não 'precisa'. Boa parte das doenças não são pesquisadas porque atacam pobres, e não geraria receita que pague as pesquisas.

    Nós humanos não somos preocupados em evoluir a espécie, em conhecimento e tecnologia. No máximo nos preocupamos com o grupo, seja a empresa que trabalhamos, a cidade ou o pais. Nunca pensamos na humanidade como um todo.

    Agradeço muito pelo post! Sinceramente.

    abs

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  16. Guilherme,
    Os esforços da humanidade sempre foram na direção do dinheiro, basta ver a pesquisa médica. Gastam-se bilhões na pesquisa da cura do câncer ou da aids e a maior taxa de mortalidade ainda é diarréia, que por sinal tem cura, basta o soro caseiro.
    Desde Moisés e Ramsés as mortes em guerras foram muito mais de desenteria do que flechada, facada e tiro. Roma dominou o mundo porque foi o primeiro exército a implantar a cozinha própria, os legionários comiam um mingau de trigo com linguiça, eram mortos se fossem pegos comendo uma galinha saqueada que não tivesse passado por uma "quarentena", invenção deles também. Às vezes, bobagens tecnológicas como essas colocam alguém em cima.
    A PAX romana tinha um objetivo claro, Roma não saqueava muito e procurava não destruir muito, a idéia era a de angariar contribuintes e colonizar, ou seja, transformar a terra conquistada em fonte de renda e produção. A metodologia da PAX Romana foi empregada até meados do século 19 quando os ingleses perceberam que isso era um erro, a idéia era acabar com escravos ou meros contribuintes e gerar mercados internos para suas quinquilharias, esse negócio de arrecadar imposto é muito antipático e difícil, mas fizeram isso muito tarde e foram substituídos pelo Império Americano que conquistou o mundo pelo prazer, nos convenceu que o modo de vida americano é o correto, que os filmes de hollywood e as músicas são o máximo, que a comida dos Macs da vida é a moda, que a calça jeans e o tennis é in, que temos que ter automóvel e mobilidade, e finalmente nos vende a tecnologia da informação, foram brilhantes no marketing sem dar um tiro, esse negócio deles ficarem agressivos é mais recente, entraram nas duas guerras meio de má vontade. Na realidade, o Império Americano é craque em monetizar a tecnologia, basta ver o que a Monsanto tenta fazer com patentes de produtos agrícolas. É imitada timidamente pela Bayer e Basf, mas os alemães estão a anos luz da americanada. Eles ainda patenteiam o mico leão dourado.

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  17. Puxa vida,

    Vou ter que fazer o download de toda a série Arquivo X, para ver se o Fox Mulder me dá alguma dica...para desvendar essa budega...

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  18. Caramba, um dos grandes posts do autoentusiastas. Como falaram, para ler, reler...
    Só tenho que agradecer

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  19. Zullino,

    Brilhante seus comentários.
    Quanto as duas grandes guerras, entre tantas outras, houve sempre várias oportunidades de negócios. Lucro, até nisso.
    Hoje vivemos, ou estamos perto de viver, o ápice de uma sociedade de consumo nada sustentável. Bem ao estilo "American Way of Life", vá sem saber pra onde, compre sem ter porque.
    Esse é um assunto tão extenso, com rumos tão preocupantes e tão complexos, que sinceramente, as vezes penso que seria mais fácil se eu fosse ignorante e não tivesse ciência dos fatos. Chega ser vexatório, como humano, observar a humanidade da forma que ela é.

    Lembro de um Post do MAO (http://autoentusiastas.blogspot.com/2010/06/as-leis-de-voisin-e-morte-da-citroen.html), onde um trecho me marcou produndamente:

    "As Leis de Voisin
    Gabriel Voisin deixaria horrorizados marqueteiros e vendedores de hoje. Nosso amigo acreditava que todas as pessoas que compravam carros eram tão inteligentes quanto ele mesmo, e então se recusava a oferecer distorções da verdade ou romantizações sem sentido quando fazia propagandas de seus automóveis. Ele particularmente odiava algumas marcas americanas, que floreavam sobremaneira as propagandas e não ofereciam fato algum sobre o carro em questão."

    Não entendo porque é tão dificil a técnica ser valorizada nos tempos de hoje. Tudo deveria ser vendido com um propósito e comprado por ser necessário. É irritante ver um carro sendo vendido em um comercial com uma noivinha chorando. Mais irritante ainda é ver que várias pessoas compram. Concorremos dentro da mesma espécie, e ninguém é sincero com concorrentes.

