google.com, pub-3521758178363208, DIRECT, f08c47fec0942fa0 AUTOentusiastas Classic (2008-2014)
Lendo dia desses um comentário sobre a bateria do Opala em qual lado da mala colocar, parei e ví que as vezes o que me é obvio, não é obvio a todos. Aí resolvi mandar esse post meio sem pé nem cabeça, mas com várias de coisinhas que eu considero legais.

Hoje o Opaloito branco ficou pronto. Putz, até que enfim, dois foram, ainda faltam 2, caramba... Terminei os últimos detalhes, confiri o ponto de ignição, chequei quanto a vazamentos, e parece que está tudo mais ou menos legal, pronto para a longa viagem até sampa, onde o dono o espera ansioso.



A bateria no porta-malas

A bateria na mala, a pedido do MAO, ficou assim. Eu apenas retirei o suporte original do paralamas interno dianteiro, limpei ele de toda rebarba e pedaços de metal não pertinentes e o montei aparafusado direto no assoalho do porta-malas. Usei 3 parafusos de 3/8" NC por 2", e apertei cada um primeiro contra a bandeja da bateria. Instalei a bandeja com os parafusos já fixados em furos feitos no assoalho. Feito isto coloquei as porcas que fixaram o conjunto no assoalho.



Claro que eu não resisti a uma foto de despedida dele junto com outro carrinho simpático que vive aqui na minha garagem, já velho conhecido dos leitores deste blog.


Suportes do 944

Ontem na oficina do eletricista onde o 944 estava (aquele que está recebendo um novo coração) rolou também uma fabricaçãozinha básica, que acho que vale comentar aqui. Os calços do motor precisavam de fabricação, já que nenhum existente do meu conhecimento parece adequado.

Peguei 2 suportes de motor originais de uso marítimo, aparafusei no bloco do motor e faltavam então apenas 2 peças pequenas mas complexas que ligariam os tais suportes de uso náutico aos calços que foram instalados na travessa do 944. No caso, calços originais de opala 4 cilindros. Já me valeram em outras adaptações muito bem e deram de novo o ar da graça nessa aí.

Mas como fazer as tais peças de formas compelxas sem sofrer muito? Aí me lembrei de priscas eras, onde na TV de antigamente tinha um programa infantil chamado "Plim Plim o mágico do papel". Nem me abalei. Peguei um pedaço bom de cartolina, que vem sempre com os jogos de juntas que compro para montar esse monte de V-8s, tesoura e fita adesiva. Pacientemente fui cortando, dobrando e colando com fita os pedaços de cartolina até ter prontos os dois protótipos das peças tão desejadas, mas inexistentes.





Depois de feitos, fui ao torneiro serralheiro, cortamos uns pedaços de chapa de aço, dobramos e soldamos tudo. Aparelhei as soldas, escareei os furos, escovei para ficar com uma aparência melhor, e voltei ao 944, onde as duas peças recém fabricadas foram instaladas sem sequer uma martelada de convencimento.




Logo, fica aqui mais uma dica que pode ajudar alguém na hora de fazer suas fabricações. Cortar cartolina e colar com fita é mais facil que fazer o mesmo em chapas de aço.

Caros leitores,

Gostaríamos de dividir com vocês a satisfação que sentimos ao atingir uma marca interessante.

No mês de setembro ultrapassamos a média de 1.000 visitas diárias no AUTOentusiastas.

A quantidade talvez não seja tão importante, uma vez que não existe meta ou comparação com outros blogs. Mas o número 1.000 é um número bonito não é? Chama a atenção.

É claro que acompanhamos a evolução do número de visitantes, mas como dissemos, não existe uma meta específica. Essa evolução é importante para sabermos se o que estamos fazendo com muito prazer também faz algum sentido para os apaixonados por carros. Por enquanto podemos afirmar que sim, pois o número de visitantes aumenta a cada mês desde o início do AUTOentusiastas em agosto de 2008.

