CORVETTE IMPALA

Sim, parece um Corvette 

A tentativa de fazer um esportivo ou grã-turismo familiar não é nada atual, como prova esse conceito da outrora maior do mundo, a General Motors Corporation. Com poucas informações e fotos disponíveis, e sem sabermos como ele se comportava andando, o modelo acabou por ser ofuscado por muitos outros conceitos, chamados de dream cars (carros de sonho) à época, de estilos muito mais ousados e futurísticos.

Os anos 1950, os "Fabulous Fifties" são incomparáveis no que se refere a novidades de desenho de automóveis americanos. Foi o máximo dos máximos para a GM e  indústria automobilística americana de uma maneira geral, quando a maioria dos modelos era extensamente modificada ano após ano, e o consumidor se via enlouquecido diante de tantas novidades e versões que, se perder era fácil demais. Se eu pudesse voltar no tempo com foco automobilístico, seria  nessa década de 50 o meu desembarque!

Para divulgar o trabalho imenso do estilo da GM, os executivos da empresa continuaram e aumentaram a extensão do Motorama, a exposição que a GM fazia ao redor dos Estados Unidos para mostrar sua visão de futuro e que pode ser considerada a maior e mais consistente clínica de pesquisa de todos os tempos,   que vinha ocorrendo desde 1931 com interrupções normais devido a crises econômicas e guerras. 

Para o ano de 1956 surgia um Corvette grandalhão, que adotava o nome Corvette Impala. E já que o carro não foi produzido, o ótimo nome viria a ser aproveitado pouco tempo depois.

Corvette já era um nome famoso e empolgante para os autoentusiastas americanos, e a Chevrolet pretendia aproveitar o embalo para trabalhar bem essa marca e ter uma linha de modelos, ou ao menos o esportivo tradicional e esse Impala, para ao menos se criar a possibilidade do banco traseiro e o uso em grupos e famílias.


Vejam o nome no pedestal



O Motorama é algo sem paralelo no mundo da propaganda de automóveis, e algo que apenas a General Motors era corajosa a ponto de pagar. Misto de salão de exposições com espetáculos artísticos, tinha um padrão da era de ouro da indústria americana, que vivia toda a força de uma década após o fim da Segunda Guerra Mundial, com muita gente com dinheiro suficiente para comprar boas casas e bons carros, calçados em financiamentos a juros baixíssimos de bancos que primavam pela honestidade. Tudo diferente do que vivemos no Brasil de hoje.

Pode-se atribuir a origem dessa idéia ao Thunderbird de quatro lugares que estava sendo comentado e estimado para 1958, já que esse carro era por definição mecânica menos esportivo que o Corvette, e a Ford, com uma sapiência de mercado interessante, tentava escapar da concorrência do Chevrolet.

O Corvette Impala deveria ser parecido com o Corvette, com grade dianteira  bem similar à do cupê, já que tinha que manter a familiaridade com o carro já de importante fama, mas todo o restante era bem diferente deste.


Essas fotos antigas são um sonho



Foi mostrado em 19 de janeiro de 1956 no Motorama de Nova York, que durou nove dias ocupando o hotel Waldorf Astoria, depois indo para outras cidades americanas grandes.

O nome Corvette Impala estava no emblema do carro, e sua característica de estilo mais notável era o pára-brisa adentrando pelo teto, o que dava uma imagem de “cabeçudo”. Pode não ter sido um desenho consagrado pelo público do Motorama exatamente por isso, tentar aprovar um carro grã-turismo que ficou visualmente muito alto, mais ainda que os sedãs normais de uso padrão.

Na mecânica, o mesmo motor corrente do Corvette, o V-8 de 265 polegadas cúbicas (4.342 cm³), com 225 hp SAE brutos a 5.200 rpm (uns 170 cv líquidos atuais) e 35 m·kgf a 3.600 rpm. Montado com o câmbio automático de duas marchas, deveria chegar a 109 km/h em primeira e 189 km/h em segunda, caso houvesse sido realmente testado dessa forma, já que não se tem informação que o carro chegou mesmo a andar. Na simulação de aceleração de quarto de milha, 17,9 segundos. Para desacelerar, freios a tambor de 279 mm (11 polegadas) de diâmetro à frente e atrás, pneus 6,70 polegadas de seção, medida antiga, por 15 polegadas.  O carro não era tão pesado para o padrão dos anos 1950, com 1.500 kg aproximados.



