google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)
Nessa época de problemas de difícil solução financeira para quase todas as fábricas de carros, interessante lembrarmos o que a Saab, sob ameaça de desaparecimento, já realizou.

Um breve histórico.

Após o final de Segunda Guerra Mundial, a Saab (Svenska Aeroplan Aktiebolaget) enfrentou uma mudança, de complexo industrial militar que fazia aviões, para um mercado baseado no consumidor. Foi criada então uma divisão automotiva, cujo departamento de engenharia foi formado por 16 engenheiros aeronáuticos. O UrSaab, o modelo original, também conhecido por 92.001, teve como responsável pela carroceria,um especialista em asas. Baixo peso e resistência estavam incutidos na cultura desse grupo. O carro, modelo designado 92 para o mercado, iniciou as vendas em 1949 e a essa carroceria foi utilizada até 1979, com a mesma forma básica e estrutura. A data de fundação oficial da empresa é 10 de junho de 1947.



UrSaab, o primeiro protótipo, 1947

Motores, um campo de exploração.

Ainda com o modelo 96 em produção, foi apresentado o modelo 99, que viria a ser o primeiro Saab a adotar o turbocompressor. Inicialmente em 1977, 100 carros foram produzidos e utilizados por pessoal da fábrica e alguns clientes selecionados, escolhidos entre os que poderiam contribuir com informações importantes no final do desenvolvimento. No ano seguinte, chegou para venda normal, com motor 2-litros e 145 cv. O conceito de turbo para a Saab sempre foi diferente do habitual para automóveis, de incrementar o desempenho. A filosofia era ter disponível potência adicional a ser utilizada no máximo em 10 a 15% do tempo em que o carro é usado, basicamente em ultrapassagens em pista simples, a maioria na Suécia. Motivo básico: ficar o mínimo de tempo possível na contramão. Durante o restante da utilização, o consumo é o mesmo de um motor sem turbo.

O conceito do turbo se propagou rapidamente após a Saab adotá-lo. Em 1979 eram 5 modelos no mundo, 66 em 1984, 90 em 1987 e 93, em 1990. Mas a Saab não foi a pioneira nessa aplicação. Houve o Chevrolet Corvair Monza, O Oldsmobile Jetfire, o BMW 2002 Turbo e o Porsche 911 Turbo antes dos suecos, mas nenhum com produção em massa. A diferença foi a adoção da válvula de alívio (wastegate), que permitiu ao motor ter comportamento mais linear, sem aumento abrupto da potência, tornando o carro mais controlável e dócil, e sem o atraso no enchimento da turbina, que gera uma demora de resposta ao movimento do acelerador, conhecida como turbo lag. Já vimos uma frase que dizia ser a Saab a empresa que possuia carros turbinados sem turbo lag, quando outros ainda estavam iniciando as vendas de seus modelos turbo.

No começo dos anos 80 foi adotado o APC (automatic performance control), visando evitar a detonação, pré-ignição, knocking ou, popularmente, batida de pino. O APC inclui um sensor de detonação, que é um microfone fixado no motor, capaz de escutar as mínimas detonações e de enviar um sinal para um módulo eletrônico modificar a pressão máxima do turbo, de forma a evitar a detonação mais forte, que pode danificar o motor. O turbocompressor também colabora na melhor eficiência da combustão, pois aumenta a quantidade de ar nos cilindros, colaborando para reduzir a emissão de poluentes. Em 1983 chegaram as 4 válvulas por cilindro para o motor com turbo, com desenho de câmara de combustão favorável ao fluxo de gases. Em 1985, a DI (Direct Ignition) inovava ao reunir num cartucho montado sobre o cabeçote, todos os elementos da ignição, inclusive com computador de gerenciamento.

Em meados dos anos 90 chegou ao mercado o Trionic, um módulo que controlava a injeção de combustível, a ignição, os ajustes de acelerador (borboleta) na fase de aquecimento e as funções do APC. Uma integração de funções de mesmo conceito utilizado hoje em todos os carros com injeção e ignição eletrônicas, condensados em uma ECM ou "centralina".

Em março de 2000, um protótipo de motor de taxa de compressão variável foi apresentado. Essa pesquisa havia sido iniciada em 1981. O SVC (Saab Variable Compression) altera sua taxa de compressão inclinando o cabeçote e os cilindros, que são unidos e pivotados em um eixo ao lado do virabrequim. Esse ângulo, de apenas 4 graus, permite variar a taxa de 8:1 até 14:1, Chegando a uma potência de até 225 cv, e torque máximo de 305 Nm (31,1 mkgf) com apenas 1,6 litro de deslocamento volumétrico e cinco cilindros, com compressor mecânico, não turbo nesse caso. Devido a essa característica de taxa variável, o motor SVC é capaz de funcionar com álcool ou gasolina, numa situação muito mais próxima do ideal do que nos motores flex comuns, que são projetados com uma taxa de compressão meio-termo. O sistema é absolutamente simples: a parte superior do motor, cabeçote e cilindros, integrados no que se chama monohead, se inclina em relação a parte inferior, bloco, pistões/bielas e virabrequim. O movimento é controlado pela ECM, e efetuado por um eixo que gira poucos graus e empurra alavancas fixas ao monohead. Esse projeto foi engavetado após a compra de 100% da Saab pela GM.

