google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)
Em 17 de agosto último, fiz um post, levantando a questão do preço do recém-lançado Honda City. Não que eu goste de remar contra a maré, afinal as publicações especializadas e 'não-especializadas', sites de automóveis, mais inúmeras postagens foram unânimes em comentar seu preço desalinhado na categoria, enfim uma pretensão da Honda. Tampouco tinha a intenção de falar 'tá vendo?', afinal se há alguém certo nessa história esse alguém, ou 'alguens', é quem apostou(apostaram) nisso pela Honda, mesmo assim, o mercado é dinâmico e nada diz que o que deu certo no primeiro mês seguirá dando para sempre... Ou que futuramente eles não venham a fazer ajustes para baixo do preço, para atingirem novos objetivos ou patamares de volumes...

Enquanto pensava a respeito da controvérsia e em alguns comentários do post, esperei o carro fechar um mês completo de vendas, que ocorreu em setembro último e notei que ele figura em terceiro no ranking dos sedans mais vendidos, atrás apenas do Corolla e Civic. Faz todo o sentido em as pessoas quererem comparar o valor pedido por um produto com o valor que elas dão a ele e é aí que os convido a entrar.

Na comparação de valores, é que comecei a me achar. Primeiro, desligar de todas as opiniões que desvalorizam ou desqualificam aqueles que emitem percepções diferentes. Essa postura não leva a absolutamente nada, nenhuma conclusão valiosa e tampouco ajuda a compreender os fatos, ambiente, nem se situar a eles. Sou engenheiro e essa formação me deu a mania de colocar certa lógica em quase tudo o que avalio.



Pois bem, qual a lógica de todos os que acharam o City muito acima do preço que vale? Estimo seja a de combinar produto e preço e compará-lo com seus competidores sob mesma ótica. Aí vemos motor 1,5L versus 1,8L, 2,0L, 115 cv versus 120, 130, 140 cv, espaço interno, ele versus seu irmão maior, enfim em todos esses quesitos, o City não justificava a pedida. Todos eles são produto, nada mais. Antes que comece a levar tomatadas, também concordo que quanto a produto somente, seu valor esteja acima, mas é exatamente o quesito que nos congelamos e paramos de olhar o resto, ou demos o maior peso em nossas avaliações. Típicas de entusiastas, como quase todos que acessam este blog.

E se nos colocarmos do outro lado? De quem compra? Procurar entendê-los? Veremos que há inúmeros fatores, chamados pelos ‘marketeiros’, como valores subjetivos de marca, que os compradores ponderaram, deram seu peso e essas ponderações os ajudaram a decidir em favor do sedan compacto da Honda.

Nós temos a inclinação a avaliar as coisas e fatos, sob a nossa ótica preferencial, em geral a que mais dominamos, ou produto e preço. É natural. Pior, não somente nós, como também muitos profissionais da indústria automotiva, assim como aqueles que lideram suas empresas, seus departamentos de engenharia, de marketing, de planejamento de produto. Aí pode estar um enorme equívoco, do qual falaremos mais adiante.


Quando o peso da marca fica maior do que o produto em si...

Nos valores subjetivos de marca, podemos listar inúmeros, como qualidade visual, táctil, índices de defeitos prematuros e não-prematuros na experiência das pessoas com suas marcas e o que elas ouvem a respeito da Honda e Toyota, mesmo sem nunca haver tido um, longevidade, oficina, custo de manutenção, de peças e sua durabilidade. Outro valor que muitos odeiam reconhecer, mas existe é quando determinada marca torna-se vedete, muitos passando a desejá-la, seja por que há um chamariz, como o novo CR-V, seja por que caiu no gosto da classe média-alta. Esse valor é volátil, já houve com vários Chevrolet num passado não tão distante, Diplomata, Monza Classic, Vectra B e hoje Toyota e Honda é que estão nas graças desse pessoal. Só que... eu não diria tão volátil assim, esses dois fabricantes trabalharam para atingir esse status, não chegaram até ele de graça e aquilo que fizeram para escalá-lo, ainda seguem fazendo.

A preocupação com o consumidor numa loja ou oficina da Toyota, ou da Honda é diferenciada sobre o resto. Gostem ou não, admitam ou não. Exceções? Claro, como em tudo, mas é regra geral e poucos ousariam contestar alegando que a rede FIAT, VW, Chevrolet, Ford, Renault, Peugeot, Citröen, etc. tem os mesmos ou melhores cuidados com os clientes, seja no antes, durante ou pós-venda.

Outro fator, que em certas classes de veículo ganha muita relevância, é o relacionamento da marca com os proprietários de seus veículos ou os 'prospects' (clientes potenciais). Nos trabalhos de marketing entram criar experiências positivas com essas pessoas, sejam promovendo eventos de relacionamento (aliás foi o post do MM que me inspirou a escrever isto), estando presente nos eventos importantes. Mas, voltemos às marcas mais comuns, onde essa experiência no relacionamento não tem condições de haver, por tratar-se de massa, massa de compradores e estas experiências são mais comuns ou típicas em produtos de nicho.



