HENRY NO PAPEL

Pelos comentários do post desta semana sobre Henry Ford, me parece que muita coisa da história do homem é desconhecida para a maioria das pessoas.

Resolvi então indicar alguns livros para preencher essa lacuna, e ao mesmo tempo ajudar aos amigos leitores a entender mais sobre o mundo de hoje e, principalmente a indústria de automóveis e como ela evoluiu.

O principal para entender TUDO sobre o homem e suas criações, é o excelente trabalho do biógrafo americano Steve Watts: "Henry Ford: The People's Tycoon". Watts fez com Ford o que já havia feito com Walt Disney: não deixou nenhuma pedra sem revirar, e nenhuma faceta do "mago de Highland park" sem ser explorada. Até seu infame anti-semitismo, e o triste relacionamento com seu único filho, Edsel. Mas nem por isso deixa de dar a dimensão imensa deste incrível sujeito, e dá uma noção ótima do tamanho imenso de sua contribuição para a humanidade. Imperdível para todos, mesmo quem não se interessa por carros.

Já mais próximo do entusiasta, existe um livro antigo mas extremamente carinhoso com Ford e sua história, focando no que interessa para o amante do automóvel, que eu adoro: "The cars that Henry Ford built" (foto acima), da historiadora automotiva Beverly Rae Kimes, publicado pela Automobile Quarterly .Sobre ele, existe uma história interessantíssima:

Quando o livro foi publicado pela primeira vez, em 1978, O editor da AQ, L. Scott Bailey, mandou uma cópia para Henry Ford II revisar, visto que ele é mencionado ao final da obra. A resposta veio do setor de relações com a imprensa da empresa, totalmente impessoal:

“O Sr Ford não comenta sobre livros a respeito de membros de sua família.”

Mas, algumas semanas depois, veio um pedido especial para 20 cópias encapadas de couro branco, em caixas especiais. O pedido veio de Henry Ford II, junto com uma carta dizendo que “meu avô teria adorado este livro”. As cópias eram para uma viagem de Ford ao Japão, onde é costume dar presentes que honrem os antepassados; o livro era o que Henry II levou para seus anfitriões.

O livro é leve, informativo, e, vindo da saudosa Beverly, feminino em seu tratamento carinhoso com os Ford. Adoro ele, e tem um lugar de honra em minha estante.


O engraçado é que existem literalmente milhares de livros escritos sobre Ford, mas infelizmente não conheço nenhum realmente bom escrito em português. Por que será? A história de Henry é de interesse universal, e não somente para os entusiastas da máquina que ele tornou popular...

MAO

3 comentários :

  1. Marquinho meu filho, em português não tem porque brasileiro quer saber o que tem de acessórios, quanto custa e qual o valor de revenda, não a origem da marca. Isso pouco vale aqui no País dos absurdos.
    Qualquer hora te peço esse livro da Beverly emprestado. Aguarde.

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  2. Henry Ford foi um pioneiro e um visionário da indústria, mas como ser humano deixava muito a desejar. Simpatizava abertamente com o nazismo e com outras ideologias totalitárias; nas suas fábricas, concedia amplos poderes a capatazes brutais e desumanos, cerceando os direitos dos trabalhadores e incentivando a deduragem. Isso, inclusive, acabou gerando uma cultura interna baseada no medo, o que fez que a Ford perdesse o bonde em vários momentos de sua história: na recusa em aposentar o Modelo T e a arquitetura flathead de seus motores V8, entre outros exemplos, e até mesmo na ausência de alguém que fizesse abortar o malfadado projeto do Edsel enquanto era tempo.

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  3. Thulum,

    As pessoas são complexas. olhando de pertinho todo mundo é louco...

    Se ele tivesse morrido em 1920, nada disso que você corretamente colocou como defeito seria conhecido...E Edsel teria assumido a empresa, e a história seria diferente.

    Mas aí não teríamos o Museu Henry Ford, Greenfield Village...Nada é de todo bom, nada é de todo ruim.

    MAO

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