google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)

Acho que sempre tive muita sorte na vida, pelos pais que eu tive e me ensinaram muito, bem como as pessoas inspiradoras que conheci por causa deles, entre eles o Bob Sharp.
Portanto eu vou dividir com vocês uma lembrança muito boa de menino que tenho do Bob. Meu Pai sempre me disse que para ser grande na vida era preciso dois ingredientes muito importantes: trabalho honesto duro e humildade. Infelizmente, confundimos dentro da nossa cultura humildade com humilhação por serem palavras relativamente parecidas porém com sentido completamente diferente. O Bob é um cara fora de série porque ele tem essas duas qualidades. Era muito legal a atenção que ele sempre dava a todos os meninos, que como eu, ouviam as suas conversas e experiências com total admiração. Acho que dei certo também porque apreendi com os grandes como o Bob Sharp.
Devido à família do meu Pai ter acesso a certas coisas desde cedo, ele apreendeu a dirigir com 8 anos de idade, bem antes de imigrar para o Brasil. Porém ele apreendeu a dirigir de uma forma bem diferente do normal: através do chauffeur do meu avô, um ex-piloto inglês de Grand Prix (leia-se F-1). Naturalmente, meu pai entende um pouco sobre dirigir automóveis, bem como pilotar, e me ensinou também desde cedo.
Mas por que contei isso sobre meu pai? Bem, uma certa vez quando tinha por volta de 12 anos de idade tive uma grande sorte de ser levado por ninguém menos que o Bob Sharp para uma volta de arrepiar por Interlagos antigo num carro que pertencia ao departamento de competições da VW, no qual o Bob trabalhava. Minha mãe, claro, ficou preocupada, mas meu pai me chamou ao lado antes para me dar uma recomendação: "Filho, observe como o Bob segura no volante, como ele senta no carro, e como ele entra nas curvas, que é tudo que tentei sempre te explicar. Esse sabe muito, um verdadeiro piloto." Palavra do meu pai e ele estava mais do que certo.
Claro não esqueci disso nunca. Mas além dessa experiência fantástica de andar com um grande piloto vencedor por Interlagos, teria outras oportunidades de conversar com o Bob. Na época o Bob não era pai ainda mas era de uma atenção e gentileza sem igual com os meninos entusiastas como eu. Ele tinha uma super -paciência para explicar e semear ainda mais o entusiasmo na garotada.
Ainda, um dia mostrei ao Bob um livro de fotos sobre corridas no Brasil e no exterior. O Bob estava com outros dois pilotos e um era o ex-diretor do Grande Prêmio do Brasil. Eu, menino, só fiquei olhando eles se divertirem com o livro até que o Bob achou uma foto dele, essa que vocês estão vendo aí. Não teve dúvida, me autografou a foto:
"Ao Nando ---> Bob Sharp 29-07-1974 12 horas de Goiânia Primeiro Lugar"
Desnecessário dizer que tenho esse livro até hoje e sempre o carreguei por todos os lugares do mundo onde morei.
Mas tem mais, depois do Bob Sharp ter assinado esse livro deu uma sorte tremenda. Outros pilotos também iriam assiná-lo, a citar: Alain Prost, Riccardo Patrese, Michele Alboreto, Keke Rosberg, Nelson Piquet, Nigel Mansell, Chico Landi, Ari Vatanen, para citar alguns de memória. Sim, conheci a todos e tenho uma boa lembrança de ter jogado pingue-pongue com o Nigel Mansell, um cara também muito legal mesmo.
É legal quando você tem pessoas que te marcam, sempre lembra delas. Ano passado fui procurar no Google sobre o Bob Sharp para ver se ele ainda escrevia. Lembro muito bem da época que era adolescente e ele escreveu o teste do Ferrari F40, que a Fiat brasileira ganhou pelos Uno Mille vendidos, e que o Bob fez para a Quatro Rodas. E então descobri o AUTOentusiastas. Logo contatei o site e o Paulo e Arnaldo Keller mandaram meu e-mail para o Bob. E aqui estou em outro país degustando o AUTOentusiastas.
Mas o que eu queria dizer mesmo era obrigado para o Bob Sharp por ser um cara de muito bom coração e por ter sido bem atencioso comigo quando era menino. Hoje, com 37 anos e um entusiasta já formado, agradeço à vida por ter conhecido alguém tão bacana e inspirador como o Bob. O Bob é realmente um cara que merece sempre tudo de bom por sempre ter sido um homem muito bom, além de um vencedor na vida. São pessoas assim que me inspiram e quero ensinar isso aos meus filhos, além claro, segurar no volante de um carro esporte devidamente como o Bob Sharp faz.
Dia desses eu relembrei da minha última estada na Califórnia. Mais especificamente na Rodeo Drive, em Los Angeles. Numa extensão de pouco mais de um quilômetro, essa rua é uma das mais badaladas dos Estados Unidos e talvez do mundo. Lá ficam as lojas de todas as grifes mais luxuosas do globo e muita gente rica circula por lá. E por isso a Rodeo Drive e suas transversais são palco de um desfile constante de carros exóticos e caros. Enfim, um lugar bacana para ficar sentado e observar os carros mais bacanas do mundo passarem de um lado para o outro. Muitos deles ficam circulando, apenas para serem mostrados pelos seus donos. Lá eu deixei minha mulher entrar em todas as lojas e demorar o quanto quisesse.

Aqui no Brasil a Rua Oscar Freire, no Jardins, em São Paulo, é a rua que tem todas as lojas de grife. No entanto, o desfile de carros exóticos e caros acontece na Avenida Europa (que muda de nome para Colômbia ao longo de sua extensão). É na Avenida Europa onde estão as lojas independentes e algumas concessionárias de carros de luxo. Como o asfalto é bom, e a via é de duas mãos, com duas pistas para cada lado, é o lugar ideal para desfilar.

Nesse sabadão de Carnaval resolvi levantar cedo e visitar a Avenida Europa empunhando minha câmera. Afina,l a felicidade está bem mais perto de nós do que imaginamos  Quando cheguei todas as lojas estavam fechadas. Os carros do lado de dentro e em espaços apertados, o que dificultou um pouco as fotos. Muitas delas foram feitas através dos vidros, onde tive que usar os reflexos a meu favor para fazer algo diferente. Nem sempre foi possível. Mais tarde, quando as lojas abriram, nenhuma permitiu fotos internas.

Como foram muitas fotos não dá para colocar todas no post. Fiz uma divisão em sete partes com um slide show para cada uma delas. Para cada parte tem um link para um slide show em tela cheia e para galeria de fotos. Quase todas as fotos na galeria estão em tamanho grande e podem ser baixadas.

Foi uma manhã muito rica onde pude ver e ouvir muitos carros interessantíssimos. É um passeio equivalente, ou até mais legal que o Salão do Automóvel de São Paulo. Recomendo a todos entusiastas que façam esse passeio, chegando na Av. Europa por volta das 9h30, no trecho entre a Rua Rússia e a Avenida Brasil. Eu diria que dá até para levar uma cadeira de praia, um isopor com umas latinhas de cerveja e sentar numa das esquinas para assistir o desfile confortavelmente.