Quando o peso da marca fica maior do que o produto em si...

Voltemos ao equívoco. Vendas e mercado sejam automóveis, motos, eletrodomésticos, ou outros bens materiais, fazem parte de um grande jogo. Há os que ganham e os que perdem (mercado, participação, vendas, $$). Empenhar centenas de milhões de reais em projetos e o risco de todo esse dinheiro não retornar, buscarem atingir certa liderança de produto, fazê-lo melhor que seus concorrentes diretos, é uma prática tão antiga quanto a indústria. Quem participou de times de engenharia, desenvolvimento, planejamento, marketing, sabe muito bem jogar na questão produto. Daí que vemos, do lado de cá, vários lançamentos que superam, como produto, os líderes de mercado. Mas, como falado da ótica preferencial, não seria que os fabricantes que buscam reverter liderança perdida, rejeição por sua marca ou preferência pela de seus concorrentes, deveriam investir justamente também na compreensão dos fatores que estão levando seus clientes a optar por concorrentes? Não somente na compreensão, mas agir disciplinadamente e com articulação entre suas áreas, para atingir os mesmos valores subjetivos dos produtos dos líderes ou até superá-los? E esse investimento não é necessariamente em vultuosas somas de capital, ativos e despesas, tampouco a fundo perdido.

Um problema que vejo é que essa busca exige persistência, anos de dedicação e na indústria, o revezamento de posições de profissionais, executivos e não executivos é mais dinâmico do que gostaríamos, a ponto de impedir ou limitar esses trabalhos de médio e longo prazos. E os declínios são longos, atravessando várias gerações de trabalhadores, mas poucos tem sucesso em imprimir um trabalho ou sequência de ações que durem vários anos, isso tem a ver com cultura da empresa. Num mundo de 'curto-prazismos' falar em longo termo é quase palavrão.

Por fim, adicionei aqui um vídeo, de uma propaganda de lavadora de roupas. Nada ver com carro, é tão ou mais commodity que eles, exceto que essa mensagem mexe com sonhos e anseios, na busca de sair do comum. Outro fator de marca que eu não falei e nem preciso...

CZ




Este é um de meus carros preferidos, desde que vi a primeira foto publicada. O BMW Z3 coupe, em sua versâo M, conhecido por M Coupe.

Lembro de um Salão do Automóvel de São Paulo, não me recordo em qual ano, quando um exemplar foi exposto.

Pude apreciá-lo bastante e tranquilamente, pois ninguém olhava para ele, nem mesmo chegavam perto. É de carro assim que eu gosto!

JJ

Em época de GP do Brasil de F-1, não custa lembrar da vitória do Emerson em 1973, com o Lotus 72 preto JPS. e Chapman literalmente tirando o chapéu na bandeirada.




Emerson venceu, com Jackie Stewart em 2° e Denny Hulme em 3°. Ainda teve o Luizinho Pereira Bueno em 12°, enquanto que Pace e Wilsinho não terminaram a prova.

Eu acredito que quase todo mundo aqui goste de muscle cars. Carros pesados, com muito motor, pouco freio, direção sem comunicação e suspensões precárias. Mas existe o entusiasta que é avesso a eles. Tenho um amigo em Belo Horizonte que faz parte desse time e vive me dizendo "Bitu, quem gosta de bigorna é ferreiro..."

Apesar do peso elevado, é possível melhorar o comportamento dinâmico destes carros: pneus diagonais dão lugar a modernos radiais, freios maiores e mais potentes, direções assistidas com atuação progressiva, entre outras coisas. Hoje em dia é possível até mesmo eliminar uma das principais características dos muscle cars: o eixo rígido traseiro.

O eixo rígido tem inúmeras vantagens: é simples, barato, pede pouca (ou nenhuma) manutenção e é muito robusto. Mas é pesado e ineficiente em pisos irregulares: que atire a primeira pedra quem nunca passou por uma situação assustadora a bordo de um Opala, Dodge ou Maverick, ao pegar uma ondulação no meio de uma curva ou mesmo em frenagens fortes. É de arrepiar...

Felizmente a adaptação da suspensão traseira independente nestes carros está se tornando cada vez mais comum. Não que o sistema seja melhor do que o eixo rígido em 100% dos casos, mas pelo menos agora existe uma opção, mais do que bem-vinda. E isso enche os olhos de qualquer entusiasta que se amarre em técnica, seja fã de muscle-cars ou não.

Fotos: Hot Rod magazine


FB

Este último Sábado fui visitar o Cleber, da Americar Veículos, lá em Santo André, SP, e me lembrei de quando o conheci, vários anos atrás, quando ele ainda estava começando a sua fabricação de réplicas do Ford Cobra.

