google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)
Muito se fala das coisas feitas fora do Brasil e pouco se conhece da excelência nacional. Eis que um verdadeiro entusiasta e caprichoso engenheiro, o amigo Sr. Pablo, criou no Brasil réplicas do Corvette 1956 com suspensão independente nas quatro rodas: melhor que o original.
Os pequenos carrinhos são brinquedos de gente grande, nas escala 2/3:1 podem acomodar um adulto de 1,85 m e chegar a 90 km/h graças a um câmbio sequencial de 3 marchas e motor 4-tempos monocilíndrico. Além do belo 1956 da foto, há também uma réplica do carro de competição famoso em Sebring. O trabalho do Sr Pablo é impecável. Estamos trabalhando para divulgá-lo nos EUA através de publicações especializadas.
Cada carro custa em torno de 9.900 dólares, com prazo de 60 dias para entregua após o pedido.
A ficha técnica do carrinho é a seguinte:
Escala : 2/3:1
Comprimento: 2,75 m
Entre-exisos: 1,73 m
Altura total com o para-brisa: 0,87 m
Bitola dianteira/traseira: 1,09 m
Peso: 195 kg
Carroceria: Compósito de fibra de vidro como no original.
Chassi: tubular retangular de aço com solda MIG.
Tração: traseira com diferencial.
Freios: hidráulicos no eixo traseiro com disco de 200 mm de diâmetro.
Motor: de motocicleta, OHC, 4 tempos, refrigerado a ar, um cilíndrico, 107 cm³
Diâmetro do cilindro e curso do pistão: 52,4 x 49,5 mm
Taxa de compressão: 9,0:1
Potência máxima: 7 cv (5,15 kW) a 7.500 rpm
Torque máximo: 0,71 mkgf a 5.000 rpm
Combustível: gasolina
Ignição: descarga capacitiva (CDI)
Partida: elétrica, bateria selada, 12 V, 7,2 A.h
Embreagem: Semiautomática, discos múltiplos em banho de óleo.
Transmissão: corrente, 3 marchas à frente + ré.
Suspensão dianteira: independente, com braços oscilantes, molas helicoidais e amortecedores telescópicos.
Suspensão traseira: independente, com braços oscilantes, molas helicoidais e amortecedores telescópicos
ajustáveis.
Pedais: ajustáveis de acordo com altura do motorista.
Pneus: 5.70-8 com câmara, pressão 15 lb/pol²
Capacidade: duas pessoas, 150 kg.
Para saber mais:
JUNIOR RÉPLICAS S.A.
www.junior-replicas.com

CLASSIC AUTOMOBILIA

www.classicreplicas.com.br

(54) 3282-7077
(51) 9841-8601
Skype: junior.replicas

Já que nosso amigo Bob Sharp comentou sobre os novos motores FPT para o Fiat Punto, podemos fazer uma avaliação do modelo antigo, equipado com motor GM 1,8-litro.

No caso em específico, falamos do modelo HLX, intermediário entre o ELX 1,4-litro e o Sporting 1,8-litro. Acima deles ainda há o T-Jet 1,4-litro turboalimentado, já na tendência do downsizing, a de motores menores e sobrealimentados.

O Punto foi um dos últimos grandes lançamentos da Fiat no Brasil de um modelo inteiramente novo no mercado, em 2007. Desenhado por Giugiaro, foi um sucesso de público no quesito design e interesse geral, e com as duas opções de motorização aspiradas, especialmente a ELX de menor valor, fez suas vendas irem muito bem, obrigado.

Fora o design da carroceria, o interior é muito bem-resolvido, com um painel muito agradável e funcional. Os detalhes como molduras cromadas e acabamento em piano black (preto brilhante) no console central mostram boa qualidade e preocupação com a aparência. Os bancos são confortáveis, mas poderiam prover um pouco mais de apoio lateral para reter melhor o corpo nas curvas um pouco mais rápidas. O espaço interno na frente é muito bom, mas se os ocupantes da frente forem altos, o pessoal do fundão vai ficar um pouco apertado, mas nada crítico. O espaço prático do porta-malas é um pouco melhor que de um Palio.

A posição de dirigir é um dos pontos altos do carro. O volante, equipado opcionalmente com os comandos do rádio e com regulagem de altura e disttância, tem bom desenho e é confortável para longas viagens, sempre achamos uma boa posição que não cansa. O grande curso do movimento de ajuste de distância e a regulagem de altura do banco permite que qualquer pessoa dirija o carro em ótima posição. Curiosamente, a logomarca do carro sugere uma pessoa sentada dirigindo, mas com os braços totalmente esticados, posição completamente errada de se dirigir.

O motor 1,8-litro é o mesmo da linha GM, como da Montana e do Corsa, com 114 cv no álcool, suficientes para o tamanho do carro. O motor não é tão liso como no Palio 1.8R, mesmo sendo (teoricamente) da mesma geração, mas no Punto ele está um pouco mais áspero. O torque em baixa rotação é bom para o trânsito de grandes cidades, para manobrar rápidas de mudança de faixa. Na estrada ainda falta um pouco, pois o carro em velocidade de cruzeiro, ao redor dos 120 km/h não fica tão responsivo quanto em velocidades menores, mas não chega a incomodar.

Em cidade, o consumo utilizando o álcool como combustível varia entre 7 e 8 km/l e na estrada chega aos 11 km/l. Na gasolina, faz respectivamente 9 e 14 km/l, em condição normal com um pouco de carga.

No geral, o Punto agrada bastante, por ser um carro com desenho atual, interior muito agradável e de bom gosto, e desempenho normal sem pretensões. É uma boa opção para quem procura um hatch um pouco mais refinado e de preço mediano.

MB
Foto: Fiat


Como eu disse ontem, andei hoje nos nos Puntos com motorização FPT ex-Tritec E.torQ e, para resumir, a Fiat acertou em cheio. Tanto ao criar a "classe:" do Punto 1,6, que fazia falta, quanto ao elevar em quase 16% a potência do Sporting, deixando-o com um desempenho condizente com seu caráter esportivo.

