O PARAÍSO (OU INFERNO?) DO JEITINHO

Foto: Zero Hora

No final de semana retrasado, o país viveu mais uma tragédia, o incêndio na boate Kiss, localizada em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Um acidente não acontece apenas por um motivo, mas, sim, por uma grande cadeia de eventos que, somados, acabam resultando na tragédia. Saídas de emergência insuficientes, uso de material pirotécnico inadequado, extintores de incêndio que não funcionaram, falta de iluminação de emergência, revestimento acústico feito de material inflamável e que libera gases tóxicos quando queimado, falta de preparo dos seguranças, falta de indicação das saídas de emergência, enfim, uma série de erros que culminaram na morte de mais de 230 pessoas.

A minha primeira pergunta, ao saber pelos noticiários destes problemas encontrados na boate, foi: como puderam deixar que uma boate funcionasse nestas condições? Quem autorizou o funcionamento de uma casa noturna com tantos problemas? Quem autorizou não viu o uso de um material tão letal no revestimento acústico? Quem liberou o funcionamento da casa sem iluminação de emergência? Apesar do alvará estar vencido desde agosto de 2012, até o mês em questão a casa estava REGULAR, deste mesmo jeito!!!

Não podemos afirmar com certeza, mas o nível de absurdo das coisas aponta para a ocorrência de algo que é característico do nosso povo: deram um “jeitinho” para conseguir que a casa funcionasse. E, no Brasil, sabemos muito bem o que significa este “jeitinho”: é fazer um “agrado” a quem deveria verificar o funcionamento de tudo isto que falhou. É a cultura da gambiarra, do jeitinho e da propina. A culpa é de todos, corruptores e corruptos, pois um não vive sem o outro. A prefeitura exige um revestimento anti-chama que é caro? Ok, pode colocar do barato mesmo que depois eu “me entendo” com o fiscal. E assim vai-se levando...

O leitor deve estar se perguntando o que este assunto faz no AE. Já estamos no quarto parágrafo e até agora nada de falar de automóveis. É agora que a conexão com o mundo automobilístico será feita: este “jeitinho” arraigado em nossa cultura permite que tudo seja resolvido da maneira torta, com ganhos para ambos os lados, porém em prejuízo da sociedade. O que importa é que a gente resolva aqui entre nós, certo?

Corrupção de quem deveria fiscalizar, uma fonte quase inesgotável de dinheiro
Ilustração: Folha de Tucuruí

É justamente por conta desta mentalidade que a expressão “inspeção veicular” acaba sendo quase que um palavrão entre nós. Em sua essência, a inspeção é boa e desejável, pois uma inspeção séria retira da rua carros que ameaçam a segurança e a saúde dos outros motoristas. Uma inspeção séria aponta para o proprietário quais itens de manutenção devem ser checados para a própria segurança dele e para a melhora do ar que todos respiram. 

Ela deve abranger a verificação de emissões, de pneus, de suspensão e de freios. Uma inspeção assim inclusive contribui para a melhora no trânsito, pois diminuiria a probabilidade de haver carros enguiçados bloqueando faixas de vias congestionadas. Acredito que todos concordem que veículos sem condições mínimas de circulação devem ser retirados das ruas e que só teríamos a ganhar com isso.

Porém, este país se chama Brasil e, ao se instituir uma inspeção destas, logo logo se criaria o “jeitinho” para passar nela sem trocar os amortecedores: duzentinho na mão do despachante para ele “dar um jeito” no Detran sai bem mais barato do que quatro amortecedores novos... 

A inspeção veicular existe no Rio de Janeiro há mais de 10 anos e nada resolveu. Não checam itens essenciais de segurança, mas se uma lâmpada de farol de neblina estiver queimada, o carro é reprovado, mesmo que faróis de neblina não sejam itens obrigatórios no veículo. E se o fiscal se irritar, ele pode reprovar o carro por causa de qualquer amassadinho ou ponto de ferrugem, alegando como motivo o totalmente genérico "má conservação do veículo". Agora, um carro lindo, com os amortecedores vazando e com a suspensão cheia de folgas, este passa. 

Mas nem precisaria fazer a vistoria: apesar de no Rio de Janeiro a lei mandar que só se entregue o CRLV após aprovação na vistoria, já existe até um termo para o "jeitinho"; chama-se "vistoria virtual", que nada mais é do que contratar um despachante com conhecimento dentro do Detran para que ele pegue o documento do carro sem que seja necessário submetê-lo à vistoria. Desta forma, pode-se manter "em dia" um carro que sequer esteja saindo do lugar.

Sem uma inspeção séria e sem "jeitinho", isto continuará rodando livremente

Mesmo em São Paulo, onde contrataram uma empresa terceirizada, a Controlar, para executar as inspeções, volta e meia pipocam notícias de irregularidades e de jeitinho. Lá também é possível fazer "vistoria virtual" através de certos despachantes. Há uma certa lenda urbana que diz que os postos de periferia são mais benevolentes do que os dos bairros nobres. O motivo seria que o prefeito não queria desgaste político nas regiões mais pobres da cidade com os altos índices de reprovação de uma frota envelhecida, comum nestes bairros.

Não sei até que ponto esta lenda pode ser verdadeira, mas o fato é que quando morava em São Paulo, uma vez fiz minha inspeção em um posto na periferia (era menos concorrido para agendar), o carro mediu 0,01% de CO, um centésimo do permitido para o ano dele. Número invejável até para um carro 0-km, nada mau para um Vectra 2002 com 145.000 km e catalisador original. O limite para carros 0-km é de 0,30%.

Sendo assim, em vez de produzir os efeitos benéficos à sociedade, a inspeção veicular acaba sendo mais um entrave à vida do cidadão, pois não resolve o problema que deveria resolver, ao mesmo tempo em que cria mais procedimentos e burocracias que abrem brechas para que se venda as “facilidades” para quem não quer passar por isso. No fim das contas, vira mais uma tarefa a ser cumprida pelo cidadão de bem, o que mantém seu carro em dia e passa na inspeção, enquanto os que não o fazem e que não passariam “dão um jeito” de continuar rodando. 