    Apesar das barbaries condenáveis, a PAX Romana e até III Reich tinham objetivos claros e buscavam evolução tecnológica e social. E hoje? Qual o objetivo da nossa sociedade?

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  20. Não sei se as sociedades são capazes de ter objetivos, a autodeterminação humana não deixa de ser uma falácia, na realidade temos um comportamento definido pelos nossos genes no sentido de perpetuação e crescimento da espécie.
    Na realidade, apenas temos que observar o que está acontecendo e para onde estamos indo. Na minha opinião podemos dividir de maneira simplista:
    Os estados de maneira geral estão sendo capturados por grupos, sejam eles multinacionais ou mesmo bandidos, isso não necesariamente é ruim para o business, é bom fazer negócio com bandido, multis incluídas. Isso nos remete aos tipos de negócio que terão ambiente propício daqui para a frente, não necessariamente nessa ordem:
    1-multinacionais - embora sejam uns paquidermes tem presença e share de mercado, além de marcas, o que permite que atuem de maneira a sempre terem benefícios seja para qualquer lado que o vento sopre, apenas ajustam as velas do barco. Fábricas nos USA custam caro, fazem na China ou em qualquer outro lugar. São tão ruins de eficiência que só conseguem lucrar se explorarem alguém e adoram um monopóliozinho básico, mas isso está mais difícil.
    2-terrorismo - o terrorismo não visa matar ou machucar alguém, tanto que não o faz anônimamente, tem que ter divulgação e é essa que causa o terror. O terror influencia a sociedade de maneira completa e pode gerar enormes lucros para os envolvidos e também para alguns não envolvidos. Até hoje se tem dúvida de quem faz os vírus de computador, é o borracheiro espalhando os pregos na rua.
    o terrorismo tem uma vantagem gerencial que toda empresa busca, é absolutamente meritocrático, sobe que faz. As empresas montam enormes sistemas de avaliação, mas geralmente erram e promovem os piores. No terrorismo isso não acontece e a cadeia administrativa é direta, operacional, tendo uma elite estratégica. Em resumo, baixo custo, o Osama mostrou que se destrói uma sociedade com as coisas que a sociedade dá. No máximo foram gastos U$ 150 mil no atentado de 911.
    3-crime organizado - análogo ao terrorismo no que se refere à meritocracia, ou trafica ou mata ou não sobe, e administração economizando o componente estratégico que geralmente é caro, pois exige preparo e inteligência. Tem enormes margens operacionais e facilmente se infiltra em outros negócios esquentando dinheiro, nos USA por uma questão da legislação é a construção civil e até o venture capital. Não me refiro apenas às Cosa Nostra, mas também ao enorme contingente de veteranos que encheram o rabo no vietnã e hoje posam de empresários de sucesso em todos os setores.
    4-players locais com inflência global. Um fazendeiro de soja pode ter tamanha vantagem comepetitiva que consegue colocar sua soja a preços iguais, mas com margens muito maiores.
    5-boteco da esquina - tudo que não se enquadrar nas outras 4 categorias é boteco da esquina, tem sua utilidade, dá dinheiro, mas se acabar abre outro na mesma hora e continua a vida, não tem a menor importância.

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  21. Resumo da minha maneira nos seguintes tópicos:

    - O parecer e ter valem muito mais que o ser. Não preciso ser algo basta parecer;

    - Somos consumidores e não pessoas. Qual o interesse do país em mudar as pessoas de classe social, é criar mais mercado de consumo. Creio que as pessoas devem ter ascensão de classe som, mas ainda devem ser vistas como pessoas e com dignidade;

    - Com a necessidade de parecer estamos nos tornando cada vez mais sem conteúdo. O importante é ter um corpo malhado e parecer sadio, ser modelo, jogador de futebol.

    - Como o importante é parecer, as coisas ficam muito baseadas na forma e pouco evoluem tecnológicamente. Comparem um Citroen DS com qualquer carro em 1954.

    Sds,

    Cristiano.

