COMMON RAIL

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O termo é cada vez mais usado mas nem sempre o leitor sabe do que se trata, como tantos outros termos do automóvel.
Hoje eu e a família fomos à casa da minha cunhada almoçar e lá vi um velho fogão industrial que o marido comprou e pôs em uso. E o que vi no fogão? Um common rail! É o longo tubo que atravessa o fogão de um lado a outro na parte frontal e de onde saem quatro tubos de gás em direção aos queimadores.
No "Dicionário do Carro" de Quatro Rodas, de minha autoria, o verbete Common rail remete para tubo distribuidor, termo que escolhi para traduzir o original.
Mas além de tubo distribuidor pode-se dizer galeria única, tubo comum, enfim, como em todo termo técnico vale o bom senso e o sentido correto da palavra.
O princípio é muito simples. Pensando no fogão da foto, a bomba manda combustível para o tubo distribuidor sob pressão de  3 bars. Uma saída na outra extremidade  leva combustível para o tanque, que fica em circulação permanente (já há circulação em circuito menor, para não aquecer o combustível no tanque e eliminar a longa mangueira de retorno).
O tubo distribuidor chegou com as injeções multiponto do final dos anos 1980. Do tubo saem pequenos tubos para as válvulas de injeção, popularmente chamados de injetores. O gerenciameno de injeção envia o sinal elétrico no momento certo para as válvulas de injeção abrirem. As válvulas podem injetar tanto no trato de admissão, antes da válvula, quanto na câmara de combustão, neste caso tratando-se de injeção direta. Nesta a pressão na válvula de injeção precisa ser bem mais alta,  no mínimo 120 bars.
A Fiat italiana teve a grande e feliz ideia de aproveitar o esquema do tudo distribuidor para alimentar motores ciclo Diesel, que funciona exatamente da mesma maneira, só que a pressão necessária é pelo menos dez vezes maior que nos motores ciclo Otto, chegando a no mínimo 1.200 bars. Patenteou o sistema em 1997 porém precisou fazer caixa e vendeu a patente para a Bosch. Pronto, foi o que bastou para dar novo impulso aos motores Diesel, que por isso passaram a ser chamados de "eletrônicos".
E antes que o leitor estranhe no fogão as quatro saídas para três queimadores, é que o primeiro, à esquerda, é duplo, tem um anel interno e outro externo, comandados individualmente...
BS
(Atualizado em 5.07.10 às 9h20)

34 comentários :

  1. Já tinha notado isso e comentei com meu chefe na hora do almoço "Oolha só, um Commom Rail no refeitório".
    Jurava que isso era invenção da Mercedes-Benz.

    Off topic: minha mãe que fala que quer um fogão industrial.

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  2. Bob,

    Excetuando-se o fato de que toda injeção common-rail é eletrônica, quais são as vantagens da common-rail sobre as injeções anteriores?

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  3. Bob,

    Há algum tempo vi um motor diesel com "common rail" pensei comigo mesmo: esse negócio é a injeção eletrônica no diesel.

    Não sabia que precisa de 120 bar para trabalhar. A injeção de gasolina trabalha em média com 3 à 6 bar.

    Como são simples as coisas não, um sistema de gás explica tudo. E parece ser uma revolução na tecnologia...

    Um abraço,

    Rafael Aun

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  4. Bussoranga,
    As vantagens são simplicidade e sobretudo controle absoluto da injeção, resultando em mais potência com menos emissões.

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  5. bob,alem de genio e didatico!

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  6. Não entendo muito de injeção, mas acho que chamam isso de "flauta".

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  7. Muito bom e como o colega disse; didático.Nossos almoços aqui na Granja tem sido realmente inspiradores...
    Abraço

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  8. Roberto Zullino,
    Conheço por flauta também, mas o instrumento musical não para passagem de líquido, por isso não gosto de usar o termo.

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  9. Francisco V.G.05/07/10 14:32

    Esse queimador duplo dá bem para se cozinhar uma paella.

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  10. Autoentusiasta é assim...olha para um fogão e vê um carro, rsrsrsrs

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  11. Marcelo Augusto05/07/10 15:27

    Eu li ou vi em um programa que este esquema de duto único foi descoberto ou inventado pela divisão de diesel para caminhões da GM. Pode ser confusão da minha cabeça.

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  12. Falando em common rail e Bosch... Bob, há algum post sobre o sistema E-Flex aqui no AE? Eu tenho um Polo E-Flex e curti muito o sistema. Gostaria de saber a opinião de vcs.

    Abs

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  13. Aun,
    Pois é, quando vi o fogão fiquei surpreso e na hora pensei no common rail.

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  14. Ary,
    Obrigado, mas não é nada disso, apenas interesse e dedicação.

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  15. Reynaldo
    Você disse uma coisa certa. Há mais 40 anos estávamos com a equipe Vemag numa concessionária no Rio, véspera de corrida, à noite, e na rua passava uma caminhonete jogando inseticida no ar, por meio de um motor que parecia um pulsador, um barulho infernal. De repente o motor parou, como que travando, e todos nos entreolhamos pensando a mesma coisa: engrimpou! Como um motor DKW de competição engrimpando! Foi um gargalhada só!

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  16. Marcelo Augusto,
    Foi Fiat, acredite.

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  17. Fabio,
    Polo no AE, só o Blue Motion. O E-Flex é um avanço, mas nunca o solicitei por se resumir à partida a frio sem gasolina. Os Polos, qualquer versão, estão num nível excelente.

