google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)


O Opala dourado cruzava a noite escura de sexta-feira, se afastando cada vez mais da capital em direção ao interior. Como sempre acontecia nas sextas-feiras, ao fim da viagem estava o descanso merecido, família para alguns, mas principalmente o milenar motor de todos os homens desde tempos imemoriais: nossas mulheres.

O escapamento aberto berrava seu brado de seis cilindros, e lá íamos nós quatro aconchegados no seu interior, semi-protegidos daquele frio lascado que fez no inverno de 1988. Andar com um Opala 250-S nos anos 80 é algo que nunca mais terei: naqueles tempos de proibição de importações, tinha a absoluta certeza de que era o mais veloz, de que nada poderia me pegar se assim quisesse. Um sentimento reconfortante de poder supremo, obtido a preços módicos em um carro “beberrão” com então oito anos de idade.

Apesar disso, andava tranquilamente, mantendo a velocidade de conforto ao redor de 120 km/h, quando topamos com um caminhão ultrapassando outro a coisa de 70 km/h, na pista de duas faixas. Diminuí a velocidade e pacientemente esperei o indivíduo completar sua letárgica manobra.

Nisso encosta atrás de mim uma picape F-1000. Já chegou dando farol alto, e não parou com eles, me incomodando muito. E o duro é que o sujeito lá na frente tirava sangue do 1113 para conseguir coisa de 3 km/h a mais que o outro 1113 na faixa da direita...aquilo ia demorar.

Depois do que me pareceram 325 horas esperando a eletrizante ultrapassagem, já tinha perdido a paciência com o sujeito da F-1000 e sua luz no meu cangote. Sendo assim, plotei minha vingança: assim que o caminhão saiu da frente, deixei a picape passar. Mas logo em seguida, liguei o farol alto e saí à caça. O mais divertido é que o dono daquela picape “cabine-dupla” novinha devia achar que ela era muito veloz, e tentou me despachar. A 130 km/h ela já não se movia mais, e o Opala empurrando...Estávamos nos matando de rir lá dentro, e quando ele finalmente desistiu e caiu para a direita, colocou a mão pra fora com um gesto obsceno, aumentando mais a gargalhada dentro do carro, ao mesmo tempo em que o berro do seis em linha se tornava mais sério e o carro se afastava rapidamente daquela letárgica cabine-dupla.

Embriagado pelo momento, e embalado pelos primeiros acordes de “Layla” por Clapton que apareceram naquele momento saindo do velho toca-fitas Bosch, aumentei a velocidade para algo em torno de 180 km/h e seguíamos felizes, tirando os carros da frente com rápidos lampejos de farol. Foi quando de novo topamos com um caminhão ultrapassando outro devagar, com um outro carro já parado atrás dele. Mas o caminhão estava terminando a ultrapassagem, então resolvi não diminuir a velocidade muito para não perder o embalo, dar uma lampejada para o carro e de novo cravar o pé assim que ele saísse da frente.

Foi quando minha lampejada de farol alto atingiu a traseira do carro, onde pude ler, na tampa de porta-malas: Mercedes-Benz 190E 2.3-16.

Pensei na hora: F(péééé)U! Toda aquela história, aquela tranquilidade de ser o mais veloz, diretamente para o ralo! O carro fez uma pequena pausa para reduzir marcha, e debaixo de um urro gutural plenamente audível, sumiu. Desapareceu, se mandou, gone! E eu estava a 180 km/h!!!

É como eu sempre digo desde então: SEMPRE há alguém mais rápido que você.

Lembrei desse caso e do Mercedes em questão quando vi uma das fotos do post recente do Paulo Keller. Olhando aquela foto do 190E com um novo classe C de 325 mil cavalos e meio, senti a mesma sensação que tive quando escrevi sobre o Carrera RS.

O 190E esportivo tinha apenas 185 cv. E mais, seu pequeno motor de apenas 2,3 litros de deslocamento só realmente parecia ter esta potência depois das 4.000 rpm, rotação desconhecida por muita gente. Nada de fogo, trovão, terremoto, mas como ilustrei na historinha acima, terrivelmente efetivo se usado da maneira correta.

O carro teve um nascimento bem mais nobre que seu irmão mais moderno também. A ideia inicial para o carro era a de uma homologação para o grupo B da FIA, com chassi encurtado e com duas portas apenas, meio como um BMW Compact. Apenas duzentas unidades teriam que ser vendidas para se homologar o carro para a competição pretendida. Sendo assim, a Daimler-Benz resolveu subcontratar o motor para a famosa Cosworth inglesa, famosa por conseguir propulsores imbatíveis em competição, o que era o objetivo principal do exercício, afinal de contas.

O motor deveria ser derivado do excelente M102 a ser utilizado no 190 “normal”. Com bloco de ferro fundido e cabeçote de alumínio, este motor básico já contava com comando de válvulas no cabeçote e câmara de combustão hemisférica, injeção Bosch mecânica K-jetronic e taxa de compressão 9:1. Com diâmetro e curso de 95,5 x 80,25, o motor de quatro cilindros em linha deslocava quase que exatamente 2,3 litros (2,299 cm³) e debitava ótimos 136 cv.

Para o motor de grupo B, a Mercedes deixou objetivos claros: esta derivação do M102 deveria produzir entre 270 e 300 cv em regulagem de rali. A Cosworth manteve o bloco Mercedes intacto (testemunho do glorioso over-engineering mercediano vigente então) mas adotou um cabeçote de 4 válvulas por cilindro e duplo comando. Os tuchos de válvulas eram do tipo copinho, mecânicos, idênticos ao Cosworth BDA, a primeira vez que tal coisa aparecia em um Mercedes. Foram inicialmente fabricados jogos de peças para seis motores, que foram enviados para Stuttgart para testes, onde na sua primeira “puxada" no dinamômetro registrou 267 cv. O respeito dos alemães para com a Cosworth foi imediatamente selado.

Mas logo a Daimler-Benz notava que, devido a revolução 4x4 a ser lançada pela Audi (fartamente comentada ontem nesse blog), sua futura arma de rali não seria competitiva, e acabou por congelar o projeto.

Mas uma ideia brilhante apareceu então: por que não usar este motor para uma versão esportiva do 190E? A BMW vinha fazendo fama com carros cada vez mais jovens e esportivos, e este fato não escapava da percepção de Stuttgart. A Cosworth recebeu a tarefa de reprojetar o motor para uso civil, e mais: fabricar o cabeçote completo e entregá-lo montadinho na fábrica de Unterturkheim.

