CLÁSSICO OU HISTÓRICO? É NECESSÁRIO CATEGORIZAR?

Chrysler Airflow: fluxo de ar, o nome diz tudo sobre a prioridade do modelo, em 1934, quando ninguém pensava nisso.

Citroën DS, o máximo de inovação em 1955.

Convair B-36 Peacemaker. Dez motores e complexidade inimaginável.

Concorde, a mais bela máquina voadora.

Honda NS 500. Campeã do mundo sem sofrer nenhuma ameaça.
Yamaha V-Max. Impossível não notá-la ou escutá-la.

Cada vez que o assunto é carros antigos, escutamos o termo "clássico".
Sempre que alguém tenta vender um carro antigo, gosta de pensar que está oferecendo um clássico. Afinal, esse termo valoriza o produto.
Considerado chique, o designador foi adicionado ao Monza topo de linha, o bicolorido Monza Classic, que foi objeto de desejo de muitos. Vários anos depois de seu desaparecimento, o Corsa antigo foi rebatizado de Chevrolet Classic, já que o Corsa mais novo herdou o nome. Então, o "Classic", passou de um carro-médio topo de linha, para um básico, e isso na mesma empresa. Que diferença alguns anos fazem! Coisas do estranho mercado brasileiro. Visto o sucesso do pequeno sedã da GM, o nome deve trazer uma sorte grande. Ou seria o nome aceitável porque o carro tem reais qualidades? Bom, isso é assunto para outros textos, não para este.
Mas o que é um clássico, ou, porque muitos carros com características diferenciadas podem ou não ser considerados clássicos?
Na verdade, a Fiva, Federação Internacional de Veículos Antigos (http://www.fiva.org/), explica bem detalhadamente o que é um veículo histórico, mas não se debruça sobre a designação "clássico".
O veículo histórico deve atender às seguintes prerrogativas:
- no mínimo 30 anos de idade;
- preservado e mantido em condição correta;
- não utilizado como veículo de transporte diário;
- fazer parte da herança cultural e técnica.
Como se percebe, é fácil interpretar de diversas maneiras. O que seria uso diário? Se eu fosse trabalhar durante um mês inteiro com um Bugatti Royale, ele deixaria de ser um clássico?
Definições são criadas por pessoas, e pessoas são diferentes entre si. Muitas vezes de forma radical.
Para tentar entender o que é um clássico, podemos imaginar algumas características que os diferenciem da maioria dos carros:
- quantidade de unidades produzidas;
- preço;
- desenho elaborado por estilistas renomados;
- exclusividade de acabamentos internos e externos, como cores e materiais;
- marca desaparecida ou rara;
- desenho diferente dos concorrentes, fora do lugar-comum;
- histórico atribulado de desenvolvimento e/ou de sobrevivência.
Mesmo considerando vários quesitos práticos, há carros que são muito caros e não são clássicos, ou foram produzidos em pequena quantidade e também não o são. Um exemplo típico são as réplicas, ou carros "fora de série", melhor explicados como sendo de pequena produção, feitos em pequenas fábricas. Comuns no Reino Unido, já o foram aqui no Brasil também, e hoje são poucos. Seriam as réplicas e os carros de pequeno número produzido clássicos ainda não reconhecidos?
Mas tudo isso é algo definido pelos homens, e alguns carros vão além de categorias que se definidas tecnicamente.
Existem automóveis e outros tipos de veículos que parecem ter vida própria, tendo sido trazidos ao mundo em forma de projeto, apenas por necessidade de manufatura. Seriam como uma entidade imaterial mecânica que um dia se apresentou na mente de algum abençoado, que se pôs a trabalhar para convertê-la em matéria.
Alguns que me parecem ser dessa espécie são o Citroën DS, o Corvette Stingray 1963, o Batmobile de George Barris (da série de TV da década de 60), o Mini de Issigonis, o Ford T, o Fusca. Além desses óbvios e que todos conhecem, outros menos populares, como os grandes carros da década de 30, Packard, Duesenberg, Delahaye, Pierce-Arrow, Chrysler Airflow.
Fora do mundo dos carros, algumas motos, como a Yamaha V-Max de 1987, a Honda CBX 1000 de seis cilindros, a NS 500 de Freddie Spencer em 1983. E óbvio, aviões como o Concorde, o P-51 Mustang, Supermarine Spitfire, Convair B-36, Boeing B-52.
Boeing B-52 Stratofortress, mais de 20 mil km de autonomia. Com reabastecimento aéreo, o limite era apenas o cansaço da tripulação.
Estes são apenas alguns exemplos. Todos eles, veículos com características excepcionais, mesmo que seja apenas a mais subjetiva e pessoal delas, o desenho, o estilo.
Para entendermos o termo clássico, seria então melhor pensarmos em algo que apresente soluções inovadoras e que seja único. Pensem na forma de carroceria do Fusca, na longevidade da arquitetura de um Porsche 356/911, que provém do mesmo Fusca, ou na genialidade da suspensão do Citroën 2CV, por exemplo. Inconfundíveis, não? E o que dizer de um motor como o V-8 Chevrolet small block, ou o Chrysler Hemi? Seriam o coração de clássicos, bastando estarem debaixo do capô de qualquer carro para os fazer especiais e memoráveis?
Ferdinand Anton "Ferry" Ernst Porsche entre duas das várias obras-primas que seu pai gerou, e que ele sabiamente apoiou e fez crescer.
Chevrolet V-8 bloco pequeno: o motor mais produzido da história.
Como quero deixar claro, acredito que clássicos são veículos que podem ser antigos, mas que sempre aparentam não envelhecer. São sempre considerados belas obras do gênio humano, seja onde estiverem, e independem de terem ou não sido sucedidos por algo similar.
Um clássico fala ao coração e nos tira o fôlego, e isso não vem de classificações de comitês de especialistas.