Enquanto não mudarmos a mentalidade de que para tudo há um "jeitinho", não teremos inspeção veicular que funcione neste país, as jabiracas continuarão rodando impunemente. E mais tragédias como a de Santa Maria acontecerão pelo mesmo motivo, pois o brasileiro é "esperto" demais e dá um jeito para tudo. As mais de 230 vítimas do incêndio sentiram na pele tanta esperteza.

CMF

82 comentários :

  1. Enquanto as autoridades deste país não forem sérias, o Brasil não será um país sério.

    HS

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    1. Enquanto a maioria da população não for séria, não haverão autoridades sérias.

      É o problema da democracia: atender à maioria. Como gente estúpida se reproduz igual coelho, estamos condenados...

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    2. Enquanto o povo deste país não for sério e não votar a sério não teremos autoridades sérias.

      Renan Calheiros está na câmara porque milhares de brasileiros votaram nele e o elegeram.

      Renato

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    3. As autoridades saem da população. Autoridades não sérias só podem sair de um povo que também não é sério. A cultura do jeitinho está entranhada entre nós. "Poder, não pode, mas a gente dá um jeito". Quer algo mais brasileiro que esta frase? Vide a quantidade de películas chanceladas como de "70%" e "50%" de transparência nos vidros dos carros. Pode chancelar 70% numa película G5? Poder, não pode, mas...

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    4. É isto mesmo. Uma das maiores vergonhas deste país (a malandragem, no pior sentido que esta palavra possa ter), infelizmente é motivo de orgulho para uma imensa parte da população, a ponto de pessoas que não agem nem corcordam com esta malandragem extremamente daninha à sociedade e ao país, serem taxadas de otários.

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    5. Até mesmo quem quer fazer as coisas como manda a lei, acaba caindo no fosso do "jeitinho", seja pela burocracia enfrentada durante o processo, ou até mesmo pela incompetência de alguns servidores que, de tão contaminados por esse costume, desconhecem os meios legais e nos forçam a fazer do jeito errado.

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  2. É como se diz: esperteza demais, mata.
    Sem mais.

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  3. Olha só o que eu filmei andando aqui em Porto Alegre domingo a noite. Não tinha nada! Sinaleira, farol, refletor, pisca, NADA! http://www.youtube.com/watch?v=5WsmNBe78JA&list=HL1360073681&feature=mh_lolz

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    1. Isso é (ou foi)uma Vespacar. Tinha algumas na década de 50 e foram pensadas para quem precisava transportar mais coisa que caberia num carro, mas não via necessidade (ou não tinha dinheiro) para uma caminhonete "de verdade".
      Quando era vendida, tinha um farol na frente (acima da única roda), sinalização traseira e, opcionalmente, sinaleiras. Vamos acreditar que o sujeito estivesse levando a moto para restaurar mas não lhe ocorreu de pedir um guincho (ou um outro transporte qualquer, acho que ela caberia até numa D-20).

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  4. Ontem eu vi um Gol "quadrado" que sofreu acidente no sábado, onde morreu o motorista e duas passageiras estão internadas em estado grave e gravíssimo. Todos os três são jovens.

    O que me chamou a atenção foi a beleza do carro que bem pude observar na parte traseira que estava intacta. Imagino que o proprietário passou um sábado inteiro lavando e polindo seu xodó. A roda traseira direita, a única que pude ver, se parecia como uma panela muito bem arreada de tanto que brilhava.

    Não posso confirmar, mas acredito que os pneus e a suspensão deviam estar em pedaços, como é costume os carros desse tipo em minha região.

    Provavelmente o carro passou com louvor na fiscalização.

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    1. O som também devia ser bem poderoso...

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  5. Concordo plenamente. O "jeitinho" é uma espécie de auto-justificativa para a falta de caráter e educação das pessoas ao encarar uma situação que exige um procedimento

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  6. Jeitinho presente também na exigência de curso teórico para renovar a CNH. Canso de ver gente que foi a um CFC, fez um curso (ou nem isso), respondeu a prova a lápis, e passou sem saber nada.

    Muita gente reprova quando vai fazer a prova no DETRAN. Há muitos motoristas praticamente analfabetos, que não compreendem uma simples cartilha teórica.

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    1. Lucas dos Santos05/02/13 17:14

      Jeitinho também existe em curso teórico para a primeira habilitação.

      Um vizinho meu, no ano passado, estava me contando, todo orgulhoso, que não precisou assistir à nenhuma aula teórica na auto-escola. Ao invés disso ele comparecia ao CFC somente para registrar as digitais nos horários de início, intervalo e fim das aulas e voltava para casa em seguida.

      Eu, como quem não quer nada, apenas perguntei em qual auto-escola ele estava. Tratei de guardar bem o nome, para não indicá-la para ninguém, pois uma auto-escola que se presta a isso não merece respeito e nem consideração!

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  7. Certas medidas de "melhoria" simplesmente não se sustentam pela própria ausência de condições básicas que deveriam torná-las plenamente exequíveis.
    Com carros novos custando 40 vezes o valor do salário mínimo, gasolina a custo absurdo, peças caras e falta generalizada de profissionais sérios e capacitados (e os que são costumam ficar fora da possibilidade orçamentária da maioria dos potenciais clientes), transporte público caro, deficitário e de péssima qualidade, mau dimensionamento das vias de tráfego e com a renda média do brasileiro, fica realmente difícil manter a proposta de uma inspeção veicular, mesmo que todos ajam de boa-fé no processo.
    Todos os detalhes que mencionei não são eventuais, mas sim fruto de anos, décadas de políticas do jeitinho que se acumularam como se fosse radiação, e uma hora viraram esta metástase fatal.
    Existe um somatório de fatores que criaram as características do nosso trânsito, não podemos simplesmente apagá-los da tela e supor que a isonomia e a capacidade econômica dos envolvidos poderá responder de forma adequada.
    Se isto justifica roda como esta F-75 exemplificada? Jamais. Mas não podemos nos esquecer de que estas pessoas estão aí, querem rodar, querem consumir e não aceitam reduzir sua qualidade de vida especialmente na falta de opções. O desenvolvimento que deveria vir da base faltou, e nessa altura do campeonato é infinitamente mais caro resolver.

