google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)

Superkart, com dois motores
fotos: revista Motor 3 / Alex Soletto


Expedito Marazzi e Interlagos são sinônimos de corridas para mim. Eu ia bastante lá, não passava um mês sem visitar, por vários anos. Circuito antigo, de quase oito quilômetros, espetacular.

Vi Turismo 5000, Stock Car de Opala, Mil Milhas, Fórmula 1, Fórmula Ford, Fórmula 2, motos, além de corridas de categorias já desaparecidas e cujo nome nem mais me recordo.

Marazzi foi um dos que tiveram a idéia de colocar os cinco litros para correr. Numa fase ruim para os Dodges, Mavericks e Galaxies, baratos e desprezados pelo alto consumo, entusiastas foram brindados com essa categoria para acelerar os carrões no lugar correto, um autódromo.


A VW pode ter sido fundada por Adolf Hitler, e o Fusca em si pode ter sido projetado por Ferdinand Porsche, mas esta VW nazista, estatal de verdade, que produziria carros do povo distribuídos por órgãos do partido, e que seriam comprados por um esquema de poupança prévia, morreu com o fim do sonho nacional-socialista alemão ao fim da Segunda Guerra Mundial, sem ter nunca entregado nenhum carro a um civil.

Não, a VW que conhecemos em propagandas simpáticas que pregavam o bom senso sobre rodas era fruto da visão de uma outra pessoa: Heinz Nordhoff (abaixo).


Nordhoff fora contratado no pós-guerra pelo Major Ivan Hirst, do exército inglês, para administrar a fábrica da VW. Um sobrevivente daquele conflito, que antes fora executivo da Opel, Nordhoff chegou em Wolfsburg “... pobre como um rato de igreja. Tive que abandonar os resultados de 25 anos de trabalho para os russos em Berlin, e pesava 30 kg a menos que hoje.” Como todo sobrevivente de um conflito deste tipo, Nordhoff não conseguiria conceber uma sociedade perdulária e frívola como a nossa atual. Austeridade era parte integrante de sua realidade.

Sendo assim, construiria a VW num tom que atingiria o coração do mundo naqueles tempos, que construiria o maior fabricante da Europa em poucos anos, e que sedimentaria as fundações de uma empresa que hoje caminha para se tornar o maior fabricante do mundo, maior até que a GM e a Toyota. Nordhoff explicou esta filosofia em 1958:

Conta a história que a escritora inglesa Mary Shelley, em uma das suas viagens, ficou hospedada durante o verão de 1816 em uma casa perto de Genebra, na companhia de Lord Byron, entre outros convidados. A cada noite, para se entreterem, cada convidado contava uma história de terror que deveria assustar os demais o suficiente para não deixá-los dormir. A pequena história contada por Mary Shelley viria a ser a semente para sua obra-prima: Frankenstein.

Frankenstein não foi só uma das mais memoráveis obras-primas do terror, mas também é o livro que inaugura um novo gênero literário: a ficção científica. Em seu âmago, conta a história da criatura que se rebela contra seu criador.


Espera aí, o que tem isso a ver com automóvel e autontusiastas? É só prosseguir com a leitura para saber.

"Frankenstein" é uma obra tão marcante que se iguala às obras de William Shakespeare como fonte de inspiração para outras obras seguintes, e que ainda hoje faz parte do imaginário popular sobre as possíveis conseqüências da capacidade humana ser um dia capaz de imitar seu criador.

A ciência do século XX não aprendeu a criar uma criatura viva a partir de partes de cadáveres, mas criou uma nova entidade que logo seria tingida pela imagem do monstro de Mary Shelley: o computador.
Não demoraria muito, e o cinema, outra forma popular de cultura característico do século XX, iria explorar o filão do Frankenstein tecnológico. Filmes como "O Exterminador do Futuro" tiveram seu sucesso bebendo desta fonte.

Entretanto, o cinema possui dois expoentes significativos que seguem por esta linha, e em muitos sentidos vem se mostrando proféticos em algumas de suas previsões: “Metrópolis”, de Fritz Lang e “2001 – Uma Odisséia no Espaço”, de Stanley Kubrick e Arthur C. Clarke.


Quem gosta de antigos por aí?

Se você é um desses uma boa dica para o próximo final de semana é o II Salão Internacional de Veículos Antigos, que vai até o próximo domingo, dia 27 de novembro. 

A convite do Ricardo Oppi (que já apareceu aqui no blog) eu e o primo Arnaldo estivemos lá na abertura para prestigiar o evento. Tive a impressão de estar em um encontro de antigos de Águas de Lindóia, só que feito no coração da cidade de São Paulo. Quem não tem o hábito de viajar todo ano para o evento do interior paulista vai se deleitar com esse salão.