Desde que Henry Ford inventou o método, e a GM o aperfeiçoou, só existe
uma maneira de fazer um automóvel: a partir de um preço de venda definido.
Desta forma, as margens de lucro, e o preço futuro de cada peça de um carro
podem ser determinados. Aí basta que os engenheiros projetem as peças sem
aumentar o preço previamente determinado. Ou seja, que o carro se faça para
atingir um preço. Sim, a uma função também, mas se for aumentar o preço
determinado, melhor comprometer a função...
Antigamente existiam exceções, porém. Existia a Rolls-Royce, que se
preocupava apenas em fazer o melhor, pelo preço que ele custasse. E tinha a
Mercedes-Benz.
A Mercedes era ainda mais legal, porque os carros tinham sim um mercado
definido. Diferente da Rolls-Royce, que fazia apenas caríssimos carros de luxo
de baixa produção, o volume de produção da Mercedes sempre foi enorme, indo
desde táxis de Stuttgart até limusines para príncipes árabes.
Na Mercedes, os engenheiros mandavam. Para cada carro, cada pecinha
ridiculamente insignificante que fosse era projetada por um alemão orgulhoso da
profissão mais cultuada no seu país: a engenharia. Costumo dizer que na
Alemanha, a lógica do engenheiro impera, e até uma dona de casa deve saber mais
de engenharia básica que um professor de resistência dos materiais em uma
faculdade brasileira. Engenheiros são cultuados por lá, sumos sacerdotes da
lógica germânica. E nenhum deles era mais cultuado que um engenheiro da
Daimler-Benz. Os engenheiros da Mercedes se orgulhavam de fazer carros sérios,
sem firulas, mas terrivelmente bem ajustados à função pretendida. E superdimensionados
para durar cinco gerações inteiras.