O entreeixos de 2.959 mm (116,5 polegadas) estava sob uma carroceria de compósito de fibra de vidro com comprimento total de 5.131 mm e 1.890 mm de largura,  que trazia elementos usados depois em outros modelos, como a coluna do vidro traseiro com inclinação contrária, que veio em produção no Bel Air Impala de 1958, justamente onde o nome Impala começaria a ser utilizado, e o friso na lateral com um rebaixo, exatamente como aplicado também no mesmo modelo. O teto foi feito em aço inoxidável, como viria a ser no Cadillac Eldorado Brougham 1957, um dos grandes clássicos da história. Só esse teto já mostra que, caso o Corvette Impala fosse feito em produção normal, teria preço elevado.

O Motorama de 1956 seria o último em que a marca Chevrolet mostrava carros conceituais, depois disso apenas veículos normais de produção. Assim, o Corvette Impala foi o último da marca mais popular da General Motors a ser apresentado na exposição que, tristemente, foi extinta em 1961 para não mais voltar.

JJ


Fotos: GM; AutosOf Interest.com; automobile-catalog.com


27 comentários :

  1. Saudades da época em que a GM era a GM !
    Jorjao

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    1. Nao seja saudosista Jorjao.
      A GM ainda faz bons carros: Agile; Montana; Cobalt; Spin estao ai para provar isso.
      A GM nao perdeu a mao nem o estilo, embora muitos nao concordem.
      O mundo hoje é outro, carros menores, compactos e economicos dominam o mercado mundial.

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    2. Anônimo18/10/13 17:48
      Esses carros , nao sao nem sombra dos carroes GM do passado.
      Principalmente nos anos 50 e 60.
      Hoje ainda a GM pode se orgulhar de modelos como o Corvette , Camaro e Cadillac.

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    3. Agile, Cobalt, Spin... HAHAHAHAHAHHAHAHHAHHAHAHHAHHAHAHAHHAHAHA

      Anônimo das 17, você é um piadista.

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  2. Texto legal, só cansa um pouco a exaltação constante e exagerada para com a GM.

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    1. Anônimo,
      a GM merecia isso, pode ter certeza.

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    2. Anônimo,
      Algum problema em exaltar a GM? No que isso lhe incomoda?

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    3. Eu concordo. Isso acaba cansando a leitura. E por conta disso acabam exaltando até carros completamente sem graça que estão com aposentadoria decretada.

      Esse texto por exemplo: é um bom texto, bem escrito, e por se tratar de um conceito da GM apresentado em um evento da GM, eu já esperava a ode à GM no texto.

      Provavelmente alguém vai chegar e falar: "então não leia". Mesmo com a exaltação à GM não deixa de ser um bom texto com uma boa história. E infelizmente nos outros textos não dá pra descobrir essa característica sem ler antes. Mas já teve alguns, por conta dessa característica, que eu interrompi a leitura na metade.

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    4. Exaltar a GM DOS ANOS 50. Porque não? A qualidade de construção não se vê mais hoje, guardadas as proporções entre os carros "de metal" da época e os "de plástico" atuais. Sem falar no desenho, se olhava um carro e sabia se era Ford, GM ou Chrysler. Hoje são todos "coreanos".

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    5. Anônimo18/10/13 13:41
      Foi uma epoca de ouro para os EUA e para a GM concomitantemente.
      Ate hoje, 60 anos depois, as pessoas suspiram extasiadas ao verem BelAire, Cadillac, Buick e Corvettes daquela época.
      Como disse o JJ a GM merecia mesmo.

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    6. Época de ouro dos carros norte-americanos e da GM. Merece os elogios.

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    7. Até os anos 70, no mínimo, a GM era conhecida por fabricar automóveis que causavam suspiros a qualquer autoentusiasta. Por exemplo, quando a GMC estava preparando o lançamento do Opala nos anos 60, o desenho da carroceria foi propositalmente alterado, em relação aos demais modelos do Opel Rekord "C" já existentes ao redor do mundo, pois ela tinha como política na época não fabricar carros iguais em desenho em países diferentes.

      Eu não esquento se alguém exalta determinada marca que não aprecio. Como cada um tem seu próprio gosto, consigo entender perfeitamente a euforia do outro ao escrever um texto, sem que isso me cause qualquer desconforto ou estranheza ao ler. Como sou fã de carteirinha da linha Opala, é impossível eu não me exceder em elogios ao falar do modelo, por mais defeitos que ele possua.

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  3. Aí, anônimo das 13 e 41:
    GM rules !

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  4. Muito interessante. Formas típicas do modernismo pós Segunda Guerra - colunas esguias, formas curvas e incitantes ao movimento. Vidros planos e amplos.
    Tem alguma coisa nesse carro que lembra tanto o Mercedes 300 SL quanto o Facel Vega.

