O CARRO EM QUE NASCI

Fotos: José Madeira e ABCVA



Consta nos registros da maternidade que cheguei do lado de cá da existência às 10h40 de uma manhã de setembro de 1970. Não está registrado porém, mas sei que lá fora, na saída, pronto para me levar para casa, estava esperando um Volkswagen Sedã verde Folha ano-modelo 1970, retirado 0-km pelo meu pai em abril daquele ano. Caso eu fosse competente o suficiente para guardar as memórias dos primeiros dias de vida, lembraria do cheiro do curvin preto que revestia os bancos e do som cadenciado do seu ainda pouco rodado motor 1300.

As placas amarelas traziam um emblemático (ao menos para mim) AB-0556. Na época em que elas saíram, substituindo as anteriores laranjas que não tinham letras, só números, o amigo despachante comentou com o meu pai que era melhor esperar um pouco para já pegar os documentos do carro com as placas novas, por isso elas indicavam os primeiros números da segunda seqüência possível, apenas depois dos AA.

Existe também um outro registro deste saudoso Fusca, desta vez como passageiro do navio Eugenio C, embarcando em julho de 1974 para uma viagem transatlântica até Lisboa. O navio de bandeira italiana teve ainda o privilégio de ver o Fusquinha rodando a bordo, pois o encarregado do embarque de veículos “autorizou” meu velho a conduzir o verdinho até seu local de estacionamento no convés, onde onde ficou apreciando a brisa do mar por sete dias, sendo apenas visitado de vez em quando para uma girada no motor, pois meu pai não queria pagar o mico de estar sem carga na bateria ao chegar em seu país natal.

O Sedan 1300 L então rodou por três longos meses com minha mãe e meu pai e eu como passageiros, por toda a Lusitânia, conhecendo cada canto de Portugal e surpreendendo a tantos patrícios pelo fato de ter chegado lá. Muitas caronas foram oferecidas para parentes e amigos, alguns inclusive aproveitando para chegar no litoral ou em lugares nos quais jamais haviam estado antes. E imaginem que foi preciso esperar aparecer um carro do Brasil para isso, talvez o carro mesmo sendo a maior motivação para a viagem do que chegar ao destino desconhecido. Fascinante e surpreendente.

Eu e o Fusquinha no litoral de Portugal em 1974

Durante a viagem as placas AB-0556 ainda beliscaram terras de Espanha, bem próximo à fronteira, fechando assim o quarto país diferente por onde o Fusca circulou (para mim a manobra no Eugenio C conta como território italiano).

O mudo era um pouco diferente 40 anos atrás e as opções para os viajantes que queriam andar motorizados na Europa eram basicamente comprar um carro novo lá, com garantia de revenda no retorno para o Brasil, ou levar o seu próprio meio de condução no navio. O custo para o transporte do carro no navio era igual a de um passageiro adulto e mesmo não sendo uma prática tão difundida, outro parente nosso levou um Opala também a bordo na mesma viagem.

Eu e o Fusca no final dos anos 70

Voltando para casa, o Fusca serviu nossa família até 1998 quando, com 28 anos de idade, já estava difícil mantê-lo em dia, arrumado e funcionando bem, além do que estávamos precisando da uma vaga de garagem adicional. Até então todos em casa tiveram a chance de dirigir o carro, porém apenas eu e o meu pai utilizamos ele como meio de locomoção regular, sendo que mesmo quando já tínhamos outro carro moderno na garagem, muitas vezes eu preferia sair no velho e amigo Fusquinha.

A chegada de um intruso na garagem lá de casa foi em 1980, mais moderno, com tração dianteira e radiador para arrefecimento da água que circulava no motor, pensava que iria impressionar e queria deixar o simpático Fusca como coadjuvante, mas não conseguiu, assim como foi com os seus dois sucessores que chegaram e se foram, sem fazer sombra para o VW a ar.

Comecei a aprender a dirigir neste Fusca, arriscando saídas com meu pai nos bairros ainda sem muito movimento da zona norte de São Paulo do final dos anos 1980 e depois gradativamente ousando escapadas mais distantes, até o dia em que debutei na marginal do Tietê em um domingo de manhã, ainda tenho a lembrança da confluência de emoções que foi aquele momento.

Já habilitado, usei o carro por mais alguns anos, cuidando da sua manutenção e encerando-o manualmente, por longas horas nos fins de semana, a sua já cansada
 pintura verde Folha.