Isso é muito gratificante para nós, principalmente porque esse crescimento vem apenas do boca-a-boca de nossos leitores e amigos, ou, depois dessa convivência diária, amigos leitores.

Então fica aqui o nosso “MUITO OBRIGADO!” a todos vocês.



Pegando uma carona nesse post, aproveitamos para dizer que a publicação do nosso post de número 1.000 está se aproximando - estamos no post 943. Já estamos pensando em algo especial para esse post nº 1.000.

Um grande abraço,

AUTOentusiastas



photos: copyright Roger Dixon.

O evento Goodwood Revival, de 18 a 20 de setembro passado, comemorou os 50 anos do Mini, apresentado ao mundo em 26 de agosto de 1959, após ser totalmente desenvolvido em dois anos apenas.
Um carro amado por uma boa parcela das pessoas que o conhecem, foi o primeiro modelo com a arquitetura de um carro moderno de grande produção, com motor dianteiro transversal com tração dianteira e as menores dimensões possíveis. A otimização de projeto de Alec Issigonis chegou a dois detalhes que não foram popularizados, por serem um pouco complicados para os processos de fabricação atuais e para a manutenção, principalmente. O radiador colocado ao lado do motor, longitudinalmente ao carro, e a transmissão embaixo do motor, visando um comprimento e largura menores ainda.
Começou com um motor quatro cilindros de 848 centimetros cúbicos e 33hp, terminando a sua produção, com a carroceria de 1959, com 1275 cm3 e 76hp, sem falar nas diversas versões de corrida em asfalto e rally, onde sempre teve ótimos resultados graças a relação potência/peso favorável e uma agilidade excepcional.
Nesse evento de Goodwood, houve uma presença interessante que muitos devem ter visto anteriormente, mas na televisão. Rowan Atkinson, o Mr. Bean, entusiasta de carteirinha, reviveu a cena em que compra uma poltrona para sua casa em uma liquidação, e, não cabendo dentro do Mini, amarra-a sobre o carro, e de lá dirige para casa.
As fotos mostradas são uma gentileza de Roger Dixon, fotógrafo e jornalista de eventos de automobilismo esportivo há várias décadas, que nos cedeu-as gentilmente.
Mr. Dixon, many thanks for your kind help with our blog ! It' s a valuable contribution.
JJ
Ser primo do Arnaldo é bem legal. Além dele ser um cara fantástico, bacana e generoso, ele sempre tem ótimas idéias. Uma das últimas foi levar um Jaguar E-type e um Corvette Sting Ray para Interlagos para uma matéria para a Car and Driver Brasil.

A revista, número 22, acabou de chegar às bancas contendo a matéria do Arnaldo que fala como esses dois rivais se comportam. Imperdível. As fotos são do primo aqui.

Para deixar todos com muita vontade de ler a matéria, que não podemos publicar neste blog por razões óbvias, resolvi colocar umas fotos que não saíram na revista. Vale a pena dar uma passadinha na banca mais próxima.



Dois ícones do autoentusiasmo


Sting Ray '63 e E-Type '70, porém o desenho do Jaguar é de 1961 e sofreu pouquíssimas mudanças ao longo dos anos


O contorno das carrocerias é muito parecido

Repare nas linhas que saem dos topos de seus para-brisas e fluem até suas traseiras
Capôs longos acomodam a cavalaria, no Vette um V-8 327 de 5,4 litros e no Jag um L-6 de 4,2 litros


O 6 em linha do Jag justifica sua frente um pouco mais longa


Ambos os capôs tem um sobressalto no centro
No Jag o sobressalto é mais arredondado e as saídas de ar são funcionais

No Vette o sobressalto é mais vincado e as saídas de ar são apenas enfeites


Eu acho os dois modelos muito bonitos, mas a vista lateral do E-Type é mais agressiva

Mas prefiro os faróis do modelo MKI que eram recobertos por uma bolha, eliminada no MKII (modelo dessas fotos), e não gosto da inclinação - ou falta dela - do para-brisa