O SVC em corte, na posição de alta compressão. O monohead está na posição inferior. O comando mecânico do sistema está em amarelo, ao lado direito das bielas.

Abaixo, a posição de baixa compressão.



Bloco de cilindros inclináveis do motor SVC. A árvore em primeiro plano está ligada a alavancas similares a bielas, que empurram ou puxam os cilindros. A área em vermelho mostra o curso total. Este bloco, somado ao cabeçote, compõe o monohead.


Outras inovações SAAB, não relacionadas a motores.

1949: modelo 92 com carroceria monobloco de assoalho plano, notadamente aerodinâmica, motor transversal de dois cilindros, 2-tempos, tração dianteira e suspensão independente. Uma combinação de características nunca antes reunidas em um só carro. Após alguns anos, esse conceito se provou muito bom para competições, com vitórias em ralis do campeonato mundial.

Erik Carlsson vence o Rali de Monte Carlo de 1963 com um modelo 96.

1953: cintos de segurança instalados de fábrica.

1957: Saab 93, motor passa a três cilindros 2-tempos, 750 cm³, longitudinal.

1960: sistema de ventilação interna com exaustão de ar projetados para eficiência e segurança.

1961: primeiro uso de defletor de ar em tampa traseira de perua, para evitar acúmulo de sujeira no vidro do vigia.

1963: freios com circuitos em diagonal.

1967: coluna de direção colapsível; chave de ignição no assoalho, entre os bancos, para eliminar ponto de ferimento no joelho em caso de acidente.

1969: apoios de cabeça com função de segurança, ao invés de apenas conforto ou estilo.

1971: para-choques deformáveis e com memória, se desamassando em batidas de até 8 km/h; limpadores e lavadores de farol básicos para toda a linha; assentos com aquecimento.

1976: conversor catalítico no escapamento nos carros para mercado americano.

1977: filtro de ar de ventilação interna, ou filtro de pólen.

1982: material de atrito dos freios sem amianto.

1985: pré-tensionadores automáticos de cinto de segurança.

1986: primeiro tração dianteira com ABS, modelo 9000.

1991: primeiro ar-condicionado sem gás CFC; sistema de gerenciamento de ignição e injeção de combustível Trionic, onde é verificada a ionização da mistura na câmara, buscando sempre o melhor funcionamento e economia, bem como emissões de poluentes reduzidas.

1993: sistema Sensonic, uma transmissão manual automatizada sem embreagem; Saab Night Panel, painel de instrumentos de visão noturna, onde se pode escolher os instrumentos a serem visualizados.

1996: encosto de cabeça ativo, SAHR (Saab Active Head Restraint) que se desloca em direção à cabeça do ocupante quando o tronco afunda para trás no encosto, como ocorre em batidas traseiras.

1997: ventiladores nos bancos dianteiros integrados aos assentos.

1998: piso do porta-malas móvel, na perua 9-5, permite carga e descarga com mais facilidade ergonômica, evitando que o usuário curve as costas ou bata o joelho no para-choque.

2003: Cargowing. Um rack de teto que funciona também como aerofólio quando não está segurando cargas.

2004: Saab Alcokey: um bafômetro na chave de contato, impede que o veículo seja ligado caso o motorista esteja embriagado; comunicação via transponder, o mesmo que funciona como anti-furto.

2007: XWD - cross-wheel-drive, a mais avançada tração nas 4 rodas para veículo de alta velocidade, pode enviar até 100% de torque para as rodas dianteiras ou traseiras, e possui diferencial com bloqueio mediante comando eletrônico. Apresentado no modelo Turbo-X de 2007, comemorativo aos 30 anos do primeiro Turbo.

O Museu Saab, junto à fábrica, em Trollhattan, Suécia.

JJ
Hoje praticamente não pensamos no motor de partida. Mas não foi sempre assim.

Em 1912, quando a Cadillac lançou o primeiro carro sem aquela manivela deslocadora de braços, os consumidores mais endinheirados devem ter ficado muito felizes. Dependendo da posição em que o motor parava, a alavanca dava um forte coice, devido à compressão no cilindro.

Não sei quando a manivela foi banida de vez. Mas demorou muito até que o motor de partida se tornasse um equipamento de série até nos carros de entrada. O último carro a manivela que me lembro ter visto foi um Ford T 1926, 14 anos mais antigo que o Cadillac sem o item. Na hora de virar a manivela o dono me mostrou a melhor posição para evitar que um possível coice deslocasse o seu braço.


Após lançar a linha 2010 do Palio no início de janeiro de 2009 (!) a Fiat acaba de anunciar o lançamento da linha 2010 do Siena e Idea com considerável redução de preços, entre R$ 1.000,00 e R$ 1.500,00, dependendo do modelo/versão.