Depois foram minha irmã e meu irmão que aprenderam a guiar usando o mesmo Fusca. Eles também tiveram o privilégio de chegar em casa, nos seus primeiros dias de vida, no mesmo valente VW Sedã Sempre acreditei ser genial o conceito, vivido em sua plenitude por nós, de dirigir o carro que nos transportou recém-nascidos, era completar um ciclo na existência desta nossa vida motorizada.

Minha irmã e o Fusca

Nosso Fusca (acho que meu pai permitiria chamá-lo assim) nunca teve rádio, toca-fitas ou sistema de som qualquer, tinha muita dificuldade de manter mais de 90 km/h nas marginais ainda sem radares de antigamente, além da necessidade de atenção constante para fazer com que o volante de direção dele o conduzisse em linha reta. Mas tinha um acessório exclusivo é   que era a simpatia e a energia que acumulou através da atenção, dedicação e emoções de toda a família e amigos, por quase 30 anos.

Foi difícil vendê-lo, mesmo sabendo que o próximo dono seria um jovem amigo que precisava de algo robusto  e simples como meio de locomoção, porém tenho certeza que o novo proprietário estava muito realizado em saber que levava um carrinho que trazia poucos opcionais de fábrica mas tinha muito conteúdo, mesmo que fosse algo intangível.

Não era este, mas era exatamente assim

Não sei precisar de onde vem a minha adoração por automóveis, porém arrisco dizer, sem medo nenhum, que o competente 1300 e sua carroceria verde em folha foram o meu berço autoentusiasta, e as sinceras e boas lembranças de vários momentos que passamos juntos não me deixam esquecer do carro em que tudo começou.


FM

36 comentários :

  1. Também debutei no meio automotivo em um fusca verde, que me trouxe da maternidade de Lavras, MG, para Perdōes.

    Aprendi a dirigir em um Opala bege, já com as lanternas quadradas, e uma XLX 88, onde segurando apenas o punho direito, com 5 anos, ia modulando a aceleração ao vencer o morro que levava à rua onde morava.

    Mais alguém se habilita a contar seus primeiros contatos automotivos? Vai ser interessante, a lista.

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  2. emocionante estória, Felipe ! Obrigado por conpartilha-la conosco !

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  3. A relação das pessoas, (e até mesmo das famílias), com seus carros foi algo que se perdeu no tempo. Seja pela facilidade financeira, (ilusória), de se trocar por um novo, seja pela busca desenfreada pela novidade, a realidade é que não sabemos mais aproveitar um automóvel como fazíamos antigamente. Também meu filho está aprendendo a dirigir no Gol 94 que o trouxe para casa, mas vejo que isso é cada vez mais raro. Parabéns pelo post. Muito sensível.

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    1. Corsário Viajante13/10/13 19:03

      O papel do carro mudou. Basta reler o post, imagina levar um carro para Europa, não faz mais sentido.

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  4. Também entrei pelo mundo dos AutoEntusiastas por um VW Sedan, apesar de não saber em qual carro foi o meu primeiro transporte. Lembro deste Fusca das suas placas amarelas e em parte das suas placas cinzas. UG-7686 e KCA-XX86. Fusca 1300L de cor Beje e lanternas "Janela de Igreja". Se eu o achasse hoje era bem capaz de eu fazer uma loucura e comprá-lo de volta...

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  5. Muito legal a história. O primeiro carro de casa que tenho lembranças era um Prefect placas 1-49-23-61 e estas placas seguiam com o dono, então todos os outros carros tinham o mesmo numeral. Mas preciso fazer uma correção: as substitutas das placas laranjas (sem letras) não foram estas como a da foto, onde temos as letras (para o estado do Paraná) AA, AB, AC...... As primeiras placas com letras começavam sempre por S seguido de uma segunda letra minúscula. O S era de Seccional e a segunda letra da cidade que era sede desta seccional. Em Piracicaba, minha terra natal, todas as placas tinham as letras Sc (seccional de Campinas) e o numeral poderia ser de somente um dígito até quatro dígitos (Sc 1, Sc 4913).