No Sting Ray não há como não ficar hipnotizado pela sua traseira Splitwindow


As dianteiras dos dois modelos poderiam ser melhores ao meu ver
No Jaguar, acho as rodas dianteiras muito para dentro dos para-lamas


Nas retas o V-8 leva vantagem

Porém nas curvas o gatuno, que além de mais leve tem um melhor acerto de suspensão, se recupera


No final do pega chegaram mais dois primos, um Vette C3 e um Jaguar C-Type

Foi mais um grande dia de autoentusiasmo!
O melhor dos Discovery, morto pela mãe Land Rover no ano-modelo 2009.

O Paulo Keller falou outro dia sobre o entusiasmo de sua filha pelos automóveis, e nos disse com um certo constrangimento que a preferência feminina na casa dele recai nos SUVs.
Então pergunto: qual o mal nisso ? qual o problema em o PK explicar que sua filha e esposa gostam de SUV ? Meu filho disse que quando crescer vai comprar um Ferrari, e eu disse para ele que prefiro Porsche. E daí ? Deveria isso ser motivo de preocupação ? As crianças nos ensinam muitas coisas, em sua inocência e incapacidade de fingir, ao menos até uma determinada idade, como é a do nosso pequeno (4 anos). Se elas gostam, dizem e se expressam com gosto e entusiasmo. Se não gostam, mostram claramente que estão aborrecidas.
Pensando assim, é fácil entender o gosto de muitas pessoas pelos SUVs. Diria que é fácil até demais. Vejamos:

a) ponto básico - em um SUV senta-se mais alto do que em um carro de "passeio" (não concordo com esse termo, daí as aspas). Quer gostem ou não, quer se considere inútil, idiota ou agressivo, é fato: a visibilidade em trânsito de cidade melhora muito. Em estradas não há diferença sensível, mas dentro de ruas e avenidas super povoadas, é um incremento à capacidade de antecipar problemas. Útil quando se sabe que a maioria dirige distraidamente.
b) no sentar mais alto, retornamos aos tempos da Monarquia, onde o trono do rei e da rainha eram sempre altos. A maioria gosta de se sentir superior, chefe, então, compreensível gostar daquele carro alto.
c) cada vez mais as cidades estão se entupindo de motos, a maioria delas conduzidas muito mal, muito rápido ou muito devagar, mal posicionadas em relação aos outros veículos, muito agressivamente, sem nenhuma noção de direção defensiva, com margens de segurança nulas, falta da consciência técnica até mesmo em como usar os freios. Espelhos de carros quebrados são super comuns, e até pouca coisa, em vista dos absurdos dos condutores de motos. Com um SUV espelhos atingidos não ocorre. Se tiver um estribo então, o mau motociclista pensa um pouco antes de tirar aquela "fina", o querer dar um chutezinho em uma porta.
d) estacionar um carro moderno, com cantos arredondados e capô e tampa de porta-malas invisíveis do banco do motorista é uma tarefa não muito fácil nem agradável para quase todas as pessoas. E hoje quase todos os carros novos são assim. Em um SUV quadradão e grande, essa tarefa é muito mais fácil. Se for pequeno, como um Ecosport, por exemplo, alia-se dimensão favorável à visibilidade das extremidades.
e) dirige-se devagar, muito devagar nas cidades com frotas monstruosas. Os dotes dinâmicos de carros pequenos e médios são minimizados em sua eficiência. O congestionamento nivela por baixo a capacidade de frear bem, fazer curvas com tranquilidade e acelerar na frente, caso o motorista seja do tipo que se satisfaz em andar no fluxo mais lento, sem buscar o desafio de aumentar sua velocidade média em relação a maioria. O SUV, normalmente, é um paquiderme em quase todas as provas dinâmicas, exceto; alguns deles; em acelerações. Daí, estar em um carro "bobalhão" não é relevante para a maioria, e essas características de lerdeza nos movimentos em meio ao tráfego pesado não é nem considerada.
f) muitos povos do planeta gostam de aparecer, e se pudessem, levariam uma vida de celebridade exibicionista: festas, recepções, aparecer na televisão, coisas desse tipo. O SUV é um pouco disso, com suas dimensões de anúncio de rua (outdoor ou billboard, coisa que os paulistanos só lembram o que é ao saírem do município).