Era fabricação de fundo de quintal, mas já dava pra sentir que a garra do Cleber era grande, que seu trabalho era bom e que a coisa iria pra frente.

E foi. Hoje, além dos Cobra, em sua nova e ampla fábrica ele produz uma belíssima réplica do Jaguar XK 120, também a réplica do Ford GT40 e em breve estará lançando a do Chevrolet cupê 1932. Sua fábrica está bastante ativa, com muita gente trabalhando firme e animada construindo carros cada vez melhores, mais bem acabados tanto estética quanto mecanicamente, e a clientela crescendo.

E agora, ali ao lado da fábrica, na Avenida Firestone 1.300, ele abriu um show-room, chamado Auto Garage, onde, além de servir de mostra, ali eles executam alguns serviços mais simples nos carros dos clientes, trabalhos que não exigem o ferramental da fábrica.

Fiquei muito contente com o merecido progresso do amigo e também por ele provar que trabalhando firme e direito ainda se pode viver de produzir esportivos de verdade aqui no Brasil.

Na Auto Garage, três carros chamaram mais a minha atenção: um XK 120 branco, que estava com vários acessórios idênticos aos originais do Jaguar, pois seu dono os trouxe da Inglaterra, como faróis de longo alcance Lucas, para-choques, retrovisores, tampa do bocal do tanque de gasolina, puxadores em tiras de couro para abrir as portas e um painel bem semelhante aos Smiths originais. Esse carro está de muito bom-gosto, muito chic, e sua motorização de Omega 4.1 lhe garante bom desempenho.

Outro XK lindo é um preto, muito elegante.
Ainda não concordo que um roadster tenha faixas bancas nos pneus, mesmo que sejam fininhas feito bigode de conquistador antigo, pois pra mim faixa branca é pra Cadillac ou outro carro de tiozão, e não para um roadster, que supõe-se que seja carro para esporte. Mas os donos quiseram assim, que seja, vai assim.

Outro belo carro é um Cobra azul com faixas brancas, a cor “oficial” dos Cobra. O bacana, além da pintura, é o opcional de capota rígida, que ficou bem no estilo original. Talvez esse carro esteja com sapatos maiores que os pés, pois não vejo necessidade de tamanhos pneus. Mas se o dono quis assim, que seja.

Na fábrica vi mais três GT40 sendo terminados, dois vermelhos com faixa branca e um preto com faixa cinza. Não sei qual desses é o mais bonito, ou se o mais lindo é o azul com faixas amarelas da Gulf, que já tive o prazer de guiar bastante, na estrada, na pista da Goodyear, em Interlagos e subindo o Pico do Jaraguá na prova do Auto Union DKW Club. Os GT40 me deixam meio tonto de tanto que os admiro. Esses novos terão todos motores com mais de 400 cv, sendo que um deles terá 550 cv. O azul da Gulf, o number one, tem 340 cv – motor Ford de 5 litros – e já anda muito, daí que aguardo ansioso que esses fiquem prontos pra eu dar uma guiadinha neles. Alguns deles usarão injeção disfarçada de carburadores Weber, uma novidade gringa.

Boa sorte, Cleber. Continue com ela e trabalhando forte e feliz. E abraços ao Rex, o teu cachorro viralatas que está sempre circulando por aí, checando se todo mundo, inclusive você, está trabalhando direito. Na sua primeira pequena fábrica de fundo de quintal ele já fazia o mesmo, o que me leva a pensar se não é ele o verdadeiro manda-chuva aí...
Desculpem por um post tão sem sentido. Mas sinceramente eu não consegui dar um sentido para o e-mail que acabei de receber. Além do mais hoje já tivemos outros posts muito bons e então não percam muito tempo com esse. Só não queria deixar passar esse momento de certa perplexidade.

Já faz algum tempo que me cadastrei no site da Ferrari na expectativa de receber um newsletter com informações sobre os produtos da Ferrari - dos carros. Meio óbvio. Mas só tenho recebido e-mails com promoções de produtos da grife Ferrari como relógios, jaquetas, bonés etc. Que frustração! Não recebi absolutamente nada a respeito do 458 ou de qualquer outro carro, ou mesmo da F-1.

Mas hoje, agorinha, chegou um e-mail que superou (frustrou) qualquer expectativa. A Ferrari está vendendo pranchas de surf!

Agora estou entendendo a indignação do Juvenal Jorge com a Ferrari.

Só falta eu receber outro e-mail com uma bola de futebol da grife!



Foram dois dias inesquecíveis. Imagine pegar um 911 Carrera 4S na Porsche em Stuttgart e sair pelas autobahnen e pelas estradinhas secundárias da região do rio Mosel. Isso com mordomias como guia, ótimos restaurantes e hotéis já pré-escolhidos e contratados.