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  22. Bera Silva01/07/10 23:25

    Achar que o Homem Moderno/Contemporâneo é melhor, mais inteligente, ou qualquer outra coisa superior que o Homem antigo é de uma presunção absurda. Como disse o André outro dia, nós somos anões nos ombros de gigantes.
    Quem quiser entender um pouco mais sobre a civilização atual, dê uma olhada no site do Olavo de Carvalho, além dos excelentes artigos, há indicações de livros e pensadores.
    Parabéns pela aula André, só faço uma ressalva: a Idade Média não foi "escura" e a Santa Igreja não "copiou" Aristóteles, mas ambos partilham muitos aspectos da Cosmologia.
    Minha visão de mundo é pessimista, explico: os avanços tecnológicos serão cadas vez maiores, isso é fato. Porém, moralmente, o homem está perdendo seus Valores, isso também é fato. Daí que não importa quão tecnologicamente avançada sejam as civilizações atuais ou as futuras, pois o homem continua perdendo seus valores morais, e são esses valores que nos separam dos animais. Estamos caminhando para uma civilização de zumbis tecnológicos!
    Precisamos resgatar os valores Judaicos-Cristãos!

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  23. Sou um felizardo por ter o André como amigo e ter a oportunidade de ouví-lo a praticamente 10 anos.


    Roberto Zullino, fenomenais comentários também.


    Deixo aqui meu "pitaco" sobre a evolução da inteligência. Não acredito, como muitos, que somos mais ou menos inteligentes hoje. A vantagem atual é que o conhecimento é mais compartilhado, e mais mentes podem "pensar" sobre os temas. Na antiguidade a coisa era mais regional, e a mente morrendo, se perdiam muitos anos de pensamentos, pesquisas e evoluções.


    Somos infelizes também por evoluir tanto com as guerras, porém, como foi bem colocado aqui, só a necessidade faz o ladrão. Quero viver fazendo perguntas, posso ser um chato, mas delas que surge as evolutivas respostas!


    Abraços

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  24. Obrigado a todos.

    Este foi realmente um post que deu trabalho pra ser pesquisado, analizado, estudado os pontos de conexão e achar uma linha precisa para ser abordado.
    As fontes são escassas na imensidão da internet, e muito incompletas.

    Mas estou orgulhoso dos resultados.

    Percebo que atingi meus objetivos.
    A questão não é só a tecnologia por ela mesma. Muito do que somos não está em nós, mas em torno de nós.
    E de todos os aspectos que nos circundam, a tecnologia é o fator menos conhecido, mas um dos que mais transformam o meio.

    Mais do que carros e aviões, é este o meu entusiasmo.

    Uma coisa que admiro os gênios do passado é a simplicidade de uma solução para um problema complexo. Quanto mais simples a solução, mais bela ela me parece.
    Um dos exemplos é o parafuso de Arquimedes.

    Cristiano, suas palavras iniciais encontram eco nas de Schopenhauer:
    "Na ânsia de ter, o homem esquece de ser. Passa a vida tendo tudo e termina sendo nada".

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  25. Zullino,

    Interessante seus comentários.

    Uma coisa que acho interessante é a união da multinacional, terrorismo e crime organizado.

    É o caso das empresa fabricantes de vacinas.

    São multinacionais que estabelecem o terrorismo de uma doença (como a H1N5 e H1N1) e aplicam suas influências em orgãos públicos como o crime organizado.

    Acho até que é uma nova modalidade.

    Me explica uma coisa que não compreendi.

    Você diz sobre meritocracia no sistema terrorista e afirma que no crime organizado isso não existe.

    Se puder me explica um pouco mais sobre isso.

    Um abraço,

    Rafael Aun

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  26. Aun,
    Acho que me expliquei mal, o que quis dizer é que o crime organizado também é meritocrático, as coisas são muito operacionais e diretas: quantos papelotes vendeu? quanto roubou? subornou ou não? comprou o judiciário ou não? roubou a tecnologia? registrou o que não era nosso?
    esse tipo de negócio tem um apelo muito grande para a juventude que quer subir rápido.
    a tríade crime organizado, terrorismo e multinacionais tende a capturar os governos, aqui mesmo temos bancadas significativas no congresso que representam esses interesses.

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  27. Zullino,

    Era isso que eu tinha ficado em dúvida.

    Uma vez li no livro Freakonomic, uma análise bem legal sobre a estrutura hierárquica de um crime organizado.

    Resumindo a história, da base da pirâmide ao topo, o caminho é curto e os ganhos são absurdamente maiores. Isso vai de encontro ao seu último comentário.

    No livro, o traficante entrevistado tinha faculdade e pretendia fazer carreira colocando em seus planos ser preso, pagar um advogado e usar sua riqueza depois que fosse livre. Considerava inclusive o tempo dentro da cadeia "sem renda" para sustentar sua família.

    Obrigado pelas explicações.