Com essas características apresentadas, algum purista da tração nas quatro rodas irá me lembrar que muitos desses carros são 4X4 (quatro por quatro), e aí entramos em outro assunto, mais técnico, e por isso mesmo, detestado por quase todo mundo que é apaixonado por um SUV. O caso de ter ou não tração em todas as rodas que tocam o solo é pouco lembrado pelos clientes de SUV. Muitos até preferem não ter, pelo excesso de massa a ser transportado, e menos peças que podem quebrar. Isso se essa pessoa tiver alguma noção do que é uma transmissão. Mas para quem precisa disso, e conhece o assunto, ou ao menos tenta se informar, fica claro que há alguns modelos enfeitados que são carros com ótima capacidade fora-de-estrada. Um exemplo vem imediatamente à cabeça, por ser a marca com mais tradição nesse campo, e que sempre e apenas construiu carros com tração nas quatro: Land Rover.
Exceção feita ao exagerado, e nem tão bonito Range Rover topo de linha, e sua versão Sport com aquelas rodas de balada e exibição, o SUV ideal para quem quer tudo que um carro moderno pode ter, somado a um sistema de suspensão e de tração que beiram a perfeição técnica é apenas um: Discovery.
Mas esqueçam essa versão de gradinha nova, modelo 2010. O Discovery clássico e premiado é o modelo chamado de LR3 no mercado americano, feito até o modelo 2009.

Um caso de face-lift mal feito e que piora o produto: Discovery 2010.

Mesmo os mais antigos, que podem ser chamados de não-harmônicos ou feios, são carros capazes, e que ainda entregam um bom nível de conforto aos usuários.

Agora, caso você seja um comprador de SUV e quer um bem equipado e confortável, além de desejar um acabamento interno e externo de automóvel de passeio moderno e que quer aparecer, anote esse conselho: não leve para casa um Defender achando que estarão a bordo de um carro "de luxo", como noticiou a Imprensa num recente caso de corrupção política federal documentada. O Defender é uma ferramenta de trabalho, e está na categoria do fora-de-estrada puro e duro, onde o propósito não é exibição e nem fazer show dentro das metrópoles. É um carro que serve apenas para andar longe do asfalto, satisfazendo seu condutor com a absoluta facilidade com que realiza essa tarefa.
Nas impermeabilizadas ruas das cidades, é apenas um quebra-galho para se deslocar de um ponto ao outro.
Mas ainda assim, ótimo para passar por cima daquela ilha ou canteiro de avenida e buscar outro caminho, quando o que você está se torna uma rota inviável, com velocidade média próxima de zero.

Defender nunca foi SUV e esperamos que nunca seja.

Um Defender para o mercado americano, com V8 gasolina.

JJ
Antes de mais nada, desculpas aos leitores pela longa ausência. Tenho andado muito atarefado por esses dias, terminando uns projetinhos de uns amigos.
O Opala com a bateria na mala foi um deles. E hoje, outro projeto que está comigo há uns bons meses andou um bocado. Para quem não aguenta mais essa mesmice de Opala V-8, Chevette V-6, Camaro V-8, Chevette V-8 - opa, novidades, vamos ter um Chevette V-8 mas isso é para outro post - temos algo fino e sofisticado, fora do normal e que deve deixar nosso Prezado Amigo MAO de cabelos em pé!
Explico: é que a última obra deste escriba é instalar um SBC 350 num 944 86 que tem alguma dificuldade com o motor original. Claro, coisa fina, kitzinho de transmissão da renegade hybrids, e o velho e manjado SBC 350 made by AG.
Nas fotos abaixo, a bagunça começando a acontecer!