A Fiat organizou uma sessão de testes no belo Autódromo Internacional de Curitiba. Andar em pista não é o ideal para se avaliar carros de rua, mas deu para atestar o acerto de suspensão dos Puntos. A saída de frente é bem discreta e a roda motriz interna não deixa o solo, assegurando tração na curva inteira

Combinado com os novos motores o 1,8 agora pode vir com o câmbio robotizado Dualogic,que está muito bem casado com o motor 1,8 16V E.torQ, Tão bem casado que dá para andar no circuito em trem de corrida com o câmbio passando as marchas sozinho ou "com o pé", com a trocas de fim de curso do acelerador, o chamado kickdown. O lado bom disso é que se tem um funcionamento automático sem as perdas associadas aos câmbios automáticos tradicionais.

Não importa se 1,6 ou 1,8 litro, esses Puntos de repente passaram a ser a referência

BS




Um dos maiores best-sellers do final dos anos 60 e início dos anos 70, e cola para uma teoria mirabolante proposta pelo autor, Erick von Däniken, tinha como título “Eram os deuses astronaustas?”.
Mesmo completamente desacreditado pela ciência , e diversas vezes desmascarado por fraude, sua teoria de astronautas extraterrestres no passado longínquo da humanidade ainda tem seguidores fiéis, e abriu as portas para novas teorias sem comprovação e cheias de conspiração, que tentam juntar peças soltas do passado num quebra-cabeças que não se sustenta.
Apesar de todo sensacionalismo, o movimento dos pseudo-historiadores ajudou a fazer boa ciência, atraindo mentes curiosas, que hoje apresentam respostas e resultados admiráveis.
A verdade, tal qual a conhecemos hoje, é que realmente sabemos muito pouco do nosso passado, e nossos antepassados conheciam e usavam tecnologias avançadas mesmo que algumas vezes não as compreendessem.
Não precisamos abrir nossas mentes para aceitar fantasmas fugidios de astronautas que não deixaram rastros em nosso passado para explicar o que descobrimos e não conseguimos explicar. Todo conhecimento ali concentrado está dentro do humanamente realizável para precisarmos destes fantasmas.

Foto: Dilvulgação Fiat/FPT
O Punto Essence 1,6 16V tendo como pano de fundo as instalações da fábrica de onde vem seu novo motor

Confrmando e retificando o que eu havia dito ontem, os novos motores E.torQ FPT de 1,6 e 1,8 litro fazem parte do Punto 2011, mas não será utilizado no Linea aspiração natural, que continua, por enquanto, com o motor FPT de 1,9 litro trazido da Argentina, conforme lançado em setembro de 2008. Em compensação, a unidade FPT será o novo motor 1,8 do Doblò, cujas vendas começam já a partir de julho, como as do Punto.

Nesses dois modelos cessa a presença do motor Chevrolet 1,8-litro que a Fiat comprava primeiro da associada GM-Fiat Powertrain, surgida da aliança mundial entre as duas fabricantes em 2000, e depois da própria General Motors do Brasil quando a aliança acabou em 2005.

Quem também perde o GM 1,8 e ganha o E.torQ 1,6-litro é a toda a gama Adventure de exportação, como Strada, Palio, Idea e Doblò.

As novas motorizações são muito interessantes para os apreciadores do Punto, que era 1,4 ou 1,8, e que agora tem um 1,8 à altura de sua modernidade, de 132 cv (etanol), ante 114 cv, um salto considerável e que diminui bem a diferença para o T-Jet 1,4 turbo de 152 cv de 203 km/h e 0 a 100 km/h em 8,4 s, ao chegar a 191 km/h e chegar a 100 km/h, saindo parado, em 9,8 s.

Mas a melhor novidade do modelo é, sem dúvida, o motor 1,6-litro de 117 cv capaz de fazê-lo ir de 0 a 100 km/h em 10,5 s e atingir 182 km/h. É o motor na medida para um carro de 1.170 kg, que se ressentia do motor 1,4 de 86 cv mas que continua em produção com o nome de Punto Attractive 1.4, por 39.290 reais.

Os Puntos com os novos motores chamam-se Essence 1.6 16V e Essence 1.8 16V, o de motor maior oferecido também com o câmbio robotizado Dualogic, antes indisponível no modelo. Custam, respectivamente, 44.190, 46.250 e 48.750 reais.

Com motor 1,8-litro também continua o Punto Sporting, tanto com caixa manual quanto com Dualogic, por 51.200 e 53.730 reais, na ordem, sendo o mais caro de todos o T-Jet, de 64.670 reais.

A Fiat estima que 40% dos Puntos serão Attractive 1,4, 40% 1,6 16V E.torQ, os demais 4% a 5%. No Punto  "de entrada"  o ar-condicionado é opcional, mas a Fiat oferece um pacote que inclui o equipamento mais vidro do pára-brisa com faixa degradê, desembaçador e ajuste do volante em altura e distância por somente 1.290 reais. No Essence 1,6 16V e versões acima o ar-condicionado é de série.

Amanhã (quinta 1/7) iremos andar nos novos Punto no Autódromo Internacional de Curitiba. Depois eu conto.

BS
Incrível como nos fazem reféns do medo o tempo todo. Estava lendo o post do Bob sobre as "cadeirinhas" de criança quando me veio à cabeça uma conversa que tive aqui sobre a ida para o aeroporto com o carro lotado. Tão lotado que talvez seja necessário acomodar quatro pessoas num assento feito para três crianças. Ou seja, além do aperto, alguém ficaria sem cinto.

Chegamos a cogitar em alugar outro carro só para o transporte de todos em plena segurança dado o absurdo que seria alguém andar sem cinto hoje em dia. É claro que eu acho que todos devem andar afivelados, até porque a lei nos obriga. Mas parando para pensar, até bem pouco tempo todo mundo, ao menos no Brasil, andava soltinho, soltinho e não estávamos nem aí. Muitos dos mais velhos não se adptaram ao uso do cinto até hoje e vivem usando aqueles prendedores para deixar o cinto mais folgado. Absurdo? Não sei ao certo.

