google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)

A história que vou contar hoje é bem conhecida, mas eu gosto muito dela, e por isso não resisto à tentação de contá-la novamente aqui em nosso querido blog.

Henry Ford deixou de ser um mero inventor para se tornar um homem de negócios quando, com ajuda de um grupo de investidores de Detroit liderados por William Murphy, fundou a Detroit Automobile Company, a 5 de agosto de 1899, 110 anos atrás.

Mas Ford ainda não havia conseguido aperfeiçoar sua ideia de automóvel, aquela que ia desabrochar no modelo T e fazê-lo o mais importante industrial do século. Naqueles tempos em que a tecnologia desta nova máquina ainda não era dominada, acabou por falhar em criar algo que pudesse ser produzido e vendido com lucro, e a empresa logo acabou. Ford de certa forma ainda tinha muito a descobrir.

A próxima tentativa veio com a Henry Ford Company, incorporada no fim de 1901. De algum jeito, Henry conseguiu que William Murphy investisse novamente a maior parte do dinheiro necessário, mesmo depois de perder bastante com o fracasso anterior.

Mas Henry ainda não estava pronto para ser um industrial; tinha àquela época descoberto as competições automobilísticas. Em busca de mais conhecimento sobre o animal automóvel, de glória e publicidade, e de dinheiro, Henry devotava a maior parte de seu tempo a um monstro cuspidor de óleo, um carro de corrida que atendia pelo nome de “999”, que traria a ele tudo isso, menos a parte do dinheiro...

Logo, Murphy estava possesso com a incapacidade de Ford de criar um carro vendável. Foi aí que ele teve uma ideia sem nenhuma possibilidade de sucesso: Achou que podia contratar um chefe para Henry Ford.

Entra em cena Henry Leland (foto no fim deste post), um dos diretores da Leland & Faulconer, uma oficina de usinagem famosa em Detroit. Leland fora treinado na fábrica da Colt (o lendário Springfield Armory), e era famoso pela elegância, precisão e durabilidade de suas peças usinadas. Àquela época, a L&F ficara conhecida por produzir excelentes motores para os Oldsmobile de Ranson Eli Olds. Em visita à fábrica de Ford, pintou um quadro aterrador de fracasso iminente para Murphy, e acabou sendo contratado como supervisor geral da Henry Ford Company.

Henry não durou muito ali; logo em seguida abandonou a empresa, e com ele foi-se o nome da companhia. Alguns dizem que ele foi demitido; outros, que pediu demissão; o que sabemos com certeza é que Ford não saiu contente. Murphy reorganizou-a com Leland como líder, e adotou um nome que todos conhecemos: Cadillac Automobile Company.

Cadillac era o sobrenome do fundador da cidade de Detroit, um nobre francês chamado Antoine de La Mothe Cadillac. Sob a batuta de Leland, a Cadillac ficaria famosa por iniciar a intercambiabilidade de peças, e seria comprada pela jovem General Motors em 1909, para ser a sua marca de prestígio e de luxo. Leland é reconhecido hoje como um dos maiores pioneiros do automóvel, e sua contribuição em técnicas de usinagem, precisão e tolerâncias é absolutamente inestimável.

Todos sabemos o que aconteceu com Ford: sua nova companhia (a terceira), Ford Motor Company lançou o modelo T em 1908, e em 10 anos ele era um dos homens mais ricos e poderosos do planeta.

Alguns anos depois da compra da Cadillac pela GM, em 1917, Leland e Murphy criam uma nova companhia: a Lincoln Motor Company, com a intenção de competir com a sua antiga empresa, com carros de alta qualidade.

Alguns anos depois, com a empresa em concordata, a Lincoln acaba por ser comprada por quem? Henry Ford. Em menos de um mês, Henry Leland estava desempregado.

Ford jurava de pé junto que fora uma lógica decisão empresarial, mas todos sabemos que, afinal de contas, o velho Henry conseguira, finalmente, sua vingança.

MAO


Nesse fim de semana, o Mundial de Fórmula-1 encerrou o ano, com Button já campeão na corrida passada, e com Rubinho terminando em terceiro, já que Vettel venceu a corrida em Abu Dhabi.

Mas isso não é o ponto que quero ressaltar, pois já era de se esperar e não foi novidade. O que marcou mesmo nessa corrida final foi a total demonstração de como a F-1 é assumidamente qualquer coisa menos esporte de corrida de automóvel.

Não há como negar que os carros são o máximo existente em tecnologia e desempenho. Seria mera burrice dizer o contrário, e não é isso que quero dizer. O problema não são os carros, é a Fórmula-1.

Com a grande divulgação de mídia, ações de marketing e os valores estratosféricos de dinheiro envolvido no campeonato, o que tornou-se prioridade é a imagem dos patrocinadores. Tudo bem, isso não é novidade nenhuma também, todos sabem, mas a forma como foi feito agora é que marcou.

Descaradamente o circuito de Abu Dhabi foi concebido para o show business e não para ser um autódromo. Não há nenhum ponto no traçado que seja interessante, nenhuma curva que seja desafiadora ou mesmo algum ponto característico. Talvez a saída dos boxes, que é um túnel que passa por baixo de um hotel. Simplesmente ridículo, só faltou a cancela e o terminal para validar o tíquete de estacionamento antes de sair.

Durante a transmissão da corrida, foi falado pelo Galvão que foram gastos US$ 50 bilhões para a construção da pista. O valor é bem alto, se realmente for isso, é o maior desperdício de dinheiro em um autódromo já feito. Imaginem o que não poderia ser feito com isso. Um outro Nürburgring de 20k m? Recuperar Interlagos antigo?