Espero que gostem.



As fotos que vocês podem ver ilustrando este post são do carro que tem feito entusiastas bambear as pernas e babarem até colar o queixo na gola da camisa, desde que foi anunciado mês passado no Concurso de Elegância de Pebble Beach, na Califórnia.

Usando como base um 911 original com entre-eixos longo (1969 a 1989), a empresa que o criou clama ter pego o melhor de 40 anos de desenvolvimento do 911 refrigerado a ar (aquele, o que era realmente um 911) e juntado tudo neste amálgama de modernidade e passado glorioso que ela chama apenas de "Singer 911". Praticamente todo escriba que se preza adorou só de olhar a cara do bicho, e quando soube os detalhes quase teve um orgasmo tântrico de 6 horas.


Mas eu, estranhamente, principalmente por ser o puristra maluco por 911 refrigerado a ar oficial deste blog, fiquei meio em dúvida. Ápice do 911 original? Será?

Se você perguntar a alguém de sobrenome Porsche, ele dirá que o ápice do 911refrigerado a ar foi o tipo 993 (nomeado assim devido a seu ano de lançamento, 1993) fabricado até 1997, mas que um 911 zero Km que se pode comprar em concessionária hoje é ainda melhor. Realmente existem poucos argumentos lógicos para refutar tal afirmação. A Singer, porém, parece ter uma idéia interessante: seus press-releases evocam a leveza, a simplicidade e até o barulho característico do motor refrigerado a ar como algo que não devia ter sido abandonado.

Eu mesmo sou largamente conhecido por apregoar a mesma coisa aqui neste Blog. Muitas vezes, menos é mais, e mais é simplesmente um exagero inútil. Mas o que diferencia um carro como este Singer de , por exemplo, um Carrera 2.7? Aparentemente, pelo uso de componentes e tecnologia moderna, seria um carro também usável no dia-a-dia.

O carro começa com uma carroceria usada de um 911. Ela é totalmente limpa de pintura, e solda MIG é usada para reforçar toda junção de chapas. Um "backbone" (chassi tipo espinha) existe para reforçar ainda mais a estrutura, embora a empresa não dê detalhes de como isso funciona (provavelmente, uma estrutura tubular por baixo do túnel central). Pode-se ver no primeiro carro montado, um santantônio tubular por dentro do carro também. Segundo a empresa, todas as superfícies externas (exceto a porta) são substituidos por peças moldadas em resina plástica reforçada com fibra de carbono (material conhecido por aí apenas com o nome da fibra de reforço). A rigidez, já uma característica que nunca foi ruim num 911, com certeza melhorou. Somente o reforço das soldas com cordões de solda aumenta sobremaneira a rigidez de qualquer carroceria soldada a ponto, apesar de ser extremamente trabalhoso, e por consequência, caro.

O motor também parece ser uma jóia: baseado no bloco grande de 3,6 litros do 993, é aumentado para 3,8 litros por meio de pistões e camisas (parecidas com as de fusca no 911 "a ar") de 103mm de diâmetro e o virabrequim de 76,4mm de curso do Porsche 997 GT3 . Montado pela empresa do famoso preparador Jerry Woods, usando peças da Ninemeisters inglesa, o motor tem ainda bielas de titânio e cabeçote especial usinado de um bloco sólido de alumínio forjado. Balanceado e feito com cuidado, gira a 8000rpm e debita 425cv. Empurrado por essa usina de força (e, sem dúvida, de ruído), e pesando apenas 1088kg, o Singer 911 acelera de 0-100Km/h em torno de 4 segundos, e chega a 275km/h.