O fato é que com cinto ou sem cinto a segurança de um automóvel melhorou muitíssimo nas últimas duas décadas. Fora isso, a segurança nas estradas também, além dos infinitos radares espalhados por tudo que é canto que não nos deixam abusar nem em pensamento. No entanto acho que a barbeiragem dos motoristas deve ter piorado e mesmo com o aumento da seguraça acidentes acontecem.

Devemos sempre respeitar a lei, isso não se discute. Mas o que eu não gosto é de sentir medo ou culpa em andar a mais de 120 km/h, ou de ir até a padaria sem cinto. Medos que não existiam quando éramos mais desinformados ou ingênuos. Tenho certeza que o Bob diria que isso chama-se histeria.

PK





Quick ele é. Ele é rapidinho. Seu motor de 1,4 litro só gera 82 cv, ou seja, só um pouco mais que os 75 cv que os motores de 1-litro costumam ter. Mas essa maior cilindrada lhe dá mais torque, principalmente em baixa rotação. Seu torque é de 12,8 mkgf, quando os motores 1-litro costumam ter ao redor de 9 mkgf. O resultado prático é que ele responde mais rápido às aceleradas e requer menos mudanças de marcha, além de sentir menos quando o carregamos de gente e malas.
O motor é moderno e trabalha suave e silencioso. Na estrada, em 5a marcha e a 120 km/h, a rotação está em baixas 3.400 rpm, o que proporciona uma viagem tranquila e agradável. É flex, gasolina e/ou álcool, e é econômico.
Nesses mesmos dias andei no Fiat Uno novo, o transadinho, e notei que o motor 1,4 do Uno anda bem mais que esse do Peugeot. Mais torque e potência. Não comparei a ficha técnica, mas guiando a diferença é inegável.
A suspensão do 207 é bem boa: consegue ser firminha, o que dá agilidade ao carro, e também macia, nos isolando bem da buraqueira. O modelo evoluiu muito nesse aspecto, já que os primeiros 206 eram um pouco duros e relativamente frágeis de suspensão. Este, pelo que apurei, já a tem mais robusta. E é bom de curva, chegando quase a ser neutro, sem a forte tendência de sair de frente que os carros de tração dianteira, como este, costumam ter. Agarra bem, mas é arisco e não avisa com muita antecedência quando é que vai escapar.
Os pesos do volante e do pedal de freio não são nem pesados nem leves, estão no ponto certo. O trambulador de câmbio é ótimo, leve e preciso. Parabéns. A mudança de varão para cabos, introduzida no lançamento do 207 dois anos atrás, foi mesmo benéfica.
Alguns detalhes errados incomodam, principalmente porque a Peugeot sabe melhor que eu que estão errados, e mesmo assim os fez. Há um friso em forma de U, prateado, no painel – muito bonitinho, segundo os designers que não entendem de carro. Mas acontece que quando o sol bate ali seu reflexo nos ofusca a vista e também forma um “fantasma” no para-brisa. O mesmo acontece com os detalhes prateados das saídas de ar laterais, que criam fantasminhas nos retrovisores externos. O pedal do acelerador é exageradamente leve e sensível, quando deveria ser mais duro para que pudéssemos apoiar mais o pé, e isso nos induz a dar tranquinhos quando em 1ª marcha. O volante não tem regulagem de distância, só de altura. Sendo assim, para termos o volante na distância correta somos obrigados a manter as pernas encolhidas.
O ar condicionado é parte do pacote, assim como bancos diferenciados, bons para guiarmos sem camisa, e as sapatas de pedais esportivas, também boas para guiarmos descalços quando saímos do mar; afinal, Quicksilver é marca ligada ao surfe.
Conclusão: é um hatch alegre e leve de guiar. Falta pouco para que a Peugeot o deixe perfeitinho.
E o 207 Quicksilver vem com teto solar elétrico, e eu adoro teto solar, principalmente porque vejo e posso tocar a minha prancha no rack.
Ela ali, a prancha sem capa, peladinha, tomando um ventinho e doidinha pra entrar na água.
Preço: R$ 38.000 para o modelo de duas portas e R$ 39.800, para o de quatro portas.
AK
Foto: Divulgação FPT


Esta é fábrica de motores da FPT Powertrain Technologies que a Fiat comprou da Tritec Motors em março de 2008 e incorporou-a à divisão que lhe produz motores e transmissões e também para clientes não Fiat. A fábrica fica em Campo Largo, região da Grande Curitiba e são 50.000 m² de área construída num enorme terreno de 1,3 milhão de metros quadrados.

Que motores sairão de lá? Os Tritec 1,6-litro, que durante seis anos, de  2001 a 2006, propulsionaram os MINI de aspiração normal e comprimidos e por um período menor os Dodge Neon. e  PT Cruiser. Mas haverá também motores de 1,8 litro. Soa confuso?

É que em 1998 a Chrysler e a BMW formaram uma sociedade para fabricar motores, a Tritec Motors, no Paraná, motores esses projetados pela Chrysler. Só que um ano depois a Daimler-Benz (fabricante dos veículos de marca Mercedes-Benz, Smart, Maybach e Freightliner) absorveu a Chrysler e passou a se chamar DaimlerChrysler AG (AG é sigla de Aktiengesellschaft,  sociedade anônima em alemão).

Briguentos como só eles sabem ser, os alemães da fábrica bávara, no sul da Alemanha, em Munique, não admitiram ser sócios de uma fábrica do norte, de Stuttgart, arquiinimiga, e saíram do negócio, vendendo a sua parte. A DaimlerChrylser continuou com  a Tritec Motors até 2007, quando tudo o que era Chrysler na DaimlerChrysler foi vendido para o grupo americano financeiro Cerberus Capital Management e a DaimlerChrysler passou a  ser Daimler AG apenas (e teve que pagar por isso, pois Daimler é uma marca da Jaguar).

A Chrysler Corporation passou a Chrysler LLC (limited liability company, a nossa sociedade de responsabilidade limitada, simplesmente Ltda.).

