google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014): Resultados da pesquisa ax gti
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Acima, o AX do Nilo Mello, "calçado" para pista.


O texto a seguir foi escrito pelo nosso amigo Nilo Mello, do Rio de Janeiro, que possui um dos carros que estão na minha lista de desejos (wish list em inglês, que costumamos chamar de "vixe list").
Apreciem a descrição divertida e apaixonada que ele faz desse brinquedo.
JJ
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O AX é um daqueles superminis gostosos de guiar. É meu caixote preferido. Projeto da década de 80, que vingou muito na Inglaterra, França (como não podia deixar de ser) e Alemanha. Bem pequenino mesmo. Pra se ter uma ideia, de vez em quando paro o Twingo e ele, lado a lado, meu Renaultzinho parece uma van do lado dele.
Mas vamos ao que importa mesmo. O bom do carro não é ser pequeno, mas leve. Meu carro, que é o GTi, a versão mais completa - e pesada - que saiu, pesa 790 kg. Tem um 1,4-litro ardido, com cabeça de 8 válvulas, mas comando brabíssimo. A lenta é a mais de mil rpm, mesmo com injeção e motor quente. São 95 chevaux a 6.600 rpm, pra se ter ideia de como o comando é brabo. Corte eletrônico a 7.200 rpm e olha que vai com vontade até lá. Uma delícia. Pela relação peso-potência, já dá pra você ter uma ideia de como anda. É um carrinho bem espertinho e responde prontamente ao acelerador, apesar de seu sweet spot ser após as 4.500 rpm. Ainda assim, na baixa ele vem bem por conta do baixo peso. Mas, na verdade, onde o carro brilha é no comportamento dinâmico.
Não sei se vocês já tiveram a oportunidade de guiar esses Citroëns da década de 90 como ZX ou Xsara VTS, com aquele eixo traseiro que esterça levemente por meio de rolamentos. Se não tiveram, estão perdendo. São carros de rua com comportamento dinâmico que lembra carro de corrida de tração dianteira onde a traseira vem sempre pendurada nas entradas de curva. Daí pra frente é pé trancado, frente agarrando no chão e a traseira sendo puxada. Aliviou um pouquinho, a traseira adota um ângulo maior de yaw (guinada em inglês). Voltou a pisar, o carro agarra a frente e a vem puxando. Muito bom mesmo. O melhor de tudo é que isso acontece de maneira extremamente progressiva e dócil, genial. Claro, considerando que o carro está "calçando" Michelins e que os rolamentos e buchas do eixo não estão ressecados.
Uma coisa que pude perceber após guiar diversos desses carros, em diferentes estados de conservação, é que o menor desgaste nesse sistema faz o comportamento do carro ficar muito arisco, daqueles que ameaçam matá-lo se você não pegar o slide. Mas por que estou falando aqui de ZX e VTS se o papo é AX? Porque o AX é um míni-ZX de comportamento dinâmico. Embora o menor não possua o eixo traseiro direcional, o comportamento em curva é exatamente esse que descrevi. Com um pouco mais de progressividade pro AX, apesar do entre-eixos menor. A quantidade de grip disponível nas rodas dianteiras é impressionante, assim como a facilidade pra mudar de direção e contra-esterçar quando em situação que peça isso. Ao começar a guiar o carro, uma coisa que chama a atenção é a sensação de se estar em um kart. Não pelo tamanho dele, mas pela pequena altura. Pela maneira como você fica situado próximo ao solo. Sabe quando você consegue ver os detalhes do asfalto, quase identificando os pequenos pedaços de quartzo na manta? É assim nele. Como em um kart. Experiência única isso.
Outra coisa que gosto muito no AX é que é um carro com pouquíssima eletrônica, limitando-se à ignição e injeção, praticamente. Costumo dizer que é o carro mais "mecânico" que já guiei. Acelerador com cabo, caixa de direção sem servo, pesadinha até, embreagem e freios com pegada. Você sente o disco acoplando. O mesmo digo da caixa de marchas. Ao levar a alavanca até a marcha, você sente o caminho entre as engrenagens. A mesma coisa no freio, que aliás, é excelente pra um carro tão leve. Melhor, quase não gasta pastilha.
Há, obviamente, os contras. Até agora eu disse o que a máquina é como carro. Ele tem um grande senão (não digo problema porque eu gosto da ideia), vem com a representação das duas helicoidais na frente. Ter um Citroën é uma experiência única. E ter Citroën velho é somente para iniciados. Comprei meu carro com 21.000 km. Nunca deu nada sério, mas já tive problemas de aquecimento por conta da bomba d'água que se desmantelou, uma magueira velha que abriu, um radiador que não aguentou a pressão depois que eu pus de volta a tampa original e buchas de balança que ressecaram. Tenho um problema de embuchamento de caixa de direção, que vai ser sanado brevemente e já tive algumas outras pequenas dores de cabeça que são regra em todo bom Citroën. O bom é que nunca é nada sério (nos franceses, digo; jamais compre um uruguaio ou sua caixa vai quebrar com 20.000 km). Pequenas besterinhas que às vezes irritam, mas que são, como disse, pequenas besteirinhas. Afirmo com a propriedade de quem já fez três trackdays acelerando tudo no carro, bem como idas a Três Rios a 7.000 rpm direto por mais de 15 minutos. Não quebra! No final, o carro é excelente. Tanto que rasguei o recibo. O que esse carro me proporciona de bons momentos dinheiro algum paga.
Minha mulher costuma dizer que eu fico exatamente igual uma criança que pega seu brinquedo novo pra usar. Pego a chave do meu Citroënzinho e já saio rindo, não importa o dia que eu esteja tendo. Adoro aquele carro por isso e por tantas outras coisas. Chamem-me ridículo, palhaço, o que quiserem. Mas eu amo meu Citroënzinho.