A suspensão dianteira, por barras de torção na balança triangular inferior e torre de amortecedor no original, é substituida por torres McPhearson, e a traseira é a mesma dos 911 de corrida dos anos 70: braço arrastado com mola helicoidal concêntrica com o amortecedor.O melhor da indústria de preparação de 911 é utilizado: amortecedores Moton com reservatórios separados, molas Eibach, e buchas e barras estabilizadoras Smart Racing. Os pneus são enormes Michelin sport cup, 225/45 17 na frente e 245/40 17 na traseira, em rodas que imitam as gloriosas fuchs forjadas dos anos 60/70. O desenho dos pneus é claramente focado para aderência máxima em pista seca, com apenas as concessões necessárias para homologação para o uso em rua.

Por dentro, um belíssimo volante Momo de pequeno diâmetro, sem air-bag, domina a impressão inicial. Existe algo em um volante simples como esse que é uma brisa de ar fresco para o entusiasta, uma coisa que nos alivia e nos leva a um mundo mais simples que não existe mais... Os bancos são Recaros antigos, parecidos com os do 2.7 RS, e apesar de espartano, a ampresa diz que amenidades modernas como ar condicionado, som potente e navegador GPS estarão disponíveis. Um detalhe interessante e de bom gosto na escolha dos componentes é o uso dos limpadores de parabrisa do 993, que denota realmente o esforço de usar o melhor de todos os 911 originais. O desenho externo é realmente, de novo, de extremo bom gosto, evocando principalmente o magnífico Carrera RS de 1974. Fica especialmente malvado e adorável no laranja das fotos.


Lendo e vendo tudo isso, não há dúvida que o carro será incrível para dirigir, e causador de furor por onde passar. Mas penso que não tem como ficar barato; todo este trabalho especializado feito a mão individualmente nunca é. E acho que fica num estranho limbo, uma zona cinza entre um carro de pista e um carro de rua, que não consigo entender, ou realmente desejar de forma tão compulsiva quanto a maioria das outras pessoas.

Para o uso nas ruas, no dia-a dia, não entendo onde pode ser melhor que um 993. Sim, é mais potente e mais cru, mais próximo de um carro de competição, mas isto é na verdade um problema para um carro de rua. O 993 tem uma suspensão traseira mais sofisticada, multibraço montada numa bela estrutura de alumínio, que transformou o 911 em um dócil companheiro tanto para estradas esburacadas, como em pistas sinuosas. O ronco e a persona bruta e sem sofisticação de um 911 refrigerado a ar está presente no 993, mas é um carro perfeitamente usável e dócil, um belo companheiro para o dia a dia, e ainda possível de se usar numa pista.

O balanceamento rua-pista é sempre delicado neste tipo de carro. O Singer 911 pretende ser um 911RS3 refrigerado a ar, mas tendo usado componentes dos 911 antigos, acabou deixando o pendulo cair mais para o lado da pista do que pode ser aceitável para que o conceito faça sentido. Não existe como este motor ultra-preparado não soltar um berro gutural que apesar de muito legal nos primeiros 7 dias, será impossível de aturar nos subsequentes. Sua suspensão será rígida demais, e o carro caro e exótico e bonito demais para ser deixado em qualquer lugar, por medo de se repor ou ter que pintar um paralaminha de fibra de carbono. E para pista...algo ainda mais cru e focado é o necessário.

O fato é que pelo preço deste carro, muito provavelmente você poderá comprar um 993 original e deixá-lo em estado de zero, usá-lo todo dia , e ainda rebocar um 911S 68 de corrida (depenado, rollcage, slicks, mármore italiano no lugar de suspensão, sem abafadores de escape) para as pistas no fim de semana. Ou comprar um RS3 novinho, que faz perfeitamente o balanço pista-rua, e deixar toda esta bobagem de passado para atrás. Mesmo porque carros como este Singer, por mais bem feitos que sejam, nunca terão a confiabilidade de um Porsche original. Este fato, amigos, quase nunca é lembrado quando se fala de carros deste tipo, mas é um tremendo problema. Como um brinquedo de fim de semana, tudo bem, mas para este fim existem literalmente infinitas opções.