Isso é o que oferece a Porsche no seu site, através do Porsche Travel Club. A viagem é toda bem pensada, todos os mimos esperados estão presentes, como mala de viagem, bonés, crachás, gasolina, até garrafinhas de água mineral nos aguardavam no 911.


Tínhamos que chegar até 9:11am (muito engraçadinhos esses alemães), mas o grupo só partiu às 10:00, depois de um café da manhã de recepção e um briefing básico. O esquema era andar por pouco mais de 1 hora, parar pra necessidades eventuais e troca de pilotos, mais 1 hora e almoço. À tarde o mesmo se repetia.

Eram 2 grupos de 5, nos encontrávamos nos almoços e hotéis, mas seguíamos em 2 comboios. Configuração boa, sem esperas por algum atrasado por sinais fechados ou mesmo se perdendo por falta de contato visual. Como o guia fica passando instruções de tráfego à frente (quando ultrapassa alguém em estradinha de mão dupla), um grupo grande não teria agilidade para andar junto. Os grupos foram divididos meio ao acaso, aparentemente por faixa etária. Ficaram 3 casais (2 de alemães e 1 de americanos do Alaska) mais uma dupla de amigos alemães em um grupo e o nosso era composto por nós, 1 casal canadense e 4 amigos (colegas de trabalho) russos.


Pediam pra trazer só malas pequenas e moles, afinal é um carro esportivo sem muito espaço pra bagagem. Fomos com uma mala dessas permitidas como bagagem de mão em aviões e ela entrou perfeitamente no porta-malas dianteiro. Coube outra mochila grande em cima. O guia chegou a me perguntar se eu tinha um 911! Quem me dera...


Para nossa sorte, o carro que recebemos era o mais legal de todos: Targa. Enorme teto de vidro com a cortina interna recolhível, sensação de conversível sem perder rigidez e aumentar peso. Pros dias de chuva que pegamos, foi perfeito! E era o único com interior claro. Ah, todos eram Carrera 4 ou Carrera 4S com câmbio PDK de 7 marchas. Claro, pensando na segurança dos turistas (eles não sabem quem pode aparecer pra esses tours). 2 setups de esportividade: Sport e Sport Plus. Toque na tecla e o carro abaixa alguns centímetros, os comandos ficam mais duros, desce uma marcha e aumenta a faixa de giro de troca de marcha. O Plus, como explicou o guia de forma germânica, é... "plus". Tudo mais um pouco. Ele já avisa que a coluna sofre, 10 min de Sport pra ele já era demais. Vamos ver...

Tem ainda uma tela enorme GPS/multifunção no meio do painel (tem até informação do tráfego), walkie talkie em todos os carros para comunicação e estamos prontos! Comboio de 5 carros, o guia em uma enorme Cayenne S e os 911 seguindo atrás. Ah, aviso do guia: se desligar o controle eletrônico de tração/estabilidade e acontecer um acidente, eles tem como saber e o seguro não cobre!

Engraçada a maneira germânica de descrever o 911. "Eles tem uma mínima máxima de 290 km/h" (sinceramente não lembro o número exato que ele falou, se era pra 4 ou 4S). Mas esse papo de "mínima velocidade máxima que o fabricante garante" é muito alemão.


Logo que explicaram o básico dos carros a chuva apertou e foi a deixa pra largada. Todos nos carros ajustando controles, espelhos, bancos etc. Partimos direto pela autobahn para o noroeste. Com a chuva e o pouco tempo no carro, não foi exatamente uma experiência das melhores. Eu tinha checado os pneus e vi que não eram novos (o carro tinha 12.000 km). São largos e o guia não economizava na velocidade. Pra quem não sabe, quando chove, as autobahnen passam a ter limite de velocidade (130 km/h), indicado em luminosos ou nas placas. Pegamos trechos sem chuva, deu pra passar de 200 km/h fácil, brincar com o câmbio, GPS, ficar mais à vontade. Mas também deu pra ver que o carro não é à prova de aquaplanagem com aqueles pneus largos, estrada de concreto e chuva média. Nada que assuste, basta continuar tranquilo que a eletrônica e a tração nas 4 resolve tudo sem sustos. Muitas vezes o piso troca de asfalto pra concreto em uma ponte, em curva. Fiquei imaginando os riscos no rigoroso inverno alemão.