    Eu tento entender a razão de tudo que acontece no dia a dia e só vejo sacanagem. Seja com ou sem tecnologia.

    A lei do nosso planeta impera a lei do mais forte, seja lá qual for a análise.

    Sou cético quanto análises extraterrenas e paranóias religiosas, mas entendo que em algum lugar deve ter outra estrutura diferente da ordem "seleção natural".

    Isso não me parece ter equilíbrio.

    Um puta abraço,

    Rafael Aun

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  28. Aun,
    Mas a idéia é justamente nunca se ter equilíbrio. Nem no universo há equilíbrio e muito menos na natureza, o equilíbrio é no máximo um instante de exceção e não de regra. além disso, o equilíbrio não é necessariamente bom.
    A humanidade sempre está em um processo de "fuga para a frente", não se resolvem os problemas atuais e arrumam-se problemas maiores futuros como desculpa para ir para a frente aos trancos e barrancos. Não deixa de ser um método.
    Se olharmos os grandes ditadores começando com Napoleão vemos que o quadro se repete, Mussolini e Hitler ficaram arrumando guerras de conquista para se manterem, a mesma coisa que o nosso hermano Gualtieri fez com as Malvinas. A única exceção foi o Stalin que partiu de premissa bem diferente, estabeleceu um regime de terror contra seu próprio povo e conseguiu implantar a figura do inimigo interno e exterminou milhares de russos, mas como georgiano ele não estava nem aí. Mao também fez isso.
    No fundo, a humanidade sempre aplicou a seleção natural darwiniana.

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  29. Aun, Zunillo, vcs estão falando de algo que planejo falar no futuro.

    Durante muitos anos venho estudando coisas como Teoria do Caos e inteligência artificial.

    Ultimamente, uma das áreas que mais se desenvolvem em inteligência artificial é a técnica de seleção genética.
    É assustador o quanto a Teoria de Darwin é eficiente. A partir de comportamentos elementares controlados por genes virtuais, ao passar pela seleção onde os melhor adaptados se multiplicam enquanto os menos adaptados são eliminados, emergem comportamentos complexos.

    Mas se iniciarmos o processo com genes aleatórios no começo, o sistema tende à estabilidade, e não necessariamente a combinação é a melhor possível. Para isso, temos que introduzir muitas mutações sem saber quais são benéficas e quais são maléficas.
    A maioria das combinações fica ao longo do caminho, e uma linhagem que se estabelece após um determinado período pode ser substituída por outra, melhor, vinda de uma mutação que apareceu durante as multiplicações.
    Mas até lá, muitas combinações genéticas foram descartadas para que apenas as melhores restassem.

    Isso é válido para a biologia assim como para a sociologia, para a economia, para a política, para a tecnologia, para a cosmologia...

    Este é uma das leis básicas da natureza, das menores partículas até os imensos aglomerados galáticos.

    O que chamamos de "vida" e o que chamamos de "inteligência" nada mais são do que manifestações diferentes desta mesma lei.
    O homem não pode fugir destas leis. O que ele pode é apenas criar novas formas dela se manifestar.

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  30. Zullino,

    Vou refletir sobre seu comentário.

    Inicialmente ele rompe meu último fio de esperança e me desperta mais dúvidas. Mas vou pensar a respeito.


    Dantas,

    Vou aguardar seu post. Certamente será muito interessante. Continue o assunto por favor.

    Um abraço,

    Rafael Aun

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  31. Como já imaginei antes, estou relendo... continuo achando que você mandou muito bem André, sou um apaixonado por história e a evolução tecnológica através da mecânica.
    No meu primeiro comentário, apenas externei o meu entusiasmo da primeira leitura e sabia que ali tinha muita coisa a ser analisada e degustada.
    Novamente parabéns, pois sei que é impossível ter idéia do trabalho que deu conectar tudo e ainda ilustrar.

    Mesmo sem lhe conhecer eu imagino a sua satisfação com tantos comentários não apenas elogiosos, mas também sinceros!

    ABRAçÂO!

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  32. André, QUE AULA!!! Parabéns, você realmente merece estar orgulhoso com o seu trabalho.

    Zullino, seus comentários agregaram muito a esta aula.
    Lembrei de um professor de economia, seu xará, numa aula sobre gerenciamento de risco, ele falou à classe que o tráfico de drogas era o melhor negócio do planeta... O frenesi dos alunos tomou conta da sala, então ele explicou, que tudo depende do risco que cada um quer assumir.

