google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)

O carro das fotos pertence à um grande amigo meu: Paul H.
Ele tinha um problema no trambulador desse carro e eu o ajudei. Desnecessário dizer que existe uma irmandade entre donos de Corvette.
Estamos em janeiro, mês que neva muito. Há semanas temos muito sal nas ruas.
Ver isso me deixa triste. Mas o fato é que 70% dos donos de Corvette compram o carro, ficam 2, 3 anos com ele, usam muito (é um carro forte e confiável) e depois compram um novo.
Usam muito: essa é a parte ruim.
A rajada de sal que um carro desses toma é terrivel para toda a parte de baixo: motor, chassis, suspensão.
O C6 convencional tem chassis de aço, não de aluminio como no Z06 ou ZR1. Nos três casos NUNCA você coloca um carro desses no sal.
Essas fotos, são fresquinhas de uns minutos atrás.
Essa foi minha conversa com o Paul hoje de manhã no estacionamento, sem legendas. Dá para entender minha frustação.
Paul: "Hey dude, what's up?"
Eu: "Paul, WTF?"
Paul: "Yep buddy. I know, I know... But I'm getting a new Grand Sport soon."




Primeiramente, peço licença pelo título. Fui batizado assim pelo Alexandre Garcia (Mr.V8) e depois crismado com o mesmo nome pelo Paulo Keller.
O fato é que em determinada hora dei uma escorregada e resolvi adquirir um 911 como qualquer menino que cresce e quer ter um.
Aqui dois erros graves:
a) Comprei conversível. Era um Carrera 2001 conversível câmbio manual.
b) Comprei um 996, ou seja um 911 refrigerado a água.
Era preto com interior preto e capota preta. Ou seja, triple black.
O racicíonio foi que: Prefiro novo e o 911 é bom para levar crianças pequenas atrás.
O que aconteceu? Fiquei com o carro pouco tempo e vendi ele trocando por um Corvette 2001.
Mas por que?

Em primeiro lugar, agradecimentos pela lembrança do Sr. Joel Gayeski pelo programa.
Victory by Design é um programa obrigatório para qualquer amante do automobilismo.
Até ler a dica do Sr. Gayeski, eu acreditava que tinha todos os filmes. Claro, sempre achei estranho não haver uma série com o Corvette e o Alain de Cadenet não me decepcionou. Eis que ele fez filmes sobre o Corvette. O filme do Corvette é o último da série.
A série Victory by Design merece um texto mais detalhado, mas agora tenho apenas 30 minutos para preparar esse aqui rapidinho.
Estou indo para a Amazon ou eBay agora comprar o DVD do Corvette.
Sendo assim, uma pequena parte está disponível e não poderiamos deixar de disponibilizar aqui no AUTOentusiastas para quem não viu.
Duas versões para que todos possam assistir independentemente da qualidade de acesso que tiverem.
Long live the Vette!
Cheers.











Hunka, Hunka burning love!

Que Elvis Aaron Presley era o rei do Rock and Roll nínguem discute. O que poucos sabem era que Elvis gostava de carros, mulheres e armas. Não necessariamente nessa ordem.


O Pantera 1971 de Elvis como se encontra no museu atualmente.
No final da vida, Elvis começou a decair vertiginosamente. Se divorciou de Priscilla, engordou, namorou Candice Bergen, engordou mais, namorou Cybill Shepherd, engordou ainda mais, namorou Linda Thompson, comprou um carro para ela, engordou mais e atirou no Pantera!


Elvis guiando o Pantera devidamente equipado com óculos e costeletas.
O fato é que Elvis comprou um carro híbrido para Linda. Claro que ele não comprou um Toyota Prius para ela. Híbrido eram chamados os carros europeus da época, com motores americanos. No caso, um DeTomaso Pantera 1971 amarelo com motor de 351 polegadas cúbicas (5,7 litros) OHV da Ford capaz de 266 hp atrelado a um transeixo ZF de 5 marchas. E, claro, na década de 70 bastava ter motor central que já era um carro exótico.