Para lançar o carro, a Mercedes, que acabara de bater vários recordes de velocidade em longa distância com motores Diesel em um C111 modificado, resolveu levar o carro também para a pista de Nardo na Itália e chamar a atenção do mundo para seu novo carro.

O 190E, que já tinha excepcional aerodinâmica, recebeu algumas sutis modificações para atingir o Cx de apenas 0,29, e uma relação final de transmissão longuíssima, tudo para conseguir-se mais velocidade. Em 13 da agosto de 1983, três carros de pré-produção assim modificados iniciaram a prova em Nardo. A prova transcorreu sem percalços, até que, oito dias depois, os carros pararam. Nada menos que 12 recordes mundiais tinham sido batidos, dentre eles o objetivo final: 50.000 km, percorridos à média de 247,9 km/h.


Depois da prova, os motores foram desmontados para inspeção, e para a surpresa de todos estavam impecáveis, sem necessitar uma regulagem sequer para continuar rodando.

Outra grande sacada publicitária do lançamento do carro foi uma corrida realizada em maio de 1984, antes da prova de Fórmula 1 em Nürburgring. Nela, vários pilotos de F-1 foram colocados em 2.3-16 idênticos. Entre os pilotos havia gente como Lauda, Prost, Moss e Hill, mas o vencedor foi um jovem piloto do Brasil chamado Ayrton...



Lançado oficialmente em Frankfurt ’83, o carro que finalmente foi oferecido ao público era sensacional: o motor rendia 185 cv a 6.000 rpm,e girava até 7500. A excelente suspensão traseira multibraço do 190E era mantida, e era oferecido apenas com câmbio de cinco marchas Getrag manual, com a primeira abaixo da ré, em posição conhecida como dog-leg. Diferencial autoblocante, rodas de aro 15 com pneus Pirelli P6, tanque de 70 litros (55 no 190E), uma distribuição de peso excelente (53%/47% dianteia/traseira), e um sistema hidráulico que mantinha a suspensão traseira sempre na mesma altura independentemente da carga, eram algumas das características técnicas que fizeram entusiastas se inquietar no Salão de Frankfurt. O banco traseiro era único: tinha laterais pronunciadas como os dianteiros, mostrando a seriedade de seus intentos.


Era capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em 7,5 segundos e chegar a uma velocidade máxima de 235 km/h. A famosa revista alemã Auto, Motor und Sport não pôde deixar de notar que os números eram praticamente idênticos a outro Mercedes esportivo testado pela revista quase 30 anos antes: o famoso 300 SL “asa de gaivota”. Um quatro-cilindros de respeito, realmente.


E para mim era um carro único. Partindo do sério 190E, que havia sido criado como um Mercedes tradicional, ganhava sutil personalidade esportiva. Como um senhor sério e responsável que quase nunca tira o terno, mas se revela um boxeador violento nas horas vagas, o 190 esportivo só revelava seus músculos quando provocado. Não mostrava imediatamente sua força ao primeiro toque do acelerador, e sim após um longo mas veloz passeio por estradas sinuosas. Devia ser tocado com vontade para mostrar porque o seu dono pagara 30% mais do que um reles 190E. Um carro com o propósito único, o de ser dirigido à moda, com vontade, sempre.

Acabou tendo grande sucesso em competições do DTM (Campeonato Alemão de Carros de Turismo), onde enfrentaria seu nêmese, o primeiro BMW M3. Por causa das regras desta categoria, teve seu motor aumentado para 2,5 litros e 205 cv (195 com catalisador) em 1988, por meio de aumento de curso.

Com a escalada das competições do DTM, em 1989, a Mercedes começava a transformar seu discreto esportivo em um monstro para homologação: aparecia o Evolution I, com novos apêndices aerodinâmicos e um motor que, apesar de deslocar ainda 2,5 litros e debitar 195 cv, era totalmente diferente: visando um aumento de rotação máxima em competição, o bloco tinha sido alterado para que o diâmetro dos cilindros fosse maior que o curso dos pistões.



Esta evolução culminaria em 1990 com o Evo II. Um verdadeiro batmóvel schwabe, o Evo II tinha uma asa traseira tão ultrajante que provocou a seguinte frase de Wolfgang Reitzle, então chefe de pesquisa na BMW (e que acabou fazendo Aston Martins depois que a empresa “morreu” em 1989) : “As leis da aerodinâmica devem ser diferentes entre Stuttgart e Munique. Se isto funcionar, vamos ter que refazer o túnel de vento da BMW.”



É preciso dizer que funcionou ótimamente bem, e a Mercedes venceu a temporada de 1990 do DTM? Reitzle deve ter passado um bom tempo longe de Stuttgart...

Esta última evolução do 190 esportivo tinha suspensão de altura regulável, rodas Speedline de 17 polegadas, e 235 cv. Eu sei que pelo menos um deles veio ao Brasil, pois vi um exposto em um encontro de carros antigos em Minas Gerais algum tempo atrás.



Para mim o 190E 2.3-16 e seus sucessores ainda são os melhores Mercedes esportivos já criados. Rápidos o suficiente para causarem mortes gloriosas, mas carros que precisam ser dirigidos por entusiastas para mostrar sua real face: a de um grande companheiro para quem gosta e sabe andar rápido, sempre.

E tal coisa só pode ser conseguida através de competição. Sem esta pureza de foco, um monstro de 325 mil cavalos como esse novo classe C nunca causará a satisfação que se consegue fazendo este carrinho de apenas 185 cv andar como se deve.

E quem apareceu para o mundo rodando 50 mil quilômetros a mais de 240 km/h, todo sujo e com as rodas pretas de fuligem de freio, sempre terá mais crédito comigo se comparado a outro que apenas foi lançado em um hotel de luxo cheio de escribas, com sua pintura brilhante e suas enormes rodas polidas por três dias seguidos.

MAO

Não sei quanto a vocês, mas meu final de semana começou muito bem: nessa sexta-feira o Juvenal Jorge fez o favor de nos perturbar falando do Audi Quattro e o Bob Sharp deu o tiro de misericórdia, nos contando que foi Ferdinand Piëch quem deu a ordem a seus colaboradores diretos para que o Quattro fosse concretizado.

Mas quem eram esses colaboradores? E como foi que eles criaram o sistema Quattro?

