SETE LUGARES PARA FAMÍLIAS, COM ESTILO


Hoje em dia estão voltando a moda peruas com uma terceira fileira de bancos, normalmente rebatível, lá no porta-malas. Na Europa este tipo de carro sempre esteve na moda, e aqui temos o Chevrolet Zafira e o Nissan Grand Livina, por exemplo. É também comum por aqui em carros importados como os Pajeros e similares.
Mas sem dúvida nenhuma a maneira mais sensacional de carregar uma família de sete pessoas ainda permanece sendo o carro que vocês podem ver nas fotos abaixo, tiradas pelo Juvenal Jorge em Lindoia este ano. Um belíssimo Packard seven-seat Tourer.
Esta coisa maravilhosamente bela e elegante deixou a fábrica de East Grand Boulevard em Detroit ao redor de 1930 equipado com um oito em linha de válvulas laterais, capaz de impulsioná-lo até honestos 160 km/h. Agora imaginem o que não deveria ser levar um leviatã desses, que hoje quase se enquadra na categoria de caminhão, a estas velocidades. Imaginem o vento nos sete ocupantes, todos sem cinto. Imagine, se você puder, pneus diagonais e freios a tambor, que apesar de ótimos para a época, hoje seriam considerados ridiculamente inadequados para tais velocidades. Agora imagine que, com a ajuda de uma boa descida, esses 160 podem facilmente se transformar em quase 200 km/h...
OK, para que isso pudesse ser feito num tourer desses, o teto devia ficar baixado, o para-brisas rebatido para frente e travado, e toda a família abaixadinha para se proteger do vento... Muito improvável, mas de qualquer forma, com certeza as pessoas eram mais corajosas nos anos 20/30. E eles realmente sabiam viver com estilo e graça. Sem falar que um Packard desses é de uma sofisticação mecânica incrível, todo projetado para que o rodar seja algo suave e tranquilo. Motor liso, com torque para andar a vida toda em segunda marcha, conforto de suspensão impecável. Garanto que seria uma experiência memorável mesmo hoje, 80 anos depois de sua fase áurea.
Mas é claro que hoje vivemos melhor; um Packard como este era coisa de milionário, e hoje grande parte da população pode comprar carros até mais confortáveis e rápidos que ele, apesar deste conforto vir mais da proteção dos elementos e dos sistemas de ventilação e ar condicionado do que da sofisticação e suavidade mecânica.
Mas eu não posso deixar de suspirar profundamente ao ver um carro desses. O Paulo Keller que me desculpe, mas Maserati nenhum consegue ser mais belo que este Packard! Vejam como as proporções são perfeitas, fazendo o comprido capô parecer não tão comprido assim, e como o longo habitáculo não parece maior, de longe, que o de um Ford modelo A, por exemplo. Os conjuntos roda-pneu também estão no diâmetro perfeito para o carro, o conjunto todo parecendo uma lição de design rolante. Um carro simplesmente enorme, um brutamontes de oito cilindros em linha, com pneus de medidas apropriadas apenas para caminhões hoje, que apesar disso nos parece algo delicado, leve, suave ao olhar. Isso é que eu chamo de desenho bem feito.
Sempre achei que proporções corretas são de longe o mais importante no desenho de um carro. Mas a execução cuidadosa vem em segundo lugar, e o Packard também é incrível nisso: Rodas tipo disco de aço pintadas da cor do carro, e com linhas pintadas a mão também combinando, teto esticadinho e de desenho perfeito, faróis, grade do radiador e capô perfeitamente coesos. Simplesmente uma festa para os olhos, elegante, bem feito, uma máquina tão bela e eficiente a seu tempo que ainda hoje faz marmanjos suspirarem. Dá vontade de alisá-lo suavemente uma tarde inteira.
De longe, o carro que mais me impressionou em Lindoia este ano...
MAO

9 comentários :

  1. Concordo que o carro é maravilhoso. Mas essa combinação de cores e esses pneus faixa branca... sei, não.

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  2. Bom dia MAO!!! Veja tambem umas fotos do Isotta Fraschini. O desenho destes veículos acho tão, senão mais bonitos que os Pakard. Mais refinamento e suavidade nas transições com imponência de um carro para (muito)poucos.
    Romildo

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  3. Mister Fórmula Finesse17/05/10 08:34

    Realmente algo muito bonito e refinado, de acordo com o gosto do seu público seleto. Um carro cheio de superlativos e que acredito que fica bem mais gracioso sem a capota.

    Deveria ser uma dura - mas bem renumerada - missão proteger os condutores da época contra os humores do tempo e principalmente em relação a qualidade das estradas na época. Tudo parecia mais tranquilo e mais poético, mas essa década dourada em termos de indústria de carros, logo sofreria grandes transformações sociais que afetariam até os mais ricos.

    Fico feliz que existe uma "afinidade funcional" entre esse belo Packard e o carro que abre o post, pois sou proprietário de um.

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  4. Simplesmente fantástico!

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  5. Discordo, as pessoas não eram mais corajosas nos anos 20/30, elas não tinham opção. Se morria muito mais naquela época e muito mais cedo do que hoje.
    Vá fazer um tratamento dentário à moda dos anos 20/30...

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  6. Alguém falou antes de mim, mas é verdade: Já que se vai morrer cedo mesmo, melhor que seja em grande estilo!
    MH

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  7. MAO
    Como tu diz, ele tem potência pra morrer gloriosamente envolto numa enorme bola de fogo.

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  8. Marco Antônio meu filho, legal ver seu texto ornando minhas fotos. Obrigado.

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  9. Leandro Silveira20/05/10 08:53

    q rodas!!!!!

    uaaaaau!!!!

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