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  8. Isso é um problema cultural. Não é de políticos, polícia ou algum setor específico. Estatisticamente falando o povo brasileiro é, em sua maioria, adepto do jeitinho. Até porque, quem está no comando, também é uma amostra do povo brasileiro. Nada mais natural que tenhamos políticos, fiscais, policiais e bombeiros corruptos.

    Isso não mudará em décadas, até porque nada se faz a caminho da mudança, e mesmo que se fizesse, demoraria MUITO.

    Quanto ao Controlar, ter colocado isso nas mãos de uma empresa privada indiretamente controlada por políticos faz com que toda e qualquer decisão seja política, não técnica.

    Minha cunhada teve o Celta reprovado pois estava com uma presilha do filtro de ar solta. O mecânico se descuidou e não prendeu. Qualquer um faz isso, até porque a inspeção da qualidade do filtro de ar é previsto no manual para ser realizada pelo proprietário.
    Pois bem, ela teve que reagendar nova data por causa disto. O carro estava impecável em todo o resto.

    Nosso novo prefeito propôs uma série de mudanças para a Controlar que não serão aprovadas pois os políticos que agora lucram com os contratos desta empresa tem que garantir a saúde dos "chegados" que pagaram suas campanhas.

    O Brasil estaria muitíssimo melhor sem governo. Apenas uma polícia eficiente paga por todos e uma justiça rápida. O caso da Boate? Que os donos apodreçam na cadeia. Perpétua neles. E o povo que aprenda a se virar e tomar cuidado o lugar em que visitam.

    Eu não andaria na Rural da foto, também nunca ficaria num ambiente fechado sem extintores de incêndio. Responsabilidade minha, e não do governo, zelar por isso. Até porque, não há agentes suficientes para fazer vistorias diárias a Boate. Quem garante que durante a vistoria tudo não estava Ok?

    Mas outra mania do brasileiro, além do seu famigerado jeitinho é culpar o governo por absolutamente TUDO de ruim que acontece. A responsabilidade individual fica aonde? É por causa desse desejo enrustido de um estado paternalista que sempre "zela por você" é que essa máquina corrupta está cada vez mais gorda e ineficiente.

    Para fechar mais um exemplo. Lembram do Hopi Hari??? Pois é, já está lotado de pessoas, ganhando dinheiro as custas dos trouxas que pagam R$70 para entrar, pegam horas de filas, pagam R$15,00 para comer um HotDog lá dentro. A menina que despencou há tempos? Esqueceram. Qualquer coisa a gente põe a culpa no Estado.

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    1. Gostei desse texto. O brasileiro precisa aprender a não depender tanto do governo. Desse jeito até parece que fomos parte da Cortina de Ferro...

      O que se passa na cabeça de um idiota que vai a um lugar com apenas uma porta? E pior, o que se passa na cabeça de um construtor idiota para fazer um lugar com apenas uma porta? Economizar R$ 300,00 ou menos?

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    2. Querem que o governo esteja em todo o lugar. Depois reclamam de impostos, gastos públicos, etc.
      O povo não sabe o que quer. Reclamam que o existe na hora de pagar impostos. Depois reclamam que ele não existe na hora que o povo se ferra por falta de bom senso.

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    3. Lorenzo Frigerio06/02/13 02:57

      A gente põe a culpa no Estado, porque "pagamos proteção" a ele. O Estado é que nem a Máfia, a única coisa é que a Máfia funciona melhor.
      Quando vamos a uma boate, queremos estar tranquilos que o Estado fez sua parte, e curtir a festa. Tem certas coisas que não podemos fazer sozinhos.
      Senão, a única alternativa que nos resta é ir morar no meio do mato. Aí sim, ficamos longe de assaltos, incêndios, desabamentos, enchentes, dengue e por aí vai. Mas o preço a pagar é alto para um ser gregário como o humano.

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    4. Mesmo que o estado faça sua parte, ele não pode estar em todos os lugares, não fará visitas diárias a lugares desses etc. Outra, delegar sua segurança a um governo é insanidade pura.

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  9. No posto do Detran da minha cidade, no interior do Rio de Janeiro, os carros velhos sequer visitam os postos para a vistoria. Todo ano levo os 3 carros daqui de casa para a vistoria.

    É como vocÊ falou, se o "inspetor" do Detran não for com a sua cara ele encrenca mesmo, uma vez, por um problema no interruptor, o limpador traseiro não funcionou. O rapaz só iria liberar o veículo se eu retirasse o braço do limpador, que no dia funcionou depois de alguma insistência. Em outra oportunidade, eu vi um caso do farol de neblina não funcionar e o dono do carro retirar os faróis para ter o veículo aprovado, com dois furos extras no para-choque.

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  10. Não dou jeitinho. Não molho a mão do guarda. Sou assalariado, felizmente ganho razoavelmente bem falando-se de Brasil e me revolto por pagar a conta de todos.

    Sou um fiel cliente da prefeitura, pago as multas impostas por radares caça-niqueis e faço cartinha de justificativa para o Detran indeferir meu pedido, mesmo sendo a velocidade considerada 1km/h a mais que a regular.

    Não ando com meu carro nas segundas-feiras de manhã e final de tarde/noite porque a prefeitura quer punir quem tem carro, mas recolhendo o ITU, por favor.

    Agora não posso mais tomar com segurança um copo de cerveja porque serei preso como se fosse um maluco embriagado drogado, tudo na mesma medida.

    Pago escola para meus filhos, também pago convênio médico para a família e não posso contar com a polícia para cuidar da minha segurança, por isso meu seguro é caro. Além disso tenho que pagar estacionamento mensal para o segundo carro da casa, mesmo sendo vaga sem cobertura. A moça grávida que parou o carro na rua outro dia tomou um tiro na cara.