Os principais nomes a serem citados são os de Jorg Berzinger e Fritz Naumann. O primeiro começou sua carreira na Porsche, com passagens pela BMW e Mercedes-Benz, enquanto que o segundo tinha em seu currículo o desenvolvimento do fantástico Mercedes C111. Sem sombra de dúvida, Piëch estava bem assessorado por uma equipe competente.

Um dos requisitos de Piëch era a simplicidade mecânica. Até então, todas os projetos de tração integral (como o Jensen e o Mustang Ferguson) adotavam uma caixa de transferência muito semelhante a tudo o que havia sido criado até então para veículos fora-de-estrada. Trata-se de um sistema que funciona muito bem em aplicações específicas (
part time), mas deixa muito a desejar em aplicações full time.

A simplicidade mecânica desejada por Piëch ajudaria a diminuir o peso final (eliminando a ineficiente caixa de transferência), baixava os custos de produção e aumentava a longevidade do sistema. Afinal de contas, peça que não existe é peça que não quebra.

Foi então que a competente equipe decidiu criar uma tomada de força para a parte posterior da transmissão, modificando a árvore secundária do transeixo. Esta passou a ser oca, de maneira a acionar a carcaça do diferencial central com a parte externa e abrigar, em seu interior, o pinhão do diferencial dianteiro, como pode ser visto no vídeo abaixo:



Na prática, adicionou-se o menor número possível de componentes ao transeixo do Audi 80, curiosamente o mesmo utilizado até a presente data nos VW Parati e Saveiro. Criada a tomada de força, bastou substituir a suspensão traseira por eixo de torção pelo sistema McPherson, já amplamente utilizado tanto pela VW quanto pela Audi. Uma solução barata e eficiente: o projeto todo levou pouco mais de três anos do primeiro protótipo, construído em 1977, até a versão definitiva do Audi Quattro, apresentada no Salão de Genebra de 1980

Mais simples do que isso, impossível.

FB

A reverência do Juvenal ao Audi Quattro é mais do que justificada. O carro pode ser considerado um marco divisor. A História do Automóvel, quando for escrita depois que o último deixar de existir -- se é que isso ocorrerá um dia -- terá um tomo iniciado justamente pelo Audi Quattro.

A história que o Juvenal contou fala acertadamente num carro-mula Audi 80, mas como a Audi chegou até ele é uma história incrível que merece ser compartilhada com os leitores do AUTOentusiastas. Um história que tem a ver com a foto acima.

Em 1958 a Vemag, que já vinha produzindo a perua DKW desde 24 de novembro de 1956, resolveu fabricar no Brasil o utilitário tipo jipe da marca, que já existia na Alemanha. Importou alguns e começou o planejamento da produção. Era preciso desenvolvê-lo, encontrar fornecedores e validá-lo. Para isso era preciso contratar um funcionário de perfil especial, algo não tão fácil numa indústria incipiente.

Ângelo Gonçalves era o gerente de engenharia da fábrica e convidou um amigo para tocar essa parte. Era Jorge Lettry, um italiano que havia chegado ao Brasil no colo da mãe com menos de um ano de idade mas que era mais brasileiro do que muitos nascidos aqui.

Ângelo mostrou o jipe a Lettry e pediu que ele desse uma volta, que dissesse o que achava. Saiu e demorou, demorou, a ponto de deixar Ângelo bastante preocupado, pois Lettry era conhecido por dirigir muito rápido. Logo imaginou o pior.

Depois de cerca de duas horas Lettry leva o DKW (ao lado) de volta para a fábrica e, perguntado sobre o que tinha achado, se via condições de tê-lo produzido aqui e, principalmente, se teria mercado (o forte concorrente era o Jeep Willys CJ-5), Lettry disse logo, de cara: "Dr. Ângelo, este é o melhor carro esporte que já dirigi". Claro, o Dr. Ângelo pensou que o Jorge havia enlouquecido. Tratava-se de um utilitário e ele vinha falar em...carro esporte!? Quem teve a oportunidade de dirigir um sabe que Jorge Lettry não exagerou na avaliação.

Quase 20 anos mais tarde, a Volkswagen se preparava-se para lançar o Iltis. Como se sabe, a VW ficara com a Auto Union em 1965, que pertencia à Daimler-Benz desde 1958. O Iltis nada mais era que o jipe DKW, que aqui passara a se chamar Candango, em 1960, atualizado.

Saiu o motor de três cilindros dois-tempos de 981 cm³/44 cv e entrou um 827 (o nosso AP) de 1.716 cm³ (79,5 x 86,4 mm), 76 cv a 5.500 rpm. Em vez do transeixo dianteiro de quatro marchas com caixa de transferência e reduzida, um de cinco marchas com primeira tratora (7,6:1). A segunda 3,91:1 é que era usada normalmente para arrancar. E um tratamento no estilo frontal, com farois embutidos nos para-lamas, como se vê na foto de abertura. O chassi rolante permaneceu exatamente igual, a mesma suspensão independente nas quatro rodas, mas a tração integral deu lugar a uma 4x4 temporária.

Ferdinand Piëch, neto de Ferdinand Porsche, era diretor de engenharia da Audi nesse tempo e deram-lhe um Iltis para rodar no fim de semana, como é habitual nas fábricas de automóveis. Piëch era um engenheiro de mão cheia, é dele o motor Porsche de seis cilindros que estreou no 911. Nada mais natural que sua opinião fosse essencial em qualquer produto.

Piëch ficou tão impressionado com o comportamento em curva do "Candango", mesmo com o curtíssimo entre-eixos de 2.015 mm, que ao chegar à empresa na segunda-feira reuniu os seus colaboradores diretos e determinou que criassem um trem de força semelhante para um Audi 80. Nascia naquele momento o Audi Quattro. Dois anos depois o novo Audi era a sensação do Salão de Genebra.

Lettry e Piëch estavam certos.

BS



Um dos carros mais importantes dessa extensa história do automóvel é o alemão Audi Quattro, que povoa meus pensamentos com uma freqüência um pouco assustadora.

Apresentado no Salão de Genebra de 1980, o Audi Quattro trouxe para os carros de passeio a tração nas 4 rodas moderna, montada em carros de grande produção. Antes dele, houve o Jensen CV-8 FF em 1965, que não foi vendido regularmente, e o modelo Interceptor FF de 1967, produzido em pequena quantidade, cerca de 300, com um sistema da empresa Ferguson Formula.
 



Estranho, uma foto de teclado de computador num blog de automóvel? Tudo a ver. É para falar de um dos grande males da humanidade mas que afeta sobreamaneira o Brasil: a danada da preguiça. Sei que está duro de entender, mas explico.