Achei esse movimento um pouco estranho, principalmente a redução de preços. Discuti o assunto com alguns AUTOentusiastas e observamos que a Fiat, líder de vendas desde 2002, está perdendo participação de mercado em 2009.

No acumulado do ano (janeiro e fevereiro) a Volkswagen assumiu a liderança e está com 25,57% de participação de mercado contra 23,61% da Fiat.

O Gol segue como consagrado líder de mercado com 38.949 unidades emplacadas em 2009, enquanto o Palio segue em segundo com 23.520 unidades emplacadas, com uma diferença de 15.429 unidades.

No mesmo período de 2008 o Gol emplacou 40.948 unidades contra 32.964 do Palio, com um diferença bem menor, de 7.984 veículos.

Como a Fiat é reconhecida pela agilidade nas ações e correções de curso, tanto o lançamento antecipado da linha 2010 quanto as reduções de preços são claras ações para recuperar a liderança roubada da própria Volkswagen em 2002.
Autor do post: Arnaldo Keller


Outro dia me mandaram um e-mail com fotos de um protótipo, o Mercedes F700. Só fotos, sem texto. Pra começar, ele não é só um Mercedes, ele é um baita Mercedes. É dos grandões; Mercedão de magnata, para os tubarões de Wall Street que escaparam de virar sardinha. Suas linhas onduladas, modernas, aerodinâmicas, diferentes, prenderam minha atenção, coisa que não costuma acontecer, já que não dou muita bola para esse tipo de carrão que é feito para o dono ir afundado no banco de trás falando no celular e com uma secretária séria e eficiente ao lado, tomando notas. Acho o lance tedioso. Prefiro ir dirigindo um esportivo com outra secretária mais alegrinha ao lado.



E aí reparei que o Mercedão tinha saias cobrindo as rodas traseiras. Eram saias de acrílico transparente, daí que pouco se nota sua presença. Ora, essas saias têm a função de melhorar a penetração aerodinâmica do carro, pois evitam a turbulência provocada pela caixa de roda. Esse era um opcional muito usado em carros esporte na década de 1950, como o Jaguar XK 120, porque lhe dava maior velocidade máxima. Mas será que foi pra isso que colocaram a saia no Mercedão? Certamente não, já que esses carros têm sua velocidade máxima limitada eletronicamente e abaixo do que sua potência permite. Isso já me encafifou.


Daí que em uma foto da traseira reparei que os pneus eram finos, com quase a metade da largura que um Mercedão desses costuma ter. E aí não tive mais dúvidas. O objetivo é mesmo a economia de combustível. Pneus mais finos provocam menos atrito com o solo, portanto, menos energia gasta para o deslocamento.

Daí, googlei e vi que era realmente um carro econômico e "ecológico". Motor Diesotto, que combina os ciclos Diesel e Otto para obter melhor aproveitamento do combustível. Só 4 cilindros, turbo, com 238 cv (pouco para um carrão que se espera ter um V12), mas que roda mais de 20 km/l de combustível.

Ora bolas! Quando é que um magnata desses, que pode comprar um carrão topo do topo, iria se preocupar com economia de combustível? Até há pouco, nunca, pois essa despesa lhe é totalmente irrelevante.

Daí, concluí que ter um carro gastão passou a ser ruim para a imagem de alguns, e para alguns a imagem é vital. Hoje, e no futuro mais ainda, pega mal pro sujeito parar num restaurante e as pessoas o verem descer de um carro cuja imagem é de poluidor, de estragador de ar, de lançador de CO2 e despejador de partículas danosas à atmosfera. A opinião pública está meio neurótica com isso. Não vou entrar no mérito se o carrão é o grande vilão, pois não vem ao caso, mas que a imagem é essa, é.

E se o magnata cinquentão ficar perdidamente apaixonado por uma gatinha que anda de Prius e contribui com o Greenpeace? Como é que ele vai baixar na casa dela com um carrão cuja imagem é de “Não estou nem aí com essa lorota de aquecimento global! Sou tão poderoso que quando dou baforadas de fumaça de charuto numa sala fechada ninguém chia!”

E se ele for um estadista e tiver que chegar a uma reunião pra discutir providências para evitar o aquecimento da atmosfera etc. e tal? Seria o mesmo que a Princesa Isabel descer de Petrópolis para assinar a revogação da escravatura tendo sua carruagem puxada por escravos com o lombo lanhado de açoite.Sacou?

E por aí afora. Quem depende da imagem está se preocupando com esse aspecto. Agora e daqui pra frente mais, a imagem bacana, a que dá status, a que traz mais proveito, é outra; é a do sujeito ecologicamente consciente e limpinho.

Acho isso muito bonitinho. Uma linda imagem que vai pegar muita gente.

E como a minha imagem é a do viralatas que passa fome e anda alegre, esse negócio todo não é problema meu. Mas que estou observando, estou.