NM
No final de semana, aconteceu de novo. Minha sina me alcançou, por mais que eu a evitasse, viajando para um lugar ermo bem acompanhado. Perdido em alguma rua em Itatiaia, RJ, cruzei com mais uma Alfa GTV em busca de um dono. A namorada, já escolada, nem esperou eu pedir:"Pode ir lá ver o carro. Acho que tem um anúncio de vende-se na janela", e lá fui eu.

Prata, rodas de liga-leve, volante de 2300, vidros elétricos, e, segundo o anúncio, com direção hidráulica. Crap! Mexida demais, mas não custava nada ligar. Nada, a não ser o custo de uma ligação DDD de um celular fora de área + impostos. Caixa postal, deixei recado, e segui viagem, obviamente pensando em um donor car para a esquecida neguinha na garagem.

Chegando em São Paulo, o celular toca, um número com prefixo do RJ. Atendo, e obviamente, guio logo a conversa para o preço.

(Interrompo agora para deixar uma nota ligeriamente relacionada: alguém se lembra do Citroën AX GTi que encontrei tempos atrás num passeio de Alfa Spider? Aquele cujo dono ficou com um cartão meu, e disse que entraria em contato quando fosse vender o veículo? Pois é, ele me contatou, perguntando se ainda havia interesse, há cerca de uma semana. Respondi que sim, e ele não respondeu. Flertei com a idéia de um carrinho com a pintura faded com o preço FIPE equivalente ao que pagaria de seguro esse ano no daily-driver mais a franquia, caso eu necessitasse dos serviços, mas como não houve resposta, deixei para lá.)

O dono da Alfa prontamente respondeu, 45 mil reais. Na minha cabeça, pelo estado do carro, 10 mil era muito bem pago. Funilaria porca, nada de original... mas desconversei logo, e falei que nesse preço compraria um carro aqui em SP mesmo, agradecendo o retorno da ligação.

Hoje o dono do Citroën respondeu, 11 mil reais. Por um carro cuja tabela FIPE é 5500 reais, e que necessita de pintura!!! E por que escrevo aqui se achei tudo caro e não vou comprar nada?

Para agradecer, isso sim. Preciso mesmo guardar dinheiro, venho gastando muito. E nem um AX GTi barato, muito menos uma GTV barata poderiam me ajudar agora.