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  6. Perguntei, e minha mãe não se lembra, mas presumo que o carro que me levou da maternidade para casa tenha sido um Fusca do meu pai, ou um Simca Chambord de meu avô materno. De qualquer forma, meu autoentusiasmo nasceu por conta de um outro Chambord desse mesmo avô, lá pelos meus 5 anos de idade, completamente fascinado que era por ele. Passados 45 anos, ainda tenho nítidas lembranças de detalhes desse carro, das viagens, dos passeios, e das intermináveis horas que passei sentado ao seu volante, brincando de dirigir. Aprender a dirigir mesmo, pegar as manhas no dia-a-dia, sem ninguém do meu lado, e depois de dividamente habilitado, aprendi em uma Chevrolet Caravan 1976 "Bege Ipanema", também de propriedade deste meu avô. Tinha total liberdade de sair com ela quando quisesse, como se fosse minha, mas carro meu mesmo, comprado com meu dinheiro, o primeiro foi uma Alfa-Romeo 2300 1977.

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    1. Correção: onde escrevi "dividamente", leia-se "devidamente". Em tempo: aproveito para sugerir que nos seja disponibilizado o recurso da edição de nossos textos.

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    2. Alfa 2300 1977 voce começou em grande estilo!
      Acho lindo esses com o volante em madeira....

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    3. Alfa Romeu 2300 77... isso que é começar com estilo.

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  7. Camarada... Tu deveria ir atras desse carro e re-comprar do amigo.
    Jorjao

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    1. Concordo com vc Jorjão. Esse merece destaque até na sala caso não opte por deixar uma garagem exclusiva pra ele. Uma história dessas não tem preço.

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  8. Nasci em casa e fui retirado a ferros, mas tudo bem.

    Meu primeiro carro foi um Fusca 1500 azul pavão que me deu muitas alegrias, e o texto serviu para recordar daquele tempo gostoso da juventude.

    Eu tenho verdadeira paixão por esses carros da VW, sendo que o Fusca, a Kombi e o KG, foram exemplos de simplicidade, valentia, robustez e praticidade.

    Bons tempos!

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  9. Também cheguei da maternidade em um Fusca, cujo apelido era Anacleto (não sei porque meu pai deu este nome/apelido ao bichinho).

    Vendo vídeos antigos do Rio, entre 1970 e 1974, no trânsito entre a Zona Sul carioca e o Centro da cidade, com absoluta certeza cerca de 85% dos carros eram Fuscas.

    Leo-RJ

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  10. Belíssima história Felipe, aprecio muito a leitura do Autoentusiastas e sua presença certamente só vem a contribuir. Que venham muitas outras.
    Eu fui levado da maternidade para casa num Passat 77, de faróis redondos, branco e cinco portas (hoje uma versão raríssima), que meu pai recebeu numa conta, "quase de graça" pois os quatro (ou cinco) portas eram quase que totalmente rechaçados pelo mercado, e que serviu à minha mãe até 1988 aproximadamente. Nunca cheguei a dirigi-lo, pois não tinha idade, mas lembro que era um carro de acabamento muito frágil e que seguidamente apresentava problemas mecânicos. Lembro que na época meu pai o trocou por um Voyage, que apesar de derivado de um projeto semelhante, parecia muito melhor em vários aspectos.
    Off-topic: sou um grande admirador das placas amarelas. Há uns 15 ou 20 dias estive num bairro distante, de periferia, da cidade onde moro, para realizar a medição de um terreno. E eis que passa pela rua um Fiat Prêmio, dos primeiros, em péssimo estado, com placas amarelas, trafegando tranquilamente como se fosse a coisa mais normal desse mundo. Pensava eu que tais placas pertenciam a uma extirpe totalmente extinta...

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  11. Maravilha de post de domingo! Não sabia que antigamente era possível levar carros para viajar desse jeito! Hoje em dia também deve ser tão vantajoso alugar um no destino. Em tempo, vim da maternidade na variant verde místico do meu tio, que ele tinha tanto xodó que está inteira ainda hoje. Mas infelizmente o meu tio se foi, e nem sei qual será o destino dela. Mas me lembro até hoje do "cheiro de Vw" que o interior tinha, e que com certeza ainda está lá.

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  12. Sai também da maternidade num Ford 1952 trazido do Canadá pelo meu pai e aprendi a dirigir nele de modo que tenho fotos minhas no colo de minha mãe no interior do carro e outras, eu já atrás do volante conduzindo o veoitão! Louco isso, né? Quase choro quando meu pai o trocou por um Fusca 69, cereja, mas o fusca também me marcou muito! Gostei do post, FM. Valeu!

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  13. Sério, cara?