Se não der para fazer isso, se acomode na cadeira e curta as imagens feitas especialmente para os leitores do AUTOentusiastas.


MUSCLE CARS


Existem Mustangs, Camaros e Challengers, além de Chargers, em algumas lojas independentes. Na Só Veículos, a maior loja independente, havia várias unidades dos três muscles modernos. E o mais notável é que muitos nas versões mais bravas, como GT500, SS e SRT.  Esses três alinhados realmente são de tirar o fôlego. O GT500 branco é tentador, mas o SS preto tem cara de mau, e o Mopar SRT prata com seus quatro faróis e baixo volume é mais exclusivo. Ainda bem que não posso levar nenhum, pois escolher um entre eles seria muito cruel. Mas acho que levaria o GT500. No final da galeria tem três Mustangs que circulavam pela avenida.




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CAMARO


Logo que cheguei por lá assistí a chegada e o desembarque de um Camaro RS "Bumblebee" zero-quilômetro, também para a Só Veículos. O amarelho vibrante e o olhar malvado ajudaram nas fotos.





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DETALHES


Como eu disse, as lojas não permitem fotos internas. O jeito foi tentar boas imagens de detalhes. A Platinus, representante da Pagani e da Spyker, e a Só Veículos são as lojas com mais carros exóticos. Pagani Zonda F, Spyker C8, Cadillac CTS-V, Porsche Panamera, Bentley Continental, Bentley GT, Bugatti EB110 são alguns dos que consegui ao menos um detalhe.





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FERRARI


Entre os que estavam nas lojas e as que vi passando foram mais de dez. Teve 550 Maranello, 355, 360, alguns 430, inclusive Spider e Scuderia, e até um Scaglietti. Os donos de Ferrari são os que mais desfilam. Ficam indo e vindo várias vezes e por isso lembrei do Juvenal, que os odeia.

O segurança de uma das lojas me disse que aos domingos, cedo, tem racha de Ferraris e outros exóticos. Os carros emparelham nos semáforo e arrancam forte na luz verde. Eu já combinei comigo mesmo de voltar lá num domingo para conferir isso. Não posso esquecer a filmadora.

O melhor nos Ferraris é o urro do motor. Consegui fotos de algum em movimento porque sempre escutava sua aproximação ao longe. Já os Porsches chegam despercebidos, por isso todos que fotografei foi meio no susto, sem chance de ajustar a câmera adequadamente.





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LAMBORGHINI


Onde ficava a loja da Ferrari agora fica a recém-inaugurada Lamborghini. A Ferrari mudou de lugar, para ali perto, mas não na Avenida Europa.

Com o anunciado fim da produção do Murciélago eu reparei que nunca fotografei um desse raro espécime. Mas os dois que vi estavam entocados. Um LP-670 na Platinus e um na loja da Lambo. Na loja da Lambo há vários modelos principalmente de Gallardos; LP-560 4, Conversível, Superleggera, de diferentes cores. Lá dentro também tem um Aston Martin DB9. Mas apesar da vitrine ser grande, o segurança não me deixou avançar muito nas laterais, para que eu conseguisse fotos de todos.

Também encontrei um Superleggera em outra loja e um LP-560 no lava-rápido. Foi nessa hora em que encontrei uma garota alucinada fotografando tudo para o fórum Exclusivos no Brasil.





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VÁRIOS

Aqui fiz uma seleção de tudo que vi. Os destaques são Mercedes McLaren SLR, Aston Martin DB9, Maserati Gran Turismo, alguns Porsches, Jaguar XF R, Mercedes AMG SL63 e outros mais normais.





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CLÁSSICOS

Além dos exóticos, muitos clássicos circulam na avenida. Entre os destaques estão um Citroën SM e um De Tomaso Longchamp.





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PK
Imagem: alvescar.com.br
Esquema típico de rodízio de pneus, usando o estepe e não.

Bem no começo deste ano falei sobre os pneus novos na dianteira e deu certa confusão, pois minha opinião conflita com a de fabricantes de pneus, que insistem em novos atrás. Seja como for, cada um é livre para adotar a solução que achar melhor. O que posso afirmar é que em 50 anos dirigindo (com CNH, fora alguns anos na clandestinidade...) nunca a minha escolha resultou numa perda de controle da traseira no molhado, nem mesmo ameaça.
Hoje o tema é não menos polêmico: fazer ou não rodízio de pneus. Pelo título o leitor já sabe que não faço. Vou dar meus motivos.
Todo pneu assenta no canto do carro em que ele está. Depois que assenta totalmente, o que ocorre dentro de 200 a 300 quilômetros, têm-se o melhor contato com o solo e  como consequência as melhores respostas às forças a ele impostas -- direção, tração, frenagem, força lateral em curvas. Faça-se o rodízio e durante aquelas centenas de quilômetros não se conta com a melhor aderência. Fora que, para assentar, haverá um certo e acentuado desgaste do pneu.
Por isso, minha sistemática sempre foi nunca fazer rodízio com o objetivo de obter desgaste igual dos quatro ou cinco pneus (um interesse inequívoco no caso de veículos 4x4). Pneu morre onde nasceu e ponto final.
Assim, num carro de tração dianteira típico, minha rotina típica de troca, considerando até 4 mm  (novo: 8 mm) de profundide de sulco, é:
- Primeiro par dianteiro, formando o par com o estepe (se der, se for de mesma rodagem)
- Segundo par dianteiro
- Terceiro para dianteiro. A essa altura considero o desgaste dos traseiros: se tiverem chegado a 4 mm de profundidade de sulco, é hora de trocar os quatro.
Mas, e se chegar um momento em que o dianteiros estão com, digamos, 6 mm e os traseiros com 4 mm? Vou comprar um par novo e colocá-los onde? Na traseira! Mas não pelos motivos alegados pelos fabricantes de pneus, e sim para não mudar a posição dos dianteiros que, com 6 mm, ainda são bons de molhado. Quando chegarem a 4 mm os traseiros estarão praticamente novos. Então, novo par dianteiro.
Pelos que os pneus duram atualmente, nesse processo o carro já deverá ter atingido 100.000 km
Mas há uma desvatagem em não fazer rodízio, por incrível que pareça: pode acontecer de o modelo de pneu que você usa sair de linha. Então, ou o carro fica com pneus de modelos diferentes, o que é feio e não é recomendável, ou se compra dois pneus sem necessidade, o que doi no bolso.
BS