Desta forma, apesar do extremo bom gosto na execução, este belíssimo 911 me parece ser destinado apenas aos que querem ser diferentes, passar a imagem de puristas ou conhecedores, ou apenas ter algo raro, ou ainda, infelizmente, apenas aparecer. Nenhum problema com nenhum destes motivos, mas definitivamente não toca a minha música.


MAO
Chico Landi e o Opala SS 1975. Impossível imaginar um garoto propaganda melhor.

FB
Hoje, durante minha surfada diária pelo mundo automotivo encontrei fotos da nova Meriva a ser lançada na Europa. Logo que bati o olho achei-a bem parecida com vários modelos como Mercedes B e A e Honda Fit. Poderia também se passar perfeitamente por um novo modelo da Hyundai.


Os fabricantes tem muita dificuldade para fazer designs muito inovadores nos segmentos de maior volume, onde precisam agradar a um grande número de consumidores. Se inovarem demais podem passar do ponto e aí acabam agradando apenas a um aparte dos consumidores. O Renault Megane hatch com aquela traseira truncada é um bom exemplo. Alguns arriscam mais e acabam se dando bem, como o Honda Civic no mercado local.
Em linhas gerais, os inovadores que se deram bem acabam sendo copiados ou servem de "inspiração" para os concorrentes. E os modelos mais tradicionais, que já tem nome consagrado e uma grande clientela cativa, acabam no play it safe, ou seja, arriscam pouco. O Golf, que muda muito pouco a cada geração é um bom exemplo. Como resultado, vemos uma mesmice nos segmentos de maior volume.
Mas voltando a Meriva, a Opel tentou resolver esse problema fazendo um desenho atraente para qualquer pessoa, algo mais genérico, sem riscos, mas também incluindo um ítem pouco convencional, as portas traseiras invertidas.


Pouco relacionado com sua utilidade ou funcionalidade, que serão exploradas ao extremo pelos vendedores da marca, o motivo maior para essas portas invertidas é fazer a Meriva se destacar dos concorrentes em pelo menos um argumento de vendas. Ter um argumento de vendas exclusivo, unique selling point/proposition no mundo dos marqueteiros, é fundamental para chamar a atenção para um novo modelo que faz exatamente o mesmo que todos os outros concorrentes.

Seja por conservadorismo dos consumidores, medo dos fabricantes de arriscar ou regulamentações a serem cumpridas, todos os carros dos grandes fabircantes, em um mesmo segmento, são muito parecidos com diferenças sutis em performance, dirigibilidade, conforto e segurança. Ou seja, não há grandes saltos que tornem um modelo super cobiçado. Não existem iPhones no mundo dos automóveis.

E assim a evolução do automóvel caminha a passos pequenos, sem grandes saltos, com fabricantes tateando pouco a pouco novas tendências e inovações que não desafiam muito os conceitos atuais. Tudo com muita cautela.

Outro exemplo de argumento de vendas exclusivo é o vidro dianteiro do novo Citroen C3, já usado em carros de outros segmentos, mas pela primeira vez em carros compactos.


Ao meu ver, nem sempre esses argumentos de vendas exclusivos tem uma grande utilidade, porém atuam muito bem no emocional das pessoas.

Motivado pelo post FILHO(A) DE PEIXE..., o leitor Pedro nos enviou um desenho do seu filho Pedrinho, um entusiastinha nato, que na época em que desenhou o coupe baixo tinha 8 anos.
O Pedro, louco pela La Bruta Bellezza, o Fiat Coupe, entitulou o lindo desenho do filhote de "Meu Coupe".
Convidamos todos os pais de entusiastas mirins a nos enviar desenhos de carros de seus filhões ou filhotas. Se não tiverem algum recente peçam para que eles façam um bem especial para o blog.
Enviem os desenhos para autoentusiastas@gmail.com. Assim que recebermos alguns faremos um post para aumentar ainda mais o entusiasmo dos pequenos.
PK