    Joel, não tenho a menor dúvida que a evolução espiritual esteja diretamente ligada não só à genealidade como outras características de cada ser. Papo espírita... rs*

    Marcio, você se sente normal ao ler este post? Eu me senti pequeninininininininho... hehehe

    Bera, difícil colocar em palavras, mas nesta direção entraremos em colapso, é o tal efeito borboleta.

    Aliás, André, mal posso esperar pelo seu próximo post!!!

    Aun, a indústria farmacêutica é o maior vilão da história, sem dúvida!

    Valeu pessoal! em outro post comentei como o AE tem agregado em vários sentidos e um mané ainda teve coragem de me chamar de puxa-saco...

    Abraços

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  33. AAD,

    Voce mencionou que os automóveis poderiam ter sido desenvolvidos 17 séculos antes.
    Eu acho que não pela falta do petróleo e também pela falta dos semicondutores, ou seja, a humanidade podia ser mecanicamente evoluída, mas eletricamente era um fiasco.
    Então, gostaria de sugerir um tópico para seu próximo post: o petróleo e a família Rockfeller. Que tal?

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  34. Caso surgisse um automóvel à época, seria certamente propelido por um motor a vapor, como os primeiros que surgiram. O combustível poderia ser carvão, madeira, óleos vegetais ou ainda alcool, embora, salvo engano, a destilação tenha sido inventada posteriormente. Não vejo necessidade de eletricidade para isso.
    Muito instigante essa máquina de Antikithera! Excelente o post. Parabéns AAD.
    AAM

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  35. Antonio,
    Quando mencionei eletricidade não me referia a veículos elétricos, e sim somente ao desenvolvimento da eletrônica, que durante muuuuuuito tempo esteve atrasadíssimo frente ao desenvolvimento da mecânica e metalurgia.
    Além disso, máquinas mecânicas bastante eficientes precisam de controle eletrônico. Então no final das contas uma coisa puxaria a outra.

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  36. Bussoranga, tecnologia é um assunto complexo e maravilhoso. E estudar a história dela nos ensina muitas coisas.
    Primeiro, temos que entender que existem tecnologias de conceito, tecnologias de aplicação e tecnologias de suporte.

    Um veículo de 4 rodas autopropelido é uma tecnologia de conceito. Automóvel e caminhão tem a mesma tecnologia conceitual, mas são tecnologias aplicadas diferentes. Motores de ciclo Otto, Diesel, a vapor e elétricos são tecnologias de suporte diferentes.

    Desde que hajam tecnologias de suporte suficientes e a verdadeira necessidade por um invento, ele é criado, por mais ineficiente que ele seja. Depois, conforme a tecnologia avança, as tecnologias de suporte podem mudar para elevar a eficiência da aplicação final.

    O motor de ciclo Otto, por exemplo, surgiu usando uma plaqueta de platina incandescente para dar início à combustão. Benz foi o primeiro a usar uma vela de centelha elétrica, mas usava uma cerâmica piezoelétrica (tipo acendedor magiclick) para gerar o pulso de alta tensão.

    Ignição eletrônica é coisa relativamente recente na história do motor Otto, e nem por isso o motor Otto deixou de ser usado.

    Sobre o petróleo, pense que ele foi uma oportunidade que foi aproveitada.
    E se ele não existisse? Deixaríamos de fazer carros? Acredito que não.
    E se até tivéssemos disponibilidade de petróleo, mas não tivéssemos tecnologia de refino? A mesma coisa.
    Se por qualquer motivo combustíveis vindos do petróleo não estivessem disponíveis, o automóvel poderia ter começado com vapor e carvão, assim como foi com a locomotiva; e poderia passar para os modelos elétricos, ou então mesmo para motores de combustão interna movidos a combustíveis vindos da biomassa. Talvez até mesmo poderiam coexistir múltiplas soluções simultaneamente.

    Outro fator nessa história é que certas tecnologias são mais desenvolvidas em detrimento a outras, selecionadas pelos interesses da sociedade.
    Com gasolina barata e abundante, valia a pena desenvolver o carro elétrico?

    Há outras questões que correm em paralelo com a tecnologia.
    Os gregos antigos tinham um modelo de sociedade muito diferente do nosso. Se os gregos tivessem disparado uma revolução industrial, será que eles teriam constituído uma sociedade capitalista exatamente como a nossa? Parecida talvez, mas igual, nunca. E a maneira como as pessoas se relacionam com o automóvel que eles criassem seria diferente.