Motor Ford 351 OHV e transeixo ZF de 5 marchas do carro de Elvis.
O DeTomaso Pantera era um carro de uma empresa italiana fundada por um argentino chamado Alejandro DeTomaso, com motor Ford americano e projetado por outro americano, Tom Tjaarda (nativo de Birmingham, no Estado de Michigan). A Ford acreditava que estava criando um novo nicho de mercado com o Pantera. Para os seus executivos o Pantera era o link perdido entre os carros exóticos europeus e os muscle cars americanos. Um carro com performance igual ou superior à de um Ferrari porém com peças comuns de Mustang.


Além do motor Ford, os Pantera eram vendidos em concessionários Ford no mercado americano e, durante um tempo, vinham equipados com o mesmo volante do Ford Capri, como no exemplar de Elvis. Isso era devido à legislação americana quanto ao tamanho mínimo dos volantes. Muitos donos americanos trocaram os volantes para os mesmos usados no mercado europeu. Elvis pagou US$ 2.400 pelo Pantera amarelo de Linda Thompson. Um pequeno mimo que Elvis depois quis de volta.

O interior de outro Pantera de 1972 como vendido no mercado europeu, com um volante de acordo.
O Pantera que Elvis deu a ela ficou famoso. Não porque Elvis o dirigiu em algum filme (ele já não cabia nas telas na época) mas sim porque, em um momento de fúria, Elvis meteu três balas à queima roupa no painel do Pantera sentado no banco do motorista. Por que? Bem, Elvis foi pegar o carro de volta porque tinha brigado com Linda e o carro não pegou de primeira, a bateria estava descarregada. Mas pegou na segunda tentativa com ajuda de outra bateria, afinal é preciso mais do que três balas para parar um Pantera!

O compartimento dianteiro do Pantera de Elvis onde ficavam a bateria e o estepe.
Os três tiros não foram fatais. Um pegou na porta porém foi consertado por um dos donos subsequentes. Os outros dois pegaram no volante do Capri sendo uma de raspão do lado esquerdo a 11 horas no volante e o terceiro tiro entrou a 9 horas, como mostra a foto.

O volante baleado de Ford Capri do Pantera de Elvis.
Reza a lenda que esse carro foi vendido por 1 milhão de dólares (na época em que 1 milhão era muita grana) para um dos donos antes de chegar às mãos de Bob Petersen que é o atual dono do Pantera ferido. Petersen era promotor de artistas e um entusiasta amante de hot rods. Tinha vários carros exóticos inclusive um Lamborghini Espada. O Pantera tinha duas funções para Petersen: ter um carro que ele gostava com DNA de hot rod, e que perteceu à celebridade das celebridades. Mais tarde, Petersen veio a fundar a Petersen Publishing Corporation que entre outras coisas publica as revistas Motor Trend e Hot Rod. O mundo dos entusiastas é mais cheio de intrigas que as novelas mexicanas, não?



De acordo com a máfia de Memphis, Elvis gostava de andar armado. Ele carregava vários tipos de armas, desde rifles até pistolas. Um dos amigos próximos de Elvis, com medo do pior e vendo o que tinha acontecido com o pobre Pantera, começou a encher a bola de Elvis dizendo que ele deveria aprender karatê. Afinal, qual arma seria mais poderosa que o próprio Elvis? Mas Elvis não se conteve em apenas atirar no pobre e indefeso Pantera. Em certa ocasião, ao assistir televisão com amigos viu um programa sobre o desafeto Robert Goulet e não teve dúvida, mandou chumbo no aparelho de TV também.

O aparelho de TV que Elvis baleou.
Atualmente o Pantera se encontra em um museu, mais precisamente o Petersen Automotive Museum, em Los Angeles. Para alegria dos fãs de Elvis e entusiastas, o Pantera não foi restaurado e se encontra com a pintura externa original, pintura do motor também original em azul Ford e interior quase de fábrica exceto pelo painel da porta esquerda que foi trocado devido ao tiro que tomou. Porém o volante emprestado do Ford Capri continua com as duas marcas de bala.


Julgando pelo estrago e de acordo com testemunhas da época, a arma do crime foi uma alemã Walther PPK, mesma arma que Hitler supostamente usou para se matar e a mesma pistola preferida do agente mais famoso do MI6: James Bond 007. No caso de Elvis, sua PPK era folheada a ouro e tinha cabo de marfim. Uma coisa interessante sobre essa pistola de Elvis foi que ele a deu de presente em 1973 ao ator Jack Lord, bem conhecido pela série Havaí 5-0. Mas uma coisa ainda me intriga: sendo a PPK uma arma de calibre 38, o buraco na direção me parece que foi feito por uma arma de calibre menor, algo do tipo calibre 22. Porém, não sabemos se o volante recebeu algum pequeno reparo ou se o tempo se encarregou de encolher o buraco de bala.