Os computadores que começaram a chegar por aqui no final da década de 70 traziam teclado tipo US, de 101/102 teclas e assim ficaram um bom tempo. Não tinham a tecla "ç" e para digitar a letra que tanto usamos era preciso teclar acento agudo e, com a tecla apertada, teclar "c". Por incrível que pareça, tudo por causa da única palavra usada em inglês que tem "c" com cedilha: façade (pronunciado como se lê). É um cognato verdadeiro ao significar fachada.

Para nós, escrever em português num teclado feito para língua inglesa requeria um mínimo de adaptação. Em pouco tempo dominava-se a disposição das teclas -- e o acento agudo mais "c". Mas surgiu, não sei bem quando, creio mais para o final dos anos 90, o teclado brasileiro, chamado ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) com o "ç" e ainda por cima ladeado pelo "~" (til). Por que mudou? Só pode ser devido à atitude que deu nome a este post: preguiça. É suposição minha, mas só pode ser. A turma devia achar trabalhoso dar acento agudo mais "c". E passamos a ter o "nosso" teclado.

Igualzinho à "nossa" gasolina, única no mundo, com 25% de etanol.

Esses dois "nossos" obrigaram a fabricantes de computadores e importadores a modificar os teclados e a fabricantes de veículos a calibrar os motores para poderem ambos ser usados pelos brasileiros. Cada vez que ficamos diferentes do mundo, problemas.

Meu computador de mesa está precisando de teclado novo, começou a dar alguns problemas de resposta à digitação. Fui numa grande loja especializada e, adivinhe,? Tinha de várias marcas e preços, mas tudo ABNT. Como o meu, que tem mais de 10 anos, é 101/102, tratei de procurar e achei um na oficina de computadores da qual me sirvo faz tempo. Sem "ç" e com tecla Enter grande, dos quais faço questão. Por dois motivos.

Um, estou acostumado com esse tipo de teclado. Dois, meu notebook tem o mesmo 101/102. Se cedesse e comprasse um ABNT, teria o mesmo problema que enfrento cada vez que me sento a um computador na sala de imprensa organizada pelos fabricantes de veículos nos lançamentos. Enrolo-me sempre, pois várias teclas estão em posições diferentes.

Foi pensando nesse aspecto que quando eu trabalhava na Embraer em 2001/2002 e planejamos os detalhes da parte de imprensa para acolher os 200 jornalistas estrangeiros convidados para o lançamento do EMBRAER 170, encomendamos os computadores com teclado 101/102. Mas na véspera, ao checar a sala de imprensa e os computadores, novamente adivinhem: teclado ABNT. Fiquei realmente possesso, mas não havia como fazer a substituição àquela altura.

No dia seguinte tive o dissabor de ver os nossos convidados "apanhando" para digitar, não pela ausência do "ç", mas pelas posições diferentes de algumas teclas. Não fomos bons anfitriões nesse aspecto.

E a tecla Enter grande é apreciada por mim por motivo óbvio. Não é preciso mirar nela.

A coisa complica mais do que parece. Um grande amigo esteve no lançamento do Fiat Strada Adventure cabine dupla, em Foz do Iguaçu, e comprou um netbook, que veio com teclado 101/102. Ele tem no escritório o PC com teclado ABNT. Perguntando aqui e ali, já no Brasil, viu que não era possível mudar as teclas fisicamente. Reconfigurou o teclado, então, de modo que só ele sabe quais são as teclas que dão comando "ç", til e outros, como "/" e "\". Que confusão, que perda de tempo desnecessária!

Tudo, repito meu "achismo", por preguiça dos brasileiros em teclar acento agudo mais "c" para dar "c" com cedilha.

E nos automóveis, a preguiça se manifesta? Claro que sim. Uma boa parte dos motoristas quer engatar a quinta e ir de Porto Alegre a Natal nela. Passar de quinta para quarta ou terceira quando necessário, como nos câmbios "4+E", nem pensar. Preferem o motor berrando no ouvido com uma quinta "de potência". Ou então a recusa nacional de reduzir para segunda ou primeira ao transpor uma lombada. O negócio é fazê-lo em terceira. Nos dois casos a preguiça fala mais alto.

A preguiça é responsável por se fazer um retorno proibido em vez de andar uns 500 metros mais; por colocar o carro fora da vaga demarcada, ocupando duas; por estacionar em local proibido em vez de um pouco mais longe, para não ter que caminhar muito; por parar em fila dupla e ligar a "autorização" para isso, ligando o pisca-alerta; por não calibrar os pneus a cada 15 dias.

Fora do carro, não puxar a descarga da privada em banheiro público; não pegar do chão o papel-toalha que eventualmente não tenha caído no cesto; mandar o filho fazer alguma coisa em seu lugar, como buscar um refrigerante na cozinha. Uma longa lista de exemplo, enfim.

Há muitos anos li uma matéria em Seleções na qual um pai mandou fazer uma plaqueta e fixou-a no painel dos carros dos filhos. Ela dizia "IPM", de Impaciência Pode Matar, em alusão a não se ter paciência para aguardar o momento seguro de uma ultrapassagem, por exemplo.

Podia-se fazer o mesmo, quando necessário, com as letras "PPM", Preguiça Pode Matar, no carro e em alguns pontos da casa. Tivesse isso sido feito há tempo nos lares brasileiros, talvez o teclado ABNT não existisse.

BS

Eu não tenho planos de ir ao Canadá em duas semanas, mas se alguém quer uma dica, esta é boa.
E lembrando que temos um correspondente por lá, mas que não escreve muito por aqui, o Ron Padua. Quem sabe ele se anima, coloca a motoca na estrada e manda umas fotos e um texto legal para nós?
JJ
Na revista Carro de agosto há uma matéria minha sobre misturas de gasolina e álcool. Com um Siena Tetrafuel todo instrumentado, andei desde com gasolina sem álcool a álcool puro. Os resultados foram bem interessantes. A mistura de 80% álcool e 20% gasolina, que dá na realidade 85% álcool e 15% gasolina devido à nossa gasolina conter 25% de álcool, revelou-se excelente. É nada mais, nada menos que o álcool E85 dos EUA e Europa. Não foi por acaso a escolha dessa mistura que fizeram lá.

Não é querer vender revista, mas essa vale a pena comprar. Ou dar sapeada na banca.

