PONTIACS QUE "TIVE"

Todo autoentusiasta que se preza tem alguma admiração pela Pontiac. Afinal, é a marca da GM com apelo mais esportivo para o mercado americano. Foi a marca que "oficialmente" inventou os muscle cars e usou a sigla italiana GTO para criar um ícone americano.

Com a crise global e a reorganização da GM, as marcas Hummer, Saturn, Saab e toda a operação da Opel (que a GM voltou atrás) foram colocadas à venda e a Pontiac será descontinuada em 2010. Já falei um pouco sobre isso nesse outro post: PONTIAC, AGUARDAMOS SEU RETORNO.

Na semana passada acabei visitando o site da Pontiac e vi que estão liquidando tudo, uma bela promoção de encerramento. Dá pra comprar um Pontiac em 72 vezes sem entrada ou pagar a vista com um belo desconto. Isso significa comprar um G8, o sucessor espiritual do GTO, pagando 400 dólares por mês. O que poderíamos comprar aqui com 400 reais mensais? Não precisa responder!


Fiquei com isso na cabeça por alguns dias e hoje pensei sobre os Pontiacs que já tive. Foram 4 os modelos, na verdade alugados, mas foram meus por um breve intervalo de tempo.

O primeiro deles eu nem gosto de lembrar! Foi uma Trans Sport. Isso, uma minivan, não muito mini. Foi em 1998, durante férias em Orlando. Estávamos eu, minha esposa e seus pais. Fiz uma opção pelo conforto dos passageiros e espaço para bagagens (e compras). Era um modelo V-6 3,4-L com 180 cv, uma barca macia e confortável. Alavanca do câmbio na coluna, nada de entusiasmo a não ser por estar dirigindo um Pontiac.


Na verdade, nessa viagem eu gostaria de ter alugado um Grand Prix, que teve a sexta geração lançada em 1997. Um sedã grande com um bom apelo esportivo e HUD (head-up display) que projetava os mostradores no para-brisa, mas infelizmente incompatível com as malas de quatro adultos. Resolvi esse problema dando algumas voltas a mais de 200 km/h como passageiro no Grand Prix 43 da Nascar, no autódromo de Daytona por “apenas” 100 dólares.


Na segunda perna dessa viagem fui a Detroit fazer um curso. Lá, para economizar, aluguei um compacto. Dessa vez um Pontiac Sunfire, derivado do Cavalier, mas com um visual, apenas visual, um pouco mais esportivo. De novo, quase nada de entusiasmo, pois o 4 em linha 2,2 com caixa automática não empolgava em nada. Lembro-me que em umas das monótonas viagens pelas highways alcancei 100 milhas por hora (160 km/h) apenas para me manter acordado brincando com o ponteiro do velocímetro. Nenhum xerife me apanhou!


Anos mais tarde, agora em 2008, estive de novo nos Estados Unidos, a trabalho. Estava com mais gente e tive que alugar de novo uma minivan, uma Chevy Venture. Argh! Um outro colega, de outra empresa, alugou um Charger, como o do Juvenal Jorge, o que me deixou mais frustrado.

Mas teve um dia em que precisamos nos dividir e aí aluguei outro carro. A trabalho, pedi o mais barato que estivesse disponível. Quando o carro chegou, uma grata surpresa. Um Bonneville GXP! Esse GXP estava baratinho, pois fora produzido em 2005 e ainda estava sendo alugado. Mas estava novíssimo, e o mais importante, com um V-8 4,6-L de 280 cv. Dirigi apenas umas 200 milhas, sendo grande parte com tráfego intenso. Mas em algumas retas e alças de acesso em curvas abertas deu pra brincar bastante. Lembrei do teste que li tempos antes sobre esse carro. O destaque do teste era o torque steer causado pela elevada potência despejada nas rodas dianteiras. Uma acelerada brusca em uma curva chega realmente puxar o volante.


O HUD em funcionamento: rumo norte, 65 mph e 66 °F (18,9 °C)
O carro tinha borboletas, na realidade botões, no volante para trocas de marcha em modo sequencial, que naquele carro não gostei. Acho que a caixa, de apenas quatro marchas, e a tração dianteira limitavam bem a performance do V-8. Também tinha o HUD, que não me deixava esquecer de respeitar o limite de velocidade. Mas esse Bonneville realmente me entusiasmou. Uma pena que eu não tenha feito fotos do exterior do carro.


E finalmente em julho desse ano tive a chance de dirigir um modelo de última geração, feito depois que o Senhor Lutz assumiu o planejamento de produtos da GM, um G6 sedã. O G6 era feito na plataforma Epsilon usada em vários carros médios da GM.

Na verdade, o carro original que me deram foi um PT Cruiser. Mas após quatro dias andando com um carrinho fraquinho e que estava bem baleado, não resisti, venci a resistência da minha mulher, e fui até o aeroporto tentar trocar de carro. E para minha sorte, de novo, o modelo disponível era o mais esportivo da linha, um GXP.