Foto: bradleystokejournal.co.uk
 Sonhei que só se vendia gasolina nos postos para veículos com motores de ciclo Otto e óleo diesel para motores de ignição por compressão. Gasolina, sem etanol ou com no máximo 5%, como aliás é hoje a gasolina da Fórmula 1, que tem precisamente 5,75% de etanol na gasolina, isso desde a temporada de 2008.
Sonhei que poderia viajar pelo países vizinhos a dentro e reabastecer sem nenhuma dificuldade e com a certeza de estar usando a gasolina especificada para o meu carro -- e sem a menor inveja dos brasileiros que têm carros a diesel e não têm o problema em reabastecer seus carros fora dos nossos limites territoriais.
Sonhei que carros importados poderiam sair rodando dos navios ou de dentro dos contêineres e receberem carga de gasolina encontrável nos postos -- eles devem ser transportados praticamente secos, por questão de segurança -- e depois encostarem num posto e terem seus tanques abastecidos. Sem necessidade alguma de recalibração das centrais eletrônicas que gerenciam a mistura ar-combustível para ficarem aptos a rodar no país.
Sonhei que os apaixonados por carros antigos não tinham nenhum tipo de problema de funcionamento dos motores desenhados para gasolina sem etanol, que hoje enfrentam problemas sérios com o material emborrachado de diafragmas de carburadores e bombas de gasolina devido ao ataque químico do etanol, e que funcionam mal devido à mistura ar-combustível pobre em função de um quarto da gasolina ser etanol (um quinto, deste fevereiro até maio).
Sonhei as octanagens das nossas gasolinas eram as mesmas do resto do mundo desenvolvido sem o recurso da quarta parte de etanol, resultando em níveis de consumo mundiais e não os que vemos por aqui e que tanto apreciamos -- e nos surpreendemos -- quando dirigimos no exterior.
Sonhei que os preços dos derivados de petróleo obedeciam aos ditames dos mercados internacionais do petróleo e do câmbio e não também ao humor de fazendeiros e usineiros, que sobem preço ao bel-prazer,  na maior cara de pau, isso consequentemente influenciando o preço da gasolina.
Sonhei que o comércio varejista de combustível era 100% honesto, que o produto que se comprava nos postos era aquele especificado, sem nenhum tipo de adulteração. Que não era preciso jamais desconfiar de um posto de bandeira branca -- embora posto com bandeira conhecida não seja garantia de honestidade faz tempo.
Sonhei que o nosso interior era verdejante mas não de cana-de-açúcar e que por isso odor no ar era o dos campos americanos e sul-americanos, notadamente argentinos e uruguaios, não o enjoativo doce desta planta. E que nunca havia fuligem no ar empesteando tudo e todos, por vezes enfraquecendo a luz do sol, resultado das queimadas. E que se viam por aqui, em grande quantidade, as paisagens bucólicas do gado vacum nos pastos.
Sonhei que quem quisesse poderia ter seu carro a diesel, numa escolha absolutamente natural, sem a ridícula proibição brasileira de automóveis com motor Diesel -- caso único no mundo.
Mas acordei.
BS
Bob Lutz é uma das personalidades preferidas dos autoentusiastas. Hoje ele completou 78 anos e continua na ativa, no processo de recuperação da GM.
Durante seu discurso num evento para concessionários, nos Estados Unidos, ele brincou dizendo que "quanto mais aniversários você faz, mais você vive."
Vida longa ao Bob Lutz!
Para relembrarmos mais uma passagem da sua carreira veja abaixo o que ele disse sobre o Viper, que foi concebido e lançado durante sua gestão na Chrysler.
"Frequentemente me perguntam, principalmente japoneses, que adoram pesquisas, que tipo de estudo fizemos para criar o Viper. Não houve nenhum! Eu adoraria dizer que fizemos um estudo detalhado e descobrimos que existia um enorme segmento com pessoas ansiosas por um carro de 50.000 dólares, sem maçaneta nas portas, sem capota, sem vidros laterais, com um motor enorme e gastão, sem ar condicionado, sem CD player, sem câmbio automático, com a coluna de direção emprestada do Jeep Cherokee, com limitado espaço para duas pessoas e quase nenhum espaço para bagagem. Mas nós não fizemos uma pesquisa."
Dodge Viper conceito no museu W.P. Chrysler

Na realidade o Viper surgiu de uma conversa do Lutz com outra personalidade entre nossas preferidas.
"Eu me sentei com o Lutz e concluímos que deveríamos fazer um carro esporte..." - Carroll Shelby

Veja outros posts sobre o Bob Lutz:

AÇÃO - MM
foto: Patricia Santos/AE

Aproxima-se mais um feriado, o mais aguardado pelo povo do Brasil varonil, o Carnaval.
Montes e montes de carros nas estradas, trios elétricos nos porta-malas para começar a festa antes da hora, e dirigir ensurdecendo a si próprio e a quem estiver por perto.
Cachaça, cerveja e vamos nós para o Sol, para a praia, para a farra.
Esqueçamos os percalços do dia, a dureza de trabalhar para sustentar governos e seus parasitas sugadores, e vamos para a estrada comemorar mais um feriado.
Minhas sinceras recomendações a quem vai viajar nesses 4 ou 5 dias de esquecimento, de alienação da realidade.
Cuidado com os bêbados, drogados ou apenas entorpecidos pela alegria do Carnaval, um dos motivos da alienação do povão.
Atenção com as câmeras arrecadadoras de salário. Não permitam que tomem seu suado dinheiro apenas por uma distração sua. Não engorde mais ainda os cofres que são tudo, menos públicos.
Atentem-se aos "pilotos" de motos, esses que se acham no direito de serem privilegiados e sempre terem direito de passagem, mesmo que por espaços onde não cabe uma moto.
Olho vivo com os caminhoneiros ruins, que acreditam que um monstro de 20, 30 ou 40 toneladas pode viajar nas mesmas velocidades de carros de 1 ou 2 toneladas. Mesma coisa com os ônibus.
Cuidado com os pedestres, que surgem do nada e entram na frente do carro, e especialmente com as crianças, sempre imprevisíveis e correndo para onde está o perigo.
Dirija com cuidado. E com prazer.
JJ
Foto: aguaforte.com