BS

Como já havia informado anteriormente, teremos colaboradores desse blog em Bonneville Speed Week deste ano, de 8 a 14 de agosto.
Posso imaginar a palpitação no coração desses camaradas. Eu mal conseguiria dormir.
Enquanto a data não chega, e eles não começam a inundar o Autoentusiastas com fotos e carros de um mundo diferente, aqui vai o link com dicas deste evento e de outros que se seguirão ainda nesse ano, caso alguém se interesse em programar uma viagem.
A foto da revista Hot Rod, onde tudo começou, retrata bem o espírito dessa competição. Correr com qualquer coisa, apenas pelo prazer da velocidade.
Um filme indicado pelo MAO, e que também deixa bem claro o objetivo desse encontro anual, é The World's Fastest Indian, com o ótimo Anthony Hopkins no papel de Burt Munro, um neozelandês que tem uma história incrível de desenvolvimento de uma Indian Scout 1920, e que realizou o sonho de correr em Bonneville e estabelecer o recorde para motos com carenagem integral (streamline) com motor abaixo de 1 litro em 1962, com 288 km/h.
Vale a pesquisa e compra deste filme, para assistir várias vezes.
JJ
Hoje foi um dia bem diferente e divertido.

Primeiro, na manhã fiquei montando uns motores aqui de uns amigos.

Depois, recebi um telefonema de um outro amigo que era para eu ir buscar um motor que ele queria que eu mexesse para ele. Já estava esperando isso, já estava combinado, mas como o motor em questão é um Chevrolet bigblock de 496 polegadas cúbicas, bem, digamos que sai de casa bem ansioso para pegar logo ele. Carreguei na Ram e ainda nem abri a caixa. Isso é assunto para outro post. Até porque esse motor é umVortec 8.1, motor moderno, idêntico aos usados nas Silverados gringas, sendo na verdade como uma Geração 7, novos bigblocks com tudo deferente da última revisão, chamada de Gen 6. Não tem distribuidor, cabeçotes são novos, admissão completamente e não-intercambiáveis com as anteriores. Mas pelo que li em uma única reportagem numa Hot Rod há uns tempos atrás, a parte de baixo do motor troca muita coisa com os antigos. Aguardem e verão em detalhes coisas que nem os gringos viram direito ainda.

Depois de pegar ele, um outro amigo me esperava para eu finalmente funcionar um motor que fiz para ele há alguns anos, mas que por conta do carro ainda não estar pronto, nunca funcionou. O carro, um Uirapuru. O Amigo, o Nasser.
Chegando ao Museu, organizei as ferramentas e comecei a trabalhar. Já esperava alguma lenha com os carburadores SU, mas o trabalho que um cara amigo e especialista neles fez valeu muito a pena, uma vez que a bomba carregou todos com gasolina, só alegria e felicidade. Lenta lisa, respostas fulminantes no acelerador, nem acreditei, só tive mesmo trabalho de ligar os cabos de vela e abastecer ele e pôr uma bateria lá. Caramba, todo o trabalho que eu tive medindo tudo, balanceando o virabrequim, equiparando peso de todos os componentes - aqui uma nota: o virabrequim estava perfeito, pediu para tirar coisa de 8 gramas numa ponta e cerca de 20 na outra. As bielas, o máximo que achei foi 6 gramas de variação da mais leve à mais pesada, e acertei o peso compararndo dinamicamente as pontas, pesando pé e cabeça para que ficassem perfeitas dinamicamente, e os pistões, ótimos Metal Leve, estavam todos com peso idêntico - valeu muito a pena, o resultado foi muito bom e eu fiquei muito feliz ao ouvir depois de alguns anos o motor que fechei com tanto esmero.

Fizemos um retrabalho de cabeçote idêntico ao feito pelos preparadores americanos nos anos 50, passando uma broca de 38 mm nos dutos de admissão e três ângulos nas sedes das válvulas, e para fechar, além do vedador acrílico no mancal traseiro, importado, no lugar da odiosa gaxeta e um excelente comando copiado pelo Genial Jorge, da Sobe Retificadora, e fechamos tudo, embrulhando bem para presente.

Não andamos com o carro, porque precisa de uma revisão de freio, mas que promete e muito, isso lá promete.


Depois do Uirapuru, encarei o Capeta. Claro, tinha um cheirinho de enxofre, mas tudo correu bem. Primeira surpresa, o motor estava solto, depois de um bocado de lubrificante nos cilindros através dos orifícios das velas. Logo, conversando, sugeri que retirassemos o cabeçote para ver de forma rápida e segura o que tinhamos lá dentro.




Sugestão aceita, comecei a árdua e extenuante tarefa de retirar o cabeçote dele fora, já pensando no esforço que seria tirar o dito cujo de dentro do cofre do motor, que é bem largo e baixo.


Foi quando tive a maior surpresa dos últimos tempos: o cabeçote é feito de aluminio. Isso, de alumínio! Eu sei que o pessoal do Willys Club of America importou vários Aero-Willys brasileiros para lá por conta de serem únicos e sem similar por lá. Quando eles souberem que a própria Willys-Overland do Brasil se deu ao trabalho de fazer um supercabeçote em aluminio para os motores BF, acho que todos piraram o cabeção em uníssono. Essa foi uma das descobertas mais fantásticas que fiz, uma grande surpresa, inimaginável, e que atesta o quanto esse projeto foi prezado e tratado com tanta seriedade por eles à época. Mais incrível ainda, a peça é o protótipo industrial que deu origiem ao bom cabeçote com coletor de admissão separado exclusivo dos Itamaratys que estavam por vir.
Desta vez, em contraste com a decepção ao desmontar o motor do Uirapuru, quando esperávamos, em função do que ouvíamos, de comandos Iskenderian, cabeçotes rebaixados, e outras mumunhas, e nada achamos, nesse capetinha a surpresa já veio de cara. Ainda tem o resto do motor para abrir, mas essa surpresa já faz quase que qualquer outra ser apenas ou quase irrelevante!

AG

Conheci ontem e, de modo geral, gostei. Nada espetacular, mas tem tudo para ser um automóvel para prestar bom serviço. Andei pouco, a Honda proporcionou uma experimentação muito curta no entorno do Centro de Educional de Trânsito da empresa, em Indaiatuba, SP.