    Sério que sua família teve um carro que acompanhou a maior parte de sua vida, cheia de histórias e viagens, um carro que esteve presente nos momentos bons e ruins da vida de muitos, um carro cuja história é muito difícil de ser equiparada e aos 28 anos de idade, se tornou "difícil de manter" e você foi e vendeu ele?

    UM FUSCA? Difícil de manter funcionando bem? Só na mão de um cupim de ferro e que não entende porrrcaria nenhuma de carro mesmo. E olha que se tem algo que eu tenho nojo é de colecionador de Fusca padrão que nunca teve o carro e o compra só porque quer um antigo barato de manter. Mas o seu teve história.

    Um carro que foi fiel a você e sua família diante de tudo e que por fim quando precisou de sua fidelidade, você e sua família simplesmente tacaram pro dane-se, pra não dizer outra coisa.

    A não ser que vocês estivessem afogados em dívidas, em falência e quase passando fome, não há justificativa pra vendê-lo.

    Comecei a ler o texto e ao longo dele eu estava gostando muito da história, mas o fim que esse carro levou é simplesmente revoltante.

    Tem certeza que você se considera um autoentusiasta? Tem certeza de que você não é só mais um desses coxinhas que dizem gostar de carro mas que troca de ano em ano ou até 30 mil km "pra não perder valor" e não ter que trocar pneu ou qualquer outra coisa de manutenção?

    Desculpem BS, AC, AK, FB e muitos outros que elevaram este blog ao nível mais alto de reputação para mim e muitos outros, mas você FM, seu lugar definitivamente NÃO é aqui.

    Espero contar com a democracia que vocês dizem existir nos comentários.

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    1. E, é serio que você não tem nada a ver com isso e fala como se dono da verdade e moral fosse?
      É SÉRIO?

      ISM

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    2. Ainda que com exageros, concordo com seu texto. Dificuldade pra manter um fusca é osso de engolir.

      João Paulo

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    3. Cada um sabe de si... não estamos na pele do Madeira para julgar o que aconteceu.
      Se a família optou pela venda, certamente um bom motivo teve.

      Não é porque um Fusca é fácil de manter que, necessariamente, não possa ser vendido.

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    4. Estou com o Felipe Madeira. Saber se desapegar de algo material é um sinal de evolução espiritual, pois não somos apenas de carne e osso e até disso vamos ter que nos separar um dia.

      Há algumas semanas escrevi um texto na mesma linha, falando sobre um reles Corsa em que busquei minha filha na maternidade.

      Não existe um contrato onde se diz que devemos ficar com qualquer carro por ele ter participado de um boa história. Quando vendemos um carro assim, devemos fazer votos para que ele possa participar de episódios na garagem de outras famílias.

      Também já tive um Fusca e fazia cada coisa com ele... mas se meu pai não tivesse vendido o carro para um sitiante, eu não teria ganho um Uno Brio 1991 - que torrei três meses depois, em 1997, para comprar um MP Lafer 1974.

      Meu pai ficou furioso com essa história e só ficou calminho quando lancei um livro sobre a história do MP Lafer no ano passado e autografei um exemplar para ele.

      Quem desejar ler sobre minha carta de despedida para o Corsa basta copiar o link a seguir:

      http://www.mplafer.net/2013/08/corsa.html

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  14. Ui, que drama!

    O pai do cara comprou o carro zero, ficou décadas com o carro. O que vc queria? O carro tem que ir com o cara pro túmulo só por causa disso?

    Pior é quem troca de carro a cada dois anos. A família do rapaz usou sem dó. Mas foi um carro de uso diário, não pra fazer coleção. Mesmo comprando um carro zero, uma hora a manutenção não fica somente no óleo e filtros. Das peças de hoje em dia pra carro antigo, muitas são paralelas. Fora que existem carros mais espaçosos, eficientes, sem carburador pra ficar regulando, mais estáveis.

    O Bob e o AK mesmo, já contaram histórias incríveis de carros que tiveram no passado, e lá ficaram. Se fosse obrigação deles ficarem com cada um, haja tempo, espaço e dinheiro.

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    1. As pessoas passam, animais de estimação passam, um carro tem de ser eterno? Que é isso, desapega!