A PPK folheada à ouro que Elvis presenteou a Jack Lord em 1973
Elvis gostava de automóveis bons. Em especial, gostava de carros americanos: ele era patriota. Porém, enquanto serviu o exército na Alemanha, Elvis foi dono de um belo BMW 507 e de um Messerschmitt.KR 200. Isso mesmo! Não se tratava de um letal caça Me-109 mas sim de um dos primeiros bubble cars fabricados pela mesma empresa que deu ao mundo o Me-109 e o jato Me-262.
Quando voltou à América, Elvis continuou com os Cadillacs, teve um Lincoln preto limusine em 1960, teve algumas Harley-Davidsons, um Rolls Mulliner Phantom V e dirigiu o único Corvette Stingray racer 1959 de Bill Mitchel no filme "Clambake" ("O Barco do Amor", 1967), que foi pintado em vermelho para a ocasião. Mas uma coisa é de se respeitar em relação à Elvis: ele sempre preferia um ícone americano a dirigir um Ferrari ou um Jaguar XKSS, como Steve McQueen fazia.


O BMW 507 de Elvis enquanto servia o exército americano na Alemanha.



Elvis e seu Messerschmitt KR 200 de 3 rodas.
Esse é o vídeo do Pantera 1971 de Elvis Presley que esteve no Concorso Italiano de 2009:








Em 1970 o Porsche 911 era um carro esporte puro e honesto.
Nesse ano, iria receber algumas modificações interessantes. Entre elas a suspensão dianteira que foi movida 14 milímetros para a frente com o intuito de reduzir o esforço necessário para operar a direção. O motor também ganhou maior cilindrada, agora com 2.165 cm³.
Em 1970, o diferencial autobloqueante era um ítem opcional e nos Estados Unidos o carro era vendido em 3 versões:
- 911T com 145 cv e velocidade final de 205 km/h custando 6.430 dólares.
- 911E com 175 cv e velocidade final de 220 km/h com o preço de 7.895 dólares.
- 911S com 200 cv e velocidade final de 230 km/h a um custo de 8.675 dólares.
Apesar de estar no mesmo nível em termos de performance de um Jaguar E-Type e Corvette básico, o 911 era muito melhor acabado e conseguia andar muito bem através de finesse ao invés de força bruta.
Porém, era um carro bastante caro e custava mais que o Jaguar E-Type e o Corvette, mas algo em torno de mil dólares mais caro que um Mercedes 280 SL. Hoje tanto o Corvette quanto o Jaguar E-Type valem mais dinheiro que o Porsche.
Um 911 1970 já é um quarentão (ah, como gosto da língua inglesa, onde carros são sempre referidos no feminino e não no masculino...).
Conheci um novo vizinho de rua esse final de semana. O tempo estava bom e não estava nevando, então ele tirou o 911 1970 dele para fora da garagem a fim de deixar o motor rodar um pouco.
Mas o que é mais interessante de tudo isso é que esse carro que estão vendo nas fotos foi o primeiro carro dele. Ele o comprou novinho em 1970 e tem o carro há quarenta anos! Foi com esse carro que conheceu a esposa, que diz que também foi com esse carro que os três filhos foram concebidos.
O fato é que o carro ainda tem a pintura e toda a parte mecânica originais, apesar de ter vivido quarenta anos de aventura. A única coisa não original do carro são parte do revestimento dos bancos dianteiros que foi trocado por tecido, uma vez que o couro se deteriorou.
Dos três filhos, dois não dão a mínima para o carro, porém um já o pediu para ele. Como diz o pai:, melhor , assim não tem briga.
Chris, o dono do carro, é um engenheiro de computadores aposentado e agora trabalha como instrutor de ski meio periodo aqui, em um resort de Park City.
A vida cheia de alegrias e realizações a bordo de um Porsche 911 manteve o casal feliz e com total juventude.
Um verdadeiro Autoentusiasta, esse meu vizinho.
Ah, sim, o melhor da festa: ele já me convidou a experimentar o 911 na primavera.
Mal posso esperar!