É sedã médio-compacto que prima pelo amplo espaço interno na frente e, principalmente, atrás, num belo exercício de packaging, ou projeto do interior: comprimento de 4.400 mm e distância entre eixos de 2.550 mm, com 1.480 mm de altura. Embora a fábrica queira fazer crer que não, é um Fit três-volumes, com frente alongada e porta-malas destacado. Só existe com motor 1.5-litro de 115/116 cv e pode ter caixa automática de cinco marchas em qualquer dos três níveis de acabamento: LX, EX e EXL. Todos têm airbags frontais. O EXL automático pode ter borboletas de câmbio no volante e só esta versão tem freio a disco nas quatro rodas.

Causou espécie entre os jornalistas o preço. LX, R$ 56.210; EX, R$ 61.560; e EXL, R$ 65.375. Com caixa automática, mais R$ 3.800 nos dois primeiros e mais R$ 5.720 no último. O posicionamento no mercado está visivelmente acima da realidade. A Honda planeja produzir (e vender) 68% com caixa automática. O conteúdo local é de 80% e o bloco e o cabeçote de alumínio são moldados na fábrica de Sumaré, SP - o alumínio vem derretido de um fornecedor em São José do Rio Preto em caminhões com panelas especiais que mantêm o aluminio derretido a quase 800 °C.

Por falar em câmbio automático, o dos Honda é chamado de Hondamatic, é patenteado e difere totalmente dos automáticos tradicionais de engrenagens epicicloidais. É uma ideia simples, ovo-de-colombo mesmo, em que visualmente é uma caixa manual normal, mas que em vez das luvas sincrônicas de engate há embreagens multidisco em banho de óleo. Há conversor de torque com bloqueio de segunda à quinta.

Um ponto alto do City é o porta-malas de 506 litros, método VDA, com estepe de dimensões normais em roda de aço, que fica horizontal e dentro do compartimento. Cabe bem mais bagagem no novo Honda do que nos parcos 340 litros do Civic.

De resto, é a percepção de fabricação primorosa de todo Honda. Quando eu receber um para avaliação, o que não deverá demorar muito, estenderei os comentários. Mas já é possível adiantar que se trata de um sedã muito agradável e deverá fazer sucesso. Principalmente depois de eventual reposicionamento de preço.

BS
Semana passada falei aqui a respeito do Chevrolet Caprice de quarta geração (1991-1996) e seu derivado, o Chevrolet Impala SS (1994-1996). Como não poderia deixar de acontecer, o mestre Mahar (como bom chevymaníaco) nos lembrou que David E. Davis (antigo diretor da revista Car and Driver, hoje responsável pela Automobile Magazine) tinha um desses equipado com motor Chevy big block e transmissão manual.

O AG concordou com ele, disse que seria fenomenal ver o full-size com uma alavanca espetada no assoalho, mesmo com o small block. É óbvio que o Mahar não iria sossegar enquanto não encontrasse um exemplar do bichão equipado com a tal transmissão manual. Foi pesquisar no Ebay e acabou encontrando o brinquedão:


Eu torci o nariz: para mim, um carro desses tem que ter transmissão automática. Não é carro para descer a lenha e sim um carro familiar para andar com calma e só "socar a bota" de vez em quando.

Falei pro Mahar que o único full-size com transmissão manual que entraria na minha garagem seria o Bel Air ou Impala do começo dos anos 60, com o famigerado motor big block 409 e quatro marchas no assoalho. É claro que fui espinafrado (e quase defenestrado do grupo), mas acabei me lembrando que havia outro full-size americano de transmissão manual que desde criança faz parte dos meus sonhos.

O carro é um Ford Galaxie Custom 500 1971, estrela do filme norte americano "White Lightning" (no Brasil "Sob o Signo da Vingança"), lançado em 1973 e estrelado por Burt Reynolds, no papel do transportador de uísque ilegal Gator McKlusky. Na prisão, McKlusky descobre que seu irmão fora assassinado por um xerife corrupto do Arkansas.

O FBI (ciente do desejo de vingança de McKlusky) acaba fazendo um acordo com o presidiário: em troca da ajuda para prender o xerife corrupto os federais o colocam em liberdade e ainda o presenteiam com o possante Ford, equipado com um motor big-block de 7 litros e transmissão manual com trambulador Hurst, no assoalho.

O Ford 500 do filme é a antítese dos carros que até então dominavam o cenário cinematográfico da época: não tinha a esportividade do Mustang do tenente Frank Bullitt nem a pose de malvado do Charger guiado pelos malfeitores no mesmo filme. Também não desperta desejos de liberdade como o Dodge Challenger de Kowalski, nem lembra a juventude irresponsável do Ford 1932 de John Milner ou do Chevrolet 1955 de Bob Falfa.

Nada disso: o Ford lembra mais aquele Landau mal cuidado que todos nós já vimos um dia, largado em qualquer rua perto de nossas casas. Um velho sedã americano de 4 portas que poderia muito bem ser o último carro da sua vizinha de 90 anos de idade. Ou mesmo o carro do seu avô, já bem ao norte de sua fase áurea. Não é um carro de imagem, mas de substância, como pode ser visto no trecho do filme abaixo:



O fato é que essas perseguições policiais de fato existiram. Os transportadores de uísque ilegal (moonshine), fabricado em destilarias clandestinas tornaram-se famosos pelas habilidades ao volante, sendo logo chamados de "moonrunners". Em pouco tempo os moonrunners começaram a fazer apostas entre si, para ver quem era mais rápido, acabaram pegando gosto pela brincadeira e as primeiras competições foram organizadas. Não demorou muito e uma nova categoria automobilística seria criada, a Nascar.

"White Lightning" é hoje considerado um cult movie, um clássico dos anos 70 e é reprisado com certa frequência no canal TCM (Turner Classic Movies). Foi o primeiro filme a retratar o estilo de vida dos moonrunners e chegou a ter uma continuação em 1976, "Gator", primeira aparição da dupla composta pelo ator Burt Reynolds e pelo cantor country Jerry Reed, que fizeram ainda mais sucesso com a trilogia de filmes "Agarra-me se puderes".

O que poucos sabem é que o filme inspirou um filme pouco conhecido do público, "Moonrunners", de 1975. Prestem bem atenção na sinopse: a história é narrada pelo cantor country Waylon Jennings, que fala sobre o cotidiano de dois primos, Grady e Bobby Lee Hagg, que transportam uísque ilegal destilado pelo Tio Jesse no condado de Shiloh, governado pelo chefe Jake Rainey, cujo principal subordinado é o xerife Rosco Coltrane.