O que aconteceu com as pistas como Spa-Francorchamps? Será que com o passar do tempo elas perderam a graça? Não. Apenas não são favoráveis ao marketing e à transmissão de televisão. As pistas desafiadoras não fazem sentido no show atual. Falam da segurança dos circuitos antigos, que não são mais adequados aos carros atuais. Estranho, pois vinte anos atrás os carros eram bem piores em termos de segurança e as pistas só evoluíram, não regrediram.

Parafraseando o grande Bird Clemente, "se tirarem os chifres do touro, ninguém vai assistir à tourada." Não digo que os pilotos devem correr com carros sem segurança e sem capacete, mas que o risco faz parte do esporte. Ninguém corre de automóvel pensando que nunca vai sofrer nada.


Em Abu Dhabi a largada foi dada no fim da tarde (horário local) e com o passar das voltas, o sol foi se pondo e as luzes artificiais foram sendo acesas. Para quê? Somente para atrapalhar os pilotos, com sol na cara e depois com a passagem de uma iluminação para a outra.

A estrutura do hotel principal mais parece um parque de diversões que muda de cor, ótima para o Natal ou o Carnaval. Qual o sentido disso em um autódromo? É bonito de se ver, é, mas não como a principal atração da pista. Ninguém fica olhando a roda gigante de Le Mans, pois estão todos mais interessados em ver a freada da Mulsanne ou a sequência das curvas "Porsche". Mas em Abu Dhabi, o hotel colorido era mais interessante, já que todas as curvas são lentas, quadradas e sem graça.


Realmente, depois dessa última corrida, eu digo depois de bastante tempo tentando acreditar que haveria uma salvação para a categoria, mas a Fórmula-1 morreu, e no lugar dela está o show de propaganda de investidores, modeletes e playboys que não sabem o que é um pistão, mas estão nos boxes vendo tudo de perto e achando o máximo.

Ainda me pergunto, será que quem está no meio, digo, o pessoal técnico das equipes, não sente um mal-estar por viver nesse circo? Eu sentiria.
Caros leitores,

Estamos chegando ao post número 1000. E para comemorarmos estamos preparando um post especial.


Quando era um adolescente devorador de informações automotivas, durante os anos 80, o que havia de mais exótico e sofisticado naquele Brasil hermeticamente fechado ao exterior era um Alfa Romeo.

O Alfa 2300 nacional (abaixo) tinha tudo de bom que se poderia imaginar naquele tempo: Cabeçote em alumínio DOHC com válvulas de escape refrigeradas por recheio de sódio, dois carburadores duplos horizontais (no Ti4), câmbio de cinco marchas sincronizadas (Cinco! Nossa!), tração traseira, e freios a disco nas quatro rodas. O preço refletia tal sofisticação, e o Alfa custava quase três vezes o preço de um Opala, por exemplo.
E não era só isto que me excitava: lia com frequência notícias de fora que contavam coisas inimagináveis para nós, tupiniquins isolados. Lia sobre o incrível Montreal, sobre os Alfettas com transeixo traseiro, sobre o GTV6 com a lendária melodia de seu então novo V-6 de 2,5 litros. Sonhava com Guilia GTV e com o glorioso 33 stradale, com Spyders e fugas californianas de um jovem Dustin Hoffmann, e me imaginava fazendo o mesmo com um GTV6 twin turbo americano. Eu realmente gostava de Alfas.

Fui dirigir um Alfa pela primeira vez ao redor de 1988, quando um colega de república herdou do pai um Ti4 84, verde-claro. Ansioso para experimentar a mítica alma de Portello, aproximei-me do carro com toda a trepidação de uma freira que se aproxima da praça de São Marco pela primeira vez.

Foi uma tremenda decepção. Acostumado que estava com o meu Opala 250-S, achei que toda aquela sofisticação não servia para nada, afinal de contas. O carro era lento, sem vontade, e apesar de marginalmente melhor em estabilidade que meu Opala, tinha um curso muito curto na suspensão dianteira que o deixava insuportavelmente desconfortável. Regularmente chegava em qualquer lugar que fôssemos bem antes do Alfa, e isto rapidamente se tornou piada entre os amigos.

Por muitos e muitos anos depois desta época, dediquei a todo Alfa Romeo um profundo desprezo, aquele reservado especialmente aos espancadores de velhinhas e aos torturadores de filhotes de labrador. Experiências recentes com o Spyder V-6 de 95 não ajudaram em nada: me pareceu igual ao meu Maxima do mesmo ano, mas sem a capota, a rigidez, a confiabilidade. E com um preço tresloucadamente alto no mercado de usados. De novo, muito barulho por nada.

Mas ano passado, um grande e próximo amigo comprou um Alfa Romeo GTV 2000 1973, bom de mecânica e estrutura, mas precisando de um pouco de carinho e dedicação.Vindo de uma família de alfistas, este amigo sabe como achar peças e serviços para ele, e durante boa parte do ano se dedicou a arrumar o que estava errado, e vivia me contando o quanto ele era legal e tal, mas, coitado; continuava desprezando-o.

Mas o danado do Alfinha ficou bonito mesmo, e eu comecei a pensar um pouco sobre isto tudo. Estaria eu enganado? Será que minha opinião bem arraigada da marca está realmente certa, ou é um engano fragoroso? Valeria a pena experimentar mais um deles ou a jóia de Portello estaria destinada a se manter desprezada?

