COLUNA "DE CARRO POR Aí"




End. eletrônico:edita@rnasser.com.br                               Fax: +5561 3225-5511  Coluna 2413  12.junho.2013

Segura peão. Picape Mercedes
A Mercedes-Benz argentina confirmou estudos para desenvolver picape médio, do porte do VW Amarok, Ford Ranger, Mitsubishi Triton, e que-tais. A Coluna comentou isto há um ano e os executivos da Mercedes-Benz do Brasil, maior mercado para o produto, fizeram cara de paisagem. Agora, a empresa no vizinho país confirmou o desenvolvimento.
Os mapas de vendas de utilitário na Argentina são conceitualmente idênticos aos do Brasil, puxadas pelos picapes, e o fator facilitador não se resume ao mercado consumidor destes veículos, nem o fato de a estrela alemã ser o equivalente do tradicional slogan da igualmente alemã Bayer, tipo se é Mercedes, é bom, mas a concretude de ter deslocado a produção do furgão Vito da Espanha, para a Argentina.
Assim, atirou no que viu, o mercado de vans e assemelhados, e acertará no que os olhos europeus não enxergaram – o curioso mercado de picapes, em vendas superior ao de utilitários. Se colocados num gráfico, os picapes brasileiros expõem característica interessante – a aplicação ao trabalho é inversamente proporcional ao preço -, mostram as cidades de economia intensiva em agronegócio, pecuária, produção de cana. Nelas os clientes de picapes, os chamados agroboys, usam-nos como automóveis de luxo e status. Será nestes que a Mercedes mirará. Abaixo, gradação de versões que acabará, até, em chassi pelado para receber carroceria de madeira e fazer serviço de carregar coisas e semoventes.
Produzir o Vito cria disponibilidade do trem mecânico, chassi, eixos, motor diesel. Dúvida e curiosidade. Desconhecido se o produto será um Vito com cabine seccionada, gerando plataforma de carga, ou cabine inteiramente nova. Curiosidade, a família que hoje inclui o Vito era a linha de comerciais da Volkwagen europeia, vendida à Mercedes.
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Gosta de SUV? Olha o Kuga aqui  
Definitivamente, a América do Sul é mercado para ser cuidado, e a Ford resolveu acertar o passo, incluindo nas linhas de produção da parte sul do continente apenas produtos globais – Ranger e Focus na Argentina, Fiesta e EcoSport no Brasil. Assim, atualizou o Focus, lançado há poucos anos, e cumpriu promessa anterior: construir o Kuga, utilitário esportivo, sobre sua plataforma.
Para estar atrativa no Salón del Automóvil de Buenos Aires – próxima semana – pré-apresentou os produtos, surpreendeu a todos com a notícia do Kuga. Conhecido como Escape nos EUA é, em simplório dizer, um EcoSport malhado. Chega ao Brasil final do ano.

Kuga, outro irmão maior do EcoSport
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Roda-a-roda
TakaroVolvo evoluiu o C30, para o hatch V40. Linhas atrativas, eflúvios dos traços do Studio italiano Bertone, motorização 2,0 de cinco cilindros, turbo, 180 cv, caixa automática de 6 marchas, a novidade de almofada de ar para pedestres, e o rótulo de veículo mais seguro do mundo.
Identidade – Problema é a dicotomia entre origem e preço, entre R$ 115 mil e R$ 160 mil. Apesar de ter nascido sueca, num fim de vida triste, ao portal da amargura, foi salva pela chinesa Geely, que levou a produção para a Bélgica.
Preço - Xing-Ling em capital e comando, não deveria ter preço competindo com alemães Audi, BMW e Mercedes, mas andar em faixa inferior, onde trafegam as versões equivalentes JAC e Chery.
O dono – O ramo Agnelli controlador da Fiat aplicou 2,6B de euros para aumentar sua presença no capital e garantir mando. Vendeu a SGS, seu maior investimento fora da produção de automóveis, uma inspecionadora de qualidade, acima de crises. Ao mercado, demonstração de crença nos atuais projetos e resultados.
Novidades – Dia 20 Chery apresenta o novo Tiggo. E Ford o novo Fiesta sedã, início de julho.
Flex – Chegam do México as primeiras unidades do 500 com motor 1,4 MultiAirflex. O cabeçote revolucionário não puniu a potência com o uso de gasálcool, mantendo-a em 105 cv a gasálcool, aumentando 2 cv com álcool, 1 m·kgf em torque, elevado a 14,6.
Global - Coisas da atualidade. Desenvolvimento flex pelo Brasil, passado aos EUA que fazem o motor em Detroit, enviam aos mexicanos para aplicar no carrinho, mandando o produto ao mercado nacional.
Chegando – Fornecedores mercosulinos desenvolvem autopeças para o novo Corolla, a ser lançado no Brasil como modelo 2014. Exibido no Salão de Detroit, janeiro, como Conceito Furia, exibia formas definitivas.
E? – Cresceu em medidas e importância. Mundial, mas atende a duas observações regionais, onde olhado pelos mercados sul-continentais como carros de diretor e, no resto do mundo, de estudante; e o atrevimento dos coreanos, a cada dia mais aperfeiçoados e melhores – e tomando clientes.
Por aqui – Pode ser visto parcialmente através do recente utilitário esportivo RAV4, utilizando mesma plataforma e o partido de melhores materiais. Cresceu 10 cm em entre-eixos, 9 cm no comprimento, diminuiu 1 cm em altura. Motor 1,8, 140 cv e câmbio de sete marchas.