Nesse ínterim, a BMW obviamente deixou de comprar os motores Tritec, passando a  usar um da  própria marca porém produzido pela Peugeot. Com isso a Tritec Motors encerrou atividades, ficando às moscas. Até cogitaram vendê-la inteira para os chineses, mas o negócio não foi adiante.

Em março de 2008, como vimos, há pouco mais de dois anos, a Fiat  acabou comprando a Tritec Motors de olho nas instalações e no motor existente, para reforçar seu arsenal, já que o 1,8 que usava era  o 1,8  bloco-pequeno comprado da General Motors.

Deu baixa na empresa Tritec Motors e estendeu a matriz de Betim a Campo Largo como filial, mas da FPT. Só que esta não é empresa constituída, filial do Grupo Fiat no Brasil, mas uma divisão da Fiat Automóveis S.A. Não é como na Itália, uma empresa do Grupo Fiat. Acabou? Não.

Em março de 2009 o Grupo Fiat adquiriu 20% Chrysler LLC, com opção de mais 15%. Quis o destino que a Fiat acabasse ficando com uma unidade produtora de motores que era metade de Chrysler. Um final que nem a mais potente bola de cristal poderia prever.

Novos motores
O fato é que agora a Fiat conta com dois novos motores, um 1,6 e um 1,8 (foto), a diferença de cilindrada ficando por conta do diâmetro dos cilindros, de 77 e 80,5 mm, respectivamente, com o mesmo curso de 85,8 mm que resultam em 1.598 e 1.747 cm³. Informa a Fiat que 70% dos motores compreende itens  novos, desenvolvidos pela FPT, e que estão aptos para receber turbocompressor e controle da válvula de admissão MultiAir, igual ao sistema introduzido no Alfa Romeo MiTo 1.4 MultiAir, lançado no último Salão de Frankfurt.

A Fiat não informa em que modelos os novos motores serão utilizados, mas muito provavelmente envolve o Punto e Linea. A inauguração oficial da fábrica será nesta quarta-feira 30/6 e certamente isso será esclarecido.

Os motores são monocomando acionado a corrente de 16 válvulas com compensação hidráulica, berço de virabrequim, bloco de ferro fundido e cabeçote de alumínio. Os pistões são assimétricos e de anéis finos (1,2, 1,2 e 2,41 mm).

Os motores flex são chamados de E.torQ e são realmente torcudos, a julgar pelas especificações. O 1,6, 117/115 cv etanol/gasolina a 5.500 rpm, com 16,8/16,2 m·kgf etanol/gasolina a 4.500 rpm. Segundo a FPT, é o 1,6 flex mais potente do mercado e o torque é o maior na cilindrada.

O 1,8, 132/130 cv etanol/gasolina a 5.250 rpm, 18,9/18,4 m·kgf etanol/gasolina a 4.500 rpm., o maior torque de todos os 1,8 comercializados no Brasil. Nos dois casos, 80% do torque máximo é disponível a 1.500 rpm e 93% a 2.500 rpm, o que indica curva de torque bastante plana.

As taxas de compressão é que se mostram aquém do que se espera em dias de gasolina de boa octanagem e etanol: 10,5:1 no 1,6 e 11,2, no 1,8-litro.

Serão produzidas também versões para gasolina sem etanol (E0) e uma de emissões superultrabaixas (Sulev), certamente para o mercado americano.

A capacidade de produção é de 330 mil motores/ano e está prevista para atingir 400 mil em 2012. O investimento, inclusive em 25 novas máqiuinas operatrizes de alta velocidade, foi de R$ 250 milhões. Atualmente são 350 empregados, número que chegará a 500 em breve, fora a geração de 1.500 empregos indiretos. De 2000 a 2007 foram fabricados 1 milhão de motores Tritec.

Vou estar na inauguração da fábrica amanhã e terei muito mais para contar.

BS
(Atualizado em 3/07/10 às 17h58)

(foto atualizada para a escultura deste ano, celebrando a Alfa Romeo)

O famoso evento Goodwood Festival of Speed (FoS) de 2010 começa neste próximo dia 2 de julho, um dia antes do habitual, que é durante o final de semana. Sexta-feira foi batizada de Moving Motor Show, para abrigar os inúmeros lançamentos ou apresentações de carros inéditos na Inglaterra.

O festival sempre tem um tema diferente, este ano será a comemoração dos 100 anos da Alfa Romeo.

Realizando mais um sonho pessoal, os AUTOentusiastas estarão por lá neste ano. Será um programa família, crianças inclusive, então não esperem muito da minha cobertura do evento.

Torçam para que o vulcão islandês continue calminho e por tempo ensolarado no domingo!

Abraço,

MM

P.S. Tentarei escrever o quanto antes, mas já me desculpo por postar a cobertura mais completa com uma semana de atraso, assim que retornar da ilha dos loucos entusiastas...
Cheguei ontem em Miami com minhas esposa e filha e mais um casal de amigos com uma filha também. Juntos trouxemos cinco malas grandes (já na vinda!) e algumas mochilas.

Reservamos na Hertz uma minivan, a contragosto meu, mas por falta de opção melhor - tenho outros planos que conto depois. Para nossa surpresa o atendente estava num bom dia e nos ofereceu sem custo adicional um Chevrolet “monster” Tahoe V-8. Na hora eu aceitei e fiquei bem mais empolgado achando que era um carro mais de entusiasta.

Eu e meu amigo fomos buscar o carro numa vaga distante. Logo na aproximação eu reparei que o monstro é grande mesmo. Pensei sobre como alguém pode querer um trambolho daqueles, que além do mais deve beber muita gasolina. Sua altura é elevadíssima, que pode causar mal estar nas crianças - pelo menos comigo dirigindo tenho certeza que iriam enjoar - e apesar da terceira fila de bancos o acesso a ela é sofrível. Ou seja, péssimo para o entra e sai das viagens de férias.

Também descobri que o aproveitamento do espaço é muito ruim. Com as três fileiras de bancos (2+3+2) ocupadas quase não cabe bagagem alguma!