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  18. Bob, algo que achei interessante no E-Flex foi a partida comandada eletronicamente, como se fosse um botão, o motorista não interfere no tempo de atuação do motor de partida, por isso é necessário pisar na embreagem para ligar o carro, algo mais comum nos importados. Até hoje só falhou uma vez, mas no caso eu esqueci de esperar os poucos segundos necessários para aquecer a "régua", tempo sinalizado por uma luz que se apaga no painel.
    Abs

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  19. Fábio,

    Eu ainda não pude conhecer este sistema de E-Flex, mas já ouvi comentários negativos.

    Esse botão de partida aqui no Rio Grande do Sul parece que não funciona muito bem em períodos de inverno como agora.

    Por aqui é aconselhável misturar de 10% á 20% de gasolina ou o famoso sistema de partida a frio.

    Um abraço,

    Rafael Aun

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  20. Fabio,
    Exato, isso é de fato muito interessante e conveniente. Vivenciei isso durante alguns dias na Mégane Grand Tour Extreme, basta um toque no botão. Você fez bem em escolher essa versão do Polo. Reservatório de gasolina, bomba, tubulação etc. é coisa do passado.

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  21. Bob,

    Espero que você tenha razão.

    Eu sou um grande adepto do Álcool.

    Já conversamos muito sobre matriz energética e conversões flex. Eu andei praticamente minha vida toda com este tipo de combustível.

    Acho que botãozinho automático sem gasolina meio arriscado. Mesmo que "fervendo" o álcool na "règua".

    Estou falando sem conhecer. Tomara que tenha razão.

    Um abraço,

    Rafael Aun

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  22. http://www2.uol.com.br/bestcars/testes3/polo-eflex.htm

    Se utilizar o carro conforme instruções do manual, ou seja, aguardar a luz do painel apagar antes de virar a chave (máx. de 12 seg.), não vejo motivo para não pegar.
    Ahh... talvez eu tenha gerado uma confusão, este carro não tem botão, a partida é na chave, mencionei o botão porque o funcionamento deve ser similar.

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  23. Que legal Fábio.

    Obrigado pela matéria.

    Só uma coisa que me chamou a atenção e talvez eu possa estar errado. Lá diz que um modelo foi colocado em uma câmara fria a temperatura de 2º mas não diz a quanto tempo o motor ficou sem funcionamento. Achei suspeito.

    Digo isso porque em algumas madrugadas exite a geada, que cria uma película de gelo em tudo que estiver exposto e a temperatura do motor chega a ficar muito, muito baixa em contato com este ambiente.

    O pessoal da Bosch devem ter pensado nisso, com certeza.

    Comento isso por que ouvi de um colega que fez um teste drive em um destes modelos sem chave, ficar resabiado porque o sistema falhou. O vendedor disse a ele que já havia acontecido outras vezes.

    Sei lá, eu não vi e não sei dizer. Só sei que aqui o frio é bastante complicado para motores a álcool sem no mínimo 10% de gasolina ou partida a frio.

    Tomara que deste dispositivo veha a idéia de constantemente vaporizar o álcool e melhorar tanto o desempenho quanto o consumo. Vi uns ensaios de um projeto destes e os resultados são animadores.

    Um abraço,

    Rafael Aun

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  24. Entendi seu ponto Aun, aliás na única vez que falhou, apesar de estar em SP, foi uma noite de muito frio e o carro "dormiu na rua", mas eu não segui a recomendação de aguardar a luz se apagar.

    Nesta matéria de quando o carro foi apresentado diz que o sistema funciona em até -5ºC.

    http://www2.uol.com.br/interpressmotor/noticias/item26983.shl

    Abs

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  25. Fabio,

    Obrigado novamente. Acho que só me convenço vendo.

    Só para constar. Meu veículo possui um mostrador de temperatura externa. O sensor fica próximo ao motor e rente ao solo.

    Na dentro garagem já acusou 5º pela manhã e fora dela 3º. Ainda não foi a noite mais fria.

    Um abraço,

    Rafael aun

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  26. Ahhh... Não tenho dúvidas que dependendo do local (aí no RS) é capaz de baixar além dos -5º... Mas são poucos dias no ano, não? Para estes dias o negócio é colocar uns 20 "conto" de gasolina e já era... Aqui em SP, acho que o carro nem precisa saber o cheiro da "gasosa", vai que ele fica mal acostumado né... rs*
    Abs

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  27. É verdade Fábio, são poucos dias.

    Mas mesmo quando morava em São Paulo percebia uma certa vantagem em misturar um pouco de gasolina no álcool, principalmente no "anda e para".

    Um abraço,

    Rafael Aun

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  28. Nico acima da lei07/07/10 11:47

    Vão ficar as duas marias trovando fiado agora?

    Isso aqui não é salão de cabeleireiro.

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  29. Nico acima da lei07/07/10 12:50

    Vai tu, cara de lua cheia.

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  30. Nico acima da lei07/07/10 12:51

    Vai tu, cara de lua cheia.

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  31. kkkKKKkkk...

    Aun, realmente a resposta com gasolina é diferente... Os carros flex mais novos estão melhores neste sentido, digo quando abastecidos com álcool, pois tiveram a taxa de compressão aumentada em sua maioria.
    Comparação esta que fica nítida nos carros que tenho em casa, ambos 1.6 flex, porém um é 2005 e o outro 2010.

    Abs

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