Resolvi então dar uma segunda chance a ele. Afinal de contas, só havia dirigido dois Alfas, e ambos, segundo muitos, estão anos-luz de serem exemplos decentes do que é um Alfa de verdade. O 2300 é um carro que nasceu bravo e nervoso tentando ser um carro de luxo, e o Spyder que andei tem tração dianteira, por todos os deuses!!!! Tomei coragem e pedi ao meu amigo para dar uma volta com o bichinho.

E desta vez, a marca Alfa Romeo não tinha maneira de escapar de meu crivo e julgamento possoal, visto que o GTV de dois litros é dos mais emblemáticos exemplos de Alfa Romeo, e um carro universalmente julgado com carinho e boas vibrações. Marcamos um dia e finalmente sábado passado pude andar nele.



Mas antes de contar como foi, um pouco de história se faz necessário. O GTV é derivado do Giulia (abaixo), lançado em 1962, que por sua vez é uma versão pouco maior e modernizada do Giulietta, que apareceu no longínquo ano de 1954. O Giulietta (acima) é um marco de diversas maneiras diferentes. Primeiro, fixou o que seria a Alfa Romeo do pós-guerra: o que era antes uma espécie de Ferrari dos anos 30, se tornaria uma marca com um volume de produção e vendas muito maior, mas ainda com técnica e esportividade intactas. Em segundo, foi um carro incrivelmente moderno para seu tempo, e com um desempenho e comportamento ímpar em sua classe. E, finalmente, foi a base de todo Alfa realmente memorável do pós-guerra. Seu motor (modificado é claro) durou até 1994, e é incrivelmente sofisticado para algo de produção seriada em 1954: todo em alumínio (com camisas de ferro fundido), DOHC acionado por corrente dupla, câmaras de combustão hemisféricas e válvulas de escape refrigeradas a sódio. Tudo isto em uma época em que válvulas laterais (os famosos “cabeça chata”) ainda eram relativamente comuns.



O GTV apareceu como Giulia GT de 1962 , e só depois recebeu o "V" de Veloce. Tinha um desenho do jovem gênio da casa Bertone, o depois famosíssimo Giorgetto Giugiaro. Como quase todas os Giulias, usa freios a disco nas quatro rodas (!!!), suspensão traseira com eixo rígido (bem localizado com um braço triangular em cima do diferencial e molas helicoidais) e dianteira com braços triangulares sobrepostos. Foi desenvolvido para usar pneus radiais (também raros então), inicialmente os Pirelli CF67 Cinturato. O câmbio era uma unidade totalmente sincronizada de cinco marchas.

Os GT/GTV foram oferecidos em vários tamanhos de motor durante sua vida, 1600, 1750 e 2000, e, com o nome de GT Junior, 1300. Teve uma história de sucesso em competições, principalmente na sua versão de peso aliviado GTA (GT “Alleggerita”) um lendário cupê de alumínio e cabeçote de velas duplas, homologado especialmente para competição.

O GTV 2000, corrente de 1971 a 1976, é a última evolução para as ruas deste longevo cupê. O motor desloca exatamente 1.962 cm³, a partir de um diâmetro de 84 mm por um curso de 88,5 mm, sua potência é de 130 cv a 5.500 rpm e seu peso total, ao redor de 950 kg. O carro do meu amigo tem um opcional raro e interessante: ar condicionado, o que faz com que a bateria vá para o porta-malas (onde Deus a colocou originalmente), já que o espaço no cofre se tornou exíguo.

Andando de GTV


Olhando o carrinho na frente de casa, recém-lavado e polido num resplandecente e profundo negro, não há como não admirar o trabalho do jovem Giugiaro. O carro é pequeno, mas as proporções e a pureza de linhas são simplesmente sensacionais. A área envidraçada é grande, e o teto é suspenso por delicadas colunas, algo impossível de se fazer hoje em dia, tempo em que um carro é feito para encarar um bloco de concreto imóvel, ao invés de desviar dele. Os para-lamas dianteiros são ligeiramente mais altos que o capô, mostrando sua posição para o motorista, um universal sinal de um carro de mecânica baixa. O pequeno porta-malas e o longo capô são tão perfeitos em sua proporção em relação ao entre-eixos e ao tamanho total do carro que compelem o cientista alemão dentro de mim a tentar criar uma fórmula matemática para que os designers obtenham a partir de um dado entre-eixos e comprimento final, o ideal tamanho de cada volume e o diâmetro das rodas e pneus. Uma perfeita “Lei da GTV”, que os ensinaria a serem tão geniais como Giorgetto, e abandonassem inspirações amalucadas de filmes de ficção e hot rods, tão presentes em estúdios de design hoje em dia.



Os detalhes também são apaixonantes: rodas de aço pintadas no exato tom de cinza original, e com as calotinhas também originais, cromadas. Meu amigo teve que contratar um torneiro mecânico para reproduzir os parafusos de roda originais, que têm um desenho diferente para segurar as calotas. Quatro pneus radiais novos e de boa qualidade (Goodyear) na medida 195/70 R14, de novo mostram o cuidado dele para com o carrinho.



Dentro dele, mais alegria: um vinil de textura perfeita, clarinho, bege, contrasta com a madeira, alumínio, o preto do painel e com a grande área envidraçada, para dar uma atmosfera clara, iluminada e agradabilíssima. Achei isto fantástico, logo de cara, pois um cupê tão pequeno normalmente acaba por ser a ser altamente claustrofóbico.



Senta-se baixo, bem no meio do veículo, como deve ser em um carro esporte. Os dois instrumentos principais em um “binóculo” pronunciado, câmbio com a alavanca curvada para trás (parecida com o do Chevette), volante de madeira e alumínio em posição perfeita, pedais idem. Da posição de direção, como já disse, pode-se ver os para-lamas altos, marcando as extremidades do carro: genial. A sensação é de que, apesar de ser um carro visivelmente pequeno, o acesso, a posição de dirigir, e o espaço para o motorista e um passageiro são ótimos. O banco traseiro, porém, deve ser tratado como espaço extra de bagagem, ou para crianças bem pequenas.