O G6 GXP, vermelho metálico, estava quase zero e era completo, incluindo bancos de couro e teto solar. Quando minha mulher e filha viram o carro e o meu sorriso, o mal-humor delas, e o meu, passaram na hora.


O visual do GXP é bem extravagante. Eu gosto bastante do desenho da carroceria do G6, que originalmente já é esportivo. O aerokit e muito cromado, inclusive as rodas R18, que fazem parte dessa versão, apesar de aumentar a esportividade são de gosto duvidoso. Eu até que gostei.


Por dentro o espaço é generoso e a quantidade de equipamentos também. Todo mundo gostou. A posição de dirigir é excelente e os comandos muito fáceis de usar. A sensação de qualidade, mesmo apesar do uso excessivo de plásticos pretos, melhorou muito. Fruto do trabalho do Senhor Lutz. Vale notar que a qualidade de carroceria, percebida pelos encaixes e vãos entre as chapas, também é muito boa.


O moderno motor V-6 3,6-L com duplo comando variável, 255 cv e 34,7 mkgf, e a caixa automática de seis marchas, garantiram a diversão pelo resto da viagem. O escalonamento das seis marchar e o gerenciamento eletrônico fazem o carro estar sempre disposto a acelerações mais vigorosas. Foi muito difícil ficar contido e evitar brincadeiras mais sérias.


Quando olhei as grandes rodas cromadas logo pensei que o conforto seria comprometido. O ajuste da suspensão é um pouco mais rígido e esportivo com McPherson na dianteira e torção four-link na traseira. No entanto, nos tapetões de lá, o conforto é muito bom. Aliás, já faz algum tempo que tenho notado que rodas grandes e pneus de perfil muito baixo nem sempre causam desconforto. O BMW M3 e o Audi R8 são bons exemplos.


Bem, essa foi a minha experiência com Pontiacs. Acho que a marca estava indo para um caminho melhor, voltando mais às origens e a esportividade perdida nas décadas de 80 e 90. Esse G6, o Solstice e o G8 são o reflexo disso. Realmente acho uma pena que a marca seja descontinuada. Ainda bem que existem autoentusiastas que nunca deixarão que ela morra ou seja enterrada!



Nota: em 2007 estive na California quando tive um Mustang. Mas lá comprei um cartão postal assim que o vi. Será que alguém me mata porque escolhi esse cartão?


Veja também: PONTIAC EM IMAGENS

23 comentários :

  1. Claro Seu Keller, aparece um GTO estacionado nesse postal.
    Belo post, adorei as fotos, espero poder apreciar esse acervo mais antigo em breve.

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  2. Ah, e tem mais: esse G6 é coisa de louco mesmo, muito bonito, pena eu não o ter exerimentado.
    O caso Pontiac será lembrado para sempre nos cursos de administração, como exemplo de se fazer os produtos certos com alguns anos de atraso. Infelizmente, é a característica mais notável da General Motors, atrasar o que é bom e novo, e insistir nas velharias.

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  3. Mole: Tem um GTO à esquerda, perto do qual, os outros são "bondes"!
    MH

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  4. Belo e útil post, contando suas experiências em diversos momentos. É mesmo lamentável que esta marca desapareça.

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  5. Todos
    Para quem desconhece, esse bonde de São Francisco move-se por meio de um cabo de aço sob a rua que fica em movimento permanente. Notem entre os trilhos uma fenda: é por ali que um alicate do bonde agarra o cabo, sob comando do motorneiro, que assim se movimenta. Por ser movido a cabo, é chamado de cable car. Leia mais em http://en.wikipedia.org/wiki/San_Francisco_cable_car_system

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  6. Rodrigo Laranjo29/11/09 15:19

    Meu sonho ainda é um Pontiac Trans-Am, aquele, sabe, o KITT!!! A SUPER MAQUINA!!!!

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  7. Baita post, e de quebra aprendi sobre os bondes. Esse blog devia virar livro.

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  8. O bondinho é movido a cabos mesmo e com o "alicate" que o motorneiro aciona por uma alavanca parecida com um freio de mão gigante.
    O mais interessante são os freios, sapatas recobertas de madeira que encostam nos trilhos. Vendo não dá para acreditar que param a trapizonga, mas como usam o peso de carro no acionamento, a sapata de madeira pára o carro, pelo menos na maioria das vezes.
    Os passageiros podem ajudar a virar o carro na Market e no Fishermans Wharf, mas embora ocorram poucos acidentes de monta, não é bom andar sentado no meio por duas razões: deve-se andar no estribo que é mais seguro, se o carro desembestar é só se jogar na rua. ainda tem a vantagem de poder se enganar e não pagar a passagem, os habitantes da cidade não pagam, só os turistas pagam, mas para isso tem que andar no estribo fugindo da cobrança do motorneiro. Como a maioria entra nos pontos finais onde paga a passagem antes, nem sempre tem cobrador, a cobrança é feita pelo motorneiro que está sempre ocupado. Como o carro anda devagar sempre dá para pegá-lo no meio da rua e andar uns quarteirões sem pagar.