Roteiro e direção do filme são de autoria de Gy Waldron, baseado em fatos reais da vida de Jerry Rushing, um transportador de uísque ilegal que fazia suas entregas a bordo de um Chrysler 300D 1958 capaz de alcançar 225 km/h. O Chrysler foi batizado de "Traveler", que era o nome do cavalo favorito do General Robert E. Lee.

Para quem já sacou do que se trata, saibam que é isso mesmo: "Moonrunners" foi o precursor do seriado "The Dukes of Hazzard", também obra de Gy Waldron e igualmente narrado por Waylon Jennings. O astro principal do seriado é o "General Lee", um Dodge Charger 1969 inspirado no Chrysler 300D de Jerry Rushing.


Se vocês me perguntarem qual dos carros eu gosto mais, ficarei em dúvida: durante muitos anos fui fâ incondicional do General Lee com o Mopar 440 e transmissão automática com trambulador B&M. Mas é um carro que todo mundo quer ter, ainda mais depois que o seriado virou filme em 2005.

Como sou um cara avesso a unanimidades, vou dar o braço a torcer e concordar com o velho Mahar: viva o câmbio manual, com a alavanca espetada no assoalho. E se algum de vocês encontrar um Ford Galaxie americano 1971 de 4 portas por aí, por favor me avisem. Ele é meu!

FB
Um de nossos leitores, o André Andrews, perguntou quem é o Mestre Mahar citado no post "Passado e Presente".

Bem, o Mestre Mahar é o José "Mahar" Ribeiro de Rezende. Um ser sensível e romântico que ama o automóvel de uma maneira única. Além desse amor ele tem um conhecimento enciclopédico sobre tudo que tem rodas; automóveis, motos e caminhões, além de aviões e barcos, principalmente dos antigos.

Eu o conheci quando um dos integrantes do AUTOentusiastas o convidou para fazer parte do nosso grupo (fórum) na internet. Logo percebi que se tratava de uma pessoa especial, refinada nas ideias sobre o automóvel, mas ao mesmo tempo simples e generosa. Sempre dividiu seu conhecimento com paciência e muito incentivo ao entusiasmo.

Ele já trabalhou em tudo que é revista de automóveis sendo que a Motor 3 é o motivo de maior orgulho. Numa busca rápida pelo Google dá pra ver que ele contribui para os principais sites de antigomobilismo do Brasil. Atualmente anda escrevendo para as revistas Transporte Mundial, Moto e Oficina Mecânica.

Desde o início do blog AUTOentusiastas nós o convidamos para escrever aqui. Pode ser que ele se sensibilize com a insistência de alguns leitores.

A pedidos, ele nos enviou essa uma pequena grande autobiografia (que já anda pela internet). Ao ler o texto dá pra entender porque eu insisto para que ele escreva aqui nesse blog.


Cabotinice,
Ou eu sou GASOLINÔMANO

Mahar

A única razão válida para fazer isso aqui é talvez inspirar algum garoto a fazer algo diferente no pais do futebol. Mesmo arriscando o rabo ao ser classificado como exibido, gostaria de dizer aos garotos que vêm me perguntar coisas, que é valido e bom ser furiosamente apaixonado por veículos, como sempre fui. É uma coisa de não ver interesse algum em qualquer coisa que não queime gasolina, que não ronque ou faça calor.

Foi assim que comecei em 1960, lá pelos nove anos de idade. Meu pai tinha desde zero um impecável Chevrolet Styleline Sedan 1951, claro que preto e funcionando como um relógio suíço. Tratado a cotonete, em 1960 era o sonho de consumo de nossos irmãos bigodudos da praça. Eram mecânicas menos estressadas, de baixo giro, e mesmo com o conhecido sistema de lubrificação a salpico, onde o óleo é espirrado nos pés de biela, duravam muito. Não era incomum achar uns carros desse com 500.000 km só tendo tido os inevitáveis preenchimentos de metal branco no virabrequim. Mas foram exatamente essas características que me deram um trauma que explica os carros que tenho hoje em dia, o Mahalet e a Baleia Branca. Mais sobre isso adiante.

Sempre gostei de carro antigo. Há mais de 30 anos frequento o Veteran do Rio, desde os tempos da Praça do Miguel Couto. Acho firmemente que desconhecer o passado do automóvel é não ter as ferramentas para entender o presente. Essa fissura de gasolinômano orientou toda a minha vida. Sempre foi automóveis o tempo todo, com erros como ser advogado sem diploma (nunca tive saco pros estágios e OAB).

Quem já viajou comigo sabe que não tem museu, shopping ou restaurantezinho aconchegante na Rive Gauche. É museu, coleção, loja de carros ou peças, coisas de caminhão, clube náutico, autódromo, motocicleta. Tenho um bom amigo, o Sanzio, que foi pra Argentina comigo em 2004. Lá pelo décimo dia perguntou: mas é só motor? Não, a loja do Louis Vuitton e da Lancôme tão aí mesmo... E olha que ele gosta muito do tema, tem moto e vários carros estranhos.

Acho que ficou claro o nível de fissura por isso tudo. Vivi a vida inteira envolvido por essas coisas, inclusive com coisas obscuras. Uma delas é o fato de que o Barão foi pioneiro em imprensa náutica a motor no Brasil. Grande coisa, só copiei o teste técnico da Boating, já que desde priscas eras me toquei de ter de saber falar mais de uma língua pra corresponder ao vicio. Então enquanto todo mundo fugia e aprendia no ginásio só o suficiente pra passar, eu queria ler a Bíblia, a Road & Track, e naturalmente aprendi. Também falando de sexo o tempo todo...

Assim foi com mais francês, italiano e espanhol, o que me permitiu aprender tanta coisa.

Tive muitos carros. Claro que o primeiro foi um Fusquinha. Era um 68, ganho do pai numa barretada de almoço dominical do tipo você nunca vai passar no vestibular. Naquela época podia incluir no exame varias línguas e as matérias do Clássico eram humanistas, do tipo Psicologia, Sociologia e não tinha física, química ou biologia. Além disso, era possível fazer uma redação com muito valor...

Num outro domingo cheguei na frente da família toda e mostrei que não só passei como foi lá em cima na PUC e na UEG. Papai Mahar a contragosto comprou, isso em 1971: um 68 de uma vizinha com 6.000 km rodados, embora a promessa fosse de um carro zero. Mas eu preferia o modelo mais antigo e rodei 300.000 com ele. Viagens de final pra sumpa e muitos lugares, não era o Vital, mas passei a me sentir total. Foi aí que me entreguei aos encantos dos carros sobresterçantes com meus Cinturatos 155-15, minha trombinha, uma alavanca de câmbio de Karmann-Ghia e uns faróis de longo alcance. Um prazer e um conhecimento que a geração atual não tem mais, com seus carros sanitizados do tipo tudo na frente, que não exigem mais arte e sutileza para controlar. Foi uma escola.

