NOVOS MOTORES NO PEDAÇO

Foto: Divulgação FPT


Esta é fábrica de motores da FPT Powertrain Technologies que a Fiat comprou da Tritec Motors em março de 2008 e incorporou-a à divisão que lhe produz motores e transmissões e também para clientes não Fiat. A fábrica fica em Campo Largo, região da Grande Curitiba e são 50.000 m² de área construída num enorme terreno de 1,3 milhão de metros quadrados.

Que motores sairão de lá? Os Tritec 1,6-litro, que durante seis anos, de  2001 a 2006, propulsionaram os MINI de aspiração normal e comprimidos e por um período menor os Dodge Neon. e  PT Cruiser. Mas haverá também motores de 1,8 litro. Soa confuso?

É que em 1998 a Chrysler e a BMW formaram uma sociedade para fabricar motores, a Tritec Motors, no Paraná, motores esses projetados pela Chrysler. Só que um ano depois a Daimler-Benz (fabricante dos veículos de marca Mercedes-Benz, Smart, Maybach e Freightliner) absorveu a Chrysler e passou a se chamar DaimlerChrysler AG (AG é sigla de Aktiengesellschaft,  sociedade anônima em alemão).

Briguentos como só eles sabem ser, os alemães da fábrica bávara, no sul da Alemanha, em Munique, não admitiram ser sócios de uma fábrica do norte, de Stuttgart, arquiinimiga, e saíram do negócio, vendendo a sua parte. A DaimlerChrylser continuou com  a Tritec Motors até 2007, quando tudo o que era Chrysler na DaimlerChrysler foi vendido para o grupo americano financeiro Cerberus Capital Management e a DaimlerChrysler passou a  ser Daimler AG apenas (e teve que pagar por isso, pois Daimler é uma marca da Jaguar).

A Chrysler Corporation passou a Chrysler LLC (limited liability company, a nossa sociedade de responsabilidade limitada, simplesmente Ltda.).

Nesse ínterim, a BMW obviamente deixou de comprar os motores Tritec, passando a  usar um da  própria marca porém produzido pela Peugeot. Com isso a Tritec Motors encerrou atividades, ficando às moscas. Até cogitaram vendê-la inteira para os chineses, mas o negócio não foi adiante.

Em março de 2008, como vimos, há pouco mais de dois anos, a Fiat  acabou comprando a Tritec Motors de olho nas instalações e no motor existente, para reforçar seu arsenal, já que o 1,8 que usava era  o 1,8  bloco-pequeno comprado da General Motors.

Deu baixa na empresa Tritec Motors e estendeu a matriz de Betim a Campo Largo como filial, mas da FPT. Só que esta não é empresa constituída, filial do Grupo Fiat no Brasil, mas uma divisão da Fiat Automóveis S.A. Não é como na Itália, uma empresa do Grupo Fiat. Acabou? Não.

Em março de 2009 o Grupo Fiat adquiriu 20% Chrysler LLC, com opção de mais 15%. Quis o destino que a Fiat acabasse ficando com uma unidade produtora de motores que era metade de Chrysler. Um final que nem a mais potente bola de cristal poderia prever.

Novos motores
O fato é que agora a Fiat conta com dois novos motores, um 1,6 e um 1,8 (foto), a diferença de cilindrada ficando por conta do diâmetro dos cilindros, de 77 e 80,5 mm, respectivamente, com o mesmo curso de 85,8 mm que resultam em 1.598 e 1.747 cm³. Informa a Fiat que 70% dos motores compreende itens  novos, desenvolvidos pela FPT, e que estão aptos para receber turbocompressor e controle da válvula de admissão MultiAir, igual ao sistema introduzido no Alfa Romeo MiTo 1.4 MultiAir, lançado no último Salão de Frankfurt.

A Fiat não informa em que modelos os novos motores serão utilizados, mas muito provavelmente envolve o Punto e Linea. A inauguração oficial da fábrica será nesta quarta-feira 30/6 e certamente isso será esclarecido.