Minutos depois saímos da autoestrada pra começar a diversão. O câmbio, no modo manual, não deixa você fazer besteira (como acelerar e comandar troca pra baixo, não pra cima), mas não troca se você não mandar, fica rateando no corte de giros. Também não dá pra brincar de economia com ele, se você coloca em 7ª no modo manual e pisa fundo, ele baixa pra 3ª ou 4ª (mas depois é com você). Dava pra brincar com o câmbio "manual" ou apenas usar os setups de Sport ou Sport Plus. Como ainda chovia e que queria brincar no piso molhado, usei o câmbio em manual pra garantir que ele não trocaria no momento errado. Dá pra brincar bastante, o carro escapa de forma controlável (traseira primeiro) e depois nem precisa corrigir muito que a dianteira realinha. Maravilhas do 4x4. Não creio que os anjos da guarda eletrônicos tiveram que fazer algo. Nenhuma luz acendeu e não cheguei a abusar tanto assim, eu acho... Mas, QUE CARRO! Tudo o que me diziam e algo mais. O banco é menor e mais duro que o do Si (minha referência de uso diário), mas veste perfeitamente. O volante não é pequeno como o do Si, as borboletas são uma linda peça de alumínio que desliza pra frente e pra trás dentro do volante, não é destacado como em Ferraris (o volante no nosso carro, tinha detalhes de fibra de carbono). A alavanca de câmbio abusa do alumínio e é uma peça muito bonita (como nas borboletas, pra frente sobe marchas, pra trás, reduz). O clássico painel de 5 mostradores circulares com conta-giros ao centro é perfeito! Comportamento dinâmico totalmente previsível e o som... bom, eu nunca fui fã do boxer 6, preferia um bom V-8. Mas entre 2.000 e 3.000 rpm (início da brincadeira) e bem lá no alto, pelos 6.000 rpm, são acordes que não sairão tão cedo da minha mente. Claro, brinquei desnecessariamente com o câmbio pra ouvir a sinfonia de novo inúmeras vezes! E como é rápido esse câmbio com dupla embreagem! Tem que andar pra sentir, parece realmente que tem décadas de evolução germânica aplicada no produto. E é um carro totalmente usável no dia-a-dia, caso morasse naquele país.


Bom, voltando ao roteiro, nas cidades o respeito aos 50 km/h ou 30km/h (perto de escolas) é inegociável, mas nas estradinhas vale o bom senso, posso dizer que não andamos devagar. O guia indo à frente verificava se tudo estava livre pra diversão dos turistas que vinham atrás. Éramos o carro 1, o seguíamos à distância segura de uns 4/5 carros, mas sempre próximo. O comboio, mesmo na Alemanha, chama a atenção de quem vê passar. 2 Porsches juntos já chama os sorrisos, 5 merece fotos! Mas sempre tem um caboclo que não gosta que 5 carros passem meio rápidos por ele e reclama quando nos encontra no posto de gasolina mais à frente. Fora isso, não tivemos nenhum incidente nem acidente.


Entramos brevemente na França pro almoço. Os alemães sabem que não fazem perfumes nem comida como os franceses e almoçamos em um simpático restaurante na Alsácia. Bebidas alcoólicas obviamente proibidas no almoço pra quem quiser dirigir à tarde. Como os grupos se juntaram, são 10 Porsches estacionados. Quer dizer, 12, dois Cayman que não eram do grupo já estavam lá.

À tarde retornamos por estradinhas divertidas e temos a primeira mulher ao volante. A canadense, que seguia como carro nº 2, atende os insistentes pedidos do marido pra conduzir o 911. Os russos, que claramente estão ali pra farrear, não resistem a ultrapassá-la em alguns pontos onde está cautelosa demais. Não é proibido, só não pode ultrapassar o guia. Esses russos foram um capítulo à parte na viagem. Sempre que o guia perguntava como estávamos de combustível, era sempre 1/2 tanque pros casais e 1/4 pros amigos russos. O guia lembrou, pelo rádio, que os carros possuíam 7 marchas e que eles podiam desligar o setup Sport ou Sport Plus quando não havia motivo pra isso. Eles disseram que filmaram mais de 2 horas e tiraram 2.000 fotos. Como exemplo do exagero, TODOS os pratos eram documentados. Como eles diziam, ou estavam fotografando ou filmando. A máquina não parava nunca. Fotografaram até o momento (raro) em que usaram a 7ª marcha. Pelo que me lembro, a 30 km/h já estava em 3ª marcha se estivesse em condução tranquila na cidade. Bom, cada um se diverte como quer e o tour permitia as duas formas de condução.

Logo após o almoço, o comboio chamou a atenção de policiais franceses e acabamos tento uma escolta indesejada por uns 10 km. Todos são avisados pelo rádio e ficamos ainda mais restritos aos limites (nem sempre é fácil andar a 30 km/h ou 50 km/h nesses carros). Chegando perto da fronteira da Alemanha, ele nos deixou.