O motor liga fácil, e logo se mantém em uma marcha-lenta estável. Acelerando-o parado, se tem uma ideia do que vem pela frente. Um motor sem frescuras, sem melodia de escape, vibrador. Mas também solto, que sobe de giros fácil, e que engole ar com vontade por suas quatro borboletas de admissão, neste caso acopladas a dois magníficos carburadores duplos horizontais Dell’Orto. Sem modos, mas robusto, com fôlego e disposição de atleta. Humm... Interesting...


Ao colocar o carro em movimento, a primeira surpresa: cadê o freio? Mas logo depois, entendi: é necessário uma forte pisada para acionar realmente as quatro pinças italianas. De cara uma sensação forte me avassala: como parece moderno ao rodar! Para quem está acostumado com carros dos anos 60/70, a impressão de que o carro é muito mais novo do que é impressiona. Que revelação deve ter sido em sua época... Até o freio foi só questão de adaptação; em segundos estava modulando-o e freando instintivamente como se fizesse isto há anos.



E me senti em casa. A alavanca de câmbio se move com facilidade e precisão, o motor pede para ser acelerado, e como sou educado, assim o fiz. Não sei se ela se comporta bem andando devagar; enquanto estive com ele só andei à moda.

Em pouco tempo, estava atacando as curvas com vontade, e estava embasbacado com a compostura do Alfa. Já andei em muitos carros da mesma época, e nenhum chega perto. Na verdade, poucos carros que já dirigi, independente da época, são tão apaixonantes no comportamento. Some-se o motor, que é um verdadeiro estivador (forte e eficiente mas nem aí para as boas maneiras e o refinamento), a tração traseira perfeita para posicionar o carro nas curvas, a direção e o câmbio que só ajudam, o pequeno tamanho, e se tem uma experiência ao volante que é mais que boa ou memorável: é excitante.

A coisa realmente esquentou, literalmente. Andando cada vez mais rápido, me sentia cada vez mais unido com o bichinho, e ele parecia adorar. O túnel esquentou ao lado de minha perna; mas não quente “queimadura de primeiro grau”, quente assim como paixão, desejo que se consuma. Um calorzinho danado de bão, se é que me entendem.

Correndo risco de parecer rude, e usando um grande clichê que evito a todo custo: aquilo estava realmente parecendo sexo. Algum esforço físico era necessário para se fazer tudo aquilo, mas durante a brincadeira você nem se toca disso, excitado e no meio de tanta diversão e emoção. A resposta telepática de tudo aquilo que eu tentava fazer me provocava a fazer mais, e seguíamos assim eu e a máquina num crescendo delicioso... É impossível de não se deixar levar, e sentir o abandono clássico da paixão, aquela maravilhosa certeza de que o tempo parou e não há mais nada no mundo além de você e sua companheira.

De repente, meu telefone toca e me lembra do mundo lá fora (todo mundo sabe como é chato isso), e paro para atender: era meu amigo, que estava tentando me seguir com o meu Maxima, e tinha ficado para trás e se perdido. Estava visivelmente irritado, achando que estava muito rápido... Ciúmes totalmente compreensível.

Bem, meninos, acho que vocês entenderam. Para resumir a história, mandei meu amigo para sua casa de Maxima a contragosto, para passar o fim de semana com o Alfa, e ainda estou dolorido e cansado de tanto dirigir. Cansado, mas feliz. Feliz, satisfeito, exaurido. Como quando passamos um fim de semana íntimo com uma nova paixão. De volta a meu ar condicionado e isolado sedã japonês, a vida nunca seria mais a mesma.

E olhem só: nem liguei o ar condicionado do Alfa, e só me lembrei dele agora! Mas também, e daí? Ar condicionado, rádio...tudo isso é supérfluo neste carro, que já é um parque de diversão completo sozinho. Nem me lembro se ele tinha equipamento de som...

O 911 italiano


Então, a conclusão é que realmente há um motivo de tanto falatório sobre Alfas, e este motivo é amor, que desanda inevitavelmente para muito sexo. Mas por que, fazendo carros tão fantásticos, a empresa não dominou o mundo?

Muitos diriam que é por causa de confiabilidade. Mas tirando a ferrugem, um problema bem conhecido, todos os donos de carros derivados do Giulia que conheço só têm boas coisas a dizer da mecânica, que é basicamente bem robusta. Mas é verdade que, quando quebram, dão trabalho para consertar.

Mas a Alfa abandonou cedo o conceito do Giulia, e em 1972 lançou o Alfetta com câmbio traseiro, e dele derivou um novo GTV. Minha impressão é que se perderam; lançaram depois os Alfasud (tração dianteira, 4 cilindros contrapostos) e o Alfa 6, e sua qualidade e confiabilidade, aí sim, decaíram sensivelmente, lançando a empresa, que era estatal,, em uma espiral de problemas que a levou a ser absorvida pela Fiat.

O GTV era um concorrente direto do Porsche 911 em sua época. Tinha um tamanho próximo, eram ambos 2+2, e o deslocamento do motor é semelhante. Mas a Porsche desenvolveu o seu conceito básico até 1998, e ainda até hoje ainda faz evoluções deste carro.