Honda CBX 1000: uma moto construída ao redor do som de um motor.
JJ

18 comentários :

  1. Prezado Juvenal:

    O Campeonato das 500 de 83, com o "King" Kenny Roberts (Yamaha) contra o "Fast" Freddie Spencer e sua NS500 vencedora (por dois pontinhos...) é memorável! Boa lembrança! Bons (dois) tempos!!!!!

    E o tópico... parabéns também!

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  2. Não entrando no mérito do que seja "clássico" ou não, mas apenas no que definiria um carro ser antigo, tivesse eu o poder de normatizar isto, e a coisa ficaria (simples) assim:
    1-Ter no mínimo 95% de originalidade.
    2-Estar no mínimo em bom estado (caso contrário, não seria antigo, e sim, velho).
    3-Ter sido tirado de produção há no mínimo 15 anos, ou caso ainda em produção (como o velho Uno), o exemplar que almeja o título de antigo, ter no mínimo 20 anos.
    Já o que definiria um carro ser, além de antigo, um classico, seria um assunto mais complicado.

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  3. Carros que não parecem envelhecer. Tenho um fascínio enorme por eles!
    TVR Cerbera; McLaren F1; Lamborghini Miura, Countach e Diablo; Honda NSX; Mazda RX7 fd3s (apesar de bem maltratado na mão de muitos)... São carros que desde que me conheço por gente conheço e sempre parecem ter acabado de sair de uma prancheta!

    Tá certo que eles são relativamente novos, mas são os que eu acompanho seu "envelhecimento". E como os tintos, parecem ficar melhores a cada ano!

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  4. "Um clássico fala ao coração e nos tira o fôlego, e isso não vem de classificações de comitês de especialistas."

    Acho que eh isso JJ.
    Tambem me incluo no time dos que acham que nao so carros antigos serao classicos. O McF1 eh um dos melhores exemplos. Ou alguem acha que o Veyron um dia nao sera um classico? Ou ja eh?
    Nas motos eu incluiria as RD 350, Tenere, Hondas VFRs, Suzuki GSX-R 750.
    Motos que marcaram epoca e inovaram em sua epoca, e as 3 ultimas ainda em producao e desejadas no mundo inteiro.

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  5. JJ
    Grande abordagem a um tema muito dífícil. Gostei imensamente.

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  6. Prof Pasquale23/05/10 10:55

    "designador" ?

    inventando palavras, Juvenal

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  7. Nesse texto, acho que o uno turbo é um dos carros nacionais que mais se encaixam na categoria "clássico", mesmo tendo 15 ou 16 anos de idade. A Alfa Romeo 2400 ti também, apesar de pouco lembrada pelos antigomobilistas brasileiros, que parecem mais preocupados em colecionar opalas e dodges (nada contra, mas é bom variar um pouco).

    Essa CBX 1050 já tive a oportunidade de ouvir o motor roncando com ela em movimento. Não existe NADA no Universo que possua 2 rodas alinhadas em um eixo com um motor entre elas que tenha uma música mais bonita! É um timbre entre um flat-6 porsche aircooled preparado e uma BMW CSL de corrida dos anos 70. Inesquecível. Essa está na lista de motos que um dia terei, apesar de ser tão cara.