Na calada da noite de 5 para 6 de fevereiro, a CET -- Companhia de Engenharia de Tráfego -- a autoridade de trânsito do município de São Paulo, cometeu mais uma arbitrariedade, para variar, burra. Arbitrariedade só, não. Crime também
O eixo norte-sul, um dos mais importantes da cidade, teve sua velocidade de 80 km/h, que já era baixa, -- deveria ser 90 km/h -- reduzida para 70 km/h. Uma das alegações, baixar acidentes; outra, uniformizar a velocidade no eixo, já que um deles, o Moreira Guimarães, mais para o aeroporto de Congonhas, tinha 70 km/h como limite.
Primeiro, acidentes nas vias envolvidas, as avenidas 23 de Maio e Ruben Berta, são raros, e maioria é com motocicletas, cujas causas são bem conhecidas. Depois, é a coisa mais normal desse mundo a velocidade mudar ao longo de uma via ou estrada. Em muitos países as placas de sinalização de velocidade são luminosas e variam o limite em função de determinadas condições, como obras ou acidente à frente.
Velocidade é coisa séria, não é para ser mexida ao bel-prazer. Vias têm sua velocidade natural, aquela que a maioria adota sem atentar para o velocímetro. Mas é exigir demais dos cabeças-de-símio da CET.
São incontáveis as avenidas com semáforos e cruzamentos nas quais o limite é 70 km/h, de modo que adotar o mesmo limite numa via expressa, de acesso restrito, denota desconhecimento das mais elementares noções de engenharia de tráfego.
Há coisa de pouco mais de um ano o DER-SP fez o mesmo na rodovia Raposo Tavares, baixando o limite de 100 km/h, que era perfeito, para 90 km/h. Como a Ecovias, na Via Anchieta, baixando de 110 para 90 km/h nas largas pistas laterais.
Portanto, a CET mais uma vez mostra sua incompetência e prova que grande parte das dificuldades de mobilidade em São Paulo resulta da burrice de seus técnicos, engenheiros ou coisa que o valha.
Ou será inteligência e estou enganado? A medida, com as multas que  certamente virão, deverá encher ainda mais a carteira -- opa, o caixa, não sei por que pensei em assalto... -- da Prefeitura do Gilberto Taxab. Ah, se arrependimento matasse...
Mas se for mesmo burrice, quer o leitor um tira-gosto dela? Numerar as faixas de rolamento crescente da esquerda para direita (1-2-3-4), quando o nosso tráfego é de mão à direita. Só poderia ser 4-3-2-1. Cresce para a esquerda, não para a direita.
Eu já tencionava falar sobre a medida dos 70 km/h, mas o leitor Eduardo Martins pediu nossa opinião e temos o prazer de atendê-lo.
BS





Fiquei com um Renault Symbol Expression por uma semana. O AUTOentusiastas já o testou anteriormente, com o Bob Sharp e eu, mas os modelos testados foram do Privilège, que tinham o motor 1600 com 4 válv/cil. Agora veio um Expression que tem motor 1600 de 2 válv/cil.
O motor flex 16V rende 115 cv (álcool) e o 8V, 95 cv (álcool), portanto, 20 cv a menos. Mas mesmo faltando esses 20 cv ele também é plenamente satisfatório para o sedã no uso urbano diário, isso porque os torques quase se igualam, pois de 15,5 mkgf cai para 14,1 mkgf – uma diferença mínima.
O torque máximo do 8V vem a 2.850 rpm, quando no 16V vem a 3.750 rpm, ou seja, a 900 rpm acima do 8v. Mas, atenção, o torque do 16V a 2.850 rpm ainda é maior que o do 8V a essa mesma rotação, daí que o 16V sempre reage melhor à aceleração, mesmo em baixa.
Mas para o uso urbano do dia a dia não faz muita diferença, e o 16V só tem aquela estilingadinha mais gostosa em giro alto, já que esse cabeçote ganha 500 rpm no giro máximo.
O motor 8V é suave, esperto, elástico, e fica bem animado quando provocado. Uma beleza de motorzinho, só que me pareceu um pouco gastão quando usando álcool. Isso certamente é porque ele tem uma taxa de compressão incrivelmente baixa para um motor flex que pode queimar álcool: 9,5:1, quando ela deveria ser de no mínimo 11 ou 12:1 para que aproveitasse melhor a resistência à detonação do álcool, mantendo sua característica flex. Se fosse só a álcool a taxa poderia ser bem maior, tipo 15:1 e, aí sim, seria foguetinho e econômico.
A 5ª marcha achei um pouco curta, pois a 120 km/h o giro está a 3.800 rpm. Esse motor a 3.300 rpm já produz ao redor de 60 cv, o que é mais que suficiente para manter esse pequeno sedan a 120 km/h e com sobra de torque para reagir rápido a uma aceleração e vencer fácil as rampas sem que seja necessário reduzir marchas. Portanto, essa 5ª é desperdício de combustível etc, além de com o giro mais baixo o rodar ser mais confortável.
Não que ele seja desconfortável a 120 km/h. Viaja perfeitamente bem a essa velocidade e até um pouco acima, sempre silencioso. Gostosinho pra viajar. É estável tanto nas retas quanto nas curvas, por sinal, muito gostoso de curva. E é só na estrada livre que o 16V faz mesmo diferença, pois ele é tão espertinho que torna a coisa esportiva.
O Symbol, pelo seu tamanho, nos conforta além das expectativas. Muito macio, nos isola bem quando pega buraqueira, ou seja, nos trata muito bem. Fui com ele pra praia, Cambury, Litoral Norte de São Paulo, e lá, em busca de ondas peguei uma estradinha de terra cheia de costelas de vaca. E não é que ele se portou muito bem? Estou acostumado a pegar essa estradinha com vários carros e até agora o Symbol foi o que melhor me isolou da buraqueira. Suspensão boa pacas.
Ergonomia excelente para os que vão na frente e ruim para adultos que vão atrás. Teto baixo e banco de assento duro e de encosto muito vertical, para os de trás.
O trambulador não é muito prazeroso. Os engates são um pouco duros. É a varão e deveria ser a cabos de aço.
Devido à minha impressão dele estar gastando muito quando usava álcool, passei a abastecer com gasolina, e fui viajar. Com ela, ele fez ao redor de 10 ou 11 km/l, o que acho elevado para um motor 1600 na estrada, já que andei dentro da lei e quase sem bagagem.
Se o Symbol tivesse câmbio automático creio que para muita gente ele seria um dos carros ideais para uso urbano, pois ele é muito confortável e tem um grande porta-malas (a parruda cadela dá noção dessa grandeza – ela é a Honey, uma vira-latas metida a Pinscher).
As diferenças mais importantes entre o Expression (8V) e o Privilège (16V), além dos motores terem as diferenças citadas, são:
1- o Privilège tem ar-condicionado digital, enquanto o do Expression tem controle manual. Pra mim, tanto faz, pois ambos dão conta do recado.
2- O Privilège tem vidros elétricos atrás e o outro é na manivela. Pra mim, também, tanto faz.
3- O Privilège tem rodas de liga leve e as do outro são de ferro. Tudo bem, imperceptível pra guiar, pois o peso delas é quase o mesmo.
Portanto, para mim, a única diferença que fala está no motor, onde o 16V é superior na estrada.
E vêm os preços sugeridos:
Privilège: R$ 43.300,00
Expression: R$ 39.700,00
Diferença de R$ 3.600,00
Bom, com essa diferença dá pra eu comprar mais umas quatro ou cinco pranchas de surf e juntar com as nove que já tenho.
AK


Eu tive uma S10 uma vez. Era na verdade uma Blazer, ano 1996, básica, com o motor de 2,2 litros e injeção monoponto, a gasolina.
Antes de andar mais para frente nesta história, tenho que dizer que fui criado dentro de Chevrolets, e ainda hoje, apesar de uma série de absurdos perpetrados pela marca ao longo dos anos, tenho um lugar bem no fundo do peito que ainda é completamente apaixonado pela marca. Não o suficiente para turvar meu julgamento, mas algo que permanece lá no fundo da cabeça, sempre querendo sair. Quando eu gosto de um Chevrolet, gosto de verdade.
Mas voltando àquela Blazer. Sabem aquela máxima de carro que bebe muito, mas pelo menos anda? Bem, a Blazer era lenta feito Kombi 1200 carregada de cimento, mas bebia feito um Landau enfurecido. Exatamente o contrário... E também era um carro enorme, mas sem espaço interno. Não fazia curvas bem, mas era dura e sacolejante feito um cabrito montês no cio. O motor era vibrador, não tinha força em baixa nem em alta, era áspero e renitente a qualquer dia e hora, quente ou frio. E tudo quebrava, tudo fazia barulho, e nada funcionava direito.