Tendo dirigido o GTV, tenho a dizer que se a Alfa deixasse a sanha de inovar sempre de lado, e tivesse agido como a Porsche, hoje ela dominaria o mundo. Um GTV moderno, evoluindo até o desenho genial de Giugiaro, seria hoje tão icônico quanto o alemão. O GTV não deve nada em prazer ao volante em relação a um 911 contemporâneo. São coisas totalmente diferentes, mas completamente apaixonantes e carismáticas.

MAO


Também no Dia das Bruxas os americanos entusiastas se divertem.
Eis o que resta de um Studebaker pick-up 1941, devidamente fantasiado para a comemoração de hoje, 31 de outubro.
As fotos são do evento de sábado passado no parque de Old Town, a 10 minutos da Disney World em Orlando/Kissimmee. Essa visita é imperdível para quem for à Flórida, como bem mostrou o Paulo Keller anteriormente.
Esses caras não perdoam nem os carros antigos nessa data. Com um tremendo bom humor.

Bom Halloween a todos!

JJ
Querem saber como trocar uma correia de dínamo de Fusca em segundos? Vejam o vídeo. Mas todo cuidado é pouco para evitar ferimentos nas mãos. Colaboração do Rex Parker.



Atenção: O AUTOentusiastas não recomenda essa operação, que é mostrada como curiosidade apenas. Esta, como qualquer outra em motores, requer motor desligado e, preferencialmente, com a chave de ignição/partida no bolso de quem estiver executando o serviço.

BS

(Atualizado em 31/10/09 às 11h00)


Estive esta semana em Brasília e fiquei alarmado com a sinalização "Pare", de parada obrigatória, nas dezenas de rotatórias na cidade, a exemplo da foto acima (que não é em Brasília, mas para ilustrar somente).
A rotatória foi concebida justamente para não se parar diante dela e com isso evitar retenção desnecessária de tráfego - ou haveria um semáforo para tanto. Apenas adentra-se nela tendo-se em mente que a preferência é de quem já está circulando. Isso é universal e consta até do nosso código de trânsito! Há até sinalização para tanto, que é a placa "Dê a preferência", a chamada placa R-2 (Regulamentação-2):


É preocupante uma autoridade de trânsito mostra desconhecer o código que se obriga a cumprir. Com esse mau hábito notado em Brasília, ninguém para o veículo diante da placa  "Pare", que tem significado exclusivo de parar, sem nennhuma outra interpretação. O ou a motorista se acostuma a desrespeitá-la sistematicamente e um dia, em Brasília mesmo ou em outra cidade, ignorará uma um placa de parara obrigatória onde parar é realmente fundamental, podendo causar um acidente sério.
Tem da haver uniformidade de sinalização para as diversas situações de trânsito, uma vez que o código é de abrangência nacional. Tudo tem que ser igual nesse aspecto, do Oiapoque ao Chuí.
Lembro-me que na mesma Brasília, muitos anos atrás, a parada obrigatória era para quem estava na rotatória, absurdo ainda maior. Essa mesma situação existe hoje em Pindamonhangaba, SP, na rotatória situada na avenida de acesso ao centro para quem vem da via Dutra.
Poucos se dão conta que o desrespeito à placa de parada obrigatória é infração gravíssima, exatamente a mesma de se avançar o sinal vermelho. São debitados 7 pontos na carteira e a multa é de R$ 191,54.
Vamos ver o que Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) acha disso tudo. Para isso estou lhes enviando o link deste post.
BS
Atendendo a pedidos, resolvi clicar algumas coisas que me ajudam a trabalhar, a fazer a alegria de alguns amigos!
Ferramentas são o tipo da coisa que nunca se tem demais. É impossível, sempre têm uma utilidade especifica, são legais para alguma aplicação obscura, mesmo que só se use uma vez na vida, se paga e vale muito a pena.
Cada tipo ou grupo de ferramentas atende a um propósito mais ou menos evidente e sempre é bom ter em mente o que se pretende para que a compra seja o mais proveitosa possível.
Uma dica legal é ver o carro que voce tem ou mexe mais, no caso esecífico de medidas em milímetro ou em fração de polegada. Se o estimado leitor é amante de Volkswagens, por exemplo, deve ter todo o seu arsenal em milímetros; se é um cara que é mais chegado em carro amercano, tudo deve ser em fração de polegada. Uma ferramenta na medida ou sistema errado só vai arruinar porcas, parafusos e peças. Não é sensato nem se justifica. Logo, vamos rachar o porquinho e comprar o necessário, para se ser feliz de uma vez e sem dores de cabeça posteriores.


Nesta imagem eu coloquei algumas ferramentas manuais básicas que entendo serem excelentes para trabalharmos com algum conforto e sem muitos improvisos.
Tipos simples de ferramentas como chaves de biela ou L, que se consegue em tamanhos que vão de 3/8" a 3/4" ou de 10 a 19 milímetros. Chaves simples e relativamente baratas que ajudam muito a apertar ou afrouxar de forma rápida porcas e parafusos.
Chaves de boca planas, chaves combinadas boca/estria planas, chaves de estria com alguma angulação e elevação, chaves especiais para freios e outras porcas para fixação de tubos com flange, chaves planas para locais de difícil acesso, no caso a que aparece na foto, de 11 e 13 mm, é perfeita para retirarmos a porca que prende o carburador dos Volkswagen quando montados com apenas 1 carburador e para facilitar a retirada rápida de porcas e parafusos de medidas menores que as chaves L normais, chaves tubulares que se consegue em medidas menores que 3/8" ou 10 mm.
Chaves allen, torks, alicates de pressão, e uma ferramenta não muito comum de se achar aqui no Brasil, os puxa-furo, que são coisas simples, mas que ajudam um mundo quando se está sozinho e se precisa alinhar furos para se passar um parafuso.