Olhamos uma Chrysler Town and Country no estacionamento e achamos o interior muito mais amigável e apropriado para as férias. A configuração dos bancos (2+2+3) com poltronas independentes na segunda fileira facilita muito o acesso à terceira fila ajudado pelas grandes portas de correr. Carro mais baixo, mais fácil de entrar e sair E mais confortável para rodar.

Fiquei dividido sobre qual dos dois pegar, pois não queria andar de minivan. Por outro lado, aquele monstro, apesar do visual bacana e intimidador, também não fez minha cabeça. E o pior é que havia muitos Camaros intercalando as minivans e os outros carros no estacionamento da Hertz. Enquanto eu queria decidir que carro pegar e ir buscar logo as mulheres, meu amigo ficava se deslumbrando com os Camaros. Comigo é assim: primeiro a obrigação e depois a diversão. Além do mais, eu já andei de Camaro SS junto com o Arnaldo.

Bem, meu amigo não escondeu a preferência pela Town and Country. E eu, pensando na felicidade geral, acabei aceitando a minivan. Voltamos no guichê e pedimos para trocar o carro. Nisso as mulheres já estavam entediadas e estressadas, pois todos estávamos cansados.

Então viemos buscá-las e as malas de minivam. E quem falou que as malas couberam no carro? Precisamos de várias tentativas de empacotamento até conseguir uma minimamente satisfatória e que liberasse assentos para todos. Só quero ver na volta, quando essas cinco malas grandes virarem 7 ou 8! Mas deixarei para pensar numa solução só lá no dia.

Depois de algumas milhas rodadas e muitas paradas descobrimos amenidades interessantes. As portas laterais de correr têm sistema elétrico de abertura e fechamento, assim como a tampa do porta-malas. Depois de deixar o carro estacionado por algumas hora sob o sol escaldante, dá para abrir as portas de correr e o porta-malas a distância, por controle remoto embutido na chave. Assim aquele bafão já vai saindo e a temperatura do interior diminuindo antes de chegarmos no carro. Esse início de férias nada entusiasta não deve ficar assim. Num dia muito cansativo e muitíssimo quente, nem fotos eu tirei. Logo que tiver algo relevante volto a postar.

PK


Em 1983, a Ford, através de sua divisão Motorsports, queria retornar ao Campeonato Mundial de Rali com o sucesso que havia experimentado no passado.

Antes de se chamar Motorsports, o braço esportivo europeu era o AVO (Advanced Vehicles Operations), Operações de Veículos Avançados, que havia criado em 1970 o Escort RS 1600, sob o comando de Walter Hayes. Esse Escort era um avanço esportivo a partir do carro básico, que já possuia tração traseira, e foi elogiado desde seu lançamento pela excelente dirigibilidade, e pelo motor Cosworth BDA (belt-driven, A series), de duplo comando acionado por correia dentada e 4 válvulas por cilindro.

Do RS (Rallye Sport) original, a Ford foi evoluindo até chegar na década de 80 ao Escort RS1700T, que não havia feito um bom papel devido à forte concorrência de várias marcas. Os participantes do campeonato mundial de rali eram Audi, Austin Rover, Lancia, Mitsubishi, Nissan, Peugeot, Porsche, Renault e Toyota. Nada fácil, portanto.

Talvez em nenhum outro lugar do mundo o termo "voar baixo" se aplique tão adequadamente quanto em Flugplatz, Nürburgring. Flugplatz, em alemão, quer dizer aeródromo, pista de pouso (aeroporto é Flughafen). Local de fotos dramáticas e acidentes fatais, é interessante notar que o nome não é devido ao efeito que causa nos automóveis, mas uma incrível coincidência. Havia uma pista de pouso de aviões pequenos próximo a esse local.
Fica fácil notar a rampa de decolagem

Flugplatz
Não é de hoje que os carros voam nesse local...
Fotos dos treinos da recente prova 24 Horas de Nürburgring:
Uns são mais equilibrados que outros. Note a simetria do voo.
Carros de corrida com uma ou duas rodas no ar dão aquela sensação de estar além dos limites.
Esta última foto não é de Flugplatz, mas do WTCC. Um show!
Abraços,
MM

A foto é a capa da revista Cesvi n° 68, abril/maio de 2010. A edição fala  bastante nas "cadeirinhas" -- prefiro chamar de bancos de crianças -- obrigatórias por resolução do Contran e que deveriam ser fiscalizadas a partir de 9 de junho último, mas que foi adiado para 1° de setembro devido a não haver bancos em número suficiente no mercado. A revista foi apanhada de surpresa numa das nossas bem-conhecidas "brasileiradas", as decisões sobre alguma coisa tomada de última hora, e ficou desatualizada. Eu dei mais sorte, pude mudar o texto da minha coluna "Cá entre nós" da revista Carro antes que fosse impressa.
O CesvI Brasil, Centro de Experimentação e Segurança Viária brasileiro (a companhia-mãe é espanhola) foi criado em 1994 e é um centro de pesquisa dedicado à reparação de veículos automotores e à segurança viária. Seu diretor de Operações, José Aurélio Ramalho, é um abnegado lutador pela segurança viária. O Cesvi Brasil hoje é a referência nos dois temas a que se dedica.
Mas o que quero comentar aqui é o samba do crioulo doido que a questão se tornou -- ou se  tornará em  1° de setembro aqui na cidade de São Paulo e que pode perfeitamente dar metástase nos outros 5.499 municípios brasileiros: a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) instruiu seus agentes a fiscalizarem o cumprimento da resolução do Contran levando em conta que são fiscais e não têm poder de polícia, desse modo não podendo dar ordem de parada para carro algum. Fazer o quê, então? Se desconfiar que o carro não tem o banco infantil, multe-o. Quem se sentir injustiçado que recorra...É ou não para o "Acredite se quiser"?
Mas tem uma pior, na minha opinião. Pela resolução, o banco infantil não é obrigatório em: transporte escolar, carro alugado, táxi, transporte coletivo e furgões de passageiros (vans). Coitadas das crianças brasileiras, sem chance de escapar no evento de acontecer o pior, a menos que estejam no carro próprio do papai ou da mamãe!
BS




Carlos Figueras  é um típico autoentusiasta argentino. Seu livro "Auto Vivencias - el auto como protagonista", 123 páginas, publicado recentemente, chegou-me em mãos ontem. Soube do livro ao encontrar o Carlos aqui  há poucos dias, num evento da FPT Powetrain Technologies em Campo Largo, PR, na Grande Curitiba e fiz questão que me mandasse um.