    Esse mês vai entrar na minha conta um bônus que a empresa paga, felizmente receberei R$ 50.000,00. Agora o que dói: Será descontado R$ 13.500,00 para o IR. E um bom percentual desse dinheiro vai ser usado por algum político corrupto para beneficiar algum safado com quem tem ligação. Outro percentual vai pagar o seu salário.

    Em nada posso contar com o governo ou com a prefeitura. Só os amigos dos amigos podem.

    Desculpem o desabafo. Junto com os 13,5k estou pagando IPVA de mais de 2k por algo que é MEU e a prefeitura cobra como se fosse um aluguel.

    Eduardo Trevisan.

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    1. Leviatã, meu caro. Infelizmente!

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  11. Vistoria "virtual", quem diria...ou melhor, quem haveria de estranhar isso, num país como o nosso? O correto seria o "sistema" não emitir o CRLV sem o registro da inspeção realizada.

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  12. Muitas vezes o jeitinho não é por que se quer esconder algo e sim a burocracia é tão grande que é mais facil fazer o jeitinho. Tirando o caso da boate Kiss, apesar deestar irregular, um avalra de funcionamento demora cerca de 2 anos pra sair. E durante esse tempo o empresario que investiu muito dinheiro fica sem receber ? Mesmo que a obra fosse bem executada e com tudo nos conformes (não foi o caso).
    No mundo dos carros, eu já vi isso, durante a vistoria para transferencia do veiculo, não havia nada de errado, mas sempre o sr. vistoriador (policia civil) acha algo errado e reprova. Ai para o despachance e os caras tem até tabela de preço de acordo coma irregularidade (insulfime, pneu, extintor, luz)

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  13. Indiscutivelmente este assunto tem a ver com tudo relacionado ao nosso dia a dia,pois uma tragédia deste naipe nos faz pensar se nós mesmos não estamos todos errados por dar "jeitinhos" nas coisas, isto é um aviso para que nós enquanto sociedade mudemos, no transito, nos nossos trabalhos, na politica, temos de repensar nossos valores, ou seremos eternamente o país do futuro.

    LZ

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  14. Se o poder público só estipula a inspenção e quer que a frota ande bem conservada, deveriam cortar impostos de peças de reposição, IPVA entre outras coisas. Aí sim, sobraria dinheiro pra manutenção e a inspenção teria algum efeito.

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  15. Corsário Viajante05/02/13 13:12

    Para comelar "jeitinho" é um nome bonito para corrupção, é o mesmo que chamar ladrão de gravata de contraventor.
    E a corrupção envolve sempre dois, o que corrompe e o que é corrompido.
    E o típico brasilóide-gérson, que não gosta muito de uma lei, acha que sai ganhando.
    Assim, ao invés de gastar com manutenção, acha melhor gastar com suborno. O povo brasileiro, de uma forma geral, não fica chocado nem acha errado, ao contrário: todo mundo conhece alguém que comprou carta ou "quebrou" pontos na carteira, mas... Quem denunciou? Ninguém.
    Então, enquanto o povo brasileiro não mudar sua postura e rejeitar estas soluções, nada irá mudar.
    O caso do fiscal é bem típico: ele aparece e acha TODOS os defeitos e problemas, mas... Se der uma graninha, dá um jeito. E quando acontece uma tragédia ninguém procura o responsável, pegam o dono para Cristo. Ok, ele tem culpa, mas é o ÚNICO culpado?

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  16. No sábado um sujeito morreu a bordo de um Maverick modificado, mas com placas pretas. Um carro modificado daquele jeito poderia portar placas pretas?

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    1. na bananolandia pooooode

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    2. Lorenzo Frigerio06/02/13 03:03

      Está na cara que a placa preta era para não fazer Controlar; imagina se aquela coisa toda "bombada" passaria. A placa preta é obtida por certificação do clube da categoria; no caso, o Clube do Ford. Agora pergunto, será que existe uma entidade dessas idônea no Brasil?

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  17. O que eu acho mais engraçado é que somente depois que estes acidentes acontecem e que aparecem um monte de gente dizendo que não tinha alvará de funcionamento, vistoria de bombeiro, não tem extintor, não tem saída, usaram material não normalizado, não tem autorização... Me lembro bem do acidente com a estação do Metrô que desabou em São Paulo, pois aí é apareceu alguém do CREA pra dizer que a construção estava toda irregular e fora de norma, metendo a lenha...PÔ!!! Depois que caiu todo mundo sabe que algo estava errado, senão não caia!!!!... Ô entidadezinha de classe meia-boca né!!!?? Depois que o avião cai é que descobrem que o piloto estava com brevê vencido, que a documentação do avião estava irregular ou que não havia passado por manutenção... Eu pago impostos, IPVA, licenciamento, taxa e taxas e seguro e seguro obrigatório..CONTROLAR... E do meu lado num semáforo tem algo que se pegar dois iguais não se consegue montar um... E este veículo pode me matar daqui a pouco... O Goverso só receber dinheiro e fiscalizar coisa alguma... nem precisaria fiscalizar pois o registro ou alvará venceu... vai até o estabelecimento e lacra e ponto.... Catso!!! Que dificuldade!!!! Quem deveria ir preso é o prefeito e o comandante dos bombeiros!!!

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  18. Eu pensava que o Brasil era o quintal do mundo.

    Errado. Ele é o "quartinho da bagunça".

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  19. Rafael Pinto05/02/13 13:48

    CMF e amigos, voltando aos primeiros parágrafos, conto uma história que aconteceu comigo.

    Eu estava estudando a abertura de um bar com meu amigo (mesmo com quase 200 dias necessários para abrir uma empresa) e fui na subprefeitura para saber se era possível abrir um local desde tipo na rua que vi o imóvel para locação (era em Moema).

    Eis que o funcionário diz: "nesta via não é autorizado a ter bares ou estabelecimentos similares."

    Perguntei a ele: ué, como não pode, se nessa rua tem por volta de 4 bares funcionando?

    Ele disse: não preciso dizer que há vista grossa e propina né?

    Desisti de abrir o meu negócio.