Novo Corolla, 11ª geração
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Mercado – Para criar atrativo maior ao sucesso do Novo Uno, a Fiat agregou direção hidráulica nas versões Way 1,0, Way 1,4 e Economy 1,4. Novidade, sem aumento de preço ao consumidor.
Reposicionamento – Sem mudanças a Nissan agregou equipamentos – apliques, faixas, opção de revestimento em couro, ar digital, ABS, almofadas de ar...ao Livina, carimbando-o como 2014. Preços de R$ 44 mil a R$ 59 mil, e a expressão X-Gear virou versão de topo.
Mais – Motores 1,6 16V Renault, nacional, e 1,8 16V Nissan, mexicano. Câmbio manual de 5 marchas ou automática, antiga, com quatro.
Mico – Vender o Livina, projetado pela chinesa Dongfen para o gosto oriental, tem sido exercício de criatividade – até para esconder sua origem. A – má – definição do produto deu em demissão de diretoria, e os sucessores sofrem para empurrar o carro até sua substituição.
Moda – Ícone é ícone. O Fiat 500 cumpre sua função e continua gerando brincadeiras. Motiva a coleção Carpe Diem, com mais de 40 produtos – rádio retrô, moleskines, álbum de fotos, capa para notebook, caneca, porta-documento, nécessaires, organizador de porta malas, cesta para piquenique, lixeira para carro, puff ...
Negócio - Na Itália, passo maior, a linha 500 Design Collection  inclui geladeira Smeg 500, e sofá, mesa e console. 