OK, estou exagerando nas cores aqui para efeito dramático, mas só um pouco: o fato é que a Blazer foi o pior carro que já tive. Simplesmente, depois dela nunca mais tive um Chevrolet zero-km. Sim, era ruim a ponto de traumatizar qualquer um. Não é de se estranhar então que toda vez que o assunto passa por S10, tenha calafrios de ojeriza.
Mas aí, semana passada, bons 14 anos depois, acabei por passar uns dias viajando com uma S10 cabine dupla novinha, com o novo motor de 2,4 litros flexível. Ao iniciar a viagem, lembrando-me daquele camburão vermelho Goya de 1996, me preparei para o pior. Parecia que ia ser uma viagem longa e sofrida.
Mas o fato é que tive uma enorme surpresa. Primeiro, o compromisso entre estabilidade e conforto deste carro é outra coisa completamente diferente do que me lembrava. Está muito bom realmente, a ponto até de entusiasmar. E o carro não pula mais, seu complexo de cabrito montês completamente curado. Não sei o que fizeram, mas funcionou perfeitamente. E o ruído interno está agora também bem baixo. Todos os comandos principais do motorista (direção, câmbio, pedais) estão infinitamente mais agradáveis, e parece que realmente alguém gastou muito tempo acertando eles, o que deveria ser regra em um carro que permanece tanto tempo em produção.

E depois há o motor. Este grande quatro-cilindros me deixou de boca aberta, pasmo. Esperava bem menos de algo que, afinal de contas, não parecia ser muito diferente do propulsor daquela minha Blazer. Ah, como estava enganado... O motor é, primeiro, suave, coisa que o 2,2 estava longe de ser. E é forte. Não forte como um seis em linha de um antigo BMW M5, mas, sim, forte como os grandes seis em linha Chevrolet do passado sempre foram. Forte no sentido de ter aquela inesgotável e deliciosa reserva de torque a qualquer rotação, algo que proporciona uma incrível sensação de ser empurrado pela mão de um gigante que pratica tai-chi-chuam: suave mas decidido. Quem nunca sentiu um murmurar de um seis em linha Chevrolet, ainda não aprendeu que existem muitas formas de prazer automobilístico além da força bruta. A S10 flex se move de uma forma assustadoramente próxima de meus velhos Opalas 4100. Como não gostar imediatamente disso?
O motor confere ao carro uma personalidade maravilhosa, que achava ter sido perdida para sempre num carro zero-km; aquela suave, macia, mas forte e agradável sensação de andar num Chevrolet antigo. Dos americanos da década de 50 e 60, ao Opala e ao Omega, todos os carros que tinham a gravatinha na frente tinham isso. Há algo naquela simplicidade mecânica, naquela agradável sensação de andar numa nuvem densa de torque, de suavidade, que toca fundo em minha alma. Linearidade aqui é o principal. O motor tem a mesma força e a mesma suavidade, sempre. No geral, o carro agrada muito, e me faz sentir em casa.


Mas há problemas na S10, lógico, e o principal aparece logo de cara: o carro é limitado a 150 km/h. Se essa velocidade fosse perto de sua máxima real, tudo bem; é menos pior um limitador entrar em ação quando estamos esgoelando um carro. Eu acho limitadores um saco, mas consigo conviver com eles, quando agem desta maneira. Mas não é o caso aqui. O carro chega muito fácil, e tranquilamente, a esta velocidade, e é uma enorme surpresa quando entra em ação, porque você não acha que está andando rápido. É daqueles carros que roda solto, e se você bobear, bate no limitador, mesmo em uma viagem tranqüila com a família. Era só o que faltava, como se não bastasse ter que olhar no velocímetro o tempo todo por causa dos radares, quando eles não existem ainda tenho que me preocupar com o limitador ridiculamente baixo do meu próprio carro? Não é melhor manter os olhos na estrada? Francamente...
Sei que 150 km/h é muito acima do limite de velocidade vigente nas estradas por aí, e não estou fazendo apologia à infração de regras de trânsito aqui. Mas deixemos as hipocrisias politicamente corretas do mundo moderno de lado; todo mundo pode imaginar como este limitador, embora teoricamente irrelevante, é extremamente irritante no mundo real. Irritante ao ponto de me impedir de comprar este carro. Tão simples quanto isso.



O acabamento interno é obviamente antiquado, tanto em desenho quanto em funcionalidade. A gente não tem como não se sentir de volta ao final dos anos 80 dentro dela, apesar dos tecidos e cores que tentam disfarçar este fato. Muita gente já desiste do carro só por isso; eu adorei o final dos anos 80, para mim aquilo é um oásis de um passado gostoso de lembrar, a cada CLÉC sonoro das travas de porta... O desenho externo da carroceria também não ajuda. Os plásticos pendurados nela recentemente nos fazem lembrar imediatamente do Sr Cabeça de Batata, aquele brinquedo imortalizado nos filmes da Pixar. Realmente, o resultado não é dos melhores, para ser bem generoso nos comentários...
Mas na verdade nada disso importa, é tudo bobagem, principalmente o design externo, que só é útil para impressionar seu círculo de amizades por uma semana. O que esta picape é, e ninguém ainda se deu conta disso, é simples: o último Chevrolet de verdade. Para muita gente, isso é uma grande desvantagem. Para outros, é algo sem importância alguma. Mas para mim... ah, faz um mundo de diferença.
Sabe, um velho Chevrolet não é algo que se gosta logo de cara, feito um BMW. Existe algo neles que se mostra apenas com grande familiaridade, com tempo mesmo, algumas vezes coisa de mais de uma geração, de pai para filho. Quando você aprende a gostar deles, eles se tornam tão aconchegantes e familiares quanto o colo de sua mãe, com a vantagem de poder usá-lo mesmo quando se pesa 150 kg.


Percebi isso quando, na mesma semana, estacionei a S10 na frente da eclética garagem do meu grande amigo Bill Egan. Os Egan, além de Jaguar, Porsche e Alfa-Romeo, tem uma bela seleção de Chevrolets, pelo menos um para cada década, de 1930 a 1960. Egan estava rearranjando os carros no galpão (um trabalho hercúleo quando se têm mais de 20 deles), e me pediu ajuda. Pela primeira vez, dirigi então a magnífica a picape "Martha Rocha" azul, 1956, que faz parte da coleção desde o ano passado.