Essa caixa da foto é a minha, nada demais, nada de menos e uma boa ajudante, que sempre me ajuda a fazer minhas coisas por aqui.
Claro que isso é o básico. Se voce quer ir um pouco mais longe, por exemplo, mexer em motores, vale investir em algumas ferramentas que vão tornar sua vida muito mais fácil e lhe permitir fazer coisas legais e precisas. Um bom torquímetro, que pode e sempre deve ser o mais simples possivel, uma cinta de comprimir anéis, uma boa caixa de soquetes. Se for apenas um motor ou outro, isso resolve bem, se for um hábito que se pretende cultivar, micrômetros e paquímetro são indispensáveis.
O paquímetro é universal, lê em milímetros e em polegadas. Já os micrômetros não, precisa de um para cada espécie de medição. Como são ferramentas realmente caras, só se compra se realmente houver real necessidade, tendo em vista que normalmente em qualquer retífica se faz serviço de medição e tudo costuma ser informado com coerência.



Junto com essa de fazer motor, tem sempre o problema de roscas eventualmente sujas ou avariadas, necessidade de se fazer um furo qualquer e se abrir rosca, e aí vamos descobrir que nem sempre naquele sábado à tarde, quando você, guerreiro de fim de semana resolve trabalhar um pouco e não tem nenhum torneiro aberto à disposição. O jeito, meu velho, é pegar suas ferramentinhas de corte e ir à luta. Machos, tarrachas, extratores cônicos, aquele pente de rosca para descobrir que parafuso é aquele para o qual você precisa conseguir uma porca, tudo isso voce deve ter à mão. Na foto abaixo, kits baratinhos, importados da China, sempre um em milímetro e outro em polegada, que não vão servir se você quiser fazer um serviço pesado ou muito preciso, mas são bem baratos, para serem usados sem culpa e que vão atender plenamente as necessidades nossas de fim de semana, que nos ajudarão muito a limpar uma rosca enferrujada que não deixa o parafuso rosquear de forma adequada.
Estávamos falando em motor, e na hora de montar um, nada mais legal que ter a mão um jogo de machos para limpar todas as roscas antes da montagem final, para que o torque aplicado aos parafusos venha efetivamente ser consumido no alongamento dos parafusos, e não para compensar atritos causados por ferrugem, sujeira e outras coisas que não têm lugar numa boa montagem de motor. Abaixo a minha caixinha de quebrar galho quando o torneiro não está disponível.


E num sábado à tarde, quem vai nos dar aquela mãozinha quando estamos sozinhos na garagem, aquela mão forte se nos ajuda a prender as peças? Ele mesmo, o torno de bancada, ou morsa. Um cara que sempre nos ajuda a prender uma peça no lugar para furarmos, limarmos, esmerilharmos quando não temos ninguém por perto para ajudar! Um item impossivel de dispensar em qualquer meia oficininha meia-boca de fundo de garagem de entusiasta!


E já que falamos em furar, limar, esmerilhar, como não lembrar das maquininhas bacanas que fazem uns servicinhos que não temos como fazer assim na mão limpa?


Os dois motoesmeris tem uma explicação. Num deles dois rebolos abrasivos de uso geral, um de grão fino e outro de grão grosso. No segundo, uma escova de ao rotativa e um rebolo especial, destinado a afiar ferramentas de corte. No mais, retificadeira reta, esmerilhadeira de disco, furadeira e um bom carregador de bateria.
Claro, serra tico-tico, lixadeira, politriz, compressor de ar, tudo isso é necessário e imprescindível, mas vamos deixar barato! Vamos deixar barato porque tem um tipo de ferramenta que por mais que seja mais caro e mais especifico é de uma grande valia: equipamentos de soldagem. Felizmente podemos comprar equipamentos simples como a maquininha eletrônica da foto, que vai soldar um monte de coisinhas legais que encontramos nas nossas necessidades diárias, mas evidentemente não vai servir para soldar o casco do Titanic versão 2011. Se for para coisa mais pesada, um equipamento mais sério se faz necessário.
Claro, ia esquecendo, soldar é dificil, né? Que nada, esse livrinho que eu cliquei junto com a máquina é o fim de todas as dificuldades, Welder's Handbook, o livro de mão do soldador. Recomendo enfaticamente a qualquer pessoa que queira mexer com solda mas não tenha tempo para fazer um curso decente no Senai.
O livro ensina tudo o que você pode precisar e vai ser um bom livro de cabeceira e de bancada também. Usei e recomendo. E se você for um cara com pouco amor ao vil metal, faça-se um enorme favor e compre um conjunto de oxi-acetileno, corte e solda. Para não me alongar muito, o maçarico é apenas o equipamento de solda mais versátil que existe. Simples, e além de soldar, ainda corta, fura, aquece, tempera, faz um bom e variado numero de serviços e tarefas que ajudam demais o entusiasta em suas rotinas!

E por fim, por mais que o autoentusiasta seja antes de tudo um corajoso, um forte, ele não é assim um Hulk, portanto, algumas coisinhas a mais ajudam muito nessas horas dificeis que nem toda a força humana resolve.

Talha de corrente para tirar motor e elevar coisas pesadas é excelente para locais com pouco espaço, mas requer um ponto de fixação elevado.

A talha hidráulica é mais prática, mas é mais um trambolho grande na sua garagem. Logo, na hora da dificil decisão, pense nesses pormenores. Mas em caso sério de dúvida, compre ambas. Garanto que você não vai se arrepender.
E muito importante: você vai pôr o motor aonde? Exato, no cavalete de montar motor, porque entusiasta de verdade não monta motor emcima da mesa da cozinha, não é mesmo?
Outra presença indispensável é uma prensa hidráulica. Um modelito simples, como este de 15 toneladas, faz a festa.