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  20. O problema no Brasil é que tudo é problema social. A polícia não pode apreender a Brasilia desmontando, na periferia, sem documentos, simplesmente porque se fizer isso vai ter que apreender 80% dos carros de lá. Além disso, a população vai se revoltar porque tiraram o instrumento de trabalho de um pai de família, vai protestar, e vão chegar cinco repórteres de TV e mais dois estudantes de história alegando que o Estado está cometendo uma atrocidade contra um cidadão de bem. Em outras palavras, pelo social é permitido transgredir as normas. Pelo social é permitido furtar, é permitido fazer gato na rede elétrica, é permitido ficar inventando declarações de pobreza para não pagar taxas, é permitido ocupar terrenos e prédios alheios, etc. E com os exemplos de moralidade que temos tido em nossos governos, a tendência é só piorar.

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    1. Aí você tocou num ponto crucial: o Brasil é como se fosse a justaposição de um país europeu com um país africano. Imagina a Bélgica e o Congo no mesmo lugar, esse é o Brasil.

      Então, fica difícil aprovar uma lei que, ao passo que deixe a via livre para carros em perfeitas condições, também deixe os miseráveis com o pouco patrimônio que eles têm. Também é difícil decidir que taxas cobrar, já que invariavelmente vai se cobrar muito do pobre e pouco do rico, e por aí vai...

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  21. Um dos meus carros tem ferrugem, amassados, marcas de uso. Mas a mecanica está impecável, como deve ser. Isso quer dizer que reprovaria numa inspeçao veicular? Puro absurdo! Inaceitável! Inadmissível! A função principal de um carro não é ser bonito, e manutenção não significa manter a aparencia! Se uma inspeção nestes moldes se concretizar no meu estado, não sei o que vou fazer, mas não poderei aceitar calado.

    Parece que a cada dia o braziu nos desafia com algo mais inaceitável, algum fato mais absurdo que os de ontem.

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  22. Esse fato de que a queima do poliuretano (espuma) libera o gás cianeto que matou tantos inocentes me vez pensar, agora na boate kiss e antes dos campos de concentração (extermínio): Esse tal de cianeto é muito injusto, afinal nunca ouvimos falar que detentos morreram envenenados por ele ao queimarem colchões...

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    1. O que nos leva a concluir que até a cadeia tem um sistema melhor de ventilação que a boate. Simples!

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    2. Lorenzo Frigerio06/02/13 03:20

      No famoso desastre de um 707 da Varig em Orly, em 1973, um fogo que começou no banheiro e se espalhou pelo carpete e assentos também matou os passageiros por cianeto, e não por carbonização. E olha, naquela época a aviação já era bem adiantada e mesmo assim fizeram os revestimentos com aquele material. Então tenha certeza, as empresas só usarão materiais de qualidade e dispositivos de segurança - seja em boates, aviões, navios ou carros - se o governo forçá-los a isso. E o governo só o fará DEPOIS de muitos óbitos resultantes das leis do menor gasto e do menor esforço.

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  23. depois que o renan calheiros foi reeleito para a presidência do senado (tudo com minúsculas mesmo)o que se esperar desse país? no caso do incêndio todos que não interditaram a boite antes do ocorrido (prefeito, chefe do batalhão dos bombeiros, etc) devem ser responsabilizados criminalmente !!

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  24. No livro Boomerang, de Michael Lewis, é traçada uma análise sobre os problemas econômicos de algumas nações outrora prósperas. A análise é boa, já que fala um pouco sobre as culturas dos países para se tentar explicar a situação atual.
    A Grécia é tida como o país mais corrupto do mundo.
    Acredito que Michael Lewis devesse ter vindo ao Brasil para o livro ser mais completo e fazer justiça ao povo grego.

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  25. Quando eu vejo um Fusca conversível com placa preta logo lembro que este não é um país sério. Mas ninguém denuncia carros como estes. Todo mundo fica esperando que alguma repartição governamental tome a frente nisso, quando qualquer clube poderia ter atitude de cancelar a placa do carro visto num encontro ou anunciado na Internet, com um simples e-mail para o DETRAN local.

    Citei a placa preta apenas como exemplo, para demonstrar que o brasileiro não gosta da fama de alcagueta, não gosta de ser fiscal voluntário, talvez para não pagar o mico de seus pais, que foram fiscais do Sarney na época do congelamento de preços contra a inflação...

    Bastaria um único arquiteto ou engenheiro (ou qualquer um com bom senso) para denunciar as irregularidades da boate de Santa Maria. Nenhum arquiteto baladeiro teve peito de chamar alguém do CAU ou do CREA, cujo aparato fiscal só age mediante denúncia.

    Já denunciei obra clandestina, já fui rotulado de chato e já me pediram para deixar de fazer isso. Já fui ignorado pelos organismos que deveriam analisar denúncias e nada fizeram.

    Por isso, ninguém pode se isentar de culpa numa tragédia. Falhamos todos como brasileiros e como humanidade, pois tragédias acontecem em todos os lugares.

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    1. Placa preta em Fusca descapotável não é questão de seriedade ou não do país. O senhor não entende da ordem dos Coleopteras para saber que existem espécies naturais assim, aptas portanto, às placas pretas.

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    2. Eu fui denunciar tartarugas como quebra-molas e o poder publico debochou de mim. desisto!!!

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    3. De cada 10 fuscas conversíveis, 01 realmente é conversível. O resto é teto cortado.

      João Paulo

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  26. Acho que a relação vai muito mais além da inspeção veicular. Tem uns aí já elegendo carro velho como bode expiatório...não sei.
    Tenho meus exemplos de "jeitinhos": quando o ônibus, já lotado, não pára no ponto e o cidadão fica revoltadinho, pega o nº do ônibus, liga pra fiscalização pra ferrar com o motorista. Ou o próprio motorista que pára no ponto pra pegar mais passageiros, com o ônibus já saindo gente pelo ladrão. Ou aqui na minha cidade, onde no início de uma rodovia, há um trecho de 1/2 pista desbarrancado e um guar-rail como sinalização. Arrumar que é bom, só depois de 1 ano. Ou o governador, quando a matança de policiais acaba, diz que a violência é "normal". Jeitinhos...