Daí tive um JK 2150 1970. Outra escola completa, que ensinou o que era um carro europeu legal, esportivo e veloz, embora complicado e temperamental. Não é à toa que tem na Itália um ditado que diz:

Donne e motori, gioie e dolori.

Queimava junta, ameaçava pegar fogo, deu uma apodrecida rápida em um ano, mas quando funcionava era inesquecível. Seu motor me ensinou que havia uma outra espécie de vida fora dos EUA. Cheguei até a arranjar uma namorada na embaixada da Suíça por causa dele. O primo corria rali de Alfa por lá e tinha peças inacreditáveis. Foi assim que tive uma dupla Weber 40, pistões oversize pra 2.200 cm³, coletor 4x2 e 150 cavalos.

A Alfa que tinha já se foi, mas merece uma menção honrosa. Era uma Giulia Super de 1967. 1.600, dois Weber 40 e 122 cavalos para 900 quilos. Um carro que é a expressão pura do tesão automotivo. Comprei em 1980 do paulista que a comprou de Ubaldo Lolli, o chefe da equipe Alfa Romeo Corse daqui, a Jolly-Gancia do comendador Piero Gancia, famosa nos anos de ouro do automobilismo no Brasil. Parou há muito tempo e agora está com um dono amoroso e abonado para uma restauração. Mas voamos muito por esse país com ela...

O resto foi uma longa sucessão de Opalas 4 e 6 e Belinas, principalmente quando descobri a MOTOCICLETA. Um amigo trouxe do Acre uma Honda 350 72 e aprendi a andar nela junto com o Lula, seu irmão. Daí foram anos de equilíbrio instável, e um longo aprendizado de que não era necessário ter uma tonelada de lata em trono de você para ser feliz. Cheguei a andar entre os dez mais rápidos do Rio nos anos 70.

Tive moto de 73 a 92, quando a hora das contas em uma separação dolorosa impôs que o acervo de motos tivesse que ir embora. Uma Honda 500 Four braba até a alma, mais uma 750F1 e uma Kombi de peças. Foi tudo pelo ralo.



Mas ando de moto até hoje e me divirto, não com o fervor passado. Talvez seja a idade, mas hoje em dia voltei às origens e em 97 comprei um Chevrolet Fleetline coupé de 1951, uma volta em busca do tempo perdido. Com as últimas crises da Fundação, o Chevy se foi para um rapaz de Curitiba, depois de anos restaurando e alguns andando com ele. Seu potente motor 261 me deixou saudade.

O grande amor que se foi chamava-se Omega 3,0 CD 1994. Foi para um amigo depois de fazer várias viagens a Bariloche, para ver a Mil Millas da Argentina. Um rali inesquecível, entre lugares, pessoas e carros de outro mundo.

Mas ficou a Mahavan, um carro legal: Caravan L 1984 2,5 a álcool, cinco marchas. Uma suspensão bem acertada, um bom jogo de Michelins, um motorzinho esperto de 130 cv e ainda voamos pelas estradas. Como diz um amigo, riding with the King.


Sete meses já, e prometi que faria de novo... bom, aí vão algumas, para colorir a mente insone e provocar a mente curiosa:

Não, não é uma garagem perdida no interior da Itália.

Fuselage look, huh?

Sempre adorei o centro de São Paulo. Em cada portaria, em cada fachada, uma surpresa.

Pit Stop para reabastecimento


Yeah, Evil. MOPAR RULEZ!

Nada excepcional nessas duas. Só gosto das cores delas.

Cores, velocidade, um pouco de ação. Eu preciso de uma dose. Rápido, para o Egan-móvel!
A cada dia vemos mais carros com tração nas quatro rodas no trânsito das cidades asfaltadas. Quase sempre, são peixes fora d'água. Esses veículos nasceram e imploram por uma terra molhada, ou uma areia onde possam se divertir um pouco. Como tudo que é proveniente de produção em massa, procura-se atender ao uso mais frequente que o produto terá. Os pneus são um dos itens de mais fácil entendimento, quando falamos disso.
Veja nessa foto, o pneu totalmente inadequado ao barro, com os sulcos preenchidos, transformando-se em "slick", um pneu liso, como os melhores para andar em pista de corrida.
Um pneu desse tipo, aplicado a um carro com tração nas quatro rodas, pode colocar tudo a perder quando se torna necessário utilizar esse sistema, como em estradas de terra em dias de chuva, por exemplo.
Pense nisso quando for comprar pneus, avaliando o uso que será feito do veículo, tenha ele tração em apenas duas rodas ou mais.
Pneu é como sapato. Alguém já viu uma bailarina dançando de botas, ou um alpinista de sapato mocassim ?

JJ

Anunciados os preços do Polo com câmbio robotizado e automatizado. O hatchback normal sai por R$ 42.580 e o Sportline, mais bem equipado, R$ 50.465. Já o sedâ básico custa R$ 44.810 e o Comfortline, R$ 53.815. Vendas começam já em agosto.
Diz a fábrica que, em média, 30% dos Polos serão vendidos com o novo câmbio, mas a participação deste deverá ser maior no sedã.
O preço do volante com as borboletas de troca de marcha é mesmo convidativo: R$ 470 -- mas requer a compra de rádio completo por R$ 800, deixando a brincadeira de ser tão atraente.
Um ponto importante explicado foi a lógica de troca de marcha diferenciada entre plano e subida -- são retidas mais tempo no segundo caso -- o que deu para notar perfeitamente na avaliação feita hoje entre Atibaia e Amparo, em torno de 75 quilômetros distantes uma da outra.
Informada também alteração nas relações de marcha da segunda, terceira quarta, diminuindo o intervalo numérico entre a primeira e a segunda e entre esta e a terceira, e desse modo ficando menor a queda de rotação nas trocas. Isso contribui para reduzir as "cabeçadas", efeito que é menor nas marchas mais altas. Informada redução de 0,1 segundo no zero-a-cem, 11,3 s no hatchback com etanol no tanque em razão da segunda e terceira mais curtas. O aumento de peso é insignificante, apenas 8 kg.
A VW diz que poderá empregar esse câmbio ASG em mais modelos de sua linha.
BS