Só manobrei, mas que coisa deliciosa era aquilo! Tudo que gostei na S10, mas exponencialmente mais claro, evidente! Que liso é aquele seis em linha Stovebolt, que precisa e macia é aquela alavanca de três marchas na coluna... Manobrar aquela velha picape com aquele incrivelmente bem acertado motor foi como deitar em um lençol de seda: liso, macio, suave, bom demais da conta. Egan não conseguia me tirar de dentro da caminhonete. Acho que foi a manobrada mais memorável de minha vida.
Você começa a entender o por quê dos americanos terem adotado as caminhonetes (picapes) como módulos de transporte pessoal; nas boas, largas e retas estradas de lá, nada há mais confortável que uma boa picape full-size, com um preguiçoso motorzão lá na frente. Tem um efeito calmante imediato.
Conversando com ele depois, sentados tomando uma Itaipava gelada bem no meio da garagem, ao inconfundível som de Alfas lentamente enferrujando, a conversa veio parar nesse papo de Chevrolet, sobre o que faz eles especiais. Egan obviamente tem uma posição privilegiada para falar disso. Diz ele:
"Primeiro tem a suavidade e a linearidade do motor. Você sente ela do 31 até o 55 (que é V-8), perfeitamente lisos, lineares, incansáveis. Depois tem o comportamento, apesar de ser um carro americano, eles são muito mais capazes do que aparentam; O Chevrolet parece lento para os não iniciados, mas anda forte, e confiante, com uma direção até que precisa perto de carros similares... E não há prazer maior no mundo do automóvel do que acelerar um Chevy, aquele crescer linear do motor, aquela troca de marchas lenta, precisa, prazerosa, e voltar a dar motor e ouvi-lo crescer de novo. É algo único, que nenhum outro carro faz igual, e só vivendo com eles é que se percebe. E mesmo assim, só depois de dirigir qualquer outra coisa e sentir falta daquilo que não sabe explicar entender o que é que o faz tão bom."
Me toquei que a maioria dos Chevys dele tem cambio de três marchas na coluna; para mim é outra coisa que todo Chevy devia ter. Ah, pena que a S10 tenha uma alavanca de cinco marchas no assoalho...
Mas hoje em dia nada mais disso importa. A S10 é velha e execrada pela imprensa e entusiastas, como uma notícia de ontem. A própria GM deve morrer de vergonha dela, e se houver outra para substituí-la, provavelmente será algo mais próximo a Toyota Hilux atual, a melhor e mais avançada picape de sua categoria desde o seu lançamento. Ou a nova Amarok da VW, que dizem ser ainda melhor, mais próxima de um Golf do que a um 18-310 Titan em comportamento.
Mas já temos picapes Toyota. Por que precisamos de outra, feita pela Chevrolet? Hoje em dia todos querem ser iguais, e não há mais espaço para diferenças. A Mercedes-Benz quer ser esportiva como uma BMW, e a Chevrolet tem que fazer Toyotas. Órfãos ficam pelo caminho, e nenhuma lágrima é derramada. No caminho da pasteurização do automóvel, só sobrevive quem consegue lançar modismos de aparência, e que possam ser conduzidos usando-se o mínimo possível do cérebro, todos iguaiszinhos em comportamento. Carros são apenas utensílios de moda, e algo velho é apenas isso: um sapato velho démodé.



A S10 vem da pior época da GM, o meio dos anos 80. Nunca foi um carro excelente, mas incrivelmente nesta versão, aqui no Brasil, retém um DNA que imaginava perdido para sempre. Onde mais se pode achar isso hoje em dia? Talvez num Corvette, mas este sempre foi um Chevrolet diferente do que falamos aqui, sendo quase uma marca em si só. Na Silverado americana? Não tenho como saber, mas desconfio que não, ao ver as resenhas da imprensa especializada americana, que adorou ela. Se esta imprensa gostou, não deve ser um Chevrolet de verdade: eles raramente entendem o que tentei explicar aqui. Poucos entendem, o que é uma grande pena; precisamos de gente mais sensível a este tipo de coisa, ao que não pode ser medido, ao que é difícil até de explicar, mas que são as mais sinceras e importantes das emoções. A perda da S10 é inevitável; não posso nem sugerir que possa ser diferente. Mas não acredito que o DNA dela precise sumir para sempre.
Não é preciso, mas vai acontecer, sem sombra de dúvida. Que assim seja. Eu tenho ganas de comprar a última das S10 2,4-litros, e sair da concessionária em direção ao horizonte, e a mil encontros com o maldito limitador de velocidade, ouvindo infinitas repetições daquele hino à desesperança, a valores perdidos e declínio de um mundo adorado, que é a música "American Pie" de Don Mclean:
A long long time ago
I can still remember how that music used to make me smile
And I knew if I had my chance
That I could make those people dance
And maybe they'd be happy for a while
But February made me shiver
With every paper I'd deliver
Bad news on the doorstep
I couldn't take one more step
I can't remember if I cried
When I read about his widowed bride
But something touched me deep inside
The day the music died

So, bye-bye, Miss American Pie
Drove my chevy to the levee
But the levee was dry
And them good old boys were drinkin' whiskey and rye
Singin' this'll be the day that I die
This'll be the day that I die
MAO

Desde que a Fiat anunciou a versão EL do Siena, com o objetivo de combater o então recém-chegado Prisma com motorização 1-litro, apostei que essa versão seria uma campeã de vendas. Fácil deduzir isso, já que com um preço sugerido de R$ 30.870,00, o carro oferece quase o mesmo pacote da versão ELX 1-litro mas custando R$ 3.700,00 a menos. A versão de entrada, Fire Flex, que usa carroceria da "geração" anterior, só deve atrair quem quer o menor preço possível, levando um carro sem opcionais e pobre em equipamentos de série. Se equipado com direção assistida, o preço do Fire Flex passa a R$ 29.846,00, apenas uns mil reais a menos que a versão aqui avaliada, que já conta com direção assistida como equipamento de série. O EL usa a carroceria atual (mas com faróis e grade do Palio 2008), e apesar do conjunto já revelar o peso dos anos, é belo se observado de certos ângulos e deve agradar mais que a versão anterior. E vem bem equipado para o segmento onde compete, oferecendo computador de bordo com várias funções, alerta de velocidade, direção assistida, espelhos de cortesia para motorista e passageiro, entre outros.

Optando pelo EL no lugar do ELX, você deixa de levar cintos de segurança laterais traseiros retráteis, comando interno de abertura de porta-malas e tampa do tanque de combustível, luz no porta-malas, faróis de neblina, porta-luvas superior e porta-óculos, rodas aro 14 com pneus série 65 e frisos cromados. Porém, adicionando o pacote que inclui ar-condicionado e vidros dianteiros com acionamento elétrico, que custa por volta de R$ 3.600,00 tanto no EL quanto no ELX, você ganha no EL os cintos traseiros com regulagem, o comando interno da mala e tanque e as rodas e pneus aro 14, diminuindo ainda mais a diferença de equipamentos. Ou seja, se você não faz questão dos frisos cromados (os laterais podem ser colocados na concessionária) e a "cara" mais nova, com faróis biparábola, vale a pena abrir mão do X e economizar mais de 3 mil reais.