    João Paulo

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  27. Como disseram no início: o problema vem da População.

    Ex: Vá na Altese-GM (auto-peças famosa aqui no Rio) e de forma educada e cortês faça um orçamento de peças para seu Chevrolet antigo. Olha é tanta má vontade, um desprezo tremendo que você nunca mais voltará naquele estabelecimento. Ou seja, o vendedor te considera um lixo por andar num Monza 1989.

    Moral da história: O canalha do vendedor que te maltrata é um coitado que financia um Celta em 60x sem entrada e sustenta essa maldita Administração Pública. Este sujeito é um miserável manipulado pelas falácias do Capitalismo!

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  28. Somos uma sociedade de apenas 500 e poucos anos. Para o bem e para o mal, padecemos de senso de história e consequências a longo prazo de atos e escolhas.

    A tragédia da boate mostrou bem isso. Extintores, saídas, seguranças, tudo é de um jeito meio improvisado, como se nunca fosse preciso ser posto a prova ou necessário. Afinal, fatalidades, no imaginário de uma sociedade relativamente recente, nunca acontecem. Se aconteceu, beleza, semana que vem aparece um novo escândalo, um BBB14, e o povo esquece, a mídia esquece.

    Foi assim com as chuvas na serra fluminense. É assim com as mortes no trânsito e com assassinatos. E será assim até o dia que a sociedade amadureça.

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    1. e os EUA e a AUSTRALIA sao mais velhos que nos?

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    2. Desculpe, mas não aceito esse papo de apenas 500 anos. Austrália era praticamente uma colonia penal, recebeu gente do pior escalão, e ainda assim nos supera largamente. Isso pra não falar dos EUA e Canada, claro.

      Se quiser olhe também para Uruguay e Chile, muito mais civilizados do que a nossa republica dos bananas...

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  29. CMF,

    O idolatrado jeitinho é o inferno. Idealmente ele teria que deixar de existir imediatamente. Por ora empreendedores deixarão de investir (caso do Rafael Pinto), seremos rotulados de chatos, talvez até ignorados ou debochados pelos órgãos (in)competentes (caso do JT e eu estou com ele nessa, também denuncio obra irregular) mas felizmente começamos a ver um movimento adverso ao jeitinho, podemos constatar isso pelos diversos comentários do blog. O fim do jeitinho só se dará quando houver um maior nível de educação da nação, vai levar tempo...

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    1. Rafael Pinto06/02/13 10:24

      Diria que vai aí umas 3, 4 gerações.

      Sonho em montar o meu negócio, mas quando vejo os percalços para isso, desanima e muito.

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    2. Quatro ou cinco gerações? Quatro ou cinco MILÊNIOS, isto sim, e é por isso que digo que o final dos tempos chega, e isso aqui não vai endireitar. Tenho parentes com comércio, trabalhei com eles, e conheci todos os bastidores da burocracia. Costumava dizer a eles que eram heróis, tamanhos os aborrecimentos, e os impostos que os sugavam. Eu JAMAIS teria paciência para abrir e tocar uma empresa! É um inferno!

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  30. O pior é que é verdade...

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  31. CMF, eu perdi muitos amigos nesta tragédia, também sou santa mariense, e vendo inclusive outros lugare aqui na cidade viamos como a segurança era precaria e é sempre assim no Brasil há sempre um jeitinho penso que talvez o dia em que resolvamos mudar seja tarde demais!

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  32. Essa F-75 não está tão ruim. Tirando que falta um sealed-beam, uma grade e dois retrovisores e um pouco de ferrugem (cuidado com o tétano!), pelo menos de pneu ela está melhor que muito carro novo por aí!

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  33. Pois vou contar um relato que eu vivi, e por isso afirmo que não é lenda urbana nem achismo.
    Levei meu carro para inspeção naquele posto perto da represa de guarapiranga, nem sei que bairro é ali. Mas é longe pra cacete.
    Ao chegar la, na minha frente tinha um gol quadrado dirigido por um cara de macacão, com logotipo de uma oficina. O carro era nitidamente mal conservado, embora eu não tenha critérios para avaliar se ele estava regular ou não.
    Quando ele parou o carro, o "gerente", aquele que orienta o pessoal, parou do lado dele e cochicharam algo um para o outro. Nisso o gerente chamou o técnico de nossa fila, repassou alguma informação e foi embora. Tudo muito rápido e discreto.
    Quando o gol parou para ser inspecionado, o técnico colocou a sonda lambda, olhou para a máquina, retirou a sonda, pegou o espelho e colocou embaixo do carro, SEM OLHAR PARA BAIXO. Apenas colocava o espelho, retirava e fazia isso em outra parte do carro. Não inspecionou vazamentos de óleo no cofre nem nada. No final ele entregou o selo de aprovação e o mecânico foi embora.
    Eu estava sem entender porque ele teve que fingir estar olhando embaixo do carro, quando reparei que existem câmeras cobrindo todo o pátio. A qualidade é suficiente para monitorar o serviço, mas não é possível filmar se a pessoa está olhando para baixo ou não. Simples assim.
    Quando chegou a minha vez, carro bem cuidado e com tudo em ordem, a inspeção levou uns vinte minutos. Ele olhou CADA PARAFUSO do carro, procurou vazamentos no cofre e foi minucioso. Saí aprovado de lá, mas já estava pronto para armar um escândalo federal se fosse reprovado.
    Muita gente comentou que os funcionários da Controlar tinham esquema com oficinas, e eu posso, baseado no que vi, afirmar que é verdade. De dar nojo isso.

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    1. Pois eu, no seu lugar, teria pegado o nome do sujeito e denunciado na mídia.

      Isso é do povo brasileiro. O cara SEMPRE quer levar vantagem. E não adianta falar que a culpa é dos baixos salários. Os políticos ganham muitíssimo bem e talvez sejam os que mais roubam.

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    2. Então no fim, vc é o típico Gérson: se fosse reprovado reclamaria e faria escândalo, mas como não foi preferiu deixar quieto.
      Ou seja, não importa se é certo. Importa se me prejudica.
      Parabéns!