Depois do quase fiasco da condução feminina, minha esposa estava até relutante. Precisava defender a honra das meninas. Assumi a posição de fotógrafo/cinegrafista e ela aproveitou a perna final do dia. O tempo melhorou um pouco, deu pra abrir o teto e fazer ótimas imagens enquanto ela abria o sorriso a cada acelerada e troca de marcha. O canadense veio depois cumprimentá-la pois não conseguiu manter o mesmo ritmo dela, que manteve nossa perseguição próxima do guia... Ela achou que o guia começou a ficar preocupado demais com os russos e segurou um pouco o ritmo, queria mais! As estradas estavam bem piores, às vezes não dava nem pra usar os setups mais esportivos de suspensão que pulava demais. É, tem estradas ruins na Europa, sim!


Bom, chegamos novamente com chuva leve no acolhedor hotel para o pernoite. Jantar formal, terno e gravata! Tive que levar um só pra isso, achei alemão demais, mas... Pelo menos a comida valeu. Champagne e petiscos pra começar, o jantar teve uns 5 pratos diferentes, alguns combinando peixe e linguiça (?!) e um vinho diferente pra cada prato. Bom, muito bom mesmo! Tirando um ou outro russo que não respeitou o pedido de formalismo, o toque estranho foi o do americano do Alaska (do outro comboio). Terno, gravata e a mesma bota de caminhada que estava durante o dia (tipo essas Timberland). Vai entender... Bom, gastamos bastante inglês pra falar bem do nosso amado país, da Copa e das Olimpíadas que vem por aí, convidando a todos pra uma visita. Muito papo de carro e Fórmula 1 (e Ayrton Senna, claro) também.


No dia seguinte nos dirigimos ao vale do rio Mosel, que dava nome ao Tour. Lugar muito bonito com as culturas de uvas emoldurando o rio, mas estradas entediantes. Muito retas, sem graça e algum transito de domingueiros (outra praga mundial, pelo que concluímos nos papos). Acabou logo e voltamos ao interior com estradas divertidas. Tudo aquilo que vocês leram acima aconteceu de novo (oba!) e nos dirigimos ao castelo onde estava o restaurante onde almoçamos. É do cozinheiro mais famoso da Alemanha. Não necessariamente o melhor, é o mais famoso porque tem um programa na TV, mil produtos com seu nome etc. Pelo menos ele merece a fama. Apesar de alemão (palavras dos guias alemães), ele cozinha fantasticamente. De fato, um almoço inesquecível.

Nova rodada de autobahnen e marquei meu recorde pessoal de 247 km/h. Não curto muito velocidade final, mas impressiona como é fácil manter velocidades altas (180 km/h+) e como todos respeitam passando apenas pela esquerda e logo voltando para a direita. Uma autobahn é algo realmente alemão, as estradas são boas, claro, sem cruzamentos de nível ou curvas fechadas, mas normalmente são apenas 2 faixas. O comportamento do povo alemão é que permite que elas existam e sejam como são.


No caminho de volta, como era esperado, os russos estavam com pouco combustível. Paramos no posto em frente a Hockenheim pra abastecer. O autódromo tem uma linda arquitetura, visível a partir da estrada. (Na hora lembrei de Jacarepaguá, palco do meu primeiro track-day. Dá desgosto só de imaginar o que pode virar). O guia me disse que tem alguns programas do Porsche Driving Experience nesse autódromo e outros no safety center de Nürburgring. Eu tinha visto no site e fiquei com mais vontade ainda. Até treinamento offroad e de condução na neve/gelo eles tem. Eles sabem que fazem um hardware muito bom, mas sabem que o software, o condutor, tem que acompanhar. Todo fabricante sério de automóveis deveria ter esses programas. É muito mais que um test drive. Eu, particularmente, só me senti "em casa" com o carro depois de algumas horas, autobahnen e estradinhas secundárias, curvas de baixa, média e alta, com asfalto bom e ruim, usando a telona, o cruise control, computador de bordo, tudo!

E obviamente guardei ótimas memórias do carro. Se eu ganhar na loteria, mesmo podendo comprar algo mais caro, certamente visitarei primeiro a loja da Porsche. É marketing na melhor forma possível. Sinceramente não sei se Mercedes e BMW tem algo assim. Vou procurar saber...


Mas... o que é bom uma hora acaba. Devolvemos o carro com dor no coração. Ainda deu tempo de correr pro Porsche Museum e curtir um pouco do santuário que fizeram pra história da marca. Recomendo a todos. Não tivemos tempo pro Museu da Mercedes, nas redondezas, mas não cabia misturar tudo em uma viagem tão monomarca! Motivo pra voltar a Stuttgart!


Espero que tenham gostado do longo relato. É algo que pretendo repetir e recomendo a todos.

MM


Neste fim de semana, Gil de Ferran despediu-se da vida de piloto e correu pela última vez na sua carreira. Atual chefe e piloto de equipe da American Le Mans Series na categoria LMP1 com um Acura ARX-02a, Gil mostra que ainda está em alta.