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  15. Use qualquer carro diariamente durante 28 anos e certamente ele se tornará, sim, difícil de manter. Muito difícil.
    As peças originais e/ou de boa qualidade vão ficando cada vez mais escassas. Mesmo para os carros mais recentes as peças de qualidade são difíceis. Na semana passada mesmo troquei as velas do meu carro, eram de marca renomada e aos 8.000 km de uso estavam completamente comprometidas.
    A confiabilidade de se andar com um veículo desses se perde a cada dia. Manter um Fusca (ou qualquer outro carro) de 40 anos afinado para rodar no dia a dia é simples e barato? Só para quem nunca teve um. É muito fácil dizer que é baratíssimo para o outro manter um carro velho quando se possui um modelo do ano na garagem.
    As realidades da vida das pessoas costumam ser diferentes do seu planejamento.
    E ao Anônimo das 21:25, desculpe, mas se o Felipe não serve como escritor do blog, você também não serve como leitor! Lamentável.

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    1. Difícil de manter? Eu sempre tive carros velhos e nunca gastei mais por mês do que a prestação de um novo. Não sou contra carro novo, nem quem tem um Pelo contrário. Se eu pudesse teria um com certeza, mas comprado à vista. Só acho que há uma certa paranóia com relação a carros mais antigos, tipo uma "quebrofobia". Em tempo. Acabei de gastar R$ 72,00 no carburador do meu Versailles 2.0, quando cheguei a pensar que teria que trocá-lo e gastar muito mais.

      João Paulo

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    2. Para quem tem as "manhas", pesquisa preços de peças na hr de comprar, tem noção mais ou menos de como as coisas num carro funcionam e se desgastam e observa e presta atenção nas "mensagens" do carro, carro usado não é problema. Só para citar um exemplo: tenho um Astra 2002 e vinha observando que o vaso de expansão (reservatório) do radiador dele já estava todo ressecado e trincadinho. Como eu viajo regularmente, pensei "mais cedo ou mais tarde ele vai pro brejo. Vou ver se troco isso". Tudo bem que era uma situação que talvez durasse mais anos até que efetivamente aquilo explodisse. Mas já que dizem que o seguro morreu de velho, fui atrás de preços. Numa concessionária GM, primeiro preço, R$ 240,00. Numa outra, R$ 121,00. Em lojas independentes, da marca Gonel (paralela e de qualidade duvidosa), encontrei preços variando de R$ 30,00 a R$ 45,00. Aí lembrei de uma loja que consegue peças originais GM por preços mais justos. Liguei para eles e me conseguiram a peça original GM, inclusive com a numeração original da peça batendo, por R$ 49,00. A troca eu mesmo fiz. Troquei todo o liquido de arrefecimento, o que já estava programado, e está de boa.

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    3. Pois é, colega, mas não compare um carro 2002 com toda a tecnologia que ele tem, com um carro fabricado no fim dos anos 60 com tecnologia dos anos 20. Não é esse tipo de comparação que eu quis fazer.
      É como a saúde de uma pessoa com 18 anos e outra com 80. Ambos podem estar fisicamente muito bem, mas a possibilidade de o mais velho sofrer algum ataque repentino é muito maior.

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    4. hmmmm..... não, CSS, ainda não concordo cntg. Td bem q um carro 2002 não tem mais coisas do tipo distribuidor, platinado, condensador, carburador, mas ele tbm tem mto mais coisas que podem dar problemas q um Fusca 70 não tinha, como ar condicionado, direção hidráulica, comandos elétricos e eletrônica embarcada que tbm são suscetíveis a defeitos. O que eu quis dizer é q, conhecendo as realidades, que as técnicas de usinagem evoluíram, que os carros de antigamente davam pequenas manutenções, como regulagens e etc, mais rotineiramente, é possível levar as coisas na preventiva, e sabendo procurar, acredito q é possível manter um carro antigo confiável, mesmo com mtos anos de uso sem que isso seja um fardo incarregável.
      E eu acredito sim que há uma "quebrofobia", como disse o João Paulo. Não acredito que as coisas sejam para tanto alarde.

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  16. Ola a todos no meu caso nem sei que carro saí da maternidade sei que meu pai tinha e tem até hoje uma yamaha cinquentinha azul ta bem velhina com as placas amarelas ainda na garagem do meu pai ele diz que e so trocar a balança e por a bichinha pra andar,logo em seguida meu pai comprou um passat três portas bege ipanema era carro do uso diário meu pai e construtor carregava vários badulaques e ferramentas viagens em família carro cheio o passatão era valente ao longo dos anos teve motor substituído e tal e pra não fugir a regra hoje tenho um passat ls 1981 cinza chumbo metálico que uso todos os dias motor BR1.5 original com carbuardor solequinho H35 carrinho valente e se um dia tiver que me desfazer dele sera por outro mais antigo ainda pois esses carros carregam muitas histórias consigo !!!