Ele é diretor de redação da revista Auto Test, associada à Motor Press Ibérica e Motor Press Stuttgart. Portanto, somos colegas, já que trabalho para a revista Carro, que também é associada ao forte grupo editorial alemão que, entre outras dezenas de títulos, publica a famosa Auto Motor und Sport.

Conheço-o desde 1984, quando comecei a viajar aos países vizinhos comandando a equipe de rali da Volkswagen. Logo nos identificamos como apreciadores de automóveis e mantemos contato deste então.

Foi graças a uma conversa com ele que o Brasil ficou sabendo que o Gol exportado para a Argentina  nos anos 1990 ia com motor VW AP, enquanto os de mercado brasileiro saíam com motor AE Ford de origem Renault.

A conversa, num jantar no sul da França, foi mais ou menos assim:

-- Bob, como camina este Gol!
-- Como assim, anda, Carlos? O motor AE é muito fraco!
-- No señor,  o motor é Volkswagen, conheço-o, gira hacia 7.000 vueltas!

O "segredo" da VW do Brasil, então controlada pela holding Autolatina, estava revelado. De volta ao Brasil, um telefonema para a fábrica confirmou a discriminação, justificada pela insuficiência de produção do motor AP 1600 para o mercados deles e nosso. Assim, a simplória solução foi AP para lá e AE para cá...

O Carlos, que tem 64 anos, praticamente menos quatro que eu, conta na introdução que pensou em escrever  seu livro há dez anos, mas que só partiu mesmo para o trabalho há menos de dois.

Já comecei a lê-lo e não dá vontade de parar. É o que dá autoentusiasta lendo autoentusiasta! A semelhança de vivências dele e minha, quando crianças, é impressionante.

O meu livro vem aí, mas deixa eu fazer 70 anos primeiro...