O Siena já tem mais de 10 anos de mercado, as vendas da primeira versão foram baixas provavelmente por conta do design pouco atraente, mas a partir da segunda versão, a mais harmônica na minha avaliação, as vendas cresceram bastante e o sedã da linha Palio marcou seu espaço frente à concorrência. Teve diversas motorizações, 1 litro, 1,25 litro e 1,6 litro com versões de 8 e 16 válvulas, além de um 1,5-litro a álcool de vida curta, e hoje usa, além do Fire 1-litro, o 1,8 litro de origem GM e o Fire 1,4 litro, estes só com cabeçotes de 8 válvulas.

Recebeu diversas modificações na carroceria, mas ainda é basicamente o mesmo carro de 13 anos atrás, com todas as limitações do projeto original. Usa os tradicionais esquemas de suspensões McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira, que funcionam corretamente, apesar da calibragem um pouco mais macia do que considero ideal. Caixa de câmbio com comando por cabos, de engates fáceis e razoavelmente precisa, mas com marchas muito curtas. Poderia usar 3ª, 4ª e 5ª marchas com as mesmas relações do Uno, um pouco mais longas.


O espaço interno é um pouco acanhado por conta do entre-eixos curto para os padrões atuais. (2.373 mm) Com os bancos dianteiros a meio curso, dois adultos de estatura média viajam bem atrás, um terceiro ocupante vai provocar uma certa intimidade forçada. Se o motorista for mais alto, vai raspar a cabeça no teto, e com o banco todo recuado só se consegue algum conforto atrás para crianças. Bancos macios, acabamento correto (observei algumas rebarbas nos puxadores de portas) com tecidos de bom gosto, apesar de mais escuros que o desejável. Quadro de instrumentos de fácil leitura, com velocímetro no meio, conta-giros à esquerda e de menor diâmetro, marcador analógico de temperatura e mostrador digital com marcador do tanque de combustível integrado à direita.

Como anda

Minha experiência anterior foi com um Siena Fire da primeira versão, com 55 cv. Em relação ao motor anterior, conhecido como Fiasa, o Fire se destacava pelo menor tamanho e peso, menor consumo e mais força em baixas rotações. Em carros com relação peso-potência menos favorável, qualquer forcinha a mais em baixa é bem vinda, mas no caso da primeira série do Fire o preço que se pagava era de um motor sem brilho em alta, que parecia sem vontade de subir de rotações a partir de 3.000 rpm. O atual conserva boa desenvoltura em baixa, ajudado pelo acelerador by wire que me pareceu dar uma ajuda, comandando mais abertura de borboleta do que nosso pé, e gosta de girar, entregando números de potência bem interessantes para um propulsor de apenas 1 litro. São 75 cv a 6.250 rpm e 9,9 m.kgf a 4.000 rpm (usando álcool), valor de potência de um carro 1,6-litro da década de 80.

Entendo que o comprador de um pacato sedã familiar não precisa de um automóvel que seja superlativo em comportamento dinâmico, já que o uso geral da grande maioria será predominantemente urbano e a baixas velocidades. De qualquer modo, subi e desci uma estradinha de serra que tem aqui perto de casa, com sequências de curvas alternando o lado e que permite velocidades um pouco mais altas, para sentir o comportamento do sedãzinho.


Subindo, senti que, como todo motor de baixa cilindrada, o ar-condicionado atrapalha sensivelmente o desempenho. Terceira marcha engatada, ele sofria para subir de giro e ganhar velocidade. Bastou o compressor desarmar que a coisa mudou de figura, foi subindo de rotações com certa galhardia, em se tratando de um motor de 1 litro em um carro de 1 tonelada. Deu para engatar a quarta e ir subindo a serrinha a 90 km/h. Em velocidades médias não vai pregar susto em ninguém, pois contorna bem as curvas. O motorista médio não deve ir além disso, mas precisa saber que em uma situação em que a velocidade diminua um pouco, uma redução de marcha se faz necessária para não deixar o motorzinho cair no vazio.
Na descida provoquei mais, entrei nas curvas bem mais rápido do que o normal e aí a calibragem macia começa a jogar contra. Não forcei tanto assim a ponto de fazer escândalo com os pneus, mas mesmo assim as mexidas de carroceria quando entrava nas curvas eram meio estranhas. Talvez falta de carga nos amortecedores. Se o carro falasse, seria ele avisando "olha, eu sou só um Siena 1000, você já está passando dos limites!". Freios mataram bem a velocidade, demonstrando potência de frenagem correta. Não tive oportunidade de forçar mais, a serra é curta, mas acredito que não entrem em fading (redução da ação por superaquecimento) com facilidade.
A concorrência
Acredito piamente que a maioria das pessoas não leve muito em conta o que leem por aí ou o que o parente que entende e gosta de automóveis diz quando arguído sobre qual carro comprar. Muito menos se o carro Y anda mais ou faz curvas melhor que o Z. Frente ao mercado, acho que o Siena está ficando para trás, pois temos modelos mais atualizados e que oferecem mais pelo mesmo dinheiro. O Logan é o melhor exemplo, apesar do design pouco inspirado. Mas o Siena é um carro que atende as necessidades da grande maioria, e entrega um pacote honesto, com desempenho bem aceitável, baixo consumo, bom acabamento e visual ainda atraente. E as vendas do modelo confirmam isso.
O que me atraiu nele: Respostas do motor Fire 1-litro, preço e equipamentos oferecidos quando equipado com o kit Celebration 3, design, baixo nível de ruído, maciez de comandos.

O que me incomodou nele: Espaço interno reduzido, falta de regulagem de altura do banco do motorista, rotação muito alta quando em rodovias a 110/120 km/h constantes.

Veredicto: Se você não mede mais do que 1,80 m, precisa de um porta-malas grande, vai usar o carro predominantemente em perímetro urbano e aprecia suavidade, o Siena EL é uma escolha acertada.