Os motores são monocomando acionado a corrente de 16 válvulas com compensação hidráulica, berço de virabrequim, bloco de ferro fundido e cabeçote de alumínio. Os pistões são assimétricos e de anéis finos (1,2, 1,2 e 2,41 mm).

Os motores flex são chamados de E.torQ e são realmente torcudos, a julgar pelas especificações. O 1,6, 117/115 cv etanol/gasolina a 5.500 rpm, com 16,8/16,2 m·kgf etanol/gasolina a 4.500 rpm. Segundo a FPT, é o 1,6 flex mais potente do mercado e o torque é o maior na cilindrada.

O 1,8, 132/130 cv etanol/gasolina a 5.250 rpm, 18,9/18,4 m·kgf etanol/gasolina a 4.500 rpm., o maior torque de todos os 1,8 comercializados no Brasil. Nos dois casos, 80% do torque máximo é disponível a 1.500 rpm e 93% a 2.500 rpm, o que indica curva de torque bastante plana.

As taxas de compressão é que se mostram aquém do que se espera em dias de gasolina de boa octanagem e etanol: 10,5:1 no 1,6 e 11,2, no 1,8-litro.

Serão produzidas também versões para gasolina sem etanol (E0) e uma de emissões superultrabaixas (Sulev), certamente para o mercado americano.

A capacidade de produção é de 330 mil motores/ano e está prevista para atingir 400 mil em 2012. O investimento, inclusive em 25 novas máqiuinas operatrizes de alta velocidade, foi de R$ 250 milhões. Atualmente são 350 empregados, número que chegará a 500 em breve, fora a geração de 1.500 empregos indiretos. De 2000 a 2007 foram fabricados 1 milhão de motores Tritec.

Vou estar na inauguração da fábrica amanhã e terei muito mais para contar.

BS
(Atualizado em 3/07/10 às 17h58)

17 comentários :

  1. Pedro Bergamaschi29/06/10 19:00

    Eu ouvi um boato, faz algum meses, que esse motor Tritech teria três cilindros. Não sei quanto à veracidade disso, eu pessoamente achei bem estranho pra ser verdade. Podem ter acahado isso, por que a FIAT, tem motores Fivetech de cinco cilindros, logo os tritech...

    ResponderExcluir
  2. Boa informação Bob. Obrigado pelo post.

    Apenas um pequeno detalhe que Stuttgart não fica ao norte da Alemanha, fica ao sul. Stuttgart ao sudoeste e Munique ao sudeste.

    Vamos ver se haverá um downsizing eficiente nos motores brasileiros, pois o mercado nacional carece de maior eficiência/economia, sobretudo os flex.

    ResponderExcluir
  3. Boas as primeiras informações Bob! Bem, amanhã você estará em Curitiba e avaliará os carros com esses motores, o que certamente nos renderá valiosas e precisas impressões! Atente-se ao fato se os novos motores têm as características típicas italianas, ou seja, o ronco "instigante" e a facilidade em girar livre.Abraços

    ResponderExcluir
  4. Fantástico, finalmente um grande lançamento (e esperado) para a indústria nacional, além da emancipação da FIAT dos motores GM F1, tardia inclusive.

    Corrente impulsionando um comando de válvulas leve, motores relativamente baratos e simples de manter (para nosso padrão de mecânico independente é ótimo, evita deles fazerem besteira), bom torque em baixas rpms (característica tão adorada pelo nosso povo), tem tudo para dar muito certo.

    ResponderExcluir
  5. Realmente é impressionante um motor 1.6 desenvolver mais de 13 mkgf a míseras 1500 rpm. Vamos torcer para que façam um trabalho decente de calibração do acelerador eletrônico, ao contrário do que fizeram com o 1.8 GM.

    Abraço

    Lucas

    ResponderExcluir
  6. Pena que não falaram nada em retomar a produção das versões turbo que equipavam os minis.

    ResponderExcluir
  7. A BMW fi que passou a ter controle da tritec não? Inclusive os motores eram usados pela Mini, que é marca da BMW e não pela Dodge, que na época era DC.