Geladeira 500

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Mais uma – Outro fabricante de caminhões promete fábrica no Brasil: a chinesa Foton, assinou com dois distribuidores brasileiros: o economista tucano Luiz Carlos Mendonça de Barros, e o empresário Marcelo Pires Ferreira. E, em adendo, Cummins fornecerá motores e assistência, por sua rede nacional.
E outra – Marca holandesa DAF, hoje da estadunidense Paccar – faz também os Kenworth e Peterbilt – está na frente: instala fábrica de caminhões em Ponta Grossa, PR. Aplica US$ 320M, forma rede, e quer, no segundo semestre deste ano, iniciar vender os caminhões feitos aqui.
Recall – Enquanto a Ford discute como chamar 465 mil Fusion, Explorer, Taurus, Flex, Lincolns MKS, MKT e MKZ aos seus concessionários para trocar o tanque de gasolina em função de vazamento em algumas centenas, o mercado se surpreendeu.
Include me out - Teria dito a Chrysler ao comunicado da NHTSA, órgão de segurança de tráfego nos EUA, determinando o recall de 2,7 milhões de Grand Cherokee e Liberty – aqui Cherokee Sport – para sanar problemas de vazamento do tanque em caso de colisão traseira.
Porquê - Os carros são de 1993-2004 e 2002-2007. Os italianos comandantes decidiram não atender à ordem, achando ser preciosismo, pois a média do problema é de um por milhão.
Mãozinha – VW bisa iniciativa vitoriosa, o FIDC – Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, para financiar seus fornecedores. Ritos simples, taxas menores, versão anterior fez 16 mil operações, à média de R$ 140M/mês. Quer garantir sustentabilidade – viver sem surpresas com fornecedores.
Bosch – Líder no fornecimento de tecnologias e serviços, conduzida por Besaliel Botelho, engenheiro brasileiro, prevê crescer 3% na América Latina. Nela o Brasil representa 82% das receitas, com 23% em exportações. Deve focar o restante do continente com mais largueza.
Sinal – Na relação publicada Coluna passada sobre a escolha por jornalistas, mundo afora, dos melhores motores do mundo, na dezena indicada apenas dois não usam turbo. É o caminho.
Susto - A Fórmula 1 volta a utilizá-lo no próximo ciclo e no Brasil, conta a surpreendida Honeywell, fabricante do implemento até agora voltado aos diesel, prevê fornecimento a médio prazo de meio milhão de unidades para motores de automóveis nacionais.
Refinamento – Aplicando-se a veículos usualmente não disponíveis para locação, a Hertz abriu caminho com o jipe Troller. Segue com o recém-lançado e atraente New Fiesta dito automático. Em todo o país e diária de R$ 232,34 com taxas, proteção a terceiros e km livre.
Volta – Vendida pela controladora alemã, a Karmann-Ghia do Brasil, pioneira em nossa indústria automobilística, está de volta. Tem história na intervenção ou produção de veículos - Karmann-Ghia cupê, conversível e TC; Willys Itamaraty Executivo; VW SP2; Ford Escort XR3 conversível; e montagem dos jipes Land Rover Defender.
Estilo – Reaparece com elegância, promovendo o Concurso Universitário Karmann-Ghia de Design, reunindo 700 alunos concorrendo de como seria, nos dias e aos conceitos de hoje, o mítico automóvel. Júri do ramo, liderado pelo professor e doutor Ari Rocha, autor do Aruanda, criado aqui premiado na Itália, para escolher o melhor finalista. Mais?
Diversão – O Pé na Tábua, mais divertido dos eventos antigomobilistas nacionais, reunião em Franca, SP, para corrida em circuito de 1.400 m ou disputa de insólita anticorrida, a Prova de Marcha-Lenta, já tem data: 14 a 16 de fevereiro de 2014.
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Hora da coragem. O VW SP2
História do sucesso da indústria automobilística brasileira é feita por rasgos de coragem, otimismo irrefreável, teimosia e, até, desobediências. Desta, talvez a primeira, tenha sido por parte de Rudolf Leiding, então nº. 1 da Volkswagen do Brasil. Razões desconhecidas, Herr Leiding, num dia do primeiro semestre de 1968, encomendou um esportivo ao engenheiro Senor Schiemann, responsável de produto na VW do Brasil. Não estava no planejamento de produto, nem nas regras de filial de fabricante, com liberdade restrita a pequenas mudanças nos produtos definidos pelas matrizes. E Leiding havia recém chegado para substituir Fritz Schultz-Wenk, responsável pela vinda da VW para o Brasil e subitamente desaparecido.
Mas pediu criar esportivo, sem a redução do comprimento do chassi feita pela Puma e fábricas de buggies. Schiemann, ativo porém pouco lembrado, traçou os parâmetros, incluindo a semelhança frontal com Variant e Brasília, criados na gestão Leiding. Linhas, desenhos, design, sob os lápis de Márcio Piancastelli e José Vicente Novita Martins, o Jota. O pedido insólito, inimaginável foi recebido com extrema alegria, virando protótipo do Projeto X, moldado à mão, e dividindo atenções com o futurista – e nunca viabilizado – Mercedes C 111 na Feira Brasil-Alemanha, São Paulo, 1970.
Virou produto em 1972, durou até 1976, com produção de 10.207 unidades.
Foi feito como SP – iniciais de São Paulo – 1 e 2. O primeiro, mais simples, motor 1,6 boxer, 65 cv brutos, deixou a produção após poucas dezenas produzidas. O SP2, refinado, detalhes interiores em madeira, era um 1,7 e 75 cv de potência, também brutos.
Leiding, logo transferido para a presidência mundial da VW, levou uma das unidades para lá. A revista americana Car and Driver nominou-o o “Volkswagen mais bonito já feito” e sugeriu à marca produzi-lo em outros países.