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    3. Anônimo, não é bem assim. Para denunciar qualquer coisa que seja, o sujeito precisa antes de mais nada ter coragem.

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    4. E você, anonimo das 10:50, 06/02? Teria feito o quê no lugar do Bumba?

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    5. Anônimo das 10:50, me espanta você questionar minhas decisões a partir do momento que eu assino meu nome aqui e você não o faz.
      Já dei bronca em oficial da polícia rodoviária que tentou pedir suborno e ouvi um solene pedido de desculpas, por isso não venha questionar minha índole.
      Agora relatar o que eu vi é simples, porém comprovar é outra história. Não estava de posse de câmera nem nada do gênero. Seria minha palavra contra a de uma empresa. Você queria que eu fizesse o quê? Sério, desenha pra mim.

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  34. Como já escrevi anteriormente eu servi como tenente na época Sexto Regimento de Cavalaria Blindada de Santa Maria da Boca do Monte e tenho muitas saudadades da terra e do povo, também já esternei aqui minha eterna gratidão ao povo de Santa Maria e minhas mais profundas condolências, com as famílias dos mortos e feridos.
    Hoje como Coronel do Exército aposentado(após 44 anos de carreira) só posso firmar e afirmar, sou(graças a Deus)da época que o Brasil era um lugar de ORDEM E PROGRESSO, que esperamos que muito em breve volte a se-lo.
    Coronel Anônimo

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    1. Joca Mello05/02/13 22:00

      Saudade da ditadura?

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    2. Lorenzo Frigerio06/02/13 02:23

      Coronel, ordem e progresso, assim como moral e civismo, é uma coisa que tem que vir do povo, naturalmente. Não é possível forçá-lo a se portar dessa maneira quando não é da natureza dele.
      Um povo só aprende isso quando passa por grandes privações e luta por uma sociedade mais justa. Enquanto for cada um por si, e cada cabeça, uma sentença, isso aqui não vai mudar.
      Aliás, 75 anos de ditadura na União Soviética não tornou aquela sociedade mais ou menos civilizada do que era.

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    3. "Acreditar que tudo corria calmamente no passado é uma atitude arrogante de todas as épocas."
      ( Tom Peters )

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    4. Como ainda não está morto Coronel, esta ainda é sua época.
      Fico estarrecido com esse discurso "da minha época", em que as pessoas colocam as culpas das mazelas atuais na geração dos seus filhos e não nas atitudes da geração deles mesmo

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    5. Coronel,

      Infelizmente nem tudo era ORDEM E PROGRESSO e o senhor deve muito bem saber disso.

      Apenas um caso:

      Naquela época, um cidadão teve a infelicidade de dar uma piscadela para a mulher do delegado de polícia.

      Ao saber disso o delegado algemou o cidadão, amarrou suas mãos em uma corda prendendo-a em um carro e o arrastou por toda a rua principal da cidade, como os xerifes faziam com os bandidos naqueles filmes de faroestes tão conhecidos.

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  35. Na verdade, se pensarmos a curtissimo prazo e de forma egoista, o jeitinho salva muito tempo e irritacao. Mas se formos ver a longo prazo e a nivel de sociedade, coisa que nao faz parte da cultura brasileira, o jeitinho nao resolve coisa alguma e ainda cria problemas extras. O problema eh q as pessoas q usam o jeitinho (de forma routineira) nao param pra pensar nas consequencias negativas de fazerem as coisas usando atalhos. Elas esquecem que as normas tem (pelo menos realmente deveriam ter) alguma funcao para prevenir coisas ruins de acontecerem. Talvez seja um problema geral de educacao o achar que normas sejam pra pessoas otarias. Ou talvez o problema seja que algumas normas sejam tao ridiculas que o individuo se sente constrangindo em segui-las. De qualquer forma, na minha opiniao, o pessoal soh vai parar de usar o jeitinho quando as normas forem bem dimensionadas e os sistemas de fiscalizacao realmente funcionar sem excecoes. Uma outra coisa importante eh q educar nao eh punir. Melhor ter muitas multas a baixos custos do que multar poucos com valores absurdos. Essa ideia inclusive inflacionaria o suborno que deveria pelo menos ser menor do q a multa. Obrigado pelo texto!

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  36. Desculpe CMF, atuo há um bom tempo nessa área de projetos de prevenção e combate a incêndio aqui no RS e, muito longe de defender quem quer que seja, posso te dizer com propriedade que a imprensa fala demais. Fala demais sem saber como realmente funcionam as coisas. E ao corpo de bombeiros, com todo o respeito ao trabalho desses nobres profissionais, falta - ainda - muito conhecimento técnico sobre determinadas normas, equipamentos e condições técnicas de uma edificação. Mas isso é só um detalhe. Num trabalho que fiz há algum tempo, chegaram ao cúmulo de exigir placas luminosas com a indicação "saída" num pátio totalmente aberto e descoberto, de 800 m² e completamente descampado, para um evento de uma banda de rock com 250 espectadores, em que os geradores, que são o ponto mais crítico, estavam instalados a mais de 80 metros do palco. Perguntei-me, "saída" para onde, se todo o perímetro é saída? Mas isso é só um caso isolado.
    Não me resta a menor dúvida de que o estopim para a tragédia que se verificou na boate de Santa Maria, foi o bloqueio momentâneo (segundo testemunhas, alguns minutos, que poderiam ter sido decisivos) das portas por parte dos seguranças que não queriam liberar a saída sem o pagamento das despesas. A superlotação com certeza também contribui, bem como a falta de iluminação de emergência, mas teria sido um fato de relevância menor se as portas tivessem sido liberadas imediatamente.
    O problema, como sempre, é que quem quer que tenha sido o responsável, vai ficar impune. Conheço a nossa justiça...