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  8. Este comentário foi removido pelo autor.

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  9. JJ, simplesmente fantástico o post.
    Nas motos eu acrescentaria as Suzuki GT 380, um ronco inconfudível - quando em lenta aparenta estar um tanto desregulada, ao abrir o giro é umn grito sem igual. Sem esquecermos que, em linha reta, era um perigo para as motos da Honda, exemplo da CBX750(que é linda demais mesmo).

    Nos carros o Porsche Carrera RS de 1973, o Buick Roadmaster Dynaflow de 1950 e a Brasinca 4200 GT Uirapuru.

    Grande abraço, bom restinho de domingo.

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  10. Prof. Pasquale,
    Existe designador no dicionário Aulete.

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  11. O que disse o Carlos Eduardo sobre o Alfa-Romeo 2300 Ti4 (mas serve para qualquer Alfa nacional) ilustra um pouco meu pensamento de que qualquer carro, qualquer mesmo, inclusive os bem simples, como um Fiat 147, e os que não tiveram grande sucesso comercial, como um Dodge Polara, por exemplo, mereceriam mais atenção por parte de colecionadores. Tempos atrás vi um 147 Rallye absolutamente impecável e original, que fez meu coração antigomobilista (tanto quanto qualquer carro nestas condições descritas, faz) bater tão forte quanto bate por "queridinhos" (inclusive por mim) dos colecionadores, como um Chevrolet Bel-Air, um Impala, um Charger R/T, etc... Não sei nas outras, mas na exposição que costumo ir sempre (a do Forte de Copacabana), sinto imensa falta de um Fiat Oggi, do próprio 147, de uma Variant II, um Corcel II, um Del-Rey, um Polara, etc...

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  12. estou em Caxias do Sul - RS e essa é uma cidade que se pode ver vários "clássicos nacionais" como definiu o anonimo acima, muito legal, fazia tempo que eu não via Caravan ambulância por exemplo, vi duas aqui, inteiras, dando um belo gás e sirene berrando. vi um chevette hatch quatro portas. um charger r/t vinho liso liso! uma brasilia quatro portas amarelinha! e vários xr3, gts, até um monza s/r. em uma semana de permanência na cidade foi o que vi. a gauchada de "cassias" está de parabéns!

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  13. JJ,

    Eu acho a mesma coisa.

    Ótimo tema e ótimo post!

    MAO

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  14. Excelente post, com um tema para 50 anos de discussão, no mínimo.
    Nos comentarios, muito se falou sobre colecionáveis, porem longe de serem classicos ou históricos.
    Mas o melhor de tudo está na definição: "Um clássico fala ao coração e nos tira o fôlego, e isso não vem de classificações de comitês de especialistas".
    Falou tudo.
    Romeu.

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  15. Indo de encontro com o que o Seu Buce disse, eu também já viajei para algumas cidades do interior do RS e é realmente impressionante o que se vê de carros antigos que ficaram no "formol" durante os anos.

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  16. Amigos,
    vários de vocês mencionaram carros e motos realmente especiais, e de fazer suspirar mesmo, como a Suzuki GT380, McLaren F1, Buick Roadmaster. Enfim, são muitos os veículos especiais e que merecem ter uma grande quantidade de admiradores.
    Voltarei a esse assunto no futuro, pois gosto demais de discutí-lo.
    Obrigado a todos pelos elogios.

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  17. JJ Parabéns !!!!!!!!
    Tema muito pertinente .
    A Honda 6 bocas é uma dessas que me faz perder o folego !!!!!!!!

    Excelente abordagem !!!!

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  18. JJ . Show de bola o post...

    Principalmente a " motinho " amarela conhecida como V-max !
    Com escapes tipo "cobra" se ouve o ronco há quase 1 km .
    Tenho uma 95 vermelha e sei do que ela é capaz.. ( desde que seja a versão com o V-Boost ! )
    A V-Max tornou-se uma lenda pela tecnologia do motor(lançado em 85) com "míseros" 145 Hp e aceleração brutal.
    Atinge fácil os 240Km ( haja culhão) e nas arrancadas anda junto com R1 e outras
    " superesportivas",devido a seu torque desumano.

    É realmente uma Muscle-Bike..Clássica..!

    Daniel

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