Em homenagem ao seu primeiro empregador norte-americano, o famoso Jim Hall, Gil correu com o carro todo branco, que era a cor dos brilhantes Chaparral de Jim nos anos 60.


Gil fez seu nome na América pela Indycar nos anos 90, junto com outros brasileiros como André Ribeiro, Raul Boesel, Emerson Fittipaldi, Helinho Castroneves e Roberto 'Pupo' Moreno. Foi campeão da categoria em 2000 e 2001, e venceu a 500 Milhas de Indianápolis em 2003.

Na corrida deste fim de semana em Laguna Seca, Gil começou com o pé direito, conquistando a pole na qualificação, e terminou na melhor forma possível, vencendo a corrida de forma brilhante. Nada melhor poderia acontecer para ele, depois de tantos anos dedicados ao automobilismo.


Parabéns ao Gil, e obrigado por muitas vitórias para nós ao longo de todos esses anos.
Chevrolet Monte Carlo 1978, em uma exposição nos EUA, em 2007. Notem o bom-humor da placa colocada dentro do compartimento do motor.


Airbag, ABS, controle de estabilidade (ESP), brake-assist, cinto com pré-tensionador, airbag no cinto, GPS, limpador de pára-brisa automático, faróis que se acendem sozinhos, telefones integrados ao carro, bancos de ajuste elétrico com memória, aviso de mudança de faixa de rolamento, televisão, video games, DVD, motores flexíveis em combustível, alguns até com GLP (gás liquefeito de petróleo) além de etanol e gasolina, amortecedores com fluxo de óleo controlado por efeito magnético, capôs que se movem para suavizar o impacto de um pedestre atropelado.

Tudo isso e muito mais é encontrado nos carros modernos, até mesmo em vários feitos aqui, no Terceiro Mundo emergente.
Estamos, já há alguns anos, emergindo mesmo, de uma lagoa de pobreza automotiva, para imergir em um mar de confusão de siglas, sistemas, montes de fios, conectores e sensores e computadores e rotinas de funcionamento e de diagnóstico e mais e mais chatices que pouco dizem respeito ao prazer e satisfação no ato simples de dirigir um carro.
Quando nos deparamos com carros mais velhos que apresentam problema em algum desses sistemas, a vontade pessoal que tenho é de dar com uma marreta na cabeça de quem os idealizou. E colocar o carro com defeito dentro da sala de estar dessa pessoa, como naquela piada realista e comunista do bode.
Claro que não foi uma pessoa. Foi um comitê. Um insensível comitê, daqueles que consideram o carro como meio de transporte, pensando-o apenas como um gerador de receita para a empresa, e não como uma máquina com alma, "criada por glória e graça do espírito humano", como dizia um professor que tive.
Esse tipo de criatividade não pode levar a nada mais do que a banalização do automóvel, um assunto já tão comentado em vários textos no AUTOentusiastas, quando dissemos que os carros estão sendo tratados como eletrodomésticos. E pior, utensílios como aqueles video-cassetes ou mais modernamente, DVDs, celulares, ou outros aparelhos com centenas de funções que nunca são usadas.
Digam a verdade: quem pode ser tão limitado a ponto de precisar de verdade de um limpador de para-brisas que ligue sozinho? Se é que existe, esse tipo de pessoa não deveria nem mesmo ter CNH, concordam?
Me preocupo seriamente com esse problema da vida moderna, cheia de utilidades mais ou menos úteis, penduradas em nossos carros, nossas casas e em nós mesmos. Poucos param para pensar nisso tudo, apenas apreciam a mais recente novidade, e caem de cabeça nela, esquecendo que o excepcional de hoje pode ser a dor-de-cabeça de amanhã. Nem pensam que esses sistemas maravilhosos e moderníssimos são mesmo incríveis quando novos, mas que serão apenas sucata assim que os defeitos começarem.
E defeitos acontecem de verdade, aos montes, como podemos ver nas seções de cartas e reclamações em jornais e revistas daqui do Brasil e de fora também. Carros de todos os tipos, modelos e preços têm problemas, e não são poucos, e nem pouco importantes.
Pouco adianta pensar que carro é para ser comprado novo, e mantido enquanto estiver no período de garantia. Depois do primeiro dono, uma nova vida começa, e se não houver manutenção decente, em breve uma máquina excepcional pode ser apenas mais um carro abandonado. E a história se perde, se esvai.
Na verdade, a maior parte dos seres humanos é infantil, ou pelo menos, se infantiliza ao ver uma invenção chamativa. Quer sempre um brinquedo novo, por mais que já tenha vários. Se desespera por uma novidade, principalmente se ela for acoplada a um carro.
A loucura toma conta da mente das pessoas, quando uma novidade é colocada na frente delas, propagandeando um lançamento como sendo tudo que todos sempre quiseram.
Pensem bem, será que precisamos mesmo de todas essas coisas bacanas dentro de automóveis ? Pode ser bonito e até ter utilidade, mas será que são mesmo indispensáveis e fundamentais para o uso e funcionamento correto de um carro?
Na minha opinião, de forma alguma.
Mais fundamentais são peças relativas ao sistema dinâmico dos carros.
O melhor amortecedor e pneu deveriam por regra serem mais prioritários que o melhor rádio ou tecido de banco. Mas claro, pneu é apenas um negócio de borracha, redondo e preto, e não devemos nem pensar nele, como apregoava a pouco inteligente propaganda de um fabricante de pneus, anos atrás. Assim, pode até mesmo vir do outro lado do mundo, e não ter reposição no mercado, quem se importa?
De fato, posso parecer pessimista com tudo isso, mas está difícil ver ações sendo pensadas a favor do futuro do automóvel, da longa vida dos carros, de um futuro em que não será necessário jogar a máquina no lixo quando ela parar de funcionar, como já se faz com a maioria dos aparelhos eletrônicos.
Mas parece que estou sozinho nessa.