Criatura SP2 e Leiding, o mandão desobediente

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6 comentários :

  1. Cheio de preconceito as três notas referentes aos veículos da Volvo. Não é pelo fato do capital controlador ser chinês que indica que o produto seja de baixa qualidade, inferior aos produtos alemães.

    Os veículos são feitos na Europa e tem muitas qualidades, entre elas aquelas em geral desprezadas pelo brasileiro que é a segurança ativa e passiva.

    Se a Volvo não decola no Brasil é por causa dos preconceitos ridículos dos brasileiros e em parte a ação das concessionárias.

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    1. Não vi preconceito em relação a Volvo por ser chinesa, um pouquinho talvez por ser sueca, visto que o colunista argumenta, com certa dose de razão, que é uma marca oriunda de um país satélite, como a Suécia. A Volvo, e até a Hyundai, não deveria tentar se passar, e cobrar, como uma Audi, uma Mercedes ou uma BMW.

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  2. Está equivocada a informação de que o Livina foi projetado pela Dongfeng. Foi projetado integralmente pela Nissan Technical Center no Japão, ficando a cargo da Dongfeng apenas a produção.

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    1. Vale lembrar que o Livina nada mais é do que um Nissan Note de primeira geração com outras estamparias da coluna B para trás e outra frente, tudo isso complementado por um interior mais simples. Logo, quando fizeram o projeto do primeiro Note, tudo indica que também estavam pensando em uma versão terceiro-mundista.

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    2. Produzir o Vito cria disponibilidade do trem mecânico, chassi, eixos, motor diesel. Dúvida e curiosidade. Desconhecido se o produto será um Vito com cabine seccionada, gerando plataforma de carga, ou cabine inteiramente nova. Curiosidade, a família que hoje inclui o Vito era a linha de comerciais da Volkwagen europeia, vendida à Mercedes.

      Roberto Nasser disse bobagem aqui. A linha V da Mercedes(Vito/Viano) em sua primeira geração usava o mesmo chassi e motores da VW T4 (herdeira direta da Kombi que conhecemos). O predecessor da linha V era a linha MB100 espanhola, que aqui conhecemos na versão 180D e que é herdeira direta da DKW Schnellaster (basicamente usando o mesmo chassi e trocando o motor de dois tempos a gasolina por um a diesel de pequeno porte da Mercedes, com subsequente troca de logotipos para os da marca alemã). Foi a partir da segunda geração do Vito/Viano (essa que está sendo substituída para breve pela feita na Argentina) que o trem de força passou a ser integralmente Mercedes, assim como a filosofia construtiva (passou a ter motor dianteiro longitudinal com transmissão localizada na frente, tração traseira por cardã e suspensão independente, como os carros de passeio da marca que não sejam A e B).

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  3. Em relação a uma possível pick-up média da Mercedes, algo que seria interessante nela é se tentar conciliar todo o trem de força da Classe V em um chassi específico. Com isso, daria para ter mais modularidade para os usos de uma pick-up, mas mantendo coisas boas desse veículo, como a suspensão traseira independente. De motores não há muitos problemas, pois as unidades da Sprinter já ajudam um bocado e também são usadas pela atual geração da Classe V.
    Suspensão traseira independente seria um bom destaque para uma pick-up da Mercedes, em que pese a parte de utilitários da marca de Stuttgart não ser vista com o mesmo status que a parte de carros de passeio. Já em relação ao diesel, é a oportunidade de a Mercedes entrar em um mercado em que ela é ausente com os dois pés na porta, caso consigam um bom grau de refinamento.

    Quem sabe essa pick-up hipotética consiga também mercado nos Estados Unidos, onde já é fabricada a Sprinter, em que pese o segmento das médias (lá chamadas de compactas) não mais ter a mesma força de outrora. Alguns detalhes ainda precisam ser vistos, pois a atual geração da Classe V tem transmissão automática de cinco marchas, enquanto já a concorrência já tem oito marchas e a Mercedes tem disponível a 7G-TRONIC.

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