Sábado passado acordei de um modo que não acordava há tempos num sábado: sem programação nenhuma. Sem ter que comprar peças da Vespa, sem ter que levar a Alfa em algum lugar, sem ter que ir ver algum carro em algum bairro distante, nem nada disso. Sol forte, cabeça ainda centrada no passado, achei melhor dar uma volta. E what better way to do it do que num conversível, para limpar a mente?

Apelei à garagem de Egan Sr., onde ele guarda sua Alfa Spider 73. Capota aberta, tanque quase cheio, óleo de motor e circuitos hidráulicos (you never can tell, diria Chuck Berry) checados, saí pelas ruas da cidade, debaixo do sol forte. Pouco trânsito (fato cada vez mais incomum em São Paulo durante os sábados) pelas avenidas, atravessei a cidade, curtindo o passeio. Relembrei a primeira vez em que dirigi uma Spider como aquela, muito anos atrás, quando Egan Sr. tinha um carro idêntico. Eu tinha 10 anos de idade à época e, como presente de aniversário atrasado, meu pai dirigiu o carro até a Cidade Universitária e me deixou guiá-lo à vontade, "no lugar onde um dia eu estudaria". Pensando no assunto, me dei conta de que estava chegando à Cidade Universitária, então resolvi fazer ali meu passeio a esmo.

Rodei bastante pelas ruas da USP, ora me imaginando num fictício "Grande Prêmio da Cidade Universitária" (thinking about it, dá pra fazer um belo circuito lá dentro), ora pensando em inúmeras memórias que surgiam à cabeça conforme os prédios iam passando, e a Alfa roncando. Lembrei daquele dia, com meu pai ali, quando coloquei pela primeira vez a terceira marcha num carro. Lembrei de quando estudei lá, por seis meses, até abandonar o curso de medicina. Lembrei dos amigos que ficaram lá e se formaram, e hoje levam uma vida completamente distinta da minha. Lembrei do que fiz e do que fazia quando saí de lá. Lembrei de dias e fatos, de aprendizados, de pessoas.

Dirigir algo que gostamos, em um belo lugar, é algo realmente excepcional. O prazer de dirigir se mistura ao prazer de estar lá, e a mente viaja no ritmo do ronco do 4-cilindros. É algo realmente especial, recomendado e sem contra-indicações.

Dirigi sem rumo por três horas, sob o sol forte. Hoje exibo um bronzeado avermelhado, F1-bleachers-style e os braços dóem das queimaduras. Mas, a cabeça, apesar de queimada e com a marca dos óculos de sol, está mais tranquila.

Vale notar que no passeio vi meu próximo brinquedo, parado na rua, à espera de um novo dono. Um belo e simpático Citroën AX GTi, verde escuro. Pintura original, bem faded, quase todos os detalhes de acabamento lá (faltava uma moldura no pára-lamas dianteiro esquerdo), interior novo, o que já vale o carro. Conversei com o dono, que disse que pretendia vendê-lo, sim. Mas que droga. Limpei minha cabeça de um lado e enchi de outro. Não vendo mais a GTV, mas acho que a restauração dele vai demorar um pouquinho mais pra sair...


Fui lá senhores, vi a Vespa, e pra alegria de alguns leitores, não vou comprar. Vespa, monocoque, 10 anos de praia, coisas que definitivamente não combinam. Mais barato comprar uma pronta, e mais rápido. Mas péralá, já é quase o preço do Citroën AX GTi... acho que vou mandar um e-mail pro dono daquele carro que encontrei tempos atrás...

Falando em Vespa, mais umas idéias de Vespa Custom podem ser encontrada uma aqui e a outra logo abaixo. Adorei o visual, devia se chamar "little one little indian".

foto surrupiada de algum site por aí, não deu pra remover o turista...
Talvez esse seja o final ideal para essa vontade de ter uma moto. Ela não passou, mas, como fazer a Storz XR1200, ou mesmo uma XR883 (claro que é só desculpa pra publicar mais umas fotos delas...) ficou bem caro por conta do dólar, é um sonho que foi um pouco adiado.







Quem sabe daqui uns 6 meses o dólar não cai e importo uma turnkey, prontinha, pra montar nela e ir até o inferno e voltar?