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  9. PK,

    Muito legal esse seu post. Se ele tivesse um subtítulo, acho que poderia ser: "Procura-se Pontiac desesperadamente". Isso porque, para encontrar um pouco da essência de esportividade da Pontiac, você procurou, procurou, e... só conseguiu chegar perto no último dos Pontiacs que alugou, o G6.

    Aquela Pontiac que um dia foi reinventada pelo doidão do DeLorean como a marca esportiva da GM (a partir do GTO) foi, com o passar do tempo, sendo desvirtuada pelos Roger Smiths e Rons Zarellas da vida. O ponto mais baixo foi o lançamento do Aztek, um dos carros mais feios (e mais indignos do adjetivo "esportivo") de que se tem notícia. Daí pra frente, deu pra perceber que a marca dificilmente conseguiria se recuperar de todos os maus tratos sofridos.

    Também eu "tive" um Pontiac: um Sunfire, que aluguei no Canadá em 2004.
    Passei 3 dias com ele, incluindo uma viagem de uns 400 km. Fiquei impressionado com o quanto era ruim aquele carro: motor áspero e fraco, suspensão chocha, freios sem a menor progressividade, um interior feio e mal acabado... achei que tudo aquilo não deixava entrever um bom futuro para a GM. Alguns dias depois, aluguei um Corolla. Que diferença... só uma pessoa muito desavisada (ou exageradamente patriótica) poderia preferir o Sunfire.

    Adeus, Pontiac. Descanse em paz.

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  10. excelente post! A marca Pontiac realmente vai deixar saudades. A mim especialmente deixará porque meu primeiro auto foi um Firebird 74, comprado em 1991 e que me ensinou muito sobre mecanica e estrutura dos carros em geral. Meu último carro que marcou foi um GTO 64,na época talvez único no Brasil, ainda antes das importaçoes de antigos usados. Sempre que vejo qualquer carro da divisao me dá acelerada no coraçao.

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  11. Olha, desculpe a sinceridade mas... Que carros feios!

    Depois ainda temos coragem de falar mal dos asiáticos e seus carros estranhos.

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  12. Mister Fórmula Finesse30/11/09 10:50

    Esse G6 eu achei muito interessante, um grande carro em todos os sentidos...deve ser o Voyage de lá!

    O único Pontiac que pude tripular foi um Trans am 1974 vermelho com a famosa águia no capô, 455 polegadas de pura ignorância embaixo do capô, painel estilo "rally" (denominação da época) e uma alavanca de câmbio que fazia perfeito dueto com a embreagem - ambas pesadas e de díficil utilização...mas é um carro absolutamente apaixonante!!!

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  13. Carlos Galto30/11/09 14:31

    Dos Pontiac atuais, só curto mesmo o Solstice, totalmente entusiasta, e o G8 baseado no Holden australiano.
    Também curtia o último GTO baseado no Holden monaro.
    O G6 me lembra muito a antiga geração dos "cab forward" da Chrysler. Além disso, o parachoques bicudão fica meio desproporcional.
    Sempre gostei dos Bonnies e Grand Prix.

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  14. PK,

    O motor do Bonnie GXP é o Caddy Northstar. Foi "liberado" para os Pontiacs com a morte do Olds Aurora, até ali o único carro a usar o motor fora os Cadillac.

    vc dirigiu o último Pontiac Bonneville, PK, ele morreu em janeiro de 2005.

    MAO

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  15. Rodrigo Laranjo,

    Durante muito tempo eu também quiz um Firebird. Mas atualmente prefiro a Super Máquina moderna, o GT500.

    Abraço

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  16. MAO,

    Isso mesmo, é um Northstar. Devia ter comentado no texto!

    PK

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  17. Carlos Galto,

    Também acho o Solstice GXP digno de entrar nas nossas whish lists. O GTO Monaro e o G8 não precisa nem comentar.

    Bem lembrado dos cab forward! Também acho o G6 bicudão. mas ao vivo é bacana.

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  18. Thulum,

    Gostei do título "Procura-se Pontiac desesperadamente".

    Quanto ao Sunfire era pior que o Monza nacional!!!!!

    Realmente andei no último Pontic!

    Mais a noito solto um post sobre isso.

    Abraço

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  19. Fabio Font,

    Firebird 74 é um dos mais bonitos!!!

    Também adoro o GTO 64 e mais ainda os 65/66.

    Abraço.

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  20. Fabio Font,

    Firebird 74 é um dos mais bonitos!!!

    Também adoro o GTO 64 e mais ainda os 65/66.

    Abraço.

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  21. Luiz Fernando,

    Não se trata muito de feio ou bonito, eram Pontiacs!!

    Mas se os acha feios, OK.

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  22. Mister Fórmula,

    Trans Am 455 com flaming chicken é um dos, se não o mais legal de todos.

    O G6 basicão é um belo carro para o dia a dia, bem melhor que os Pontiacs anteriores, pois uas a plataforma Epsilon. Esse GXP que aluguei já mais entusiasta. MAs foi tarde para reverter a imagem da marca. Ou melhor, dar alguma imagem para uma marca sem imagem.

    Abraço

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