A ALAVANCA SUMIU

Foto: autozine.org
Interior do Ferrari F430

Esta semana o Arnaldo e eu andamos bastante de Ferrari F430 em Interlagos. Foi para a gravação de um vídeo-piloto para algo que temos em vista. Não é nada para o AE, mas por enquanto não podemos  revelar a finalidade exata do que fizemos.

O F430 foi lançado no Salão de Paris de 2004 e trouxe uma novidade na marca, o câmbio tipo Fórmula-1 chamado Impulse, seis marchas, com tempos de troca de até 150 milésimos de segundo, diferencial  autobloqueante de controle eletrônico que permite ajuste de suas características por um pequena alavanca  giratória no volante de direção. O novo Ferrari substituiu o F360 Modena e foi fabricado até 2009, quando deu lugar ao F458 Italia.

Esse câmbio, atrelado ao motor V-8 de 4,3 litros e 490 cv, é um robotizado monoembreagem que inclui função automática, como tantos outros que já temos aqui em modelos produzidos pelas fábricas mais antigas, exceto a Ford, e de que já falamos no AE. Mas no F430 havia outra novidade: a alavanca de câmbio não existia mais, fato repetido no F458 Italia.

É bom não ter alavanca de câmbio? Não acho nada bom. Há quem ache o máximo trocar marchas pelas borboletas, a pessoa "viaja" se imaginando um piloto de F-1, mas há quem não, meu caso. Por isso todo fabricante deve atender a ambos os gostos. É assim no Audi R8 e na maioria dos carros que tenho dirigido ultimamente. A escolha deve ser de quem dirige, não de quem projetou o veículo.

A velha história de a isca ser saborosa para o pescador e não para o peixe.  O bom senso manda o contrário se a finalidade é pescar.

Claro, no auge de uma tocada mais rápida pode até ser conveniente  ter os polegares encaixados na raiz do dos raios com o aro do volante e os dedos indicador, médio e anular puxando as borboletas - direita para subir, esquerda para reduzir. Mas não é toda hora que se anda rápido e nem é toda hora que se segura o volante com as duas mãos, mesmo que seja obrigatório pelo nosso código de trânsito, um atavismo resultado do tempo em que qualquer coisa o volante fugia das mãos. Nesses momentos de só uma mão ao volante, ter alavanca é ótimo. Imprescindível, diria.

Nem sei quantas vezes, ao levar o motor do F430 a 8.500 rpm, a rotação de potência máxima, minha mão saiu em busca da alavanca e nada encontrou. Que sensação horrível! Antes que os leitores mais jovens digam que isso "é coisa de velho", adianto: é mesmo! Em 17 de dezembro último completei 50 anos de habilitado, fora os dez anos anteriores sentado no banco da esquerda, com maior frequência a partir dos 15 anos. Esse tempo todo sempre havia uma alavanca para trocar de marcha, seja no assoalho, seja na coluna, caso do DKW-Vemag. E quando dava uma voltas no JK de um tio, cinco marchas na coluna. Ah, e o meu iniciador, o Citroën 11 do tio que ensinou a dirigir, com sua alavanca que saía do painel.

Painel do Citroën 11 e alavanca de câmbio que saía do painel (foto sintra-lisboa.olx.pt)
Os que pensam como eu tinham alternativa, o F430 era disponível também com caixa manual de seis marchas, com direito à grelha dos canais das marchas e tudo, mas isso acabou com o F458. A Ferrari decidiu que alavanca de câmbio pertence ao passado e seu brilhante modelo não a tem mais.

Vaiando de pé.

BS

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