Logo que vi o carro a primeira coisa que pensei foi tirar essas fotos com o iPhone e mandar para o MAO. Sabia que ele iria apreciar toda essa pureza aos quarenta!
Para recebermos o novo colunista, Carlos "Mr. Corvette" Scheidecker.





Aposto que não temos nenhum leitor que não goste de Corvette. Eu pelo menos não conheço ninguém!

O carro da foto é de um colega australiano aqui no escritório.
Ao que parece, todo dono de Toyota gosta de fazer isso no inverno.
Sei porque quando era mais novo eu fiz o mesmo com a minha 4Runner e por sorte nada aconteceu.


Porém isso resulta em alguns acidentes indesejáveis.
A neve está compacta porque o snow plower tirou do estacionamento e empurrou para o lado criando esse monte de gelo.
Acontece que acaba derretendo e cedendo sempre um pouco e, com isso, o carro vira.
Semana passada teve um cara aqui que fez igual, também com uma Toyota e o carro virou.
Sorte que não tinha nenhum carro ou pessoa do lado para não aumentar o estrago.


A expressão do sujeito ao voltar ao estacionamento e ver sua Toyota tombada de lado foi algo que não consigo descrever. Priceless, seria o termo que me vem à mente.
Fica então a lição: Não estacione seu Toyota dessa forma sobre gelo principalmente quando há centenas de vagas livres.


Eu nunca tinha passado tantos dias abaixo de zero. De -6 °C a -20 °C. Como vocês podem imaginar, foi uma passagem de ano bem gelada.
Minha primeira vez na Suécia, no inverno, trouxe várias revelações: do frio, do povo, do país, da experiência de dirigir na neve e até de um motor flex não brasileiro.

A companheira foi uma perua Volvo V50 Flexifuel. Modelo de entrada, era a que estava disponível para esta viagem marcada às pressas. Câmbio manual, tração dianteira apenas, o que me preocupou um pouco no início. O carro vem com uma escova/raspador de gelo (para os vidros) e um cabo pra conectar o carro em postes de alimentação de energia elétrica pra manter a bateria viva em períodos mais longos de inatividade (logo me vem à cabeça como será fácil esse povo se adaptar aos elétricos que precisam de recarga à noite, pois a infraestrutura básica já está lá!). Não gostei muito de encontrar um kit de primeiros socorros no porta-malas...

Nesta foto, percebe-se que a convivência com a neve certamente influencia o design sueco!

O acabamento não chega a ser luxuoso, mas os plásticos são todos macios e bem acabados. O carro tem um design interno bem resolvido com o console "flutuando" com os controles de rádio e ar condicionado e o utilíssimo aquecimento de bancos. Usei muito o cruise control nas monótonas estradas de lá.

O simples ato de entrar, arrumar o banco e espelhos e sair dirigindo não funciona na Suécia. O para-brisa estava cheio de neve. Uma passada do limpador, ruído seco e nada. Quem sabe com o líquido de limpeza (acho que é etilenoglicol)? Após o forte cheiro, melhora, mas ainda não dá pra dirigir. Olho pro raspador de gelo e imagino que não deve ser tão complicado assim... De fato, segundos depois estou pronto pra partir (impressionante como somos ágeis quando estamos morrendo de frio!).

Rodando, a primeira coisa que se nota é o alto ruído de rolamento. Todos os carros rodam com pneus de inverno, com desenho específico para tracionar na neve e tachas nas duas fileiras mais externas. Não consigo nem julgar se o asfalto é bom ou não, não tinha como se notar isso. É barulhento. Eu não sabia, mas estava rodando com E85. Não percebi nada de diferente na partida ou na performance, nem no ruído do motor (para se notar aspereza), que era encoberto pela aspereza do rolamento. A autonomia foi terrível, 350 km e já cheguei quase à reserva. Fez menos de 10 km/l, basicamente em estradas. Dias depois, reabasteci o tanque com gasolina (usei a de 98 octanas), rodei 450 km e ainda não havia chegado à reserva. A diferença de preço do E85 para a gasolina (95 octanas) era de cerca de 10%. Economicamente, não valeria a pena. Mas não notei nenhuma dificuldade de partida com E85.