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  37. André,
    Assim fica difícil de adjetivar esse texto, na falta de termo mais adequado eu diria excelente.
    Eu tenho um exemplar desse livro do Däniken e acho uma excelente leitura, desde que encarada como uma obra de ficção científica e não como uma nova verdade que estar por ser desvendada. No caso dos gregos, também acredito que eles não precisassem de nenhum "deus-astonauta"... Uma pena que os romanos, com sua megalomania, dessem mais importância a dizimar tribos militarmente inferiores, conquistar povos, destruir obras artísticas e científicas de seus conquistados e fazer orgias “multissexuais” do que se dedicarem mais às ciências.
    O que você acha dessa teoria que questiona a ida do homem à lua, alegando carência tecnológica para tal? No website Show da Lua (www.showdalua.com) e no livro “O homem NÃO pisou na LUA”, o Sr. André Mauro questiona o viagem espacial se baseando em alguns aspectos que me soaram superficiais demais para provar alguma coisa. No site também há questionamentos à veracidade da tecnologia de armamento nuclear, ao heliocentrismo e às teorias propostas por Einstein.
    Abraço.

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  38. Marlos, já cansei das teorias conspiratórias.

    E muita gente que escreve teorias alternativas e/ou conspiratórias sempre tem "provas irrefutáveis". Quando se investiga essas ditas "provas irrefutáveis" se descobre um monte de falácias, de meias verdades usadas fora de contexto e muitos, muitos silogismos.

    Silogismos são diabos na forma de lógica. Eles podem se esconder dentro de uma cadeia de raciocínio, mudando de forma a cada nova proposição, levando a uma maneira aparentemente lógica de pensar a concluir um desastroso absurdo.

    Mas ao longo dos anos eu aprendi a confiar na ciência e na tecnologia, porque elas necessariamente tem que se apoiar na verdade.
    Ninguém faz um automóvel se mover ou um avião levantar vôo apoiado em suposições erradas e mentiras. Muitas vezes as teorias não representam absolutamente a verdade, mas se forem aproximações suficientemente precisas, já servem.

    A física de Newton serve bem pra explicar fenômenos mecânicos, mas quando a ciência se deparou com a eletricidade, foi preciso surgir a mecânica relativista e a física quântica.
    Sem a física quântica não teríamos os computadores atuais e sem a relatividade não seria possível projetar um GPS. Mas pra projetar um carro ou um prédio ninguém apela pra elas. A física de Newton é suficiente.
    Não é porque a mecânica de Einstein prevê fenômenos que não são previstos pela mecânica de Newton, que Newton passou a dizer uma mentira. Ele apenas foi mais impreciso que Einstein. Um dia alguém fará surgir uma teoria que fara com a relatividade o que ela fez com a mecânica clássica.

    O mesmo não acontece quando se mente. Uma mentira científica ou técnica nunca é comprovável e muito menos repetitível.

    Hitler manipulou a ciência para provar a superioridade da raça ariana.
    Esta "verdade" não ficou de pé por muito tempo, assim como muitas outras.

    É assim que vejo essas teorias conspiratórias ou que põem em dúvida uma teoria já estabelecida.

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  39. André,
    Concordo com seu ponto de vista em relação a estas teorias conspiratórias que são lançadas em vão. O próprio livro do Von Däniken tenta “emplacar” a teoria de astronautas na antiguidade sem muito sucesso. Como eu disse, é uma boa obra se lida como ficção científica, mas em seu raciocínio, o autor peca principalmente por encarar de forma muito objetiva o conteúdo de escritos antigos de diversas civilizações, sobretudo a Bíblia. Naqueles tempos a realidade era outra que gerava histórias fantásticas, fruto do imaginário de pessoas que viviam um cotidiano bucólico, pastoril, cheio de lendas e mistérios.
    Sobre a raça ariana e toda aquela sanha genocida com um louco propósito de uma impossível eugenia, um fato notável foi o incrível poder de persuasão do governo nazista, mesmo numa época pobre em meios de comunicação. Imagina se aqueles loucos tivessem a televisão difundida como é hoje e a internet! O mais triste é saber que ainda hoje existem pessoas que acreditam e pregam a “verdade” de Hitler...
    Abraço.

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  40. O texto é muito bom. Quem sabe o homem, não voltará um dia a se dedicar à uma única atividade - dedicação exclusiva - desprendido de interesse financeiro. Nos dias atuais só se estuda para ganhar dinheiro.

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