BS
...mas é bom já anotar na agenda.
Nossos amigos do Chrysler Clube do Brasil já nos enviaram a chamada para o VII Mopar Nationals, que será nos dias 24, 25 e 26 de setembro.
Enquanto não chega a edição de 2010 vale a pena lembrar do encontro de 2009:
"Há mais coisas entre o céu e a terra do que crê nossa vã filosofia!"
Assim como Hamlet, o sorumbático príncipe da Dinamarca da imortal tragédia de Shakespeare depois de conversar com o fantasma de seu pai, às vezes o tanto que não entendemos sobre a vida e o mundo me deixa embasbacado. Vejam, por exemplo, o fato de que a grande maioria dos entusiastas já nasce com esta predisposição. Eu, como a maioria de vocês, não tenho escolha sobre isto. Nasci assim, de uma família com zero inclinação sobre o assunto. Simplesmente temos que nos dedicar por completo a este ídolo de barro; tudo que queremos e desejamos, tudo o que SOMOS passa de alguma forma pelo automóvel. Por que nascemos com isto? Por que não podemos conscientemente mudar esta inclinação, passar a gostar de outra coisa? Intervenção divina? Acaso somente? Certamente não é genético, a não ser que pule algumas gerações... Acho este tipo de coisa realmente incrível. E me pergunto também: sempre houve gente como nós? Como viviam antes de nascer o automóvel?
Saindo um pouco do assunto automóvel para tentar entender melhor esta "vocação", vejam, por exemplo, a história de Bill Ruger (foto que abre este post, de 1988): Nascido em 1916, filho de um advogado do Brooklin, Nova York, Ruger desde muito cedo mostrou aptidão para a engenharia, e um grande interesse em armas de fogo. Aos 12 anos ganhou seu primeiro rifle, e logo era capitão da equipe de tiro do seu colégio. O jovem Ruger devorou todos os livros sobre armas e sua engenharia que existiam na biblioteca de sua cidade. Aos 20 anos, já tinha projetado uma metralhadora, e em 1938, estudando na universidade da Carolina do Norte, converteu uma sala vazia em uma oficina de usinagem, e começou a criar armas automáticas experimentais. Durante a Segunda Guerra Mundial, obviamente seus talentos foram usados em um sem-fim de projetos de armamentos.
Após a guerra começou a Sturm, Ruger & Co, com capital de seu amigo Alexander Sturm. O primeiro produto foi um clássico instantâneo: a famosa pistola semi-automática Ruger .22 (acima). A empresa prosperou, e ainda hoje, liderada pelo filho de Bill (Bill Jr), é um dos maiores fabricantes do mundo, e um dos únicos a fazer simultaneamente todos os tipos de armas pessoais: rifles, espingardas, revólveres e pistolas.
Mas este não é um blog sobre armas de fogo, então por que estou aqui divagando sobre Ruger? Bom, nosso amigo Ruger na verdade era um grande entusiasta do automóvel também, principalmente os grandes clássicos da velocidade dos anos 20 e 30, carros como Stutz, Bentley, Duesenberg. Seu imenso sucesso como industrial permitiu que ele tivesse uma coleção invejável de grandes e velozes tourers desta época. Stutz DV32 (abaixo) e Duesenbergs S com seus oito em linha DOHC multiválvulas, enormes Bentley de três até oito litros, o potente Mercer de antes da Primeira Guerra Mundial, com seu grande quatro em linha "T-head", e qualquer outro que você possa imaginar. Se for veloz e memorável, e de antes de 1935, Bill Ruger tinha um em sua garagem.
Disse Ruger numa entrevista para a revista Automobile em 1988 falando sobre o seu Bentley Speed Six de 1928: “...ele se move pela estrada com uma força irresistível. Tem torque suficiente para um bulldozer. Em terreno montanhoso, ou em estradas truncadas cheias de curvas, o desempenho é tão bom que te faz rir feito um bobo. E a nota musical do escapamento... é cheia de saúde, algo que berra por mais espaço.”
Como o grande Ken W. Purdy (quem não o conhece vai ter que esperar um post futuro), Ruger achava que os automóveis perderam muito da graça, do prazer ao dirigir, quando foram civilizados após a Segunda  Guerra Mundial. Depois do conflito praticamente acabaram os carros abertos (a não ser em volume baixo para funções "recreativas"), e o carro ficou tão simples de conduzir, e tão isolado do mundo lá fora, que o romance, a aventura, e a grande emoção de dominar uma máquina intratável e que não perdoava falhas, sumiu completamente. Com câmbios sincronizados e depois automatizados, a arte de trocar as marchas sincronizando de ouvido acelerador, embreagem e câmbio, sumiu. Freios mais fortes diminuíam a necessidade de sempre se preocupar com o que acontecia por toda volta. Motoristas deixavam de ser heróicos atletas do volante para se tornarem preguiçosos condutores de sofás ambulantes.
Mas, pensou Ruger em 1966, o nível de confiabilidade, potência do motor e capacidade de frenagem de um carro comum de então era muito superior aos caríssimos supercarros dos anos 30. Não seria ótimo se pudéssemos ter Bentleys como os dos anos 30, cheios de interação homem-máquina-ambiente, e com um desempenho e engenharia superior, mas com a confiabilidade e todo o resto de um carro moderno? Como sabia que ninguém faria tal coisa corretamente, Ruger resolveu que o faria ele mesmo. Nascia então, em 1969, o automóvel de marca Ruger.
A ideia inicial era produzir o carro em série, como nos anos 30: poderia-se comprar apenas o chassi, ou um carro completo, oferecido com uma carroceria tipo tourer apenas. Como a indústria de carrocerias sob encomenda já estava praticamente desaparecida no fim dos anos 60, Ruger chegou a planejar alguns outros modelos de carroceria para vender, como um sedã fechado tipo limusine e um roadster, de dois lugares, com "banco da sogra" para mais duas pessoas. Não seria barato; o preço projetado era o dobro do mais caro Cadillac de então. Mas apenas o que havia de melhor em materiais e execução seria usado, e o carro teria a marca de engenharia bem-feita presente em toda arma da Ruger. E a 50 carros por ano, a exclusividade estaria garantida.
O chassi era tipo escada com longarinas fechadas (perfil “caixa”), com travessas tubulares nas fixações dos quatro feixes de mola (sim, eram dois eixos rígidos como em 1930), e uma travessa cruciforme debaixo do curvão dianteiro. A carroceria básica, fadada a ser a única a ver a luz do dia, era um tourer aberto de quatro lugares, muito parecido com os Bentley que Ruger tanto amava. Era confeccionada em plástico, mais especificamente resina poliéster reforçada com fibra de vidro, assim como os para-lamas. As portas, porém, eram de alumínio fundido, e de folha de alumínio também era o capô. Na frente, um moderno radiador de cobre era escondido em uma capa externa em aço inoxidável. O painel de instrumentos era de nogueira sólida, e nele era montado um jogo completo de instrumentos Smiths. Os bancos individuais dianteiros, e o sofá traseiro, eram revestidos de couro inglês da Connely. As rodas eram Borrani italianas, raiadas, e escondiam enormes tambores Ford modernos, mas com “panelas” de alumínio aletadas.
Até aí, um carro antigo modernizado interessante, mas as coisas ficam ainda melhores. Ruger chegou a pensar em fazer um motor em linha próprio, com seis ou oito cilindros, mas logo desistiu pelo tempo e dinheiro necessários. Acabou por usar um V-8 Ford de bloco grande e 427 pol³ (7 litros), com nada menos que 425 cv a 6.000 rpm, acoplado a um câmbio Ford de 4 marchas. O resultado disso é que aquele enorme carro com dois eixos rígidos, que muitos achariam uma curiosidade para passeios tranquilos apenas, é teoricamente capaz de atingir 241 km/h. Inacreditável, não?
Mas a aventura estava fadada a acabar antes de começar. A diretoria da empresa de Ruger acabou por vetar a aventura automobilística do fundador. O mundo era outro em 1970, e desempenho e alto consumo de combustível estavam fadados a se tornarem tabus por mais de 10 anos. Apenas dois tourers foram criados, que ainda permanecem com a família Ruger: um amarelo com chassi e interior verde, e um preto com chassi e interior vermelho.
Ruger é um exemplo claro de que todo entusiasta do automóvel é na verdade alguém com uma ligação profunda com coisas mecânicas. Automóvel pode ser a maior e mais palpável paixão, mas é difícil achar alguém que não tenha outra também: motocicletas, aviões, barcos, armas de fogo, e por aí vai. Antes do advento da combustão interna, gente como a gente trabalhava em ferrovias. Antes disso, fazendo navios, carroças e ferrando cavalos. Antes disso ainda, fazendo lanças e outros artefatos de caça e pesca. Ou fazendo, ou usando, comprando e vendendo, contando histórias, desenhando e mais tarde fotografando; como vampiros, nossa espécie vive desde tempos imemoriais em meio aos pobres mortais, incógnitos, apenas reconhecidos imediatamente por nossos semelhantes.
A história de Ruger e seus magníficos tourers explica, então, que seja fuçando com carros, armas, ou qualquer outro utensílio de uso pessoal, o tipo de pessoa que hoje conhecemos como entusiasta do automóvel sempre existiu. Agora, à grande pergunta, de onde veio isso e por que é tão forte, bem... Eu sinceramente não sei responder. Eu sei que sofremos juntos desta doença, marca genética, o que quer que seja, e apesar de sermos diferentes todos como pessoas, como dizia aquela propaganda de cigarros, "pelo menos temos uma coisa em comum".
Foi como me disse o Egan outro dia, conversando sobre suas infindáveis buscas de carros pela internet:
"Por que eu, que este mês estou sem dinheiro até para pagar minhas contas, estou ligando para este cara para saber sobre este velho Citroën à venda? Por quê???"
Não faço ideia, velho amigo. Mas te entendo perfeitamente.
MAO