Semana passada meu pai ligou:
- Estou limpando a casa aqui. Encontrei um bloco B18 (Volvo PV 544). É seu? Posso jogar fora?
Eu lembrei daquele bloco, e do carro também.
Eu tinha 13 anos e um amigo do meu pai tinha um Volvo 544 de 1962. Cheio de corrosão. Andava, mas era para jogar no lixo. Posso comprar? -- perguntei. E o meu pai disse que sim! Colocamos o carro no jardim e eu brinquei um pouco com ele.
Depois de um tempo comecei a desmontar o carro, totalmente. Não lembro por que, mas acho que sonhei fazer algo com ele. O carro estava podre mesmo.
Na verdade nada foi feito, mas desmontar um carro inteiro foi uma boa escola para aprender como um carro é feito e como funciona, e às vezes meu pai me mostrava como e por que funcionava isso e aquilo.
Agora, uns 30 anos depois, ele encontrou o bloco do motor, e eu pensei: dá para fazer algo com um bloco velh? Ah, o barquinho que fica no lago, seria bom ter um peso maior na boia onde o barco fica preso.
Aqui na Suécia é normal prender os barcos a uma boia, presa ao fundo do lago com algo pesado. Agora tem gelo no lago. Será que dá para entrar no lago, de carro, com o bloco no porta-malas? Então é só fazer um buraco no gelo e o bloco está no lugar certo, bem fácil.
Mas, pode ser que o bloco pode sujar a água no lago? Meu pai fisse que o bloco estava totalmente nu, sem cárter, e seco, não poderia ter problema.
Eu já sabia que tinha mais de 20 centímetros de espessura de gelo no lago, e isso significa que dá para andar de carro por cima.
Só que havia nevado bastante, e fica meio dificil conduzir com uns 15 ou 20 centimetros de neve por cima do gelo. Mas eu consegui entrar no lago, e com boa velocidade, cheguei no ponto certo sem ficar parado.
Começamos a fazer um buracão com barras de ferro duro, deu bastante trabalho furar o gelo.
Mas, logo depois chegaram uns pescadores com uma broca para gelo, grande.
- Oi ! Podemos pegar a broca emprestada?
- Sim, sim, sem problema.
Os pescadores nos ajudaram, achando legal furar o gelo para um motor velho.
Tudo ficou muito mas fácil do que usando as barras de ferro. Dali a pouco o gelo se quebrou e o bloco afundou como o Titanic.
Espero que o bloco descanse em paz.
HJ

Foto estadao.com.br
Acabou de dar no "Jornal Hoje", da TV Globo, duas matérias sobre assuntos de trânsito. Um, acidente com vítima, passageiro foi atirado para fora do carro que capotara, com imagem de uma câmera de segurança.  Os âncoras Evaristo Costa e Sandra Annenberg só falaram no motorista bêbado, sem se darem conta de que o infeliz só morreu por estar solto dentro do carro.
O bêbado nesse caso significava alcoolemia, medida pelo etilômetro, de 0,7 ml por litro de ar expelido. Sabem o que isso significa? Que pelo Código de Trânsito Brasileiro, antes dessa idiota "lei seca", o sujeito estava com 133,3% mais de álcool na bufunfa que o limite de 0,3 ml/L.
Em outra reportagem na sequência, um cara no Paraná ziguezagueva adoidado na pista e, parado pela polícia, estava com 1 ml/L, ou seja, 233,3% mais que os 0,3 ml/L do Código.
Como eu venho dizendo, a lei apenas coincidiu com o início de uma fiscalização jamais exercida. Bastaria que existisse desde 22 de janeiro de 1998, dia em que o novo código entrou em vigor, e possivelmente dezenas de milhares de vidas teriam sido salvas.
E, de novo: até 0,3 ml/L de ar alveolar todos podem dirigir com segurança. Na Alemanha, onde se pode andar a 300 km/h numa Autobahn, o limite é marginalmente inferior, 0,25 ml/L. Nos Estados Unidos e Canadá o limite é ainda mais alto, 0,4 ml/L.
Quem diz que a lei seca salvou vidas não sabe o que está dizendo. Portanto, é burro.
BS

(Atualizado em 8/2/10 às 16h50)


Este é o slogan do preparador em questão e, realmente, eles têm razão. Foi-se o tempo em que carro preparado era duro, desconfortável e impraticável para uso em vias públicas por não ter motor liso, geralmente com marcha-lenta muito ruim e inconstante.
Com o advento de uma coisinha chamada injeção eletrônica e precisão de componentes mecânicos, além de muito capricho, é possível rodar com carros realmente preparados. E por preparados não digo 250 cv ou até, não muito tempo atrás, assustadores 450 cv.
A preparadora americana Nelson Racing Engines vende motores completos e faz projetos especiais de carros com muitos, mas muitos cavalos de potência. O mais impressionante é como podem ser dirigidos tranquilamente por vias públicas, sem dores de cabeça.
E estamos falando de mais de 1.000 cv à disposição do pé direito. A especialidade da Nelson Racing são motores V-8 superalimentados, especialmente os dotados de dois turbocompressores.

Ótimos exemplos de carros muito bem-feitos e realmente potentes são um Camaro branco com 1.750 hp (1.774 cv) de rua, utilizando um motor 427-pol³ biturbo; um Pontiac 1963 de 2.000 hp (2.028 cv) com motor de 522 pol³ também biturbo; e outro Camaro (1969) também com 2.000 hp biturbo.

Os carros rodam tranquilamente, sem problemas de marcha-lenta ou motor irregular. Muito disso é consequência da proposta dos motores de grande cilindrada com turbocompressores, em que o comando bravo e as grandes turbinas não afetam muito o comportamento em baixas rotações, por conta do elevado torque natural do motor. Isso, aliado ao câmbio automático com conversor de torque, faz dos carros da Nelson Racing ótimos carros preparados para uso urbano.

A faixa de preço para a compra de um motor deste tipo varia de US$ 25.000,00 a US$ 60.000,00, dependendo do modelo, com opções de motores Ford, Chevy e Chrysler, aspirados carburados, aspirados injetados, turbocomprimidos e comprimidos.



Saiba mais:
Quatro dos AUTOentusiastas andaram no novo Fiat 500. O post ficou muito longo, mas traz abordagens diferentes sobre um mesmo carro com conclusões muito parecidas. E fotos do PK.

O Bob Sharp fez uma análise mais completa e aprovou o 500. O Carlos Zilveti sorriu e despertou vários sorrisos por onde passava. O Paulo Keller fez um novo amigo. E o Felipe Bitu encontrou na emoção a razão para ter um 500.

Brinquedinho!


BRINQUEDO DE GENTE GRANDE QUE SERVE PARA TUDO
Bob Sharp

O VW New Beetle é interessante, mas falta-lhe alguma coisa, fora o fato da estranha e abissal distância entre cabeça dos ocupantes dos bancos dianteiros e para-brisa e quem vai atrás ficar com a cabeça a descoberto do sol. O Mini de longe lembra o original de 1959, mas ficou meio rebuscado, em minha opinião. Exageraram na dose, embora tenha o mérito de ter mantido o motor dianteiro, como o primeiro.

Já o Fiat 500 foi tiro na mosca, cumpriu a missão. Manteve todo o jeito da nuova 500 de 1957. Era nuova porque houve o primeiro 500, de 1936, que voltou a ser fabricado após a Segunda Guerra Mundial, ficando em produção até 1955. Este tinha motor dianteiro, de modo que pelo menos nisso o atual 500 não ficou tão distante do original quanto o New Beetle. A boca de entrada de ar é pequena e revela bom estudo da refrigeração.

A nuova 500 dos anos 50 tinha motor traseiro bicilíndrico refrigerado a ar de 479 cm³ e 13 cv, mas acabou recebendo mais tarde um 4-em-linha de 594 cm³ e 23 cv. Foi produzido até 1975.

O mestre Mahar acabou de nos enviar algumas fotos da reunião do Veteran Car Club de Alphaville e essa foto do Cutlass azul me fez recordar uma dúvida nunca esclarecida: os Opalas utililizavam a mesma roda de aço estampado dos Oldsmobiles?

Com a palavra os especialistas!

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