Dirigir na neve é, no mínimo, divertido. Todo semáforo é um exercício de controle (ou uma brincadeira com o controle de tração), em toda rotatória dá pra soltar a traseira (lembrando que elas são emolduradas por 50 cm de neve, não tem uma boa área de escape), dá pra escrever uma tese sobre o funcionamento do ABS (cheguei a freiar por uns 80 m com o pedal tremendo e o ABS funcionando sem parar em um lugar tranqüilo, brincadeira proposital). Lá ABS e controle de tração são essenciais. Eu estava com passageiros no carro, inclusive crianças, então não era possível brincar muito. Mas foi como a viagem da Porsche que relatei meses atrás, muita diversão a baixa velocidade. Apenas em uma alça de acesso, saindo de uma estrada, não percebi a velocidade e tive realmente que controlar a desgarrada. Fica um tal de asfalto/areia/neve que bagunça todo o comportamento do carro.

Na Suécia, eles não usam sal pra derreter a neve, e sim, areia. O sal, além de deteriorar mais os carros, só é efetivo se a temperatura chegar próxima a zero, o que nem sempre acontece nesse país. A areia, por outro lado, cria situações inusitadas. Após algumas horas de fluxo de carros, a estrada fica limpa e sobra uma faixa de areia entre as faixas de rolamento da estrada. Na hora me lembrou de estradas como a Rio-Santos, em trechos à beira-mar que acumulam areia que a brisa traz... Eventualmente, ao passar por essa faixa, há perda de tração em uma roda e o cruise control se desliga. Novidade pra mim. Eles usam areia até nas calçadas, o que diminui muito o risco de escorregões.
A lei exige que o vidro dianteiro e o traseiro estejam sem neve e sem gelo, assim como os faróis e a placa dianteira. Todas as câmeras de velocidade ou controle de pedágio urbano (em Estocolmo é cobrado) são frontais.

As estradas são limpas, prioritariamente, na faixa da direita. Muitas vezes o asfalto é visível apenas nessa faixa, o que torna a ultrapassagem um desafio à parte. A mudança de asfalto para neve nunca é simples e o carro, a mais de 90 km/h, não anda em linha reta, sempre oscila. A estrada também não ajuda. A E4, que usei mais, é uma sucessão de curvas de 2 ou 3 graus. Chatíssima! Como é feita a raspagem da estrada, não há refletores luminosos (olho de gato) como no Brasil. Às vezes a perda de referência visual é inevitável. A velocidade máxima era 110 km/h nas estradas principais, 90 km/h em trechos urbanos (próximo a Estocolmo) e 70 km/h em estradas secundárias.

Nas estradas secundárias, não é feita essa raspagem profunda, nem há tráfego suficiente pra trazer o asfalto à tona. Aí a condução muda, ficando mais divertida. Em estradas, é a regra de países civilizados. Todos na direita, exceto pra ultrapassar. Mas é menos respeitado que na Alemanha. Como mudar de faixa não é trivial, às vezes uns lerdos ficam empacados na esquerda. Mas ninguém passa pela direita. O limite é respeitado, mas com alguma folga.

O trânsito é bem civilizado, como esperado. Como a conversão à esquerda é possível nos semáforos, é comum, próximo a um cruzamento, o fluxo desviar para a fixa da direita para depois retornar, sempre deixando a faixa da esquerda para quem quiser fazer a conversão. Mesmo que não tenha ninguém.

Os semáforos utilizam o amarelo junto com o vermelho para avisar que o verde está por vir. E quase todos possuem sensores no solo, consegue-se um fluxo contínuo em períodos de baixo movimento.

Pedestre é sempre respeitado. Mas não é bobo. Ele sabe que não adianta enfiar o corpo na frente de um carro que trafega na neve "porque é seu direito". Aguarda a certeza que foi visto e que o carro vai conseguir parar.


Passear com o cachorro é tarefa normal. Ou quase normal.

O povo sueco é bem humorado, apesar dos dias curtos. Conviver com o frio de -10 °C, -20 °C é ruim mas gerenciável. Os dias curtos é que são a pior coisa do inverno sueco. Às 15:00 já estava escurecendo e 15:30 era noite. Horrível.