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  17. O carro que me levou da maternidade pra casa eu não sei, nem meus pais se lembram... minha mãe acha que ou foi num Zé-do-Caixão ou num Dart mas não tem certeza.
    O que levou minha filha da maternidade, esse eu lembro muito bem... um 206 Passion 1.6 2001/2001. Estava lá na porta da Casa de Saúde de Santos, limpinho e encerado esperando sua mais ilustre passageira que ainda andou nele por mais 2 anos. Em 2005 ele deu lugar a uma 206 SW.

    Meu primeiro carro foi um buggy Jobby vermelho, montado sobre um chassi de Fusca 71 (nunca entendi o porque mas a safra de chassis de 69 a 72 são tidos como os melhores pra conversão em buggy) com motor 1600 zerado. Foi já no fim da época das placas amarelas, a dele era BW-8224.
    Nada como um motor fácil de manter num carro que não enferruja!

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  18. Li o post ouvindo isso: http://grooveshark.com/#!/album/Brothers+In+Arms/1470804, mais precisamente o lado B (faixa 5 em diante), ótimo pra compor o clima...

    Muito bom o relato!
    O carro que me trouxe da maternidade foi um Corcel GT 71 Branco, isso lá em 1982.

    O carro em que dei meus primeiros "passos" foi um Opala de Luxo 1975, 3 marchas... Com 9 anos! Nem eu sei como consegui usar embreagem e enxergar por cima do volante! hehehe Lembro do meu pai mandando eu apertar o pedal de lá e soltar devagarinho... Isso numa época em que as coisas ainda eram mais fáceis e um caminho vazio numa praia deserta eram o suficiente para os pais deixarem os filhos se sentirem grandes! 9 anos depois foi em outro Opala que aprendi a dirigir de fato, e comecei bem! Era um Comodoro 92 4100 turbo. Bah! Foram 6 meses até o pai trocar o carro com medo do jovem aqui fazer uma besteira... Que saudade! Nostalgia bateu com força agora...

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  19. Minha volta para casa se deu em uma Brasília 1978, no ano em que eu nasci... foi tirada em junho e eu nasci em novembro... era verde mantiqueira, tinha desembacador, ar quente, relógio, interior monocromatico entre outros...foi também o primeiro carro que eu dirigi... meu pai ficou 10 anos com ela ... gostaria muito de ter uma igual...
    E o meu Voyage era de meu pai, está 19 anos na família e jamais vou me desfazer dele...
    Abs

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  20. Pois eu cheguei em casa numa Variant (não sei o ano/modelo, infelizmente, mas creio 1971 ou 1972), também verde. Mas os carros que me marcaram foram os 3 Mavericks que me pai possuiu, todos cupês, modelo Super: o primeiro, 6 cil., laranja; o segundo, originalmente branco, também 6 cil., porém com decoração externa de GT feita pela própria concessionária; o terceiro, vermelho, fase 2, 4 cilíndros, com interior marrom e bancos individuais reclináveis (baita acabamento tinha esse carro!).

    Outros carros também foram importantes (qual não foi!): Corcel L 75 amarelo com faixa lateral preta personalizada, Belina L 77 marrom, Corcel II LDO 1.6 azul clarinho, Corcel II LDO 1.6 5 marchas verde (que acabamento!), e até um Galaxie LTD/Landau 1975 vinho, entre outros!

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  21. Meus pais saíram da maternidade Beneficência Portuguesa comigo de táxi, pois apenas quando eu tinha 1 ano, em 1970, que meu pai comprou o seu primeiro carro... Era um Fusca 68 vermelho, cujo primeiro dono era meu falecido tio Valdemir. Lembro-me nitidamente desse carro, pois meu pai ficou alguns anos com ele!

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    1. Caros Leitores,

      Valeu pelos comentários e pelos depoimentos pessoais. Histórias muito bacanas dos carros que foram nosso primeiro contato com o mundo sobre rodas.
      A discussão e diferentes opiniões também é muito bem vinda! Aproveito para esclarecer que nosso Fusquinha não dava dor de cabeça em manutenção, apenas estava complicado encontrar as condições ideias para mantê-lo impecável como ele merecia.

      Super abraço a todos os leitores!

      Até mais,
      FM

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