Apesar da foto ser ruim, uma furadeira de coluna é algo indispensável também, e se você ainda se der ao luxo de pôr uma pequena morsa com mesa de coordenadas X e Y, fica perfeita. Para furar com precisão coisas simples e pequenas. Sempre os furos saem retos, no esquadro.


Um policorte, por mais que seja algo mais recomendado a um serralheiro, é legal se for serrar e cortar peças metalicas, trabalhar com adaptações e fabricações sempre.

Agora, depois de tudo pronto e fotografado, vi uma falha imperdoável! Não limpei a parede da oficina ao redor do interruptor de luz! Já vejo o Grande e infrene beletrista, nosso amigo José Rezende Mahar me repreendendo por esta falha imperdoável, uma grosseria ímpar com os leitores do blog! Aceitem meu pedido de desculpas!
Despertaram o gigante adormecido?

Situações drásticas requerem ações drásticas. Depois de toda a crise financeira e no setor automobilístico americano, não dá pra pisar em ovos. Fábricas fechadas, marcas enterradas, divisões vendidas (ou quase). A GM lançou uma campanha de satisfação de 60 dias nos EUA. Compre o carro e você tem 60 dias pra devolver se não estiver satisfeito. Menos de 1% devolveu o carro. Nada mal. Mas tem mais...


O guru-marketeiro-falastrão Bob Lutz está ligado no 220 V! Ele lançou o desafio de um duelo com qualquer sedã não modificado contra o fantástico Cadillac CTS-V, dono de uma marca impressionante em Nürburgring.
Muitos aceitaram, muitos desistiram e, no final, um escriba do blog Jalopnik acabou sendo o único que restou. Lutz não confirmou que ele mesmo dirigiria o carro, talvez um engenheiro de testes mais novo e mais qualificado, mas no final, o senhor de 77 anos conduzirá o Cadillac na pista do Monticello Motor Club (NY) contra um Mitsubishi Evolution MR. Wes Siler, o desafiante, imaginava conduzir um Mercedes-Benz, depois um Jaguar XFR e finalmente acabou com o Mitsubishi. Não tenho detalhes de toda a história, mas no caso do Jaguar o próprio fabricante alegou que acreditava que 5 voltas no circuito poderiam desgastar os freios a ponto de comprometer a segurança do condutor.

Com tantas desistências, a confiança de Lutz aumentou e ele andou treinando em campos de prova da GM para o duelo. O desafiante não é piloto profissional. Coincidentemente eu pesquisava a escola de pilotagem Skip Barber (a maior do mundo) quando ele escreveu um post descrevendo o treinamento que teve lá com Miatas preparados. Vai ser uma briga boa. E justa, pelo que se propunha inicialmente.

O circuito tem duas longas retas que, em teoria, favorecem a enorme potência do Cadillac, mas isso é assunto pra depois. Vamos ver o resultado antes de comentar!


É bom ver um pouco de ação na outrora tão poderosa GM.

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Atualização: Bob Lutz venceu o duelo!

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MM


No último sábado, durante o 1º Café da Manhã Chamonix Cars, relatei ao amigo Arnaldo Keller uma das grandes paixões da minha infância e adolescência: o plastimodelismo.

Ganhei os primeiros kits por volta dos 8 anos de idade, influência direta de um primo apaixonado por aviação: o primeiro kit era de um avião Concorde, que montei com a ajuda do meu pai. Em pouco tempo estava montando sozinho os primeiros kits, com uma predileção especial pela engenharia naval: de barco viking a navios da II Guerra Mundial, montei de tudo um pouco.

Já com os primeiros trocados da mesada, passei a comprar meus kits e aí o instinto automobilístico falou mais alto: VW Karmann-Ghia 1963, Chevrolet Bel Air 1962, Opel Blitz 1939, Dodge Coronet Super Bee 1970, Chevrolet Impala 1958, entre outros, quase sempre destruídos pela faxineira insensível e indelicada que insistia em limpar meu quarto.

Aos poucos fui juntando um sem número de pequenas ferramentas: estilete, pinças, pincéis, diversos tipos de cola, tintas especiais para o hobby e outros artefatos improvisados: os pregadores de roupa sumiam da área de serviço, por fazer um bom trabalho na hora de manter pecinhas no lugar certo na hora de colar. Alicate de cutícula e lixas de unha também quebravam um galho considerável, para desespero da minha mãe.


Cheguei até mesmo a comprar um aerógrafo e compressor de ar no final do ensino médio, mas meus dias de plastimodelista estavam chegando ao fim: as responsabilidades da vida adulta passaram a tomar todo meu tempo e o prazeroso hobby acabou caindo no esquecimento. Até o último sábado.

O fato é que nem eu consigo entender o motivo de ter me lembrado do plastimodelismo enquanto conversava com o Arnaldo. A lembrança simplesmente surgiu, aparentemente sem nexo algum. Bateu uma saudade das intermináveis horas de trabalho e da paciência de chinês exigida, o que na minha opinião é muito mais gratificante do que comprar um modelinho já pronto, encontrado em qualquer loja.

Hoje decidi montar o último kit que sobrou na minha estante, o do Golf VR6 1992., comprado há muitos, muitos anos. Confesso que depois de tanto tempo estou apanhando um bocado, mas me sinto ótimo ao retomar este velho hábito.