Se existe algo que se aproxime do socialismo teórico, é a Suécia. A desigualdade é baixa, a ponto de ser desmotivador para quem quer subir na vida. A licença PATERNIDADE é de 2 meses, a maternidade de 1 ano e meio. E esse tempo pode ser trocado entre os pais. Mas raramente o parto não é natural. Cesariana, só em último caso.
Como no resto da Europa, mão de obra é cara e faça-você-mesmo é normal. Construir um novo cômodo, reformar banheiro ou trocar papel de parede, tudo é feito pelo proprietário (assim como limpar a neve!). Nas palavras de um amigo sueco, tudo isso é muito legal, mas o encanador que ajudou na reforma da casa dele também mora em uma casa boa (um pouco mais longe do centro), tem 2 carros como ele (um pouco piores), etc. Tem hora que o stress de trabalhar em uma multinacional, cumprir milhares de metas e lidar com chefes chatos parece não valer a pena perto da vida do amigo encanador. Nada é perfeito.

Eles hoje sofrem com imigrantes que pedem refúgio político. Quando aceitos (muitos são, os suecos parecem um pouco ingênuos nessas situações), recebem ajuda do governo e caso tenham filhos, recebem visto de residentes. Como está havendo abuso, o povo nota e reclama.

Parecem acreditar piamente no aquecimento global como uma verdade absoluta (talvez pela insistente repetição na mídia), mas não souberam explicar motivos pro White Christmas (Natal com neve). Por vários anos, inclusive no ano passado, a neve chegou apenas em meados de janeiro, neste ano tudo estava branco em meados de dezembro... E como nevou!
Terminando, é interessante notar as preferências locais. Suecos gostam de peruas. Vi muitas, certamente muito acima da média de outros países europeus. E menos SUVs do que eu esperava. As marcas mais freqüentes eram Volvo e Saab, compreensivelmente, seguida de VW e japonesas (principalmente Subarus com seus 4x4). Surpresa foi encontrar picapes americanas (Silverado), Mustangs, até alguns Chryslers. Nenhum Koenigsegg, infelizmente. De carros esportivos, alguns Porsches apenas. Nas bancas, é comum encontrar revistas de muscle cars e vi uma carcaça de um Dodge 68 indo para restauração, em cima de um caminhão-plataforma. Em uma sociedade toda certinha, parece que alguns precisam de uma válvula de escape de muitos cilindros!!!

MM

Mal começou seu governo, e Barack Obama já é figura non-grata entre os entusiastas. Primeiro foi a GM e depois veio o programa Cash for Clunkers, ou "dinheiro por latas velha". O progama consistia na troca subsidiada pelo governo americano de aproximadamente 700.000 carros velhos por novos e custou aos contribuintes algo perto de 2,9 bilhões de dólares durante os 2 meses em que esteve em vigor.
Foi o maior genocídio automobilístico da história. Os carros usados não eram doados ou vendidos a países mais pobres, no lugar tinham silicato de sódio injetado nos seus motores que também tinham seus fluidos totalmente drenados. Uma execução terrível que sensibilizou vários entusiastas pelo mundo.
E quem pensa que todos esses carros eram SUVs antigos, ou banheiras americanas, ou as lava-louças japonesas, se engana tremendamente. Figuras ilustres do mundo entusiasta como David E. Davis Jr. da Car and Driver, entre outras, reclamavam dos Jeeps, pickups ou até Impalas que tiveram triste fim sem saber que a realidade era ainda mais triste.
Eis que saiu uma lista oficial dos carros legalmente exterminados e entre eles é interessante notar ilustres ícones da indústria automobilística. A citar:
- 11 Porsche entre 911, 924, 928 e 944


- 1 BMW M3 1991


- 1 BMW M5 1991


- 1 Mazda RX-7 1993


- 67 Mercedes-Benz 560SL entre anos 1986 e 1989


- 123 Corvette C4 entre 1984 e 1990


- 9 Mercedes-Benz 500SL entre os anos 1990 e 1992


- 1 TVR 280i 1985


- 1 Aston Martin DB7 Volante (sim, o conversível) 1997


- 1 Mazda RX-8 2005


- 3 Mitsubishi 3000GT Syper entre os anos 1997 e 1998


- 1 GMC Thyphoon 1992


Claro, há outros carros que já tiveram valor entusiástico e não estão nessa lista. Imagino que na próxima eleição os entusiastas democratas possam vir a considerar melhor as propostas automobilísticas do lado republicano.