Sábado acordei já com uma ideia zanzando na cabeça: eu precisava andar num Lotus Exige. Durante a noite meu cérebro me armou essa sem me avisar e me fez ter vontades. Como vê, é um cerebrinho de m... que se não o disciplino só pensa besteira.
Mas, sabe como é, volta e meia guio um esportivo diferente, ou mesmo não esportivo, e praticamente sempre me sobra um ranço de insatisfação; maior ou menor. De qualquer modo, com raríssimas exceções, sobra um ranço por não terem feito um carro exatamente do meu gosto. Ou o carro anda pra burro, mas é muito pesado, ou muito grande, ou lerdo, ou o carro parece bom de tudo, é rápido, mas não se porta nas curvas exatamente do jeito que eu gostaria, fora os que têm design esquisito.
As exceções infelizmente são poucas: Alfa Romeo GTV, Lotus Eleven, Jaguar E-type, Ferrari Dino, Ferrari 308, Ferrari 348 e... e...? acabou.
Sempre tem uma coisinha que tira o barato. O Alfa Spider e também o Duetto, vale citar, são show de guiar – perfeitos nas curvas –, mas, por serem conversíveis sem estrutura perfeita, chacoalham um pouco se o piso for irregular. O Mazda Miata é uma perfeição técnica, bom pacas de guiar, mas lhe falta classe no design do interior.
E os esportivos novos? Bom, desses há muitos excelentes, andam barbaridade, mas tanto fizeram, tanto os empetecaram, que estão grandes e pesados, e nos deixam distantes do contato com o chão, filtram demais. mundo passa feito um cinema e não é pra isso que entro num carro esporte. Pra isso fico no sofá de casa.
Então, o Exige era a minha esperança de guiar algo plenamente satisfatório pro meu gosto: Um carro Puro Suco, um Lotus – eficiência total, sensatez total, objetividade total no prazer de guiar. E é carro novo, porque, como disse, esse prazer pleno só tive em carros antigos.
Daí que logo cedo peguei a motinha Biz 100 e saí de fininho de casa antes que minha mulher acordasse e me arranjasse alguma obrigação chata pracaramba.
Sem trânsito, a motinha me levou à Rua Estados Unidos esquina com a Campinas, na Loja California Motors do meu amigo Jean. Estava ainda fechada, mas parei, desci da moto e... incrível! Lá dentro estava um Lotus Exige S vermelho! Vai ser rabudo assim lá longe!
É hoje! – pensei.
Saí pra matar um tempo, tomar um café, e quando voltei já lá estavam o Jean e o Gustavo manobrando carros pra lá e pra cá. O Gustavo Silveira, além de trabalhar na loja, constrói excelentes hot rods. O melhor T-bucket que já guiei foi feito por ele – tinha um motor Ford 302 com uns 350 cv e pesava uns de 600 kg... um canhonaço! E, coisa rara para um hot rod, bom de chão. Lindo, preto com labaredas, detalhes impecáveis e de bom-gosto.
— Jean, meu velho, preciso guiar esse Lotus aí – fui dizendo. É uma questão de vida ou morte.
— Vambora! Mas só uma voltinha, porque o carro, apesar de ser 2008, não rodou nem mil quilômetros. O sujeito comprou, a mulher dele disse que não andaria naquele carrinho que não parecia carro, e o sujeito o encostou e praticamente nunca andou com ele.
O filminho que segue conta um pouco como é guiar o carro, mas vamos lá:
O motor é o 4-cil de1,8 litro da Toyota, com comando de válvulas variável, só que com compressor, o que o faz render 240 cv a 8.000 rpm... Oito mil giros... E o torque máximo é de 23,5 kgfm a 5.500 rpm. O torque não é monstro, mas tem um detalhe aí: o Exige S pesa só 940 kg, daí que a relação peso-torque é ótima. O mesmo acontece com a potência.
Chassi e bloco do motor são de alumínio, carroceria de composto plástico reforçado com fibra de vidro, fininha, peças em fibra de carbono etc, ou seja, tudo o mais leve possível. E tem ar condicionado, ar quente, airbag e vidros elétricos. Não tem assistência de direção, o que a deixa perfeita, com o peso e velocidade certos.
O peso do pedal de freio é perfeito e a modulação também. Bom, considere aí que considero tudo perfeito e boa. E ótima: meu tênis era para corrida a pé, com aquele calcanharzão saltado, uma droga pra guiar, então guiei descalço, já que os pedais estão perfeitamente juntinhos, bem à inglesa.
São 6 marchas adiante. Engates... perfeitos, justinhos e rápidos. Tudo nele foi feito para que o seu trabalho seja rápido e exato. É pensar e já estar feito.
O motor trabalha em baixa tão suavemente como o de um Corolla, do qual deriva, porém, basta uma aceleradinha mais forte que ele vira monstro e acelera decidido mandando o giro lá pra cima. Uma pegada forte de entontecer. O que está adiante se aproxima como se puxássemos a imagem com um zoom. Não há turbo lag. A coisa é imediata, e sempre suave, sem vibrações de motor, já que vibração é perda de energia. E ele traciona barbaridade, por ter motor central-traseiro e ser um carro leve – então ele não fica naquela tontice de burnouts. Ele sai com tudo feito uma bala. Distribuição de peso: 38:62.
A segurança que inspira é fantástica. É marcha atrás de marcha e não é à toa que a Lotus afirma que ele faz o 0 a 100 km/h em 4,0 seg. 0 a 160 km/h em 11 seg. Velocidade máxima de 240 km/h.
Para maiores detalhes:
Jean, mais uma vez, obrigado. Voltei a ter esperanças nos homens que fazem carro. Ao menos nos caras da Lotus.
AK