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  5. Dois carros que, apesar de entender as razões, nunca vou perdoar os fabricantes pelo desvirtuamento sofrido: Thunderbird e Toronado.

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  6. Espere aí, Juvenal, mais um para entrar na sua máquina do tempo, e voltar aos 50: não parta sem mim! Tenho adoração por aquela década, e nada que se possa imaginar sobre rodas, me fascina mais que aquelas maravilhosas, fantásticas, espetaculares, sensacionais, estupendas, magníficas, e incríveis "barcas" norte-americanas dos anos 50. Nada, absolutamente, nada!

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    1. E nao foi so um periodo marcante para a industri ade automoveis , como voce deve saber..
      Corrida espacial , aviao a jato, tambem marcaram a epoca.
      Tivemos grandes ransformacoes culturais como o aparecimento do rock and roll , TV; surf moderno entre outros.
      Tambem gostaria de ter vivido nos 50's e 60's!

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    2. Vivemos numa época até que interessante. Se tiver mesmo a máquina do tempo, poderia levar os ecochatos para antes da invenção do fogo, e todos seríamos felizes!

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  7. Os Motoramas devem ter sido algo de sensacional!

    Pena que passou (e não volta mais) esta época de tanta criatividade e dinheiro farto, onde engenheiros, projetistas e diretores da montadora tinham carta branca para transformar idéias em protótipos funcionais, que até dirigiam no dia a dia, como o Buick Y-Job.

    Aliás, já que estamos falando de Corvettes, e lembrando então Harley Earl, que tal também uma reportagem sobre o incrível "ônibus" Futureliner, desenhado por ele para a Parade of Progress?

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  8. Prezado Juvenal! Estou beirando os 56 anos e apesar de "cheirar" gasolina ou diesel desde os 6, me sinto um analfabeto funcional sobre automobilismo! ( o que sem dúvida não é o caso da equipe que se propõe a escrever e postar neste blog! ) Concordo inteiramente com você, se pudesse voltar atrás escolheria os " fabulous fifties" e não seria só pelos automóveis...Não há como não se emocionar vendo alguma coisa inspirada ou que inspirou um belo impala duas portas 58 sem coluna, cujo cheiro interno me vem as narinas como se estivesse sentado lá dentro ontem...

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  9. Esse é um dos carros que lamento não ter sido produzido. Tirando o pára-brisa que avança pelo teto (isso me desagrada sobremaneira...), o restante do desenho da carroceria é fantástico! Um modelo realmente único, que provavelmente teria feito ao menos algum sucesso se tivesse sido lançado. Mas, vai saber, provavelmente não caiu no gosto do público dos Motorama e a GMC decidiu por não lançar o modelo.

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  10. Acho que a Citroen se inspirou ai para fazer o parabrisa do C3.

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  11. Os anos 50 viram os carros mais bonitos de todos os tempos... sem saudosismo.

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  12. Paulo Vanderlei Lisboa21/10/13 15:51

    Sou fascinado pelo design retrô dos automóveis. A exemplo do PT cruise e VW Fusca, deveria haver mais lançamentos de carros com visual vintage ... Este Corvette Impala NMHO faria sucesso, embora no início pudesse ser chocante mas depois deslancharia ... só que tem q lançar como o Fuca, com plataforma, motor, câmbio e tecnologia de ponta, porém competindo em preço com outros modelos não-vintage do mercado em sua faixa... acredito q esse é um segmento esquecido pelas montadoras... nem penso como carro de nicho, mas como uma volta em grande estilo aos modelos que fizeram história em suas respectivas épocas ... outro que meu pai teve e era espetacular era um modelo DKW, inclusive com portas suicidas... que tal um modelo karmann-ghia?

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  13. velho rabujento09/12/13 12:40

    Também gosto da GM e dos seus carros, inclusive Celta, Agile, Spin, S10, Opala, Chevette e tantos outros mais; há quem goste mais da Ford, Chrysler, Volkswagen, Toyota, Honda, etc., pois gosto é pessoal e igual a nariz, cada um com o seu, feio ou bonito e ninguém tem nada com isso, nem razão maior para criticar, a não ser que seja portador daquele ranço inaceitável e que tão bem caracteriza pessoas pequenas e ignorantes, além de burras, que se acham no direito de discordar apenas porque o outro não é igual a si próprio em gostos e opiniões; para esses, minhas condolências e meu sincero deseja de que vão se ferrar!

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