    ResponderExcluir
  8. Já imagino Linea 1.8 tritec... Ah! Tenho que acostumar a falar E.TorQ.

    ResponderExcluir
  9. Moro a 1500 m da Tritec, já visitei-a em 2004, muito moderna e ambientalmente correta. Na época produziam o 1.6 aspirado com 100 cv, e o com compressor com 160 cv (não sei que tipo de compressor, se Roots, G60, ou outro tipo).

    Gostaria imensamente de conhecer o Bob Sharp, que conheço pelas revistas desde 1980.

    Preciso descolar um convite com o meu chefe, hehe

    Abraços a todos

    Gustavo, Campo Largo/PR

    ResponderExcluir
  10. Já vazou na net, há um bom tempo, um catálogo com várias informações sobre estes motores...

    http://pitstopbrasil.wordpress.com/2010/03/21/catalogo-fiat-novo-uno-em-versoes-vivace-1-0-attractive-1-4-e-way-1-0-e-1-4/

    Depois das informações sobre o Novo Uno, começam as informações sobre os e-torq 1,6 e "1,8", que na verdade é 1,7, assim como o 1,9 do Linea é um 1,8...

    Eu, particularmente, esperava que eles já viessem com comando de vávulas variável e coletor de admissão variável. Acredito que teriam desempenho e consumo ainda melhores. Mas, eu acredito que depois do motor Fivetech, execrado pelos "mexânicos" de plantão, ela quis fazer algo o mais simples possível de se manter e reparar, para não ter os mesmos problemas que teve com o excelente 5 cilindros.

    ResponderExcluir
  11. Num passado recente a GM e a Fiat numa união que já foi desfeita produziram motores em São José dos Campos numa unidade denominada de Powertrain, no lançamento do novo Uno o motor especificado também é o motor Evo produzido na Powertrain não é isso?

    ResponderExcluir
  12. marciosonnewend,
    A empresa em São José dos Campos se chamava Fiat-GM Powertrain e durou de 2000 a 2005. O motor do novo Uno é o Fire EVO 1-L e 1,4-L produzido em Betim numa unidade da FPT.

    ResponderExcluir
  13. Gustavo,
    Qualquer dia nos conhecemos.
    Estou na fãbrica FPT em Campo Largo agora.
    O compressor era tipo Roots;

    ResponderExcluir
  14. Motores de curso longo, com muito torque em baixa e pouca disposição para as altas rotações. Exatamente o contrário daquilo que dá prazer em dirigir um automóvel italiano.

    ResponderExcluir
  15. É Paulo, não deve lembrar em nada o picante 1.6 16v sevel usado no palio, com som e característica tipicamente italianos.
    Mas deve ser bem bom de dirigir no dia a dia, mais estilo alemão. Aguardando anciosamente o próximo post do Bob!

    ResponderExcluir
  16. Com torque máximo em 4500 com 80% aos 1500 e 93% aos 2500, vai ficar uma delíííícia!!! não me importo que não seja tão elástico... o motor promete, heim!
    Interessante, 16v monocomando, fiquei bastante curioso em testar o carro, Bob estamos na expectativa, heim... hehehe
    O Punto acabou de entrar na briga, na minha opinião... entre um Focus 1.6 e um Punto, acho que eu iria de Punto.

    Pedro, tem cada "cidadão", que parece estar de plantão para falar M----! Ouvi dizer que o cabeçote seria de ferro fundido. Alguém aqui saberia dizer se nos Minis era assim?
    E tb se tinha comando e coletor variáveis??? e foi capado, como no sigma! Acho que não (chutando).

    Abs

    ResponderExcluir
  17. Qual será a relação da fábrica da Tritec com a fábrica das Dodge Dakota em Campo Largo, ou seja, na mesma cidade, e fundada no mesmo ano, 1998?

    ResponderExcluir

Pedimos desculpas mas os comentários deste site estão desativados.
Por favor consulte www.autoentusiastas.com.br ou clique na aba contato da barra superior deste site.
Atenciosamente, Autoentusiastas.

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.