FB


Esse caso é típico de se descrever com a frase "tinha que ser coisa de americano". Outro dia comentei sobre um barco de corrida com motor Miller, e lembrei de outra forma de esporte náutico que também merece umas linhas.

As corridas náuticas possuem diversas subdivisões, classificadas principalmente pelo tipo de casco e motorização. A mais interessante e diferente é a classe dos hidroplanos, que são barcos com cascos planos e que não ficam submersos na água, mas sim "planando" sobre ela.

Explico: quanto mais o casco estiver submerso, maior é a resistência ao movimento e com a velocidade, a resistência da água no fundo do casco faz com que o barco fique sempre na superfície, apenas tocando levemente a água, apoiado basicamente em três pontos, uma pequena parte dos dois flutuadores dianteiros e o hélice central traseiro. Com isso, a resistência por atrito é muito reduzida e as velocidades podem ser mais elevadas.


Dentro da categoria dos hidroplanos, que existem desde os ano 50, a motorização é a principal divisão das categorias. Antigamente era usados motores aeronáuticos a pistão, como os Merlin e os Allison V-12. A partir dos anos 80, adotou-se na categoria top, conhecida como Unlimited Class (Classe Ilimitada), as turbinas com árvore de propulsão, utilizadas em helicópteros. A mais empregada por muitos anos foi a Lycoming T55, que era usada originalmente no helicóptero de transporte militar Chinook, da Boeing.


A turbina é montada no centro do barco, atrás da cabine blindada e fechada com um canopy igual ao utilizados em aviões de caça, e a árvore é ligada em um único hélice central, que trabalha semi-submerso, ou seja, apenas metade dele fica na água.

As corridas são feitas em grandes lagos, com retas longas e sempre em traçados circulares, como nas pistas ovais. Com uma turbina de 5.000 cv, os hidroplanos chegam a mais de 300 km/h no fim das retas. E não pensem que as corridas são chatas e sem graça, pois as disputas são acirradas e até toques entre os barcos acontecem nas curvas.


Para manter os barcos na superfície, grandes aerofólios são usados, e curiosamente em alguns barcos os dianteiros são móveis, comandados pelo piloto para manter o bico do barco o mais estável possível, ou seja, nem muito alto pois o barco pode decolar, e nem muito baixo, pois o arrasto com a água retiraria muita velocidade.


Hoje em dia é muito difícil ver na TV uma corrida, pelo menos nos canais que tenho acesso, não vejo há alguns anos, mas se acharem, vale a pena assistir.


Saiba mais: American Boat Racing Association
Graham Nearn, a pessoa responsável por manter o Lotus Seven vivo até hoje, veio a falecer sábado passado, dia 24 de outubro.

Nearn, dono da concessionária Lotus chamada Caterham Cars desde 1959, e um grande entusiasta do Seven, comprou os direitos de fabricação do carro em 1973, quando Colin Chapman desistiu de fazê-lo. O renomeado Caterham Seven permanece até hoje, e a empresa que o produz é saudável e feliz com seu mercado restrito mais fiel.

Ao perpetuar o passado, Nearn criou um ícone moderno, e a ele todos os entusiastas do mundo devem agradecimento eterno. O Seven é o ícone sagrado da velocidade e prazer ao volante acima de tudo, inclusive do status.

Acredito que todo mundo que lê este blog deve conhecer o Caterham Seven. Se não, cliquem aqui para uma perfeita descrição de um amigo meu sobre o carro, e depois, vejam a linha atual no site da Caterham, clicando nessas letras de cor diferente aqui.

O AUTOentusiastas dá as suas condolências a família de Nearn, e lamenta sua passagem, mas permanece certo de que uma pessoa que deixa um legado tão eterno quanto o Seven, nunca morrerá de verdade.

Que o Seven, e com ele a lembrança de Nearn, nunca venha a desaparecer. Este é o meu voto neste momento de tristeza.


MAO
Rapidinha...
Acabei de assistir o novo comercial de TV do Ford Focus que termina com a frase "Ford Focus, o carro para quem gosta de carro". Essa propaganda completa a outra que está nas revistas mostrando que o Focus é o modelo que mais ganha comparativos nas revistas.
Tenho a impressão que nem com essas propagandas as vendas do Focus aumentarão.
Hoje visitei alguns concessionários e surgiu o assunto de carros usados. Eles me disseram que na venda de um carro zero com um carro usado na troca se esse usado não for flex o preço pago por ele é muito baixo. Na hora me lembrei do Focus.
Incrível como para um carro vender bem não basta ser bom, mesmo com o atestado de todas as revistas especializadas. Também não adianta ter uma plataforma moderna, ou uma vasta lista de equipamentos, ou um preço competitivo. O mercado é cruel. Espero que a Ford lance a versão flex o quanto antes para que possamos ver mais Focus nas ruas.
Por outro lado, os entusiastas terão Focus usados com bons preços nos próximos anos.
Outra...
...que me deixou um tanto perpléxo foi a Autoesporte de novembro. Na edição de assinantes existe uma sobrecapa por cima da capa. As duas são quase iguais. A capa original dá destaque para o "novo" Fox e um comparativo com Agile, Sandero e Punto com uma foto pequena desses três modelos e uma grande do Fox. Já na sobrecapa, que tem o mesmo layout da original, a pequena foto dos concorrentes do Fox foi suprimida e a chamada é "Novo Fox supera novo Fox".
Mais acima está uma indicação "sobrecapa publicitária". Nunca vi isso antes!
E o que mais me irrita em comparativos em geral são as notas. Nesse caso específico a média do Fox foi 8,4 e a dos outros três foi 8,3, 8,2 e 8,1. Ou seja, empate técnico!