JJ

Tem gente que acha que o Porsche 356 era como um Puma: um carro esporte feito em cima de uma mecânica VW pouco modificada. Na verdade, apesar do esquema mecânico quase idêntico, os Porsches eram todos fabricados na Porsche, com peças exclusivas. Sim, nasceram como uma evolução do VW (que afinal de contas era um projeto recente da empresa), mas eram diferentes.

Como podemos ver na foto acima, de um motor dos primeiros 356: o cabeçote tinha as válvulas das pontas acionadas por um balancim diferente, e a válvula é inclinada para o centro do cilindro em um plano diferente da outra. Totalmente diferente dos VW da época, que também não tinha dois carburadores como o Porsche. A potência era praticamente o dobro da de um VW contemporâneo.

O 356 eventualmente evoluiria para ganhar o motor abaixo, o glorioso "Carrera". Um motor onde tudo vinha em dupla: 2 comandos de válvula para cada um dos dois cabeçotes, dois distribuidores, duas velas por cilindro, dois carburadores de corpo duplo e, no caso do Carrera 2, dois litros e 130 cv.

O ventilador de arrefecimento deste motor era tão forte que dizia-se que o Carrera 2 vinha com sua nuvem de poeira particular.

MAO

Explosão nuclear: foi exatamente a sensação que tive ao assistir, pela televisão, a magnífica apresentação da cidade do Rio de Janeiro para os jurados dos 41 países que elegeriam a cidade-sede do Jogos Olímpicos de 2016. Num dado momento foi mostrada a gleba de terra onde fica o autódromo e foi como se uma bomba atômica tivesse detonado ali: o autódromo carioca simplesmente sumiu. Como dizem os entendidos, a bomba atômica elimina tudo o que está na superfície. O autódromo foi eliminado para, no seu lugar, ser erigida uma ...vila olímpica, prédios de apartamentos! Lamentável e vergonhoso. Especialmente para um carioca como eu.

É inaceitável que se acabe com um autódromo, qualquer que seja o pretexto. Denota ignorância, insensibilidade, boçalidade. Denota desrespeito total a quem pratica e a quem aprecia automobilismo. Denota desconhecimento de que o Rio de Janeiro tem um passado histórico glorioso em esportes a motor, entre o qual se destaca o Grande Prêmio Cidade do Rio de Janeiro a partir de 1933, no Circuito da Gávea, e que se estendeu até 1954.

Denota alienação para o fato de termos oito títulos de Fórmula 1, três de F-Indy e um de esporte-protótipo. Denota alienação para o fato de que piloto brasileiro virou griffe, como diz Bird Clemente, um grande piloto do passado.

Se a atividade lá vinha caindo, não há outro culpado senão os que dirigem (?) o nosso automobilismo nos últimos 15 ou 20 anos. Não tínhamos que pagar esse pato. Para os Jogos Panamericanos de 2007 irresponsáveis já haviam mutilado o autódromo, tirando-lhe parte de seu traçado. Agora foi o golpe de misericórdia.

Se tivéssemos gente decente na administração municipal do Rio de Janeiro, um novo autódromo já estaria sendo construído para praticamente um substituir o outro. Sem interrupção de atividades.

Acabar com o autódromo carioca, ainda mais por motivo fútil, deixou-me enojado.

BS






Meu amigo Belli me mandou as fotos deste post, que ele tirou de um Toyota 2000GT (carro sobre o qual falamos aqui e aqui ) ao lado de um Porsche 356 no paddock da pista de Laguna Seca, mês passado, onde todo ano se realizam provas de carros antigos na mesma semana do famoso concurso de elegância de Pebble Beach. Reparem como é pequena, e especialmente na etiqueta do motor, que fornece os dados de regulagem. Coisa de um tempo que se foi...

MAO