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    1. CSS, não é preciso ser nenhum Einstein para saber que muitos estabelecimentos dão "presentes" para terem suas vistorias avalisadas pelo Corpo de Bombeiros. Sem falar na confusão legal com leis estaduais conflitando com normas da ABNT e trabalhista. O estabelecimento já havia sido licenciado antes, e salvo alguma reforma significativa a posteriori, não dá pra isentar o CB. A prefeitura também tem sua culpa, visto que o alvará de localização requer a vistoria do CB. É uma cadeia de documentação que foi "acochambrada" e deu no que deu. Acredito que representantes destas duas instituições devem ser responsabilizados tanto quanto os empresários e a banda.

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    2. Lorenzo Frigerio06/02/13 02:32

      Os seguranças não tinham como saber: eles NÃO TINHAM WALKIE-TALKIES!
      Pois é, tudo no Brasil é feito na bacia das almas, e levanta a mão pro céu!
      O cara aqui quer recuperar todo o investimento na primeira semana e não quer gastar um tostão furado na segurança dos clientes e dos funcionários.
      Repetindo uma velha propaganda do regime militar, "o Brasil é feito por nós".

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  37. Concordo com tudo e vou além. Tenho um Palio 98 que ficava mais parado que andando. Ok. Ano passado ao terminar o financiamento, recebi do banco os documentos para coloca-lo em meu nome (era leasing); fui na controlar e fui rejeitado pois tinha um vazamento que eu não havia percebido. Mecânico, etc e tal, voltei depois de uns 15 dias; reprovado por emissão além do permitido; mecânico, regulagem, troca vela, cabos etc... e vou no controlar depois de outros 15 dias (dificuldades de datas para agendamento. novamente reprovado por emissão em alta; Pô.. outra vez Meca, checa tudo, passa no equipamento, reagenda e volta, e - adivinhem, desta vez emissão em excesso na alta. PQP!!! o que é que o carro tem pô? troquei o catalisador por um xexelento comprado pela internet. Fiquei preocupado mas, vamos lá, EURECA!!! passou com louvor. 5 idas, 2 meses só me irritando, fui no Detran, dei entrada nos doc's e em 2 dias, certificado nos trinques. Esse carro está na familia desde zero e sofreu 3 financiamentos... No meio de dezembro recebi uma comunicação de iria levar 5 pontos na carteira por ter atrasado mais de 30 dias a transferência pro meu nome. Entrei com recurso no prazo, juntei os doc's e recibos do controlar, tudo em cópias autenticadas e a argumentação de que seria IMPOSSÍVEL a transferência sem a aprovação além dos períodos em que ficou na oficina sem rodar em manutenção e tals e aguardei confiante a resposta. Que maravilha, RECURSO NEGADO, multa de 111 reais e 5 pontos na carteira. Quer saber Bob ?, pedindo desculpas a vc e aos amigos, quero que todos os barnabés, governantes, deputados, senadores, governadores, prefeitos e presidANTA, vão a PQP... Isso aqui não tem mais jeito. Vendi o carrinho, do qual gostava muito e o comprador transferiu pruma cidadinha de 8.000 habitantes. Que seja feliz por lá, onde essa maldição de arrecadação desmedida ainda não chegou. Cada vez mais me convenço de que a saída é Cumbica e que fiquem com tudo e se afoguem por aqui.
    Estou realmente INDIGNADO. Creio ter td a ver com o propósito do post. A maldita sindrome do Gerson, tomou conta de tudo.

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    1. Aconteceu algo semelhante comigo. Quando fiz a transferência do meu Jeep, com direito a colocar nº do motor do documento, (o que por sí só já é uma aberração, já que o motor é uma peça como outra qualquer do carro que pode ser substituida a qualquer tempo), o CRLV veio errado, constando meu nome e o do proprietário anterior, como se fosse có-proprietário. Imediatamente o despachante entrou com pedido para retificar e o novo certificado foi emitido ok em meu nome. Pouco tempo depois, me chega também a notificação do Detran pelo atraso na transferência, pois o certificado definitivo tinha mais de 30 dias depois da data da compra do carro. Mas pqp, o erro foi deles (o primeiro certificado, o errado, saiu dentro do prazo de 30 dias), não meu! E quem disse que isso adiantou alguma coisa?

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    2. Esse é uma encrenca que me incomoda, atrelar-se a propriedade do veículo à condição de rodagem do mesmo. Deveria haver a possibilidade de transferir a propriedade, mas ficando a circulação do veículo proibida até que fosse feita a vistoria ou regularização das pendências pertinentes, mesmo que para casos excepcionais (veículos antigos, por exemplo).

      Digo isso porque recentemente comprei um Opala SS-4 para reformar, que ainda não está em perfeitas condições de rodar. Como comprei o veículo na semana antes do Natal e não tive tempo de arrumar o que era preciso para a vistoria padrão de transferência dentro dos 30 dias, passou-se o prazo e terei que arcar com a multinha básica e os 5 pontinhos na carteira, mesmo o carro estando parado e sendo reparado para não ser um perigo ambulante sobre rodas...

      Tudo bem que carro é feito para rodar, mas em casos de antigos para restauração, a história é outra.

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  38. Rafael Pinto06/02/13 10:29

    Lembrei também de um caso que aconteceu com meu pai.
    Ele tem um Kawasaki Vulcan 1500, só anda com Motul, toda revisada em dia. Todo mês vai ao mecânico e tudo.
    Reprovada no controlar, passou no teste do mecânico. E agora? Fechar injeção e passar para depois abrir. RIDICULO.

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  39. Paraíso para o jeitinho. Inferno para nós!!

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  40. Isso que me irrita nesta terrinha, a maioria prefere dar um jeitinho do que resolver as coisas corretamente. Mas o pior é sermos reféns de burrocracias inúteis, feitas para aporrinhar a vida do brasileiro e encher os bolsos de algum espertalhão. Enquanto isso, assuntos realmente importantes são deixados de lado, como essa "vista grossa" na boate em Santa Maria que, somados a outros atos inseguros ou decisões erradas, culminou em uma tragédia totalmente evitável.

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  41. Pois é pessoal, vcs estão caindo na real. Outros já sabem há algum tempo que democracia é uma furada. Leiam esse ótimo artigo e outros relacionados ao assunto: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1287

    Heisenberg

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